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1 | CODIGO | TITULO | RESUMO | SIMPOSIO_ALOCADO | AUTORES | MODALIDADE_DESCR | ID_TRABALHO | CUSTOM_LOOKUP1 | RESOURCE_FILE | |||||||||||||||||
2 | 8865248 | "Paz Quilombola": Olhares sobre a perspectiva de quilombo em Beatriz Nascimento | Este ensaio tem como propósito refletir sobre o quilombo como conceito e distintivo étnico que caracteriza grupos étnicos que reivindicam direitos territoriais. Para isso, buscamos refletir as dimensões do quilombo a partir das reflexões apresentadas por Beatriz Nascimento, pensadora que durante as décadas de 1970 até o início dos anos de 1990 desenvolveu pesquisas sobre o tema. Metodologicamente nos amparamos em pesquisa bibliográfica e documental, a partir dos escritos da autora, tomando como base os textos �Sistemas Sociais Alternativos Organizados pelos Negros: dos quilombos às favelas�, �Quilombo: mudança social ou conservantismo�, �Kilombo e memória comunitária: um estudo de caso�, �O Negro visto por ele mesmo�, �Historiografia do Quilombo�, �Continuidade e descontinuidade histórica dos quilombos no estado do Rio de Janeiro�, �A luta dos quilombos: ontem, hoje e amanhã� (NASCIMENTO, 2000; 2018; 2021). Também tomamos como aporte bibliográfico, os livros: �Eu sou Atlântica: sobre trajetória de Beatriz Nascimento�, publicado por Ratt´s (2006) e �Todas (as) distâncias: poemas, aforismos e ensaios de Beatriz Nascimento�, organizados por Ratt´s e Gomes (2015). Do ponto de vista documental, acessados e marcos legais que fazem menção aos quilombos brasileiro, utilizando o Conselho Ultramarino Português de 1740, Constituição Federal de 1988 no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias � ADCT em seu artigo 68, Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho � OIT e Decreto 4.887/2003 que regulamenta os procedimentos de identificação, reconhecimento, demarcação e titulação das terras quilombolas. As reflexões apresentadas partem de investigações e diálogos efetivados a partir do projeto de pesquisa, intitulado: �Pelos Caminhos de Beatriz Nascimento: o conceito de quilombo e outras dimensões das relações étnico-raciais no território brasileiro�, desenvolvido por intermédio do edital de Responsabilidade Social (2021 - 2022) do Centro de Ciências Humanas, Sociais e Agrárias � CCHSA da Universidade Federal da Paraíba � UFPB. Também do Grupo de Trabalho � Território e Etnicidade do grupo de pesquisa Gestar: território, trabalho e cidadania, credenciado pelo CNPq/UFPB. Consideramos que sob o olhar de historiadora, Beatriz Nascimento lança proposituras e reflexões que contribuem para refletir sobre os quilombos brasileiros, ao tempo em que corrobora para as concepções deste conceito no âmbito interdisciplinar. No tocante a contribuição da autora, estabelecemos as seguintes questões de pesquisa: Qual sentido de quilombo Beatriz Nascimento apresenta em seus escritos? Que contribuições esta autora tem para os estudos sobre as comunidades quilombolas no tempo presente? Nesse sentido, buscamos tecer considerações neste texto, a partir das questões de pesquisa levantadas. Ao longo do tempo, o conceito de quilombo passou a ser objeto de preocupação de pensadores sociais cujo mote de interesse, revelado pela historiografia, se deu a partir de uma dimensão espacial que configurou estes territórios como lugares de resistência, formados a partir da fuga de escravos e espaços distantes dos núcleos de povoamento no país. Como territórios de resistência, os quilombos brasileiros foram sendo formados a partir de uma realidade social concreta de mulheres e homens que buscavam por espaços de liberdade e construção de solidariedade em contraposição à ordem hegemônica estabelecida. Autores como Reis (1995), M. G. Almeida (2010), Leite (2000), Munanga (2000) e Nascimento (2021) refletiram sobre o caráter reducionista atrelado à perspectiva colonial ao se referirem sobre o quilombo brasileiro. Os autores citados chamam atenção para a urgente ressemantização do conceito, considerando interpretações com base nas experiências locais de pesquisa, assim como na própria bibliografia e/ou documentação oficial sobre o tema. As diferentes configurações nos levam a compreender que a criação dos quilombos não tem como únicas gêneses: a fuga e distanciamento geográfico. Cada grupo étnico em questão tem trajetória histórica própria com composições identitárias que podem ou não revelarem características do conceito forjado pelo Estado. Ao chamar atenção para os momentos de �paz�, Beatriz Nascimento revela que tais situações são relativas às práticas cotidianas que revelam a identidade das comunidades quilombolas, embora saibamos que no tempo presente, esses momentos são disputados pelas demandas constantes por acesso a direitos, eles continuam coexistindo como fator aglutinador desses povos. Unidade composta por um território de pertença, cujo tempo é moldado pelo ritmo do grupo, entre �paz� e �guerra�, as comunidades quilombolas se reproduzem. Beatriz Nascimento oportuniza um diálogo atual ao revelar que a unidade e o fortalecimento do grupo se amparam nas experiências dos sujeitos em seus territórios cotidianamente. Refletir sobre esses momentos de �paz� e �guerra� apontados por Beatriz Nascimento no tempo presente significa apontar que a reivindicação dos direitos territoriais quilombola é uma ação política de confronto de lógicas distintas que visa para os grupos uma afirmação enquanto parcela etnicamente diferenciada e que promove distinção identitária em relação ao outro hegemônico. Ela permite que enxerguemos manifestações culturais como as congadas, cocos de roda, festejos de colheita, lavagens, batuques, maracatus. Nesse espaço, também cabem às relações de parentesco que promovem a coesão de grupos por unidades familiares comuns e por gerações. Simetria da vida em movimento, reprodutora da vida entre grupos ditos etnicamente diferenciados. | 06. Relações étnico-raciais, gêneros e sexualidades | Amanda Marques | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5924 | resources/download/restrict/eng2020/1658835586_ARQUIVO_c128a19f7667bc71e31b031a7fb50746.pdf | ||||||||||||||||||
3 | 5632528 | (Re)conhecimento das Relações Étnico-raciais no Currículo de Geografia nos Anos Finais do Ensino Fundamental em Sergipe. | Sabemos que os currículos são elaborados a partir da seleção de conteúdos, escolhendo quais conteúdos devem estar presentes e, principalmente, quais não, moldamos qual modelo de educação propomos a sociedade . O currículo parte geralmente da �história mundial, valendo-se da perspectiva e dos marcos europeus.� (BASILIO, 2018) e, portanto, não poderia ser diferente estar impresso neles esta marca, mesmo que geograficamente a um oceano de distância ainda estão cravados os dentes em nossas gargantas (GALEANO, 1971). No Brasil, em 2003 foi promulgada a Lei 10.639/03 que �está possibilitando o tensionamento do currículo hegemônico e impondo questionamentos aos sistemas de ensino e as instituições educacionais.� (BASILIO, 2018) Partindo do pressuposto de que marcas eurocêntricas e capitalistas ainda se fazem presentes na elaboração dos currículos, corroboramos com SILVA (1999) que �(...) quando pensamos em currículo pensamos apenas em conhecimento, esquecendo-nos de que o currículo está inextricavelmente, centralmente, vitalmente, envolvido naquilo que somos, naquilo que nos tornamos: na nossa identidade, na nossa subjetividade. Talvez podemos dizer que, além de uma questão de conhecimento, o currículo é também uma questão de identidade.� A inquietação por estudar a temática com enfoque voltado para as relações Étnico-raciais, surge a partir da vivência na educação básica, quando aluna na cidade de Estância, no estado de Sergipe, foi observado durante este período que, as abordagens referentes as questões das relações étnico-raciais, eram tratadas apenas, no dia 20 de novembro (data esta que tem no seu bojo a comemoração do dia da Consciência Negra), no entanto, segundo a Lei 10.639/03 de 2003, é previsto que estes conteúdos devem ser abordados não somente na semana que antecede as comemorações ou no próprio dia, e sim como eixo transversal durante as aulas no ano letivo em diferentes disciplinas, como bem atestam, Souza e Croso. Com a lei 10639/03 a escola aparece como lócus privilegiado para agenciar alterações nessa realidade, e é dela a empreitada de acolher, conhecer e valorizar outros vínculos históricos e culturais, refazendo repertórios cristalizados em seus currículos e projetos pedagógicos e nas relações estabelecidas no ambiente escolar, promovendo uma educação de qualidade para todas as pessoas (2007, p.21). A vivência enquanto aluna do ensino fundamental em escola da rede privada na cidade de Estância, propiciou esse questionamento devido à proximidade geográfica de uma comunidade quilombola urbana localizada no bairro Porto D�Areia. Esta Comunidade, também denominada de Porto D`Areia, é considerada, um marco para o Centro-Sul e Sul de Sergipe, por ser a primeira comunidade urbana a ter o reconhecimento de Remanescente Quilombola em toda região, e uma das primeiras em Sergipe. As questões relacionadas aos conteúdos étnico-raciais podem ser abordadas pela geografia a partir da aproximação com a realidade das/os estudantes, como o caso de Estância. Embora, mesmo que não haja comunidades de Remanescente Quilombola próximas à escola, ela se faz presente e necessária, por isso corroboramos com Dermazo (2013, p. 88) ao afirmar que �uma sociedade que exclui não só por classe, mas também por raça, não pode resumir um projeto educativo democrático apenas sob olhar sócio-econômico e negar o pertencimento étnico-racial às pessoas que nela estão incluídas�. Muitos estudantes em Sergipe desconhecem a formação territorial do Estado, as disputas por terra e território que tem intrínsecas as relações étnico-raciais, que expressam as hierarquias sociais de classe-raça-gênero ainda hoje em pleno Século XXI e que são tão evidentes e que contribuem de forma relevante na atual configuração, não somente de Sergipe, mais de todo o país. Tais condições despertam o interesse por esse tema, a fim de entender como são trabalhadas as questões étnico-raciais nos anos finas do ensino fundamental do currículo de Sergipe na parte da geografia. Buscando descobrir se as relações étnico raciais, que devem ser ensinadas por lei, estão presentes no documento que �rege� a educação no estado. Para tal se utilizará de revisão bibliográfica, análise do currículo de Sergipe e textos voltados para a questão das relações étnico-raciais na educação, a partir de uma análise crítica. Propomos iniciar pela análise da Lei 10.639/03 de 2003, visando identificar seus principias pontos e sua importância como instrumento para auxiliar nos estudos de temas transversais e no debate sobre as questões Étnico-raciais na geografia escolar . Bem como análise do currículo de Sergipe, na parte referente a Geografia, buscando associar a lei com a presença das questões étnico-raciais no documento. Pretendemos verificar como as discussões são postas e quando são trabalhas na disciplina de Geografia além da semana da Consciência Negra, dia 20 de novembro, como forma festivas, ou se de fato é atribuída as disciplinas durante o ano letivo evidenciando a importância de se ter a questão Étnico-racial presente no cotidiano da sala de aula. Buscaremos verificar se há ou não algum descompasso entre a lei e a sua proposição no currículo de Geografia das séries finais do ensino fundamental. Portanto faz-se relevante (re)conhecer a presença das relações étnico-raciais no currículo de geografia do ensino fundamental de Sergipe, colaborando assim com professores e professoras de geografia, para que se apropriem desta temática como eixo transversal em suas aulas. Referência Bibliográfica SOUZA, Ana Lúcia Silva; CROSO, Camila. Igualdade das relações étnico-raciais na escola. Possibilidades e desafios para implantação da lei 10.639/03. São Paulo, Peirópolis. 2007. DEMARZO, Marisa Adriane Dulcini. Educação das relações étnico-raciais: do que estamos falando? In: Demarzo, Marisa Adriane Dulcini. Educação das relações étnico-raciais : aprendizagens e experiências de professoras em São Carlos-SP. São Carlos : UFSCar, 2013. https://repositorio.ufscar.br/handle/ufscar/2679?show=full Acessado e: 25 de abril de 2022. GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. Tradução de Sérgio Faraco, Editora LPM, 1971. SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2ª ed. Belo Horizonte, Autêntica, 2005 REGIS, K.; BASÍLIO, G. Currículo e Relações Étnico-Raciais: o Estado da Arte. Educar em Revista, Curitiba, Brasil, v. 34, n. 69, p. 33-60, maio/jun. 2018. Acessado em: 25 de abril de 2022 | 06. Relações étnico-raciais, gêneros e sexualidades | SHIMONEHÁ, Laiany Santos | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5947 | resources/download/restrict/eng2020/1662000067_ARQUIVO_230531946f0010c879002baa0dd94679.pdf | ||||||||||||||||||
4 | 2478196 | A Abordagem sobre os conflitos separatistas na Irlanda do Norte, a partir da Análise do Discurso nos livros didáticos de Geografia | Introdução O livro didático, ainda se constitui, apesar de diversos recursos didáticos existentes, em uma importante fonte de informação e de mediação do conhecimento sobre o mundo em que vivemos. Por muitas vezes se constitui na única ferramenta pedagógica utilizada por muitos professores, ao ministrarem as suas aulas, especialmente nos lugares mais distantes dos grandes centros urbanos. Na avaliação de Choppin (2004), os livros didáticos cumprem, ainda, funções referenciais que variam conforme o ambiente sociocultural, a época de seu uso, conforme as disciplinas, os níveis escolares de ensino, os métodos e formas de utilização. Assim, podemos inferir que os livros didáticos, inclusive os de geografia cumprem tais funções em diferentes contextos escolares. Dessa forma, é importante pesquisarmos e analisarmos sobre os discursos presentes nos textos e imagens apresentadas nos livros didáticos, visto que, é extremamente necessário desnudar como essas funções aparecem no discurso do livro didático. Além disso, torna-se importante a realização dessas pesquisas, já que esse recurso é uma referência importante para alunos e professores do ensino básico. Nesse contexto, se insere a proposta da pesquisa sobre conflitos geopolíticos de cunhos separatistas na Irlanda do Norte. Trata-se de um importante conteúdo estudado em geografia, sobre diferentes matizes. Tais conflitos demonstram que os Estado Nacionais não são homogêneos, como, não raro, são retratados nos discursos oficiais e na historiografia tradicional, produzidos e disseminados com o objetivo de formar uma ideia de identidade e unidade nacional. Em vista disso, acaba ocorrendo o silenciamento de movimentos e grupos sociais, que reivindicam e lutam por ideias diferentes e, até mesmo, pela emancipação de parcelas dos territórios, nos quais ocorrem disputas. Para o desenvolvimento da pesquisa, algumas perguntas surgem: Quais conflitos separatistas são discutidos/apresentados nos livros didáticos de geografia, do ensino médio? Como tais livros abordam os conflitos separatistas na Irlanda do Norte? O que é retratado/silenciado e/ou refletido/explicitado nesses materiais? Quais os discursos presentes nos textos e imagens dos capítulos que discutem tais conflitos? A partir do que é apresentado/silenciado nesses discursos, quais abordagens podem ser propostas, no sentido de ampliar/aprofundar as análises sobre os conflitos separatistas nesses continentes? Metodologia Para desenvolvimento da pesquisa, optamos por usar a Análise Crítica do Discurso (ACD), a partir das contribuições de Fairclough, e Ruth Wodak, entre outros, que definem a linguagem, os textos, as imagens e os discursos como uma prática social, relacionada a um contexto histórico e social (Wodak, 2004). Nesse conceito temos enquadrado os livros didáticos, que possuem discursos presentes em seus textos e imagens, que estão relacionadas com o tempo histórico e social da época em que foram escritos. Articulando a ACD, como metodologia, mobilizaremos as contribuições de Eni Orlandi (2007), que nos apoiará na compreensão sobre os possíveis silenciamentos presentes nos livros didáticos referentes aos movimentos separatistas. Orlandi (2007) demonstra a importância de analisarmos o papel do silêncio como uma linguagem e uma forma de discursos, por ter vários significados e como algo �fundante� do processo discursivo, e que as palavras possuem silêncios. Quando dizemos que há silêncio nas palavras, segundo a autora, está se dizendo que elas são atravessadas de silêncio, e que o silêncio �fala� por elas e elas silenciam. As palavras são cheias de sentidos a não dizer e, além disso, colocamos no silêncio muito dos seus significados. De acordo com a autora, é através da reflexão sobre o silêncio, que teria como base a formulação de questões que pensassem o �não-dito� discursivamente, para que se tornassem visíveis aspectos deste que não aparecem no tratamento linguístico ou pragmático dado a ele, alguns desses aspectos, através da análise de discursos se tornariam mais claros. De acordo a autora a materialidade do silêncio, se mostra na relação entre o imaginário e o real, sendo nessa relação que ele ganha o seu significado. Objetivo principal � Analisar os discursos sobre os movimentos separatistas na Irlanda do Norte, presentes nos livros didáticos de Geografia do ensino médio do PNLD/2018. Objetivos Específicos: � Conhecer as abordagens presentes nos livros didáticos sobre os movimentos separatistas existentes no mundo; � Identificar possíveis silenciamento sobre os movimentos separatistas na Irlanda do Norte, presentes nos livros didáticos; � Elaborar propostas alternativas de discursos sobre os conflitos geopolíticos separatistas, para trabalho com os alunos do COLTEC/UFMG (elaboração de Sequência Didática). Resultados: Dos livros didáticos do PNLD 2018, apenas três abordam sobre os conflitos na Irlanda do Norte, que são: �Geografia Ação e Transformação�, �Território e Sociedade no Mundo Globalizado� e �Geografia no Cotidiano�. A pesquisa atualmente encontra-se no estágio da primeira Análise do Discurso, dos livros didáticos, que se seguirá com uma revisão, e posterior elaboração de uma proposta de uma nova construção discursiva sobrea temática trabalhada. Em termos gerais os livros didáticos, abordam os conflitos na Irlanda do Norte, iniciando com um contexto histórico, sobre as origens dos conflitos na região, iniciado com as dominações inglesas na Ilha da Irlanda, a partir do século XII. Os livros �Território e Sociedades no Mundo Globalizado� e �Geografia no cotidiano� silenciam uma medida adotada pelo estado britânico, para consolidar a sua dominação sobre o território irlandês, e também retalhar as revoltas irlandesas contra o processo de dominação, que foi a expropriação das terras para a população irlandesa, e sua ocupação por britânicos. Referências bibliográficas CHOPPIN, Alain. História dos livros e das edições didáticas: sobre o estado da arte. Educação e pesquisa. São Paulo, v.30,p.549-566,set/dez.2004. BITTENCOURT, C.M.F. Livro didático entre textos e imagens. In: BITTENCOURT, C.M.F. O saber histórico na sala de aula. São Paulo. Editora Contexto. 2002. p.69-90. ELIAS, Ivi Vasconcelos. O mito de Sísifo: a mediação do processo do acordo de paz na Irlanda do Norte e a assinatura do processo de paz na Irlanda do Norte e a assinatura do Acordo de Sexta Feira Santa. Orientador: Nizar Messari. Rio de Janeiro: PUC, Instituto de Relações Internacionais, Dissertação de Mestrado, 2006. ORLANDI, Eni Puccinelli. As formas do silêncio: no movimento dos sentidos. 6º edição. Campinas, SP. Editora UNICAMP, 2007. LUCCI, Elian Alabi; BRANCO, Anselmo Lazaro; MENDONÇA, Cláudio. Território e sociedade no mundo globalizado. Ensino Médio, 3. 3.ed. São Paulo: Saraiva, 2016. MARTINS, Dadá; BIGOTTO, Francisco; VITIELLO, Márcio. Geografia no cotidiano. Ensino Médio, 3ª ano. 1.ed. Curitiba: Base Editorial, 2016. MARTINI, Alice; DEL GAUDIO, Rogata Soares. Geografia Ação e Transformação. 3ª ano: Ensino Médio. 1. Ed. São Paulo: Escala Educacional. Coleção Geografia Ação e Transformação. V.3, 2016. MUNAKATA, Kazumi. O livro didático: alguns temas de pesquisa. Revista Brasileira de História da Educação, Campinas-SP, v.12, n.3 (30),p.179-197, set./dez., 2012. TONINI, Ivaine Maria. Imagens nos livros didáticos de geografia: seus ensinamentos, sua pedagogia... Mercator- Revista de Geografia da UFC, ano 02, número 04, 2003. RESENDE, Viviane de Melo; VIEIRA, Viviane. Análise de discurso (para a) crítica: O texto como material de pesquisa. Coleção Linguagem e Sociedade Vol.1. Campinas, SP: Pontes Editores, 2º Edição-2016. SILVA, Jeane Medeiros. A constituição de sentidos políticos em livros didáticos de geografia na ótica da análise crítica do discurso. Dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Geografia. Uberlândia, 2006. WODAK, Ruth. Do que trata a ACD- Um resumo de sua história, conceitos importantes e seus desenvolvimentos. Linguagem em (Dis)curso- LemD, Tubarão, v.4. n.unesp,p.223-243, 2004. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Glauco Antero Nascimento | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 967 | resources/download/restrict/eng2020/1660681905_ARQUIVO_49881c933b8dcb2338551f515ade1b05.pdf | ||||||||||||||||||
5 | 8189811 | A acessibilidade nas escolas públicas municipais de São Paulo na Diretoria de Ensino Pirituba Jaraguá entre os anos de 2008 a 2020 | No atual sistema educacional, a �inclusão de alunos� de Atendimento Educacional Especializado (AEE) vem se destacando, ainda sob os comentários de figuras políticas que tem demonstrado a insatisfação e o descaso com esses alunos, nesse aspecto, o trabalho presente vem discutir alguns conceitos de inclusão e a perspectivas metodológicas delas. Este trabalho é uma proposta de pesquisa a nível de mestrado, a qual vem mapear as escolas de ensino fundamental da região da Diretoria Regional de Ensino Pirituba � Jaraguá, tendo como recorte os ciclos anuais do 6º ao 9º ano, esse mapeamento vem trazer os perfis das escolas sobre a acessibilidade no que toca desde as características físicas prediais, a oferta de ensino, e o ambiente interno ao redor das escolas, partindo de uma escala local para regional. Para a realização de pesquisa, o método a ser utilizado será o de métodos mistos, buscando uma triangulação de busca de dados entre os vários atores sociais presentes no ambiente escolar, sendo os professores, pais, alunos, gestores e os bancos de dados das instituições governamentais. Como objetivo geral, o trabalho buscará Mapear os usos dos espaços escolares da Diretoria Regional de Educação Pirituba � Jaraguá no município de São Paulo, em relação a oferta de acessibilidade e inclusão da educação especial, direcionando � as para uma avaliação e implementação de políticas públicas. E como objetivos específicos serão: � Localizar o número de escolas na Diretoria Regional de Educação (DREs) Pirituba � Jaraguá; � Levantar dados documentais da organização educacional inclusiva e suas modificações; Levantar dados através do método de triangulação (questionários e entrevistas), o perfil de cada grupo da realidade escolar, Pais, alunos, professores, coordenadores, diretores e supervisão de ensino; � Analisar as transformações das leis e diretrizes da educação e seus efeitos no espaço � tempo educacional, assim como o crescimento de matrículas dos alunos de Atendimento Educacional Especializado; � Sistematizar gráficos e mapas que contenham as situações sociais e demográficas do educando, como características da população, raça, gênero, tipos de deficiência dos alunos, IDH, renda e nível de escolarização das famílias, assim como o nível educacional dos educandos em sites de instituições governamentais; � Comparar mapas do local para o regional através dos processos históricos da educação no município de São Paulo, como por exemplo: os múltiplos processos de alteração das políticas públicas nas escolas. METODOLOGIA A metodologia de pesquisa deste trabalho utilizará a pesquisa de métodos mistos, delimitando � se em sequencial explanatório, onde a coleta de dados quantitativos, por meio de questionários estruturais será utilizado, após a análise e definição dos grupos (alunos, professores, pais, gestores, etc), com os resultados das coletas de dados, posteriormente a análise será qualitativa � crítica. A fonte dos dados quantitativos são levantadas através de questionários e entrevistas estruturadas, semiestruturais e informais com elaborações de notas de campos e leituras dos detalhes em um diário de campo, adotando uma padronização de datas, locais de entrevistas, com direcionamento das amostragens máximas, a qual são selecionados os indivíduos que se espera diferentes perspectivas sobre o fenômeno central. (Gil, 2009) Já base da coleta de dados secundários para essa pesquisa, neste caso o método de pesquisa documental, a relação dos sites do censo escolar os dados estatístico � demográficos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia), IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), INEP(Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais � Anísio Teixeira), GeoSampa1 e dados abertos da prefeitura de São Paulo2, são essenciais para uma interpretação e formação de uma cartografia em que represente as ações das políticas educacionais inclusiva que já foram colocadas em prática e a situação atual dessas, configurando os seus efeitos colaterais sociais e espaciais em múltiplas representações gráficas, para esse procedimento, a utilização de softwares de mapeamento como QGIS, Arcgis, Philcarto, Cartes et donnés seriam essenciais para uma análise de uma estatística descritivas relacionadas as análises de uma perspectiva geográfica Por outro lado, o mapeamento vem trazer um panorama dos índices de escolaridade dos pais dos alunos AEE, número de matrículas, formação de professores voltados a educação especial, quantidade de salas de recursos multifuncionais e escolas voltadas para a educação especial, outro ponto a ser levantado durante o projeto está no mapeamento de acessibilidade dentro e no entorno dos estabelecimentos escolares, como a infraestrutura e transportes. Neste caso, os procedimentos para a realização do projeto se destacam nos seguintes tópicos: 1. Levantamento documental: busca � se uma direção voltada as politicas públicas de ensino, levantado o seu perfil histórico, social e espacial desse modo educacional, compreendendo e relacionando as consolidações, os planejamentos e as ações que não foram desenvolvidas em diversas gestões governamentais e educacionais do município de São Paulo, também serão levantadas bibliografias de práticas metodológicas na área da pesquisa qualitativa; 2. Levantamento de dados primários e secundários: Como uma das características do método qualitativo, a pesquisa se volta para o estudo de caso e para validar os dados, utilizarei a triangulação metodológica de acordo com Denzin3 (1978), existem quatro tipos de triangulação, por se tratar de múltiplas realidades e múltiplas espacialidades, essa metodologia explora o terreno da pesquisa que vem em primeiro plano, na segunda etapa a coleta de dados vão se despolarizando em diversos grupos sociais inseridos diretamente ou indiretamente no âmbito escolar, desses sujeitos estão os professores P.A.E.E (Professores de Antendimento Educacional Especializado) pais, alunos, diretores e coordenadores. Nos Resultados, deverá constar a esquematização dos dados encontrados, na forma de categorias analíticas e sistematização dos achados empíricos. Nesta sessão poderão ocorrer o uso de gráficos, tabelas, mapas, figuras, quadros, atentando para a utilização e identificação segundo as normas da ABNT. As discussões (análises) geradas a partir dos resultados deverão ser criativas, inovadoras e éticas, de maneira a corroborar com as instruções de pesquisa científicas do país. Levando em consideração a referencia a autores e teorias, bem como referenciando os resultados encontrados. BAPTISTA, C.R (org.). Educação e deficiência: configurações nas políticas de inclusão escolar. São Carlos: Marquezini & Manzini: ABPE, 2015.P.304 CARLOS, A.F.A. A prática espacial urbana como segregação e o �direito à cidade� como horizonte utópico in: CORREA, R.L.A; PINTAUDI, S.M; VASCONCELOS, P.A. (ORG.). A CIDADE CONTEMPORÂNEA segregação espacial. São Paulo: Contexto,2013.P.95- 110. FIGUEIRA, E. O que é educação inclusiva. Coleção Primeiros Passos; 2013. 343p. GIL, Antônio Carlos, Como elaborar projetos de pesquisa. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2009 P.173 GIROTTO, E.D (org.). Atlas da rede estadual da educação de São Paulo. Curitiba: CRV,2018. P. 124 LACERDA, LUCELMO. Politica Nacional de Educação Especial de 2008 e 2020. LUNA ABA � Intervenção e pesquisa em educação e comportamento � Material de apoio do curso �Educação Especial Inclusiva�: Conceitos, evidências e práticas contemporâneas. REBELO, A. S; KASSAR,M.C.M. Escolarização dos alunos da educação especial na política inclusiva no Brasil. Revista Instituto Benjamin Constant. Inc.Soc., Brasília, DF, v.11 n.1, p.56-66, jul./dez. 2017 SANTOS, M. Espaço e Método 4 ed.. São Paulo: Nobel,1997 SPOSITO,M. Segregação Socioespacial e centralidade urbana in: CORREA, R.L.A; PINTAUDI, S.M; VASCONCELOS, P.A. (ORG.). A CIDADE CONTEMPORÂNEA segregação espacial. São Paulo: Contexto, 2013. P.61-93. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Tiago Ferreira Lopes Machado | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5807 | resources/download/restrict/eng2020/1661216764_ARQUIVO_f4a801ff9365a55e133f2aa16ad62146.pdf | ||||||||||||||||||
6 | 7696280 | A Alfabetização Cartográfica através do uso das Geotecnologias nos anos finais do Ensino Fundamental. | INTRODUÇÃO O trabalho é resultante do projeto de pesquisa de �alfabetização cartográfica através do uso das geotecnologias�, desenvolvido na Escola Municipal de Fortaleza/CE, pelos bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência � PIBID. A pesquisa parte de uma problemática: O analfabetismo cartográfico e a difícil aprendizagem dos seus conceitos iniciais no sexto ano do Ensino Fundamental. Foi percebido, através de atividades diagnósticas desenvolvidas pelos bolsistas, que os estudantes do sexto ano, apresentavam atraso no processo de alfabetização cartográfica, tendo dificuldades de compreenderem as primeiras noções relacionadas à Cartografia. A habilidade de ver, ler, interpretar e fazer mapas não é simples de ser desenvolvida, como dito antes, a escola tem papel fundamental nesse processo, introduzindo todos os estudantes à alfabetização cartográfica. O objetivo é contribuir para a formação de leitores críticos de mapas e mapeadores conscientes. Essa construção de conhecimentos requer métodos e técnicas de ensino/aprendizagem que facilitem a compreensão do estudante. Haja vista que vivemos em um mundo repleto de inovações tecnológicas, e com o processo de atualização de informações mais rápidas já visto na história da humanidade. Assim, faz-se necessário que o ensino geográfico não fique para trás, os implementos de novos métodos de ensino, como os das geotecnologias, são essenciais no processo de ensino/aprendizagem dos discentes. Neste trabalho abordamos metodologias que trazem a geografia mais próxima do cotidiano dos alunos, ressaltando a importância fundamental do estudo do meio onde vivem, com intuito de, primeiramente, facilitar a compreensão do conteúdo e desenvolver habilidades cognitivas que facilitem a orientação espacial por meio do uso de mapas. Para Rosa (2010) é no desenvolvimento das noções espaciais que o estudante estará adquirindo embasamento para o entendimento das representações cartográficas e do espaço geográfico. Para contribuir significativamente com o desenvolvimento da cidadania, a criança precisa valorizar o aprendizado espacial frente ao espaço percebido, vivido e aprender a construir seus próprios mapas de uma forma interativa associando os conhecimentos que já possui aos que acrescentamos dentro de sua realidade sociocultural. OBJETIVOS Tendo como objetivo desenvolver metodologias e práticas de ensino para contribuir no processo de alfabetização cartográfica dos estudantes do sexto ano do ensino fundamental, os bolsistas utilizaram a sala Google da escola com os chromebook para explorar os instrumentos das geotecnologias, como Google Earth, Google Maps e outras ferramentas digitais, como jogos dinâmicos, implementando assim a ludicidade na aula, buscando meios de tornar o estudante um sujeito ativo no processo de aprendizagem. METODOLOGIA Apoiados na perspectiva do construtivismo de Piaget (1975), na qual nos diz que na interação do sujeito com o objeto há o desenvolvimento cognitivo do sujeito, buscou-se aplicar um projeto que os estudantes tivessem interação direta com o objeto estudado, mapas. Segundo Simielli (1999) a alfabetização cartográfica se dá por dois aspectos, sendo o primeiro, a formação do leitor crítico de mapas desenvolvendo o domínio da linguagem cartográfica, e a outra é a formação do mapeador consciente, desenvolvendo a habilidade de se comunicar por meio dos mapas. De acordo com Simielli (1999, p. 98), esse processo de alfabetização cartográfica, também supõe o desenvolvimento de noções de: visão oblíqua e visão vertical; imagem tridimensional, imagem bidimensional; alfabeto cartográfico: ponto, linha e área; construção da noção de legenda; proporção e escala; lateralidade/referências e orientação. No presente projeto buscou-se desenvolver tais noções utilizando metodologias ativas, fazendo uso de geotecnologias. Apoiando-se nas perspectivas já citadas, o trabalho teve como ponto de partida duas avaliações diagnósticas, na primeira os estudantes elaboraram mapas mentais representando na folha A4 a área do trajeto de casa para a escola, e na segunda, fizeram uso dos chromebook para acessar um jogo lúdico com questões básicas de Cartografia Também tiveram o contato com atlas, visando a construção da noção de legenda dos mapas e do alfabeto cartográfico. Depois dos momentos de aula expositiva com slides interativos, os estudantes fizeram uso da plataforma Google Earth, e localizaram a escola e a região circunvizinha, sendo uma região familiar a eles, puderam compreender o espaço geográfico da comunidade em que vivem. Também pesquisaram o trajeto de suas casas até a escola pela plataforma Google Maps, comparando com os mapas mentais que fizeram no início da aula. Além disso, foi possível oportunizar a implementação da tecnologia na sala de aula, promovendo também a alfabetização e o letramento digital, contribuindo para a inclusão digital dos estudantes do ensino fundamental II, atendendo o que diz a competência geral cinco da Base Nacional Comum Curricular - BNCC �Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva� (BNCC,2018). As metodologias facilitaram a compreensão das noções de: visão de diferentes perspectivas (visão frontal, oblíqua e vertical), compreensão da dimensão das imagens (tridimensional e bidimensional), como também os conceitos de proporção, escala, lateralidade, pontos de referência e orientação espacial. Todos conceitos básicos da alfabetização cartográfica foram trabalhados por etapas, com tecnologias digitais, ludicidade e com participação ativa dos estudantes no processo de aprendizagem. RESULTADOS A realização do trabalho permite trazer algumas considerações iniciais sobre a possibilidade de implementar Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação - TDICs e Geotecnologias no processo de alfabetização cartográfica, sendo ferramentas facilitadoras no processo de ensino e aprendizagem de geografia. Com o uso de metodologias ativas, utilizando geotecnologias em todo processo, foi visto um entendimento significativo na compreensão dos estudantes a respeito das noções básicas de alfabetização cartográfica como; visão oblíqua e visão vertical, imagem tridimensional, imagem bidimensional, alfabeto cartográfico: ponto, linha e área, construção da noção de legenda, proporção e escala; lateralidade, referências e orientação. Com o desenvolvimento do projeto, os estudantes passaram do período de desenvolvimento do estágio intermediário do operatório para o formal, de acordo com o esquema de operações mentais preparatórias para a leitura de mapas de Passini (1994). REFERÊNCIAS ANDERSON, Paul S. Princípios de Cartografia Básica. Volume 1.s/d. Editora Coordenador.1982. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. FARDO, M. L.A. Gamificação aplicada em ambientes de aprendizagem. RENOTE, Revista Novas Tecnologias na Educação, v. 11, n. 1, jul. 2013. PASSINI, Elza Y.; ALMEIDA, Rosangela D.; MARTINELLI, Marcelo. A cartografia para crianças: Alfabetização, Educação ou iniciação cartográfica.1999. PISSINATI, Mariza C.; ARCHELA, Rosely S. Fundamentos da alfabetização cartografia ensino de geografia. 2007. sem autor: 18 Jogos - Cartografia e Orientação Geográfica. Fórmula Geo, 2020. Disponível em:<http://formulageo.blogspot.com/2020/10/jogue-on-line-quiz-sobre cartografia_20.html?m=0>. Acesso em: 05/09/2021. SIMIELLI, M. E. R. Cartografia no ensino fundamental e médio. In: CARLOS, A. F. A. (Org). A geografia na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1999, p. 92-108. VEIGA, Léia A.; SILVA, Andressa L. D.; ALIEVI, Alan A. Alfabetização cartográfica: trabalhando com as noções de orientação e localização.2011. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Jefte Sousa da Silva, DAVI GERARD DE SOUSA MESQUITA, Sulivan Pereira Dantas | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5676 | resources/download/restrict/eng2020/1661993497_ARQUIVO_afc888d1b66c7e0f39ca34b732f7746c.pdf | ||||||||||||||||||
7 | 2663899 | A Amazônia no livro didático de Geografia de 7º Ano: A BNCC e o Documento Curricular do Estado do Pará | INTRODUÇÃO O presente trabalho analisa a Amazônia e sua representatividade no livro didático de Geografia de 7º Ano a partir da implementação da BNCC (2017) e do Documento Curricular do Estado do Pará (2019). A análise fundamenta-se principalmente nas proposições e diretrizes norteadoras dos documentos oficiais. A análise do livro didático de Geografia de 7º Ano permite compreender o espaço amazônico a partir do elemento regional, isto é, segundo a categoria região. O livro didático, por consistir no principal recurso empregado pelo docente (MARTINS, 2019), logra papel de centralidade no processo de ensino-aprendizagem, no entanto suas limitações e falhas degradam o processo de ensino e aprendizagem. O livro didático de Geografia de 7º Ano assim como os documentos oficiais consistem em nosso objeto de estudo. Notar a Amazônia a partir do livro didático implica em uma série de inconsistências, sobretudo quanto a heterogeneidade do espaço regional. A partir do ano de 2020 o livro didático de Geografia estará alinhada com a BNCC o que implica em uma série de impermanências: O que fica estabelecido para a Amazônia a partir das proposições da BNCC? Qual a concepção de Amazônia no livro didático da coleção analisada? A pesquisa é qualitativa e integra o grupo das pesquisas exploratórias. A pesquisa calca-se no levantamento bibliográfico de documentos oficiais e outros referenciais teóricos. OBJETIVOS Analisar e entender a concepção de Amazônia no livro didático de Geografia de 7º Ano a partir das proposições da BNCC e do Documento Curricular do Estado do Pará. METODOLOGIA A pesquisa qualitativa deu sustentação ao desenvolvimento desta investigação. Nossa pesquisa integra o grupo da pesquisa exploratória. Entretanto, nosso procedimento de investigação diz respeito ao levantamento bibliográfico. A etapa um da pesquisa consiste na leitura e interpretação dos documentos oficiais: a BNCC (2017), o Documento Curricular do Estado do Pará (2019) e o PNLD (2019). Após a leitura, já na segunda etapa, buscou-se por referenciais teóricos que tratassem da análise do livro didático. A terceira etapa teve a ver com a escolha do livro didático a ser analisado assim como ao estabelecimento da linha de análise. RESULTADOS O livro didático de Geografia a partir do ano de 2020 estará alinhado com as proposições da BNCC (2017). A BNCC (2017) consiste no documento oficial que auxilia na produção dos currículos escolares em nível nacional, porém complementada por uma parte diversificada (do currículo) que leva em consideração importantes peculiaridades locais e regionais � como no caso do Documento Curricular do Estado do Pará (2019). A BNCC (2017) estabelece competências gerais para os componentes curriculares, competências especificas para a área de Ciências Humanas do Ensino Fundamental e competências especificas para o componente curricular Geografia do Ensino Fundamental. A BNCC (2017) garante ao educando as aprendizagens essenciais e fundamentais do seu processo de ensino e aprendizagem, pois projeta-se para as relações interpessoais do sujeito e seu o projeto de vida, o mundo do trabalho e a leitura de mundo. O Documento Curricular do Estado do Pará (2019) � em concernência a BNCC (2017) � aproxima docente e discente da realidade local: A Amazônia (Paraense). O ensino-aprendizagem na Amazônia leva em consideração realidades contrastantes e impares que coexistem e que ao mesmo tempo estão próximas e distantes. O livro didático de Geografia de 7º Ano, nacionalmente distribuído pelo PNLD 2020 (MODERNA, 2019), da coleção Araribá Mais Geografia contempla o espaço amazônico a partir da concepção de região, no caso: A Região Norte. A identidade regional amazônica apresentada e defendida pelo livro didático não contempla a totalidade da diversidade natural e sociocultural da Amazônia. Outro momento em que a Amazônia vê-se contemplada diz respeito a questões socioambientais. Fala-se de problemas urbanos e ambientais na Amazônia sem que seja atingida a profundidade necessária a questão. Tal profundidade pode ser alcançada a partir das proposições do Documento Curricular do Estado do Pará (2019), em que são elencadas habilidades e objetivos de aprendizagem mais próximos da realidade local e regional. O livro didático de Geografia de 7º Ano da Coleção Araribá Mais Geografia fomenta a criatividade, a interdisciplinaridade, o raciocínio geográfico enquanto propõe a progressão das aprendizagens, no entanto não explicita a utilização da habilidade EF07GE05, contudo entendemos, a partir da análise do livro didático, que a habilidade está implícita. Ao não contemplar a totalidade do espaço amazônico o professor deve ir além do livro didático, ultrapassar o recurso e traçar estratégias metodológicas condizentes com as reais necessidades de aprendizagem do aluno. O Documento Curricular do Estado do Pará (2019) dá suporte para a busca de estratégias condizentes com a realidade local e regional, mas cabe ao docente ir além dos limites propostos pelo livro didático. A centralidade do uso do livro didático no processo de ensino-aprendizagem não inibe as carências, as falhas e as limitações do mesmo. A mediação realizada pelo professor no processo de ensino e aprendizagem é capaz de superar as carências, as falhas e as limitações do principal recurso didático empregado em sala de aula. A Amazônia proposta pelo livro didático de Geografia de 7º Ano é irrealmente mínima, pois não aflora para a heterogeneidade regional � no sentido dos aspectos físico-naturais, da biodiversidade e da sociodiversidade. A análise do livro de Geografia de 7º Ano da coleção Araribá Mais Geografia permite entender que a indústria do livro didático ainda não alcançou uma visão real sobre a Amazônia. A Amazônia apresenta-se ao Brasil como um espaço verdejante, de rios caudalosos e com população exótica que pouco tem em comum com o restante do território nacional, cuja história geográfica é tão insignificante que cabe em algumas páginas mal contextualizadas. REFERÊNCIAS BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília: MEC/CONSED/UNDIME, 2017. 600 p. MODERNA. Araribá mais � Geografia, 2019. Disponível em: https://pnld2020.moderna.com.br/geografia/arariba-mais/. Acesso em 27 de fev. de 2020 PARÁ. Documento Curricular do Estado do Pará: educação infantil e ensino fundamental. 2ª Ed. Belém: SEDUC/PA, 2019. 361 p. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Mauro Henrique | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 1227 | resources/download/restrict/eng2020/1658862753_ARQUIVO_818bd58babb29184d4ea72be0b628048.pdf | ||||||||||||||||||
8 | 7159196 | A Aplicabilidade da BNCC em Sala de Aula: um olhar geográfico | O não-descaso da educação pública brasileira. Historicamente convencionou-se em tratar os problemas estruturais que regem a educação pública do Brasil como um descaso por parte das instituições e autoridades brasileiras, mas é notável que referida realidade integraliza um processo de Estado que, passo a passo, toma forma, ganha espaço na mídia, pois se cria ideologicamente o discurso de que é preciso repensar e inovar o aparente fracasso da educação brasileira. Todavia, o novo não é nada mais que as velhas práticas inculcadas em novas roupagens com fins a sustentar e atender a determinados interesses da classe burguesa. Assim, a educação no Brasil apresenta nuances mercadológicas, sendo notória a contradição que permeia esses avanços e retrocessos ao longo da história. Desde a Constituição de 1934 e, posteriormente, na Constituição de 1937, a educação é moldada em detrimento dos anseios do capitalismo, com o viés de educar os sujeitos, qualificando-os para ocupar postos de trabalhos nas economias periféricas. Nesse sentido, a educação não preza pelo emancipar do ser social, mas sim pelo alienar. Ademais, o ano de 1934 é marcado por avanços conservadores, o país vivia uma industrialização tardia, com vistas a compor o rol das economias mundiais sob a égide do capital. Nesse momento, haverá a Reforma do Ensino Superior; a ascensão dos movimentos sociais; a presença do Partido Comunista Brasileiro e o dualismo entre as ideias liberais e conservadores, fato que repercute de forma direta no campo educacional, lhe dando características peculiares. Tem-se nesse período histórico a definição da educação gratuita para os pobres. Fato que dura até 1967, quando os investimentos por parte da União, Estados e Municípios deixam de ser obrigatórios para com a educação, sendo restabelecido apenas tempos depois. Gera-se na Constituição de 1988, uma ampla discussão sobre a categoria Educação. Nessa nova Carta Magna se percebe a incorporação do sujeito à educação que foi historicamente negada, mas ainda com o teor de uma educação elitista e conservadora. Diante do exposto, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) se consagra como a fórmula capaz de diluir as questões estruturais que rodeiam a educação brasileira, mas seu conteúdo é cotidianamente conhecido. Nesse ínterim, a BNCC se mostra mais uma vez paragramática e tecnicista, tendo em vista que não avança nos pontos certos, como trabalhar as desigualdades regionais e locais, de longe nota-se que o projeto foi pensado de fora para dentro, ação bem característica do Brasil. A BNCC não considera o processo histórico e contraditório dos fenômenos e acontecimentos, que no bojo de disseminar as competências e habilidades, se assiste um sistema educacional cada vez mais distante do seu sentido emancipatório. Nessa abordagem, a educação torna-se aos olhos da sociedade capitalista mais uma mercadoria, e sendo mercadoria, a sua finalidade é garantir lucros para o sistema, com o discurso de modernizar o ensino público brasileiro, com o adentramento de esferas econômicas privadas nos setores iminentemente públicos. A BNCC, em escala nacional, encontra diversos obstáculos, frente a um país de dimensões continentais e até mesmo, por sua escrita pobre de contextualização e historicidade, o que mostra o seu verdadeiro caráter, que é a educação compreendida a partir de um viés do mercado, pois como de praxes, as disciplinas de cunho reflexivo perdem espaço na Base Curricular (ALVES, M. M. S.; SANTOS. W. L.; OLIVEIRA, E. S. de., 2020). Assim sendo, o presente documento precisa ser considerado de acordo com o contexto vigente, ou seja, num momento no qual as medidas neoliberais se especializam nos diversos seios da sociedade, a refletir a crise do capital e seus desdobramentos para os setores políticos, educacionais, sociais e culturais, e para isso os conteúdos da educação aparecem despossuídos de sua carga histórica e política, trabalha-se o dado e não o construído (SILVA, M. R. da. 2018). Com o objetivo de unificar e homogeneizar, a BNCC empobrece os conteúdos educacionais ministrados em território nacional, pois apresenta um déficit considerável de aporte político e histórico, o que repercute numa falsa autonomia dada as escolas. Os conteúdos tratados na Base precisam ser, dessa forma, muito bem contextualizados e historicizado, haja vista, as graves chances de se perder a autonomia da escola e do docente no fazer educacional. A autonomia escolar também necessita está alicerçada na cientificidade e seguridade, de maneira a garantir uma educação de qualidade para com os discentes, num processo de ensino-aprendizagem que vise elucidar as questões sociais de acordo com o que elas realmente são e não como se mostram ser (CÂNDIDO, R. de. K.; GENTILINI, J. A. 2017). Dessa forma, a BNCC foi apresentada de diferentes maneiras desde o início da sua contextualização, até a constituição do documento tendo em vista uma estratégia política alegando valor democrático, e passando a ideia nacional como algo único. A partir disso, podemos ver que ao buscar uma padronização, por meio de estratégias políticas, se torna algo antidemocrático, pois busca ocultar as realidades existentes em cada lugar, suas vivências, culturas e experiências, para retratar todas as relações como algo único que não possui diferenças (RODRIGUES, P. F., 2020). O presente trabalho visa analisar a aplicabilidade da BNCC em sala de aula, além de verificar como os assuntos de Geografia estão sendo trabalhados nos livros didáticos. Como método, pautou-se no materialismo histórico-dialético, com a finalidade de compreender o objeto de estudo em sua totalidade, assim adotando uma análise para além da aparência, chegando-se na essência da questão social. Para tal, foi realizado estudo de arte nas literaturas concernentes ao tema exposto, tais como: teses, dissertações, artigos, , sites, monografias e eventos de extensão. Consagra-se que a Base Nacional Comum Curricular não atende na totalidade as especificidades da educação brasileira, sendo mais uma alegoria de base mercadológica, vez que sua aplicabilidade foge da realidade do discente, quando deparada com as especificidades de um país de dimensões continentais como é o Brasil. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Rafaela dos Santos, Tiago Barreto Lima | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5664 | resources/download/restrict/eng2020/1658232148_ARQUIVO_4e3d972c50cc83f9111ec8d77d2d4260.pdf | ||||||||||||||||||
9 | 9544437 | A atuação da MRV Engenharia em Maringá/PR: o Programa Minha Casa Minha Vida em perspectiva | Este texto visa discutir a atuação da MRV Engenharia como um agente na produção de habitação que através de seus empreendimentos modifica a paisagem urbana e a dinâmica imobiliária de diversas cidades brasileiras. Assim, estabelecemos como recorte espacial a cidade de Maringá/PR e para o desenvolvimento do trabalho utilizamos como base os dados retirados do sítio eletrônico da incorporadora e do Ministério de Desenvolvimento Regional, além de literaturas especializadas. A MRV Engenharia atua como incorporadora e construtora de empreendimentos no setor imobiliário brasileiro, sua trajetória teve início em 1979 em Belo Horizonte/MG. Atualmente, apresenta canteiros de obra e empreendimentos em 160 cidades brasileiras e 14 cidades nos Estados Unidos da América, garantindo assim uma atuação em escala internacional. Todavia, é importante destacar os fatores que proporcionaram a trajetória exitosa da MRV no setor imobiliário, isto posto, apresentaremos um dos principais: a produção da incorporadora através do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV). O programa surge em resposta a crise econômica de 2008, com o intuito de reestruturar o setor imobiliário brasileiro e reaquecer a economia (CARDOSO; ARAGÃO, 2012a). A princípio o PMCMV tem como função subsidiar a aquisição de imóveis para famílias com renda de até R$1.800,00 e em outros casos facilitar a aquisição para famílias com renda mensal de até R$ 9.000,00 (SHIMBO, 2016). Para a melhor organização do programa a Caixa Econômica Federal estipulou a divisão das rendas em faixas, conformando a seguinte forma: faixa 1 (renda de até R$ 1.800,00), faixa 1,5 (até R$ 2.600,00), faixa 2 (até R$ 4.000,00), faixa 3 (até R$ 9.000,00). No entanto, destacamos a atuação majoritária da MRV na produção para os faixas 2 e 3 do PMCMV. Vale ressaltar as alterações impostas ao programa nos últimos anos, como é o caso da substituição do mesmo pelo Programa Casa Verde e Amarela, essa alteração estabeleceu o fim do faixa 1 do PMCMV, prejudicando diversas famílias (FREITAS, 2019). A trajetória imponente da MRV no mercado imobiliário, bem como sua atuação na produção do PMCMV, propiciou a efetivação da incorporadora, em 2014, como a principal construtora do programa e, consequentemente, a consolidação da mesma como um dos principais agentes privados de produção de habitação no país (SHIMBO, 2010; MELAZZO, 2013). Assim, este trabalho tem como objetivo principal compreender a atuação da MRV através do PMCMV na cidade de Maringá/PR. Para auxiliar o alcance deste objetivo, buscaremos identificar os empreendimentos produzidos na cidade de análise, suas faixas de atuação no PMCMV e discuti-los. Adicionalmente, o trabalho traz como metodologia o uso de bibliografias especializadas sobre o tema para aperfeiçoar o estudo, e sobretudo o uso de dois importantes sítios eletrônicos, a saber: o site do Ministério de Desenvolvimento Regional através do SISHAB (Sistema de Gerenciamento de Habitação), e o sitio eletrônico da própria incorporadora. Em ambos foi possível extrair informações sobre a atuação da MRV em Maringá e também dados sobre a trajetória da incorporadora. As informações extraídas do sítio eletrônico do Ministério de Desenvolvimento Regional possibilitaram a análise da atuação da MRV Engenharia através do Programa Minha Casa Minha Vida associando o período de 2009-2019 com o recorte espacial de Maringá- PR. A MRV Engenharia construiu em 2010 seus primeiros empreendimentos em Maringá/PR. Tanto o Residencial Spazio Modena quanto o Residencial Spazio Madisson foram assinados em 01/09/2010 e são os únicos do município destinados ao faixa 3 do PMCMV. Ainda em 2010, a incorporadora volta suas atividades para o faixa 2 do programa e assim permanece até o período mais recente. Soma-se o total de 1.424 unidades entregues no município. Os empreendimentos estão distribuídos pela área urbana do município e boa parte localizados de modo aglomerado, sendo que alguns ainda estão bem próximos do centro e uma leve presença deles na área periférica de Maringá. Além disso, os empreendimentos contam com uma favorável inserção urbana a partir de ofertas de serviços públicos essenciais. Outro fator que nos chama atenção está relacionado à forte produção logo nos dois primeiros anos de PMCMV, uma vez que 7 dos 15 empreendimentos foram incorporados entre 2010 e 2011. Sendo assim, entende-se que a MRV atua seguindo uma lógica econômica, pois para manter atividades ativas em escala nacional e internacional, é necessário estabelecer estratégias que envolvem todo o processo de construção e incorporação dos empreendimentos. No entanto, é preciso considerar as particularidades da cidade para compreendermos os padrões estratégicos de produção da MRV. A existência de diferentes padrões espaciais que dependem dos estratos de inserção na rede urbana nacional, métodos de negociação, preço e localização da terra, entre outros elementos, condicionam a existência de particularidades nas cidades. Assim, a MRV utiliza as mesmas estratégias econômicas e padrões construtivos, porém com práticas de implantação distintas em cada cidade de atuação. Logo, compreendemos a existência de uma atuação estratégica da MRV em Maringá/PR e concordamos com Barcella (2019) ao citar que as consequências deste modo de atuação afetam diretamente a produção do espaço urbano, as dinâmicas imobiliárias e, sobretudo, a reprodução de desigualdades sociais. Por fim, a relação intrínseca da incorporadora com o PMCMV, aborda o ponto de uma política habitacional desenvolvida pelo governo para reestruturar o setor imobiliário e contribuir com a diminuição do déficit habitacional do país, tendo como sua principal construtora um agente privado da produção de habitação. Mesmo sendo uma política pública, o responsável por sua efetivação é uma empresa privada que se desenvolve e lucra a partir dos investimentos em tal política em função do próprio desenho do programa. O programa oferece habitação para milhares de famílias no país, porém o verdadeiro lucro está voltado a MRV que a partir de projetos de obra padronizados conseguem atuar em todas as regiões do Brasil e elevar sua produção e lucro a cada dia. Palavras-chave: Produção do espaço urbano; PMCMV; MRV; Maringá/PR. REFERÊNCIAS BARCELLA, Bruno Leonardo. A interescalaridade da produção habitacional do Programa Minha Casa Minha Vida em cidades médias: do aumento do consumo imobiliário ao aumento das desigualdades socioespaciais. Caderno Prudentino de Geografia, v. 4, n. 41, p. 33-59, 2019. CARDOSO, Adauto Lúcio; ARAGÃO, Thêmis Amorim. Reestruturação do setor imobiliário e o papel do Programa Minha Casa Minha Vida. XII Seminário da Rede Iberoamericana de Pesquisadores sobre Globalização e Território (RII). Belo Horizonte, outubro de, 2012a. FREITAS, J. Fim da faixa 1 do Minha Casa Minha Vida; entenda quem são os prejudicados. Terra. São Paulo, 8 de Novembro de 2019. Disponível em: https://fdr.com.br/2019/11/08/fim-da-faixa-1-do-minha-casa-minha-vida-entenda-quem-sao-os-prejudicados/. Acesso em: 20.03.2021 MELAZZO, Everaldo S. Estratégias fundiárias e dinâmicas imobiliárias do capital financeirizado no Brasil dos anos 2000. Mercator, Fortaleza, V. 12, Nº Especial (2), 2013, p.29-40. Disponível em: http://www.mercator.ufc.br/index.php/mercator/article/viewFile/1118/507.Acessado em 13 de dez. 2018. MINISTÉRIO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL. RELATÓRIO EXECUTIVO. Disponivel em: < http://sishab.mdr.gov.br/novo_executivo/filtro>. Acesso em: 15 de fevereiro de 2020 MRV ENGENHARIA. MRV. A MRV, Institucional, 2019. Página inicial. Disponível em: < https://www.mrv.com.br/institucional/pt/a-mrv/historia>. Acesso em: 05 de setembro. 2019. SHIMBO, Lúcia Z. Habitação Social, Habitação de Mercado: a confluência entre Estado, empresas construtoras e capital financeiro (2010). Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo), Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo. ______Sobre os capitais que produzem habitação no Brasil. Novos Estudos. CEBRAP, v. 35, p. 118-133, 2016. | 01. Cidade e Urbano | Bruna Ribeiro Corrêa | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 909 | resources/download/restrict/eng2020/1658939335_ARQUIVO_49bdd469bd5be020446345e323391820.pdf | ||||||||||||||||||
10 | 1418866 | A Aula de campo: ferramenta didática facilitadora para a disciplina de Geografia e dos cursos do Proesp/Uneal | O paper tem a finalidade de mostrar a importância do instrumento didático, aula de campo. O objetivo principal da pesquisa foi catalogar as atividades de campo que ocorreu durante o período vigente do Programa Especial para Formação de Servidores Públicos (Proesp) da Universidade Estadual de Alagoas. O Proesp diplomou 1. 265 servidores das mais variadas profissões, bem ainda advindo de vários municípios alagoanos. O Proesp ofertou cursos como geografia, pedagogia, ciências biológicas, história dentre outros. O Programa aplicou variadas ferramentas metodológicas que facilitaram o aprendizado dos discentes, entre essas, o trabalho de campo. Para a realização desta pesquisa as etapas metodológicas foram: levantamento bibliográfico, sobre o tema abordado; pesquisa quali/quantitativa, com o intuito de aglomerar dados sobre as aulas de campo realizadas nos cursos do Proesp. As atividades de campo como ferramenta para convergir a teoria à prática é de suma importância para a construção do conhecimento e o desenvolvimento do aprendizado dos discentes. Conforme Carbonell (2002, p. 8) ratifica que �os espaços fora da sala de aula despertam a mente e a capacidade cognitiva de aprender, pois se caracterizam como espaços estimulantes que, se bem aproveitados, se classificam como relevante canário para aprendizagem�. Com isso, entender a atividade de campo consiste para docentes e discentes uma forma de contactar o ambiente em sua ambiência direta fora dos muros escolares, mostrando que o professor tem essa ferramenta pedagógica se bem aplicada, um eficiente e proveitos instrumento de ensino. Mas, deva-se deixar claro que essa atividade didática é um auxílio ao docente em suas aulas teóricas, onde necessita de uma fundamentação prévia, pois sua função basilar é a materialização da teoria. Nessa pesquisa, precisa deixar claro que, a atividade de campo não se restringi necessariamente somente em uma viagem ou passeio, ela é vai além disso. De acordo com Passini (2007, p. 172-176) a �aula de campo seria um método ativo e interativo, pois o espaço não é fragmentado. Ele é a sala de aula, o pátio da escola, o refeitório, o corredor, a rua do colégio, a casa do aluno, o bairro, a cidade, o município, o parque florestal, o fundo de vale, entre outros�. Nesse contexto, o autor fortalece sua ideia informando que já fazemos atividade de campo desde que seus pais lhe manda comprar algo em uma vendinha de seu bairro, ou quando se faz um trajeto de casa para a escola. No ambiente escolar ou universitário, as atividades de campo recebem um contato direto com os conteúdos ministrados, os estudantes são motivados e estimulados a pensar criticamente, isto é, confrontar informações que foram transmitidos pelos professores, e por textos que os mesmos lançam a respeito dos mais diversos assuntos conteudistas. Fortalecendo esse pensamento Libâneo (1994, p. 71), relata que �todos esses procedimentos que permitem uma discussão em torno do mundo concreto do aluno devem ser enriquecidos como visitas às localidade abordados�.As utilizações do trabalho de campo como método de ensino e aprendizagem nas disciplina geografia do Proesp da Universidade Estadual de Alagoas facilitam o processo de construção do conhecimento por parte dos discentes, onde os mesmos poderá através das experiências de vivenciada na prática fortalecer o conhecimento adquirido em sala de aula e a construir novos conhecimentos proporcionados pelas observações, análises e levantamentos de dados do espaço concreto visitado. Por meio das experiências em aulas de campo, os acadêmicos tem a possibilidade de desenvolver determinadas habilidades provenientes das atividades exercidas em campo. Uma das habilidades desenvolvidas, e da observação e perscepção habilidades essenciais na formação do pesquisador. O despertar desta habilidade inerente aos seres humanos vai propiciar aos futuros profissionais, seja eles licenciados ou bacharéis, a possibilidade de identificar não só o visíveel, mas o invisível que está presente seja nos feitos da natureza seja sociais. As aulas de campo são meandrantes para qualquer curso ou disciplina e contribui para sua interdisciplinaridade. Essa atividade busca convergir aluno e professor, teórico e prático, escola e comunidade, isto é, contextualizando o concreto e deixando o abstrato de lado, tornando-os todos os participantes ativos no processo de ensino/aprendizagem.Para o aluno da licenciatura e/ou bacharelado as atividades em campo possibilitam além da compreensão da realidade a ser estudada, desenvolver práticas de observação, percepção, identificação, referência, posição, direção, comparação e análise referentes ao meio natural e ao meio físico. Busca portanto, compreender o espaço concreto visitado, permitindo retrabalhar e construir o conhecimento histórico, geográfico, político, social, cultural etc. Possibilitando aos discentes compreenderem os processos que envolvem o conhecimento entre o livro didático e a prática em sala de aula ou em laboratórios. As possibilidades de conhecimento que se abre o trabalho de campo é também um estimulado para se utilizar o método de ensino e aprendizagem na rotina educacional. Como resultado foi confeccionado quadro síntese identificando os polos, cursos, disciplinas e locais das expedições de campo. Os itens do quadro foram imprescindíveis para elaboração do mapa final do trabalho. Os elementos contidos no mapa mostra que a geocartografia é uma ciência de cunho importante para especializar os locais visitados pelos discentes e docentes que utilizaram a ferramenta aula de campo como método de ensino. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Prof. Dr. Lidemberg Lopes | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 216 | resources/download/restrict/eng2020/1655299799_ARQUIVO_a918726ddb598231ca867fb12c3843ff.pdf | ||||||||||||||||||
11 | 1499424 | A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a Geografia: apontamentos a partir das consultas públicas e dos pareceres críticos | Introdução: A BNCC pode ser definida como �um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica� (BRASIL, 2018, p. 7). Dessa forma, a BNCC é um documento de caráter normativo e obrigatório que serve como eixo para que todos os sistemas de ensino construam os seus currículos. Contudo, seu processo de construção foi marcado por rupturas devido, entre outras coisas, ao instável momento político que o Brasil passava na época. Um exemplo dessa instabilidade foi o impeachment da então presidenta Dilma Rousseff, que, por sua vez, reverberou em mudanças importantes na BNCC. Apresentada como um documento democrático que foi construída por especialistas e através de um amplo debate com a sociedade civil, a versão final da base foi homologada no dia 14 de dezembro de 2018. Entretanto, o seu caráter democrático pode ser colocado em dúvida tendo em vista a amplo posicionamento contrário que o documento recebeu de importantes instituições de pesquisa, dentre elas, a própria Associação de Geógrafos do Brasil. Objetivo: Dessa forma, o objetivo da presente pesquisa é apontar como os professores de Geografia se posicionaram nas consultas públicas da primeira e da segunda versão da BNCC, que, consequentemente, resultou no documento da versão final e, se esse posicionamento foi de alguma forma atendido ao longo das versões subsequentes. Metodologia: A presente pesquisa tem característica qualitativa e foi feita a partir de procedimentos documentais, usando como fonte documentos/dispositivos normativos oficiais. Para produzi-la, foi feita a análise de documentos elaborados pelo MEC com base nas audiências públicas da primeira e da segunda versão da BNCC e seus respectivos pareceres críticos. Resultados: Os resultados apresentados adiante foram divididos de acordo com os apontamentos apresentados em cada uma das versões da BNCC. Com relação à primeira versão, publicada no dia 26 de setembro de 2015, o MEC produziu um documento intitulado �Números finais das contribuições propostas ao componente curricular Geografia no documento preliminar da BNCC�. A análise das contribuições obtidas nas consultas públicas foi feita por equipes especializadas em tratamento dos dados, vinculadas à Universidade de Brasília e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Conforme o documento, a análise do texto introdutório do referido componente curricular foi dividida quanto sua clareza e pertinência/relevância. No tocante a clareza do texto introdutório, 18,1% dos participantes concordam fortemente com o texto, 78,2% concorda, 1% não tem opinião, 2,3% discorda e 0,4 discorda fortemente. Já segundo a pertinência/relevância, 17,3% concorda fortemente, 78,4% concorda, 1,1% não tem opinião, 2,8% discorda e 0,5% discorda fortemente. (BRASIL, 2016) Ainda conforme o documento, as justificativas quanto às discordâncias em relação a clareza e a pertinência/relevância são: 16%: o vocabulário utilizado no texto é inadequado e prejudica a leitura do mesmo; 10%: ideias ou argumentos conflitantes com o previsto nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica; 31%: ideias ou argumentos conflitantes com a perspectiva teórica/metodológica da área ou do componente curricular; 19%: ideias ou argumentos conflitantes com o previsto na Proposta Curricular do Estado/Município; 25%: outros. (BRASIL, 2016) De acordo com Valladares, Girardi, Novaes e Nunes (2016), sendo Valladares, a coordenadora da equipe de Geografia na primeira e na segunda versão da BNCC, as principais críticas levantadas pelos pareceres críticos são: indefinição teórica, com consequente falta de referências bibliográficas; a fragilidade do tratamento da natureza; o uso de termos sem lastro conceitual; o pouco destaque dado à linguagem cartográfica. Com relação à segunda versão da BNCC, publicada no dia 3 de maio de 2016, ocorreram 27 consultas públicas no formato de seminários estaduais. As contribuições recebidas ao longo dos seminários foram sistematizadas pela mesma equipe que tratou os dados da primeira versão e resultou no documento �Síntese da contribuição dos Estados�. Sobre as contribuições que a disciplina recebeu nos anos iniciais do Ensino Fundamental, se aponta a necessidade de ampliar os objetivos de aprendizagem da Geografia, contemplando, de forma mais abrangente, a geografia humana e a necessidade de articular melhor os objetivos entre as áreas de História e Geografia, pois, percebe-se uma abrangência maior em história (aspectos mundiais) e em Geografia uma discussão restrita ao território nacional. Sobre as contribuições nos anos finais do Ensino Fundamental, se coloca a necessidade de ajuste em relação aos objetivos de aprendizagem; que os direitos de aprendizagem contemplem os cinco continentes no 8º ano, possibilitando a introdução e a contextualização entre os fatos e de um número maior de temáticas contemporâneas no nono ano; a necessidade de ampliação de conteúdos previstos nos objetivos de aprendizagem; articular os Eixos de Formação e os Objetivos de Aprendizagem (OA); considerar a Cartografia como Ciência e articular os OA com os de História. (BRASIL, 2016) Com relação a área de conhecimento das Ciências Humanas, o documento aponta que os comentários versão em torno da falta de interdisciplinaridade entre as diferentes ciências, a falta de progressão de complexidade nos objetivos de aprendizagem e uma maior intencionalidade na formação crítica. Também são solicitadas revisões nas áreas de História e Geografia (ajustes de conceitos e substituição/inclusão de termos e expressões visando uma base mais plural). (BRASIL, 2016) Ao observar o processo de produção da terceira versão da BNCC, se observa uma ruptura com os trabalhos que vinham sendo feitos até então e uma nova concepção de base passa a ser elaborada por uma nova coordenação. Conforme Valladares, Girardi, Novaes e Nunes (2016), após a dissolução da equipe coordenadora de Geografia, que ocorreu após o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República, o MEC e os responsáveis por dar seguimento ao documento de Base em nenhum momento as procuraram para qualquer encaminhamento institucional relativo à devolutiva das Conferências Estaduais ou à terceira versão da BNCC. Foram previstas 5 audiências, que deveriam ocorrer em Manaus, Recife, Florianópolis, São Paulo e Brasília. É possível notar que com o avançar da produção do documento da BNCC, cada vez se tem menos espaço para participação de professores, sendo a última parte composta por apenas 5 consultas. Para além disso, em três das cinco audiências previstas ocorreram grandes protestos contra a base organizados pela sociedade civil. Para fins de conclusão, é possível observar que as críticas feitas a Geografia na BNCC, tanto na primeira como na segunda versão, se repetem, concentrando-se na falta de um lastro teórico, ou, por as ideias que são apresentadas na base serem conflitantes com a perspectiva teórico metodológica e na falta de interdisciplinaridade com as demais disciplinas. Dessa forma, as consultas públicas se mostraram como um canal ineficiente de diálogo entre os professores e os governos, visto que suas observações não foram consideradas de forma eficiente nas versões subsequentes. Referências: - BRASIL. Anexo 1 - Síntese da contribuição dos Estados. Brasília/DF: MEC, 2016. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/relatorios-analiticos/Relatorios-Sintese%20dos%20Estados.pdf - BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília/DF: MEC, 2018. - BRASIL. Números finais das contribuições propostas ao componente curricular Geografia no documento preliminar da BNCC. Brasília/DF: MEC, 2016. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/relatorios-analiticos/16.03.2016_CH_GEOGRAFIA_Relatorio_Final_1.pdf - VALLADARES, Marisa Terezinha Rosa; GIRARDI, Gisele; NOVAES, Ínia Franco de; NUNES, Flaviana Gasparotti. Contexto da Construção da Primeira e Segunda Versões da Base Nacional Comum Curricular no Componente Curriculçar de Geografia. Giramundo, v. 3, n. 6, JUL./DEZ. 2016, p.7-18 | 04. Ensino de Geografia e Educação | Prof. Gabriel Germano | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5800 | resources/download/restrict/eng2020/1661794998_ARQUIVO_28826fa5ba11e91d8de3607abc28129d.pdf | ||||||||||||||||||
12 | 1935569 | A Cartografia como Instrumento Metodológico na Compreensão da Territorialização da Covid - 19 e do Genocídio a partir do Negacionismo. | A presente pesquisa, faz parte de um estudo desenvolvido pelo PET - Programa de Educação Tutorial, do Curso de Licenciatura de Geografia, pela Universidade Federal de Sergipe, relacionado aos impactos da Covid - 19 no mundo, para isso, é fundamental a elaboração, manutenção e ampliação de banco de dados e a princípio realização de debates no PET, surgindo daí a necessidade de divulgação e publicação de artigos, referentes as temáticas relacionadas a Pandemia. Para a elaboração do artigo, levou-se em consideração as etapas de pesquisa dos dados, coletados no site https://en.wikipedia.org/wiki/Template:COVID-19_pandemic_data, referentes a temática, infectados (contaminados), de mortes e posterior tratamento estatístico, surgindo as variáveis, variação absoluta e variação relativa e índices de morte, conseguido a partir da relação mortes por 100mil/habitantes, dados estes, que são coletados, desde junho de 2020 até os dias atuais, este compêndio, possibilitou o cruzamento de informações do mapa base, extraído do http://philcarto.free.fr/indexPT.html; com os mapas elaborados, partiu-se para outras etapas; debates sobre os processos de espacialização da Pandemia e com a divulgação mensal dos mapas na página da Universidade Federal de Sergipe, Campus Professor Alberto de Carvalho, disponibilizados em https://itabaiana.ufs.br/pagina/22651-mapeamento-da-covid-19, e para o andamento das discussões da temática da Pandemia, o processo de divulgação, ultrapassa os muros da universidade, com entrevistas em rádios locais, debates em eventos e divulgação dos materiais com professores da rede básica de ensino, e uso dos mapas nas aulas de cartografia. A compreensão teórica parte-se do princípio da formação de necroterritórios, conceito ainda incipiente e que poderá até mesmo futuramente nem se consolidar, no entanto, como base norteadora da pesquisa se processa como fonte importante na compreensão do negacionismo, como fator principal para os maiores índices de mortes no mundo, no Brasil e em Sergipe, outro fator que contribuiu para o entendimento da formação dos necroterritórios, foi a noção do conceito de território, a partir da conflitualidade, Fernandes (2008), nesta visão se observa os conflitos entre os interesses económicos em detrimento da vida, se processam de forma evidente, com o grande capital interferindo em algumas decisões do poder público, em diferentes países e regiões, se interrelacionando com o que Mbembe (2020), de forma brilhante classifica de Necropolítica. Após as observações e análises nos mapas da territorialização das mortes pela Covid - 19 e principalmente do mapa das médias de mortes, morte por 100 mil habitantes, foi possível elaborar o mapa final. Para esta elaboração levou em consideração 3 níveis, a saber: o necroterritório intenso, que tem como característica, alto índice de mortes, geralmente conta com índices acima de 250 mortes por 100 mil habitantes, tem elevado percentual da população, identificada como negacionista, e na grande maioria são governados por políticos, que se identificam com a ideologia da direita, tem resistência ao uso das vacinas e boa parte dos poderes públicos e da população, não acredita na ciência e são totalmente submisso ao grande capital, devido ao elevado poder da informação, são diariamente bombardeados por fake news, que acabam colocando em cheque a importância das medidas restritivas; os necroterritórios médios, são constituídos por regiões, províncias, estados e países, que sofrem influências do negacionismo, por parte dos governantes ou de certo contingente da população, geralmente se encontram com índices entre 100 e 250 mortes/100 mil habitantes, em alguns países as políticas de restrição e o processo vacinal avançaram e o contingente de mortes não é tão impactantes, como o necroterritório anteriormente citado; os necroterritórios leves, se caracterizam por baixos índices de mortes por 100 mil habitantes, não ultrapassam a marca de 100, tem como fatores importantes, uma maior crença na ciência, tanto dos governantes, como principalmente da população de forma geral, acreditam nas vacinas e em certos casos tiveram destacados processo na obediência de medidas restritivas eficientes de controle ao avanço do Vírus, com maior controle sanitário, em alguns casos, por contar com maior número de população rural (menor circulação de mercadorias e pessoas), facilitou neste controle. De forma continental, pode-se afirmar que a Europa e a América, reuniram condições propícias para o alastramento do vírus, obtendo maiores somas e médias de mortes, neste caso sendo classificados como necroterritórios intensos, principalmente em alguns países, como o leste europeu, governado por políticos da extrema direita e uma população de cunho negacionista, a exemplo da Hungria, Ucrânia, República Tcheca, Bulgária e Romênia, no que diz respeito a América, merecem menção o Peru, Brasil e Estados Unidos, com elevados índices de mortes, mais também, mesmo estando em uma região classificada com altos índices, Cuba, é um destaque no controle da Pandemia, com avançado processo de vacinação, e encontra-se com índices abaixo dos 100 mortes/habitantes; Boa parte da Ásia (Oriente Médio e Sudeste Asiático), compreendem o denominado necroterritório médio, com alguns países, mesmo com grande população, conseguem manter um número de mortes bem abaixo da sua vizinha Europa, como Kuwaite, Irã, Iraque, Israel, entre outros; no que se concerne ao chamado necroterritório leve, destacam-se a China, Japão, Singapura, e Oceania, países que deram maior crédito a ciência e empregaram rígidos sistemas de controle sanitário e medidas restritivas eficazes, com isso obtém baixos índices de mortes, por vez o continente africano também obtém baixos índices, tendo no seu bojo uma população de cunho não negacionista e conta com considerável população no campo. A pesquisa mostra a importância de se combater o crescente avanço do negacionismo em todo o mundo, e de se debater quais as principais causas e consequência da ascensão de políticos de tendência nazifascista em boa parte do mundo, e como a geografia, através da cartografia possa contribuir para desvelar este avanço e como estes foram e são decisivos para a formação dos necroterritórios intensos na Europa e América. Bibliografia FERNANDES, Bernardo Mançano. Entrando nos territórios do território. In: PAULINO, Eliane Tomiasi; FABRINI, João Edmilson (org.). Campesinato e território em disputa. São Paulo: Expressão Popular, 2008. p. 273-302 MBEMBE, Achille. Necropolítica: biopoder, soberania, estado de exceção, política da morte. São Paulo: n - 1 edições, 2 BRASIL WIKIPEDIA.Modelos: dados pandêmcios. COVID 19 . https://en.wikipedia.org/wiki/Template:COVID-19_pandemic_data, Acesso em 06 sbr. 2022 BRASIL. PHILCARTO. Cartografia temática com Philcarto. Disponível em: http://philcarto.free.fr/indexPT.html. Acesso em: 06 abr. 2022. BRASIL. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE. Mapeamento da Covid-19. Disponível em: https://itabaiana.ufs.br/pagina/22651-mapeamento-da-covid-19. Acesso em: 06 abr. 2022. | 11. Cartografia e representações de mundo | Hunaldo, SHIMONEHÁ | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5733 | resources/download/restrict/eng2020/1661263612_ARQUIVO_f5bc5cdb92a222af8cc15b873fdf8750.pdf | ||||||||||||||||||
13 | 9257578 | A Cartografia Participativa como ferramenta de resistência territorial: Um estudo de caso a partir da Comunidade da Praia Grande da Cajaíba - Paraty/RJ | Introdução Os mapeamentos que envolvem participação de comunidades tradicionais têm origem principalmente em processos de conflitos fundiários, relacionados a questões étnicas e/ou ambientais (ACSELRAD e COLI 2008). Nesse contexto, os mapas que foram mobilizados muitas vezes para produzir invisibilidades, ocultando a presença de múltiplos sujeitos, passam a comunicar e denunciar conflitos e situações de vulnerabilidade de comunidades tradicionais, mudando radicalmente o sentido da cartografia. Os novos mapeamentos realizados a partir de outras cosmovisões, vem conformando esse campo do conhecimento da Cartografia Social desde a década de 1990 (ACSELRAD, 2013). Acionados enquanto uma ferramenta de luta de seus direitos territoriais e fortalecimento da memória e identidade pelos grupos sociais historicamente invisibilizados do processo de produção de mapas. Entendendo os mapas como uma ferramenta importante nas tomadas de decisões, podendo ser revertido à serviço das Comunidades de Povos Tradicionais, não restritamente ao Estado e grupos dominantes, conforme utilizado durante a constituição da ciência moderna. Nesse sentido, temos a análise da experiência cartográfica da comunidade Caiçara da Praia Grande da Cajaíba - Paraty/RJ identificada na revisão do Plano de Manejo da APA Cairuçu, como uma das 10 comunidades prioritárias na resolução de seu conflito territorial. Portanto, veio o convite de coordenação das experiências cartográficas por parte da unidade de conservação e do Fórum de Comunidades Tradicionais para o CARTONOMIA/UFF. A partir da análise do que chamamos de experiência cartográfica, ou seja, do automapeamento da comunidade, focaremos em alguns desdobramentos e objetivos: entender a Cartografia Social como instrumento na recuperação das memórias espaciais, demonstrando, também, as territorialidades exercidas; O destaque das oficinas enquanto ações de aprendizagem gerando espaço de troca de saberes; por último, todas as etapas da experiência de suma importância para a luta e resistência da comunidade diante do conflito vivido devido a grilagem de terra com o de fora. Metodologia Neste trabalho nos baseamos na experiência cartográfica que aconteceu de forma coletiva/participativa, para isso, fizemos um levantamento bibliográfico, sistematização de dados e reflexões teóricas a partir do acúmulo de dados proveniente da participação na experiência cartográfica. Especificando os caminhos da experiência cartográfica: Levantamento de informações através da história oral e bibliografias; Coleta e revisão de pontos de GPS; Reconhecimento do território caiçara; Reuniões do grupo de pesquisa; Oficinas de desenho para os ícones do mapa; Observação das marcas de ocupação na paisagem; Momento cinema, filme sobre a Praia Grande da Cajaíba e outras Cartografias Sociais; Entrevistas; Análise de dados do campo; Elaboração dos mapas e confecção do cartoretrato. Resultados Durante o processo de mapeamento, podemos destacar alguns resultados que contribuem para a luta da comunidade e o fortalecimento da identidade, cultura e modo de vida caiçara, em particular, o da PGC. A Cartografia Social mostrou-se um importante instrumento na recuperação das memórias espaciais, notoriamente evidenciado em todas as etapas da experiência. O levantamento de pontos de GPS e as reuniões com a comunidade apresentaram as antigas territorialidades para construção do mapa do Território Total. Vale ressaltar que nos momentos de reunião, sobretudo, na de revisão dos pontos do Mapa, notamos o surgimento de novas informações, tornando-se de conhecimento de todos os comunitários. Esse momento trouxe a percepção da dimensão e complexidade do território total, evidenciando as marcas das territorialidades perdidas que precisam ser retomadas, visto que as famílias estão crescendo. Nesse sentido não podemos dissociar os três objetivos destacados, pois nessa mesma etapa cartográfica descrita, nota-se um importante espaço de troca de saberes entre os comunitários, sejam eles mais velhos e mais novos, memórias que são resgatadas por meio da oralidade e do conhecimento detido por cada comunitário e são acionadas em todos os momentos do processo cartográfico. Um outro momento que ativa as memórias espaciais e fortalece a cultura e identidade é a oficina de desenhos, protagonizada pelas crianças. As crianças refletem sobre o espaço e os elementos que representam a comunidade, desenhando os elementos da paisagem que expressam a cultura caiçara. Entendendo o mapa como um dos produtos da Cartografia Social, nas oficinas era visível algumas possibilidades para abordagem do mapa. Com isso, os mapas finais são o Mapa do Território Total - Território reivindicado e de direito da comunidade, com as territorialidades históricas e o Mapa Território Resultado - Território Resultado da Resistência da comunidade diante dos conflitos vividos até os dias de hoje que se materializam no espaço e na ação judicial. Estes mapas carregam consigo possibilidades, entre elas, podemos destacar o suporte às ações judiciais; o auxílio a retomada territorialidades históricas para permanência das famílias em seu território; o fortalecimento da cultura e identidade da comunidade por meio das etapas do processo de elaboração do mapa; e o processo de sobreposição de mapas com os mapas de Zoneamento da APA Cairuçu evidenciando a preservação ambiental promovida pela comunidade, além de provar que as territorialidade exercidas coincidem com o zoneamento da unidade de conservação; Em todas as etapas nota-se como as oficinas e atividades fortalecem ainda mais seus saberes e práticas, na troca entre os comunitários, universidade e outros atores do processo cartográfico. Percebe-se o empoderamento da comunidade através da cartografia social, pois auxilia não só no processo judicial, mas também contribui para a autogestão e resistência territorial. São momentos que enriquecem a história da comunidade, desse modo, revigora a luta e identidade, na defesa de seu território, saberes, práticas e modo de vida. Considerações finais As experiências cartográficas carregam diferentes ganhos, pois trazem momentos de reflexão da própria comunidade, acerca da memória e do território, e como essas dimensões conversam entre si, ou seja, a territorialidade exercida pela comunidade, indissociável se sua cultura e modo de vida. As oficinas são uma forma de resgatar a memória e espacializá-la, gerando todo um raciocínio sobre o território e suas territorialidades, uma conexão entre passado e presente, muita das vezes evidenciada na oralidade, nas marcas da paisagem, nas territorialidades e outros. �[...] O conhecimento tradicional dessas comunidades se reproduz enquanto prática social quando se assenta no território conquistado e transmitido pelas gerações anteriores. Essa é a condição para a sua existência.�(CAVALIERI, 2003, p.230), essa prática é evidenciada e confirmada na experiência cartográfica, onde território, seus saberes e práticas são indissociáveis. Assim entendemos que o território aparece tanto como referência material quanto simbólica desses grupos, em que o uso e politização das identidades é fator de resistência e ato estratégico. O território não só é objetivo da luta, mas também projeto de vida, como aponta (CORRÊA, 2018). Referências ACSELRAD, Henri. Mapeamento e tramas territoriais. In: Povos e Comunidades Tradicionais nova cartografia social. Organizadores Alfredo Wagner Berno de Almeida e Emmanuel De Almeida Farias Júnior. Manaus, 2013, p.109-113. ACSELRAD, Henri e COLI, Luis Régis. 2008. Disputas cartográficas e disputas territoriais. In: ACSELRAD, Henri. (org.). Cartografias sociais e território. Rio de Janeiro: UFRJ/IPPUR. p. 13-44. 2008 CAVALIERI, L. A comunidade caiçara no processo de reclassificação da Reserva Ecológica da Juatinga. São Paulo, 2003. 193p. Dissertação (Mestrado em Geografia Humana) � Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - Departamento de Geografia � Universidade de São Paulo. CORRÊA, G. S. Estratégias de territorialização e r-existência da Comunidade Remanescente de Quilombo de Santa Rita do Bracuí/Angra dos Reis. 2018, 324p. Tese(Doutorado em Geografia). Universidade Federal Fluminense. | 11. Cartografia e representações de mundo | Rafaela Mendes da Silva | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5953 | resources/download/restrict/eng2020/1662403212_ARQUIVO_391fbe01e2cc7e4f214b243f1e571504.pdf | ||||||||||||||||||
14 | 2859637 | A condição de refugiado de imigrantes venezuelanos de Salvador | 1. Introdução O intenso fluxo de imigrantes venezuelanos no Brasil existe devido a grave crise humanitária que atualmente ocorre na República Bolivariana da Venezuela, cuja sua existência possui um caráter multifatorial. Com uma crise econômica se teve a intensificação de outras crises preexistentes no país, tal como a política, ao qual os opositores do governo não reconhecem Nícolas Maduro como o legítimo presidente, sob alegações de crimes eleitorais, uso indevido do seu cargo para fins pessoais e corporativistas, violação dos direitos humanos, entre outros. Essa situação piora ainda mais a crise econômica do país, agravando a desvalorização da moeda local, a dívida pública, o colapso dos serviços públicos, entre outras searas que compõem a realidade socioeconômica de território venezuelano. Esse conjunto de fatores aliado a embargos estadunidenses e uma ideologia político-econômica hostil ao empresariado são, no geral, grandes empecilhos a iniciativa privada. (BASTOS e OBREGÓN, 2018). Segundo a convenção de Cartagena, ao qual o Brasil é signatário, todos os habitantes de um país em crise humanitária deveria ser considerado refugiado nos países americanos que a assinaram, o que nem sempre acontece. Viver como refugiado, mesmo não sendo juridicamente reconhecido como tal denomina-se "condição de refugiado", pela socióloga alemã Anja Weiss. 2. Objetivos: Geral: Compreender a "condição de refugiado" de imigrantes venezuelanos em Salvador. Específicos: - Compreender o que é a "condição de refugiado" - Analisar as políticas de reconhecimento de refugiados no Brasil e no mundo. - Refletir sobre como essa condição tem afetado os venezuelanos em Salvador. 3. Procedimentos metodológicos. 1ª etapa: Inicialmente será realizada uma pesquisa bibliográfica com o objetivo de realizar uma fundamentação teórica no presente trabalho, tendo como foco as migrações internacionais. 2ª etapa: Haverá a elaboração das entrevistas onde realizaremos entrevistas focalizadas, que Gil (2008) compreende como perguntas que o pesquisador realiza indagações de cunho pessoal a determinadas pessoas focando em um determinado tema. Em nosso caso será com imigrantes venezuelanos que moram ou já moraram em Salvador, cuja sua temática estará na sua trajetória migrante, ao qual, levando em consideração os objetivos do trabalho e o referencial Etapa 4. Tendo as entrevistas elaboradas e delimitadas, a execução da mesma se torna viável, ocorrendo através de datas pré-estabelecidas através de comum acordo com os próprios entrevistados levando em consideração a disponibilidade tanto dos venezuelanos quanto do pesquisador. As incertezas diante do atual cenário pandêmico e o fato de muitos desses imigrantes estarem morando atualmente fora de Salvador, optaremos para que elas ocorram em ambiente virtual por meio de videochamadas, preferencialmente através do Google Meet por se tratar de um aplicativo pode ser facilmente aplicado nos participantes da entrevistas Etapa 5. Finalizada as entrevistas será realizada uma análise das mesmas, levando em consideração a fala dos imigrantes e o referencial teórico utilizado nesse trabalho. Levaremos em consideração que apesar de todos os participantes da pesquisa estarem em uma mesma onda migratória e crise humanitária as pessoas são diferentes entre si, com as suas mais variadas percepções, o que consideramos como enriquecedor para o presente trabalho. Terminando as análises a monografia poderá ser finalizada. 4. Resultados. Anja Weiss (2018) aborda o que seria o �tornar-se refugiado�, sendo que o seu primeiro ponto dessa discussão aborda como as falsas dicotomias classificatórias da migração na verdade é uma forma de invisibilização do refugiado. Essas distinções são importantes no ponto de vista do Estado, já que as diferentes categorias de imigrante podem serem recusadas nas fronteiras ou serem expulsos do país, mas no caso específico do refugiado existe o dever de o manter em suas fronteiras desde que ele já esteja em território nacional como se foi definido pela Convenção de Genebra de 1951. Dessa forma, o Estado nacional encara o refugiado como um problema ainda maior do que as demais categorias de imigrante, já que não pode os chantagear com a sua �expulsabilidade� e diante desse cenário a autora aborda que tornar-se refugiado é ter a sua própria condição enquanto tal posta em dúvida não apenas pelo poder público, mas também pela própria população nacional. A autora acusa que dicotomias entre as diversas tipologias de imigrantes e o refugiado em específico (promovidas pela própria ACNUR) abrem brechas para que os avaliadores estatais neguem pedidos de refúgio, ainda que conceitualmente legítimos dentro da Convenção de Genebra, dentro das fronteiras nacionais. Além das brechas do direito internacional, esse problema conceitual que afeta diretamente o reconhecimento do status de refugiado, no ponto de vista de Weiss (2018), também está nas ciências sociais, já que, se existe uma interposição entre interesses políticos e acadêmicos. A socióloga alemã critica fortemente o potencial que termos como �migrações forçadas�, �migrações de crise� ou �migrações mistas� são conscientemente criados e analisados de maneiras como se fossem excludentes com outras categorias de migrantes, incluindo os refugiados, o que não é de interesse apenas do Estado e de parcelas da população contrários a facilitação da entrada de estrangeiros no país, mas também dos que lucram com a indústria da imigração, já que a insegurança jurídica dos que poderiam ser de fato considerados refugiados pode fazer com que essas pessoas em situação de extrema vulnerabilidade retornem múltiplas vezes ao país em que foi expulso, impulsionando o faturamento daqueles que os transportam. A autora considera que na vida real deslocamentos interestatais podem possuir múltiplas causas e, portanto, estar simultaneamente inseridas em várias categorias. Tal situação verifica-se entre os entrevistados, cuja a grande maioria dos entrevistados não possuem esse status, já que segundo a lei 9474 de 1994, no terceiro parágrafo do seu primeiro artigo, em consonância com a Convenção de Cartagena de 1984, aponta que uma das condições para ser reconhecido como refugiado é " devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigado a deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país.", assim como acontece atualmente como os imigrantes venezuelanos no Brasil, todavia, dos qual ao que nos comunicamos apenas uma pequena minoria chegou a ser considerado como refugiado, passando a ser reconhecidos com várias outras categorias, negando-os assim o direito de ser refugiado, que entre outras garante a sua não expulsabilidade do país, mesmo em contextos de um governo passe a adotar uma política anti-imigração, os tornando assim vulneráveis a guinadas políticas que possam vir a acontecer no Brasil. Quem não é reconhecido como refugiado não pode gozar dos direitos dos mesmos, dessa forma sugerimos que se haja uma militância a favor de que esses imigrantes saibam dos seus direitos. 5. Referências: BASTOS, J.P.B; OBREGÓN, M.F.Q. Venezuela em crise: O que mudou com Maduro? Revista de Derecho y Cambio Social. 2018. p. 10-14 BRASIL. Lei nº 9.474, de 22 de junho, de 1997. Art. 1º. parágrafo III. GIL, A.C. Métodos e técnicas de pesquisa social. ed. Atlas. São Paulo. 6 ª edição. 2008. p.50; 109-112. WEISS, A. Tornar-se refugiado: uma abordagem de trajetória de vida para a migração sob coação. Sociologias. Porto Alegre. v.20. n.49. 2018. p.110-140. | 07. Geografia política e geopolítica | Emanuel Gonzaga dos Santos | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5593 | resources/download/restrict/eng2020/1661978489_ARQUIVO_c20c298cd0f5d86e6ad228cd8ff91905.pdf | ||||||||||||||||||
15 | 3979970 | A construção de cenários prospectivos como ferramenta para preservação e recuperação do meio ambiente | Diz-se que o futuro não pode ser previsto, porém, por meio da técnica e da ferramenta correta, o futuro pode ser estudado, analisado e projetado, para que depois seja executado de maneira assertiva. Nesse sentido, as pesquisas sobre cenários prospectivos ganham destaquem, uma vez que, por meio destes, pode se avaliar futuros possíveis influenciados por eventos presentes encadeados a eventos subsequentes. Cenários não são predições, são narrativas, estratégias de futuros diferentes e divergentes, elaborados de forma a ressaltar riscos e oportunidades, enriquecendo, assim, o processo de planejamento (BOAVENTURA e FISCHMANN, 2006). Portanto, os cenários prospectivos possibilitam a organização de mudanças, considerando ações do passado, presente e indicam possíveis tendências no futuro. Aplicados ao meio ambiente os cenários prospectivos permitem uma avaliação das ações impactantes, seja esse impacto de forma positiva ou negativa, escrevendo um futuro possível a partir de intervenções devidamente planejadas, evitando prejuízos ambientais e auxiliando na gestão ambiental. Dessa forma, o objetivo principal deste artigo é demonstrar, por meio de revisão bibliográfica, a importância dos cenários prospectivos como ferramenta para projeção e gestão de questões futuras ligadas ao planejamento e gestão ambiental. O estudo aqui apresentado foi elaborado por meio de pesquisa bibliográfica realizada a partir do levantamento de referências teóricas publicadas em meios eletrônicos, como livros, artigos científicos, páginas de web sites, identificando-se e analisando-se as abordagens acerca da técnica de projeção de cenários prospectivos, aplicados ao meio ambiente. O levantamento bibliográfico e suas respectivas leituras sobre projeção de cenário prospectivo, foram extraídas do banco de dados dos Periódicos CAPES, SciELO e banco de dissertações e tese. Os critérios de inclusão de dados foram artigos científicos, monografias, dissertações e teses, com o recorte temporal dos anos de 2001 até 2021, escritos em língua portuguesa, e as palavras-chaves utilizadas na busca foram cenários prospectivos, cenários prospectivos e meio ambiente, cenários prospectivos e sustentabilidade, cenários ambientais, cenários tendenciais. Os critérios de exclusão foram estudos publicados anteriores a 2001, em língua que não seja o português, que discutem cenários prospectivos sem ser relacionado ao meio ambiente e gestão ambiental. Com bases nos critérios de inclusão e exclusão foram escolhidos nove pesquisas acadêmicas para serem avaliadas. Deste total, dois consistem em dissertação de mestrado, sendo um da Universidade de São Paulo campus São Carlos, e outro da Universidade de Lisboa (PT). Os demais trabalhos são artigos científicos publicados em revistas. Em sua maioria, os trabalhos apresentam estudos de casos, demonstrando a aplicabilidade da metodologia de elaboração de cenários prospectivos em uma área de estudo. Apenas dois trabalhos são estudos de cunho teórico. Os trabalhos analisaram demonstraram que a utilização de cenários prospectivos constituem uma relevante metodologia para a gestão ambiental e desenvolvimento sustentável, uma vez que, com base, nos possíveis cenário futuro permite que se tome decisões mais assertivas no presente. Em suma, a síntese sistemática de análise do referencial teórico foi satisfatória, atendendo ao objetivo central deste trabalho, pois contribuiu para obter-se informações acerca do assunto, principalmente voltado para a gestão ambiental. A partir da leitura e análise dos trabalhos consultados, conclui-se a importância da construção de cenários na perspectiva prospectiva para o meio ambiente, pois leva em consideração os diversos atores envolvidos na transformação do meio, ou seja, fatores qualitativos e quantitativos, auxiliando na gestão ambiental, garantindo qualidade do meio e de vida da sociedade, prevenindo de possíveis impactos negativos. REFERÊNCIAS BOAVENTURA, J. M. G.; FISCHMANN, A. A. (2007). Um método para cenários empregando stakeholder analysis: um estudo no setor de automação comercial. Revista De Administração, 42(2), 141-154. https://doi.org/10.1590/S0080-21072007000200003. BUARQUE, S. C. Metodologias e técnicas de construção de cenários globais e regionais. Texto para discussão (IPEA), n. 939, fevereiro, 2003. ISSN 1415-4765. Disponível em: < https://ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_0939.pdf> Acesso em dezembro de 2021. DEMANBORO, A. C.; LAURENTIS, G. L.; BETTINE, S. do C. Cenários ambientais na bacia do rio Atibaia. Engenharia Sanitária Ambiental, v.18, n.1, jan/mar, 2013, p. 27-37. Disponível e acesso em: < https://www.researchgate.net/publication/262517745_Environmental_scenarios_in_the_Atibaia_river_basin > Acesso em fevereiro de 2022. EGLER, C. A. G.; RIO, G. A. P do. Cenários para a Gestão Ambiental no Brasil. Rio de Janeiro: Laboratório de Gestão do Território, 2002. Disponível em: < https://www.researchgate.net/profile/Claudio-Egler/publication/228420626_Cenarios_para_a_Gestao_Ambiental_no_Brasil/links/546e26320cf2bc99c21533a0/Cenarios-para-a-Gestao-Ambiental-no-Brasil.pdf. Acesso em janeiro de 2022. FONTES, I. C. S. Modelo para Avaliação de Cenários para o Desenvolvimento Sustentável na Região do Oeste e Vale do Tejo. Dissertação de mestrado. Instituto de Geografia e Ordenamento do Território. Universidade de Lisboa. 2014, 133p MELLO, K. de; PETRI, L.; LEITE, E. C.; TOPPA, R. H. Cenários ambientais para o ordenamento territorial de áreas de preservação permanente no município de Sorocaba, SP. Revista Árvore, Viçosa-MG, v.38, n.2, p.309-317, 2014. MOTA, L. S. O.; SOUZA, R. M. Cenários Ambientais prospectivos para a gestão da paisagem costeira urbana em Aracaju/SE. Uberlândia: Sociedade & Natureza, v. 33, e. 56305, 2021, 18 p. OLIVEIRA, P. C. A. de; RODRIGUES, S. C. Utilização de cenários ambientais como alternativa para o zoneamento de bacias hidrográficas: estudo da bacia hidrográfica do córrego Guaribas, Uberlândia-MG. Uberlândia: Sociedade & Natureza, v. 21, e. 3, 2009. PUPPIN, L. G.; VANELI, B. P. ; MOREIRA, L. L.; NOVAIS, R. R. Cenário tendencial de comprometimento hídrico na bacia hidrográfica do Rio São Mateus � ES. R. gest. sust. ambient., Florianópolis, v. 8, n. 3, p. 172-192, jul/set. 2019 REGRA, A. P. M. Cenários como ferramenta na gestão ambiental municipal: um estudo de caso em Brotas SP. Dissertação (Mestrado) Programa de Pós-Graduação em Ciências da Engenharia Ambiental � Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo, 2013. SILVA, E. V. da; RODRIGUEZ, J. M. M. (In Memorian); RABELO, F. D. B.; LANDIM NETO, F. O. Projeção de cenários como perspectiva para o planejamento ambiental: um estudo conceitual. Revista da Casa da Geografia de Sobral, Sobral/CE, v. 23, p. 144-166, jul. 2021. Disponível e acesso em: < https://www.researchgate.net/publication/355234601_PROJECAO_DE_CENARIOS_COMO_PERSPECTIVA_PARA_O_PLANEJAMENTO_AMBIENTAL_UM_ESTUDO_CONCEITUAL > Acesso em fevereiro de 2022. | 10. Geografia física e meio ambiente | Iris Maria Tomé | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5739 | resources/download/restrict/eng2020/1661913337_ARQUIVO_cceb13cdf0d2feb8f1eba051eab6127c.pdf | ||||||||||||||||||
16 | 9936971 | A construção do conceito de paisagem a partir do mapa mental | A cartografia é um assunto relevante para o ensino da Geografia. Por meio dela podemos aprender os diversos conceitos geográficos, desta forma, o tema central deste trabalho é a construção do conceito de paisagem através do mapa mental por alunos do 6º ano do ensino Fundamental. Sabe-se que a cartografia é uma linguagem utilizada desde os tempos mais remotos, herança deixada pelos Gregos, e com a evolução da ciência passou a ser muito importante para diversos estudos. Atualmente o uso de imagens de satélites, GPS, e softwares possibilitam a confecção de mapas cada vez mais complexo resultando na necessidade de aprender a ler mapas. A cartografia escolar possibilita ao aluno uma leitura de mundo, e melhora o aprendizado de Geografia. É necessário que a utilização de mapas seja frequente nas aulas de Geografia, em busca de fazer a familiarização com a linguagem cartográfica. Como afirma Mendes (2011) a cartografia deve estar presente no cotidiano dos alunos e não somente como um capítulo a mais nos livros didáticos de Geografia, o que significa fazer com que os alunos possam ser usuários dos mapas e demais produtos cartográficos e fazê-los, de alguma forma, incorporados em seu dia-a-dia, entendendo que o ensino da cartografia deve ser pensado desde as séries inicias até o ensino médio. Para Passini (1994) e Almeida (2001), pode-se entender que a Alfabetização Cartográfica possibilita ao aluno uma leitura mais crítica do espaço geográfico e compreensão das categorias que compõem esse espaço, possuindo grande relevância para a compreensão da cartografia no ensino fundamental. Dessa forma, o contato com instrumentos cartográficos, durante as aulas de Geografia, estimula o aluno a analisar e pensar que a cartografia é importante não só para a sala de aula, como também, um conhecimento que poderá ser utilizado no cotidiano. Nesse sentido, Callai (2000, p. 105) afirma sobre a importância da construção da visão da criança no espaço sobre os objetos �a criança deve perceber o espaço ao seu redor e assim começar a relacionar cada elemento que compõe esse espaço� Nesse contexto, este trabalho apresenta como objetivo geral analisar a compreensão dos alunos do 6º ano do ensino fundamental a respeito dos elementos que compõe o mapa e o conceito de paisagem, por meio do mapa mental e como objetivos específicos, os seguintes: Identificar a compreensão que os alunos possuem em relação aos elementos do mapa; Desenhar um mapa mental de uma paisagem da cidade de Santarém-PA; e; Avaliar a compreensão do conceito de paisagem elaborados pelos alunos e os conhecimentos cartográficos demonstrados. Para alcançar os objetivos deste trabalho, foi realizada uma pesquisa participante qualitativa, pois houve uma participação do pesquisador desenvolvendo o conteúdo para os alunos sobre paisagem e os elementos que compõem o mapa, em seguida produziram um mapa mental sobre paisagem tendo como referência a Santarém. Em virtude disso, observa-se que o mapa mental possibilitou uma maior compreensão do conceito de paisagem. A pesquisa foi desenvolvida na cidade de Santarém-PA, tendo como sujeitos os alunos do 6º ano da Escola Estadual de ensino fundamental Pedro Alvares Cabral, os alunos acompanhados em oficinas especificas da pesquisa. A investigação foi qualitativa do tipo participante. Foram definidas algumas etapas: primeiramente foi feito o levantamento bibliográfico, a respeito dos temas: cartografia escolar, ensino de Geografia, mapa mental, e o conceito de paisagem, tendo como referência os autores, tais como, Passini (1994) que apresenta contribuições relevantes para o ensino da cartografia que, segundo ele, deve ser desde as séries iniciais no momento em que a criança passa pelo processo de alfabetização cartográfica, possibilitando o desenvolvimento e reconhecimento do espaço geográfico; Almeida (2001) também contribui abordando sobre a história da cartografia e a discussão a respeito do surgimento da cartografia escolar, através da cartografia crítica aponta uma nova forma de ensinar utilizando o mapa não apenas como um instrumento ilustrativo ou descritivo dos fenômenos. O desenvolvimento da pesquisa em sala de aula foi com uma turma de 6° ano, com trinta e cinco alunos, que realiza-se em três etapas, cada etapa com um objetivo diferente, a primeira consistiu em uma abordagem a respeito do conceito de paisagem, em que buscou-se avaliar o entendimento dos alunos, a partir da definição de Santos (1998). Na segunda etapa, foi abordado o assunto sobre os elementos que compõem o mapa. Foi explicado o que é o título do mapa, em seguida, foi feita uma oficina sobre orientação, onde eles deveriam localizar elementos que estão em sala de aula, a partir da rosa dos ventos. A terceira etapa foi a confecção do mapa mental, ao aplicar o conceito de paisagem e os elementos do mapa, com objetivo de alcançar e/ou incentivar os alunos a compreensão do conceito de paisagem, tendo como referência a proposta de desenhar uma paisagem da cidade de Santarém-PA, no mapa mental. Dos trinta e cinco mapas confeccionados, foram selecionados apenas doze para a pesquisa, esta seleção ocorreu em razão de apenas os 12 alunos participaram de todas as etapas da pesquisa em sala de aula. Os resultados obtidos apresentaram discrepâncias e aproximações com a realidade, a atividade possibilitou compreender que os alunos ainda possuem uma visão limitada sobre o conceito de paisagem, por meio da expressão do mapa mental, que enfatiza um conhecimento superficial das formas relevantes para a construção da paisagem geográfica. Embora seja ainda muito forte a relação com o natural, eles conseguiram mostrar alguns elementos que modificam essa paisagem, voltados para os aspectos culturais, que são fundamentais para analisar características do modo de vida das pessoas. Com relação aos conhecimentos cartográficos, observa-se que todos possuem um conhecimento muito básico dos elementos que compõem o mapa, o que dificultou o processo de construção do mapa mental. Referencias ALMEIDA, Rosangela D. De; DO DESENHO AO MAPA: iniciação cartográfica na escola, São Paulo: Contexto, 2001(Caminhos da Geografia). (livro) ALMEIDA, Rosangela Doin De. NOVOS RUMOS DA CARTOGRAFIA ESCOLAR: currículo, linguagem e tecnologia. São Paulo: Contexto,2011. (livro) CALLAI, H. Estudar o lugar para compreender o mundo. In: CASTROGIOVANNI, A. C. (Org.). ENSINO DE GEOGRAFIA: práticas e textualizações no cotidiano. Porto Alegre: Mediação, 2000. (livro) MENDES, J. C. ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA NO ENSINO DE GEOGRAFIA: Uma Perspectiva Socioconstrutivista. In: COLÓQUIO DE CARTOGRAFIA PARA CRIANÇAS E ESCOLARES, 7, 2011. Vitória. Anais. Vitória, 2011. p. 108-118. Disponível em: cartografiaescolar2011. files.wordpress.com. (artigo). PASSINI, Elza Yasuko. ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA E O LIVRO DIDÁTICO: uma análise crítica. - Belo Horizonte, MG: Ed.lê,1994. (livro) SANTOS, M. (1988); METAMORFOSES DO ESPAÇO HABITADO. São Paulo. HUCITEC. (livro) | 04. Ensino de Geografia e Educação | Jeniffer Ferreira Carneiro, Larissa Sousa | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5788 | resources/download/restrict/eng2020/1661956976_ARQUIVO_82a2a563edf10a3e8dfdd851cee4ad36.pdf | ||||||||||||||||||
17 | 4244621 | A Construção do Conhecimento Ambiental nas Práticas Educativas de Geografia | Idehugo Santos Alves UEA, isalves@uea.edu.br Prof. Dra. Vilma Terezinha de Araújo Lima UEA, vtlima@uea.edu.br Prof. Dra. Edilza Laray de Jesus UEA, ejesus@uea.edu.br A presente pesquisa teve por objetivo investigar a formação ambiental dos alunos e a contribuição da Geografia para o conhecimento da problemática ambiental em uma escola pública em Manaus. A pesquisa utilizou a abordagem qualitativa, pois não quantifica dados, tratando-se de descrição das informações adquiridas. O material a ser obtido será rico em descrições de pessoas, percepções, situações e acontecimentos. Esse tipo de pesquisa enfatiza mais o processo que o produto, e se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes (LUDKE e ANDRÉ, 2015). O local de desenvolvimento da pesquisa foi a Escola Estadual Ernesto Penafort, localizada no bairro São José II em Manaus, capital do Amazonas. Para obtenção dos dados foram elaborados dois questionários, o primeiro teve a finalidade de obter um diagnóstico da situação para iniciar a abordagem dos assuntos e verificar o conhecimento ambiental das turmas. O segundo questionário foi aplicado após a exibição de curtas com abordagem ambiental, com intenção de identificar se os vídeos de temática ambientais exibidos como recurso didático e a intervenção com explicações dos assuntos abordados, de alguma maneira influenciaram nos alunos melhoria ou percepção no conhecimento em comparação as respostas do primeiro questionário, além verificar a aceitação do material sugerido. No total, 85 alunos responderam os questionários e participaram das atividades. Como resultados foi identificado que os alunos são moradores das proximidades da escola, formada por bairros de perfil econômico de baixa renda. Na área próxima à escola existem igarapés poluídos pela ação humana. Essas observações são importantes, Cavalcanti (2011) relata a importância de entender o meio no qual os alunos estão inseridos, pois assim o professor pode aplicar melhor seu trabalho docente considerando tais diversidades. Baseando-se nas concepções de Sauvé (2005), foram classificadas as respostas dos alunos de acordo com suas palavras chaves. Cerca de 32% dos alunos responderam ter uma visão de meio ambiente como natureza, que remete ao pensamento do natural, da fauna e da flora. Essa concepção é entendida como lugar que devemos apreciar e respeitar e que tem o ser humano como parte de fora da natureza, como observado, na palavra dos alunos: �É tudo aquilo que podemos ver, coisa muito linda, tudo verde� (Aluno, 1º ano). Em outra resposta encontra-se a fala sobre o homem estar de fora deste meio, �É a natureza, árvores, rios, animais. É um lugar livre, ou seja, um lugar onde não habitam pessoas� (Aluno, 1º ano). O meio ambiente como recurso é concebido por 12% dos alunos que a tem como importante, pois é de onde retiram subsídios para a sobrevivência do ser humano, como é visto na resposta de um dos alunos que diz, �É para nossa sobrevivência, pois através do meio ambiente tiramos nosso alimento. Exemplos: água, comida, entre outros bens necessários do ser humano� (Aluno, 1º ano). 12% dos alunos concebem o meio ambiente como lugar, compreendendo-a como o espaço onde residimos, cidades, praças e o próprio mundo. Para a percepção de sistema, também apresenta 12% dos alunos, que percebem a natureza de forma fragmentada, negligenciando uma visão global (SATO, 2005). O valor de 12% é igual para as concepções como problema, nas respostas dos alunos, �a natureza está sendo destruída com queimadas e a ação do homem�. Nas turmas de 1º ano, nenhum apresentou concepção como projeto comunitário e 12% dos alunos presentes não responderam esta questão. Nas turmas do 3º ano, 50% dos alunos percebem o meio ambiente como natureza, com uma porcentagem bem acima dos resultados dos alunos de 1º ano, mostrando como a visão naturalista está bem presente nas duas séries. Na concepção de natureza os alunos falam, �Para mim meio ambiente é tudo aquilo que deve ser preservado como: água, igarapés, florestas, animais etc.� (aluno 3º ano). Dentro da fala dos alunos que compreendem como problema, �[...] O mundo, as pessoas estão acabando com o meio ambiente que está sendo prejudicado� (Aluno, 3º ano). As concepções de meio ambiente como problema, sistema e projeto apresentam a mesma porcentagem de 13% dos alunos e nenhuma das respostas do 3º ano trouxe o recurso como concepção. Diferente do 1º ano, as turmas aqui apresentaram o conceito de meio ambiente como projeto, que segundo Sauvé (2005) dá lugar para cooperação e parcerias para que se realize as mudanças desejadas pensando na coletividade. Na fala dos alunos do 3º ano, �Meio ambiente não é só natureza em si, mas também as ações que fazemos para manter a segurança da mesma. Não só esperando pela comunidade, mas começando por nós mesmos� (Aluno, 3º ano), em outras respostas, �[...] é um mundo melhor para todos. Porque nada mais é do que as pessoas começarem a cuidar do nosso planeta� (Aluno, 3º ano). Como meio de saber se o aluno teve contato com a educação ambiental fora do ambiente escolar, foi elaborada uma questão com esse objetivo. Das respostas obtidas 68% disseram que tiveram contato contra 32% que não tiveram. A partir destes dados identifica-se como os alunos têm diferentes visões do que é o meio ambiente, influenciados por diferentes meios que podem ser a própria escola através do professor, fora dela como em projetos, cursos, palestras, a mídia por meio de programas ou filmes ou pela concepção criada a partir de suas próprias conclusões. Pode-se então estabelecer estratégias para trabalhar a Educação Ambiental no ambiente escolar a partir do aluno, para que então se alcance a sociedade de forma mais abrangente, partindo do menor para o maior. Isso de acordo com o problema identificado em cada representação ambiental. Assim, os objetivos da Educação Ambiental poderão ser alcançados, formando um sujeito ecológico portador dos valores necessários para ajudar na construção de uma sustentabilidade ambiental e de uma sociedade mais justa. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Idehugo Alves, Vilma Terezinha de Arajo Lima, Edilza Laray | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5955 | resources/download/restrict/eng2020/1661963374_ARQUIVO_1c0a8b788821411c61be9c10cd0ac620.pdf | ||||||||||||||||||
18 | 5165121 | A Contra-Reforma Agrária em Forma de Projeto de Colonização: A Cidade de Bernardo Sayão � TO | O Município de Bernardo Sayão, localizado a noroeste do Estado do Tocantins, tem sua gênese em um projeto de colonização agro-urbano implantado pelo governo federal em 1959 (BRASIL, 1959). Com o intuito de colonizar e/ou povoar os �espaços vazios� do norte do Brasil e com o discurso de reforma agrária e desenvolvimento regional, foram implantados diversos desses projetos no território nacional. Nossa reflexão nesse artigo visou compreender o processo de implantação do Núcleo Colonial Bernardo Sayão e analisar as transformações ocorridas naquele espaço e seu entorno até o presente. Investigamos as intenções à proposta e a identificação dos sujeitos sociais nela envolvidos e os resultados do projeto. Esse texto resulta de pesquisa qualitativa e quantitativa mediante análise da dados sociais referentes ao campo e à cidade. Foram levantados dados em instituições públicas do estado de Goiás e Tocantins. Foram feitos registros fotográficos e representação espacial mediante mapas e pesquisa bibliográfica sob o tema, especialmente com a leitura de obras que analisam o contexto regional. No ano de 1962 (24 de abril) foi firmado convênio entre o governo do estado de Goiás e o governo federal com a finalidade de administrar e garantir a continuidade ao Núcleo Colonial Bernardo Sayão, a Secretaria de Agricultura do Estado de Goiás assumiu a gestão e o planejamento do referido projeto. De acordo com o governo de Goiás, a Rurópolis ou Vila Rural Cooperativa é uma comunidade de famílias dedicadas à agricultura com bases cooperativas. A Terra era estatal, não transferível, era propriedade do governo, usualmente, era arrendada aos colonos por um período de 49 anos. Os colonos pagavam um aforamento anual ao governo, esse aforamento seria um arrendamento da terra, porém, com valores mais baixos em relação aos praticados na região na época. Todas as Cooperativas das Rurópolis eram registradas no Ministério da Agricultura como Sociedades Cooperativas, como uma empresa com grande número de sócios, em que cada colono era um sócio com igual direito de voto aos dos outros. (Teixeira, 1987). Apesar da característica de cooperativa, ainda se tratava de um projeto de colonização e, esse tipo de projeto de colonização com bandeira de reforma agrária tinha suas controvérsias e levantava questionamentos sobre as reais intenções e objetivos do mesmo. De acordo com Mariana Miranda (1987). A politica de colonização dirigida foi bastante questionada e criticada por intelectuais, pelo movimento sindical e outros movimentos sociais que denunciaram seus erros e desvios. Entre as críticas levantadas situam-se aquelas que apontam a colonização como expressando um aspecto da politica do Estado no sentido de favorecer a monopolização das terras por grupos econômicos diversos e o desenvolvimento extensivo do capitalismo, além de representar uma contra-reforma agrária, antepondo-se à reforma espontânea representada pelas migrações livres de populações de outras áreas, principalmente do Nordeste e Sul do país, constituindo-se como alternativa de nâo fazer a reforma agrária. (MIRANDA, 1987). A colonização dirigida, que cita a autora, tem um viés de controle socioeconômico por parte do estado, uma vez que o estado é quem define onde, quem, como e quando esses territórios serão ocupados, podendo assim privilegiar certos grupos em detrimentos de outros. O Núcleo Colonial Bernardo Sayão assentou 106 famílias somando um total de cerca de 600 pessoas. O Núcleo contava com instalações para a administração, estação de radiotelegrafia, campo de pouso aéreo, enfermaria, depósito, almoxarifado e cozinha. (Teixeira, 1987, p.37). Atualmente o município de Bernardo Sayão � TO , pertencente ao Estado do Tocantins a partir da Constituição Federal de 1988, possui 4.456 habitantes segundo o Censo IBGE (2010), com gentílico de bernardense, em um território de 926,888 km², está localizado a noroeste do Estado do Tocantins e fica à 126,3 km da cidade de Colméia � TO via rodovia TO-164. Em pesquisa de campo, ao percorrer as ruas de Bernardo Sayão � TO, percebemos em toda a zona urbana ruas e avenidas duplas e largas, com grandes canteiros centrais, ora aproveitados pelo paisagismo do poder público municipal, ora esquecidos e abandonados nas ruas sem asfalto por esse mesmo poder. Um comércio simples com atendimento de demandas básicas como lotérica, casa agropecuária, loja de móveis, panificadora, etc e espaços públicos como praças e jardins. De pouco movimento nas ruas, tivemos uma certa sensação de abandono, um lugar bastante rico em água, com sua zona urbana a 30 km do Rio Araguaia, mas com pouca presença do poder público estadual e federal. Aparentemente o projeto atendeu seu objetivo colonizador de contribuir com o povoamento do então norte goiano da década de 1960, hoje território pertencente ao Estado do Tocantins. O projeto de colonização em Goiás foi planejado para ser implantado de norte a sul do referido território no intuito de atender as regiões mais longínquas do estado, mas foi impedido pelo golpe militar de 1964 que considerou seu projeto de cooperativas no campo como subversivo, destituindo o governo democraticamente eleito em Goiás e nomeando para o seu lugar um interventor, que por ordens dos golpistas, abandonou todos os projetos de colonização e reforma agrária coletiva e, logo posteriormente, distribuindo os títulos privados da terra para os poucos que restaram, o que resultou em pequenas cidades no norte do Brasil. Referências BRASIL. Decreto n° 45.688, de 2 de abril de 1959. Cria o Núcleo Colonial Bernardo Sayão, em terra situadas no Município de Aguacema, no Estado de Goiás. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1950-1959/decreto-45688-2-abril-1959-384730-publicacaooriginal-1-pe.html Acesso em: 06 de abril de 2022. IANNI, Octavio. Colonização e contra-reforma agrária na Amazônia. Petrópolis-RJ : Vozes, 1979. IBGE � INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA . Censo Brasileiro de 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. GOIÁS. Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento. Reformas Administrativas: 4 décadas de transformações no Poder Executivo. Vol. 1. Goiânia: 2005. Disponível em: http://www.sgc.goias.gov.br/upload/arquivos/2011-07/quatro-decadas.pdf Acesso em: 10 de junho de 2019. GOIÁS. Casa Civil. Lei nº 4.039, de 6 de julho de 1962. Dispões sobre a criação do IDAGO e dá outras providências. Disponível em: http://www.gabinetecivil.goias.gov.br/leis_ordinarias/1962/lei_4039.pdf Acesso em: 20 de abril de 2019. MIRANDA, Mariana. Colonização e Reforma Agrária. Boletim de Geografia. , v. 5, n. 1, (1987), p. 31-44, 11. Disponível em: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/BolGeogr/article/view/13514 Acesso em: 13 de abril de 2022. TEIXEIRA, Mauro Borges. Estrutura agrária do governo Governo de Goiás. 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19 | 6188532 | A contradição sociedade natureza e a crítica social de Marx | 3.1.1 Materialidade e metafísica na crítica social de Marx A contradição entre essência e aparência moveria o universo da crítica materialista de Marx em O Capital. A sua forma de ser, enquanto tal contradição, envolveria, desde o começo, o princípio de contradição entre o universal, o particular e o singular, categorias da razão dialética hegeliana (começo, fim, contradição, universal particular, individual...). Todo o problema estaria na unidade contraditória da mercadoria que, assim, não solucionaria a crítica, mas se tornaria objeto da crítica. O problema do conhecimento, da consciência científicos ou não estaria no plano de seu objeto crítico que o capital enquanto forma de sociabilidade tudo seria enquanto real. Esta universalidade do todo, contudo, se daria no plano individual de cada mercadoria, esta uma forma social, não mero objeto, mas relação sujeito objeto. Na forma individual, simples da mercadoria, a universalidade da sociedade capitalista se expressaria numa contradição insolúvel e identitária de seu ser. Isto é, se solucionável não seria de capital que falaríamos. Mas por que o plano das soluções? Porque esta talvez tenha sido uma crítica necessária, na medida em que identificava a economia política. Não se poderia, entretanto, do ponto de vista da crítica do valor de Marx, ser crítico sem que esta crítica não fosse explicitamente à economia política. A condição sine qua non para uma teoria crítica social reconheceria a necessidade da metafísica se e somente se a economia política não reconhecesse a metafísica como forma da contradição capital trabalho. Para a economia política, entretanto, tratar-se-ia da adequação entre valor e preço, circulação e consumo que seria, do ponto de vista da teoria crítica de Marx, objeto da crítica. O equilíbrio da circulação em última instância seria a ilusão necessária como forma de consciência e ciências sociais da contradição valor. Assim, o problema da crítica se delimitaria por uma adequação enquanto ilusão a ser criticada. Esta, na economia política, seriam categorias da economia. A economia política, assim, deteria a ilusão como forma de expressar, enquanto ciência, uma consciência social. Aqui, ainda que resumindo o sentido de ilusão, certamente o critério de verdade unia o problema científico que em Marx formaria uma crítica científica à ciência, mais do que uma ciência da crítica. Mas o que se poderia dizer, categorialmente, da diferença de uma economia política em relação a sua crítica? Não deter a aparência como o critério da verdade do ser capital, contudo, enquanto economia política, expressaria o critério de verdade social válido, mas fetichista, sem o que não se é capital. Esta contradição vinculada à aparência enquanto a verdade do ser só poderia ser a crítica almejada se a universalidade do individual da mercadoria fosse o ilusório enquanto forma da consciência, mas também, forma da consciência da própria crítica. A crítica ao fetichismo consideraria a negatividade se e somente se o próprio método, a própria crítica, fossem internos a este ilusório e não fora dele. A negatividade do fetichismo resgataria a questão da metafísica, enquanto sujeito da razão � com quem Hegel (Ciência da Lógica) já se defrontara, no plano da relação contraditória entre subjetividade e conceito �, já posta no objeto material. A crítica, entretanto, se reconheceria interna ao seu objeto dada sua forma de crítica social. Assim, a metafísica negaria a sociedade enquanto mero objeto de análise. Não se desconsidera um fetichismo da própria forma científica da relação sujeito objeto. O próprio objeto seria relação sujeito objeto e sua existência mediada pelas formas de consciência. Entretanto, a noção de matéria conteria a contradição entre físico e metafísico, própria da forma mercadoria. A forma mercadoria seria forma social, que incluiria o universo de toda reprodução capitalista (o valor e sua forma). O fetichismo, entretanto, teria de se colocar interno à própria crítica e, assim, exigir a negação da própria crítica. Aqui um sentido da verdade da crítica. Não se trataria de afirmar uma ou outra forma da crítica, ou de verdade � no tempo revolucionário -, mas de que a verdade seria uma contradição identitária para com a inverdade, ambas mediadas pelo conhecimento. O fetichismo seria esta negatividade de verdade, universal, dada a inerência da ilusão (valor de uso e valor de troca) para que uma sociedade pudesse ser a �monstruosa [ungeheure] coleção de mercadorias.�, como diz Marx, logo no primeiro parágrafo de O Capital. O não reconhecimento desta universalidade seria condição para o critério positivo da crítica que não diferenciaria, entretanto, o aparecer e o ser como momentos inextricáveis da forma social, o capital. Assim, a diferença entre �valor� e �forma valor� seria a contradição identitária da crítica à economia política, como observou Giannotti, em Certa Herança Marxista. Sem a mesma não seria possível constituir uma crítica, contudo, esta não escapa a uma crítica a si mesma. Nos termos de Marx: �(...) O prosseguimento da investigação nos trará de volta ao valor de troca, como maneira necessária de expressão, ou forma de manifestação do valor...� (47). Uma consciência objetiva posta pela diferença contraditória entre o ser do capital e sua manifestação, sob esta contradição, seria a realidade ou o real em sua totalidade. A relação se dá entre valor e sua forma, ou mesmo entre valor e preço, no qual, neste último, pôr-se-ia a materialidade monetária, de dinheiro, enquanto �signo de valor�. O conceito (dinheiro) que revela é �ofuscante� (L. I, v. 1, 85). Para Marx, isto se colocaria como determinação do capital na forma sujeito objeto que seria consciência individual sob a universalidade social. O sentido, do ponto de vista da crítica, seria colocar-se, como individualidade � da crítica ou não �, como categoria da própria diferença entre essência (valor) e aparência (forma valor, preço, dinheiro), assim, não superada. A crítica, em última instância, seria a forma da superação não superada, ou seja, enquanto houvesse a necessidade da crítica o tempo desta materialidade histórica, social, seria não superado. A crítica seria expressão de contradições não superadas, seria forma desta não superação. Assim, a não adequação entre verdade e o real são identitárias deste, sendo a isto o que a crítica chegaria. Quanto à ontologia social, não teríamos um erro, mas a forma do ser, universalizado pela mercadoria. A crítica, entretanto, ao estar numa relação universal � pois é ao mundo da mercadoria que se refere � seria forma do ser social. Ela não escaparia do invólucro do fetichismo de verdade. Aí o critério de verdade e de crítica se colocariam numa contradição. A verdade se veria como a negatividade do ser social. Ela (a verdade) iria até onde não se poderia chegar, desde que isto não fosse sua incompletude. Ao contrário, reconhecer os limites da verdade absoluta (sem relação com a não verdade) seria a verdade científica social de Marx, porque perguntar-se cientificamente sobre ela se determinaria modernamente. Esta seria a contradição da crítica, ser determinada pelo seu próprio tempo, ou ainda, pelo seu próprio universo categorial, já que a crítica é categorial e está em seu universo categorial referido. Considere-se, assim, que história e lógica não se adequariam como forma do ser social. Posto o tempo na forma categorial do processo de produção e, assim, das relações sociais de produção, a negatividade da crítica também colocaria numa negatividade ao próprio tempo, como a qualquer categoria da crítica ou do real social. | 08. Geografia econômica | Anselmo Alfredo | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 1676 | resources/download/restrict/eng2020/1661819333_ARQUIVO_03650f7bcf3891d92a065adfbcd972e3.pdf | ||||||||||||||||||
20 | 6176984 | A convivência da população com a escassez de água no Distrito de Encantado, Quixeramobim-CE | A presente pesquisa busca mostrar a situação hídrica do Distrito de Encantado município de Quixeramobim na região do Sertão Central, estado do Ceará, que faz parte do polígono das secas. Portanto, a ideia de desenvolver esse projeto surgiu a partir da necessidade da comunidade compreender as causas e consequências da escassez de água e se conscientizar da importância do uso racional e adequado da água, com práticas simples de utilização desse líquido vital para a vida dos seres vivos, evitando assim o desperdício. Nesse contexto, o trabalho a ser desenvolvido, visa apresentar a situação hídrica da comunidade, além de buscar soluções que amenizem os problemas causados pela estiagem e pelo uso inconsciente da água pela população. A pesquisa em tela será de grande importância para compreender os impactos causados pela estiagem na comunidade, buscando estratégias de como amenizar os problemas enfrentados pela população devido à falta d�água, apresentando possíveis ações de comportamento que diminuam o desperdício de água. O principal objetivo da pesquisa é levar a população a reconhecer que a falta de água é causada principalmente pelo clima semiárido, com baixos índices pluviométricos, porém, o uso inadequado da água, contribui para agravar o problema da falta de água. Assim, este trabalho busca evidenciar um problema bastante conhecido pelos nordestinos, a seca, trazendo para discussões a utilização dos recursos hídricos no Distrito de Encantado, com debates de ideias que conscientizem a comunidade que convive com a estiagem e necessita da água para sobreviver. O tema da pesquisa em tela trata-se de uma problemática bastante presente no cotidiano dos nordestinos, visto que, a estiagem afeta 1.348 municípios do semiárido nordestino. O projeto de pesquisa tem como principal fonte de embasamento teórico o artigo científico: Clima e a problemática das Secas no Ceará, dos pesquisadores Luis Ricardo Fernandes da Costa e Sulivan Pereira Dantas da Universidade Federal do Ceará � UFC, onde os autores buscam mostrar que o semiárido brasileiro está diretamente ligado a história das secas, sendo uma das causas do processo de migração da população principalmente no século XX e o artigo científico: A escassez de água no Sertão Central cearense: políticas públicas de convívio com a seca no município de Quixeramobim-CE, dos pesquisadores Eduarda Maria Farias Silva, Bruna Thayla da Silva do Instituto Federal do Ceará, Guilherme Farias de Oliveira do Centro Universitário Católica de Quixadá e Jamille dos Reis Amorim da Universidade Católica Dom Bosco, onde os autores buscam mostrar os diversos fatores que causam a escassez de água no Sertão Central cearense, apresentando mecanismos e recursos tecnológicos que diminuam os impactos causados pela seca. Além disso, foram coletados dados sobre o campo de pesquisa no SAAE � Quixeramobim (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), autarquia responsável pelo abastecimento de água na zona urbana e em algumas localidades da zona rural do município de Quixeramobim - CE. A corrente de pensamento a qual se filia a presente pesquisa é o Possibilismo do francês Paul Vidal de La Blache, que defende a ideia de que a natureza exerce influências sobre o homem, oferecendo possibilidades de modificar e melhorar o meio em que vive, sem necessariamente determinar o seu comportamento. Dessa forma, o problema da estiagem, principal assunto da presente pesquisa, é praticamente inevitável, pois são condições ambientais naturais que ocorrem periodicamente, porém, o homem pode buscar alternativas para conviver com a seca, minimizando os impactos na vida da comunidade. O método científico utilizado na pesquisa foi o dialético, que consiste numa forma de discurso entre duas ou mais pessoas que têm opiniões diversas a respeito de um mesmo assunto, porém têm como objetivo mostrar a verdade e por meio de argumentos fundamentados, buscando convencer o opositor. Com isso, pode-se afirmar que a presente pesquisa é de abordagem qualitativa, pois a dialética se confronta naturalmente com qualquer forma de pensamento de ordem quantitativa. Os métodos utilizados para a realização da pesquisa foram pesquisas bibliográficas, que tratam de temas já publicados sobre o mesmo assunto, levantamentos interrogatórios e reuniões com a comunidade buscando soluções para a problemática em questão, levantamento e coleta de dados junto ao SAAE e observação direta analisando os dados obtidos comparando-os com realidade local do campo de pesquisa. A presente pesquisa foi apresentada a comunidade escolar na E.E.F � Aloísio Barros Leal, onde foi evidenciado o problema da escassez de água, as principais causas e as consequências provocadas pela falta de água. Pois a falta d�água na comunidade é decorrente principalmente devido a dois fenômenos naturais, à baixa precipitação de chuvas na região e evaporação dos mananciais devido ao clima quente e seco do Sertão Central cearense, além disso, é agravada também pelo consumo inconsciente por uma parcela considerável da população. Durante a reunião foram apresentadas formas simples como economizar e reutilizar a água, foram entregues também panfletos com orientação de como economizar água, como por exemplo: tomar banhos mais curtos, limpar a louça antes de lavá-la, observar os vazamentos e reutilizar a água da máquina de lavar para dar descarga. Além disso, foi discutido formas de armazenar água durante o período das chuvas, como a construção de cisternas, que é um deposito construído abaixo do nível da terra, que com uso de calhas e canos recebem a água das chuvas que vem dos telhados das casas. Dessa forma, houve a participação da comunidade, colaborando com ideias e opiniões a respeito do assunto, contribuindo assim, de forma bastante positiva para o desenvolvimento da presente pesquisa. O referido trabalho encontra-se em fase de desenvolvimento, por ser uma pesquisa em andamento que �será concluída durante o curso de Geografia da UECE (Universidade Estadual do Ceará). Espera-se que por meio desta, as pessoas compreendam a importância do seu papel de cidadãos responsáveis pelo consumo consciente desse recurso natural indispensável à vida. | 02. Campo e Rural | Joalci Silveira | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 1015 | resources/download/restrict/eng2020/1661353795_ARQUIVO_a0bdbf1b2d48097a1380b37f12222ab8.pdf | ||||||||||||||||||
21 | 5435854 | A criminalização da pobreza e a reorganização territorial: o caso do Shopping Oiapoque em Belo Horizonte-MG | INTRODUÇÃO Uma das características marcantes das grandes metrópoles do Brasil é a diversificação do cenário urbano, em que as diferentes apropriações que os mais variados indivíduos dão ao território constantemente ressignificam o espaço público. Essa diversificação, em Belo Horizonte, é muito mais visível na região central da cidade, em que várias atividades, de diferentes níveis manuais e tecnológicos, são executadas ao mesmo tempo. Assim, enquanto alguns usam a área central como passagem, outros apropriam desse espaço para o trabalho, como é o caso dos vendedores ambulantes. A circulação de pessoas, a pluralidade e a efervescência da região central são tão grandes que, não só em Belo Horizonte, mas em diversos outros municípios, a partir das décadas de 1980/90 dissipou-se a ideia de que as áreas centrais estariam degradadas e necessitavam de uma reorganização. Assim, o poder público municipal, em 2002 (lançado oficialmente em 2004), criou o programa �Centro Vivo�, que tinha como objetivo central a recuperação do centro. Os vendedores ambulantes � ou camelôs - segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, seriam um dos principais responsáveis pela �desordem� do centro e, assim, um dos objetivos específicos do programa seria a expulsão dessa parcela da pobreza do hipercentro para uma área supostamente fechada e organizada: os shoppings populares, localizados no �baixo centro�. Assim, a proibição do comércio ambulante devido ao Código de Posturas de 2003, aliada à tentativa de enclausurar os camelôs no baixo centro belo-horizontino, evidencia a criminalização da pobreza por parte do poder público, que inclusive forma parcerias com a iniciativa privada para executar esses projetos. É diante desse contexto que é criado o primeiro shopping popular de Belo Horizonte, o Shopping Oiapoque. OBJETIVOS A pesquisa tem como objetivo estudar a criminalização da pobreza em Belo Horizonte e suas ligações com o circuito inferior da economia. Para isso, o objeto referência é o Shopping Oiapoque e seu entorno, que está situado na região do �baixo centro�, conhecida por ser uma das regiões mais degradadas da cidade, mas que vem sendo reorganizada devido à nova dinâmica socioespacial trazida pelos novos vendedores e consumidores. METODOLOGIA A pesquisa se baseou na revisão e consulta bibliográfica a pesquisas relevantes ao tema, como debates teóricos que envolvem os usos do território urbano e, de forma mais empírica, artigos e dissertações que abarcam a região central de Belo Horizonte e de outros municípios, os shoppings populares, a economia popular, a criminalização da pobreza e os vendedores ambulantes. Também foram referência para a pesquisa, cientistas das ciências humanas que tratam o tema da urbanização e da globalização, como Milton Santos e Ana Clara Torres Ribeiro. Foram realizados diversos trabalhos de campo que não se restringiram ao Shopping Oiapoque, mas toda a região central de Belo Horizonte, em especial o considerado �baixo centro�. Por fim, todos os dados e informações coletadas foram sistematizadas de maneira a permitir a criação de uma periodização, que foi base para toda a pesquisa. RESULTADOS O processo histórico de Belo Horizonte é muito importante para se entender como se desenvolveu o contexto que culminou na criação do Shopping Oiapoque. O chamado �milagre econômico brasileiro� trouxe à Minas Gerais grandes investimentos industriais � segundo Monte-Mór (1994, p. 24) mais de 25% do total dos investimentos aprovados pelo Conselho de Desenvolvimento Industrial do Ministério da Indústria e do Comércio no período de 1971/80 -. A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) recebeu a maior parte dos projetos e, assim, o grau de centralidade da sede da RMBH foi se expandindo e a cidade se transformando. A região central, que até então era local de concentração de serviços e residência das elites, começa a concentrar ainda mais os comércios e os serviços, o que fez com que o fluxo diário de pessoas que circulavam pela região crescesse muito. Assim, o centro belo-horizontino aos poucos deixa de ser um lugar para elites e começa a se caracterizar como um lugar popularizado, de encontro de todos os indivíduos, inclusive sendo o local favorito para manifestações políticas e culturais. Como consequência, houve a fuga das elites, que buscou novas residências em outras regiões, como na Savassi e no Belvedere. Diante dessa fuga e da concentração de diferentes trabalhadores, seres políticos e sociais, há o começo de um processo que, até o momento atual, a Prefeitura de Belo Horizonte visa �combater�, intitulada por muitos como �degradação do centro�. Não se nega, aqui, a existência de uma desordem na região central, mas há de se pontuar, no entanto, que a pesquisa segue a interpretação do geógrafo Cláudio Jesus (2015, p. 375), que parte do pressuposto que, primeiramente, a popularização do centro é uma consequência já esperada devido à expansão da metrópole, em seguida há o abandono do local pelas elites e, por último, o relativo abandono da região por parte do poder público. Ou seja, a degradação existe devido ao abandono da Prefeitura e não pela popularização do centro. É então a partir dessa suposta degradação central ocasionada pela popularização do centro que o programa Centro Vivo foi proposto e, posteriormente, o Shopping Oiapoque foi criado � a tentativa era de, literalmente, depositar a culpa da desordem na população pobre e retira-los do hipercentro -. O resultado da pesquisa, no entanto, mostra que criminalizar a pobreza e a transferir para outra região trouxe novos conteúdos à um território anteriormente estigmatizado. A efervescência social que foi incrementada à essa região permitiu que, ao longo dos mais de 15 anos que se passaram desde a inauguração do Shopping Oiapoque, a região começasse a ser valorizada. Assim, o Oiapoque, que em 2003 nascia para abrigar os camelôs e era pouquíssimo dotado de modernidades, hoje conta com um site de entregas para todo Brasil, atendimento via aplicativos, seguranças, tela interativa para direcionar o consumidor dentro o Shopping, além da presença de grandes redes de alimentação, como Subway, McDonald�s e Burguer King. Além disso, o entorno também foi alvo de modernizações, como a ampliação do complexo da Lagoinha, a criação da estação do MOVE �Oiapoque�, a construção de prédio super luxuoso (ainda não se sabe qual atividade abrigará), e diversas modernizações pontuais na rodoviária. Assim, a reorganização territorial que vem acontecendo em toda região central de Belo Horizonte é constantemente guiada pela atuação da pobreza, que apesar de ser constantemente criminalizada pelo poder público é dotada de uma criatividade que traz vida à cidade. REFERÊNCIAS JESUS, Cláudio. A popularização do centro. Caderno de Geografia, v.25, n.44, 2015. MONTE-MÓR, Roberto. et al. Belo Horizonte: Espaços e tempos em construção. Belo Horizonte: CEDEPLAR/PBH, 1994. SANTOS, Milton. O Espaço Dividido: Os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves Editora S.A, 1979. RIBEIRO, Ana Clara. Território usado e humanismo concreto: o mercado socialmente necessário, 2005. Anais do X Encontro de Geógrafos da América Latina - Universidade de São Paulo. SANTOS, Milton. Espaço dividido: os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos. São Paulo, 1979. SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Editora Record, 2001. | 01. Cidade e Urbano | Isabella Couto de Oliveira | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 872 | resources/download/restrict/eng2020/1661864903_ARQUIVO_3da2ec8aa32ff2662f8b8d34aa7fc169.pdf | ||||||||||||||||||
22 | 2165686 | A descrição da Paisagem a partir de pessoas cegas ou com baixa visão | Introdução Nosso trabalho busca discutir sobre o conceito de Paisagem no processo de ensino e aprendizagem de pessoas com cegas ou com baixa visão. Utilizamos as produções dos próprios educandos nesse processo exercitando o protagonismo e criatividade. Claval (2012) nos diz que a Paisagem surge no século XV nos Países Baixos, sendo compreendida como o �olhar da janela�. Mostra ainda a sua importância no período Renascentista como subterfúgio para uma arte crítica ao teocentrismo (onde a pintura da natureza torna-se central). Desde o primeiro momento institucional a Geografia se interessou pela Paisagem. Os relatos dos viajantes no período das Grandes Navegações debruçaram-se amplamente na descrição da fauna e flora nos novos lugares em que estes aportavam. Esse processo ensejou a criação de novos termos dentre as ciências naturais e o uso de imagens (gravuras e num segundo momento fotografias) para tanto obterem-se descrições mais fies quanto facilitar o trabalho do observador da Paisagem (CLAVAL, 2012). Essa perspectiva descritiva atrelou o conceito de Paisagem ao campo visual. Ainda na atualidade é como ouvir-se, principalmente de não-geógrafos, que a Paisagem é tudo aquilo que podemos ver, ou ainda um lugar bonito. Merleau-Ponty critica a prerrogativa visual, pois entende que é infindável o debate sobre qual é o sentido mais importante na percepção do espaço (MERLEAU-PONTY, 1999). Berque (2004) corrobora com essa crítica ao propor que a Paisagem, por sua característica plurimodal, é permeada pelas relações que os sujeitos fazem com o espaço que apresentam um caráter que também é simbólico e por isso a visão não é suficiente para sozinha abarcar toda a potencialidade da Paisagem. A Geografia Humanista é por onde uma percepção multissensorial da Paisagem ganhará força. Tuan (1994) afirma que todos os sentidos são importantes no processo de apreensão do espaço, pois funcionam como receptores sensoriais. Merleau-Ponty (1999) diz que a percepção dá-se de forma íntima com objeto onde os sentidos interagem de forma concomitante no ato de perceber. Dessa Maneira, Arruda (2016) afirma a importância dos sentidos na percepção dos deficientes visuais. Estes interagem a partir de seu corpo com o espaço, assim �ver o mundo pelo olfato, pelo paladar, pelo tato, pela audição enfim pelo corpo (sinestesia) toma a dimensão de um ato visível para uma pessoa cega.� (ARRUDA, 2016, pg.3). Em nosso trabalho buscamos nos utilizar de uma perspectiva multissensorial, para expor uma descrição da Paisagem a partir dos deficientes visuais salientando a forma sinestésica como estes percebem o mundo. Método: O Trabalho foi realizado em sala de aula com os alunos do 6° ano do Ensino Fundamental do Instituto Benjamin Constant, buscamos assim evitar intervenções dos responsáveis e obter uma resposta autoral dos educandos na atividade. Participaram dele alunos com diversos tipos de deficiência visual: cegueira congênita (nascidos cegos), cegueira adquirida (nascidos videntes e depois perderam a visão) e baixa visão (com dificuldades que não são corrigidas mesmo com óculos) (BRASIL, 2001). Apresentado o conceito de Paisagem nós debatemos sobre ele, registramos os conceitos pré-existentes da turma e contrastamos com as definições científicas. Após o debate lemos duas descrições de paisagens, retiradas da dissertação de Ventorini (2007) onde a autora cita Cutsforth (1969, pg58 e 59, apud VENTURINI, 2007, pg57 e 58) que apresenta uma descrição de um vidente (imbuída de elementos visuais) e outra de um cego (permeada por uma perspectiva multissensorial). Em seguida os educando escreveram suas próprias descrições de paisagens com o tema �meu lugar preferido�. Resultados: Os educandos com cegueira adquirida obtiveram uma marcante presença de elementos visuais, mostrando que sua memória visual ainda é bem constituída no que tange a descrição de lugares com laços afetivos. Aprestaram também um acúmulo de outras referências sensoriais mostrando que sua condição de cegueira também permeia sua forma de perceber o mundo. Os educandos com cegueira congênita apresentarem referencias olfativos, sonoros e palatáveis em suas descrições. É perceptível em seus relatos que a multissensorialidade perpassa o modo como estes se relacionam com o espaço geográfico expondo sua inteiração sinestésica. Os educandos com baixa visão escreveram relatos com uma marcante presença visual em suas descrições. Apesar de mostrarem dificuldades com alguns aspectos visuais tais como cores, tamanhos e profundidades a primazia do visual é clara em relação aos outros sentidos. Considerações Finais: O trabalho mostrou-se profícuo em expor como os elementos da paisagem são percebidos de forma diferente pelos educandos relacionando-se as suas deficiências. Ao salientar o aspecto multissensorial da descrição da Paisagem construímos em conjunto um modo de ver o conceito que incluí os educandos enquanto deficientes visuais, fato que os aproxima do conteúdo exposto partindo de suas vivências. As leituras foram importantes enquanto norteadoras de sua prática escrita. Ter uma descrição de um vidente e de um cego ampliou as possibilidades de descrição das paisagens e os ajudou na confecção de seus próprios textos, dúvidas de �como começar?� ou �como fazer?� eram sanadas na releitura dos exemplos. O protagonismo dos educandos enquanto autores foi fundamental no engajamento das turmas para a confecção da atividade. Acreditamos que o maior ganho dessa experiência foi estreitar os laços dos educandos com o a Paisagem, que é um dos conceitos chaves da Geografia Escolar, a partir de suas próprias experiências. Referências Bibliográficas: ARRUDA, L. M. S. GEOGRAFIA NA INFÂNCIA PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL: a utilização de uma maquete multissensorial para a aprendizagem do conceito de paisagem. Revista Brasileira de Educação em Geografia, 2016. BERQUE, A. Paisagem-marca, Paisagem-matriz: elementos da problemática para uma Geografia Cultural. In: CORRÊA, R. L.; ROZENDAHL, Z. (orgs.). Paisagens, textos e identidade. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2004. BRASIL. Ministério da educação. Programa de capacitação de humanos do ensino fundamental - deficiência visual (2001). Brasilia. Secretaria de Educação Especial. v 1. Disponível em < www.mec.gov.br> acesso em 01 set. 2019. CLAVAL, P. A paisagem dos geógrafos. Geografia cultural: uma antologia, v. 1, p. 245, 2012. MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins Fontes, 1999. TUAN, Y. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. São Paulo: Difel, 1994. VENTORINI, S. E. A experiência como fator determinante na representação espacial do deficiente visual. Dissertação (mestrado) � Universidade Estadual Paulista, Instituto de Geociências e Ciências Exatas. 2007. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Bruno Mendes Mesquita | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5932 | resources/download/restrict/eng2020/1661939133_ARQUIVO_8067bb3a1141653c3e9c6dc07eaf70fc.pdf | ||||||||||||||||||
23 | 7444745 | A desigualdade na educação em meio a pandemia da COVID-19: um retrato do ensino público e privado do oeste paulista. | INTRODUÇÃO O presente trabalho se formulou através da disciplina de Pesquisa em Geografia, ministrada na Faculdade de Ciências e Tecnologia � Universidade Estadual Paulista - Campus de Presidente Prudente/SP. O estímulo para a realização do trabalho adveio da inquietação oriunda da realização das atividades acadêmicas por meio remoto devido a pandemia de COVID-19 e do entendimento das fragilidades que tal modelo dispõe. Diante deste contexto, resolvemos analisar a educação básica dos municípios de Presidente Prudente/SP e Pacaembu/SP e os impactos da pandemia nela. No início de 2020, com o começo da pandemia da COVID-19 a educação foi afetada diretamente, suscitando novos formatos educacionais e metodologias contemporâneas associadas a tecnologia para um desenvolvimento escolar. A mudança trouxe a necessidade de saímos do habitual, onde o ensino presencial vira o ensino remoto, a sala de aula vira uma sala virtual e alunas e alunos viram um mural de fotografias em uma tela. Tal situação determina algumas questões: será que todos possuem acesso a essa educação diferenciada? Todos possuem estruturas tecnológicas para seu empenho no ensino remoto? Os acessos móveis são de qualidade para todas, todos? O que ficará para o pós-pandemia? OBJETIVOS Analisar a desigualdade na educação de Presidente Prudente/SP e Pacaembu/SP, durante o contexto pandêmico de 2020 e 2021 em escola pública e privada OBJETIVOS ESPECÍFICOS Evidenciar os principais desafios da educação durante a pandemia da COVID-19; Destacar as diferenças do ensino público para o privado com relação a estrutura adotada para o ensino-aprendizagem. METODOLOGIA DISCUSSÃO TEÓRICA E METODOLÓGICA Realizando uma análise inicial é possível indicarmos que a pandemia da COVID-19 revelou questões sociais e econômicas que estavam atrelada a situação escolar no Brasil há muito tempo, de forma a suscitar uma reflexão de como a estrutura escolar foi construída no país e como suas bases não foram devidamente estabelecidas, evidenciando abismos na formação. Destacamos a visão do sociólogo Pierre Bordieu, onde ele evidencia que a educação não é ensinada de forma igualitária aos alunos, como a escola conservadora propõe. Ainda menciona que os problemas enfrentados pela escola são reflexos das dificuldades sociais enfrentadas pelos alunos. Ainda em Bourdieu, o autor entende que o capital social é baseado em relações mundanas que constituem fontes estratégicas de apoio entre os agentes. O volume do capital social que um agente singular possui depende da rede de relações que ele pode mobilizar e do volume de capital econômico, cultural ou simbólico que é posse exclusiva de cada agente que pertence a essa rede de relações a que está ligado. (BOURDIEU. P.67.2015). Anísio Teixeira no fim dos anos 1950, debate a educação como direito e universalização do ensino público e gratuito no Brasil (Teixeira, 1995; Nunes, 2000). Somente na Constituição Federativa do Brasil, de 1988 e, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996, a educação passou a ser legalmente garantida como direito de todos e dever do Estado e da família (BRASIL, 1988). Diante dessas citações e, correlacionando o passado com o presente, a educação sofre um retrocesso e tende a ser novamente um privilégio para alguns e não mais um direito para todos. COLETA DE DADOS Para obter os dados criamos um formulário que foi enviado para alunos da rede de ensino de Presidente Prudente/SP e de Pacaembu/SP, tanto em escolas privadas quanto públicas. Divulgamos através de plataformas digitais e pedimos para que divulgassem também, com intuito de obter o maior número de respostas. As instituições contempladas foram a Escola Estadual Hugo Miele, o Instituto Escolar Fernando Costa e o Colégio Objetivo. Entramos em contato direto com um professor de cada instituição para realizar uma entrevista. Apontamos que ela foi realizada pelo aplicativo WhatsApp para acontecer de forma mais informal, visando captar algumas impressões dos docentes. RESULTADOS Obtivemos cerca de 30 respostas dos alunos, que trouxeram muitos apontamentos interessantes. Em relação aos alunos da rede pública de ensino observamos que o ensino remoto não teve muita desenvoltura, eram atividades baseadas no Centro de Mídias do Estado de São Paulo (CMSP). Não existia uma aula síncrona, somente reuniões e nem todos tinham acesso. Este foi um dos problemas mais relatados nos questionários, a falta de acessibilidade em relação as tecnologias, o que refletiu diretamente nas escolhas futuras, já que muitos desistiram de realizar os vestibulares e o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), porque não se sentiram preparados o suficiente com o conteúdo estudado durante a pandemia. Sobre o relato dos professores destacamos primeiramente o educador da rede pública, que relata a dificuldade em ter os alunos realizando as atividades semanalmente, sem deixar acumular; a falta de infraestrutura da escola, afetando diretamente os professores e alunos; a ausência deles e gerando até mesmo uma evasão, já que muitos começaram a trabalhar durante o ensino assíncrono. Abordaram também a forma que o conteúdo do CMSP era disponibilizado e trabalhado. Os alunos da rede privada relataram um desconforto em estudar em casa, mas algo comum, quando trocamos de ambiente com o qual estávamos acostumados. Todos possuíam internet, celular e computador e relataram que a única diferença no ensino seria ter que assistir através de uma tela e que o ensino e conteúdo continuou o mesmo. Tal situação se refletiu na continuidade das atividades estudantis dos alunos da rede privada, com a participação deste nos vestibulares pretendidos e no ENEM. O professor da rede privada não relatou problemas na infraestrutura da escola. Sua manifestação foi pela falta de participação dos alunos, tornando as aulas monótonas, já que por ser a distância, a falta de atividades práticas era seu maior problema. REFERÊNCIAS ARAÚJO, J. A. Educação, desigualdade e diversidade: os grupos menos favorecidos frente ao sistema escolar brasileiro. Revista da ABPN, v. 4, n. 8, p. 114-125, jul./out. 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/es/a/Py9jLMhddTWMfKQtY45L6dy/?lang=pt BEIRA, D; NAKAMOTO, P. A formação docente inicial e continuada prepara os professores para o uso das tecnologias de informação e comunicação (TIC) em sala de aula?. In: WORKSHOP DE INFORMÁTICA NA ESCOLA. Anais 2016. p. 825 BOURDIEU, P. A Escola conservadora: as desigualdades frente à escola e à cultura. In: NOGUEIRA, M. A.; CATANI, Afrânio (Orgs.). Escritos de educação. Petrópolis: Vozes, 1998. BOURDIEU, P. Escritos de Educação. Rio de Janeiro: Vozes, 2015. CALVACANTI, L. Pensar pela Geografia: ensino e relevância social. Goiânia, GO: C&A Alfa Comunicação, 2019. 232 p. FARIAS, R, A. Resenha de Escritos de educação. Revista Educação Pública, v. 21, nº 24, 29 de junho de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/24/resenha-de-iescritos-de-educacaoi FORSTER, P. Pandemia aumenta evasão escolar. Relatório da Unicef. CNN Brasil, 2021 Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/2021/01/28/pandemia-aumenta-evasao-escolar-diz-relatorio-do-unicef. Acesso em: 19 maio 2021. LEITÃO, L.; BARROS, C, A; ARAÚJO, K. A educação escolar pública e privada em tempos de pandemia na cidade de Rio Branco - Acre: notas de diário de campo. 2020. Disponível em: https://amazonia.fiocruz.br/wp content/uploads/2020/07/REPOSITORIO-Texto-7.pdf. Acesso em: 05 abril 2022. LENCASTRE, C. Pandemia de abandono e evasão escolar. Projeto Colabora, 1 abr. 2021. Disponível em: https://projetocolabora.com.br/ods4/pandemia-de-abandono-e-evasao-escolar/. Acesso em: 19 maio 2021. MACEDO, M, R. Direito ou privilégio? Desigualdades digitais, pandemia e os desafios de uma escola pública. Disponível em: https://www.scielo.br/j/eh/a/SGqJ6b5C4m44vh8R5hPV78m/. Acesso em 01 abril de 2022. TEIXEIRA, A. Educação não é privilégio. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 1995. VERSUTI, A; SCARELI, G; PEDRO, L. A educação pós-pandemia desafios pedagógicos e Tecnológicos. Disponível em:https://www.google.com.br/books/edition/A_educa%C3%A7%C3%A3o_p%C3%B3s_pandemia/eHBIEAAAQBAJ?hl=ptBR&gbpv=1&dq=desigualdade+na+educacional+artigo&printsec=frontcover. Ed outubro de 2021. Acesso em 09 Abril 2022. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Ana Carolina Santana Lopes, Stephanie Barbosa da Costa | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5587 | resources/download/restrict/eng2020/1661992445_ARQUIVO_8dd57094796500a1e22b4719bcf9d5af.pdf | ||||||||||||||||||
24 | 7349939 | A dimensão pública na Educação, a escola como lugar-comum e o ensino de Geografia: o que denunciamos e anunciamos com estudantes do Ensino Fundamental na Rede Municipal do Rio de Janeiro? | Pensado e tecido a partir de reflexões expressas na tese Políticas e poéticas infantis na invenção de lugares-comuns (BONOMO, 2015), a proposta de comunicação encontra-se inscrita no campo de Estudos do Cotidiano da Educação Popular, e tem como premissa político-teórico-metodológica a narrativa de uma professora pesquisadora de geografia que investiga sua própria prática como docente da educação básica em escolas na rede municipal do Rio de Janeiro. Se apresentam como questões norteadoras das práticas docentes e que também coincidem com as da pesquisa: como compreender quais espaços as crianças tecem na escola, ou desmontam, ou rearranjam com os fragmentos, restos, miudezas dos discursos de mundo que encontram? Como esses acontecimentos grafam outras espacialidades, novos espaços, diversas territorialidades, outros lugares? Como tais evidências denunciam a mercantilização da educação expressa em currículos prescritos e praticados na unidade escolar? Como nos fornecem pistas que anunciam potencialidades geográficas na escola? Nesse contexto, compartilhamos um conceito de espaço construído por �interações produtivas�, ou seja, em constante produção e (re) significação e ressignificação. Espaço como artefato cultural, entendendo-o como um híbrido (SANTOS, 1996) ou ainda, como o define Massey (2008) uma dimensão de trajetórias múltiplas, �simultaneidade de estórias-até-gora�. E é nesse sentido que acolhemos e conectamos a ideia de Porto-Gonçalves (2002) ao nos apresentar a geografia em ato, sua defesa de que ao inventar possibilidades novas de existir nos territórios, reinventa-se territórios epistêmicos, levando a formas diversas de ser e estar-no-mundo, de deixar marcas no espaço, grafar a terra, de geo-grafar. Através dos acontecimentos que irrompem o cotidiano de encontros com estudantes escavamos fotografias e narrativas que encaminham nossa tentativa de entender as espacialidades forjadas nas geo-grafias dos estudantes, e ainda relacioná-las aos processos de significação da dimensão pública da educação. É uma aposta na potência revolucionária de um lugar no mundo que pode se definir como o espaçotempo em suspensão, para pensar � a escola. Um espaço para compartilhar, pensar e atuar no mundo, contrariando também, mas não só, por dentro, a lógica do capital que engendra formas sistemáticas de enquadrá-la. Espaço é interação, é esfera de existência de multiplicidades, é o movimento de fazer-se (MASSEY, 2008), e fazer a leitura espacial da escola, em seu devir, nos parece forma interessante de escovar sua história à contrapelo (BENJAMIN, 1989). Dessa forma, o objetivo traçado nessas aproximações é compreender de que forma os espaços vividos, narrados e compartilhados dos estudantes nos permitem interrogar a dimensão pública da escola e sua realização como lugar-comum. Nesse esteio também nos interessa refletir como a aula possibilita potencializar as geo-grafias cotidianas dos estudantes e provoca encontros com a geografia acadêmica e a geografia escolar. Ao chegar aos estudantes, pelo viés de sua geograficidade, vimos emergir a ideia de lugar-comum. Se o espaço é, para nós da geografia, o quadro que dá sentido, uma vez que se configura simultaneamente como substrato das práticas sociais e condição de sua existência, o lugar é o espaço sensível, de um cotidiano compartilhado e assim localização da coexistência e do conflito. Ao negociar com uma constelação de trajetórias que se (re) inventam, e redimensionar a condição pública da escola entendendo-a como lugar comum, vemos nela instalar-se o paradoxal compromisso docente: cuidar de fazer durar o mundo, renovando sua herança pública. Se concordamos com Arendt (2011) e pensamos a educação como o movimento de iniciar os novos num mundo comum e público por nossas heranças e tradições conservadas - a escola pública, como instituição que se constrói sob essa insígnia, encontra sua razão, mas também sua crise, que se apresenta pois permanecemos perdendo nosso senso-do-comum e essa dimensão da formação para o mundo público, e tratamos da educação escolar como investimento privado para ganhar a vida. Como explicitado o referencial teórico empregado atravessa parte da produção intelectual de Doreen Massey, Milton Santos, Paulo Freire, Hannah Arendt e Walter Benjamin, de forma a nos permitir compreender como, nos sombrios tempos vividos na Educação, os estudantes nos provocam com possibilidades de pensar uma �educação menor�, cotidiana, nas frestas desse espaço-escola que produzimos juntos. Como também nos permitem pensar que a geografia, e seu ensino, pode potencializar formas outras de habitar a escola, formas outras de interrogar o mundo. Como resultados podemos apontar que no diálogo com as geo-grafias dos estudantes é possível defender a permanência da geografia no currículo escolar, defender o cerne de sua ciência � as práticas espaciais � como o nosso desafio teórico-metodológico mais fecundo e defender seu viés crítico, aliado à transformação e não à conformação ao mundo como está. Referências ARENDT, H. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 2011. BENJAMIN, W. Obras escolhidas I: Magia e técnica, arte e política. Editora Brasiliense, São Paulo, 1989. BONOMO, L. Políticas e poéticas infantis na invenção de lugares-comuns. Tese (Doutorado) � Universidade Federal Fluminense, Faculdade de Educação, 2015. DELEUZE, G. Conversações (1972-1990). Rio de Janeiro: Editora 34, 1992. DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Kafka: por uma literatura menor. Rio de Janeiro: Imago, 1977. HAESBAERT, R. O mito da desterritorialização � do �fim dos territórios� à multiterritorialidade. Rio de janeiro: Bertrand Brasil, 2006. MASSCHELEIN, J.; SIMONS, M. Em defesa da escola � uma questão pública. Belo Horizonte: Autêntica, 2013. MASSEY, D. Pelo espaço: uma nova política da espacialidade. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 2008. PORTO-GONÇALVES, C. W. Da geografia às geo-grafias: um mundo em busca de novas territorialidades. 2001. Meio digital: http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/cecena/porto.pdf.. Acessado em 5 de março de 2020. SANTOS, M. O espaço do cidadão. São Paulo: Nobel, 1996. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Lorena Lopes Pereira Bonomo | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 1394 | resources/download/restrict/eng2020/1661996440_ARQUIVO_4589e3c453df1b51e5e315cf902984df.pdf | ||||||||||||||||||
25 | 8847924 | A dinâmica econômico-produtivas das cidades pequenas: um estudo de pequenas cidades da região geográfica imediata de Alfenas | O presente trabalho tem o intuito de estudar e buscar entender a dinâmica populacional das cidades não-metropolitanas da Região Imediata de Alfenas (MG). Dessa forma, abordar-se-á os fatores demográficos e econômicos que influenciam e influenciaram na formação e manutenção dos municípios em questão, demonstrando também a importância destes em diversos elos da sociedade. A relação de um município com o outro será, também, analisada buscando compreender como estas cidades se inter relacionam e competem, Ademais, quais são as centralidades desta região e quais cidades são fragilizadas em relação a estes centros econômicos. O Sul de Minas é uma região dotada pela particularidade de que não há metrópoles, ou ao menos cidades grandes, assim como a maioria de suas cidades podem ser consideradas pequenas e médias, tanto em relação à demografia, quanto às especificidades espaciais e produtivas. A Região Imediata de Alfenas conta com 13 municípios, destes, 9 possuem população inferior a 20 mil habitantes. Outra característica dos municípios é que a produção agropecuária têm forte influência em sua dinâmica populacional e mercadológica, na maioria deles. Essa particularidade produtiva demanda uma especialização da cidade voltada para o campo produtor, o que altera o espaço geográfico produzido destes municípios, sua relação com o campo e com outras cidades circunvizinhas. Como corrobora Frederico (2011), a especialização de núcleos urbanos direcionada pelo avanço e demandas do campo moderno transformaram as relações campo-cidade. A cidade torna-se, então, o núcleo produtivo que concentra os principais serviços, núcleos e agentes, desde trabalhadores agrícolas, empresas, bancos, produtores, consultores, necessários para a produção (FREDERICO, 2011, p. 7-8). A modernização das atividades agropecuárias tornou inerente a refuncionalização das cidades médias e pequenas. Essa nova organização territorial transformou a cidade em função do campo modernizado graças à instalação de fixos como, por exemplo, armazéns, bancos, aeroportos, sistemas de energia e comunicação, escritórios exportadores, cooperativas agrícolas (grifo nosso), fixos estes, necessários para viabilizar o fluxo dos circuitos espaciais produtivos, assim como os círculos de cooperação agrícola (SANTOS, 1986; CASTILLO E FREDERICO, 2010 apud. FREDERICO, 2011, p. 8-9). Nesse aspecto, pode-se considerar que a globalização e a descentralização subjugou as suas antigas relações de ligação direta com as metrópoles, pois, entre outras coisas, a grande concentração de empregos e oportunidade de migrações advinham desses locais, o que ficou, de certa forma, obsoleto. Diz-se isso, pois, com a forte globalização e avanço das redes em geral, há um aumento na velocidade de fluxos e fixos, o que permite os deslocamentos pendulares, jornadas de trabalho que não exigem a presença em lugares físicos, além do fato que as empresas não necessitam possuir suas sedes somente em grandes centros. Dito isso, estudar essas relações, e como elas afetam a dinâmica e vivência dos referidos municípios torna-se crucial. Para Soja (1993), o distanciamento espaço-tempo da modernidade se torna visível com a ampliação da escala de interações humanas através das cidades, mas sem que seja necessário descaracterizar sua forma física historicamente cristalizada. Ou seja, apesar da formação dos municípios permanecerem iguais, muitas vezes, a relação, devido, principalmente a esses avanços, tornam-os diferentes em espaços geográficos distintos. Dessa forma, como ressaltado por Santos e Gama (1999), cada vez mais, viver numa cidade média, ou na sua periferia é também viver num espaço mais vasto de ligação rápida, tanto em termos imateriais, quanto físicos, a outros espaços (à metrópole e ao mundo). Logo, para a construção de uma ideia de cidade média e pequena devem ser considerados um conjunto de indicadores que traduzam, por um lado, as características demográficas e econômicas, por outro, os aspectos sociais e culturais das populações. Neste contexto de �desenvolvimento� das cidades de pequena e média são criadas novas necessidades e consequentemente reclama-se a implementação de uma política que ajude a resolver os novos problemas decorrentes da evolução económica e social (AYDALOT, 1985, p. 405). O que torna sua dinâmica complexa e de importante estudo. Este artigo utilizará, principalmente, dados secundários produzidos pelo IBGE e, também, dados disponíveis na plataforma SIDRA. Duas são as variáveis centrais dessa análise. População e relações econômicas. Por um lado, será analisado o número total da população de todas os municípios da Região Imediata de Alfenas com menos de 20 mil habitantes, visando entender quantas, destas pessoas, residem na malha urbana e quantas são advindas do campo. Por outro lado, a variável econômica visa entender quais as principais relações de mercado e de produção podem ser observadas nestas cidades. A dialética entre população e economia pode elucidar-nos algumas das principais relações dessas cidades e qual a hierarquia está presente nesta região. Visto que o campo tem grande influência na renda e no PIB destas cidades é necessário analisarmos como este espaço rural produtivo altera as dinâmicas da pequena cidade. É notável uma especialização produtiva em alguns destes municípios que alteram a paisagem urbana em razão das necessidades do campo. Cooperativas, lojas de insumos, grande número de agrônomos, são exemplos desta especialização. Quanto mais um lugar se especializa, mais aumenta o número, intensidade e qualidade dos fluxos que chegam e saem de uma área. Esse processo pode conduzir à estagnação ou mesmo ao desaparecimento das cidades pequenas� (SANTOS, 1988, n.p). Poço fundo, uma cidade pequena da Região Geográfica Imediata de Alfenas, tinha uma população total de 15.143 habitantes no ano de 2000, segundo dados do IBGE. Destes, 6.737 pessoas residiam no campo. Quanto à população ocupada é possível observar que havia, na época, 7.328 pessoas com mais de 10 anos e destes, 4.490 eram trabalhadores do campo. Esta dinâmica demanda da cidade uma alteração substantiva no que diz respeito ao apoio a estas atividades agrícolas. Porém, a 16km de Poço Fundo há a cidade de Machado, maior que poço fundo e com uma especialização produtiva mais evidente, o que atrai muitos produtores da região para seu centro urbano. Buscamos, então, entender como as relações mercadológicas, advindas do modo capitalista de produção, segregam e negligenciam a importância de algumas cidades em relação às demais, devido principalmente à especialização produtiva de certos centros urbanos circunvizinhos destas cidades pequenas. Sabemos que há inúmeras variáveis para entendermos as relações das pequenas cidades da região que não se resumem a economia e população, por isso nosso objetivo não é esgotar a discussão na região, pelo contrário, é demonstrar e abrir novas possibilidades de pesquisas e no pensar de novas políticas públicas de manutenção social. Referências Bibliográficas FREDERICO, S. AS CIDADES DO AGRONEGÓCIO NA FRONTEIRA AGRÍCOLA MODERNA BRASILEIRA. Caderno Prudentino de Geografia, Presidente Prudente, n.33, v.1, p.5-23, jan./jul.2011. SANTOS, Norberto Pinto; GAMA, Rui. Região Centro: Um estilo de vida não metropolitano. O crescimento urbano difuso e o crescimento por concentração. Cadernos de Geografia. Janeiro de 1999. AYDALOT, Phillipe (1985) � Économie Régionale et Urbaine. Economica, Paris. SANTOS, Milton. METAMORFOSES DO ESPAÇO HABITADO, fundamentos Teórico e metodológico da geografia. Hucitec.São Paulo 1988. | 01. Cidade e Urbano | Mariana Romanzini Freire, Guilherme Guiari | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5968 | resources/download/restrict/eng2020/1661818946_ARQUIVO_4db7e6d7d9a5e3c943ff1cc15c540a9c.pdf | ||||||||||||||||||
26 | 2979780 | A disputa pela centralidade | Este artigo tem por objetivo apresentar uma discussão teórica sobre o conceito de centralidade urbana a partir da visão da obra de Henri Lefebvre e outros autores dos estudos da cidade e do urbano. Para elucidar tal debate traremos como análise o centro da cidade de São Paulo no qual teremos como base o trabalho de campo �Centro histórico de São Paulo � apropriações do espaço� realizado no dia 21 de setembro de 2019 na disciplina de �Produção da periferia e a produção da vida na metrópole�. Como contraponto dialético à centralidade capitalista, também debateremos a questão das periferias, e, neste caso, nossa experiência empírica se baseará nas próprias experiências da autora do artigo e de sua família enquanto moradores da periferia do Grande ABC e em constante disputa pela centralidade. Para a realização deste trabalho partimos de algumas considerações: I � a produção do espaço urbano no capitalismo é marcada pela segregação. Para Henri Lefebvre (2019) a explosão da cidade produziu o seu oposto, a periferia. Se no início a contradição campo/cidade era o que preponderava, na atual fase o que se sobrepõe é a contradição centro/periferia; II - o sentido de centro como quase sinônimo de cidade é anterior à morfologia da cidade que vemos hoje. No entanto, segundo Tourinho (2006), a abordagem conceitual sobre a questão da centralidade é relativamente recente, tendo seu início nos anos de 1950, com ênfase para a década 1970; III - para Henri Lefbvre (2001) cada tipo urbano propôs e realizou uma centralidade específica. Desta forma, por exemplo, o modo de produção asiático criou a Cidade do Oriente; na cidade arcaica, grega e romana, a centralidade é marcada pelo fórum, pela ágora. No entanto, a cidade que iremos focar, a São Paulo do século XXI é uma cidade capitalista e, enquanto tal é marcada pelo centro do consumo, pelo arrendamento da terra e a sua transformação em valor de troca; IV - quando falamos de direito à cidade nos referimos à virtualidade presente na obra de Henri Lefebvre e não a questões de justiça espacial e proposições de politicas públicas para o Estado Burocrático. Debatemos centralidade porque a cidade é centralidade: este encontro do possível e do virtual, da concentração de pessoas, de fluxos e de mercadorias. Concentração que é potencialidade do encontro com o outro, com a coexistência dos diferentes. Como pontua Bauman (2014), o próprio sentido de civilizado tem sua raiz na existência de espaços comuns no qual os habitantes possam exercer e aprender a civilidade, sem essa possibilidade não existe civilização. A centralidade que historicamente foi construída com vida e apropriação é disputada pelo capital e pelos mais diversos poderes, e morre quando estes a conquistam. O oposto da centralidade, isto é, a segregação - inverte o sentido da cidade. É preciso reinverter, e isto é o Direito à cidade, e está só não basta, é necessário que venha acompanhada pelo direito a diferença. Desta forma, as resistências surgem trazendo à tona as contradições da produção do espaço, o embate entre valor de uso e valor de troca, da cidade construída para o capital para a cidade construída como obra. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVAREZ, Isabel Pinto. A segregação como conteúdo da produção do espaço urbano. In: VASCONCELOS, P. de A. et al (orgs). A cidade contemporânea: segregação espacial. São Paulo: Editora Contexto, 2013. ALVES, Glória. Privação, justiça espacial e direito à cidade. IN: CARLOS, A.F.A.; ALVES, G. PADUA, R.F. de (orgs). Justiça espacial e o direito à cidade. São Paulo: Editora Contexto, 2017. BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2014. CARLOS, Ana Fani Alessandri. Espaço-Tempo da Vida Cotidiana na Metrópole. São Paulo: Labur Edições, 2017. D�ANDREA, Tiarajú Pablo. A Formação dos Sujeitos Periféricos: Cultura e Política na Periferia de São Paulo. Tese (Doutorado em Sociologia) � Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo. São Paulo, p. 309. 2013. HARVEY, David. O enigma do capital: e as crises do capitalismo. São Paulo: Boitempo, 2011. KOWARICK, Lúcio. Escritos Urbanos. São Paulo: Editora 34, 2009 (2ª ed). LEFEBVRE, Henri. A produção do espaço. Trad. Doralice Barros Pereira e Sérgio Martins (do original: La production de l�espace. 4e éd. Paris: Éditions Anthropos, 2000). Primeira versão : início - fev.2006 ______. A revolução urbana. Editora UFMG, 2019. ______. Espaço e Política. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008. ______. O Direito à cidade. São Paulo: Centauro, 2001. RIBEIRO, Fabiana Valdoski. A luta pelo espaço: da segurança da posse à política de regularização fundiária de interesse social em São Paulo. 2012. Tese (Doutorado em Geografia Humana) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012. ROBIRA, Rosa Tello. Áreas metropolitanas: espaços colonizados. In: CARLOS, A.F.A.; CARRERAS, C. (orgs). Urbanização e mundialização: estudos sobre a metrópole. São Paulo: Editora Contexto, 2005. TOURINHO, Andréa de Oliveira. Centro e Centralidade: uma questão recente. IN: CARLOS, A.F.A.; OLIVEIRA, A.U. de (org). Geografia das metrópoles. São Paulo: Editora Contexto, 2006. VOLOCHKO, Danilo. Nova produção das periferias urbanas e reprodução do cotidiano. IN: CARLOS, A.F.A.(org). Crise Urbana. Editora Contexto, 2015. | 01. Cidade e Urbano | Thais | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 433 | resources/download/restrict/eng2020/1661967118_ARQUIVO_548c0fa321de8df9eab12dc336206ce1.pdf | ||||||||||||||||||
27 | 4356535 | A dupla carga da má nutrição no território brasileiro | A Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN) publicou, em 2021, o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil realizado em 2020. Para a pesquisa sobre a Segurança Alimentar (SA) e Insegurança Alimentar (IA), utilizou-se a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), revisada e posta em sua versão de oito questões relativas a eventos ocorridos nos três meses antecedentes à entrevista. Com tais adaptações, foi possível estabelecer a comparação dos níveis de segurança alimentar conferidos em inquéritos nacionais dirigidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 2002 e 2018 (REDE PENSSAN, 2021). Verificou-se que, em 2004, o índice de segurança alimentar no território brasileiro era de 64,8%, atingindo o percentual de 77,17% em 2013. Entre os anos 2004 e 2013 houve o aumento bastante significativo da SA e a redução da IA, principalmente a sua forma mais grave. Já em 2017/2018, o percentual de segurança alimentar já havia recuado, alcançando 63,3% da população brasileira, ou seja, apresentando níveis mais baixos até mesmo que em 2004 (REDE PENSSAN, 2021). No período indicado, de 2004 a 2018, notou-se o recrudescimento da questão alimentar, tornando-se ainda mais expressiva a diminuição da prevalência de domicílios no território brasileiro que tinham acesso à alimentação adequada, seja quantitativamente ou qualitativamente. Do mesmo modo, denotou-se o aumento da prevalência de domicílios que viviam alguma situação de IA. Assim, entre 2013 e 2017/2018, houve o aumento pronunciado dos graus mais severos de insegurança alimentar, sendo constatado o aumento de 76,1% da IA moderada e 43,7% da IA grave (IBGE, 2020a). Nesse sentido, ressaltamos o agravamento da Insegurança Alimentar (IA), corroborando com o aumento de desigualdades sociais no território brasileiro. Em aparente contraposição, a Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), que compõe o sistema de Vigilância de Fatores de Risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) do Ministério da Saúde do Brasil, relatou que a taxa de obesidade no país passou de 11,8% para 19,8%, entre 2006 e 2018, correspondendo à um aumento de 67% (VIGITEL, 2019). O estado nutricional no Brasil, no período de 2002 a 2019, também pode ser verificado nos estudos relativos ao perfil antropométrico da população, sendo estimada a prevalência de excesso de peso e obesidade balizadas a partir da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) nas edições de 2002/2003 e 2008/2009, e da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), nas edições de 2013 e 2019. Constatou-se que a população acima de 20 anos teve a prevalência de excesso de peso aumentada sucessivamente no período avaliado. Quanto a prevalência de obesidade, aumentou-se também gradativamente, porém de maneira mais proeminente. Em 2019, os índices superaram o dobro dos registrados em 2002/2003. Entre os homens a prevalência de obesidade passou de 9,6% para 22,8%, já entre as mulheres, de 14,5% para 30,2% (IBGE, 2020b). Apesar do expressivo aumento da prevalência de obesidade demarcar algumas mudanças no quadro nutricional brasileiro, se impõe a necessidade da análise de tais manifestações considerando-se que as mesmas não ocorrem de maneira homogênea entre as regiões do território brasileiro. Tem-se diferentes manifestações de fome, tais como a prevalência de sobrepeso e obesidade decorrentes do excesso alimentar específico, ou a subnutrição, associada à má nutrição por déficit alimentar. Pretende-se, portanto, analisar a coexistência de diversas formas de desnutrição no território brasileiro a partir dos resultados aferidos em inquéritos alimentares e antropométricos, tais como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), POF, PNS e VIGITEL, considerando-se o período de 2002 a 2019. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho consiste no debate sobre a manifestação da dupla carga da má nutrição no território brasileiro, permitindo-nos refletir sobre a questão alimentar e nutricional no atual período técnico-científico-informacional (SANTOS, 2012; SANTOS, 2013). Tendo-se em cada região do território brasileiro diferentes rugosidades, as quais estão vinculadas à tecnicidade dos objetos de trabalho, bem como ao arranjo de tais objetos indissociáveis ao sistema de ações (SANTOS E SILVEIRA, 2013), se delineia a necessidade de apreender-se tal concretude territorial (SILVEIRA, 1997). Busca-se, desse modo, compreender a influência das diferentes densidades técnico-científico-informacionais do território brasileiro associadas às zonas de densidade e zonas de rarefação (SANTOS E SILVEIRA, 2013) e o estado nutricional no território brasileiro. Referências ANTAS JR., Ricardo Mendes. Território e regulação: Espaço geográfico, fonte material e não-formal do Direito. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005. 248 p. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças não Transmissíveis. Vigitel Brasil 2018: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico: estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2018 / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças não Transmissíveis. � Brasília: Ministério da Saúde, 2019. IBGE � Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: análise da segurança alimentar no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2020a. Disponível em: < https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101749.pdf>. Acesso em: 15 ago. 2021. IBGE � Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde 2019: atenção primária à saúde e informações antropométricas. Rio de Janeiro: IBGE, 2020b. 57 p. Disponível somente em meio digital. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=2101758. Acesso em: 05 mar. 2022. SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo. Razão e Emoção. 4. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012. SANTOS, Milton. Técnica, Espaço, Tempo: globalização e meio técnico-científico-informacional. 5. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013. SANTOS, Milton; SILVEIRA, María Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século xxi. 17. ed. Rio de Janeiro: Record, 2013. SILVEIRA, Maria Laura. Concretude territorial, regulação e densidade normativa. Revista Experimental, São Paulo, v. 1, n. 2, p.35-45, mar. 1997. REDE PENSSAN, Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar. VIGISAN: Inquérito nacional sobre insegurança alimentar no contexto da pandemia da covid-19 no Brasil. Rio de Janeiro: Rede Penssan, 2021. Disponível em: http://olheparaafome.com.br/. Acesso em: 15 dez. 2021. | 05. Geografia da fome, alimentar e da saúde | Cristina Assis Parada | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5519 | resources/download/restrict/eng2020/1661431136_ARQUIVO_7e3007d9bee63bc60d6a56edbb6e1059.pdf | ||||||||||||||||||
28 | 5595657 | A Educação Geográfica para a Cidadania e a Educação Ambiental | Patricia Mendes de Abreu Braga Mestranda em Geografia - UFF pbraga@id.uff.br Ricardo Luigi Professor Dr. do PPG e do Departamento de Geografia de Campos - UFF ricardoluigi@id.uff.br Este trabalho é parte de uma reflexão teórica inicial de uma pesquisa de mestrado, em andamento, que visa a realização de uma revisão bibliográfica inicial, buscando pavimentar o caminho para o aprofundamento posterior da pesquisa em torno de possíveis práticas, referências ou diversas outras discussões, como no campo do currículo, de aspectos que envolvem uma educação geográfica para a cidadania, enfatizando uma educação ambiental. As formas tradicionais de ensino baseiam-se na relação ensino-aprendizagem com a figura do professor como o referencial máximo do conhecimento, colocando o aluno, com suas experiências, expectativas e possíveis contribuições, a reboque deste processo, como uma figura passiva na produção dos saberes escolares. Assim, a relação se constitui de forma hierárquica, não privilegiando a autonomia, a cooperação, a contribuição e o compartilhamento. A educação do século XXI deve refletir as transformações sociais, contribuindo para uma educação para a cidadania e para uma educação ambiental, tendo, a Geografia, um importante papel nesse âmbito. As políticas públicas educacionais e os documentos oficiais que as norteiam estão de acordo com interesses ligados à lógica do mercado capitalista, a fim de atender à demanda de consumo e de produção do mundo globalizado. Esta lógica de sistema educacional tem a intenção de promover a formação de indivíduos produtores e consumidores, privilegiando assim o mercado e agravando as crises e os problemas de desigualdades nos países periféricos, assim como afirma Gebran (2003). Este modelo de intervenção implica no reforço das problemáticas de exclusão e contribui para o enfraquecimento da discussão crítica e da construção de uma sociedade consciente, justa, tolerante e igualitária. O objetivo deste trabalho é compreender a contribuição da educação para a cidadania no contexto de uma educação geográfica voltada para a educação ambiental. Para esta discussão, é pertinente ressaltar a importância da educação na construção da cidadania global, já que �em um mundo globalizado, a educação vem enfatizando a importância de equipar indivíduos desde cedo e por toda a vida, com conhecimentos, habilidades, atitudes e comportamentos de que necessitam para serem cidadãos informados, engajados e com empatia (UNESCO, 2015. p. 11). Assim sendo, apresentaremos ações e possibilidades que têm refletido relevantes e positivas mudanças, com iniciativas coletivas através da Educação para a Cidadania Global (ECG). O termo ECG, segundo a UNESCO (2015), abrange diversas frentes e busca englobar todos os aspectos para a construção de uma sociedade mais justa. Esta não deve ser compreendida como uma metodologia, assim como também não deve ser considerada um currículo, uma disciplina ou conteúdo. A ECG pode ser considerada uma alternativa na inserção das habilidades e conhecimentos já presentes na educação, como já dito anteriormente, a fim de promover a justiça, a igualdade e a tolerância, entendendo o processo educativo para além da construção do conhecimento sistematizado. A ECG também reflete sobre as diversas iniciativas nacionais de educação para a cidadania e situa a educação ambiental entre as suas possibilidades de abordagem. Já em relação à uma Educação Geográfica para a Cidadania, Cavalcanti e Souza (2014) afirmam que as oportunidades para aprendizagem significativa se constroem através dos diálogos entre os conceitos acadêmicos, o cotidiano dos alunos, as participações e as propostas dos mesmos. Assim, podemos considerar que o ensino de geografia contribui para a formação cidadã quando se transforma em educação geográfica. Desta forma, a geografia escolar pode contribuir através de diversas discussões, instigando os alunos na reflexão sobre a análise de conflitos, os processos e as possibilidades de superação. Para exemplificar, é possível citar temas como: o desafio da construção da identidade cultural e sua valorização; a busca por individualidades, generalizações e pontes entre o local e global; problemáticas acerca das contradições entre o modelo de produção capitalista e o desenvolvimento sustentável; desdobramentos de situações em contextos pós-guerras, entre outros. Dentre essas abordagens também se encontra a educação ambiental, uma temática multifacetada, com discussão sendo expressiva na atualidade e com viés interdisciplinar. Tem relação direta com a construção da cidadania, pois a �cidadania tem a ver com a identidade e o pertencimento a uma coletividade� (JACOBI, 2003, p. 198). A educação ambiental, segundo o autor, aparece como uma nova forma de ver a relação sociedade-natureza, que pressupõe uma nova ética, outros valores morais, e uma outra maneira de ver o mundo e o papel dos homens: �A educação ambiental deve ser vista como um processo de permanente aprendizagem que valoriza as diversas formas de conhecimento e forma cidadãos com consciência local e planetária� Jacobi (2003, p. 198)�. Alguns dos desafios para esta inserção são a ausência de identidade dos indivíduos, a formação de professores e sua relação com a pedagogia transformadora e a prática docente. Estes podem ser superados através de propostas que visem a colaboração em um exercício coletivo entre alunos, professores, comunidade acadêmica e pesquisadores. Existem diversos modos de inserção da cidadania, e o escopo do presente trabalho é o de, com base em uma revisão bibliográfica, compreender de que forma a educação geográfica se insere na discussão sobre a educação para a cidadania e, ainda, como a educação ambiental se apresenta como parte desse processo. Pretende-se, com isso, contribuir para trabalhos futuros que contribuam para a percepção de que não há uma forma única de construção da cidadania, mas que é possível, ao longo do processo, propor algumas distintas abordagens. REFERÊNCIAS CAVALCANTI, Lana de Souza; SOUZA, Vanilton Camilo de. A formação do professor de Geografia para atuar na formação cidadã. Scripta Nova, Vol. XVIII, n. 496 (08), p. 1-17. 2014. Disponível em: <https://revistes.ub.edu/index.php/ScriptaNova/article/viewFile/14970/18407>. Acesso em: 17 de abril de 2022. GEBRAN, Raimunda Abou. A geografia no ensino fundamental � trajetória histórica e proposições pedagógicas. Revista Científica da Universidade do Oeste Paulista Unoeste. Colloquium Humanarum, Presidente Prudente, v. 1, n. 1, p. 81-88, jul/dez, 2003. São Paulo, 2003. Disponível em < http://revistas.unoeste.br/revistas/ojs/index.php/ch/article/viewFile/186/90 > Acesso em 16 de abril de 2022. JACOBI, Pedro. Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. Cad. Pesqui. [online]. 2003, n.118, pp.189-206. ISSN 1980-5314. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0100-15742003000100008>. Acesso em 17 de abril de 2022.. UNESCO. Educação para a cidadania global: preparando alunos para os desafios do século XXI. -- Brasília : UNESCO, 2015. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Patricia Mendes de Abreu Braga, Ricardo Luigi | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5694 | resources/download/restrict/eng2020/1661723554_ARQUIVO_c2cc09fc95dc16db632c6f41eedd235f.pdf | ||||||||||||||||||
29 | 5587930 | A Escola Cidadã Integral de Ensino Médio na Paraíba: um estudo acerca da sua implantação e o papel do(a) Professor(a) de Geografia | Este resumo apresenta uma compilação dos resultados obtidos em dois projetos de PIBIC desenvolvidos ao longo de dois anos na Universidade Federal da Paraíba. O primeiro, denominado A implantação da Escola Cidadã na Paraíba e o papel do(a) professor(a) de Geografia: compreender a escola real para formar professore(a)s (2019 � 20) e o segundo, A implementação da Escola Cidadã de Ensino Médio na Paraíba: a relação entre professore(a)s e aluno(a)s e a interface com a disciplina escolar Geografia (2020 � 21). Os projetos visaram compreender, no contexto das reformas educacionais neoliberais implementadas no Brasil ao longo dos últimos anos, a instalação de escolas de ensino médio de tempo integral no estado da Paraíba, denominadas Escola Cidadã Integral - ECI e Escola Cidadã Integral Técnica � ECIT e o papel reservado a(o) professor(a) de Geografia neste processo, além de abordar a relação entre educando(a)s e educadore(a) nestas instituições. No primeiro ano de pesquisa, subsidiadas pelas bibliografias selecionadas, foram debatidas temáticas como, escola de tempo integral, disciplina escolar e a relação entre a educação e trabalho flexível, a partir dos seguintes autores: Bittencourt (2005), Kuenzer (2017) e Rego (2017). Para compreender a instalação das instituições analisamos a Reforma do Ensino Médio (BRASIL, 2017), o decreto 36.408 (PARAÍBA, 2015), a Medida Provisória 267 (PARAÍBA, 2018) e a Base Nacional Comum Curricular - BNCC (2019). Prosseguimos com a pesquisa de campo selecionando oito ECI e ECIT localizadas em bairros com diferentes condições socioeconômicas, na cidade de João Pessoa � PB para seguir o processo de implementação destas unidades. Nestas acompanhamos o(a)s professor(a)s de Geografia na busca de compreender as funções que lhes foram atribuídas, a docência de Geografia, além de outras que passaram a cumprir: as disciplinas eletivas, os projetos de vida, os estudos orientados e as tutorias. Visando responder as indagações formuladas a partir da base teórica, elaboramos um roteiro de observação das escolas, que levou em consideração a infraestrutura e adequação para a realização do trabalho e um roteiro de entrevista a ser feita com o(a)s docentes para obtenção de informações quali-quantitativas. Ao final, feitas as análises das informações e comparações com a legislação, constatamos a existência de incompatibilidades entre o modelo previsto e o executado. Observamos ainda disparidades entre os aspectos estruturais das escolas pesquisadas, apenas algumas possuem boa infraestrutura, a maior parte possui ambientes e equipamentos em condições regulares ou ruis, com carência de funcionários especializados nas bibliotecas e nas salas de Atendimento Educacional Especializado - AEE e falta de salas ambientes exclusivas por disciplinas, aspectos importantes quando estamos falando de espaços com ocupações superiores a oito horas diárias. No que diz respeito aos professore(a)s foi identificado, sobrecarga de trabalho, o cumprimento de funções para as quais o(a)s docentes não foram preparados, falta de tempo e de apoio à formação continuada, entre outros problemas. Em contraposição a estes problemas identificados, observamos uma relação mais estreita entre o(a)s professore(a)s e o(a)s aluno(a)s, o que não era vivenciado por nós nas escolas públicas onde cursamos o ensino médio. A partir desse fato, tentamos identificar se tal observação empírica podia ser comprovada no dia a dia, se sim, quais mudanças presentes nos documentos que regem as ECI e ECIT poderiam tê-la propiciado, bem como, se essa relação estaria contribuindo para uma visão positiva acerca da disciplina e a melhoria da aprendizagem específica de Geografia. Diante desses questionamentos decidimos dar continuidade a pesquisa no ano seguinte, agora focalizando esta relação. Iniciamos a investigação com a análise de fontes primárias, objetivando encontrar elementos que pudessem orientar ou influenciar, de maneira direta ou indireta, as relações entre professore(a)s e aluno(a)s nessas escolas. Para tanto, nos debruçamos sobre os documentos nacionais, estaduais e os documentos coletados nas escolas alvo da pesquisa (PIBIC 2019-20) e os cadernos do modelo de Escola da Escolha do Instituto de Corresponsabilidade pela Educação � ICE, que assessoram tais instituições. As análises dos documentos supracitados foram subsidiadas pelas seguintes leituras: Cavaliere (2007), Candau (2007), Henry (2011), Pessoa (2007) e Rodrigues (2018). Para a realização da pesquisa de campo selecionamos quatro escolas entre as oitos que havíamos estudado no ano anterior. Nestas centramos na coleta de dados referentes a aplicação da legislação acerca da relação entre professore(a)s e aluno(a)s. Para tanto definimos uma metodologia centrada na observação sistemática das ações desenvolvidas na escola como um todo. Entretanto, tendo em vista o isolamento social, estabelecido após a deflagração da pandemia do Coronavírus, mudamos nossas estratégias de coletas de dados que passou a ser realizada via Google Meet e Google forms, a primeira para entrevistas com o(a)s professore(a)s e o segundo, para respostas de questionários pelo(a)s aluno(a)s. A etapa metodológica seguinte se constituiu na elaboração das entrevistas e dos questionários que foram desenvolvidas a partir da base teórica e da análise dos documentos que regem a Escola Cidadã, já realizada na primeira fase. A entrevista com o(a)s professore(a)s foi organizada em 4 subdivisões, a primeira destinada a entender como o(a)s professore(a)s estavam executando seus trabalhos na conjuntura de aulas remotas, a segunda referindo-se a interação entre professore(a)s e aluno(a)s e os possíveis fatores que influenciam essa relação, a terceira subdivisão destinada a tartar da disciplina Geografia e a última a Base Diversificada que compõe o currículo das ECI e ECIT. Esse tópico é de grande importância pois é a partir dele que entendemos a posição do(a)s professore(a)s acerca das disciplinas diversificadas, a importância de cada uma delas e como essas podem influenciar a vida do(a)s aluno(a)s e aproxima-lo(a)s ou não da Geografia. Os questionários do(a)s aluno(a)s estava organizado em duas partes. A primeira, destinada a todos o(a)s aluno(a)s dos professore(a)s de Geografia. Nesta solicitamos informações mais gerais. Já na segunda parte, abordamos apenas aos o(a)s aluno(a)s que fazem Tutoria e/ou Eletiva com o(a) professor(a) de Geografia que acompanhamos desde o ano anterior. Procuramos investigar sobre a escolha do(a) professo(a)r de Geografia como Tutor(a); as posições com relação as orientações do(a) professor(a) de Tutoria na vida escolar e pessoal do(a)s estudantes; comparação entre as aulas das disciplinas Eletivas e as regulares, entre outros temas. Ao final, constatamos que, documentalmente, o modelo de escolas integrais para o ensino médio que está em implementação na Paraíba, de modo estratégico, desestrutura e põe em um plano secundário a relação entre professore(a)s e aluno(a)s. Concluímos também, através das observações nas aulas, que a relação/interação do professor(a) com o(a)s aluno(a)s apesar de ser mais próxima, não influencia diretamente o interesse dele(a)s para com a disciplina Geografia, mas percebemos que o(a)s aluno(a)s tem mais aproximação com o(a)s professore(a)s do que com a disciplina que ele(a) leciona. De modo central estes dois anos de pesquisa nos possibilitou lidar com investigação, com a apropriação de um aporte teórico e metodológico, bem como entender a implementação desse novo modelo de escola e o trabalho desenvolvido pelo(a)s professore(a)s de Geografia nestes espaços, a partir de um outro olhar mais crítico e consciente. | 04. Ensino de Geografia e Educação | DADÁ MARTINS, Maria Beatriz Figueiredo, Maria Carolina Gomes Monteiro | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 6004 | resources/download/restrict/eng2020/1661988467_ARQUIVO_75ca58cd41f084b61b10a113a3e0c5ab.pdf | ||||||||||||||||||
30 | 1241974 | A escola, o pertencimento e a geografia como disciplina escolar | Esse trabalho analisa o papel da instituição escolar na sociedade contemporânea, bem como o propósito da disciplina Geografia nos currículos escolares. Assim, discute-se a própria escola como instituição pública e regida pelo Estado, bem como o currículo escolar, não apenas como forma de controle, mas também como política pública à serviço da criação da noção de pertencimento à ordem mundial condizente ao modo urbano industrial. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica acerca da institucionalização da escola e do currículo escolar, que por meio do método materialista dialético, alterna entre escalas de análise a fim de vislumbrar o papel do ensino da geografia na criação e consolidação do nacionalismo como forma de consolidação da noção de pertencimento ao mundo contemporâneo, qual seja marcado pela onipresença dos estados Nacionais. Nesse sentido, o debate sobre o currículo e os propósitos da instituição escolar requerem o esforço de aproximá-los ao contexto dos valores e crenças da sociedade que os criou e os institucionalizou como uma política pública de caráter estatal ou, numa perspectiva complementar, buscar compreender o significado da presença da escola como parte da institucionalização do Estado Nacional como dimensão estruturante da política burguesa a partir do século XVIII. Assim, essa análise parte inicialmente do recorte espácio-temporal que se restringe ao continente europeu, em meio ao contexto das mudanças políticas, econômicas e sociais que se caracterizaram a partir das revoluções burguesas delineadas entre os séculos XVII e, principalmente, ao longo do século XVIII. Trata-se portanto, nesse primeiro momento, do surgimento da instituição escolar republicana no continente europeu, decorrente das transformações que conduziram uma sociedade estruturalmente agrária para uma sociedade fundamentalmente urbana-industrial, e da institucionalização da escola e do currículo como política pública no século XIX. Para o entendimento dessas transformações que, nas suas contradições, produziram a Escola de ontem e que diz respeito à Escola de hoje, é necessário aprofundar a compreensão dessa sociedade que vislumbrou na Escola a possibilidade de transmitir para as gerações seguintes seu legado cultural e, assim, construir suas noções de pertencimento. Para Chizzotti e Ponce (2012), há uma intrínseca relação entre a noção de currículo como forma de controle e o assentamento das relações capitalistas na organização da sociedade em Estados Nacionais. Nisso destacam-se dois aspectos relevantes sobre o papel da instituição escolar na construção da noção de pertencimento à sociedade urbano-industrial, de caráter estatal nacionalista: primeiro, a relação entre o currículo e o assentamento das relações econômicas que mais tarde se caracterizariam como capitalistas já na organização da sociedade burguesa europeia em estados nacionais. O segundo aspecto diz respeito à própria ideia de currículo como controle apresentada por Hamilton (1992), uma vez que será a partir dessas novas relações econômicas (capitalistas) e políticas (estados nacionais) que os termos série, seriação e formas de agrupamentos de alunos e a seriação dos conteúdos escolares irão se consolidar , para mais adiante caracterizar a ideia de certificação reconhecida pelo próprio Estado. Alternado a escala de análise para de maior detalhamento, procura-se demonstrar o propósito de se institucionalizar a geografia como disciplina escolar a serviço dessa contração da noção de pertencimento ao mundo urbano-industrial e de caráter nacionalista, como já mencionado. Assim, embora a geografia já fizesse parte do rol de ciências acadêmicas, a história da geografia, como uma disciplina pertencente ao currículo escolar, começa primeiro na Alemanha e adquire grande notoriedade a ponto de influenciar a França e, posteriormente, os demais países na Europa. Segundo Moraes (1991), a geografia moderna originou-se na afirmação dos Estados nacionais europeus e teve grande importância e rápido desenvolvimento especialmente nos países que vivenciaram dificuldades nesse processo. Ele cita a Alemanha como um caso paradigmático, devido à sua tardia unificação nacional, fazendo desse país o centro teórico da reflexão geográfica ao longo de todo o século XIX. Para Ribeiro (2009), a eclosão da geografia como ciência autônoma deve ser vista como um processo histórico caracterizado pelas necessidades políticas (defesa, ordenamento e expansão do território) e ideológicas (criação e reprodução da identidade nacional), provenientes da gestão dos Estados Modernos. O que se pretende evidenciar é uma declarada intenção de construir uma noção de pertencimento de cunho nacionalista, por parte da crescente classe de intelectuais e que, posteriormente, irá construir mecanismos de massificação desse ideal, tendo a escola como o centro dessa articulação. Por fim, considera-se que a instituição escolar, e ainda numa outra escala de análise, a geografia como disciplina escolar não apenas contribuíram para a construção da noção de pertencimento a ordem urbana industrial e nacionalista (por meio da identificação territorial), mas também por meio da difusão da escrita na forma das descrições das paisagens em textos verbais e não verbais, como iconografias e da linguagem cartográfica. A instituição escolar, bem como o próprio currículo, revelam seu mecanismo dialético de desempenhar, ao mesmo tempo, um papel conservador, na medida em que assume a tarefa de transmitir um legado cultural para a construção e consolidação dessa noção de pertencimento, e revolucionário por ser em si mesma a síntese das tensões e desdobramentos do controle do Estado na disputa pelos desejos da própria sociedade. Em virtude de todas as transformações, críticas e disputas pelas quais a escola, o currículo e, na sua especificidade, o próprio ensino de geografia vem passando, temos esse debate em pleno vigor na construção, e agora, na consolidação da BNCC brasileira. Para Lacoste (1988) a geografia consiste num saber estratégico, que pode estar (ou não) à serviço do que chamou de �estado maior�, ou seja, à serviço da construção do sentimento de nacionalismo e alienação, que são elementos fundamentais para às guerras e controle do estado. Ou como sugere Moreira (1982), a geografia serviria antes de mais nada para desvendar as mascaras sociais, sendo portanto, uma linguagem a ser alfabetizada no ambiente escolar com propósitos questionadores e não alienantes. Teria, portanto, a geografia no ambiente escolar, o papel de alfabetizar uma �leitura geográfica de mundo�, capaz de permitir diversas interpretações e descrições da realidade, conforme a realidade vivida de cada estudante. Como afirmava Freire (1981) �a leitura de mundo precede a leitura da palavra� colocando a geografia em consonância com o processo alfabetizador numa perspectiva libertadora e engajada. REFERÊNCIAS CHIZZOTTI, Antonio; PONCE, Branca Jurema. O currículo e os sistemas de ensino no Brasil. Currículo sem fronteiras, v. 12, n. 3, p. 25-36, 2012. FREIRE, Paulo. Abertura do Congresso Brasileiro de Leitura. Campinas, novembro de, 1981. GIOLITTO, Pierre. Histoire de l�enseignement primaire au XIXe siècle. NATHAN � Université Information Formation, 1984. HAMILTON, David. Sobre as origens dos termos classe e curriculum. Revista Teoria e Educação, Porto Alegre, n. 6, 1992. LACOSTE, Yves. A Geografia: isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra. Campinas, SP: Papirus, 1988. MORAES, Antônio Carlos Robert. A gênese da geografia moderna. São Paulo: Hucitec, 1987. ______. Geografia: pequena história crítica. 20. ed. São Paulo: Annablume, 2005. ______. Notas sobre identidade nacional e institucionalização da geografia no Brasil. Revista Estudos Históricos, v. 4, n. 8, p. 166-176, 1991. MOREIRA, Ruy. A Geografia serve para desvendar máscaras sociais. Geografia, teoria e crítica: o saber posto em questão. Petrópolis: Vozes, p. 33-63, 1982. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Augusto Monteiro Ozorio | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 552 | resources/download/restrict/eng2020/1659354627_ARQUIVO_1662446c5f9d43b7c05ddfd20b157297.pdf | ||||||||||||||||||
31 | 5687330 | A espacialidade das práticas agroecológicas no município de Saúde/BA | RESUMO Este trabalho apresenta alguns resultados da pesquisa de campo realizada junto as comunidades rurais do município de Saúde, Bahia (Brasil). O objetivo central foi identificar e compreender a espacialidade da agroecologia, manifesta nas comunidades do município supracitado, a partir das práticas agroecológicas adotadas pelas famílias agricultoras. Foi conduzida por meio de pesquisa bibliográfica, documental, de levantamento e também pesquisa de campo (observação). Nesse sentido, a pesquisa in lócus ocorreu em duas etapas, sendo a primeiras delas junto às lideranças comunitárias e instituições que trabalham com assistência técnica rural no município, bem como, documentos que dissertam sobre as atividades agroecológicas a nível local, especificamente; e respectivamente indo à campo para observar e mapear (com GPS Global Positioning System/Sistema de Posicionamento Global) os locais de ocorrência do fenômeno. Foram mapeadas 11 (onze) propriedades rurais, sendo seis delas na comunidade quilombola Grota das Oliveiras, três no povoado de Genipapo, uma na fazenda Água Branca de Fora e mais uma na fazenda Porteiras. A espacialidade da agroecologia foi analisada, partindo do entendimento que apropriação e forma de uso do espaço geográfico acontecem para fins produtivos, a partir das relações e dinâmicas sócioprodutivas voltadas para as atividades agroecológicas. Alguns aspectos destacados ao observar cada uma das comunidades e propriedades, diz respeito ao modo de organização produtiva e relações sociais que elas apresentam em comum. Nelas, as famílias desenvolvem suas atividades e cada membro da família auxilia e se �especializa� no exercício de determinadas funções, sobretudo nas roças, quintais e também nas tarefas domésticas. Outro aspecto que se destaca entre as famílias é o cuidado e conservação dos mananciais hídricos, existentes nas propriedades, além da mata ciliar. Essa relação é marcada pela preocupação em racionalizar o uso do meio natural. Isso é perceptível principalmente quando os agricultores introduzem suas plantações em meio à mata, formando assim, agroflorestas. Fatores relacionados a viabilidade, social, ambiental e econômica também são enfatizados. A análise desses fatores aconteceu por meio de pesquisa de campo (através das observações) e pesquisa bibliográfica, utilizando como parâmetro informações gerais relacionadas às caraterísticas sociais, ambientais e econômicas das práticas desenvolvidas nas comunidades. Na pesquisa de campo o primeiro fator observado foi o social, visto que o mesmo se destaca desde o processo de produção até a comercialização do alimento final. Isso em função do processo produtivo acontecer por meio da agricultura familiar, na qual toda a organização produtiva acontece com predomínio da mão-de-obra das famílias, o que favorece a integração sócioprodutiva e envolvimento de todos os membros. Nessas atividades o saber tradicional é primordial e as tradições populares dos(as) agricultores(as) são valorizados. Reconhecidos(as) como experimentadores(as) de �técnicas� de cunho próprio, aplicam, observam, analisam e reproduzem as práticas que julgam adequadas a realidade local, de modo que favoreça a melhoria de suas atividades. Nessa perspectiva, o fator ambiental se destaca desde o uso racional dos recursos locais até as campanhas de educação ambiental nas comunidades adjacentes. Além disso, a população urbana é convidada a se engajar nessa causa para o consumo consciente, adquirido alimentos agroecológicos. Nesse modelo de produção as famílias prezam pela otimização do espaço de produção, fazendo deste um ambiente diversificado, através de plantios consorciados e manejo de agroflorestas, ou seja, implementando técnicas que introduzem várias culturas e/ou plantas nativas num mesmo espaço. Nas comunidades pesquisadas onde existem rios � Grota das Oliveiras e Genipapo � percebe-se a preocupação dos agricultores em recuperar áreas que foram degradadas e desmatadas ao longo do tempo. Nestas comunidades os(as) agricultores(as) com maior preocupação ecológica, mobilizam a população local, incentivando a prática de mutirões para realizar retirada de areias de áreas assoreadas, limpezas e replantio de árvores às margens dos rios, para o reflorestamento e recuperação. Nas atividades agroecológicas o fator econômico não é o menos importante, porém é o menos significativo. Delas, as famílias agricultoras buscam as condições necessárias para a manutenção de sua existência, com dignidade. O foco primordial é o bem estar e a segurança alimentar da família. Apenas os alimentos excedentes são comercializados na feira livre, de modo a garantir a produção de rendimentos. Em Saúde as práticas agroecológicas ganham força economicamente no mercado local, quando esses excedentes são destinados à comercialização direta na sede do município. No rol dessas atividades, as relações sociais estabelecidas entre agricultores e consumidores reverberam em confiabilidade, sobretudo no que tange a qualidade dos alimentos fornecidos pelas famílias pesquisadas. Diante do exposto, entende-se que as práticas agroecológicas contribuem para a autonomia familiar e coletiva (enquanto grupo de comerciantes/feirantes), possibilitando a soberania alimentar, preservação da saúde humana e do meio ambiente, garantia de renda, empoderamento e protagonismo dos(as) trabalhadores(as) rurais do município. As perspectivas atuais e futuras dessa atividade podem estar condicionadas a reprodução dos trabalhos de sensibilização, incentivo e propostas de novas práticas alternativas que venham a somar com aquelas já existentes. A pesquisa evidencia que as práticas agroecológicas desenvolvidas pelas famílias agricultoras das comunidades pesquisadas são de grande relevância (social, cultural, ambiental e econômica) e torna o lugar, a base essencial para manutenção da existência dessas famílias. É nesse lugar, que se materializam todas as transformações ligadas a vivências individuais e coletivas. Desde as relações de trabalho (através da solidariedade e autonomia), à soberania alimentar (produção de alimentos naturais para o consumo), à produção de rendimentos (comercialização direta), conservação do meio natural, das tradições e da cultura popular, até o envolvimento e participação social das famílias agricultoras. Palavras-chave: práticas agroecológicas, espacialidade, lugar, Saúde-BA. REFERÊNCIAS ALTIERI, M. Agroecologia: Bases científicas para uma agricultura sustentável. 3 Ed. Expressão Popular, AS � PTA: Rio de Janeiro, 2012. BAPTISTA, N. Q; CAMPOS, C. H. Possibilidades de construção de um modelo sustentável de desenvolvimento no semiárido. In______: Convivência com o semiárido brasileiro: Autonomia e protagonismo social. IABS: Brasília, 2013. CAETANO, E. C. O. A divisão do trabalho: uma análise comparativa das teorias de Karl Marx e Emile Dürkheim. Disponível em: http://portal.pucminas.br/imagedb/documento/DOC_DSC_NOME_ARQUI20060410095823.pdf Acessado em: 17/09/2017. COLUCCI, D. G; SOUTO, M. M. M. Espacialidades e territorialidades: conceituação e exemplificações. Geografias: Artigos Científicos. Belo Horizonte 07 (1) 114-127 janeiro-junho de 2011. EMBRAPA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Sistemas agroflorestais (SAF�s). Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-produtos-processos-e-servicos/-/produtoservico/112/sistemas-agroflorestais-safs. Acessado em: 09/09/2017. OLIVEIRA, A. M. S. Relação homem/natureza no modo de Produção capitalista. CEGeT. SANTOS, M. Da totalidade ao Lugar: A divisão social do trabalho como uma nova pista para o estudo da organização espacial e da urbanização nos países desenvolvidos. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2014. SANTOS, J. S. Documento contendo o estudo da viabilidade econômica e social das Feiras Agroecológicas. COFASPI: Jacobina, 2013. ______ In: Agroecologia: Uma alternativa de desenvolvimento local sustentável no município de Saúde-BA. Anais ENGA: Aracajú, 2016. SEAD, Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário. O que é a agricultura familiar. Acessado em: 08/10/2017. Disponível em: http://www.mda.gov.br/sitemda/noticias/o-que-%C3%A9-agricultura-familiar STELLA, A; KAGEYAMA, P.Y; NODARI, R. Politicas públicas para a agrobidiversidade. In: AGROBIODIVERSIDADE e diversidade cultural. Brasília, DF: MMA, 2006. ZAMBERLAM, J; FRONCHETI, A. Agroecologia: Caminhos da preservação do agricultor e do meio ambiente. Vozes: Rio de Janeiro, 2012. | 02. Campo e Rural | Joelma Silva | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 6009 | resources/download/restrict/eng2020/1660177551_ARQUIVO_3b2287d8ab3df03cd77998d7405f8189.pdf | ||||||||||||||||||
32 | 4498267 | A espacialidade dos conflitos sócio-espaciais no Brasil contemporâneo (2002-2012): o tratamento metodológico e a sistematização das fontes | Introdução O trabalho tem como questão norteadora a análise da espacialidade dos conflitos sócio-espaciais no Brasil contemporâneo, entre 2002 e 2012, e pretende tratar uma base de dados que auxilie na compreensão da relação entre espaço e conflitos sociais, tomando como objeto de reflexão o conjunto de conflitos que ocorreram no início do século XXI relatados pelo Observatorio Social de América Latina (OSAL), partindo da hipótese de que é possível apreender um padrão de conflitividade que caracteriza a dinâmica do território e da produção social do espaço, neste recorte histórico, tal como nos permite identificar permanências e rupturas em diferentes temporalidades. Para a apreensão da espacialidade e do caráter processual dos conflitos sociais, a pesquisa busca uma articulação da Geografia Histórica, em uma ótica onde não se compreende enquanto o estudo de uma �geografia do passado�, mas como uma articulação entre o eixo indissociável do espaço-tempo, e da Geografia dos Ativismos Sociais, por se tratar de um campo que possibilita o cultivo de uma outra perspectiva da produção de conhecimento, a partir da tensão resultante da ação social e pelo protagonismo dado aos ativismos sociais, sinalizando que ambos são campos de pesquisa e ação política. Na análise sócio-espacial do conflito, procuramos entender o espaço e o reflexo de sua organização por meio das diversas contradições sociais e políticas em estado prático, impostas a determinados grupos sociais de forma desigual, espelhando planos de planejamento e gestão heterogêneos. Pensar na espacialidade do conflito se traduz na preocupação em produzir uma Geografia que nos ajude a entender a sociedade e, principalmente, suas desigualdades por meio dos choques de interesses evidenciados na estratificação de classes sociais e nas relações hierárquicas transversais de poder, estatal ou não, que atravessam o indivíduo. Essa hierarquização social destaca sujeitos que, na medida em que se assemelham, constroem uma identidade e memória coletiva, tal elevação do indivíduo para o ser coletivo reflete a criação de novos sujeitos que garantem novas formas de se fazer política e novos lugares para o exercício da mesma. O estudo das lutas e dos conflitos sociais se fazem necessários à medida que ecoam pelos mesmos as reivindicações populares e as demandas provenientes da precariedade ou falta de acesso a bens comuns para a reprodução social. Objetivos A pesquisa tem como objetivo sistematizar, com a base de dados, uma fonte que dê concretude a questões retiradas da tensão de conflitos sociais que observamos constantemente mas desconhecemos a dimensão, propõe-se, também, observar padrões de conflitividade, o movimento da dinâmica espacial, permanências, possíveis transformações conjunturais e estruturais. Metodologia A pesquisa contou com uma fase inicial durante os encontros do Núcleo de Estudos sobre Território e Conflitos Sociais em 2019, onde foi apresentada a bibliografia básica acerca dos conceitos da Geografia dos Conflitos Sociais e, principalmente, sobre como trabalhar a espacialidade dos conflitos. Uma das primeiras distinções trabalhadas foi a explicitada por Marcelo Lopes de Souza (2006) entre �ativismo social� e �movimento social: �ativismos sociais são um conjunto mais amplo de ações públicas organizadas (...) movimentos sociais, de sua parte, seriam uma modalidade especialmente crítica e ambiciosa de ativismo social� (SOUZA, 2006, p. 278). Existem uma série de atributos constituintes do conflito que são primordiais na representação da realidade em contradição, são eles: os protagonistas (aqueles que se põem em movimento) e antagonistas, os motivos e intencionalidades, o tipo de organização do ativismo social, as manifestações e estratégias de ação e as escalas. O horizonte de radicalização da ação social se exprime na ambição a transformações efetivas na estrutura do espaço e nos remete diretamente aos movimentos sociais, gerando ou uma fissura no tecido social e na organização espacial ou um retorno a estrutura, salientando que a mesma é sempre fluida e se remodela para garantir a manutenção das hierarquias preexistentes. Para trazer os conflitos sociais à análise geográfica utilizamos de cinco pontos descritos por Souza (2006), para adentrar na espacialidade dos ativismos sociais: o espaço enquanto referência identitária, o espaço enquanto lugar, as estratégias espaciais, o substrato espacial e as transformações efetivas no espaço. Após a consulta bibliográfica de conceitos principais da Geografia dos Conflitos Sociais e sobre a Ecologia Política subalterna, deu-se início ao levantamento de dados pela nossa fonte no Observatorio Social de América Latina (OSAL), projeto internacional organizado pelo Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO), que promoveu uma série de relatórios sobre os conflitos noticiados, em 19 países da América Latina e Caribe entre 2002 e 2012, pelos três maiores jornais de grande circulação. Especificamente em nosso recorte brasileiro, temos o �Estadão�, �O Globo� e a �Folha de São Paulo como os jornais estabelecidos. Partindo da interpretação e análise desses dados, o processo de elaboração de tabelas correspondentes aos anos de 2002 até 2012 deu continuidade aos trabalhos, onde classificou-se cada conflito a partir dos seus atributos constitutivos relatados anteriormente e outras classificações: Número de Ordem, País, Estado, Município, Localidade, Data, Protagonista, Motivo, Antagonista, Organização, Manifestação, Confronto, Escala, Natureza, Conquistas e Consequências. Resultados A organização dos dados nos possibilitou, até então, analisar e catalogar, aproximadamente 4.000 conflitos. As tabelas, em conjunto com a bibliografia apresentada, nos permitiram a criação de um mapeamento de sujeitos e de conflitos baseado em conceitos de uma cartografia social, a compreensão de padrões de conflitividade e uma reconstrução de temporalidades, da década passada, que nos auxilia a entender a construção de Brasil que provocou os conflitos com suas contradições. Uma das diversas periodizações que podem analisadas nas tabelas é a Jornada de Lutas por Reforma Agrária onde inúmeros trabalhadores rurais sem-terra se reúnem em todo Brasil e utilizam-se de diversas estratégias de ação para denunciar a violência do campo, reivindicar políticas públicas rurais e justiça pela chacina ocorrida em Eldorado dos Carajás no Pará, em 1996, no dia 17 de abril. Foram relatados 41 conflitos, ações desenvolvidas pelo MST e outras organizações, que variaram entre atos públicos, fechamento de vias públicas e ocupação de terras. A pesquisa permite, por conta de sua estruturação, o contato com uma infinidade de temas e questões a partir de cada um dos atributos, categorias e periodizações, tratando-se de um trabalho de tratamento metodológico e de sistematização de fontes, poderá se tornar ponto de partida de inúmeros trabalhos futuros e para a criação de mapas, tabelas, gráficos, representações que nos ajudam a entender melhor o território brasileiro e suas territorialidades. Referências OSAL � Observatorio Social de América Latina. Cronología del Conflicto Social (2002-2012). Brasil: Publicação eletrônica, 2012. TRAMONTANI RAMOS, Tatiana. A geografia dos conflitos sociais na América Latina e Caribe. Informe final do concurso: Movimientos sociales y nuevos conflitos en América Latina y el Caribe. Programa Regional de Becas Clacso, 2003. RODRIGUES BRUCE, Glauco. Geografia Histórica e Ativismos Sociais. GeoTextos, Vol.11, n.1, julho de 2015. 241-268. SADER, Eder. Quando novos personagens entraram em cena: experiências, falas e lutas dos trabalhadores da Grande São Paulo, 1970-80. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988. SOUZA, Marcelo Lopes de. Ativismos sociais e espaço urbano: Um panorama conciso da produção intelectual brasileira. In: OLIVEIRA, Márcio Piñon; COELHO, Maria Célia N.; CORRÊA, Aureanice M. O Brasil, a América Latina e o mundo: Espacialidades contemporâneas II. Rio de Janeiro: Lamparina; FAPERJ; ANPEGE, 2008. p. 3367-384. | 07. Geografia política e geopolítica | Henrique Bandeira Atanes | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5449 | resources/download/restrict/eng2020/1661998147_ARQUIVO_b5e1281a66f572b3d8fe5d90e21f722d.pdf | ||||||||||||||||||
33 | 7917660 | A exortação de Angel Maya: ocultamento da natureza no espaço da Geografia | Para o pensador latino-americano Carlos Augusto Angel Maya (1996, 2013), vivemos uma crise civilizatória profunda, sendo que um dos seus principais desdobramentos está refletida no conhecimento científico moderno, por causa a crise do capital e sua ânsia por desenvolvimento. O conhecimento proposto pelo cientificismo moderno se apresenta, como um saber segmentado e que busca compreender a realidade dessa mesma forma. Maya salientava que estes limites das ciências não foram consolidados na contemporaneidade. Trata-se de limitações que atravessam os tempos, já que foram fundados na antiguidade. É sobre as bases antigas do pensamento que Maya (2003) nos revelou o ponto central da crise do conhecimento. Ponto esse que se desdobra sobre o problema ambiental, a saber, a cisão entre cultura e natureza, nascida nos postulados platônicos, perpetuada na teologia cristã e no racionalismo ainda vigente. Tal perspectiva é eximia manipuladora de dualidades, esmigalhando a realidade entre matéria e energia, tempo e espaço, corpo e alma, natureza e sociedade, teoria e prática, entre outros. As ciências naturais aperfeiçoaram seu entendimento mecanicista sobre a natureza a ponto de entendê-la como máquina e dominá-la como ferramenta. Seu passo adiante, ao entendimento mais complexo, toma a natureza como sistema de relações, mas recusa inserir o humano em seu arranjo, afastando-se de um entendimento pleno sobre a questão ambiental. Por outro lado, as ciências sociais, supervalorizando a liberdade humana frente as amarras das �determinações� ambientais, mantem a cultura como nascida de parto virgem, sendo a natureza um corpo sem autonomia, trazida a realidade somente pela consciência (MAYA, 1990; 2002). Como se não bastasse, ainda é comum notar nos postulados das ciências sociais, o ocultamento da natureza, como se esta fosse, já em tempos modernos, um meio escasso, a beira da extinção, ultrapassada pela história, antagonista do humano e, portanto, sua antítese já superada por um jogo dialético progressivo e irrecuperável. Para Maya (1990), o capitalismo e o cientificismo contemporâneos, fundidos enquanto técnica, em modo de produção industrial, fizeram a sociedade crer que a natureza se tornara humana pela ação do trabalho. Nesse modo de pensar, a natureza fora antropomorfizada por completo, convertida em mero recurso natural que subsiste inerte, passiva como coisa, servil as finalidades do humano, sendo esse o sujeito ativo do mundo real e senhor de todas as coisas. Esse abismo entre cultura e natureza também se fez presente nas ciências geográficas. Na perspectiva de Springer (2010), a Geografia, nascente como ciência sistemática na modernidade, tinha como pano de fundo a concepção predominante do racionalismo positivista, pautado no empirismo, no objetivismo científico e na visão mecanicista de natureza. Salvo, em boa medida, suas influências românticas (VITTE; SPRINGER, 2010), a Geografia, gestada na cena europeia do século XIX, toma a natureza como objeto de exploração para o imperialismo e seu modo capitalista de subtrair, multiplicar e concentrar riqueza. Nessa perspectiva a natureza é vista como potencialidade produtiva, matéria instrumental, mensurável, previsível e controlável graças as leis mecânicas da Física e ao uso da Matemática. Esse cenário manteve-se praticamente o mesmo (com retoques sutis) até a crítica do paradigma quantitativista da escola teorética. Todavia, mesmo que a crença no mundo máquina tenha sido contestada (assim como a visão utilitarista e servil da Geografia) os críticos de época, assim como as novas tendências do pós-guerra, destaque para a Geografia Crítica, mantiveram a natureza limitada a um objeto sem autonomia, alheio a natureza humana a não ser por sua condição de valor econômico e social. Podemos citar, de início, Élisée Reclus (1985) que em um contexto tradicional, (apesar de sua veia anárquica e contestadora) reduziu a natureza à meio estático, completamente dominado pelo poder transformador do capitalismo, o principal agente geológico e condutor do processo histórico-evolutivo. Não se pode esquecer a análise antropocêntrica de Carl Sauer (2004) sobre a paisagem, ao afirmar que no início do século XX a cultura já se fazia determinante sobre as forças na natureza. Até Milton Santos, mesmo trazendo para a ideia de espaço elementos dos mais atualizados na criação científica contemporânea (a exemplo do princípio relacional) observa a natureza pela recorrente posição de elemento passivo, assim como fizera a tradição geográfica. Para Santos (1988; 2012), no contexto do meio técnico-científico e informacional, edificado pelo poder do capital, a natureza passa de amiga a elemento hostil. Esta foi �redescoberta� como um objeto entre demais objetos que compõe o espaço geográfico. Uma outra natureza, sufocada por extensões técnicas, próteses e artificialidades que a modelaram e ocultaram sua verdadeira face, convertendo-a em uma forma produtiva de valor, perversamente explorada por um patrão (o homem). Sua relação com a sociedade (sendo essa o ser fundamental da existência) torna-se uma relação essencialmente cultural, política e econômica, que só se estabelece plenamente mediante um dinamismo regente superior, uma ação fundante e decisiva, isto é, a socialização do trabalho. Na avaliação de Maya, a Geografia, mesmo orgulhosa de sua multidisciplinaridade (capaz de se debruçar sobre o humano e a natureza), poderia (hipoteticamente) ser julgada de modo semelhante as demais ciências. Ela reproduz os mesmos equívocos que erigiram a crise ambiental em questão, ou seja, reduz a natureza em relação a sociedade (enquanto Geografia Humana) e afasta a sociedade da natureza (enquanto Geografia Física). Para Maya (2002; 2003) há uma necessidade (já tardia) de superarmos o antagonismo Cultura x Natureza, a partir de uma sutura construída em coletividade. Tal sutura sobre a trama da vida se apresentaria como um novo projeto civilizatório, um novo olhar epistemológico, uma outra ética, assim como uma profunda reforma do conhecimento. Uma outra cultura a ser construída por uma postura interdisciplinar e colaborativa entre as ciências e demais saberes. Um conhecimento que tome o humano e sua cultura como natureza, um advento não só de si mesmo, como também de sua relação com os ecossistemas. Assim como um saber complexo, híbrido e holístico que compreenda a natureza como um ser autônomo, vivo, ativo, possuidora de razões próprias e que não seja consumada como um substrato passivo, estranho e subserviente aos interesses do humano. Referências: MAYA, Angusto Angel. El retorno de Ícaro, la razón de la vida: muerte e vida de la filosofia, uma propuesta ambiental. Bogotá: PNUD, 2002. ______. El reto de la vida, ecossistema y cultura: uma introdicion al estudio del meio ambiente. Bogotá: Ecofundo, 2013. ______. La Diosa Némesis: Desarrollo Sostenible o Cambio Cultural. Cali, Corporación Universitaria Autónoma de Occidente, 2003. ______. La trama de la vida: Bases ecológicas del pensamiento ambiental. Santafé de Bogotá, Universidad Nacional de Colombia, 1996. ______. La valorizacion del espacio: perspectiva ambiental. Cuadernos de Geografia - revista colombiana de geografia, Bogotá, n.1, v.2, 1990. SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Edusp, 2012. ______. A metamorfose do espaço habitado: fundamentos teóricos e metodológicos da Geografia. São Paulo: Hucitec, 1988. SPRINGER, Kalina Salaib. A concepção de natureza na Geografia. Mercator - Revista de Geografia da UFC, vol. 9, núm. 18, enero-abril, 2010, pp. 159-170 VITTE, Antônio Carlos; SPRINGER, Kalina S. A Geografia, a natureza e o impasse da modernidade: o romantismo e as possibilidades interpretativas para a questão ambiental. Revista da Casa da Geografia de Sobral, Sobral-CE, v. 12, n. 1, p. 9-24, 2010. | 03. Pensamento Geográfico | David Emanuel Madeira Davim | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5480 | resources/download/restrict/eng2020/1660448162_ARQUIVO_b5dc3ff9cccdeef5605f335e702246f2.pdf | ||||||||||||||||||
34 | 7137664 | A Experiência Agroecológica da Feira da Reforma Agrária no Campus Ondina da UFBA Salvador BA | Esse trabalho de conclusão de curso de Licenciatura Geografia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA - Campus Salvador) foi desenvolvido entre os anos de 2019 e 2020, com o objetivo de analisar a Agroecologia frente ao modelo do Agronegócio, seus caminhos e desafios na vida da população do campo e da cidade. A pesquisa foi realizada na feira agroecológica da Reforma Agrária da UFBA que, desde o ano de 2014, vem sendo construída a partir das vivências nas áreas de assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Atualmente, a feira envolve produtores dos Assentamentos Recanto da Paz, Dias D'Ávila, Maju e Bento (São Sebastião do Passé), todos pertencentes à regional MST do Recôncavo Baiano. Os procedimentos metodológicos adotados foram a pesquisa documental, bibliográfica, cartográfica e trabalho de campo, com realização de entrevistas, registros fotográficos e elaboração de mapas temáticos. Assim, foi possível identificar que a relação da Agroecologia e da Reforma Agrária, na luta pela produção do alimento saudável com a preservação do meio ambiente no território ocupado. Uma produção agroecológica que possibilita inclusão social com a melhoria da qualidade de vida nas comunidades envolvidas. Uma experiência de luta e resistência frente ao agronegócio na qual os assentados diariamente enfrentam o árduo Sol para plantar, cuidar e colher, trazendo da terra o sustento da sua família e da população da cidade. Afinal, se �o campo não planta a cidade não janta�, como consideram o(a)s próprios(as) trabalhadores(as) assentados(as). A pioneira da Agroecologia no Brasil é referência internacional, a agrônoma Ana Primavesi, segundo ela é impossível pensar na produção de uma alimentação saudável e na interação equilibrada entre os seres humanos e a terra. Primaveri é responsável pelo avanço nos estudos sobre o manejo ecológico do solo, técnicas abordadas em seu livro de maior influência, que revolucionou a prática da agricultura em regiões tropicais e lançou as bases para o de desenvolvimento da Agroecologia.Ela foi ainda uma das pioneiras nas técnicas de preservação do solo e recuperação de áreas degradadas no país. Ela conseguiu unir as ciências em suas palestras e aulas quando juntava a Agronomia com hidrografia , climatologia e Zootecnia.Ela falava dos bichos,das plantas, do clima, do solo e dos microorganismo.A doutora Primavesi tinha a capacidade de juntar os conhecimentos e fazer a gente se encantar pela natureza. Ela dizia �Cuidem do que é mais precioso, que é o solo�. Dele depende a água, o ar e a nossa comida. O básico da nossa sobrevivência , o resto é supérfluo. Temos que viver e cuidar da natureza pois fazemos parte dela. Estamos simplesmente explorando e nunca dando nada de volta. E temos que cuidar do solo como algo precioso. Ele nos deu e agora devemos cuidar dele também. � Tiramos , tiramos, e damos de volta lixo, agrotóxico, transgênico. O planeta não vai dar conta.Ela lutou bastante!Ela fez tudo pelo amor à terra.Não buscava nada em troca. Queria difundir seu conhecimento. Mesmo que tivessem poucas pessoas para ouvi-las. Foi em busca do aprimoramento de uma relação respeitosa com a terra que os passos de Primaveri se entrelaçaram com os do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Ela foi uma pessoa extremamente terna e que demonstrou um amor radical à terra, mas também às camponesas e camponeses. Primaveri sempre se pronunciou defensora do campesinato, povos indígenas, dos quilombolas, das comunidades tradicionais camponesas e pela reforma agrária. Foi uma autêntica defensora da necessidade da reforma agrária como condição de uma agricultura de base ecológica capaz de produzir alimentos saudáveis. A Reforma Agrária é a revisão e redistribuição das terras de um país visando a maior democratização do acesso à terra e ao reconhecimento do valor social da terra e ao reconhecimento do valor social da terra.Reforma Agrária é o termo utilizado para designar a redistribuição fundiária em um Estado. Quando há concentração de terras nas mãos de uma pessoa ou poucas, temos a formação dos latifúndios (grandes propriedades de terra que , por sua extensão, não são devidas e completamente exploradas). Os latifúndios fazem com que a terra não tenha seu valor social cumprido e acarretam a desigualdade social ao servirem apenas como fonte de enriquecimento para especuladores de imóveis. A reforma agrária visa, em sua essência, a uma distribuição fundiária mais justa que contemple os agricultores menores e menos poderosos que, em geral, praticam a agricultura e a pecuária familiar. A reforma agrária é um tipo de reforma de base, ou seja uma reestruturação ou mudança que afeta diretamente as bases da sociedade. A palavra reforma remete à melhoria ou mudança, enquanto o termo agrária designa estrutura fundiária, ou seja , estrutura de organização das terras de um Estado nacional. A Europa e suas colônias formaram-se em cima de estruturas latifundiárias, com posse de terra sendo exercida por poucas pessoas. O valor social da terra sustenta a ideia de que deve haver plena utilização das propriedades agrárias para a produção de alimentos e bens de consumo e a e a extração de recursos naturais e energia, a fim de que toda a população seja contemplada pelos bens proporcionados por ela. Em 1984, após uma série de duras lutas de camponeses contra a concentração fundiária no Brasil em plena Ditadura Militar, surgiu um movimento unificado pela reforma agrária chamado Movimento dos Sem Terra (MST). O movimento teve apoio de setores organizados da sociedade civil e de partidos de esquerda, além do apoio posterior de entidades internacionais. Palavras-Chave:Reforma Agrária; Agroecologia;MST Referências: brasildefato.com.br GERMANI, Guiomar I. Questão agrária e movimentos sociais: a territorialização da luta pela terra na Bahia. In: COELHO NETO, A. S.; SANTOS, E. M. C. SILVA, O. A. (Org.). In:(GEO)grafias dos movimentos sociais. Feira de Santana (BA): UEFS Editora, 2010, v., p. 269-304. Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA. Cadernos da Agricultura Familiar, Volume 1 � Pronaf Agroecologia: Brasília, 2016. Disponível em: <http://agroecologia.gov.br/sites/default/files/publicacoes/Caderno%201%20Pronaf% 20. Agroecologia%20web_1.pdf>. Acesso em: 07 abril 2020. | 02. Campo e Rural | PROFA.EDELVAICE SUZART | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 6034 | resources/download/restrict/eng2020/1661554252_ARQUIVO_831be4086cdae4ac6018af7f27b2cc59.pdf | ||||||||||||||||||
35 | 9665994 | A Experiência Metodológica de Projeto de Ensino em Geografia: o discurso da geração de energia limpa | A disciplina Estágio Supervisionado em Ensino de Geografia IV, entre outras exigências, solicita a elaboração de um projeto de ensino que possa ser aplicado em turma de ensino médio de escolas da rede pública do estado de Sergipe. Assim o desafio de projetar um plano de ensino na escola é uma função primordial na formação do docente, tecendo possibilidades de sensibilizar os alunos para formação de sujeitos capazes de transformar a sua realidade. A experiência de elaboração de um projeto de ensino traz inúmeros desafios, principalmente quando se é desenvolvido em dupla, a começar da escolha do tema. Dessa forma, a escolha da temática Fontes de Energia ocorreu, em razão de este conteúdo já fazer parte da programação na escola campo de estágio. Além disto, ficou evidente o interesse a curiosidade dos alunos face ao entendimento das fontes de energias consideradas limpas, bem como, o desconhecimento por parte de alguns alunos a respeito do Parque Eólico que está localizado no município Barra dos Coqueiros, Estado de Sergipe. Nesse sentido, objetiva-se neste artigo apresentar os resultados da construção de projetos de ensino de geografia focado na fonte de energia eólica com o fito de desmistificar a ideia de que se trata de uma energia limpa. Tem-se, então, a necessidade de aprofundamento teórico-prático na problematização dos impactos socioambientais causados por essa fonte de energia, haja vista, sua complexidade. Do mesmo modo deseja-se contribuir para a compreensão das contradições relacionadas à geração de energia renovável sob a lógica do sistema capitalista como também as problemáticas relacionadas ao desenvolvimento sustentável. A metodologia adotada baseou-se em levantamento bibliográfico, principalmente no material proposto na disciplina de Estágio Supervisionado no Ensino de Geografia IV, bem como na pesquisa em fontes de dados secundários, a saber: Sites oficiais, livros, relatórios, projetos, artigos, dissertações, teses, documentos, etc.. Além disto, foi necessário buscar sites, periódicos e teóricos fundantes que versam sobre a discussão das fontes de energia renováveis. A prática pedagógica deve estar fundamentada em uma visão ampla, crítica e reflexiva, o que pressupõe uma construção do conhecimento que atenda aos processos do ensinar-aprender de forma que a aprendizagem significativa seja o foco central. Dessa forma, o ensino baseado em projetos proporciona uma perspectiva plural, e que permite uma articulação particularizada de cada estudante. Behrens (2014, p. 101) afirma que a �concepção de metodologia de projetos se torna possível quando está baseada no ensino para a compreensão e para o significado�. A metodologia de projetos torna-se relevante, já que se renova a cada problematização investigada, a cada temática trabalhada e a cada conteúdo a ser estudado. Assim, nunca se repete e permite adquirir novas dimensões em cada aprendizagem. Permite que o professor com seus discentes pratiquem a investigação, a busca de conteúdos, de informações e de construção do conhecimento. Em vista disso, através da geografia, é possível a realização de estudos, observações e investigações dos impactos socioambientais causados pela instalação de parques eólicos, compreendendo as transformações diretas e indiretas na dinâmica de construção do espaço. A partir dos impactos causados no cotidiano das comunidades e na sua totalidade, é possível refletir acerca de suas múltiplas dimensões, partindo do pressuposto que qualquer atividade humana gera impactos, sejam eles positivos e/ou negativos. O estudo da produção de energia eólica deve estar pautado nas potencialidades e inaptidões físicas do espaço, levando em consideração que este é um fator determinante para a instalação de um parque eólico, e que também, a partir disso, as características do espaço construído são condicionadas. Ademais, outros fatores que vão além das características físicas do espaço, estão os indicadores sociais, ambientais e econômicos. Não obstante, a indústria da geração de energia eólica �Apesar de ser considerada, no discurso de muitos, como energia limpa, é preciso verificar suas implicações e ir além do que é divulgado� (ARAÚJO, 2018, p. 32). As principais queixas relacionadas à instalação de parques eólicos estão relacionadas à poluição sonora e visual. Porém, aparecem também ações judiciais relacionando esta forma de geração de energia a outros tipos de impactos, sobre desvalorização imobiliária das propriedades vizinhas aos grandes cata-ventos, alteração nos componentes geoambientais (água, solo, morfologia, topografia e paisagem), alteração nos fluxos da maré e até alegações mais extremas como a que atribui aos sons e às vibrações dos aerogeradores, impactos fisiológicos como taquicardia, náuseas e visão turva (AMBIENTEENERGIA, 2010). Araújo (2018) acrescenta como impactos negativos: geração de ruídos; impactos visuais/na paisagem; impacto na fauna; danos ao patrimônio histórico e arqueológico; interferência eletromagnética; supressão da vegetação; compactação do solo, cortes e aterros dos recursos hídricos; influencia o cotidiano das comunidades; danos às estruturas públicas das comunidades; e conflitos com as comunidades originárias. Outro elemento a ser observado é a não participação das comunidades no processo de aceitação desses empreendimentos, onde a dimensão social é esquecida, invisibilizadas nos processos de planejamento e nas construções de leis regulamentadoras. Os impactos causados pela geração de energia eólica devem ser adaptados aos conteúdos e conceitos geográficos, para serem trabalhadas em sala de aula, levando em consideração a construção de estratégias de percepção dos problemas supramencionados promovendo assim, o aprofundamento no processo de ensino-aprendizagem a partir dos pressupostos da geografia enquanto ciência que instiga e transforma a realidade, especificamente como formas de mudança social nas comunidades afetadas. Além disso, o desenvolvimento deste projeto de ensino é fundamental para despertar nos discentes o olhar crítico, principalmente voltado para as formas de geração de energia consideradas limpas, renováveis. Levando em consideração que a maior parte dos estudos realizados até então são voltados somente para a identificação e análise dos impactos causados ao ambiente. Nesse sentido, torna-se salutar a identificação e análise do que não é divulgado, o que não é estudado com tanta profundidade, que são os impactos sociais que esses empreendimentos causam. Com este projeto foi possível também desenvolver nas/os discentes a curiosidade e autonomia de pesquisar o seu cotidiano e constatar suas hipóteses. Desse modo as/os discentes se tornam protagonistas na transformação da realidade social, sendo também este espaço o de troca de saberes e vivências entre as variadas formas de conhecimento escolar, acadêmico e popular. REFERÊNCIAS ARAÚJO, Carlos Eduardo de. O conteúdo de energia eólica no ensino de Geografia. 2018. Dissertação de Mestrado. Brasil. BEHRENS, Marilda Aparecida. Metodologia de projetos: Aprender e ensinar para a produção do conhecimento numa visão complexa. Coleção Agrinho, 2014. Conteúdo extraído de: <https://www.ambienteenergia.com.br/index.php/2010/11/a-energia-eolica-e-os-impactos-ambientais/7001> por: Marília Bugalo Pioli, acesso em: 24/01/2020. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Thayná Albuquerque, Wylamys Lima | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 1584 | resources/download/restrict/eng2020/1662000660_ARQUIVO_7e9fcd8fb72d3245ad30afffe65b21b6.pdf | ||||||||||||||||||
36 | 9851550 | A formação de ambientes de inovação no município de Uberaba-MG e o papel do poder público | INTRODUÇÃO: O processo de globalização e a economia do conhecimento colocam novos desafios para o desenvolvimento de cidades e regiões, em virtude do estabelecimento de novas arquiteturas organizacionais e espaciais das redes de conhecimento (VALE, 2009). É neste contexto que surgem os ambientes de inovação, os parques tecnológicos. No Brasil, os parques tecnológicos surgiram na década de 1980, todavia ganharam dimensão a partir dos anos 2000, incentivados pela Lei de Inovação (Lei 10.973/04), pelo Programa Nacional de Apoio às Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos (PIN), em 2005. No estado de Minas Gerais, a lei estadual nº 17.348 de 17 de janeiro de 2008, dispõe sobre o incentivo à inovação tecnológica em Minas Gerais. Essa lei incentivou a implantação de parques tecnológicos e incubadoras de EBTs (Empresas de Base Tecnológica), como estratégia para implementar investimentos em pesquisa e de apropriação de novas tecnologias geradoras de negócios em empresas ligadas a Parques Tecnológicos. Atualmente, o estado de Minas Gerais conta conta com seis parques tecnológicos em operação, entre eles: o BHTEC (Belo Horizonte), Itajubá, Lavras, Viçosa, Santa Rita do Sapucaí e Uberaba. Vale destacar que na formação desses ambientes de inovação, os parques tecnológicos há uma relação de cooperação, de interação entre os agentes econômicos, as instituições de pesquisa e organismos governamentais estipulam ações recíprocos que pode gerar a capacidade inovativa entre eles, contribuindo, dessa forma, o desenvolvimento local e regional. Em Uberaba, o Parque Tecnológico foi em 1996, em uma área localizada na Fazenda Experimental Getúlio Vargas, que era administrada pela EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e pela EPAMIG (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) para a Prefeitura Municipal de Uberaba. Todavia, o parque só se consolidada em 2008, com a criação do Conselho Gestor e de fundo para sua manutenção. OBJETIVOS: Este trabalho tem como objetivo analisar o papel do poder público na formação do Parque Tecnológico de Uberaba. METODOLOGIA: A metodologia baseou-se em revisão bibliográfica, pesquisas em sites de inovação e de parques tecnológicos, e visitas in loco ao Parque Tecnológico de Uberaba. RESULTADOS: O Parque Tecnológico de Uberaba constitui-se como uma estratégia de desenvolvimento organizado pelo governo municipal, congregando universidades (UFTM e IFTM), entidades empresariais e autarquias públicas. Essa estratégia de desenvolvimento é pautada em modelos adotados em outras cidades e regiões do Brasil. Em Uberaba, segundo a administração do Parque Tecnológico de Uberaba (2018), o parque é considerado uma Zona Empresarial Especial da cidade de Uberaba, definida pelo Plano Diretor do município,. Toda essa área é designada como Parque Tecnológico e está sujeita às normas específicas e especiais para uso e ocupação do solo e para todos os parâmetros urbanísticos. Foi criado em 2010 um conselho gestor para a implantaçao do parque tecnológico, com a missão de implanter no período de 2011-2022, �projetos estratégicos para que o Parque Tecnológico atinja suas metas, a formação da Rede de Habitats de Inovação e a realização de ações para a transformação da Região do Triângulo e Alto Paranaíba em uma Região Inovadora. Considera-se que não bastam investimentos em Uberaba, mas que toda a região deverá incentivar a inovação em seu sistema produtivo.� (PARQUE TECNOLÓGICO UBERABA, 2017).Apesar do parque já ter sua implantação inicial há quase uma década, este ainda não avançou como o planejado, pois grande parte ainda não foi ocupado por empresas de perfil inovador. Houve uma chamada pública para que empresas interessadas se inscrevessem, mas não há um perfil claro definido de quais setores que serão selecionados, pois o parque não é especializado em nenhum segmento produtivo específico, como é observado em outros parques tecnológicos implantados no Brasil. Esse é um desafio ainda a ser superado neste processo de consolidação do Parque Tecnológico de Uberaba.CONSIDERAÇÕES FINAIS: Atualmente, o parque conta, com além da CEMIG, existem duas empresas instaladas, a Nelltech e a Cdl Hall. O Parque Tecnológico tem parcerias com as instituições de ensino superior e pesquisa, entre elas: FAZU (Faculdades Associadas de Uberaba), IFTM (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro) e UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro).Em suma, o poder público tem papel fundamental na formação dos parques tecnológicos, desde a iniciativa da proposta do projeto até a infraestrutura, o financiamento e incentivos para instalação de empresas. REFERÊNCIAS: MELO, Rita. C. N., Parques Tecnológicos no estado de São Paulo: incentivo ao desenvolvimento regional. 2014. Tese Doutorado, Universidade de São Paulo (USP). São Paulo. MÉNDEZ, R. Innovación y desarrollo territorial: algunos debates teóricos recientes. Revista EURE, v. 28, n. 84, 2002, p. 63-83. MEYER-STAMER, J. Estratégias de desenvolvimento local e regional: clusters, política de localização e competitividade sistêmica. Policy Paper 28. São Paulo: Friedrich Ebert Stiftung, 2001. PARQUE TECNOLÓGICO UBERABA. Texto de apresentação. Conselho Gestor do Parque Tecnológico de Uberaba. (2008). PAULA, Roberta Manfron de; FERREIRA, Manuel Portugal; PEREIRA, Simone. Os parques tecnológicos e as incubadoras de base tecnológica promovendo o desenvolvimento regional: o caso de Minas Gerais. Revista de Desenvolvimento Econômico � RDE - Ano XIX � V. 2 - N. 37 - Agosto de 2017 - Salvador, BA � p. 330 � 358. SCHUMPETER, Joseph Alois. Teoria do desenvolvimento econômico: uma investigação sobre lucros, capital, crédito, juro e ciclo econômico. Editora Nova Cultural: São Paulo, Brasil, 1997. SCOTT, Allen. J.; STORPER, Michael. Regions, globalization, development. Regional Studies, v. 41, 2007, p. 191-205. STEINER, João E., CASSIM, Marisa B. e ROBAZZI, Antonio C. Parques Tecnológicos: Ambientes de Inovação. Instituto de Estudos Avançados da Universidade São Paulo � USP, São Paulo. Disponível em: http://www.iea.usp.br/iea/textos/steinercassimrobazziparquestec.pdf. Acesso em: 20 de maio 2016. STORPER Michel. The regional world. Territorial development in a global economy. Guilford Press, New York, 1997. TUNES, Regina H. Geografia da inovação. Território e Inovação no século XXI. 2015. 528 f. Tese (Doutorado em Geografia Humana) � Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo. VALE, Mario . Conhecimento, inovação e território. Finisterra, XLIV, 88, 2009, p. 9-22 | 08. Geografia econômica | Maria Terezinha Serafim Gomes, Marcos Kazuo Matushima | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 1635 | resources/download/restrict/eng2020/1661994246_ARQUIVO_4422e6fce6bf0013986f267d98dd881b.pdf | ||||||||||||||||||
37 | 3822125 | A formação de professores e o pensamento da Geografia Escolar em Manaus: um passeiopelas décadas de 70 e 80 a partir das narrativas dos(as) educadores(as) | A Geografia se institucionaliza enquanto ciência no final do século XVIII, em meio a formação dos Estados Nacionais e com eles a publicização do ensino. Nesse processo destaca-se a Alemanha, Estado que compreendeu ser necessário ensinar Geografia a seus cidadãos para descrever e representar o território (LACOSTE, 1976). No Brasil, a graduação em Geografia é fundada na Universidade de São Paulo, em 1930. Porém, é priorizado seu caráter técnico, com objetivo de estudar o Brasil e interferir em políticas públicas. A formação de professores ficou a cargo de uma complementação em Estudos Sociais na Faculdade de Educação, no qual o professor sairia habilitado para ministrar aulas de Geografia e História. Destaca-se ainda o curso Livre Superior de Geografia, destinado a formação de professores de Ensino Fundamental, oferecido no Colégio Dom Pedro II no Rio de Janeiro em 1926, cujo organizador foi Delgado de Carvalho. Para isso, foi utilizado uma perspectiva ratzeliana, que destacava o enaltecimento da Pátria. Essas concepções pautaram as perspectivas do ensino de Geografia que se espalhou pelo Brasil até a década de 1980 devido ao livro �Metodologia do ensino de Geografia�, de Delgado de Carvalho. Tal obra referenciou a criação de cursos de Licenciaturas Curtas em Estudos Sociais que, paulatinamente, foram oferecidas pelas universidades (VLACH, 2004). Em Manaus, a institucionalização do curso superior de licenciatura em Geografia ocorreu em 1981. Antes disso, já havia o ensino dessa ciência nas escolas públicas e privadas. Nesse contexto, como se deu esse processo de formação? Quem eram os professores que assumiram as cadeiras de Geografia? Que Geografia era ensinada? Diante de tais indagações, entre 2019 e 2021 foi iniciado e renovado um projeto pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC). Sob orientação de Amélia Regina Batista Nogueira, professora do Departamento de Geografia (DEGEO) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), foi possível compreender o processo de formação dos professores de Geografia e as perspectivas teórica-metodológicas do pensamento da Geografia Escolar em Manaus. Para isso, fez-se necessário investigar quem ensinava essa ciência antes da institucionalização do curso de Licenciatura Plena em Geografia. Além disso, foi preciso identificar quais temas e perspectivas teóricas pautavam o ensino de Geografia Escolar e, por fim, verificar quais eventos influenciaram e de que forma influenciaram o ensino da ciência geográfica em Manaus. Perante esses objetivos, a investigação possuiu como recorte espaço-temporal Manaus, de 1971 a 1991. Primeiramente, buscamos experiências dos educadores que atuaram no ensino de Geografia nesse período. Devido às necessárias medidas protetivas em decorrência da pandemia de Covid-19 e a consequente suspensão das aulas presencias, essa busca ocorreu por meio de uma entrevista virtual semiestruturada com um professor do DEGEO da UFAM. Esse educador trabalhou no ensino básico ao longo das décadas de 1980. Por fim, foi realizada uma investigação documental nas escolas existentes há pelo menos cinquenta anos em Manaus. Nesse processo, entramos em contato com os diários de classe das escolas estaduais Raimundo Gomes Nogueira e Márcio Nery. Como resultado da entrevista, foi possível acessar as narrativas de um sujeito que ingressou na graduação em Geografia no início da década de 80, integrando a segunda turma do recente curso de Licenciatura Plena em Geografia. A experiência do entrevistado como professor na educação básica começou no 3º período da graduação, quando conseguiu meia cadeira na Escola Estadual Presidente Castelo Branco. Após a conclusão do curso, foi nomeado para uma cadeira na Escola Estadual Olga Falcone, da qual participou somente da inauguração, ficando apenas três meses. Ministrou aulas para o 1º e 2º graus, se identificando mais com 2º grau devido ao comportamento �eletrizante� dos estudantes e a necessidade de uma linguagem simples nas turmas do 5º ano do 1º grau. Pediu demissão do trabalho de meio período e transferiu a cadeira da escola Olga Falcone para a Castelo Branco. A partir daí, ficou com turmas do 1º e 3º ano, ministrando Estudos Regionais. Sua metodologia de ensino é �tradicional�, utilizando apenas o �gogó� e o projetor de slides. Em sua prática docente, o livro mais utilizado até início da década de 80 era de autoria de Melhem Adas e, posteriormente, os livros de Vesentini, que passou a predominar devido a presença do �discurso dominante�. Em relação as escolas selecionadas, foi acessado o acervo das escolas estaduais Raimundo Gomes Nogueira e Márcio Nery. Na primeira escola, foram disponibilizados os diários das disciplinas Moral e cívica (1981), Organização Social e Política do Brasil (1981) e História e Geografia (1982) ensinadas conjuntamente e somente Geografia (1980). Já na segunda escola, foram analisados os diários de Geografia dos anos de 1970, 1976 e 1988. Como resultado da investigação na Escola Estadual Raimundo Gomes Nogueira, nota-se que a disciplina Moral e Cívica enfatiza a ética e o comportamento humano, incluindo ainda Ciência Política e religião. Para isso, foi utilizada uma metodologia baseada principalmente em provas e eventuais debates. Além das aulas, o diário de classe também consta o registro de momentos dedicados aos hinos nacionais. A disciplina OSPB, por sua vez, é a que mais enfatiza Ciência Política, apresentando ainda uma diversificação metodológica se comparada às avaliações de Moral e Cívica. Já nas disciplinas História e Geografia, ensinadas conjuntamente, prevalece o ensino sobre os presidentes da república e regiões do Brasil, sobretudo o Centro-Oeste. Por fim, nos diários de classe de Geografia, nota-se uma constante descrição das regiões do Brasil em seus aspectos físicos e humanos, bem como a localização. Na metodologia, destacamse provas, trabalhos e revisão, em menor quantidade tem-se o registro de atividades como debates, seminário e trabalho em grupo. Nos estudos sobre o Brasil, enfatiza-se as regiões Sul e Sudeste, especialmente a industrialização. Nos estudos em escala global, aborda-se a Europa. Não consta conteúdos na escala regional e local, exceto a pesca. Além disso, na Geografia Física, estudava-se a hidrografia de diversas regiões e países, mas não abordava a maior bacia hidrográfica do mundo: a Bacia Amazônica. Na Escola Estadual Márcio Nery, o diário de classe de 1970 mostra a ênfase na hidrografia, clima, relevo, vegetação, divisão política e cidades dos continentes. Em 1976, essa abordagem se mantém, tendo ainda elementos como língua e religião, fazendo um amplo uso de mapas nas aulas e nas atividades avaliativas, tais como atlas, mapa de relevo, clima, vegetação e divisão política. Além disso, dentre os diários analisados, é o único que fala sobre os países socialistas. Por fim, o diário de classe de 1988, apesar de manter o uso de mapas, contém algumas mudanças. Primeiramente, nota-se que os continentes são abordados de forma comparativas, enfatizando aspectos populacionais e econômicos. Além disso, nota-se a inserção de temas como agropecuária, extrativismo, usinas hidrelétricas e o �novíssimo continente� Oceania. A partir dos resultados da pesquisa de iniciação científica, constatou-se que o ensino de Geografia em Manaus pautava-se na descrição e localização de lugares distantes, bem como o enaltecimento de elementos pátrios. Até esse período, não havia uma formação mais crítica, pois era novidade nos currículos universitários das Licenciaturas Plenas em Geografia que se consolidava no Amazonas. Em Manaus, o curo de Geografia vive esse processo na década de 80, quando a Geografia institucionalizado no Brasil na década de 30 estava se disseminado. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Bianca Doza | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 993 | resources/download/restrict/eng2020/1661835315_ARQUIVO_903d48249fb5c2fcd74fac34a68be84c.pdf | ||||||||||||||||||
38 | 9799664 | A formação do Território Urbano pelos Agentes Imobiliários na cidade de Varginha (MG) | Na relação entre o desenvolvimento socioeconômico e os novos padrões de urbanização do país, as cidades médias brasileiras têm experimentado mudanças cuja análise, do ponto de vista geográfico, podem ajudar a compreender o percurso contemporâneo de produção e consumo da habitação e da cidade no Brasil, como a distribuição socioespacial desses territórios e suas implicações quanto à segregação e à desigualdade social. O número de núcleos urbanos com população entre 100.000 e 500.000 habitantes teve um crescimento de 143%, de 88 cidades dentro desse contingente na década de 1980 para 214 em 2010 (IBGE, 1980; 2010). Pela grande � e competitiva � especialização funcional que desenvolveram, alguns desses núcleos têm se destacado em questões como a gestão técnica da produção agrícola e o oferecimento de bens e serviços cada vez mais diferenciados, o que, somado ao incremento de importantes funções como saúde e educação, confere-lhes o papel de liderança regional (SILVEIRA, 2002). Entre as variadas repercussões desse novo papel desempenhado pelas cidades médias está a problemática urbana. O espaço urbano, que é (re)estruturado pelas dinâmicas imobiliárias e seus agentes (públicos, privados e sociais), funciona como uma espécie de contraparte material que representa a cidade e dá forma às suas configurações sociais. Sob orientação do capital, o desenvolvimento territorial se dá conforme decisões mercadológicas de intervenção no espaço urbano (BOTELHO, 2009), que apresenta, por conseguinte, padrões espaciais e formatações urbanísticas correspondentes à polarização socioeconômica (VALENZUELA-AGUILERA, 2002). Melazzo (2015), ao examinar a dinâmica imobiliária de Marília (SP) considerando o empreendimento do Programa Minha Casa Minha Vida, constatou que, na região analisada, houve um desencontro entre o direito à habitação e o direito à cidade, com prejuízo deste último. Barcella e Melazzo (2019), sobre a expansão urbana e a dinâmica imobiliária em São Carlos (SP) e em Ribeirão Preto (SP), analisaram as estratégias fundiárias dos agentes imobiliários nessas cidades. Entre outros resultados, os dados indicaram haver, entre os agentes que representam o capital incorporador e o setor público, uma proximidade �com o objetivo de alcançarem melhores condições para a reprodução do capital, a partir de marcos legais e institucionais que possibilitem a execução de suas estratégias de produção no ambiente construído� (BARCELLA; MELAZZO, 2019, p. 124). Diante das considerações feitas, para a discussão e perspectivas da ação dos agentes imobiliários na (re)produção do espaço urbano, a escolha pela cidade de Varginha (MG) se deu considerando sua definição, pelo IBGE (IBGE: REGIC - Região de Influência das Cidades, 2018), enquanto capital regional, por possuir (a) média populacional entre 100.000 e 500 mil habitantes e (b) grandes fatores de relacionamento (influência direta ou indireta) com outros centros regionais e demais categorias de cidades. Além disso, estudo publicado por Amorim Filho, Rigotti e Campos (2007) sobre as cidades médias mineiras compreende Varginha como �cidade média de nível superior�, por apresentar características como o desenvolvimento de setores comerciais e de serviços paralelo à indústria, dinamismo demográfico sustentado e crescimento futuro aparentemente assegurado. Assim, levando em consideração que a investigação da trajetória de urbanização das cidades médias constitui um dos principais referenciais de análise para que se possa discutir o processo de estruturação do espaço urbano e tendo como objeto a cidade de Varginha (MG), realizou-se um estudo de cunho empírico e de caráter interpretativo, buscando responder aos seguintes questionamentos: Que associações podem ser estabelecidas pela dinâmica imobiliária no processo de urbanização em Varginha? Como se configura a produção do espaço urbano contemporâneo pelos agentes imobiliários na (re)estruturação da cidade? Diante desses questionamentos, este trabalho apresenta algumas considerações teóricas sobre os aspectos históricos na urbanização do Sul/Sudoeste de Minas e na formação territorial de Varginha (MG), avaliando-se as temporalidades e espacialidades em sua dinâmica regional e urbana a partir do século XVIII. Para a análise da dinâmica imobiliária na produção e reprodução do espaço urbano na contemporaneidade, buscam-se esforços teóricos e metodológicos capazes de manifestar os processos importantes para que se possa compreender a qualidade de vida desses centros urbanos. Assim, além da coleta de dados empíricos e da observação do processo de uso e ocupação do solo, considera-se necessário empreender uma análise metodológica levando em conta indicadores de ordem ambiental, cultural e social, estando neste último grupo inseridos os de âmbito econômico. Isto posto, sugere-se: a) entender como o processo de urbanização do Sul/Sudoeste de Minas auxiliou nas transformações da pequena para média cidade, b) compreender a relação entre o progresso, a estruturação do espaço e a evolução das forças produtivas na formação do território urbano, c) identificar os eixos de maiores alterações na estrutura urbana quanto às intervenções físicas e de implantação de equipamentos urbanos comunitários, d) analisar, mediante os dados levantados, se o papel desempenhado pelo poder público na dinâmica imobiliária alinha-se às diretrizes do Estatuto da Cidade. Acredita-se, diante das características visíveis no conjunto de transformações urbanas no objeto de estudo proposto, aliado à prática econômica, que as dinâmicas imobiliárias e seus agentes exercem um papel dominante na estruturação dos espaços da cidade. São muitas as direções para entender as transformações na formação do espaço urbano e sua articulação com o processo de produção e consumo capitalista. Cada período histórico carrega consigo a diversidade de fenômenos que podem ser considerados como balizadores no movimento de apropriação do espaço. Essa dinâmica está relacionada à capacidade de entender os processos de transformação do espaço geográfico e as ações do homem sobre ele ao longo do tempo. A partir das reflexões ao longo do artigo, pode-se reconhecer que a produção do espaço pela dinâmica imobiliária na cidade de Varginha (MG) se relaciona com o processo histórico transitório da pequena para média cidade, monopolizado nas riquezas herdadas do setor cafeeiro e condicionado à estruturação referente à maioria das cidades médias do Sul/Sudoeste mineiro. Neste contexto, são evidentes o crescimento da população urbana acompanhado pelo processo de modernização e urbanização, vinculados às transformações nos padrões de consumo, que beneficiava, especialcialmente, a elite agrária local. AMORIM FILHO, Oswaldo Bueno; RIGOTTI, José Irineu Rangel; CAMPOS, Jarvis. Os níveis hierárquicos das cidades médias de Minas Gerais. Revista RAEGA � O Espaço Geográfico em Análise, Curitiba, n. 13, p. 7-18, 2007. BARCELLA, Bruno Leonardo Silva; MELAZZO, Everaldo Santos. Expansão Urbana e dinâmica imobiliária: comparando as estratégias dos agentes imobiliários em cidades médias. Sociedade & Natureza, Uberlândia, v. 32, p. 108 � 125, 2019. BOTELHO, Diego Nogueira. Os agentes imobiliários e as transformações intraurbanas: o caso dos condomínios horizontais fechados em Uberlândia. Caminhos de Geografia. Uberlândia v. 10, n. 32, p. 138 � 126, 2009. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Regiões de Influência das Cidades. Rio de Janeiro, 2018. MELAZZO, Everaldo Santos. Interações, combinações e sinergias: produção do espaço urbano, dinâmicas imobiliárias e o Programa Minha Casa Minha Vida em Cidades Médias Brasileiras. In: BELLET, Carmen; MELAZZO, Everaldo Santos; SPOSITO, M. Encarnação B.; LLOP, Josep M. (Eds). Urbanização, produção e consumo em cidades médias/intermediárias. Presidente Prudente/SP: Universidade Estadual Paulista, 2015, p. 373 � 396. SILVEIRA, Maria Laura. Globalização, Trabalho, Cidades Médias. Geo UERJ, n. 11, p. 11-17. VALENZUELA-AGUILERA, A. Las nuevas centralidades: fragmentación, espacio público y ciudadanía. In: CABRALES BARAJAS, L. F (org.). Latinoamérica: países abiertos, ciudades cerradas. Guadalajara/Paris: Universidad de Guadalajara. UNESCO, 2002, p. 31- 64. | 01. Cidade e Urbano | Rondinely Resende, Alexandre Lopes | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5465 | resources/download/restrict/eng2020/1661538488_ARQUIVO_c92f8c9675e76dce57a033519abefdf6.pdf | ||||||||||||||||||
39 | 2941490 | A fronteira da centralidade: controle socioespacial e despossessão racializada no Vetor Sudoeste de São Paulo | Centralidades de negócios repletas de modernos edifícios de escritórios têm sido produzidas em metrópoles ao redor do mundo desde os anos 1970 e, especialmente desde as décadas de 1980 e 1990, difundiram-se em países das periferias do capitalismo, como os da América Latina (CARLOS, 2001). A emergência destas centralidades, usualmente situadas fora dos centros históricos, soma-se ao lançamento de empreendimentos imobiliários residenciais, comerciais e de lazer voltados às elites em meio a bairros periféricos, compondo um quadro de complexificação das relações centro-periferia nas metrópoles latino-americanas (CALDEIRA, 2000; ALVES, 2015). Neste trabalho, buscamos contribuir para a compreensão desta redefinição de fronteiras, enfocando os vínculos entre a produção de centralidades corporativas e as transformações nos padrões de segregação e nas formas de controle socioespacial. Nos baseamos em uma pesquisa de mestrado em curso (desenvolvida com apoio da FAPESP, processo n. 2020/04001-5), que tem como objeto empírico a fronteira sul do Vetor Sudoeste de São Paulo, eixo espacial onde encontram-se as centralidades corporativas da metrópole. Tomamos como referência para a localização de tal fronteira uma zona dinâmica de transformação estabelecida em torno do limite entre dois grandes projetos de reestruturação urbana: a Operação Urbana Água Espraiada (OU AE) e o Projeto de Intervenção Urbana Arco Jurubatuba (PIU ACJ). A OU AE, lançada em 2001, teve papel decisivo em uma etapa anterior de expansão do Vetor Sudoeste e o PIU ACJ, proposto entre 2017 e 2018 para uma área adjacente, mas não aprovado até o momento, parece traduzir intenções de um novo avanço da centralidade corporativa em direção à zona sul. Em nossa análise, perseguimos a hipótese de que, para que a fronteira da centralidade avance, devem ocorrer transformações correlatas nos padrões de urbanização e nos �padrões de controle das condutas� (TELLES, 2015). Os procedimentos de pesquisa envolveram trabalhos de campo na área identificada como fronteira sul do Vetor Sudoeste, no distrito de Santo Amaro, nos quais mapeamos cinco tipos de dispositivos securitários (câmeras de vigilância, guaritas, enclaves fortificados, rondas policiais e agentes de segurança privada) e analisamos os usos cotidianos do espaço, as separações espaciais, as condutas permitidas ou vetadas em diferentes locais. Também acompanhamos reuniões do CONSEG (Conselho Comunitário de Segurança Pública) de Santo Amaro e entrevistamos alguns de seus membros e outros agentes envolvidos na elaboração de políticas securitárias locais, a fim de identificar as representações de "segurança" e "insegurança" que informam suas ações. Por fim, coletamos dados secundários e reportagens acerca da atuação policial na zona sul de São Paulo. Nossa concepção de centralidade inspira-se em Henri Lefebvre (2000) e refere-se a um espaço dominante desde o qual o poder de �Decisão� sobre outros espaços é exercido. As centralidades corporativas latino-americanas, especificamente, são entendidas como �subcentros especializados e monofuncionais�, espaços homogeneizados, que mimetizam distritos financeiros de países centrais e filtram grande parte das práticas e conteúdos sociais, culturais e políticos associados à centralidade dos centros históricos (CARLOS, 2001). Consideramos, inclusive, que a representação das centralidades de negócios como espaços �seguros, civilizados, assépticos� seja uma dos atributos necessários à sua condição dominante (MOURA, 2006, p. 43). A produção de centralidades de negócios é interpretada como um esvaziamento forçoso do espaço que opera a substituição de suas formas e conteúdos (SANTOS, 2011) por meio de processos intrincados de �acumulação por despossessão� (HARVEY, 2003) e �abstração do espaço� (LEFEBVRE, 2000). Argumentamos, ademais, em concordância com McCann (1999), que em sociedades caracterizadas por hierarquias sociais racializadas, a produção de espaços corporativos aparentemente pacíficos e estáveis implica, na prática, na expulsão dos corpos racializados como �outros� e na eliminação de suas marcas sobre o espaço. Assim, nas metrópoles latino-americanas, é possível pensar em uma associação entre centralidade de negócios e �branquitude�, termo que refere-se à posição de privilégio e (auto)identificação do branco como universal e não-racializado (SCHUCMAN, 2012). Em contextos de formação colonial, esta normatividade atribuída ao �branco� está intimamente conectada à instituição da propriedade privada, pois, historicamente, as práticas de ocupação e posse do espaço das elites brancas são reconhecidas como legítimas através de títulos de propriedade, enquanto as dos povos colonizados e seus descendentes são criminalizadas (BHANDAR, 2014; BONDS, 2018; ROY, 2019). Assim, entende-se que a persistente classificação das periferias latino-americanas como espaços �informais� e �fora da lei� é também atravessada por conteúdos raciais e corrobora para a naturalização dos processos despossessivos que as atingem (ROBIRA, 2005; SILVA, 2009). Nesse ponto, encontramos um dos atributos fundamentais das fronteiras intraurbanas: a descartabilidade de determinados corpos e espaços produzida pela sua representação como violentos, irracionais e selvagens. Segundo Neil Smith (1996), estratégias econômicas que se valem da diferenciação interna do espaço urbano mobilizam um repertório de imagens que remetem às fronteiras coloniais e imputam um caráter �civilizatório� ao avanço de frentes imobiliárias. A associação da fronteira ao limite entre �civilização� e �selvageria� também sustenta o estabelecimento de formas distintas de controle socioespacial. Segundo Hopkins (2020), as fronteiras coloniais e imperiais do século XIX demarcavam o recorte geográfico do �Estado de direito�, uma vez que a selvageria atribuída aos povos que habitavam territórios além-fronteira dispensava as autoridades de agirem em conformidade com a lei e legitimava formas violentas de governo extra-judicial. Hoje, as fronteiras entre centro e periferia também demarcam, ainda que de forma mais complexa e fragmentada, distintas formas de atuação do Estado � nas cidades e metrópoles brasileiras, isso é notável pela concentração de assassinatos pela polícia em bairros periféricos majoritariamente negros (ALVES, 2011; GOMES; SILVA, 2017). Entre os resultados preliminares da pesquisa, temos que formas territorialmente diferenciadas de controle socioespacial podem ser identificadas em múltiplas escalas, tanto em áreas separadas pela fronteira da centralidade, quanto dentro da própria zona fronteiriça. Ao compararmos dados de ocorrências e de �produtividade policial� entre Distritos Policiais dentro, fora e na fronteira sul do Vetor Sudoeste entre 2019 e 2021 (disponibilizados publicamente pela SSP-SP), notamos uma concentração da atuação policial oficialmente reconhecida nas áreas fronteiriças. A hipótese que levantamos é de que elas funcionam como zonas de amortecimento entre as periferias criminalizadas e as centralidades corporativas, nas quais opera-se uma contenção punitiva que visa afastar corpos e condutas associados ao �crime� dos espaços �seguros� para os negócios. Internamente a esta zona de fronteira identificamos diferentes arranjos e projetos de �securitização�, e uma disputa entre o avanço da centralidade corporativa e a permanência de outro tipo de uma centralidade de outro tipo: a centralidade histórica do antigo município de Santo Amaro, que atrai massivos fluxos diários de pessoas vindas das periferias da zona sul. Entende-se, assim, que o avanço de fronteiras intraurbanas como a do Vetor Sudoeste não implica na simples e unidirecional imposição de centralidades sobre periferias, mas envolvem processos mais complexos, que transformam e tensionam as características da própria centralidade. De forma provisória, concluímos que o avanço de centralidades corporativas rumo a periferias metropolitanas por meio de processos de despossessão e abstração do espaço promove uma maior fragmentação socioespacial, para a qual corrobora a disseminação de enclaves fortificados altamente equipados com dispositivos eletrônicos de vigilância e guardados por agentes de segurança privada. Ao mesmo tempo, verificou-se que fragmentos de periferia escapam à �securitização�. Permanecem como resistências, resíduos e obstáculos às estratégias de acumulação e controle que se impõem, mas também como potenciais reservas para acumulação futura, à depender de novas disputas territoriais e expulsões (ROBIRA, 2005; SANTOS, 2020). | 01. Cidade e Urbano | Gabriella De Biaggi | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 589 | resources/download/restrict/eng2020/1661546285_ARQUIVO_503f00071ecda5730ec4d51aa68fdf2c.pdf | ||||||||||||||||||
40 | 4939417 | A Geografia da Formação de Professores: da experiência freiriana ao Projeto de Valorização do Educador (PROVE) | Introdução Em um contexto onde observamos que cada vez mais, nas atuais políticas educacionais de formação e carreira docente predomina uma lógica de controle tecnicista, extremamente burocrática, onde a redução da autonomia da escola e seus sujeitos são objetivos claros, a subordinação ao mercado é um fato. Tal processo pode ser verificado na realidade brasileira na construção da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), no avanço da indústria dos materiais apostilados, dos cursos rápidos de formação docente, dos interesses do movimento "Escola sem Partido", entre outros. Em 1989 iniciou-se no município de São Paulo a administração da Prefeita Luiza Erundina de Souza, do Partido dos Trabalhadores (PT), cujo mandato foi exercido de janeiro de 1989 a dezembro de 1992. Assim, assume a Secretaria Municipal de Educação (SME) Paulo Freire, no período de janeiro de 1989 a maio de 1991. A SME implantou uma proposta político-pedagógica intitulada Escola Democrática, que apresentava o propósito de construção de uma escola pública popular, democrática e de qualidade. Ao nos debruçarmos sobre a bibliografia de Paulo Freire, em especial os livros �Educação na cidade� (2001) e �Pedagogia da autonomia� (1996) e o contato com o Projeto de Valorização do Educador (PROVE) de inspiração nas práticas ocorridas na gestão de Paulo Freire, percebemos que a potência da experiência freiriana estava assentada no projeto de formação docente. O PROVE surgiu em 1997 numa ação que pudesse acontecer interescolas, uma proposta de formação permanente do educador em horário de trabalho. A intenção era empreender um projeto de formação do educador que permitisse uma atualização e aprofundamento teórico e também que fosse uma oportunidade para refletir e estudar, se conhecerem e conhecerem o trabalho e o ambiente de outras escolas. Começamos então a analisar a formação de professores com um olhar geográfico e entendemos que havia um diálogo profundo entre a proposta de formação docente freiriana, a escola e o conceito de lugar. A partir disso, adotamos como recorte de pesquisa um dos projetos da reforma intitulado Grupos de Formação e temos como objetivos analisar o sentido da formação de professores partindo do contexto local, da escala do lugar e da experiência do PROVE enquanto um projeto contra-hegemônico. Metodologia Iniciamos com pesquisa bibliográfica sobre políticas públicas educacionais, nos baseamos em Ball (2001) para entendemos as políticas nacionais como produto de um conjunto de influências globais/locais que vão se mostrar no intenso avanço de políticas neoliberais na educação. Buscamos analisar a formação docente e o processo de desqualificação/requalificação dos professores a partir de pesquisa bibliográfica em Freire (1996), Giroux (1997), Nóvoa (2009) e Tardif (2002). Assim como esses autores, defendemos que deve haver uma profissionalização da carreira docente, onde os professores tenham autonomia e possam fazer uma reflexão na ação da prática de trabalho. Apoiados em Mészáros (2008), procuramos desvendar de que forma a reprodução do capital está atrelada com o processo de inserção cada vez maior de materiais empacotados nas escolas e como isso implica na desmobilização do professor enquanto profissional competente. Com base em Torres, Cadis e Wong (2003), Saul, Alexandre e Saul, Ana Maria (2016) buscamos entender como se deu o projeto de uma escola pública, popular e democrática proposta pela Secretaria de Educação em 1989 para analisarmos os Grupos de Formação de professores a partir da prática freiriana nas escolas municipais da cidade de São Paulo. Analisamos documentos do período (1989-1992) no site do arquivo público de Memória Documental da Secretaria de Educação Municipal de São Paulo. Através de Lacoste (1993) e Carlos (2007) discutimos o conceito de lugar e analisamos como eles aparecem em alguns textos da SME ao longo dos anos da gestão freiriana. No segundo momento da pesquisa, fizemos uma primeira aproximação com PROVE. Inicialmente um trabalho de campo foi realizado na Escola Mário Faccio Golçalvez Zacarias, onde acompanhamos reuniões do projeto. Apoiamo-nos nas ideias de SAUL (2016), STANGHERLIM (2012) e GARCIA (2011) para entender o contexto de formação do PROVE, sua relação com a teoria Freiriana e seu diferente programa de formação contínua, onde o professor é sujeito ativo na sua própria formação. Por fim, realizamos mais quatro trabalhos de campo ao longo dos anos de 2019 e 2010. Ocorreram entrevistas semiestruturadas com professores participantes do projeto para tentar entender como eles compreendem a formação continuada e quais as semelhanças/diferenças do PROVE em relação aos demais processos de formação de professores. Resultados Fizemos nossa análise pensando a formação de professores numa perspectiva geográfica, o que nos levou a compreender, a partir do processo de pesquisa, que as políticas educacionais nacionais são produto, também, de um conjunto de influências globais e locais, que se revelam no avanço do pensamento neoliberal atrelado à educação. Afirmamos que existe uma lógica hegemônica de formação de professores baseada no predomínio da escala global como escala de produção de política educacionais; na negação da multiplicidade dos territórios onde as escolas estão inseridas e resumidas a um lugar de reprodução de interesses; e no reforço da alienação espacial docente, reflexo de uma educação pensada como um fenômeno a-espacial. O conjunto dessas características denominamos de geografia da formação de professores hegemônica, que é o que caracteriza, predominantemente, os rumos da educação no país na atualidade. No entanto, existe uma lógica contra-hegemônica que pode ser caracterizada por ações e projetos educacionais que negam essa geografia da formação hegemônica e trazem outra forma de pensar a formação docente, compreendendo a educação em sua complexidade constitutiva. Entendemos que essa lógica contra-hegemônica pode se materializar no PROVE, pois ele produz uma geografia da formação de professores baseada no lugar e em seus sujeitos. Essa lógica contra-hegemônica se aproxima diretamente de uma perspectiva freiriana na medida que, em ambos há uma valorização da geografia da formação de professores, ou seja, uma valorização do contexto geográfico como fator crucial na formação docente, seja através da escala do território, do lugar e/ou do cotidiano. Referências APPLE, M. Para além da lógica de mercado: compreendendo e opondo-se ao neoliberalismo. Rio de Janeiro: DP&A, 2005. APPLE, Michael W. Política cultural e educação. São Paulo: Cortez, 2000. BALL, S, J. Diretrizes políticas globais e relações políticas locais em CARLOS, Ana Fani Alessandri. O Lugar No/Do Mundo. FFLCH, 2007. Disponível em: <http:www.gesp.ffch.usp.br>. Acesso em 02/10/2019. FREIRE, P. A educação na cidade. São Paulo: Cortez, 2001. GARCIA, O. G. 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41 | 9884670 | A geografia da Saúde no Brasil: uma revisão das abordagens e dos eixos temáticos no período entre os anos 2000 e 2021 no catálogo de Teses e Dissertações da CAPES | INTRODUÇÃO A Geografia brasileira desempenhou importante papel científico e de base ao Estado nos últimos anos. As produções científicas na área da saúde vão desde contribuições teóricas, como aportes à estruturação do Sistema Único de Saúde (SUS), até a identificação, e espacialização, das doenças infecciosas no país. Essas produções, reduzidas nessa seção a partir da estruturação das teses e dissertações publicadas a partir do ano de 2000 no Brasil, abarcam desde relações essencialmente físicas, como a geomorfologia ou o clima, por exemplo, até as relações econômicas e sociais de um centro urbano. Levando em conta essa diversidade científica que a Geografia proporciona e proporcionou na área da saúde, o objetivo desse artigo é analisar os eixos temáticos e os temas dos trabalhos que se enquadram na Geografia da Saúde do Brasil. Utilizou-se como referência o termo �Geografia da Saúde�, inserido no catálogo de teses e dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) entre os anos 2000 e 2021. Desta forma realizou-se o estado da arte sobre a Geografia da Saúde no Brasil. O estado da arte oferece um rico panorama das abordagens em um período histórico determinado. Além de auxiliar o cientista a uma leitura direcionada do assunto, o estado da arte pode ser útil em uma análise quantitativa do que é produzido. Conforme destaca Romanowski e Ens (2006), os estados da arte não se restringem a identificar a produção, mas analisá-la, categorizá-la e a revelar os múltiplos enfoques e perspectivas. Nesse sentido algumas questões são postas a pensar a presente pesquisa, tais como: qual os temas abordados na Geografia da Saúde? quais as abordagens metodológicas? onde está localizado a produção na Geografia da Saúde no Brasil? METODOLOGIA A metodologia baseou-se no levantamento e na discussão de dados, além da análise dos eixos temáticos de cada artigo. O levantamento dos dados e das informações utilizadas foram adquiridos no catálogo de Teses e Dissertações da CAPES. O termo Utilizado para a pesquisa � Geografia da Saúde � foi escolhido em razão da sua amplitude, ou seja, há uma diversidade de trabalhos que se enquadram a partir dessa expressão. Nesse sentido foram encontrados trabalhos com vieses variados e em todas as regiões do Brasil. Para especificar a pesquisa no catálogo da CAPES, foi utilizado os filtros �Ciências Humanas� e �Geografia� na �grande área do conhecimento� e �Área do Conhecimento�, respectivamente. Com a utilização desses filtros encontrou-se, primeiramente, um total de 115 trabalhos. Desse total, 13 trabalhos apenas citaram de maneira superficial a Geografia da Saúde, sendo descartados da análise final. Dessa maneira utilizou-se 102 trabalhos, resultando em 30 teses e 72 dissertações. Após o levantamento dos dados, os trabalhos foram divididos a partir do eixo temático e pela abordagem de cada programa de pós-graduação. O resultado dessa análise organizou-se por meio de um fluxograma criado a partir da plataforma online Miro. Esse fluxograma enquadra os principais temas visualizados nos trabalhos que tem a Geografia da Saúde como fundamento. Por fim, todas as teses e dissertações foram especializadas através de um mapa temático. O mapa possibilita a visualização das concentrações das produções no Brasil. Ademais, fez-se um gráfico, no software Excel, das datas das publicações dos anos 2000 até 2021. Optou-se por esse recorte em razão da concentração dos trabalhos nesse período. DESENVOLVIMENTO E DISCUSSÃO Primeiramente, através de uma análise quantitativa dos dados levantados considerando o termo �Geografia da Saúde�, percebe-se o início das publicações nos anos 2000, através de uma Tese intitulada �Saúde pública e política urbana - Memória e imaginário social�. Após essa primeira publicação, percebe-se que o volume de produção no Brasil não foi homogêneo durante o recorte temporal da pesquisa, havendo momentos de rarefação e expansão. Essa heterogeneidade pode ser atribuída a políticas públicas voltadas a universalização do acesso ao nível superior, a fenômenos limitantes como a pandemia da Covid-19, ou aos investimentos voltados à pesquisa no Brasil, por exemplo. Não obstante, por mais que algumas abordagens são mais aprofundadas em determinadas pesquisas e em determinados programas de pós-graduação, a Geografia sempre busca compreender � grosso modo � a relação da sociedade com a natureza (SANTOS, 1996). Dessa maneira os eixos temáticos foram definidos considerando a identificação dos vieses de cada trabalho levando em consideração esse contexto. Verificou-se dois grandes eixos temáticos, um dentro da Analise Territorial e outro na Análise Ambiental. Além disso, os trabalhos da Geografia da Saúde voltado as doenças infecciosas representam cerca de 60% das publicações, com posicionamento e metodologias variadas. Dessa maneira as publicações desse gênero podem ser divididas em quatro (4) grupos, são eles: 1) Doenças respiratórias (Malária, Hantavirose e tuberculose); 2) Doenças oriundas da alimentação e contato com a água (Leptospirose e Doença de chagas); 3) Doenças contagiosas (Henseniase, Hiv, AIDs); 4) Doenças oriundas de insetos e carrapatos (Dengue, Leishmaniose, Zica Vírus). Os estudos dessas doenças atravessam a compreensão dos conhecimentos envolvendo o espaço urbano, o clima, geomorfologia, dentre outros. Mendonça, Araújo e Fogaça (2014) enfatizam que terminado a onda da hegemonia da corrente crítica, embasada na leitura bob uma corrente marxista no fim do século XX, a Geografia encontrou o caminho da diversidade, promovendo uma ampliação dos estudos geográficos. Para os referidos autores, essa diversidade na Geografia da Saúde proporcionou a exploração de campos teóricos pouco investidos até então, bem como ressaltam a riqueza e a complexidade da Geografia como um todo nas últimas décadas. Sobre a espacialização dos trabalhos, todas as regiões tiveram registro no catálogo da CAPES. A região Norte e a Nordeste tiveram os menores índices, seguido da região Centro-Oeste. O Sudeste e o Sul concentraram a maior parte do quantitativo levantado. Desse modo a distribuição da produção ocorreu de maneira descontinua no Brasil, concentrado principalmente dos estados de São Paulo e Paraná. CONCLUSÃO Esse artigo buscou compreender e analisar, por meio de um estado da arte, os eixos temáticos e os temas dos trabalhos que se enquadram na Geografia da Saúde do Brasil. Para isso, utilizou-se o catálogo de teses e dissertações da CAPES, utilizando o termo �Geografia da Saúde� entre os anos de 2000 e 2001. Dessa maneira conclui-se que a Geografia da Saúde é uma área que se beneficia de diversos campos da Geografia, como a geomorfologia, o clima e os estudos urbanos. Não obstante, grande parte dos temas específicos estão concentrados nos estudos das doenças infecciosas e as maiores produções, em termos quantitativos, estão concentradas nas Regiões Sul e Sudeste. REFERÊNCIAS MENDONÇA, F. ARAÚJO, W. M. FOGAÇA, T.K. A geografia da saúde no Brasil: Estado da arte e alguns desafios. Investig. Geogr. Chile, 48: 41-52 (2014). ROMANOWSKI, J. P. ENS, R. T. As pesquisas denominadas do tipo �estado da arte� em educação. Diálogo Educ., Curitiba, v. 6, n.19, p.37-50, set./dez. 2006. SANTOS, M. A natureza do espaço � Técnica e tempo. Razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996. | 05. Geografia da fome, alimentar e da saúde | Eduardo Schumann, Tiaraju, Pedro de Moura Alves | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 6124 | resources/download/restrict/eng2020/1661987166_ARQUIVO_13f66ad8a16243269a17f3ed162da6ed.pdf | ||||||||||||||||||
42 | 9441433 | A Geografia dos Portos no Brasil: Algumas Implicações | A geografia dos portos é o ramo da geografia que analisa os portos, tendo como elementos-chave os processos espaciais e territoriais que deles resultam. Os portos como objetos técnicos são estruturas de importância elevada para um país, já que os serviços portuários são as principais portas de entrada e saída do comércio exterior de cada nação. A dinâmica portuária e as mudanças nos métodos das operações portuárias sempre estiveram associadas à reorganização mundial dos espaços produtivos e ao surgimento de dinâmicas comerciais específicas. Acrescente-se a isso, o fato de desde meados de 1990 este subcampo da geografia tem ganhado notoriedade no mundo pela forma clara e coerente que revela a estrutura e logística dos portos no cenário (inter) nacional, seja pela localização, seja pelas conexões que se estabelecem. No caso do Brasil, a grande importância de seus portos está associada ao vasto litoral e à proximidade com os grandes mercados mundiais. O sistema portuário brasileiro encontra-se em estágio de desenvolvimento e expansão, mesmo apresentando barreiras para um desenvolvimento ainda mais expressivo. Tais entraves são constatados pelos gargalos que esse sistema enfrenta como acesso terrestre, necessária ampliação de sua infraestrutura e construção, ampliação e manutenção de suas áreas portuárias. Por conta desse conjunto de problemas, o Brasil fica em atraso quando comparado a países como Cingapura, Malásia, Hong Kong, China e outros países europeus. Outro destaque no estudo é o porto de Santana, onde o mesmo apresenta uma posição estratégica em relação a outros mercados e busca o maior desenvolvimento da região norte do país, mas precisamente o município de Santana. O principal objetivo desse trabalho é analisar o sistema portuário brasileiro, considerando sua importância para a economia mundial e sua distribuição e densidade técnica nas regiões do Brasil, com especial atenção para um destes portos: o porto de Santana. Este porto está localizado na Amazônia Oriental, no delta do rio Amazonas e por meio dele, mercadorias e pessoas saem e entram naquele espaço geográfico, ocasionando implicações espaciais e territoriais. O Porto de Santana é considerado atualmente um dos principais �portões� de desenvolvimento desta região , devido à sua localização estratégica para as rotas do comércio amazônico. Atualmente, grandes fluxos de mercadorias do Estado do Amapá passam por este terminal. Com a conclusão da rodovia Transguianense, a pavimentação da BR-156 e a construção da ponte sobre o rio Oiapoque � que interligará o Amapá à Guiana Francesa ao Caribe �, ocorrerá um contingenciamento de mercadorias nessa região, que tomará como rota de embarque o Porto de Santana, saída mais próxima para a Europa e a Ásia. A infraestrutura do porto está compreendida dentro do polígono cartográfico delimitado pelo Ministério dos Transportes. A Companhia Docas de Santana exerce a função de autoridade portuária, onde existem o porto público da Companhia Docas de Santana (CDSA) � antigas instalações portuárias da Companhia Docas do Pará (CDP) � e os terminais de uso privativo da Anglo Ferrous Brazil e da Texaco. O porto faz conectividades com diversos atores que influenciam em sua área de atuação, sendo que diversos terminais atuam dentro desse sistema portuário, assim como um conjunto de lojas, bancos e empresas que surgem próximo a esse conjunto portuário como mostra a imagem da área do porto organizado de Santana. Para as reflexões do artigo, utilizou-se uma metodologia quantitativa e quantitativa, com dados estatísticos das Superintendências Portuárias do Brasil, notadamente da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e seu cruzamento com literatura especializada e atualizada sobre a geografia dos portos, tanto no campo epistemológico como no campo de estudos de caso. Além disso, para avaliar o caso específico, ou seja, o porto de Santana, optou-se em termos metodológicos pelo trabalho de campo e entrevistas. O trabalho desenvolveu-se em torno das seguintes partes: inicialmente faz considerações acerca do sistema portuário brasileiro. Analisa a organização do sistema nacional, demostrando as implicações da regulamentação pela Lei 8.630/93 e pela Medida Provisória nº 595/12, a partir das quais se inclui mudanças na geografia dos portos do Brasil, principalmente no processo de reestruturação, gestão e operação. Em seguida, o artigo avalia um conjunto de diversos elementos que compõe o sistema portuário nacional e, por fim, enfatiza as implicações da geografia do porto de Santana neste século XXI. Os resultados mostram dados atualizados da movimentação de carga dos portos brasileiros, assim como a nova política do Governo Federal em inserir o sistema portuário desse país entre os mais importantes do cenário internacional. Conclui também que a importância estratégica do sistema portuário dentro do contexto internacional, como é o caso do porto de Santana. REFERÊNCIAS ANTAQ. (Agência Nacional de Transportes Aquaviários). Glossário Setor Portuário.Disponívelem:<http://www.previ.com.br/pls/portal/docs/page/previ_desenv/investimentos/governanca/gov_conselheiros/cont_conselheiros/glossario_portuario.doc> acesso em: 02 de agosto de 2013. ANUÁRIO, exame infraestrutura 2008-2009. Revista Exame, São Paulo, 2008. Acesso em: 16 agosto de 2012. CAMPOS NETO, C.A.S. et al. Portos brasileiros 2009a: ranking, área de influência, porte e o valor agregado médio dos produtos movimentados. Rio de Janeiro: IPEA, 2009a (Texto para discussão nº 1408). HARVEY, D. Condição pós-moderna. São Paulo: Loyola, 1989. LLAQUET, J. L. E. (2000) Los puertos españoles y surelación com lasciudades: Um análisis de sureciente evolución. Portus, Vicenza: G & Se, v.2, p. 6 -21. MALLAS, D. Os portos brasileiros na globalização: uma nova geografia portuária. 2009. Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Rio de Janeiro. Disponível em:<http://egal2009.easyplanners.info/area01/1209_Mallas_Danny.pdf>. Acesso em: 11set. 2012. MARCHETTI, D. 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43 | 3661415 | A geografia e a forma do mundo | Introdução: Atualmente tem-se constatado nos veículos de comunicação brasileiros o surgimento de um assunto bastante controverso aos termos da geografia, trata-se da �teoria da terra plana�. Embora bastante inusual para os tempos presentes, essa teoria tem se apresentado sobre diversos aspectos e vem ganhando adeptos, principalmente no Brasil culminando com a primeira conferência da terra plana realizada em novembro de 2019 em São Paulo. Tal fenômeno, que tem invadido as redes sociais e vem causando rebuliço nas salas de aula vai de encontro às premissas geográficas amplamente difundidas sobre a forma de nosso planeta, no entanto, o avanço dessa teoria compete o retorno aos tempos em que isso já fora discutido. Nesse sentido, assiste-se a uma regressão filosófica em pleno século XXI, remetendo ao pensamento geográfico a sombra da dúvida, ou seja, mesmo com todas evidencias de uma terra plana, existem pessoas que não aceitam essa teoria, e, mesmo com todas evidencias de uma terra globo, existem pessoas que também não aceitam tal teoria. Objetivos: Entender em que momento e motivo ocorre a fusão da geografia clássica ao heliocentrismo, evidenciando os autores principais e suas obras, em uma linha sucessória a partir de Bernhardus Varenious, bem como suas relações com os fundamentos de Nicolau Copérnico à construção da ciência moderna, que abarca o pensamento geográfico e o condiciona fora do orbe da experiência. Metodologia: A reflexão sobre o que é o mundo sempre fora uma das chaves mestras da geografia, porém a ascensão tecnológica fez com que a mesma ficasse de fora das evidenciações sobre o assunto, que foram assumidas pela física e a astronomia, por exemplo. De modo geral, a geografia passa a enxergar o mundo não mais com seus olhos ou seu empirismo, mas com os olhos e olhares de outras ciências. Assim, o que se encontra em estado de análise é o pensamento geográfico e as suas premissas fundamentais, uma vez que tal constructo moderno de uma terra plana remete-o, e por isso faz-se a reflexão sobre tal condição atual. Resultados: A geografia situa o planeta no modelo heliocêntrico, porém, não foi sempre assim. A geografia de Humboldt em sua obra Cosmos é marcada por uma série de entendimentos que foram subtraídos da geografia com a ascensão das ideias de Nicolau Copérnico e seus sucessores, evidenciando a ruptura entre o estudo da cosmografia e o engessamento da geografia ao modelo científico moderno. Ao tratar-se da geografia e suas aplicações no tocante a forma do mundo, observa-se que seu trajeto medieval não apresenta discussões mais acirradas sobre o assunto, os séculos antecedentes ao renascentismo foram contemplados, geograficamente, por um acervo descritivo, porém com poucas contestações ou formulações teóricas sobre o tema em questão. A idade média foi moldada firmemente em um imaginário geográfico para além do empirismo, fato esse constatado por diversos peregrinos da época que trouxeram em seus relatos medidas, quantificações e formas moldando um apanhado de relatos e cosmologias que fazem dessa fase a �idade das trevas� também para a geografia. Em um estudo apurado sobre a geografia na idade média Kimble (2005, p.51) destaca que a geografia do século IV é essencialmente a geografia do século VIII e é de fato muito pouco diferente daquela do século XV, pois Colombo (como Alexandre Von Humboldt primeiramente observou) tirou muitas de suas ideias de Pierre D�Ally, que bebeu-as amplamente de Roger Bacon o qual, por sua vez, foi fortemente influenciado pelos primeiros padres. Entende-se que geografia então se estabelecia com uma característica descritiva sobre os lugares remotos, fato que pavimentava o imaginário e que a manteve assim até meados do século XVI, quando que com a necessidade das grandes navegações inicia-se um fluxo de transição para as novas formulações geográficas postuladoras bastante incipientes da situação atual do pensamento geográfico. Em tempos de revolução cientifica, a geografia não ficara fugidia a esse momento, �do período de tempo que vai mais ou menos da data da publicação do De Revolutionimbus de Nicolau Copérnico, isto é de 1543, à obra de Isaac Newton, Philosophiae naturalis principia mathematica, que foi publicada pela primeira vez em 1687� (REALE, ANTISERI 2007, p.196). Uma mudança na imagem do mundo fora suscitada em meio a esse período �a revolução astronomica�, que teve seus representantes mais prestigiosos em Copérnico, Tycho Brahe, Kepler e Galileu e que confluiria para a �física clássica� de Newton.� (REALE, ANTISERI 2007, p.197), permitiu ao pensamento geográfico uma dimensão global. Uma das expressas contribuições para essa transição deu-se por Bernhardus Varenius, sua obra é expressão da indução de um modelo matemático ao pensamento geográfico, �Varenius compartilhou daquilo que koyré (2001) considerou como característica central da ciência moderna, que é a unificação do universo mediante leis válidas igualmente em todos os lugares e mediante as regras da geometria� (BAUAB, 2011, p.219). Antecessor de Humboldt, ocupava-se de um raciocínio matemático para a explicação dos fenômenos da natureza observáveis na Terra, �O raciocínio matemático aparece em Varenius, como elemento que antecede e que deve fundamentar a experiência, fornecendo um fio seguro por onde pode trafegar tranquilamente o pensamento� (BAUAB, 2011, p.215). Essa característica não se difere muito dos postulados da época que necessitavam de teorias e formulações para sustentar o universo que se abrira com essas revoluções, �no curso desse processo, à medida que assume consistência a nova forma de saber que é a ciência moderna, a outra forma de saber � isto é, a magia � passa a ser combatida como forma de pseudociência e de saber espúrio.� (REALE, ANTISERI 2007, p.198) Referências: BAUAB, F. A geografia geral (1650) de Bernhardus Varenius: a modernidade da obra. Revista RA´E GA 23 O espaço geográfico em análise, Curitiba, v.23, p. 191 � 220, 2011 BRITO, A. de Jesus and SCHUBRING, G. Varenius e o conhecimento matemático do século XVII. Revista Ciência & Educação, Bauru, v. 15, n. 1, p. 139-153, 2009. BRITO, T. Humboldt entre a filosofia da natureza e a ciência moderna. Revista Soc. & Nat, Uberlândia, v. 27, n2, 2015. CHIBENI, S. S. Aspectos da descrição fisica da realidade. 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44 | 3851966 | A Geografia e a Formação de Docentes na Educação do Campo por meio do Pronera e do Procampo | O objetivo deste artigo é o de analisar duas experiências de formação de educadores por meio de políticas públicas emancipatórias, uma pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA) e outro pelo Programa de Apoio à Formação Superior em Licenciatura em Educação do Campo (PROCAMPO). É de fundamental importância que as universidades possam formar educadores-professores preparados para compreender a realidade do campo. Temos a necessidade urgente de pensar os direitos dos sujeitos concretos com suas especificidades: classe, culturais, identitárias, territoriais, gênero, étnicas ou raciais. Isto significa pensar em políticas focadas nessas especificidades. O caso da formação de professores-educadores das escolas do campo é uma formação específica que se faz necessária para garantia dos direitos nas especificidades territoriais de seus povos. A história da Educação do Campo está diretamente relacionada com a conquista de políticas públicas. A primeira grande conquista da Educação do Campo foi o PRONERA. O Programa nasceu em 1998 da luta das representações dos movimentos sociais e sindicais do campo. Sob influência teórica-política-ideológica do PRONERA se origina o Programa de Apoio à Formação Superior em Licenciatura em Educação do Campo (Procampo). O Curso Especial de Graduação em Geografia é um curso construído junto com os militantes dos movimentos socioterritoriais camponeses, estabelecendo-se uma relação entre a Universidade, os Movimentos Sociais e o Estado por meio do PRONERA. Neste curso se formaram 46 camponeses-assentados licenciados e bacharéis em geografia. No Curso de Licenciatura em Educação do Campo (LEDUC) na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), o grau acadêmico conferido é de Licenciado em Educação do Campo com Habilitação em Ciências da Natureza ou Licenciado em Educação do Campo com Habilitação em Ciências Humanas. Para a construção desse artigo utilizamos como instrumento metodológico a revisão bibliográfica em diálogo com a análise do documento �Manual de Operações do PRONERA� de 2011, do Projeto Político-Pedagógico (PPP) do Curso Especial de Graduação em Geografia (CEGeo) da UNESP e o Projeto Pedagógico Curricular (PPC) do Curso de Licenciatura em Educação do Campo (LEDUC) da UFGD, a observação participante e as entrevistas com educandos e professores dos cursos. Partimos do princípio de que um dos objetivos do curso é o de compreender as diferentes formas de reprodução dos sujeitos do campo e a multidimensionalidade de seus territórios (política, econômica, cultural, ambiental), seus diálogos e conflitualidades, para, a partir dessa reflexão, pensar os projetos político-pedagógicos, os conteúdos programáticos e as metodologias de ensino-aprendizagem nas escolas do campo. As experiências de Educação do Campo que estão sendo desenvolvidas a partir do PRONERA e PROCAMPO permitem que visualizemos o protagonismo da sociedade civil organizada, por meio dos movimentos socioterritoriais camponeses, na elaboração de uma política pública que está construindo uma nova visão sobre o Estado, o Campo/Campesinato, a Educação, a Universidade e a Democracia. Possibilitam a formação de um intelectual orgânico com instrumentos suficientes para contribuir para o desenvolvimento socioterritorial junto a sua comunidade por meio da elaboração de políticas públicas, no planejamento socioterritorial do assentamento, na prática docente em sala de aula, na militância dos movimentos socioterritoriais. Referências ANDRADE, Márcia Regina; DI PIERRO, Maria Clara. A construção de uma política de educação na reforma agrária. In: ANDRADE, Marcia Regina; PIERRÔ, Maria Clara Di; MOLINA, Mônica Castagna; JESUS, Sonia Meire Santos Azevedo de et al (Orgs.). A educação na Reforma Agrária em perspectiva. São Paulo: Ação Educativa; Brasília: PRONERA, 2004a. p. 19-54. ANUNES-ROCHA, Maria Isabel; MARTINS, Maria de Fátima Almeida. Tempo Escola e Tempo Comunidade: territórios educativos na Educação do Campo. In: ANUNES-ROCHA, Maria Isabel; MARTINS, Maria de Fátima Almeida; MARTINS, Aracy Alves (Orgs.). Territórios Educativos na Educação do Campo: escola, comunidade e movimentos sociais. Belo Horizonte: Autêntica, 2012. p. 21-36. (Caminhos da Educação do Campo, 05). ARROYO, Miguel G.; CALDART, Roseli S.; MOLINA, Mônica C. Apresentação. In: ______ (org.). Por uma educação do campo. Petrópolis: Vozes, 2004. p. 7-18. ARROYO, Miguel Gonzalez. Políticas de formação de educadores (as) do campo. Cad. Cedes, Campinas, vol. 27, n. 72, p. 157-176, mai./ago. 2007. Disponível em: <http://www.cedes.unicamp.br>. Acesso em: 09 jul. 2012. BATISTA, Maria do Socorro Xavier. Movimentos sociais e educação popular do campo (Re) constituindo Território e a Identidade Camponesa. In: JEZINE, Edineide; ALMEIDA, Maria de Lourdes Pinto de. (Orgs.). Educação e movimentos sociais: novos olhares. Campinas: Alínea, 2007. p. 169-190. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA. Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária � INCRA. Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA). 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Presidente Prudente, 2005. (não publicado). | 04. Ensino de Geografia e Educação | Rodrigo Simão Camacho | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 1665 | resources/download/restrict/eng2020/1661980305_ARQUIVO_2c1f4777b3e4acad855f595410014ef3.pdf | ||||||||||||||||||
45 | 5147751 | A Geografia Moral de David Harvey | Introdução Para iniciar, deve-se ter uma noção do que vem a ser Geografia Moral e Ética. Primeiro interroga-se sobre o significado e conteúdo destas palavras, outro modo é reconhecer a moral desenvolvida através das obras dos geógrafos ao longo da história. Em alguns casos, ética e moral são vistas como sinônimas, se tratando de um mesmo objeto (ética e moral no geral). Smith utiliza-se da distinção entre meta-ética, ética descritiva e ética normativa. Enquanto a ética pode ser representada como uma teoria moral, a moral são os costumes e hábitos (a ação) (SMITH, 1997). Desse modo, ética passa a ser o estudo sistematizado de uma determinada moral, esta última entendida como conjunto de regras, princípios e valores que servem de base para a conduta humana em sociedade. De acordo com Henrique Claúdio de Lima Vaz, a ética � com a filosofia moderna � trata da prática social, enquanto a moral da prática individual. A moral tem conteúdo mais subjetivo, enquanto a ética reflete sobre a realidade social dos costumes (LIMA VAZ, 1999). Credita-se que existe uma geografia moral desde o início de um fazer geográfico, mesmo em uma geografia pré-científica, passando pela geografia moderna etc. Vários são os autores que levaram sua moral para sua própria obra, seja através da ideia de ciência, da ideia de progresso ou de outros valores impregnados na maneira de ser e de viver. Um exemplo marcante para a ciência geográfica é o do alemão Friedrich Ratzel e sua geopolítica expansionista, interligando a ideia de progresso à expansão territorial do Estado. Segundo Ratzel, �um Pueblo retrocede mientras perde terreno� (RATZEL, apud MENDONÇA; JIMÉNEZ; CANTERO, 1988, p. 194), haja vista seus conceitos de civilização superior e/ou estágio de barbárie. A ideia de uma Geografia Moral e Ética envolve a fricção entre bem e mal, o certo e errado, vícios e virtudes, justo e injusto, contudo, é uma discussão que incorpora não apenas o que é a realidade, mas como deveria ser, e esse foi o desafio de Marx, continuado por Harvey: criar uma nova moral, liberada da alienação moral que vive a sociedade dominada pela racionalidade capitalista. A ideia de uma moral e ética geográfica é bem mais antiga do que a Geografia Moral e Ética. Quanto a primeira, entende-se que de certo modo permeia no fazer geográfico uma dada moral e ética, pois ela é histórica e revela valores do seu contexto socioespacial, já a segunda é uma tentativa explícita e mais organizada para estudar certos temas, antes poucos tratados. Objetivos O que este trabalho quer tratar é sobre a geografia moral de David Harvey e isso envolve demonstrar qual comportamento é aceitável e qual deve ser evitado segundo o autor. Assim, torna-se útil para o leitor e para este trabalho identificar � através do problema da justiça e da injustiça � o conteúdo moral em torno das questões levantadas pelo autor em diversas obras. A justiça como recorte conceitual é consequência da atenção já realizada entre geógrafos radicais e também por ser um conceito que expressa o diálogo sobre valor, parcialidade e �imparcialidade� nas avalições. Este artigo estrutura-se em três partes, além desta introdução e das considerações finais. Na primeira, apontar-se-á a principal ideia de justiça dentro da perspectiva liberal e seu processo de transição para formulações socialistas. Na segunda, revelam-se as observações sobre as injustiças provocadas no processo de urbanização promovida no seio do capitalismo. A terceira aponta para a ideia do direito à cidade e as soluções para a revolução urbana, culminando com o quadro interpretativo e propositivo das ideias do autor. Metodologia Pesquisa bibliográfica na vasta obra do geógrafo David Harvey (1980, 1998, 2005, 2006, 2011, 2013, 2013a, 2014, 2016, 2018, 2018ª, 2018b). Resultados A geografia moral e ética tem um percurso de certo modo recente, no entanto, inúmeras interfaces estão se abrindo para uma nova agenda de pesquisa. Ao fazer o resgate das contribuições de David Harvey e mostrar seu escopo na crítica a determinados comportamentos, evidenciou-se uma forma de interpretar a obra do autor sob o desenho de uma geografia moral e ética. David Harvey, em sua contribuição, é claro ao criticar comportamentos como ganância, indiferença, excesso consumista, cultura hedonista, individualismo, colonização do homem pelo próprio homem. Por outro lado, valoriza a justa indignação, o uso da dialética, a ajuda mútua, a predominância do bem comum, a tenacidade e a esperança, virtudes valiosas para superar problemas como: o interminável crescimento composto do capital, a percepção de uma essência humana imutável, a compreensão do valor do ser humano equiparado com renda superior, a concepção de que o crescimento é uma condição para reduzir a desigualdade e a visão do êxito econômico como sinônimo de conhecimento superior. Nesta postura, há uma nítida rejeição de um capitalismo ético e postula o surgimento de uma nova moral advinda dos destituídos e dos despossuídos. Teceu-se assim um fio condutor para pensar uma geografia moral de David Harvey, capaz de reconhecer virtudes e vícios, apontar soluções e promover rupturas. Aqui, argumentou-se em defesa da justiça como um valor, com conteúdo moral e ético, que por sua vez é indissociável do contexto espaço-temporal. Será interessante desenvolver em outros textos o conteúdo explicativo e o raciocínio prático que o autor adota ao usar determinados valores, tais como: liberdade, igualitarismo radical, humanismo revolucionário, autonomia; ou até mesmo o árduo debate entre valores universais e o relativismo cultural. É certo que o leitor poderá nos culpar por algumas ausências, mas é sabido que o processo poderá continuar com as demais contribuições. Portanto, buscou-se encorajar pesquisadores para uma ênfase interpretativa e aquecer o reconhecimento da importância do debate moral em nossa disciplina. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS HARVEY, David. A Justiça Social e a Cidade. Tradução de Armando Corrêa da Silva. São Paulo: HUCITEC, 1980. ______. Os limites do capital. Tradução: Magda Lopes, 1ª ed. São Paulo., Boitempo, 2013. ______. Justicia, naturaliza y la geografia de la diferencia. Traducción: Jose María Amoroto. Traficantes de sueños, 2018. ______. A produção capitalista do espaço. 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Geousp � Espaço e Tempo (Online), v. 22, n. 1, p. 257-264, mês 2018b. ISSN 2179-0892. Disponível em: <<http://www.revistas.usp.br/geousp/article/ view/145931> Acesso em: 23 ago. 2019 MARX, K. Crítica ao programa de Gotha. Tradução: Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2012. MARX, K. O capital: crítica da economia política, v. 1. Tradução Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2013. | 03. Pensamento Geográfico | David Melo Van Den Brule | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5604 | resources/download/restrict/eng2020/1660327689_ARQUIVO_b14f7ef6ea0601760c3ffbcf2d113af2.pdf | ||||||||||||||||||
46 | 5947111 | A Geografia Pernambucana por Gilberto de Osório análise da tese : Um Complexo Atropogeográfico Lineamentos para uma geografia total da Amazônia | O presente trabalho é produto de reflexões sobre em quais particularidades do Movimento Regionalista de 1926, o Geomorfólogo pernambucano Gilberto de Osório se encontra e desenvolve seu pensamento geográfico. Para o desenvolvimento do trabalho foi feita a análise da Tese de Gilberto de Osório �Um Complexo Antropogeográfico - Lineamento para uma Geografia Total da Amazónia� especificando o capitulo IV �O efetivo humano� entre outras produções do autor, o tempo histórico em que ocorrer o Movimento Regionalista para a visualização das transformações geográficas e foram coletadas entrevistas de especialista na aréa e pessoas que vivenciaram a época em questão. O pensamento geográfico Pernambucano detém uma história própria com possíveis particularidades históricas e epistemológicas que precisam ser investigadas. Diferente da Geografia construída no Brasil de forma clássica, sob influência francesa, em Pernambuco o ideário geográfico se construiu como produto da horizontalidade entre modernismo e regionalismo, no caso, pelo confronto de dois movimentos reflexivos: a Semana de Arte Moderna e o Movimento Regionalista. A Semana de Arte Moderna foi uma manifestação artística ocorrida no ano de 1922 que influenciou a formação intelectual brasileira. Foi promovida pela elite de São Paulo, onde a cidade se encontrava em período de reestruturação com advento dos processos de industrialização e do aumento dos fluxos migratórios. O evento foi marcante no desenvolvimento da primeira fase do Modernismo no Brasil, afirmando a influência francesa no cenário intelectual e artístico, o que foi primordial para a vinda dos primeiros pensadores franceses para fundar a universidade em 1934 e, no mesmo movimento, a Geografia no Brasil. O Movimento Regionalista, por sua vez, ocorreu em 1926 em Recife como uma resposta da Semana de Arte Moderna, como exercício da conjunção entre tradicionalismo, modernismo e identidade regional. Foi promovido pelo Grupo Regionalista de Recife, liderado por Gilberto Freyre, e ocorreu de forma a exaltar as identidades regionais brasileiras, e nordestina, a partir de suas riquezas culturais e de sua diversidade histórica e paisagista. Neste contexto, podemos perguntar: este ideário geográfico múltiplo, com cargas tradicionais e modernista exerceu alguma influência sobre as primeiras gerações de geógrafos de Recife-Pernambuco? Observa-se resquícios dessa multiplicidade nos escritos de autores protagonistas da Geografia de Pernambuco? Das primeiras gerações de geógrafos de Pernambuco destacam-se figuras como Gilberto de Osório, Mario Lacerda de Melo, Manoel Correa de Andrade. Destes Gilberto de Osório foi um dos que tiveram uma carreira múltipla em termos de atuação profissional, sendo, ao mesmo tempo, um grande geomorfólogo e um atuante político municipal. Um dos principais trabalho do autor é o estudo �Um Complexo Antropogeográfico - Lineamento para uma Geografia Total da Amazônia�, em 1939, para concorrer a uma cadeira de Geografia no Ginásio Pernambucano. Neste contexto, será que neste trabalho do autor, tão atento ao contexto político e intelectual da década de 30 e 40, conseguimos observar a convergência destas duas perspectivas, modernistas (de influência francesa e civilizatória) e regionalista (identitária de cada cultura regional)? Para investigar isso é necessário uma análise do contexto e da obra do autor, atentando para os temas, abordagens, teorias e práticas utilizadas no estudo. O estudo �Um Complexo Antropogeográfico� é representativo de um esforço em compreender o espaço analisando a interação homem com a natureza em sua totalidade. Inicialmente o autor estuda a paisagem natural e a fitobiogeografia presente na floresta equatorial úmida Amazônia, bem como os motivos que ocasionam as dispersões dos animais a partir de áreas que favorecem a perpetuação da espécie. Destacou os animais mais comuns que ocupam a parte terrestre e aquática e seus comportamentos específicos, explanando as localizações de cada sub-distrito da Hileia, a paisagem, a fauna e as regiões: zoogeográficas e as neotrópicas. No capítulo �O efetivo humano� retrata a área pelo estudo estatístico produzido por Oliveira Viana (populacional, biológico, político e econômico), que problematiza as causas que condicionam o aumento da ocupação da região. Notifica as características étnicas de cada recorte populacional: o índio � em sua totalidade cultural; o branco � como o aventureiro em busca de riquezas naturais e econômicas; o caboclo � que representa a estabilização social de uma cultura que passou por crises. Expõe-se a geografia do trabalho da região como uma linha cronológica desenvolvimentista desde a chegada do trabalho manufatureiro. O autor retorna ao século XVI para apontar as estruturas econômicas portuguesas e a contínua escravização dos africanos. Descreve a dinâmica populacional especificando os novos modos culturais surgidos da interação entre os costumes ocidentais e as práticas locais, bem como isso se refletia nas taxas de natalidade e na formação territorial, este último como um dos fatores primordiais na condensação demográfica. Coloca a imigração como um dos principais mecanismos responsáveis pelo desenvolvimento social e econômico da Amazônia. Podemos observar neste estudo da Amazônia de Gilberto de Osório uma possível presença da multiplicidade de abordagens que havia sido sugerida, por um lado, com elementos da abordagem ocidentais francesas e alemãs, e por outro, com tratamento tipicamente regionalistas nos moldes do Movimento Regionalista. Para o Movimento Regionalista cada cultura regional deveria ser entendida em seu próprio âmbito de manifestação não existindo cultura mais desenvolvida que a outra. Em contrapartida, as perspectivas francesas e alemãs, ainda que destacassem as especificidades regionais da relação homem e meio, detinham uma leitura de cunho civilizatória e eugênica, com o desenvolvimento das áreas estando ligada a necessidade da presença ocidental. Gilberto Osório parece inicialmente assumir uma perspectiva francesa ao incluir a migração na região amazônica como primordial para o �desenvolvimento local� amazônico (no sentido civilizatório). Contudo, também assume, por outro lado, um viés identitário regional-cultural ao destacar as culturas das diferentes áreas de uma forma orgânica, tratando o ocidental como um externo em busca de riqueza por meio da ocupação, consumo das floretas e economia destrutiva. Sendo assim, o estudo de Gilberto de Osório parece bem representar a complexidade intelectual da década de 30 e 40 em Pernambuco, uma mistura de inovação e tradicionalismo. Pode ser visto como uma convergência de influências europeias, pelas novas elites artísticas, políticas e industriais, e de influências intelectuais locais pernambucanas, pelo resgate das tradições pela legitimidade e irredutibilidade das características próprias dos locais (cultura, costumes, práticas etc). Tal cruzamento parece estar presente nos estudos dos geógrafos pernambucanos do período da década de 30 e 40, neste caso, pelo estudo regional da Amazônia. Isso caracteriza a Geografia Pernambucana como detendo especificidades próprias em suas reflexões precursoras, e merece melhor ser investigada a partir de outros trabalhos e autores. Bibliografia ANDRADE, G. O. Um Complexo Antropogeográfico - Lineamento para um Geografia Total da Amazônia. Tese Concurso Colégio Pernambucano, 1940. Professionnalisation et institucionnalisation de la géographie.Organon 14 , 1980. P149-56 FREYRE, F. de M. O movimento Regionalista e Tradicionalista e a Seu Modo Também Modernista - Algumas Considerações. Ci. & Tróp., Recife, v. 5, n. , p. 175-188, 1977. GOMES, P. C. da C. O conceito de região e sua discussão. In: CASTRO,I.E. et al.Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995. LENCIONI, S. Região e geografia. São Paulo: Edusp, 1999. ROCHA, TADEU. A Geografia Moderna em Pernambuco.Boletim Paulista de Geografia -N,.° 47, 1954. MOREYRA. R,O Pensamento Geográfico Brasileiro, São Paulo, 2009 CLAVAL, P. Geografia Cultural. Florianópolis, 1999 MORIN, E.O método as ideias Habitat: vida, costumes, organização. Porto Alegre: Sulina, 2008 | 03. Pensamento Geográfico | Milka Lopes Beserra, Marina Loureiro Medeiros | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 614 | resources/download/restrict/eng2020/1661995510_ARQUIVO_070b4f481ec880c940b74d49db000de1.pdf | ||||||||||||||||||
47 | 2855798 | A Geopolítica do Esporte durante o conflito russo-ucraniano: uma aproximação ao debate | O fim da Segunda Grande Guerra (1939 � 1945) levou o mundo a uma ordem estruturada na bipolaridade, um polo capitalista liderado pelo EUA (Estados Unidos da América) e o outro socialista encabeçado pela União Soviética, que até 1990 eram opostos. Com o fim da União Soviética, seu território foi desmembrado em quinze novos territórios e a ordem bipolar deixou de existir, deixando um vácuo de poder, que desde então vem sendo ocupado por outros atores, com a China e a Rússia. Os impactos e os reflexos do processo de transferência de poder, deixado pela União Soviética, ainda não são palpáveis por completo, mas pudemos observar alguns acontecimentos atuais, que foram originários durante o período bipolar, como a Guerra do Afeganistão (2003 � 2020), a Invasão do Iraque (2003), os Ataques do 11 de setembro e o mais recente, o conflito entre Rússia e Ucrânia, esta que simbolizada pelo Ocidente, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e principalmente pelos EUA. O conflito entre Rússia e a Ucrânia, como país soberano, se dá desde a criação do país, porém gostaríamos de destacar A Guerra Russo-Ucraniana, iniciada em 2014 e inflamada em 2022. As consequências dos conflitos reverberam nas populações nos aspectos econômicos, políticos e sociais, tais aspectos podem ser identificados nas diversas esferas sociedade moderna, como no esporte, este que pode ser abordado como um elemento social, econômico, entretenimento, um esporte, uma pratica lúdica e outras várias, mas também é entendido como um elemento de poder. A prática de uso do esporte como elemento de propagação de poder vem sendo adotada durante todo o século XX, principalmente durante o período bipolar, e intensificada durante o atual momento, assim entendemos o esporte como instrumento de guerra e também parte das Relações Internacionais, sendo o esporte utilizado como continuação da guerra por outros meios. Os esportes são elementos culturais, que geralmente são controlados por ONGI�s (Organizações Não Governamentais Internacionais) esportivas, como a FIFA (Federação Internacional de Futebol e Associados) COI (Comitê Olímpico Internacional), atuam integrados ao sistema Estado-Nação, agem como instituições multilaterais, possuem mais renda anual e membros que a ONU (Organização das Nações Unidas) e adotam princípios pacifistas e de não violência. OBJETIVO: O objetivo da pesquisa é fazer uma análise Da Guerra Russo-Ucraniana, entender a maneira que o esporte é utilizado como instrumento de poder e compilar o posicionamento e as medidas aderidas pelas ONGI�s durante o conflito. A metodologia baseou-se na revisão bibliográfica de obras de diferentes áreas do conhecimento, que abordaram a temática do esporte, entre elas, a Geografia, as Relações Internacionais, Educação Física, História, Sociologia, entre outros. Além disso, foram realizadas coleta de dados e informações em fontes jornalísticas e organizações internacionais, como a FIFA (Federação Internacional de Futebol e Associados), COI (Comitê Olímpico Internacional), OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), ONU (Organização das Nações Unidas), dentre outras organizações político-internacionais. RESULTADOS: Os EUA, junto da OTAN e da União Europeia evitam confronto direto com os russos, assim oferecem suporte com armamentos, e demais equipamentos bélicos, além de sanções econômicas, como a exclusão do sistema de transações interbancárias Swift, em uma tentativa de combate ao hard power russo, todavia deslegitimar as ações russas é essencial para obter o apoio da opinião pública internacional, pelo menos no Ocidente, para isso o soft power vem também sendo utilizado, quando um boicote generalizado acontece em larga escala. Diversas instituições culturais, celebridades, se posicionaram e sobre o conflito, a FIFA expulsou a Rússia da Copa do Mundo em todas as categorias e modalidades, ou seja, no masculino ou feminino em qualquer idade, o COI expulsou a Rússia e Belarus dos Jogos Paraolímpicos de Inverno (2022), a Formula 1 desistiu a do Grande Prêmio de Sochi em 2022 e a Equipe Haas substituiu o antigo piloto e o patrocinador Uralkali, ambos russos, além de clubes de futebol, ligas esportivas e outros atores esportivos adotaram o boicote, que aparentemente é maior que o imposto à África do Sul, durante o período que adotava a política do apartheid. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Em suma, o conflito russo ucraniano tem se mostrado amplo, com diversas frentes de batalha além dos militares de comando, assim como em momentos anteriores o esporte tem sido como instrumento de propagação de poder, inclusive fazendo parte das relações internacionais por agentes estatais e agentes não estatais. Referências Bibliográficas ARMITAGE, R. L.; NYE JR, J. S. A smarter, more secure America. CSIS Commission on Smart Power. Washington: Center for Strategic and International Studies, 2007. BONIFACE, P. Football et mondialisation. Paris: Armand Colin, 2010. CASELLA, P. B. (2010). BRIC - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul: uma perspectiva. Revista Da Faculdade De Direito, Universidade De São Paulo, 105, 435-472. Recuperado de http://www.revistas.usp.br/rfdusp/article/view/67909 JESUS, G. M. Geografia dos Esportes, Uma Introdução. Revista Eletrônica de Geografia e Ciências Sociais, n. 35, Barcelona 1999. SILVA, E. S. P. A Geopolítica dos esportes e o papel dos Brics na organização de megaevento. 2019. 106f.Trabalho de Conclusão de Curso; (Graduação em Geografia) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Presidente Prudente, 2019. NYE, Jr. J. S. Soft Power: the Means to Success in World Politics. Public Affairs: New York, 2004. | 07. Geografia política e geopolítica | Elvis Silva | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5452 | resources/download/restrict/eng2020/1661999694_ARQUIVO_111e769fe4f523d4f5aaa4106271783e.pdf | ||||||||||||||||||
48 | 8412987 | A Herança Escravagista e Latifundiária no Mundo do Trabalho Brasileiro | O Brasil foi a colônia que mais recebeu escravos no planeta e, também, foi o último país a abolir a escravidão. O Brasil tem na identidade entre latifúndio e escravidão, as bases que garantiram a unidade territorial após a independência em 1822, bem como expressa a sua funcionalidade histórica na Divisão Territorial do Trabalho. A Lei de Terras de 1850, veio para consolidar o projeto latifundiário e excludente, pois visou regulamentar o acesso à terra, pela sua transformação em mercadoria, e angariar recursos para financiamento da imigração estrangeira (como alternativa ao déficit de força de trabalho diante do fim do tráfico de escravos). Como destaca Carvalho (2019) enquanto a Lei Eusébio de Queiroz de 1850 proclamava o fim do tráfico no Atlântico, a Lei de Terras, no mesmo ano, privatiza as terras com a finalidade de manter intacto o latifúndio e o poder da classe oligárquica. Estava posta a dificuldade de acesso à terra de famílias pobres, camponeses, arrendatários, meeiros, escravos ou mesmo alforriados, da possibilidade de sobrevivência direta pela terra. Esse projeto político reproduziria a marginalização da população, especialmente negra, que passaria paulatinamente a ocupar os espaços periféricos dos centros urbanos, assim que as etapas do fim da escravidão �fossem cumpridas�, em 1889. Mesmo com a sanção da abolição, via Lei Áurea em 1888, a escravidão �foi recriada� e determinou profundas marcas nas condições sociais e econômicas no mundo do trabalho atual no país, no campo e na cidade: prevalência do trabalho precário, do desemprego, da pobreza, da informalidade além da persistência e crescimento de formas de trabalho análogas à escravidão, com forte determinação de cor/raça. Nessa perspectiva, a pesquisa teve como objetivo geral analisar as determinações históricas da herança da escravidão e do latifúndio nas condições de funcionamento do mundo do trabalho brasileiro, especialmente no quadro da reestruturação produtiva do capital das últimas décadas; como objetivos específicos: 1 - Destacar a natureza colonial-escravista-latifundiária na nossa formação capitalista; 2 - Apresentar os desdobramentos da herança escravista na constituição de um mercado de trabalho marcado pela superexploração e precariedade; 3 - Discorrer sobre as condições do mundo do trabalho no século XXI destacando o crescimento das formas de trabalho análogas à escravidão. A opção de método da pesquisa ancora-se no materialismo histórico-dialético que permite a leitura do real para além das aparências, revelando a essência e as contradições engendradas pelo modo de produção capitalista na formação econômica e social brasileira. A metodologia pautou-se no levantamento de fontes a partir de livros, artigos e teses concernentes a temática, sobretudo em autores como: Moraes (2008); Martins (2010); Carvalho (2019); Oliveira (1993); Chalhoub (2021); Spósito (2002); Teles (2007), dentre outros, como também do aceso às fontes de dados nos sites da Organização Internacional do Trabalho (2021); Comissão Pastoral da Terra (2021), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2021) e do Ministério do Trabalho e Emprego (2021), etc. No século XXI importantes cadeias produtivas e econômicas no Brasil fazem uso das formas de trabalho análogas à escravidão, em condições que agridem a dignidade humana, uma vez que exercem o poder de propriedade de uma pessoa sobre outra. Conforme o Artigo 149 do Código Penal brasileiro, enquadram-se nessa modalidade nos espaços urbanos ou rurais: as jornadas extenuantes superiores a 10 horas diárias, o exercício de trabalho forçado que limita o direito de ir e vir, o trabalho degradante e precário que sujeita pessoas e compromete a segurança e a saúde e a servidão por dívida. No quadro civilizatório da subjugação do trabalho pelo capital em suas diferentes fases históricas, as formas de exploração do trabalho forçado associam-se ao regime de acumulação, e por mais que sejam combatidas legalmente, jamais podem ser eliminadas do sociometabolismo da barbárie vigente. Trabalhadores e trabalhadoras negras ocupam historicamente os subempregos bem como os trabalhos análogos à escravidão, uma vez que tanto a base trabalhista e fiscalizatória nacional são ineficientes e limitadas no que se referem às garantias direitos. Dados da Organização Internacional do Trabalho (2021), de 1995 até 2018, indicam que o Brasil tinha recuperado mais de 55 mil trabalhadores em condições análogas à escravidão, números que pioram a partir da classificação étnica, os negros assumem a maioria absoluta. Em grande medida, os locais de trabalho desses sujeitos se confundem com as áreas de expansão do agronegócio, com destaque para a pecuária e o monocultivo, como soja e cana-de-açúcar, de acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (2021). Também não fica de fora dessa realidade social o espaço urbano, pois mesmo que de forma menos significativa, fontes mostram que a construção civil e confecção têxtil nos grandes centros urbanos se usam dessa prática para produzir suas riquezas, o interessante nesse caso, é que formam esse grupo alvo os estrangeiros, principalmente, haitianos, venezuelanos e colombianos (TELES, 2007). Desde o século XIX estrangeiros e negros ainda continuam a serviço do capital, num processo vil de exploração desumana, sem perspectiva de acesso ao trabalho decente, de um horizonte de realização da Reforma Agrária, da prevalência dos interesses latifundiários, de mineradoras e do mercado financeiro. O que ocorre no mundo do trabalho brasileiro é parte do movimento totalizador do capitalismo mundializado. No Brasil marcado pela precariedade estrutural desde a sua gênese, é intensificada no quadro de crise estrutural do capital das últimas décadas e sua necessidade de superexplorar universalmente múltiplas formas de trabalho, já historicamente desprotegidas. As expropriações primárias e secundárias permanecem determinando as formas de acumulação do capital e seu reordenamento territorial no Brasil: avanço sobre terras indígenas, quilombolas, fortalecimento do agronegócio, destruição da natureza, negação da reforma agrária, desmonte da organização sindical e dos direitos trabalhistas. As formas �anômalas� de exploração cimentam ainda hoje a formação territorial em curso e revelam a tessitura da identidade entre trabalho extremamente precário (base escravagista), latifúndio e precariedade como norma e horizonte aos trabalhadores e trabalhadoras. BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n° 10.803, de 11 de dezembro de 2003. Brasília, 2003. CHALHOUB, Sidney. População e sociedade. In: CARVALHO, José Murilo de (coord.). A construção nacional 1830-1889, volume 2. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012, p. 37-81. CPT. Trabalho escravo. Disponível em: https://www.cptnacional.org.br/quem-somos/49-noticias/trabalho-escravo. Acesso em: 18 nov. 2021. ESCRAVO, NEM PENSAR!. O trabalho escravo no Brasil. Disponível em: https://escravonempensar.org.br/o-trabalho-escravo-no-brasil/. Acesso em: 18 nov. 2021. IBGE. Território brasileiro e povoamento. Disponível em: https://brasil500anos.ibge.gov.br/territorio-brasileiro-e-povoamento/negros. Acesso em: 20 fev. 2022. MARTINS, José de Souza. O cativeiro da terra. São Paulo: Contexto, 2010. MORAES, A. C. R. Território e história no Brasil. 3° ed. São Paulo: Annablume, 2018. p. 154. ISBN 85-7419-547-2. OLIVEIRA, F. de. A questão regional: a hegemonia inacabada. Estudos Avançados, 1993. p. 43-63. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/K8GfF5R6gPY7tTQFXWMxggP/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 26 nov. 2019 ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. Trabalho forçado. Disponível em: https://www.ilo.org/brasilia/temas/trabalho-escravo/lang--pt/index.htm. Acesso em: 06 dez. 2021. SPOSITO, M. E. B. Capitalismo e Urbanização. São Paulo: Contexto, 2002. p. 80 TELES, G. C. Neo-escravidão: nada senão capitalismo. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/j.ctvtxw2hn.7?seq=1#metadata_info_tab_contentes. Acesso em: 06 dez. 2021. | 08. Geografia econômica | Tiago Barreto Lima, Vanessa Dias de Oliveira | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5443 | resources/download/restrict/eng2020/1662000716_ARQUIVO_d9d7c0412317a8b52f37d93a5ce9d2e9.pdf | ||||||||||||||||||
49 | 7935978 | A história climatológica de Santos e os desdobramentos territoriais das ressacas marítimas: uma análise preliminar | Introdução: Nos últimos anos, as ressacas na orla de Santos têm gerado grande preocupação ao município, cuja intensidade e prejuízos têm impactado a cidade e suas dinâmicas econômicas de maneira sensível, sobretudo suas atividades portuárias. No ano de 2016, as ressacas ocorridas nos meses de agosto e outubro, chamaram a atenção dos especialistas por terem sido de grande intensidade, registrando uma elevação da maré em 2,6 metros, ventos de até 82 km/h e ondas de alturas inéditas (4,2 metros) inundando vias, casas e garagens de edifícios, além da interrupção temporária das atividades do porto (DHN; CHN; BNDO, 2016; SISMO, 2016). Na ocasião, uma conjunção de fatores foi atribuída a causa da potência das ressacas daquele ano. A forte frente fria que se aproximou do litoral gerando ventos que comprimiram as águas próximas à costa, articulou-se com o período de sizígia (ou maré viva equinocial), implicando em variações do nível do mar provocadas pelas marés (SISMO, 2016). Para além destas combinações, a intensificação do fenômeno na costa santista tem sido atribuída a diferentes fatores, que incluem desde a elevação da temperatura terrestre e a decorrente elevação dos níveis do Oceano Atlântico � podendo elevar o nível do mar a 40 centímetros até 2050 �, além dos fatores relacionados a dragagem do canal do estuário, em função das atividades portuárias, podendo afetar o padrão de comportamento da ondulação. Objetivos: Diante deste cenário controverso, este texto busca apresentar uma análise preliminar de um projeto de iniciação científica a respeito das ressacas marítimas de Santos a partir de um olhar histórico-geográfico, buscando identificar seus principais desdobramentos territoriais para a cidade. Além desse objetivo central, este texto busca discutir preliminarmente os distintos entendimentos sobre o fenômeno e suas implicações para as dinâmicas sociais e econômicas do município de Santos. A partir de uma abordagem histórico-geográfica, discute-se as diferentes visões sobre as ressacas marítimas, procurando entender às formas como o clima e as dinâmicas sociais estão profundamente relacionadas. Metodologia: Para essa análise, a pesquisa vem levantando e analisando fontes primárias nos arquivos históricos de Santos, tais como registros da imprensa, documentos oficiais e boletins informativos. Assim, a pesquisa busca identificar as maneiras pelas quais a ressaca marítima tem sido divulgada historicamente, no sentido de compreender os desdobramentos deste fenômeno para Santos, assim como sua importância na constituição territorial da cidade. A pesquisa busca em disciplinas como a Climatologia Geográfica e na História Climatológica, subsídios metodológicos para se interpretar os dados e informações levantados nesta investigação, buscando entender os fenômenos atmosféricos e suas relações intrínsecas com as dinâmicas territoriais de Santos. Exemplo disso são os recursos analíticos que a História Climatológica nos oferece para se interpretar como os fenômenos atmosféricos estão relacionados de diferentes formas ao desenvolvimento das sociedades. As relações entre clima e economia, como uma das inúmeras determinações no apogeu ou declínio de civilizações é algo que acompanha a história da humanidade e é intrínseco � como se concebe na Geografia moderna � à própria relação sociedade/natureza. Algo próximo daquilo que Mike Davis (2002) chamou de �maligna interação entre os processos climáticos e econômicos�, ao analisar as relações intrínsecas entre clima, fome e colonialismo na constituição de um �mundo tropical de fome�. Resultados: Nesta análise preliminar, constata-se que ao longo dos anos as ressacas marítimas foram recebendo distintos entendimentos, gerando controvérsias a respeito de suas causas, assim como das soluções de adaptação frente aos impactos deste fenômeno. As questões levantadas até o presente momento, apoiadas nas abordagens da História Climatológica e da Climatologia Geográfica, levam-nos a uma reflexão sobre o clima indicando que, ao mesmo tempo em que as transformações nos fenômenos atmosféricos são intrínsecas às dinâmicas naturais, os impactos que elas provocam ao longo de toda a orla também o são à história (ou à formação territorial) de Santos. Considerações finais: Sem dúvida que o conhecimento proporcionado pela abordagem histórico-geográfica à respeito das ressacas marítimas de Santos pode significar uma importante ferramenta de análise deste fenômeno, não apenas para se pensar seus desdobramentos mais habituais para a orla do município, mas também em uma perspectiva mais ampla, no sentido de compreender os efeitos das mudanças climáticas nos núcleos urbanos da costa brasileira, assim como as estratégias políticas de adaptação territorial que vem sendo tomada frente aos fenômenos atmosféricos. Referências: ANGELO, C. �Jornais ajudam a decifrar subida do oceano�. Observatório do clima. 2017. Disponível em: < https://bit.ly/396bBWI>. Acesso em 20 fev. 2020. COYLE, H. P.. �Syzygy,� AccessScience. McGraw-Hill Education, 2014. Disponível em: <https://bit.ly/2HYoqGA>. Acesso em 20 jul. 2017. DAVIS, M. Holocaustos coloniais. Clima, fome e imperialismo na formação do terceiro Mundo. São Paulo: Record, 2002. DIRETORIA DE HIDROGRAFIA E NAVEGAÇÃO (DHN); CENTRO DE HIDROGRAFIA DA MARINHA (CHM); BANCO NACIONAL DE DADOS OCEANOGRÁFICOS (BNDO). Previsão de marés. Porto de Santos � Torre Grande. Disponível em: <http://www.mar.mil.br/dhn/chm/box-previsao-mare/tabuas/50225Ago2016.htm>. Acesso em 25 jul. 2017. FAGAN. B. O aquecimento global. A influência do clima no apogeu e declínio das civilizações. São Paulo: Larousse, 2009. FUNDAÇÃO DE ESTUDOS E PESQUISAS AQUÁTICAS (FUNDESPA). Análise Histórica dos Registros de Ressacas ocorridos na região da Baía e Estuário de Santos. s/d. Disponível em: <https://bit.ly/3aa8a19 >. Acesso em 27 fev. 2020. LATOUR, B. Políticas da natureza: como fazer ciência na democracia. Bauru, SP: EDUSC, 2004. MONTEIRO, C. A. F. Clima e excepcionalismo. Florianópolis: Editora da UFSC, 1991. PAINEL BRASILEIRO DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS (PBMC). �Impacto, vulnerabilidade e adaptação das cidades costeiras brasileiras às mudanças climáticas�. 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50 | 4825373 | A importância da educação geográfica para pensar a cidadania e os movimentos sociais | Neste trabalho, abordamos a temática dos movimentos sociais em uma perspectiva geográfica, bem como as contribuições da Educação Geográfica para com esses movimentos. Utilizamos os conceitos de Ensino de Geografia e Educação Geográfica. Buscou-se, ainda, contextualizar o surgimento dos movimentos sociais no Brasil e sua relação com a ciência geográfica. Uma vez que a geografia é a ciência que estuda o espaço geográfico o objetivo deste trabalho é compreender as contribuições da educação geográfica para os Movimentos Sociais, considerando a atuação deste para (re)criações espaciais mais solidárias. É no espaço geográfico que todas as relações acontecem, é por meio dessas relações que se constrói, no espaço, a participação dos movimentos sociais no campo e na cidade nas diversas vertentes organizativas: como movimentos de trabalhadores, movimentos feministas, de sem tetos entre outros. Para fazer uma diferenciação entre educação geográfica e o ensino de geografia, além de entender como fazer essa educação geográfica, utilizamos alguns autores como: Nelson Rego, Roselane Zordan Costella, Sonia Maria Vanzella Castellar, Paula Cristiane Strina Juliasz, Xosé M. Souto González e Sérgio Claudino. Assim organizamos o trabalho de modo a buscar contextualizar o que é a educação geográfica e entender de que forma ela se dá na vida dos sujeitos. Na sequência partimos para a contextualização do surgimento dos movimentos sociais no Brasil, que se intensificaram a partir da década de 1960 num contexto de ditadura militar e industrialização, no qual os cidadãos começam a se unir de acordo com suas identidades e causas, dando força à luta popular por direitos e sofrendo com a criminalização de seus movimentos. Na pesquisa geográfica tratamos os movimentos sociais como movimentos socioterritoriais ou movimentos socioespaciais, uma vez que existem movimentos sociais que têm o território como principal mecanismo de luta, como exemplo o Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra, e os movimentos que não necessariamente lutam por território (FERNANDES 2012). Foi em 2000, na edição de número 15 da revista Terra Livre, que foi publicado um trabalho inovador para a temática dentro da geografia, qual seja: o artigo intitulado �Movimento Social como categoria geográfica� de Bernardo Mançano Fernandes atual professor da Universidade Estadual Paulista � campus de Presidente Prudente, este trabalho �...inova o tratamento dado aos movimentos sociais, justamente por dar o primeiro passo em direção a uma teorização autenticamente geográfica ao tema� (PEDON, 2009, p 75). Podemos estudar os movimentos sociais partindo das diferentes categorias de análise, alguns autores como o próprio Bernardo Mançano Fernandes, focam na categoria de território e dentro dela, o conceito de territorialidade, que é o movimento do sistema de ações que são produzidas pelo sujeito do espaço. "Os movimentos socioterritoriais têm o território não só como trunfo, mas este é essencial para sua existência. Os movimentos camponeses, os indígenas, as empresas, os sindicatos e os estados podem se constituir em movimentos socioterritoriais e socioespaciais. Porque criamrelações sociais para tratarem diretamente de seus interesses e assim produzem seus próprios espaços e seus territórios" (FERNANDES 2012 p 31). Também existem geógrafos que escrevem sobre movimentos sociais a partir da categoria de análise de lugar, observando qual é o conceito de lugar dentro dos movimentos sociais, qual a relação dos movimentos com o lugar e qual é o lugar da geografia dentro destes movimentos. Como Breno Marqués Bringel, que publicou o trabalho intitulado �O lugar nos movimentos sociais e o lugar da geografia na teoria dos movimentos sociais�, em 2007, no Boletim Goiano de Geografia. A geografia nos permite estudar os movimentos sociais de diferentes pontos de vistas e análises, porém nenhum enfoque é maior ou melhor que o outro, são apenas enfoques com objetivos diferentes, que podem e devem se complementar, bem como os estudos da sociologia e de outras ciências podem complementar trabalhos geográficos e vice e versa. Trabalhar com a interdisciplinaridade �tem ajudado a superar análises enviesadas ou insuficientes para o entendimento de uma realidade complexa que merece explicações multicausais� (BRINGEL 2007 p 44). Como escreveu Fernandes �existem movimentos sociais desde uma perspectiva sociológica e movimentos socioterritoriais ou movimentos socioespaciais desde uma perspectiva geográfica.� (FERNANDES 2012 p 31). Portanto quando trabalhamos movimentos sociais no ensino de geografia, podemos utilizar alguns conceitos de outras áreas, porém, devemos focar em partir de uma análise geográfica. A educação geográfica tem como compromisso, contribuir para a compreensão de espaço e território dentro da sala de aula através da sistematização do ensino auxiliando o sujeito a se identificar enquanto cidadão no mesmo. Para Milton Santos a cidadania é �tornar-se um ser no mundo�, assumindo assim a herança moral. Movimentos socioterritoriais e socioespaciais são lutas identitárias por direitos, portanto fazer parte destes é também exercer a cidadania. O trabalho do professor de geografia irá contribuir para essa formação da concepção do espaço e da cidadania. Fazer a educação geográfica no Brasil é também contribuir para a construção da cidadania de um povo composto por uma maioria de trabalhadores e trabalhadoras que vê dia após dia seus direitos serem diminuídos ou desrespeitados pelo Estado. O ensino de geografia pode construir nestes sujeitos formação teórica de base com o fito de dar a possibilidade que eles possam ler o espaço geográfico em que vivem, as questões territoriais, as desigualdades e injustiças e, assim, lutar por um mundo melhor para todos ou pela garantia de seus direitos básicos e de sua família. Ou seja, a partir dos saberes geográficos, o ensino geográfico pode criar as possibilidades para transformar o consumidor em um cidadão de fato. E essa é a contribuição da Educação Geográfica para os movimentos sociais, pois são esses cidadãos conscientes que poderão somar forças junto outras pessoas/grupos buscando formar as bases de lutas por vida digna. Referência bibliográfica BRINGEL, Breno Marqués. O lugar nos movimentos sociais e o lugar da geografia na teoria dos movimentos sociais. Boletim Goiano de Geografia, v. 27, n. 2, p. 35-49, 2007. FERNANDES, Bernardo Mançano. Movimentos socioterritoriais e movimentos socioespaciais: contribuição teórica para uma leitura geográfica dos movimentos sociais. Revista Nera, n. 6, p. 24-34, 2012. PEDON, Nelson Rodrigo. A pesquisa geográfica sobre os movimentos sociais: balanço e pespectivas. Terra livre, v. 2, n. 33, 2009. SANTOS, Milton: O espaço da cidadania e outras reflexões; organizado por Elisiane da Silva; Gervásio Rodrigo Neves; Liana Bach Martins. � Porto Alegre: Fundação Ulysses Guimarães, 2011. ______________. A Natureza do Espaço. São Paulo: Editora Hucitec, 1996. SCHERER-WARREN, Ilse. Movimentos sociais no Brasil contemporâneo. Revista História: Debates e Tendências, v. 7, n. 1, p. 9-21, 2007. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Fabiane Zanini dos Santos, Roseli Alves dos Santos | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5844 | resources/download/restrict/eng2020/1658767987_ARQUIVO_4d69d6184d254307a75b50268c87125f.pdf | ||||||||||||||||||
51 | 2483955 | A importância da Lei 10.639/2003 na Representação Social do Negro em Livros Didáticos de Geografia | O presente trabalho é parte de uma pesquisa bibliográfica cujo intuito foi analisar a representação da África e do negro, por meio de imagens e textos em livros didáticos de Geografia do 8° ano do ensino fundamental que foram aprovados no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) de 2014. Neste artigo será abordado os avanços e retrocessos da efetivação da Lei 10.639/2003 no Ensino de Geografia e sua importância para a Representação Social do negro e do continente africano em livros didáticos de Geografia. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n° 9.394/1996) foi alterada pela Lei n° 10.639, em vigor desde 2003, sendo considerada uma das conquistas do Movimento Negro Brasileiro para a Educação. Essa Lei Federal obriga a inserção dos conteúdos de História e Cultura Africana e Afro-brasileira em todo âmbito escolar, juntamente com os conteúdos que envolvem a luta dos povos negros no processo de formação cultural, social e territorial do Brasil. A lei foi fruto de um longo processo de luta por reconhecimento, resistência, respeito e equidade racial, e se faz necessária visto que o negro faz parte da construção e formação da sociedade brasileira. Com a promulgação da Lei surge a necessidade de revisão dos currículos e materiais didáticos em todos os níveis de ensino com os princípios de alterar a representação do negro nos livros didáticos e criar ações educativas de combate ao racismo e às discriminações. Durante muito tempo, inúmeros livros didáticos transmitiam a ideia depreciativa do negro que gerou estigmas sociais para este grupo durante muitos séculos, além de predominar uma imagem de um continente africano pobre e selvagem, contribuindo para que a sociedade adquirisse o senso comum e a história única de que os negros e a África estavam ligados à funções subalternas e à miséria. Por muitas lutas antirracistas, os Movimentos Negros, segundo Oliveira (2009, p. 61), �conseguiram desvendar as máscaras da democracia racial existente no Brasil e os negros passaram a ser reconhecidos e valorizados, principalmente pelos conteúdos escolares como propõe a Lei 10.639/03�. Após a implementação da Lei 10.639/2003, um dos temas em constante debate é a representação depreciativa que a sociedade faz do negro e dos seus aspectos físicos, históricos e culturais. A representação seria a melhor forma de compreensão das relações entre os indivíduos ou os grupos com o mundo social, e a representação do negro e do continente africano ainda é apresentada de maneira desvalorizada nos livros didáticos e na mídia, reforçando os estereótipos negativos, a discriminação e o preconceito, tornando essa população invisível quanto aos seus valores históricos e culturais. Sob essa perspectiva, �toda representação é social e construída na coletividade� (OLIVEIRA, 2021, p. 216). A teoria das Representações Sociais criada por Serge Moscovici na década de 1960, se faz necessária para a construção do sujeito para entender o mundo e se comunicar sobre os saberes sociais, considerado como conhecimento verdadeiro. A Teoria da Representação Social estuda formas de organização do conhecimento das sociedades tradicionais, como mitos, lendas, entre outros. Serge Moscovici defende que �as representações sociais são entidades quase tangíveis. Elas circulam, se entrecruzam e se cristalizam continuamente, através duma palavra, dum gesto, ou duma reunião, em nosso mundo cotidiano� (2003, p. 10)�. Dessa forma, as representações têm vida própria, comunicam entre si, emerge para novas representações e são partilhadas e produzidas por nossa sociedade. Para o autor, �demonstrar nossas ideias, nossas representações são sempre filtradas através do discurso de outros tanto quanto �descoladas� da realidade, e pré existem como um �ambiente� sócio cultural� (MOSCOVICI, 2003, p. 215). Na representação social do negro, no processo de reconstituição e modelagem da sua percepção externa, estão contidos os estereótipos, os preconceitos, os julgamentos, os juízos, que são elementos ou objetos internalizados na consciência dos indivíduos que os utilizam para construir o conceito da percepção inicial apreendida e que passa a integrar o seu universo interior (SILVA, 2011). As imagens negativas da população negra e do continente africano presentes nos livros didáticos de Geografia têm como base os estereótipos e são uma forma de justificar e naturalizar as opressões que são dadas aos grupos subordinados. Essas imagens são constantemente atualizadas com o tempo e lidam com as relações de poder. Além dos textos, as imagens precisam passar por processos de avaliações e serem corrigidas, pois ainda revelam uma visão eurocêntrica com preconceito e discriminação contra esse grupo, sendo necessário promover a pluralidade cultural e a diversidade étnico-racial da sociedade brasileira. A ausência e exclusão dos aspectos positivos dos negros e representações estereotipadas negativamente afetam a autoestima das crianças negras, sendo esse fato, geralmente, não percebido pelos professores, pois, segundo Martins e Pureza (2020, p. 3), �no livro didático, a humanidade e a cidadania, na maioria das vezes, são representadas pelo homem branco e de classe média, invisibilizando a presença do/a negro/a, indígena e da mulher [...]�. O professor e a escola precisam reconhecer e corrigir as discriminações de raça e etnia presentes nos livros, para assim combaterem os silêncios e as reproduções de práticas negativas no livro didático, promovendo positivamente a imagem do negro e considerando sua participação em trabalhos e espaços de poder. Dessa forma, será possível reconstruir as relações sociais em uma sociedade antirracista. Mesmo com algumas mudanças na desconstrução e ressignificação de estereótipos e ideologias, a Lei 10.639/2003 precisa ser implementada na sua totalidade para garantir que a representação social do negro e da África seja positiva, dando voz à um grupo que sempre foi silenciado e desvalorizado, assim é necessário revisar e inserir conteúdos que dão visibilidade ao povo negro e que acabem com a supremacia cultural do eurocentrismo presente no currículo do Ensino de Geografia, sendo essa disciplina capaz de desmistificar a África como um território homogêneo e conhecer as territorialidades diversas originárias e atuais que contribuem para a formação sócio territorial brasileira. REFERÊNCIAS MARTINS, Alan Bizerra; PUREZA, Marcelo Gaudêncio Brito. O ensino de geografia e as relações étnico-raciais nos livros didáticos no ensino fundamental. Geografia Ensino & Pesquisa, Santa Maria, v. 24, n. 18, p. 1-31, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/geografia/article/view/40314. Acesso: 04 ago. 2021. MOSCOVICI, Serge. Representações sociais: investigações em psicologia social. Petrópolis: Editora Vozes, 2003. 404 p. OLIVEIRA, Ana Flávia Borges de; SAMPAIO, Adriany de Ávila Melo. A representação do negro nos livros didáticos de Geografia do 8° ano do ensino fundamental: primeiras discussões. Boletim de Geografia, Maringá, v. 39, e. 58615, p. 211-237, 2021. Disponível em: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/BolGeogr/article/view/58615/751375153588 Acesso: 25 mar. 2022. OLIVEIRA, Marli Solange. A representação dos negros nos livros didáticos de história: mudanças ou permanências após a promulgação da Lei 10.639/03. 2009. 128 f. Dissertação (Mestrado) � Programa de Pós-Graduação em Educação, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2009. SILVA, Ana Célia da. A representação social do negro no livro didático: o que mudou? Por que mudou?. Salvador: EDUFBA, 2011. 182 p. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/8688/1/Ana%20Ceia%20da%20Silva.pdf. Acesso em: 21 jan. 2020. | 06. Relações étnico-raciais, gêneros e sexualidades | Ana Flávia, ADRIANY | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5485 | resources/download/restrict/eng2020/1658369586_ARQUIVO_078e5f960c4ecf62e0042449e2034d77.pdf | ||||||||||||||||||
52 | 2394340 | A importância da participação dos discentes da Educação Básica em eventos acadêmicos | Neste trabalho faremos uma análise da participação de discentes e professores, do Ensino Fundamental, de duas escolas da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, localizadas na área central do município, no evento virtual, �XXVII Semana Polar Internacional�, promovida pela Associação de Pesquisadores e Educadores em Início de Carreira sobre o Mar e os Polos (APECS-Brasil), entre 27 de setembro e 1 de outubro de 2021. Como nesse ano, as aulas ainda estavam ocorrendo de forma remota devido a pandemia da Covid-19, como meio de evitar a propagação do vírus os alunos só participaram de atividades virtuais, com o agravante que devido a condição socioeconômica baixa da maioria destes, muitos foram excluídos dessas atividades, por falta de acesso à internet (CRUZ, M., CRUZ, I., CRUZ, A., 2021a; CRUZ, M., CRUZ, I., CRUZ, A., 2021b). O trabalho propõe-se a discutir, a importância da participação de alunos da Educação Básica em eventos acadêmicos, como um estímulo para desenvolver o aprendizado dos alunos, através de informações científicas, além de incentivar o aluno a pesquisar e conhecer novos ambientes, que de acordo com Gionara Tauchen e Catia Piccolo Viero Devechi, é fundamental essa aproximação do meio acadêmico com a Educação Básica porque promove �a democratização, acesso, permanência e qualidade do ensino� (TAUCHEN; DEVECHI, p. 1 2016). A metodologia consiste: na leitura de livros sobre o tema pesquisado e coleta de dados para a confecção de figuras e fotos. O evento foi composto pela palestra de abertura, transmitida pelo YouTube, intitulada �Biodiversidade Antártica: um diálogo entre o Brasil e Portugal�, ministrada por pesquisadores de diversas áreas: Dr. Hermeson Cassiano (UESPI), da área de Diversidade vegetal na Antártica; Dra. Camila Signori (IO-USP), da área de Diversidade de micro-organismos/Oceanografia Microbiana na Antártica; Dra. Manuela Bassoi (UFRN), da área de Diversidade de vertebrados/cetáceos na Antártica; MSc. Hugo Guímaro (APECS-Portugal/Universidade de Coimbra), da área de Diversidade de vertebrados/aves na Antártica. Todos os alunos que participaram receberam certificados e fizeram perguntas aos pesquisadores, querendo saber, por exemplo, quais os caminhos para se tornar um pesquisador de áreas polares, o que demostra o quanto o tema gerou interesse nos alunos, evidenciando que a participação destes, em eventos acadêmicos é muito positiva para o aprendizado. Além da palestra de abertura, as instituições de Ensino Básico, tiveram palestras exclusivas com pesquisadores da área polar. Os alunos da Prefeitura de Campos, tiveram uma palestra pelo Google Meet, com a pesquisadora portuguesa, Sara Pedro, sobre �As cadeias tróficas marinhas do Ártico e a relação com as mudanças climáticas e a subsistência dos Inuítes�. Ao todo tiveram 15 participantes, entre eles duas professoras, das duas instituições participantes. A pesquisadora preparou a palestra de uma forma que os alunos pudessem entender, com várias imagens e uma linguagem clara, discorrendo sobre temas importantes para a Geografia, como o aquecimento global, pois de acordo com a BNCC deve ser trabalhado a questão ambiental, na habilidade EF05GE11, do 5º ano, na habilidade EF06GE13, do 6º ano e na habilidade EF08GE21, do 8º ano (BRASIL, 2018). Ao fim da palestra os alunos puderam compreender que a poluição ambiental gera o aquecimento da Terra, porque a emissão de gases nas indústrias locais, por exemplo, aumenta o derretimento das geleiras do Ártico, engendrando um desequilíbrio na cadeia alimentar marinha, que diminui a oferta de alimentos dos Inuítes, que são os povos nativos do Ártico. Assim os alunos conseguiram entender que a poluição que ocorre na escola local, no município em que eles vivem, colabora para o aquecimento em escala global, degradando os ambientes polares. Antes da palestra uma das professoras que estava participando do evento, deu uma explicação pelo WhatsApp, para os alunos sobre a temática da palestra, utilizando imagens, falando sobre os Inuítes, cadeias alimentares marinhas e sobre o aquecimento global e suas consequências, para que os alunos já tivessem um conhecimento prévio do tema proposto. Os discentes gostaram muito da palestra e ao final fizeram perguntas que foram respondidas pela pesquisadora, perguntando quais animais tinham no Ártico, por exemplo; as professoras pediram para ela falar sobre a moradia dos Inuítes, os iglus e a pesquisadora respondeu, que poucos ainda moram nessa estrutura construída a partir de blocos de gelo, quase sempre os nativos mais velhos. Assim concluímos que a participação dos discentes em eventos acadêmicos gera um maior aprendizado e proporciona ao alunado uma atividade extracurricular diferenciada e é positivo também para os pesquisadores, que podem divulgar suas pesquisas científicas para a comunidade civil, assim os conhecimentos acadêmicos não se restringem só a universidade, sendo compartilhados com a sociedade em geral. Referências AUCHEN, G.; DEVECHI, C. P. V. Interações entre a universidade e a educação básica. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 11, n. esp.1, p. 527�538, 2016. DOI: 10.21723/RIAEE.v11.esp.1.p527. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/8572. Acesso em: 12 mar. 2022. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. 2018. 600 p. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 12 mar. 2022. CRUZ, Maria Cecília Soares; CRUZ, Igor Soares; CRUZ, Ana Carolina Soares. O Ensino de Geografia remoto na Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes. Anais do XVIII Encontro de Ensino de Geografia, Mostra de Estágio e Pesquisa �A Geografia em tempos de Crises: O Cenário Brasileiro Pós Pandemia�. Londrina, jan-maio, 2021a. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1YLydSFU7VKCHSX1jKZvx8mJXmeyC8haf/view. Acesso em: 12 mar. 2022. _________;_________;_________. Análise do ensino remoto emergencial de Geografia na Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes. Anais do XIV ENANPEGE. Campina Grande, out., 2021b. Disponível em: http://https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/78590. Acesso em: 12 mar. 2022. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Maria Cecília Soares Cruz, Ana Carolina Soares Cruz, Igor Soares Cruz | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5462 | resources/download/restrict/eng2020/1661118119_ARQUIVO_0f6625587ea840b6f017ef1d25f4bd66.pdf | ||||||||||||||||||
53 | 5412935 | A importância da prática do Turismo para Terceira Idade | INTRODUÇÃO O turismo, enquanto atividade socioeconômica, gera empregos e oportunidades. Tem importância significativa na produção e no consumo do espaço geográfico. Destaca-se ainda, sua relevância no fluxo de pessoas e de mercadorias em nível internacional, doméstico e local. Nessas incursões as pessoas realizam visitações em atrativos turísticos, consomem equipamentos e serviços de lazer. A atividade turística, em evolução e desenvolvimento, sofre influências e transformações, conforme a dinâmica da sociedade, sendo influenciada pelos avanços tecnológicos, pelos meios de comunicação e de transportes, pela ampliação da conexão e da interação, permitindo a intensificação das relações sociais, bem como as facilidades de deslocamento espacial. O contexto da pandemia de COVID-19, vivenciado mundialmente desde 2020, tem causado impactos e influenciado diretamente a atividade turística, sendo necessário adaptações como o maior uso de tecnologias, aumentando as conexões digitais, devido a necessidade de distanciamento social. Além disso, o turismo está vinculado ao lazer, na busca pelo sair da rotina, na descontração e no divertimento, características das sociedades pós-industriais que passaram a utilizar o seu momento do ócio para descansar, particularmente quando da interrupção dos compromissos de trabalho e no usufruto dos benefícios das férias remuneradas. Segundo Gomes; Lacerda; Pinheiro (2010) há uma relação dialógica entre eles pois, o turismo representa uma possibilidade de lazer que, por sua vez, constitui uma das motivações para o turismo. No mundo globalizado e de realidades distintas, o turismo acontece nos destinos publicizados pela mídia, desperta o interesse em conhecer o imaginado, idealizado e desconhecido. Por meio do planejamento, capaz de incentivar investimentos a partir das demandas turísticas, ocorre a possibilidade do encontro de pessoas e de conhecimentos através de olhares diversos. O turismo pode ser compreendido como uma atividade de serviço diversa, que deve direcionar para as diferentes preferências dos consumidores dessa mercadoria. Para atender as diferentes necessidades criadas, o turismo apresenta-se dividido em segmentos ou tipos de turismo, conforme identificação das similaridades do que esperam da mercadoria rotulado pelo turismo. Dentre os critérios de classificação, é possível citar as características demográficas, a idade, a renda e os vários motivos para atender os consumidores nas viagens, tais como: o descanso, os negócios, as compras, o gastronômico, o religioso, os esportes, o estudo, a saúde, a cultura, as disponibilidades para viajar, dentre outros. Quando se refere às características demográficas e à idade é possível citar o turismo para Terceira Idade, considerando a dinâmica do envelhecimento populacional, como também na identificação da faixa etária, as diferenças de grupo etário (jovem, adultos e idosos) para situar-se na sociedade. O turismo enquanto campo de pesquisa interdisciplinar, oferece possibilidade analítica e de conhecimento, merece ser estudo, considerando seu processo de desenvolvimento e expansão mundial. Esse trabalho tem como objeto analisar as possibilidades de Turismo para Terceira Idade como segmento que pode resultar em experiências enriquecedoras e benefícios para saúde. Pode-se dizer que o turismo é realizado pela dinâmica de movimentação do fluxo de pessoas e do capital, incluindo a intervenção espacial através da reorganização dos espaços, conforme as necessidades da reprodução do capital. Desse modo, por ser uma atividade de importância mundial, nacional, regional e local, pelo que representa, gera e envolve, precisa da criação e manutenção de iniciativas turísticas que atendem os interesses diversos como o da terceira idade. METODOLOGIA Pensando em uma abordagem interdisciplinar, torna-se essencial considerar as conexões entre as distintas áreas envolvendo a Geografia, o turismo, a economia, a história, a antropologia e a política. Para isso, este estudo baseia-se em revisão bibliográfica em fontes secundárias sobre o desenvolvimento do tema e em sites oficiais como o do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Organização das Nações Unidas (ONU), da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Ministério do Turismo e do Portal do Envelhecimento. Além de consulta em documentos oficiais sobre as legislações vigentes, com destaque para o Estatuto do Idoso e o da Política Nacional do Idoso. Para atingir os objetivos propostos tem-se a utilização do método quantitativo, na observação e em análises das políticas públicas referentes ao turismo. RESULTADOS O envelhecimento populacional é uma realidade brasileira e mundial, a tendência demográfica tem sido resultado do aumento da expectativa de vida, aliada às alterações dos padrões de crescimento da população com o número significativo de idosos. De acordo com dados da ONU uma em cada seis pessoas no mundo terá mais de 65 anos, em 2019 foi de cerca de 9%, em 2050 pode chegar a 16%. No Brasil, segundo dados do PNAD/IBGE no quarto trimestre de 2019; do total de 210,1 milhões de brasileiros; 34 milhões eram idosos, que corresponde 16,2 % da população do país. Esses dados indicam, que apesar da pandemia mundial, há estimativa para ampliação do número de idosos, por isso prevalece a necessidade de reconhecimento a esse grupo de pessoas e exige atenção de diferentes setores da sociedade como saúde, educação, habitação, incluindo também o turismo e o lazer. Pode-se dizer que a pandemia impactou diretamente nos fluxos turísticos de pessoas, incluindo os idosos. A partir das perspectivas de retorno do turismo nesse cenário, conforme a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE �o Brasil encerrou 2021 com alta de 21,1% no Índice de Atividades Turísticas, confirmando a tendência de recuperação do setor�. O Plano Nacional de Turismo tem como papel fundamental, estabelecido pela Lei nº 11.771/2008, �promover a incorporação de segmentos especiais de demanda ao mercado interno, em especial aos idosos, o público e as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.� É possível compreender que a terceira idade apresenta potencial de consumo, pois podem integrar socialmente através dos seus saberes, experiências e interesses em atividades que proporcionam bem estar, interação social e de experimentar novas vivências. REFERÊNCIAS BARBOSA, D.P.; MEDAGLIA, J. Tecnologia digital, turismo e os hábitos de consumo dos viajantes contemporâneos. Marketing & Tourism Review. Belo Horizonte, v. 4, n. 2, ago.- dez., 2019. DEBERT, G. G. A Reinvenção da Velhice: socialização e processos de reprivatização do envelhecimento. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Fapesp, 2012. FROMER, B.; VIEIRA, D. D. Turismo e terceira idade. Editora Aleph, 2003. 96p. HARVEY, D. 17 Contradições e o fim do capitalismo. Editora: Boitempo, 1ª Ed. 2016, 304p. GOMES, C.; LACERDA, L.; PINHEIRO, M. LAZER, TURISMO E INCLUSÃO SOCIAL: Intervenção com idosos. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010. 90 p. GOVERNO DO BRASIL. Disponível em: <https://www.gov.br/pt-br/noticias/viagens-e-turismo/2022/02/indice-de-atividades-turisticas-fecha-2021-com-alta-superior-a-21-no-brasil#:~:text=O%20Brasil%20encerrou%202021%20com,feira%20(10%2F02)>. Acesso em: 24 mar 2022. NAÇÕES UNIDAS. Disponível em: <https://news.un.org/pt/story/2019/06/1676601>. Acesso em: 26 mar 2022. OLIVEIRA, L.M.de; STEFANI, C.de. Compreendendo o turismo: um panorama da atividade. Curitiba: InterSaberes, 2015. OLIVEIRA, R. de C. da S.; OLIVEIRA, F. da S.; SCORTEGAGNA, P.A. O envelhecimento e a velhice: teorias, demografia e política. Curitiba: CRV, 2011. MINISTÉRIO DO TURISMO. Plano Nacional de Turismo 2018-2022. Disponível em: <http://regionalizacao.turismo.gov.br/images/PNT_2018-2022.pdf>. Acesso em: 28 mar 2022. RUSCHMANN, D.V. de M.; SOLHA, K.T. Turismo e lazer para a pessoa idosa. Barueri: Manole, 2012. SANTOS, M. Por uma geografia nova: da crítica da geografia a uma geografia crítica. 4 ed. São Paulo: Hucitec, 1996. | 08. Geografia econômica | Lidiane Aparecida Marques | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5804 | resources/download/restrict/eng2020/1661998979_ARQUIVO_980028169652f8e7e42d621e35d0ecb1.pdf | ||||||||||||||||||
54 | 5973694 | A importância da sucessão geracional de cafeicultores orgânicos no contexto dos produtores familiares associados a COOPFAM | O campo tem passado por transformações, principalmente pela nova dinâmica estabelecida pelo capitalismo. No caso do Brasil, o processo de modernização agrícola e a elevada concentração fundiária, aliada à falta ou precariedade de políticas públicas eficientes para a agricultura familiar, têm afetado a permanência dos jovens no espaço rural, levando-os a buscar novas oportunidades de emprego nas cidades. Isso ocorre pelo não acesso à terra, seu trabalho não possui valorização, pois está inserido em um sistema patriarcal as funções dominadas como importantes são nomeadas ao chefe da família que na maioria das vezes é exercida pelo pai. A hierarquia por parte da sucessão de jovens está vinculada a submissão, uma categoria recebida como inferioridade relacionadas às relações estabelecidas pela família. Castro (2016) aponta que as jovens mulheres são as que mais sofrem com a inferioridade, pois muitas vezes a herança são destinadas aos jovens homens. Com os interesses dos pais de passar a sucessão aos filhos homens, forçam a saída das filhas mulheres para a cidade a procura de novas oportunidade, o que leva a maior masculinização ao meio rural, fazendo com que as mulheres investem em seus estudos nas cidades, como forma de entrar no mercado de trabalho. Aos rapazes são ensinados os saberes administrativos para a sucessão, já as mulheres quando não são consideradas a tarefas reprodutivas, elas somente são consideradas necessárias para as funções produtivas quando necessitam da mão-de-obra familiar (BRUMER et al, 2008). A saída dos jovens no campo tem preocupado, afinal são os mesmos que dará continuidade na produção de alimentos e os agricultores familiares são os que abastecem os alimentos de todo país. É importante se pensar sobre a importância dos jovens no meio rural e criar medidas para a permanência dos mesmos. No entanto, existem lugares que isso já vem feito, criando incentivos que tem contribuído para que os jovens permaneçam no campo, dedicam-se à agricultura familiar, como ocorre com os filhos dos cooperados da COOPFAM (Cooperativa dos Agricultores Familiares de Poço Fundo), no município de Poço Fundo-MG, sobretudo os produtores de café orgânico. Uma das mais importantes culturas agrícolas que envolvem a agricultura familiar no Brasil é café, sobretudo no Sul de Minas, cuja produção se insere no desenvolvimento regional. É a produção que mantêm o homem no campo, diminuindo o êxodo rural, gerando renda, se tornando uma opção viável para maior parte dos pequenos e médios produtores rurais (SIQUEIRA; SOUZA; PONCIANO, 2011). Na cafeicultura do Sul de Minas, sobretudo, na agricultura familiar, vem ocorrendo um crescimento da preocupação com as questões ambientais, o que tem levado à busca por uma produção sustentável. O que tem contribuído também para esse crescimento no café sustentável é o número de certificações que tem se tornado um elemento importante para a valorização da produção. A produção orgânica tem contribuído ainda mais para a permanência do homem no campo e esses reflexos também tem contribuído para a permanência do jovem no meio rural. Dessa forma o trabalho tem como objetivo analisar a importância da sucessão geracional e a inserção dos jovens produtores na cafeicultura orgânica no contexto do munícipio de Poço Fundo no Sul/Sudoeste de Minas Gerais, procurando investigar o que a cooperativa e os produtores tem feito para a permanência dos jovens rurais no campo. A metodologia ocorreu a partir de leituras acerca do tema sobre juventude rural, sucessão geracional, cafeicultura orgânica e cooperativismo afim de compreender como é a relação do jovem no meio rural, seus desafios em se inserir na produção rural. Depois da etapa de levantamento bibliográfico aconteceu entrevistas com o atual ex-presidente da cooperativa COOPFAM afim de compreender o papel da cooperativa para a permanência dos jovens e também perguntas para cooperados e cooperadas afim de entender a opinião dos mesmos diante da permanência dos filhos e da juventude rural no campo e o que poderia ser feito para melhorias para permanência dos mesmos. Esse trabalho foi desenvolvido em um dos capítulos do trabalho de conclusão a partir de entrevistas realizadas com os produtores de cafés orgânicos da cooperativa, mostrando a importância dos jovens para à sucessão geracional da produção agrícola e principalmente o café orgânico, produção forte da cooperativa. A agricultura familiar necessita criar estratégias para a permanência dos jovens, pois a permanência deles que vai garantir uma sucessão geracional, uma sucessão de suas atividades. Muitos pais possuem o desejo de seus filhos darem continuidade no campo, porém a falta de valorização dos mesmos também tem gerado a não permanência dos filhos, desvalorização essa ocorrente ao sistema patriarcal que coloca o homem como o responsável pela renda familiar, como já mencionado. Nas entrevistas foi visível que os país querem que os filhos permaneçam no campo, porém os mesmos relatam a dificuldade dos jovens continuarem no campo. Em relação ao que poderia ser feito para ajudar na permanência dos jovens do campo, foi perguntado para os entrevistados se deveria existir alguma política para manter o jovem no campo, todos responderam que sim, por acreditar que assim os jovens teriam maiores condições de permanecer no campo, principalmente em relação ao preço dos produtos. Para as mulheres também foi perguntado sobre a permanência dos jovens no campo, porém em sua maioria as mulheres enxergam apenas os filhos homens permanecendo nos espaços rurais, desvalorizando além da função da filha mulher sua própria função. Porém algumas das entrevistadas relatam a importância de estudar, de fazer algum curso principalmente para contribuir para a valorização do rural, realizando cursos assim voltadas para o meio rural. Uma das entrevistadas já na qual possui uma filha jovem fala da vontade da filha em fazer agronomia para aplicar seus conhecimentos na propriedade, a mesma já possui um talhão separado da mãe para a produção do café orgânico. Ressalta-se que a sucessão geracional é extremamente importante no meio rural, uma vez que depende dos jovens para a manutenção de sua família na propriedade rural e na atividade agrícola. Diante disso existe uma preocupação em relação a isso dentro da cooperativa, na qual existe propostas para que a sucessão desses jovens ocorra. Os jovens participam ativamente com seus pais das atividades da cooperativa, e ao mesmo tempo permanecem a escola, pois uma das exigências para se tornar cooperado é que os filhos concluam ao menos o Ensino Médio (PEREIRA, 2017). Além disso a cooperativa tem procurado novas estratégias para fazer com que o jovem permaneça no campo. Entender sobre a importância dos jovens no campo, contribui para a valorização dos mesmos, existe uma falha de projetos de valorização dos mesmos e isso é um reflexo da não permanência dos mesmos nos espaços rurais. Referências Bibliográficas: BRUMER, A. Gênero e Agricultura: a situação da mulher na agricultura do Rio Grande do Sul. Revista de Estudos Feministas, nº12, Florianópolis, 2004. CASTRO, F. A. T. Juventude Rural e as Contribuições do Projeto Transformar de Capacitação de Jovens Rurais do Sul de Minas (2006-2013). Dissertação (mestrado em Desenvolvimento Sustentável). Universidade Federal de Lavras, Lavras Minas Gerais, 2016. PEREIRA, C. J. Entrevista concedida a LEMOS, T. C. S. Poço Fundo, 21 ago. 2017. SIQUEIRA, H. M.; SOUZA, P. M.; PONCIANO, N. J. Café convencional versus café orgânico: perspectivas de sustentabilidade socioeconômica dos agricultores familiares do Espírito Santo. Revista Ceres, Viçosa, v. 58, n.2, p. 155-160, mar/abr, 2011. | 02. Campo e Rural | Thais De Cássia Silva Lemos | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 1216 | resources/download/restrict/eng2020/1661982420_ARQUIVO_7d75907024a9c56a456a6974b1143030.pdf | ||||||||||||||||||
55 | 7662769 | A Indústria Madeireira De São Lourenço Do Oeste � Santa Catarina | Introdução Este resumo é resultado da dissertação de mestrado intitulada: A Indústria Madeireira de São Lourenço do Oeste/SC, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), na linha de pesquisa de Desenvolvimento Econômico e Dinâmicas Territoriais, sob orientação do Prof. Dr. Marlon Clovis Medeiros. A dissertação apresentou o processo histórico da industrialização brasileira e catarinense ao longo do século XX, indicando também as relações entre o setor madeireiro nacional, catarinense e lourenciano durante os períodos de 2003 a 2010 e 2011 a 2018, buscando compreender os impactos dos períodos de crescimento e de crise econômica no setor madeireiro e na produção de madeira serrada de pinus, portas de madeira e compensados, sendo esses os principais produtos madeireiros fabricados no município de São Lourenço do Oeste/SC. Objetivos Compreender a origem e o desenvolvimento da indústria madeireira no município de São Lourenço do Oeste/SC, estabelecendo relações com o panorama político/econômico brasileiro. Metodologia As fontes de dados utilizadas no decorrer da pesquisa foram coletados no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), estudos setoriais da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (ABIMCI), anuários estatísticos da Associação Brasileira dos Produtores de Florestas Plantadas (ABRAF), anuários estatísticos de base florestal para o estado de Santa Catarina da Associação Catarinense de Empresas Florestais (ACR), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), Sistema Nacional de Informações Florestais (SNIF), Associação Brasileira de Celulose e Papel (BRACELPA), além de coleta de dados nos sites da Prefeitura de São Lourenço do Oeste e do Banco Mundial. Os dados e informações sobre o município de São Lourenço do Oeste foram obtidas através de trabalhos de campo realizados nos anos de 2019 e 2020. Neste período, foram realizadas visitas nas seguintes empresas: Ideal Portas, Atriunfo Compensados e Madeireira Perazoli. Durante essas visitas foram realizadas coletas de dados e informações através de questionário. Resultados A indústria madeireira se fixou e se desenvolveu em São Lourenço do Oeste, passando pelos momentos de crises e crescimento econômico do Brasil. No primeiro mandato do Governo Lula, nos anos de 2003 e 2004 a indústria brasileira de madeira processada mecanicamente apresentou forte expansão, aumentando sua produção industrial e exportações. A indústria madeireira de São Lourenço do Oeste se beneficiou da conjuntura de desenvolvimento econômico que o Brasil viveu a partir de 2003. No primeiro momento se beneficiou, pois, as grandes empresas estavam voltadas para atender ao mercado externo, devido ao aumento das exportações brasileiras, e o mercado interno era atendido pelas pequenas empresas, como as de São Lourenço do Oeste. Com a crise de 2008/2009 o governo Lula realizou políticas anticíclicas através de investimentos públicos no setor de infraestrutura e de estímulo ao consumo. Neste sentido as empresas madeireiras de São Lourenço do Oeste se beneficiaram desses investimentos públicos a partir de 2009 quando o governo federal passou a estimular o setor de construção civil através do Programa Minha Casa, Minha Vida. No período de 2011 a 2014 o mercado interno consumidor de produtos madeireiros passou a apresentar sinais de enfraquecimento devido às raízes da crise política e econômica que o Brasil passou a enfrentar com mais intensidade a partir de 2015. Com a crise política e econômica brasileira houve diminuição dos estímulos do governo para o setor da construção civil. Com isso as empresas madeireiras de São Lourenço do Oeste tiveram que buscar novas alternativas para se manter em atuação. A empresa Ideal Portas passou a investir em novos equipamentos para manter seu nível de produção com custos mais baixos. Um exemplo disso foi a aquisição de uma caldeira automatizada com esteiras controladas eletronicamente, que dispensa a mão-de-obra do operador de caldeira. A empresa adquiriu também uma embaladeira de portas que proporciona mais agilidade no processo de embalagens, além de necessitar de apenas um operador para que todo o trabalho de embalagem seja realizado. A empresa Madeireira Perazoli, que atua no segmento de serrados, passou a investir na diversificação de seus produtos. Anteriormente a crise a empresa se dedicava exclusivamente a produção de madeira serrada para a construção civil, com a crise política/econômica brasileira a empresa passou a investir na produção e comercialização de cavaco. Os investimentos realizados pelas empresas madeireiras de São Lourenço do Oeste evidenciam que a crise na indústria de construção civil impactou de maneira agressiva na produção e no consumo de madeira serrada, de compensados e de portas de madeira, obrigando as empresas a realizarem novos investimentos para se manter em atuação no setor madeireiro nacional em crise. Referências ABIMCI. Estudo Setorial 2004. Curitiba: ABIMCI, 2004. ABIMCI. Estudo Setorial 2005. Curitiba: ABIMCI, 2005. ABIMCI. Estudo Setorial 2006. Curitiba: ABIMCI, 2006. ABIMCI. Estudo Setorial 2007. Curitiba: ABIMCI, 2007. ABIMCI. Estudo Setorial 2008. Curitiba: ABIMCI, 2008 ABIMCI. Estudo Setorial 2009. Curitiba: ABIMCI, 2009 ABIMCI. Estudo Setorial 2013. Curitiba: ABIMCI, 2013 ABIMCI. Estudo Setorial 2016 Curitiba: ABIMCI, 2016 ABRAF. Anuário Estatístico da ABRAF 2006 -ano base 2005. Brasília: ABRAF, 2006. ABRAF. Anuário Estatístico da ABRAF 2008 -ano base 2007. Brasília: ABRAF, 2008. ABRAF. Anuário Estatístico da ABRAF 2010 -ano base 2009. Brasília: ABRAF, 2010. ABRAF. Anuário estatístico da ABRAF 2011 -ano base 2010. Brasília: ABRAF, 2011. ABRAF. Anuário estatístico da ABRAF 2012 -ano base 2011. Brasília: ABRAF, 2012. ABRAF. Anuário estatístico da ABRAF 2013- ano base 2012. Brasília: ABRAF, 2013. ACR. Anuário Estatístico de Base Florestal para o estado de Santa Catarina 2014. Lages: ACR, 2014. ACR. Anuário Estatístico de Base Florestal para o estado de Santa Catarina 2019. Lages: ACR, 2019. DIAS, E. C. Minha Casa, Minha Vida, minha política pública. São Paulo. Conjuntura da Construção. 2009. IPEA � Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Banco de Dados, vários anos. MORAIS, L.; SAAD-FILHO, A. Da economia política à política econômica: o novo desenvolvimentismo e o governo Lula. Revista de Economia Política, v. 31, n. 4, p. 507-527, out./dez., 2011. OREIRO, J. L.; PAULA, L. F. A economia brasileira no governo Temer e Bolsonaro: Uma avaliação preliminar. Rio de Janeiro: [s. n.], 2019. SEBRAE. Estudo Setorial Indústria Madeireira de Santa Catarina. Santa Catarina: 2013. SERVIÇO FLORESTAL BRASILEIRO (SFB). Sistema Nacional de Informações Florestais� SNIF. Brasília, 2019. SILVA, M. A. O processo de industrialização no Sul do Brasil. Florianópolis. 2006. VIDAL, A. C. F.; HORA, A. B. Panorama de mercado: painéis de madeira. BNDES Setorial, n. 40, p. 323-384, 2014. | 08. Geografia econômica | Leonardo Martins | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5919 | resources/download/restrict/eng2020/1661711477_ARQUIVO_a726230e2975806fb5dc193cdc611fb6.pdf | ||||||||||||||||||
56 | 8392510 | A influência das políticas neoliberais na Educação � o caso do Fundeb | É sabido que o neoliberalismo é um modelo socioeconômico inspirado no liberalismo clássico, criado para nortear as políticas econômicas voltadas ao capitalismo e que coloca às margens o gasto estatal com políticas públicas sociais, como saúde e educação. Dentre algumas características do neoliberalismo estão a privatização de empresas estatais, a redução de impostos e tributos cobrados indiscriminadamente e a livre circulação de capitais internacionais, contudo, a medida de maior impacto direto à sociedade é a redução de investimentos na área educacional e/ou a adoção de financiamentos e subfinanciamentos que não sustentam uma educação pública de qualidade para a formação de indivíduos socialmente políticos, que sejam atores principais no processo de formação social brasileiro e não somente objetos coadjuvantes. O neoliberalismo foi adotado no Brasil com o governo Collor de Melo, na aceitação das pautas do Consenso de Washington para a renegociação da dívida e o retorno do país ao sistema financeiro internacional. Na área da Educação, uma das políticas públicas que teve origem nas medidas neoliberais e que é objeto de análise neste trabalho é a política pública de subfinanciamento Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB), um seguimento do antigo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental (FUNDEF) � ferramenta que foi definida na Emenda Constitucional nº. 14 de 1996, no governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso e que começou a vigorar em 1998, com prazo de duração de 10 anos. O FUNDEF surgiu da reforma administrativa de Bresser Pereira, cujos princípios orientavam a ação do governo visando à implantação de uma administração pública gerencial no país, fundamentada no New Public Management (NPM). Segundo Lacerda Júnior, é um movimento que enfatiza a gestão "profissional", a introdução de medidas explícitas de desempenho, o foco em resultados e um papel cada vez maior dos "estilos do setor privado", engendrado nas práticas de gestão governamental (HOOD; JACKSON, 1991, p. 94). Uma adaptação à transferência dos conhecimentos gerenciais desenvolvidos no setor privado para o público (PECCI, PIERANTE e RODRIGUES, 2008). E o objetivo geral deste trabalho foi deste Fundo contábil sob o viés da influência do neoliberalismo nesta política pública social. Para este fim, metodologicamente, utilizamos normas regulamentares que deram origem a este Fundo, as que vigoraram até 2020 (Emenda Constitucional nº 108, de 26 de agosto de 2020) e que passaram a vigorar a partir de 2021, sendo estes os marcos/anos regulatórios, quer seja por emendas constitucionais, leis e/ou decretos. Dentre os principais resultados encontrados, ressaltamos que as modificações do FUNDEB em 2006, no governo de Luís Inácio Lula da Silva, trouxeram mudanças significativas em termos quantitativos, como a ampliação de alcance desta política pública para a educação infantil, Educação a Jovens e Adultos (EJA) e ensino médio, elaborado na Emenda Constitucional nº 53/2006, regulamentado pela Lei 11.494/2007 e Decreto nº6.253/2007, embora as políticas de financiamento no país e vigentes na época, exigiam números e não qualidade educacional. Nesta perspectiva, outra influência neoliberal também está a base de cálculo da política do FUNDEB originado em 2006, em números e não na qualidade do ensino. Mesmo após 2020, a última atualização da política pública FUNDEB, o cálculo do repasse financeiro às escolas, continua sendo mediante a quantidade do número de alunos matriculados, nunca em função de quanto custa uma educação com garantia de acesso e de qualidade que, segundo o professor Thiago Alves, seria o ideal para a educação, segundo o pesquisador: �Se fosse seguir isso, o complemento da União teria que ser de 40%, o que não vai acontecer� (Entrevista concedida ao Jornal O Popular, em 20 de julho de 2020), embora o Custo-Aluno-Qualidade (CAQ) foi definido como regra no novo FUNDEB e aguarda regulamentação do tema em 2023. Referências Bibliográficas: ALVES, Thiago. Goiás pode perder até 18 bilhões do Fundeb. Entrevista concedida a Vandré Abreu. O Popular, Goiânia, 20 de julho de 2020; ARRAIS, T. A. Atlas das Receitas Públicas Municipais da Região Metropolitana de Goiânia, ano 2013, Goiânia FUNAPE/IESA; BRASIL. Constituição Federal de 1988. Brasília, 1988. Disponível em: . Acesso em: 03 nov. de 2020; BRASIL. Lei N°9394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial [do] Estado de Goiás, Goiânia, 20 jan. 2000a. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em 08/nov.2020; CENTRO DE GESTÃO E ESTUDOS ESTRATÉGICOS Populações e políticas sociais no Brasil: os desafios da transição demográfica e das migrações internacionais. Brasília: Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, 2008 DÓRIA, Antonio Roberto Sampaio. Discriminação de Rendas Tributárias, 1972, São Paulo; ENCINAS, Rafael; DUENGAS, Rogério Allon. O FUNDEB e a desigualdade educacional nos municípios do estado do Paraná. Educação e Sociedade, v. 41. Campinas, 2020; HAESBAERT, R.. Da desterritorialização à multiterritorialidade. Anais do IX Encontro Nacional da ANPUR. Vol. 3. Rio de Janeiro: ANPUR, 2001. HARVEY, David. Espaços de Esperança. Trad. de Adail Ubirajara Sobral e Maria Stela Gonçalves São Paulo: Edições Loyola, 2004. 382 p; INTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados.html?view=municipio. Acesso em 08.nov.2020 INSTITUTO MAURO BORGES DE ESTATÍSTICAS E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS (IMB). Manual do Estado de Goiás, Secretaria Geral da Governadoria, Governo de Goiás. Disponível em: https://www.imb.go.gov.br/estatisticas/produtos/goias-em-dados.html; INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&id=19153. Acesso em: 03 nov. 2020 LACERDA JÚNIOR, Benjamin de. Territories and Public Policy Space Agribusiness in the city of Rio Verde - GO. 2011. 265 f. Tese (Doutorado em Ciencias Humanas) - Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2011. MARTIN, Facundo Nahuel. 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Universalização, Qualidade e Equidade na Alocação de Recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB): Proposta de Aprimoramento para a Implantação do Custo Aluno Qualidade (CAQ) (atualizado em 11/10/17). Relatório Técnico, nº 24, ano 2017; TESOURO NACIONAL. Glossário de termos. Disponível em: . Acesso em: 10 abr. 2020; TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS DO ESTADO DE GOIÁS. Portal do Cidadão. Disponível em: https://www.tcmgo.tc.br/pentaho/api/repos/cidadao/app/index.html. Acesso em 10.nov./2020 | 04. Ensino de Geografia e Educação | Daiane Cristina | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 6118 | resources/download/restrict/eng2020/1661988576_ARQUIVO_82460efd844f28635a9c06f9a7f10592.pdf | ||||||||||||||||||
57 | 5332931 | A influência do Cadastro Ambiental Rural (CAR) nas Áreas de Preservação Permanente (APPs) do Ribeirão Marumbi � PR | INTRODUÇÃO A legislação ambiental, em particular a Lei nº 12.651, de 2012 (Código Florestal Brasileiro), estabelece normas para proteção do meio ambiente, principalmente da vegetação nativa, como exemplo as localizadas nas margens dos cursos d�água. Estas áreas são denominadas Áreas de Preservação Permanente (APPs) que devem ser mantidas a partir do limite mínimo de proteção pelos proprietários/possuidores dos imóveis rurais, seguindo a largura mínima do curso d�água. Além das APPs, o Código Florestal estabelece o Cadastro Ambiental Rural (CAR), �registro público eletrônico de âmbito nacional, obrigatório para todos os imóveis rurais� (BRASIL, 2012). Se constitui como uma importante ferramenta de monitoramento e regularização ambiental em razão das informações integradas e disponíveis dos imóveis rurais (LAUDARES, SILVA E BORGES, 2014). Neste contexto, o trabalho teve como objetivo analisar os fatores que influenciaram no aumento de vegetação nas APPs do Ribeirão Marumbi, com destaque para o CAR. O Ribeirão Marumbi corta os municípios de Jandaia do Sul, Cambira, Marumbi e Novo Itacolomi, localizados no Estado do Paraná. Este trabalho, trás a análise que os Programa de Regularização Ambiental (PRA), que compreende �o conjunto de ações ou iniciativas a serem desenvolvidas por proprietários e posseiros rurais com o objetivo de adequar e promover a regularização� (BRASIL, 2012), devem ser aplicados e acompanhados, incisivos na conduta de fiscalização, controle, monitoramento e planejamento ambiental. METODOLOGIA Para elaboração deste trabalho, inicialmente realizou-se o mapeamento da vegetação nas APPs do Ribeirão Marumbi. O processo de mapeamento e processamento das imagens foram realizados na plataforma Google Earth Engine (GEE), com uma coleção de imagens do satélite Landsat 5 e 8, resolução espacial de 30 metros, na década de 2000 a 2010 e nos anos de 2016, 2018 e 2020, aplicou-se o Índice de Vegetação de Diferença Normalizada (NDVI) para maior realce entre a vegetação e o solo. A partir dos arquivos shapefiles (SHP) das áreas disponibilizadas no Sistema Nacional do Cadastro Ambiental Rural (SICAR) e do cálculo dos módulos fiscais, foram realizados os levantamentos dos dados das propriedades, informações do CAR e a classificação dos imóveis rurais. Para identificação das propriedades que aderiram ao PRA e as datas dos cadastros, foram realizadas pesquisas na consulta demonstrativa do CAR no SICAR com os códigos de cada imóvel, coletado na planilha extraída do SHP. Estes dados auxiliaram na análise de possíveis relações existentes entre os anos de cada cadastro com os anos de aumento de vegetação. RESULTADOS Ao investigar sobre importância da vegetação, verifica-se que a degradação do meio ambiente ocorre a muito tempo. De fato, isto está enraizado na história e a retirada de vegetação é uma das consequências ocasionados pelo homem nas áreas próximas aos rios, locais proibidos por lei, como é o caso das APPs. Com o mapeamento realizado, foi identificado que entre 2000 a 2010 a vegetação nas APPs do Ribeirão Marumbi era inexpressiva e houve um aumento de vegetação a partir de 2011, principalmente entre 2011 a 2016. Nos anos de 2018 e 2020 foi observado uma redução da cobertura vegetal, verificada através de análise e interpretação do NDVI. Para compreender os fatores que auxiliaram no aumento de vegetação nas APPs do Ribeirão Marumbi a partir da década de 2010 foram classificadas 140 propriedades que faz limite com ribeirão e registradas no CAR. A pequena propriedade se encontra em maior proporção no município de Marumbi, com 37 propriedades. O minifúndio é inexpressivo apenas no município de Marumbi. A média e grande propriedade representam uma pequena parcela, no total são 7 médias propriedades e 4 grandes propriedades. Próximo à nascente, identificou-se a presença de minifúndios e pequenas propriedades. No médio curso, verificou-se maior expressividade das pequenas propriedades. Na foz, a presença foi da média e grande propriedade. Dos 140 cadastros no CAR, 133 encontram-se �aguardando análise� (37 em Jandaia do Sul, 21 em Marumbi, 51 em Cambira e 24 em Novo Itacolomi). Foi identificado que o cadastro de uma propriedade próximo a nascente estava �cancelado por condição administrativa� (Jandaia do Sul), indicando que foram declaradas �informações com total ou parcialmente falsas, enganosas ou omissas; após o não cumprimento dos prazos estabelecidos nas notificações� (CAR, 2021). No médio curso do Ribeirão Marumbi, os cadastros estavam aguardando análise, e apenas a grande propriedade teve o CAR analisado onde consta com a condição �analisada com pendências�, ou seja, possui irregularidades e/ou declarações incorretas (CAR, 2021). Na foz do ribeirão, os cadastros das grandes e média propriedade encontram-se �em análise� e as pequenas propriedades estão com a condição do cadastro �aguardando análise�. Nestas condições, foi identificado que as datas de cadastros ocorreram de 2014 a 2019. Os anos com mais registros foram 2015 e 2016. Constatou-se que não existe um padrão nos anos de registros, ou seja, não existe relação que as maiores propriedades se registraram primeiro do que as pequenas e médias propriedades. Identificou-se que não há influência entre a data de cadastro e a condição do registro. As pequenas propriedades registradas no mesmo ano ou anterior que as médias e grandes propriedades continuam aguardando análise. Sendo assim, entende-se que as grandes propriedades estão sendo analisadas primeiro do que as pequenas propriedades. Na análise da vegetação nas propriedades cadastradas, verificou-se que o aumento de vegetação até 2016 foi principalmente no médio curso do Ribeirão Marumbi, área que se concentra os minifúndios e pequenas propriedades e tiveram seus registros no CAR realizados entre 2015 e 2016. Além disso, constatou-se que, todas as propriedades próximas ao médio curso do ribeirão, aderiram ao PRA. Outra área que foi identificado o aumento de vegetação foi na área da nascente, onde possui a presença de minifúndios e pequenas propriedades, que realizaram seus cadastros entre 2015 e 2016. Dentre as propriedades analisadas próximas à nascente, nem todas aderiram ao PRA. Foi observado algumas mudanças na presença de vegetação em 2020, através dos resultados obtidos pelo NDVI. Estas mudanças têm relação com a redução da vegetação a partir de 2019, condição que pode ser resultado da flexibilização das leis ambientais, falta de incentivo na preservação e na fiscalização dessas áreas e do descaso com o meio ambiente vivenciados no atual cenário político brasileiro. REFERÊNCIAS ALGARTE, Isabella Beatrys. Análise e Mapeamento da Vegetação do Ribeirão Marumbi � PR. Programa de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC). CCH/DGE/UEM. Maringá, 2018. BRASIL. Decreto nº 7.830, de 17 de outubro de 2012. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Decreto/D7830.htm> Acesso em: 28 abr. 2022. BRASIL. Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Código Florestal. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12651.htm#art83> CAR. Cadastro Ambiental Rural. Entenda a situação do CAR. Disponível em <https://www.car.gov.br/#/consultar/PR-4103800-EF75281D14344139905AA009A390099D> Acesso em: 08 maio 2021. LAUDARES, S. S. de A.; SILVA, K. G. da.; BORGES, L. A. C. Cadastro Ambiental Rural: Uma análise da nova ferramenta para regularização ambiental no Brasil. Revista Desenvolvimento e Meio Ambiente, Curitiba, v. 31, p. 111-122, ago. 2014. | 10. Geografia física e meio ambiente | Isabella B. Algarte | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5944 | resources/download/restrict/eng2020/1661909425_ARQUIVO_27e7e9d4ccaff5fc73ba65a2b170753a.pdf | ||||||||||||||||||
58 | 5919894 | A insegurança da segurança alimentar: o caso da produção de cenoura no Brasil | Introdução Entendida como encontro entre produção e consumo de alimentos, a alimentação tem a sua eficácia atrelada, dentre outros elementos, à organização espacial da produção e distribuição de tais produtos. Isso porque, quanto maior o movimento subentendido ao abastecimento de uma determinada população, maiores os custos com transporte e armazenagem, os preços praticados e, consequentemente, menor o acesso das pessoas aos alimentos. Nesse contexto, a concentração da produção aumenta as instabilidades na oferta, uma vez que, na ocorrência de eventos climáticos extremos, tais como frio, seca ou chuvas em excesso, parcelas significativas da produção podem se perder, causando aumentos abruptos do preço e, consequentemente, a redução do consumo, sobretudo para as famílias de baixa renda, colocando em xeque a segurança alimentar. A Organização Mundial do Comércio (WORLD TRADE ORGANIZATION, 2014) define a segurança alimentar como garantia de acesso regular e suficiente a alimentos para abastecimento de uma determinada população. Assim definida, a segurança alimentar tem a sua eficácia atrelada apenas à dimensão quantitativa, ignorando tanto a origem, quanto a qualidade e a diversidade dos alimentos consumidos. Este é o paradigma que, oficialmente, referencia a produção e a distribuição de alimentos no Brasil, pautado na Lei de Segurança Alimentar e Nutricional (Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006), em uma concepção que se limita à capacidade de produção na escala nacional, sem questionar o movimento dos alimentos entre o campo e a mesa. Dito isso, a partir do caso da cenoura, analisamos como o abastecimento referenciado na segurança alimentar (suprimento quantitativo via movimento dos alimentos no espaço) reforça a tendência de concentração da produção nacional de alimentos, à qual fica sujeita a desequilíbrios que geram desabastecimento e, consequentemente, aumento de preços e redução do consumo para parcelas significativas da sociedade, aprofundando a mácula da fome e da insegurança alimentar. Nesse sentido, considerando os dados do Censo agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes à produção de cenoura no Brasil e, também, o recente aumento de preços deste alimento na escala nacional, buscamos compreender os efeitos da atual organização espacial da produção de cenouras, de maneira a identificar possíveis vulnerabilidades, tanto do ponto de vista produtivo, quanto econômico e social. Para isso, inicialmente apresentamos um breve contexto histórico da produção de cenoura no Brasil, destacando a atual inexistência de impeditivos naturais para o cultivo comercial desta hortaliça na maior parte do território nacional. Em seguida, realizamos um mapeamento da produção nacional de cenoura, enfatizando as áreas de maior concentração da produção e, também, as principais consequências da organização espacial ditada pela segurança alimentar. Objetivos Objetivo Geral Compreender, a partir do caso da cenoura, as consequências da vigência da segurança alimentar para a produção e abastecimento de hortaliças no Brasil. Objetivos específicos - Apresentar um breve histórico da produção de cenoura no Brasil; - Analisar os dados referentes à produção de cenoura no Brasil; - Mapear a produção de cenoura na escala nacional; - Discutir o conceito de segurança alimentar à luz dos resultados obtidos. Metodologia Para atingir os objetivos aqui estabelecidos, inicialmente acessamos os dados do Censo Agropecuário do IBGE (2017) referentes à produção de cenoura no Brasil. Em seguida, os dados foram sistematizados de maneira a subsidiar o mapeamento das variáveis em estudo, com destaque para a identificação das áreas de maior concentração da produção deste tipo de cultivo. Posteriormente, com base em matérias referentes ao grande volume de chuva registrado no início do ano de 2022 no estado de Minas Gerais, avaliamos as implicações da concentração da produção de cenoura para o abastecimento do mercado nacional. Além disso, foram consultadas referências acerca dos principais conceitos que estruturam a análise, com destaque a segurança alimentar e o movimento dos alimentos no espaço. Resultados Pelo fato de a cenoura originalmente constituir um tipo de cultivo de climas mais amenos, no Brasil a hortaliça começou a ser plantada no estado do Rio Grande do Sul. Para que o cultivo se expandisse na escala nacional foi necessário o desenvolvimento de variedades adaptadas às condições brasileiras, o que foi possibilitado pelo trabalho da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA, 2022). Ainda que existam especificidades edafoclimáticas nas diferentes porções do território nacional, atualmente a cenoura é um tipo de cultivo possível de ser praticado em quase todas as regiões brasileiras, com exceção da região Norte, na qual existem limitações para o cultivo comercial da hortaliça (EMBRAPA, 2022). Com isso, queremos enfatizar que a atual concentração da produção nacional de cenouras se deve a opções políticas e econômicas e não ao imperativo de restrições edafoclimáticas intransponíveis. Nesse contexto, a análise dos dados mostrou que em torno de 64,5% da produção nacional de cenoura está localizada em apenas um estado da federação, Minas Gerais. Em outras palavras, dois a cada três quilogramas da cenoura comercializada no Brasil tem como procedência a produção mineira (CENSO AGROPECUÁRIO, IBGE, 2017). Aprofundando as análises, podemos notar que no estado de Minas Gerais apenas dez municípios respondem por quase 90% da produção estadual de cenoura, o que ilustra o alto �grau� de concentração deste tipo de cultivo também nesta escala (CENSO AGROPECUÁRIO, IBGE, 2017). No início de 2022, a ocorrência de chuvas em excesso prejudicou a prática de cultivos em diversas unidades da federação, com destaque para o estado de Minas Gerais. Dentre os cultivos afetados, a cenoura foi um dos casos mais emblemáticos, uma vez que a maior parte da produção nacional está concentrada neste estado. Com isso, houve falta do produto e, consequentemente, aumentos abruptos do preço. Para se ter uma ideia, de acordo com matérias publicadas pela imprensa (PATRIARCA, 2022), entre dezembro de 2021 e março de 2022 o preço médio da caixa de cenoura (29 kg) oscilou de R$ 50,00 para R$ 170,00, um aumento de quase 250%. Para os consumidores, o preço médio do quilograma passou de R$ 3,00 para até R$ 14,00, inviabilizando o consumo para a maioria das famílias. Isso mostra que a única �segurança� subentendida ao conceito de segurança alimentar é aquela relacionada à garantia da dependência (em relação ao movimento dos alimentos) e da insegurança (derivada da concentração da produção). Portanto, a insegurança da segurança alimentar está no fato de que, ao concentrar a produção e referenciar o abastecimento na generalização do movimento, o acesso aos alimentos passa a ser influenciado pelos custos subentendidos às distâncias entre o campo e a mesa. Além disso, o abastecimento fica sujeito a oscilações relacionadas a eventos adversos, tal como o ocorrido no estado de Minas Gerais no início de 2022, com consequências para toda a sociedade. Referências BRASIL. Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006. Dispõe sobre a criação da Lei de segurança alimentar e nutricional. Lei de segurança alimentar e nutricional: conceitos, Brasília, 2006. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/consea/3conferencia/static/Documentos/Cartilha_CONSEA-2007_NOVO.pdf>. Acesso em: 03/05/2020. EMBRAPA. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. A história da cenoura. Disponível em: <https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/49845405/a-historia-da-cenoura>. Acesso em: 05/04/2022. CONSEA/FAO/IICA. Construção do Sistema e da Política nacional de Segurança Alimentar e Nutricional: a experiência brasileira. Brasília: 2009. Disponível em: <https://www.fao.org.br/download/Seguranca_Alimentar_Portugues.pdf>. Acesso em: 01/05/2020. PATRIARCA, Paola. Preço da cenoura dispara e gera memes. Disponível em: <https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2022/03/11/preco-da-cenoura-dispara-e-gera-memes-entenda-o-que-esta-por-tras-da-alta.ghtml>. Acesso em: 18/03/2022. WORLD TRADE ORGANIZATION (WTO). Food security: definition glossary. [2014]. Disponível em: <http://www.wto.org/english/thewto_e/glossary_e/food_security_e.htm>. Acesso em: 07/02/2020. | 05. Geografia da fome, alimentar e da saúde | Valmir Valério | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5864 | resources/download/restrict/eng2020/1660176659_ARQUIVO_c2f0f11de003989f8ab0b197e846d53b.pdf | ||||||||||||||||||
59 | 5765498 | A insegurança entre muros no município de Marialva-PR | Introdução O trabalho que está sendo desenvolvido dedica-se a analisar o aumento da insegurança no município de Marialva, considerada uma cidade pequena de 31.959 habitantes, segundo o Senso Demográfico de 2010, localizada no estado do Paraná, compondo a Região Metropolitana de Maringá. As pequenas cidades por muito tempo foram conhecidas como lugar de tranquilidade, calmaria e serenidade, uma vida bucólica e feliz, o qual dormir com as janelas abertas sentindo a brisa da noite iluminada pela lua era regra, os vizinhos e amigos sempre próximos. Entretanto esse cenário tem mudado rapidamente, e as janelas que antes ficavam abertas se fecharam, os vizinhos tornaram-se estranhos e as ruas sinal de perigo e insegurança. Esse fenômeno deve ser analisado a luz das transformações econômicas, politicas, culturais e sociais, pois apesar das pequenas cidades parecerem oásis em um copioso deserto de concreto a mesma está inserida nesse ecossistema de produção atual. As mudanças que ocorrem em escalas, mundial, nacional e estadual afetam sua dinâmica. Em síntese, o mundo globalizado insere precariamente todos os espaços. Esse é o modo de inserção possível numa sociedade crítica como a moderna sociedade capitalista (DAMIANI, 2006 p.137). Podemos compreender esse processo como Guy Debord, enquanto �uma maré de destruições, poluições, falsificações, que se estende por toda a superfície do planeta�: �em um mundo unificado, não é possível exilar-se� (Debord, 2002, p.49). De acordo com Sposito (2005, p. 10), as cidades são, em parte, �o resultado cumulativo de todas as outras cidades de antes, transformadas, destruídas, reconstruídas, enfim produzidas pelas transformações sociais�. É preciso também levantar informações sobre a formação das cidades, suas especificidades locais, dentro do contexto das narrativas históricas, objetivando compreender sua gênese e evolução. Atualmente o tema urbanização tornou-se imprescindível inclusive para o Brasil, sendo que 85% da população vivem em área considerada urbana segundo o Instituto de Geografia e Estatística (IBGE). A população brasileira é majoritariamente urbana, entretanto isso não significa uma homogeneização ou padronização, pois as cidades têm suas particularidades dentro de suas escalas espaciais e temporais. É imprescindível ressaltar que o processo de urbanização no Brasil começou através das politicas de Getúlio Vargas na década de 30, adotando politicas de industrialização, visando o mercado interno e substituição de importação, mas foi no inicio de 1960 e 1980, que �o êxodo rural brasileiro alcançou um total de 27 milhões de pessoas. Poucos países conheceram movimentos migratórios tão intensos, quer se considere a proporção ou a quantidade absoluta da população rural atingida� (CAMARANO; ABRAMOVAY, 1998, p.1) Nesse momento as cidades brasileiras cresceram rapidamente devido aumento da população de origem rural de imigrantes. Nesse momento de transição entre 1960-1980 a cultura predominante na região de Marialva era a cafeicultura, porem com a crise do café e a geada de 1975, muitos produtores desistiram da cafeicultura e mecanizaram suas lavouras, optando por outras culturas por, exemplo, soja, milho, e nas propriedades menores a viticultura, fruto do pioneirismo dos imigrantes japoneses que ali se instalaram na década de 1960, porem aqueles que trabalhavam nas lavouras de café e que não possuíam terras se mudaram para cidade, aumentando vertiginosamente o numero da população urbana. É possível perceber esse aumento observando a tabela abaixo: Com base na Tabela 01, é possível identificar uma queda brusca no número de habitantes entre a década de 1980 a 1991. Isso ocorreu devido ao fato de Sarandi ser elevada à categoria de Município e não mais distrito de Marialva, segundo a lei Estadual n°. 7502, de 14/10/1981. Objetivo O objetivo do trabalho é analisar o aumento da insegurança no município de Marialva levando em consideração as taxas de homicídios a partir de 2012, tendo em vista também a percepção de seus moradores sobre a violência e sentimento de insegurança, por fim comparar as paisagens dos bairros centrais com os periféricos, visando equiparar os instrumentos de segurança disponível nesses espaços. A composição teórica presente no artigo foi desenvolvida com base em levantamentos bibliográficos realizados de maneira minuciosa entre as principais instituições de pesquisa nacionais e regionais. A partir dos apanhados teóricos programamos a coleta de dados por intermédio da Secretaria de Segurança do estado do Paraná. Os dados coletados compreendem ao número de homicídios, no período estabelecido entre 2012 a 2021. Após a coleta foi elaborado os gráficos via Microsoft Excel, possibilitando manusear as informações. Na segunda parte será aplicado questionário para população para verificar sentimento de insegurança e por fim análise espacial dos bairros e os equipamentos de vigilância disponíveis, entretanto essa segunda parte ainda está em execução. Resultados parciais Considerando os dados da Secretaria de Segurança do Paraná de 2012 a 2021 confeccionamos um gráfico de homicídio por 100 mil habitantes, observamos aumento na taxa de homicídio, inclusive a partir de 2019, como pode ser verificado no gráfico abaixo: Para o desenvolvimento do trabalho adotamos algumas hipóteses para esse aumento na taxa de homicídio, a primeira hipótese é o aumento populacional e integração na Região Metropolitana de Maringá que condiciona um movimento maior de mercadorias e pessoas. A segunda hipótese é aumento no trafico de drogas e disputas por territórios. E por último o avanço da crise econômica que agravam as questões sociais. Observando a cidade é perceptível constatar nos últimos anos o aumento de condomínios fechados e casas com muros maiores e cercas elétricas, essas modificações reflete a principio o aumento da insegurança no espaço urbano, o qual será confirmado ou refutado na segunda parte do trabalho. É preciso levar em consideração a violência real e representada como parte de um sistema de produção de representações da realidade urbana. Assim a violência representada tem laços e concordâncias com a violência real, caracterizada pela materialidade e suas marcas, essa materialidade é apropriada por agentes, por exemplo, a mídia, e com base nessa produz a representação, articulando e organizando a informação, que por vez produz sentimento de insegurança nos telespectadores, levando a temeridades exacerbadas, nesse caso consideramos os muros a expressão mais forte e visível do �urbanismo do medo�. | 01. Cidade e Urbano | Gustavo Gabriel Garcia | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5470 | resources/download/restrict/eng2020/1661524883_ARQUIVO_2af695ad46aaad3eabf33d37e0544c0d.pdf | ||||||||||||||||||
60 | 4313933 | A Inserção das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação para o Ensino de Geografia e a Inclusão das Pessoas com Deficiência Visual | A partir das perspectivas que visam à inclusão das pessoas com deficiência visual no ambiente escolar, trazemos para este artigo breves contribuições teóricas ligado a Educação Inclusiva e as Tecnologias em Audiodescrição, mas sobretudo, nosso principal objetivo é contribuir com as metodologias de ensino de geografia para os professores trabalharem com seus educandos em sala de aula. Uma grande parcela dos docentes de licenciatura não tiveram em seus currículos, disciplinas que abarcassem o debate da Inclusão e das Deficiências, pensando nesse cenário é que trouxemos um recorte, da pesquisa de mestrado em Educação da autora Vieira 2018, que auxilia os professores e educandos com deficiência visual a trabalharem imagens, em nosso caso, utilizamos em nossa pesquisa, a imagem do mapa do estado do Mato Grosso do Sul em sala de aula, através do recurso com acessibilidade em Audiodescrição. Atualmente vivemos a �era da informação� e as tecnologias promovem alternativas que nos auxiliam aprimorar as práticas de ensino visando a educação inclusiva por meio de estratégias, pedagógicas que respeite, valorize e promova as potencialidades de cada estudante. O uso de recursos tecnológicos evoluiu, com o passar do tempo, e vem se apresentando como uma possibilidade a ser estudada na educação. Pois os recursos disponibilizados pelo computador fazem do mesmo uma ferramenta que poderá ser usada como instrumento para facilitar a construção do conhecimento dos estudantes com deficiência, seja na pesquisa de informações ou na elaboração dos conceitos. Assim, as tecnologias, principalmente as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação são todos aqueles recursos digitais que conectam, informam e organizam as informações e comunicação dos seres humanos. E na educação, diante das práticas inclusivas, têm auxiliado no desenvolvimento da aprendizagem dos Estudantes Público Alvo da Educação Especial, dentre estes, com Deficiência Visual, que é nosso sujeito de estudo nessa pesquisa. Sendo assim, a inclusão aliada às tecnologias, podem proporcionar grandes benefícios na aprendizagem, pois estas tecnologias se tornam ferramentas facilitadoras na construção do conhecimento e no próprio processo de inclusão, tanto digital, quanto social. Ressaltamos a importância que se tem do ensino-aprendizagem da cartografia em sala de aula, pois é a partir desse tema que poderemos abordar os elementos geográficos de representação, localização e orientação, e com o uso da Audiodescrição, fazemos a transformação de imagens em palavras para os Educandos com deficiência, inseridos na sala de aula. Nesse sentido, fica sob a responsabilidade do professor de geografia elaborar atividades em sala de aula que estimule seus educandos a se orientar, fazer projeção de simbologias do local onde ele está inserido, pois com o resultado dessa pesquisa, alcançamos o desafio que foi a construção de um material didático que auxilia nas metodologias de ensino de geografia para os professores, conseguirem de fato incluir seus educandos dom deficiência visual em sala de aula. Referências bibliográficas BRASIL. Tecnologia assistiva. ATA VII. Comitê de Ajudas Técnicas (CAT). Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE). Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Disponível em: . Acesso em: 29 jun. 2014. CALLAI, Helena Copetti; CALLAI, Jaeme Luiz. Grupo, espaço e tempo nas séries iniciais. In: CASTROGIOVANNI, Antônio Carlos et al. (Orgs.). Geografia em sala de aula: práticas e reflexões. 4. ed. Porto Alegre: UFRGS; Porto Alegre: AGB - seção Porto Alegre, 2003. p. 65- 75. ELIAS, Norbert. O processo civilizador: formação do Estado e Civilização. vol. 2, Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 1993. vol. 2. FRANCO, Eliana Paes Cardoso; SILVA, Emanuela Cristina Correa Carvalho da. Audiodescrição: breve passeio histórico. In: MOTTA, Lívia Maria Villela de Mello, FILHO, Paulo Romeu (Orgs.). Audiodescrição: transformando imagens em palavras. São Paulo: Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, 2010. p. 23-42. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa. 12. ed. 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Educação, inclusão e TICs na contemporaneidade: as tecnologias disponíveis na televisão para �ver e ler� vozes. In: NASCIMENTO, Grazielly Vilhalva Silva do; SANTOS, Reinaldo. Educação, inclusão e TICs: legendas e janelas de libras como recurso para inclusão da pessoa surda e da pessoa com deficiência auditiva. São Leopoldo - RS: OiKos, 2016. SANTOS, Reinaldo; VIEIRA, Jaqueline Machado. Diferentes aprendizagens: os desafios e avanços da inclusão tecnológica em Audiodescrição como recurso metodológico aplicado ao ensino de geografia, PARA ONDE!? Porto Alegre, Revista Eletrônica, Programa de pós-graduação em Geografia UFRGS, nov.2018. Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/paraonde>. Acesso em: 01 de abril de 2020. VIEIRA, Jaqueline Machado. Geografias para além dos olhos: a linguagem geográfica dos deficientes visuais � estudo a partir da Escola Prof. Faradei Bôscoli. 72 f. Monografia (Monografia em Geografia) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Presidente Prudente SP: [s.n], 2015. VIEIRA, Jaqueline Machado. Para ver os Mapas com Palavras: Audiodescrição como Recurso Pedagógico no Ensino de Geografia para a Inclusão de Pessoas com Deficiência Visual. 200 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Federal da Grande Dourados. Dourados MS, 2018. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Jaqueline VIEIRA | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 1695 | resources/download/restrict/eng2020/1662002811_ARQUIVO_183802b6e14fe022232871009fe09d83.pdf | ||||||||||||||||||
61 | 4836995 | A juventude negra do Hip Hop e as batalhas de rima: apropriação dos espaços públicos enquanto resistência | INTRODUÇÃO O artigo versará a respeito de como a juventude negra, por meio das batalhas de rima, se apropria dos espaços públicos e potencializa a afirmação de suas identidades, a denúncia as desigualdades vivenciadas e a resistência às opressões sociais cotidianas. Desta forma, objetiva-se discutir a importância das batalhas de rima para a juventude negra do Hip Hop e de que forma esses eventos possibilitam a apropriação dos espaços públicos enquanto forma de resistência. Como estudo de caso, são apresentados os cenários das batalhas de rima realizadas em Londrina (PR), a cena do Hip Hop na cidade é repleta de manifestações relacionadas à essa cultura e com forte participação da juventude, principalmente negra. A cidade possui sete batalhas de rima � Batalha do Hemp; Batalha do Cinco; Batalha do Café; Batalha da Concha; Batalha do Antares; Batalha do Vibe; e Batalha do Galo � distribuídas em suas zonas, sendo que as seis primeiras acontecem em espaços públicos, destacando a importância desses locais para encontro, lazer e manifestações da juventude. Os procedimentos metodológicos da pesquisa consistem na leitura e fichamento de produções ligadas à temática discutida, trabalhos de campo nas batalhas de rima de Londrina e apresentação de imagens que ilustram os cenários discutidos. DISCUSSÃO TEÓRICA Juventude é entendida aqui como uma fase de vida, como um momento na trajetória biográfica dos sujeitos. Pais (2003) afirma que a juventude pode ser tomada como um conjunto social amplamente diversificado, cujo principal atributo é o de ser constituído por indivíduos pertencentes a uma dada fase de vida � principalmente definida em termos etários. Turra Neto (2015a) destaca duas imagens históricas e paradigmáticas nas representações das juventudes: como fase de vida de preparação para o futuro e como fase de experimentação e de curtir a vida no presente, o que geralmente se materializa nos grupos ou culturas juvenis. Essas duas imagens em alguns momentos se combinam e em outros não, devido a alguns não possuírem condições materiais necessárias para combiná-las, evidenciando assim, �os modos de ser jovens entre os diferentes setores sociais� (TURRA NETO, 2015, p. 124). A juventude é marcada por diversos elementos, como os relacionados ao mercado de trabalho, as pressões sociais e as redes de sociabilidade. No que tange às redes de sociabilidade, umas das ações que ocorre com maior ênfase nessa fase de vida é a adesão a culturas juvenis, tais como Funk e Hip Hop. Por meio da participação nas culturas juvenis, as juventudes adquirem maior força e possibilidade de se apropriar do espaço geográfico. Essas culturas proporcionam o encontro entre jovens que vivem em diferentes contextos, mas que possuem o interesse cultural em comum, potencializando as redes de sociabilidade e estimulando a troca de conhecimento, valores e experiências. No caso do Hip Hop � foco desta pesquisa � as juventudes veem essa cultura como uma forma de expressão e denuncia às desigualdades vivenciadas cotidianamente. Desde sua criação, o Hip Hop possui um cunho social e político permitindo que as populações por meio da fala, música, pintura e dança reivindiquem por seus direitos básicos. Tendo em vista que é uma cultura periférica e marginalizada, o Hip Hop é praticado majoritariamente pela população negra. Assim, as juventudes negras criam redes de sociabilidade por meio dessa cultura juvenil e em seus eventos se encontram, denunciam suas vivências, compartilham suas histórias e resistem as opressões cotidianas. As batalhas de rima � disputas entre MCs que fazem suas rimas a fim de ganhar da/o adversária/o � são um exemplo de manifestação da cultura Hip Hop em que a juventude negra se encontra e por meio da fala e música socializa suas histórias. Nesse sentido, a juventude negra por meio da cultura Hip Hop materializa suas práticas espaciais, sobretudo, nos espaços públicos. Um dos elementos que mais atrai as/os jovens para a adesão a essa cultura, além do encontro e possibilidade de expressão, é o lazer oportunizado e a gratuidade na participação dos eventos que são frequentados pelas classes populares. Deste modo, quando os eventos são realizados nos espaços públicos, a gratuidade se torna uma regra. O Hip Hop e a juventude negra reafirmando as dimensões política e cultura dos espaços públicos. Por meio da apropriação desses locais, o direito ao seu uso é reivindicado, assim como o direito a existência e a divulgação das pautas sociais, gerando um diálogo entre as/os jovens que aderem à cultura e entre estas/es e as/os frequentadoras/es dos espaços públicos. Souza (2018) ressalta que as noções de espaço público estão associadas às seguintes características: vinculada ao Estado, acessível a todas/os, do interesse de todas/os e relativo ao bem comum. São locais acessíveis a todas/os e que possibilitam o encontro entre as/os diferentes. Pessoas de classes sociais distintas, trajetórias de vida diferentes e opiniões, crenças e valores diferenciados se encontram e compartilham do mesmo local, sem necessariamente interagir entre si. Há uma série de pesquisas acerca dos espaços públicos que defendem que esses locais passam por uma crise ou decadência e que pode estar se aproximando de seu fim, a principal justificativa é a crescente individualização da sociedade perde-se o interesse nas experiências públicas e comuns. Porém, consideramos esse fato como um equívoco e concordamos com autoras/es como Souza (2018), Góes e Spósito (2016) e Sobarzo (2006) que defendem que os espaços públicos não estão com seu fim próximo, mas sim que tiveram seu conteúdo alterado, como por exemplo, no que diz respeito à diversidade de público. As batalhas de rima, assim como as outras manifestações do Hip Hop, reafirmam a importância dos espaços públicos para a cultura, para o encontro, para a expressão e principalmente para o lazer da juventude, contrariando as teses que defendem o fim desses locais. Londrina é uma cidade com diversos espaços públicos e a juventude negra do Hip Hop se apropria desses locais para a realização das batalhas de rima, principalmente das praças. Daí a importância de compreender a realidade da cidade, os cenários das batalhas de rima e sua importância na utilização dos espaços públicos enquanto resistência às opressões, aspectos estes que o artigo completo se propõe a discutir. REFERÊNCIAS PAIS, José Machado. Culturas Juvenis. 2 ed. Lisboa: Imprensa Nacional � Casa da Moeda, 2003. GÓES, Eda Maria; SPÓSITO, Maria Encarnação Beltrão. Práticas espaciais, cotidiano e espaço público: o consumo como eixo da análise do calçadão de Presidente Prudente-SP. Anpege, Rio de Janeiro, v. 12, n. 19, p. 39-65, jul./dez. 2016. TURRA NETO, Nécio. Definir juventude como ato político: na confluência entre orientações de tempo, idade e espaço. In: CAVALCANTI, Lana de Souza; CHAVEIRO, Eguimar Felício; PIRES, Lucineide Mendes. A cidade e seus jovens. Goiânia: Ed. PUC Goiás, p. 119-136, 2015. SOBARZO, Oscar. A produção do espaço público: da dominação à apropriação. Geousp, São Paulo, n. 19, p. 93-111, 2006. SOUZA, Andre Felix. Os espaços públicos nas cidades contemporâneas: uma (re)visão. Geografares, Vitória, v. 26, p. 182-213, jul./set. 2018. | 06. Relações étnico-raciais, gêneros e sexualidades | Ana Carolina Marques | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 357 | resources/download/restrict/eng2020/1661970675_ARQUIVO_15afbf946ee01ee8c78d542b6446fdad.pdf | ||||||||||||||||||
62 | 4483960 | A metodologia de projetos no Ensino Médio: a proposta do Projeto Integrado em Geografia (�ProGeo�). | O Projeto Integrado em Geografia (ProGeo) consiste em uma inovação didática, baseada na metodologia de projetos, em curso nas aulas de Projeto Disciplinar de História e Geografia (PHG), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, campus de São João da Boa Vista (IFSP-SBV). De modo geral, as ações do ProGeo visam integrar elementos teóricos e práticos de geografia física � estrutura, composição e dinâmica dos sistemas naturais, aspectos geológicos, climatológicos, geomorfológicos, hidrogeográficos, pedológicos e biogeográficos das paisagens, uso e ocupação do solo, exploração dos recursos naturais, crise ambiental, desenvolvimento sustentável etc. � abordados, tradicionalmente, no primeiro ano do Ensino Médio. Na medida em que a autonomia e o protagonismo discentes são fundamentais para um processo de ensino-aprendizagem significativo e duradouro (FANTIN; TAUSCHEK; NEVES, 2013), as ações didáticas do ProGeo buscam superar os modelos tradicionais da geografia escolar, assentados na memorização de conteúdos � em geral, de modo desarticulado com o contexto histórico-geográfico dos adolescentes e jovens (CALLAI, 1999; CAVALCANTI, 1998; LACOSTE, 1988) � e nas relações verticais entre professores e alunos (CALLAI, 1999; CAVALCANTI, 1998). Em outras palavras, a proposição de estratégias inovadoras no Ensino Médio, além de aprofundar o interesse dos estudantes pela geografia, integrando os conceitos, as técnicas e os métodos da disciplina a situações concretas do cotidiano, reforça a importância da análise espacial na formação de cidadãos críticos (CALLAI, 1999; FANTIN; TAUSCHEK; NEVES, 2013), e da geografia como componente curricular da educação básica (CARNEIRO, 1993). Para tanto, o ProGeo foi inspirado nas metodologias ativas, cujas práticas pedagógicas concebem o aluno como sujeito ativo no processo de ensino-aprendizagem e preveem o emprego das novas tecnologias da informação e da comunicação, o ensino híbrido, as aulas invertidas, a aprendizagem baseada em problemas, a metodologia de projetos, os estudos de caso, os trabalhos e as dinâmicas em grupos e os jogos e as aulas roteirizadas etc. como estratégias didáticas (MORÁN, 2015). No ProGeo, trabalha-se com a metodologia de projetos. A partir de uma situação-problema � proposição de um empreendimento sustentável em conformidade com as especificidades socioambientais e as potencialidades socioeconômicas em um recorte territorial pré-fixado �, as atividades do projeto abarcam a aprendizagem baseada em problemas, o levantamento e a análise de informações em diferentes fontes de pesquisa, impressas ou digitais, os trabalhos em grupos, a confecção de esquemas representativos diversos - gráficos, cartogramas, perfis topográficos, maquetes, climogramas, tabelas, quadros, mapas mentais etc. -, e a divulgação do projeto em eventos científicos. O desenvolvimento do ProGeo foi estruturado em quatro etapas, com ordem crescente de complexidade, que coincidem com os conteúdos de geografia física abordados, bimestralmente, durante o ano letivo, em sala de aula. Todas as atividades são desenvolvidas em grupos de trabalho, compostos por quatro a cinco alunos, e com orientação e supervisão contínuas do professor. Na primeira etapa, os grupos de trabalho investigam as características fisiográficas (aspectos locacionais, geológicos, climatológicos, hidrogeográficos, geomorfológicos, pedológicos e biogeográficos) e sociais (uso e ocupação do solo, setores de atividade econômica, elementos culturais, problemas socioambientais, movimentos migratórios etc.) do recorte territorial representado em um mapa-base, distribuído pelo professor. A cada grupo será atribuído um recorte específico, a saber: Ponta do Almada, em Ubatuba (SP); um canavial, em Santa Lúcia (SP); as margens de uma represa, em Paranapanema (SP); e um segmento da zona rural entrecortado por ferrovia, em Itirapina (SP). Tal abordagem, além de estimular a leitura cartográfica e a análise de informações espaciais, é condizente com os conteúdos disciplinares do primeiro bimestre de PHG, como introdução à geografia - conceitos-chave da disciplina, relações sociedade-natureza, diferenciação, desigualdades e interações socioespaciais -, e cartografia e representação espacial - sistema de coordenadas geográficas, escalas cartográficas, simbologia cartográfica, altimetria etc. Na segunda etapa, quando são abordados os conteúdos relativos à dinâmica geológica e climatológica, no Brasil e no mundo, os grupos confeccionam, a partir das curvas de nível do mapa-base, uma maquete e um perfil topográfico ampliado do recorte territorial. Ademais, produzem climogramas e tecem análises críticas sobre as relações entre os elementos geológicos e climatológicos e as atividades humanas naquele lugar. O objetivo central desta etapa consiste em aprofundar as discussões sobre os fatores que conformam as paisagens e sobre as relações sociedade-natureza, em sua historicidade e complexidade. A terceira etapa prevê o exame das bacias hidrográficas e das características geomorfológicas, pedológicas e biogeográficas do recorte territorial. Nesse momento, procura-se fomentar uma visão integrada dos sistemas naturais e dos impactos decorrentes da ação transformadora do homem nos referidos sistemas. Além disso, enfatiza-se a necessidade do planejamento para coibir ou minimizar os desequilíbrios socioambientais. Essa etapa coincide com a abordagem dos conteúdos de hidrogeografia, pedologia, biogeografia e uso e ocupação do solo em sala de aula. A última etapa tem caráter propositivo. Após avaliar intensamente o recorte territorial, os grupos propõem a implantação de empreendimento sustentável, condizente com as especificidades sociais, econômicas e ambientais do local estudado. Este exercício visa destacar a singularidade dos lugares no espaço geográfico, bem como a necessidade da exploração dos recursos naturais de maneira sustentável ou socialmente justa e equilibrada. Esse é o momento em que, nas aulas teóricas, são debatidos temas como a crise ambiental e o desenvolvimento sustentável, no contexto mais amplo da geopolítica contemporânea. No decurso de todas as etapas do ProGeo, os grupos produzem um portfólio contendo os registros das atividades realizadas no projeto. O portfólio, a maquete, o perfil topográfico, o climograma e quaisquer outros esquemas representativos, assim como a proposta de empreendimento sustentável, serão apresentados na seção local da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), prevista para outubro do ano corrente, como forma de instigar a investigação e a divulgação científica, a capacidade de argumentação e a troca de experiências. Todos os materiais produzidos durante o ProGeo, assim como a exposição dos projetos na SNCT, constituem instrumentos para avaliação da aprendizagem dos discentes. Ao término da primeira edição do ProGeo, previsto para o final de 2020, espera-se que os alunos, a partir de um recorte territorial preestabelecido, desenvolvam novas competências e habilidades baseadas na análise espacial e na reflexão geográfica, como a abordagem holística na avaliação dos sistemas naturais e a criticidade na investigação das relações históricas e dialéticas entre sociedade e natureza. Referências: CALLAI, H. C. A geografia no Ensino Médio. Terra Livre, São Paulo, v. 14, p. 56 � 89, 1999. CARNEIRO, S. M. M. A importância educacional da geografia. Educar, Curitiba, UFPR, n. 9, p. 125 � 129, 1993. CAVALCANTI, L. de S. Ciência geográfica e ensino de geografia. In:______. Geografia, escola e construção de conhecimento. Campinas: Papirus, 1998. FANTIN, M. E.; TAUSCHEK, N. M.; NEVES, D. L. Metodologia de ensino de geografia. Curitiba: Intersaberes, 2013. LACOSTE, Y. A geografia � isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra. São Paulo: Papirus, 1988. MORÁN, J. Mudando a educação com metodologias ativas. In: SOUZA, C. A de; MORALES, O. E. T. Convergências midiáticas, educação e cidadania: aproximações jovens. Ponta Grossa: Proext, 2015. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Elias Mendes Oliveira | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 743 | resources/download/restrict/eng2020/1661973760_ARQUIVO_b5508a101bc56f3207a936a144d4870e.pdf | ||||||||||||||||||
63 | 5696720 | A metodologia do debate no ensino de Geografia | Historicamente, uma das maiores preocupações no Brasil gira em torno da educação. O que se viu é que com o passar dos anos e, sobretudo, a partir da Ditadura Militar, e seguindo o período de uma forte influência neoliberal dos anos 80 e 90, assentou-se um ensino baseado no tecnicismo, em uma formação simplesmente para o mercado de trabalho. O presente trabalho busca contribuir para uma educação escolar que tenha no cotidiano do aluno uma possibilidade de associação com os conteúdos escolares, a fim de um conhecimento articulado e organizado construído a partir da relação professor-aluno. O trabalho é fruto das experiências no PIBID, bem como de discussões teórico-metodológicas durante a graduação em Geografia. Utilizamos como referências para embasar nossas preocupações, autores como Freire (1996), Santos (2004) e Callai (2010). Uma educação para a liberdade deve ter suas bases na formação cultural e crítica dos alunos, mas sob nenhuma perspectiva há como constituir, sem conhecimento, uma mudança na base da desigualdade escolar brasileira. É necessária uma busca constante por uma mescla dos conhecimentos historicamente construídos pela sociedade em diálogo com o conhecimento a ser construído na própria relação professor-aluno e nas experiências de vida, levando em conta que educação, formação humana e cultural não se dão apenas no âmbito da escola. Diálogo significa interação entre indivíduos, troca de ideias. Aqui está a essência da construção do conhecimento, no ato de dialogar se mostra uma ideia, ao mesmo tempo que se conhece múltiplas posições geradas pela ação social, a partir daí se tem a dialética, as contradições inerentes a realidade, a multiplicidade de análises que diferentes sujeitos podem fazer de determinado objeto. Entende-se que o caráter essencial do ensino de Geografia é antes de tudo, proporcionar uma noção espacial ao aluno, ou seja, que se possa entender como se dá os arranjos e rearranjos que geram a realidade da sua cidade, do seu país e do mundo. Quando se entende o espaço como algo construído historicamente pela sociedade, e mais do que isso, que todos o produzem constantemente, é possível que os alunos também se enxerguem enquanto parte desse espaço que produzem todos os dias, que veem seus pais produzindo, seus vizinhos produzindo, os trabalhadores da prefeitura produzindo. Uma Geografia a serviço de um conhecimento articulado. Assim, duas grandes colocações pautaram a formulação da metodologia: a necessidade do diálogo com os alunos e as condições desses obterem um conhecimento articulado acerca do conteúdo; e as noções espaciais necessárias ao ensino de Geografia com a interdependência de escalas. Pensando metodologias diferenciadas durante o PIBID e tendo em vista essas condições, procurou-se formas que pudessem suprir tais dificuldades. Como conseguiríamos interagir melhor com os alunos, dando valor ao conhecimento que eles já tinham acumulado, promovendo a transformação desse conhecimento em um mais articulado e organizado? Como instigar uma visão geográfica por meio da totalidade que tenha na noção espacial e no entendimento de que as escalas são interdependentes e interpenetradas? Assim, encontrou-se o debate como possibilidade. Quando se debate, abre-se espaço para múltiplas visões, ajuda na argumentação, ao aluno realmente expor seus pontos de vista. Como ser dotado de autonomia, ele é capaz de analisar, sobretudo, as situações que estão diretamente ligadas ao seu cotidiano, e a Geografia tem um lugar impar nesse processo, levando em conta o movimento constante de construção que se faz a todo tempo. A prática se dá seguinte forma: utilizamos geralmente três aulas: a primeira para observação das aulas dos professores supervisores, a fim de levantar necessidades e possibilidades dentro da realidade e pensando formas de associar com determinado conteúdo; a segunda aula é utilizada para uma apresentação do conteúdo, de forma a colocar os alunos a par da discussão, sendo que na terceira aula promove-se o debate. A ideia de uma das oportunidades em que trabalhamos foi tratar a relação do homem com o meio, mas especificamente como eles percebiam essa relação tanto através do que aprenderam ao longo de seus anos de estudo, quanto ao longo de suas próprias experiências do cotidiano, destacando as características dessa relação no bairro, na cidade e também em escalas maiores. Na conversa vários pontos foram levantados, sobretudo, no município de Catalão (GO), onde se localiza a escola, como a falta de água em alguns anos. Discutimos também em torno do uso de agrotóxicos nas lavouras e como isso influencia na qualidade dos alimentos. Passamos a associar, a partir daí, fatos mais simples, como a quantidade de água necessária para se produzir um caderno que eles usavam na sala, de onde pode vir esse papel, produzido por quem, em que condições. A construção da pista de caminhada no bairro, a coleta de lixo, buscando levar uma ideia da produção espacial. De maneira geral, observamos alunos que conseguiram explicar melhor até mesmo as coisas que aconteciam próximo a realidade conhecida, sendo nítido o quanto eles se empolgavam para associar determinada experiência com o conteúdo. Percebemos, então, que quando se apresenta ideias, se debate e compara fatos, causas e efeitos, o resultado é um desprendimento dessas noções deterministas e fragmentadas, impostas muitas vezes por uma Geografia que se mostra cada vez mais retalhada. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Vitor Rezende, Antonio Carlos Freire Sampaio | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5853 | resources/download/restrict/eng2020/1658929045_ARQUIVO_bb20a17d157311eaaa82b9d841b2e0be.pdf | ||||||||||||||||||
64 | 2988445 | A metrópole trinacional e o corredor bioceânico: megaprojetos e conflitos territoriais na tríplice fronteira | Nos últimos anos, a região da fronteira trinacional entre Brasil, Paraguai e Argentina vem passando por diversas transformações orientadas a partir de uma complexa rede de agentes e processos de internacionalização do capital, com grandes consequências para os moradores da região. Se antes dominada pelos interesses da Itaipu, de proprietários e o empresariado local, especialmente do setor turístico, atualmente a escala local não é capaz de explicar as transformações territoriais. Em uma complexa interação entre agentes locais, nacionais, continentais e mundiais, a região encontra-se no centro de megaprojetos que tem pressionado comunidades tradicionais, acampamentos, favelas e ocupações urbanas por meio da valorização do solo e processos de despossessão. Assim, o objetivo deste trabalho é fazer um panorama sobre os megaprojetos de escala continental e como eles impactam as pequenas e médias cidades no Paraná, especialmente na região da Fronteira Trinacional. Além da revisão bibliográfica foi utilizada a consulta a notícias e reportagens das mídias locais quanto aos megaprojetos. O primeiro projeto é chamado de �Metrópole Trinacional�, criado entre 2017 e 2018 a pedido da empresa Itaipu Binacional, com a proposta de criação de um grande centro logístico da América Latina, vinculado ao segundo megaprojeto, o �Eixo de Capricórnio�. A proposta da Metrópole Trinacional aponta como potencialidades para o desenvolvimento local: os Parques Nacionais; a Usina de Itaipu; o pólo comercial de Ciudad del Este; a produção do agronegócio e da agroindústria da região; a Universidade da Integração Latino Americana (UNILA) e o Parque Tecnológico da Itaipu (PTI) como pólos produtores de inovação e conhecimento; dentre outros. Este hub logístico que a metrópole se tornaria estaria no centro da ligação entre os oceanos Atlântico (Paranaguá - Brasil) e Pacífico (Antofagasta - Chile) por malha rodoviária e ferroviária, além da ampliação da navegabilidade da Hidrovia Paraná-Paraguai, portanto trata-se de um nó logístico multimodal, e está também vinculado a diversos outros projetos na América do Sul. Para a concretização da Metrópole Trinacional, estão previstos diversos investimentos em obras de infraestrutura para transformar esse território em uma grande metrópole, com destaque para a criação de um anel rodoviário, a construção de mais duas pontes para o Paraguai, portos nos três países, ampliação de aeroportos, rede ferroviária integrada, etc. Além das obras, está prevista também a criação de regimes especiais de tributação para facilitar o trânsito de mercadoria e capital. Esses projetos, promovidos e comemorados pelas mídias e burguesia empresarial locais, vêm com os devidos douros da pílula: sustentabilidade, inovação, inteligência, eficiência, participação etc., sem colocar em questão os impactos sociais e ambientais promovidos, ou a dimensão dos projetos, uma vez que destoam em proporção e escala das características atuais da cidade. Os próprios documentos oficiais já identificam os reais beneficiários destas grandes obras que são pagas com dinheiro público, que destaca os hotéis e atrações turísticas beneficiadas de projetos como a duplicação da Av. das Cataratas. Em Foz do Iguaçu, o empresariado turístico é beneficiado pela maioria dos investimentos na cidade, favorecendo-se tanto com a disponibilidade da infraestrutura quanto na valorização da terra. Esta prática não deve ser vista apenas como uma consequência ou como um subproduto da economia regional, mas sim como um elemento fundamental dessa forma de planejamento e da produção capitalista da cidade (HARVEY, 2013; HARVEY, 2014). Atualmente, verifica-se uma maior internacionalização dos investimentos nessa região, fruto da financeirização do planejamento urbano, com grandes impactos territoriais, além da concentração de investimentos no setor turístico, com a promoção de eventos, produção de espetáculos e construção de parques temáticos. Trata-se de uma cidade que é pensada, planejada, nomeada e vendida enquanto um produto, uma mercadoria (VAINER, 2000). Essa cidade se torna um produto induzido, com gasto público, ou em parcerias público privadas, para apropriação privada da valorização da terra. Neste modelo de planejamento a terra, por ser reserva de valor, é transformada não apenas em mercadoria, mas também em um ativo financeiro (ROLNIK, 2015), entrando nas cadeias de valor dos mercados de capitais internacionais, o que possibilita a extração da renda urbana (RIBEIRO, 2020). Para isso, os grandes projetos são fundamentais, pois são responsáveis por sua valorização, portanto devem ser contínuos e não apenas em eventos pontuais como foi o caso dos grandes projetos urbanos desenvolvidos para a Copa do Mundo (2014) e as Olimpíadas (2016) no Brasil. O segundo megaprojeto, o Eixo de Capricórnio, se insere dentro de uma mudança geopolítica global, com o deslocamento dos investimentos mundiais para a Ásia Oriental, com destaque para a emergência da China como uma potência mundial e o Brasil como uma potência regional da América do Sul (AGUIAR, 2017). Este corredor bioceânico, em conjunto com outros nove, faz parte da Iniciativa para Integração de Infraestrutura da América do Sul, a IIRSA, atualmente chamada de COSIPLAN, Conselho Sulamericano de Infraestrutura e Planejamento. Com o discurso da integração regional, essa proposta está diretamente ligada aos interesses da burguesia nacional do agronegócio, da construção civil e da mineração, setores beneficiados com a implantação da infraestrutura necessária para sua produção e escoamento, com destaque para os produtores de soja, ferro e petróleo. Para além disso, a IIRSA/COSIPLAN se insere dentro da lógica do capitalismo dependente, na qual a América Latina, enquanto periferia desse sistema, avançou na reprimarização de sua economia, devido ao chamado �boom das commodities� no início do Século XXI. Por isso, além dos impactos dos próprios projetos que envolvem grandes obras de construção de pontes, duplicação de rodovias, expansão de portos e aeroportos etc., houve também um acirramento dos conflitos sociais e dos impactos ambientais devido à expansão das fronteiras agrícolas e petrolíferas deste modelo neoextrativista (SVAMPA, 2019). Em um país com uma das maiores concentrações fundiárias do mundo, a terra é uma mercadoria especial, seu caráter de reserva patrimonial faz com que boa parte dos imóveis sejam improdutivos (OLIVEIRA, 2001). Já devido a sua característica de ser reserva de valor, em momentos de crise como o que vivemos, a pressão pela propriedade privada da terra aumenta, por isso não é por acaso que estamos vendo a escalada das queimadas, ataques a terras indígenas, conflitos territoriais e despejos, tanto no campo quanto na cidade (OLESKO, 2020). Há, portanto, uma maior pressão nos territórios para a valorização das terras e também a ampliação das áreas de produção, que acontece através da expulsão e despossessão de pessoas do campo e da cidade, o desmatamento da vegetação nativa, redução das áreas de preservação e a destruição de modos de vida, parte da lógica capitalista de acumulação por despossessão (Harvey, 2013). No Paraná podemos citar a pressão para a abertura da Estrada do Colono, que cortaria o Parque Nacional do Iguaçu; a construção da Faixa de Infraestrutura e a criação da �Miami Brasileira� no litoral paranaense; as frequentes tentativas de redução da Área de Preservação Ambiental da Escarpa Devoniana, o traçado da ferrovia na Serra do Mar e litoral, dentre outras. | 01. Cidade e Urbano | Luiz Oliveira | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5548 | resources/download/restrict/eng2020/1661952226_ARQUIVO_ede35021bc7d6a450401eb06cdb61d1e.pdf | ||||||||||||||||||
65 | 1962744 | A mulher na sociedade patriarcal capitalista: exploração e divisão sexual do trabalho | A mulher na sociedade patriarcal capitalista: exploração e divisão sexual do trabalho Ao longo da história, o patriarcado se apresenta na sociedade assumindo formas particulares de existência. Anterior ao modo de produção capitalista, ele é entendido como sendo o poder que o homem exerce sobre a mulher por meio de papéis sexuais determinados. Numa relação desigual, hierárquica e contraditória, a força de trabalho feminina ao ser exigida pelo capital, sofre exploração não só por pertencer à classe trabalhadora, como também pela dominação masculina sobre a mulher expressada na divisão sexual do trabalho. Essa divisão sexual do trabalho se organiza de acordo com a sociedade da qual faz parte. Na sociedade capitalista, o trabalho doméstico (atividade de reprodução) permanece, em vasta maioria, sob a responsabilidade das mulheres mesmo que algumas também estejam inseridas em trabalhos de produção, o que acarreta em dupla (e às vezes tripla) jornada de trabalho. Bottmore (2001, p. 384) afirma que: �a forma mais significativa da divisão sexual do trabalho é a que se faz entre o trabalho doméstico [...] e o trabalho assalariado pelo capital�. Nesse sentido, apesar da inserção da mulher no mercado de trabalho remunerado, a organização patriarcal não é alterada, ou seja, o ordenamento que consiste no marido (provedor) e a esposa (dona de casa) se mantém. É importante destacar que o trabalho reprodutivo desempenhado, em sua grande maioria, pelas mulheres é de grande importância para o capital, pois garante a �manutenção� de trabalhadores (as) para o mundo do trabalho assalariado. Porém, é esse espaço doméstico que é desvalorizado, conforme Souza (2015): Ao separar esses mundos, valorizando moralmente o mundo da produção e tornando o da reprodução ideologicamente desvalorizado, o capital garantia ambos, enquanto dividia ao meio a classe trabalhadora entre homens e mulheres, e não remunerava as essenciais tarefas de reprodução. O trabalho da mulher continuava a existir, mas subsumido pelas atividades exercidas pelo homem fora de casa. Essa separação em que às mulheres coube a casa � excluídas, assim, da economia dominante, isto é, do sistema de assalariamento � reforça a opressão por meio desta nova dependência econômica (SOUZA 2015, p. 479). Dentro desse modo de produção, ocorre também a desqualificação do trabalho feminino assalariado quando há uma hierarquia de gênero, ou seja, o trabalho do homem vale mais que o da mulher. Sendo assim, a sociedade se utiliza dessa dinâmica de diferenciação passando a desvalorizar essas atividades, o que desencadeia uma precariedade e precarização do trabalho da mulher também no campo produtivo. A entrada da figura feminina no mercado de trabalho, no qual inseriu também a necessidade de apropriação do trabalho da mulher pelo capital, constituiu-se essencial no processo de acumulação pela condição do trabalho feminino ser mais barato que o do homem. Como afirma Cisne (2013, p. 119): �por meio das apropriações advindas das relações de raça e sexo, o capitalismo amplia o contingente humano disponível para os mais baixos salários, aumentando, portanto, a sua capacidade de exploração do trabalho�. Essa independência financeira da mulher por meio de sua inserção no trabalho fora do lar não resultou na emancipação a que muitos acreditavam existir, já que sua força de trabalho continuou sendo explorada de forma bem mais específica se comparada com o grau de exploração masculina. Justamente essa opressão de gênero inserida no processo de exploração capitalista é necessária à sua reprodução e acumulação do lucro. Para tanto, este estudo tem o objetivo de analisar a atuação das lideranças femininas no Território de Identidade Semiárido Nordeste II, Bahia, partindo do estudo da divisão sexual do trabalho e as relações patriarcais que dominam a sociedade brasileira. E nesse sentido, refletir a respeito da exploração vivenciada pelo ser feminino tanto nos afazeres domésticos (indispensável ao capitalismo que precisa diminuir o gasto com a reprodução da força de trabalho), como no campo do trabalho assalariado. A proposta de trabalho é parte da pesquisa de mestrado em andamento no Programa de Pós-Graduação em Geografia da universidade Federal de Sergipe (PPGEO/UFS), contribuindo para a produção do conhecimento geográfico na interface da Geografia, da política e da sociologia. O aporte teórico-metodológico é base necessária para compreender a opressão e exploração da mulher, articulada com a totalidade social. Para tanto, a abordagem dos conceitos essenciais para o estudo, a seleção das fontes de pesquisa bibliográfica e a discussão em torno da figura feminina a partir da relação dialética que se desenvolveu historicamente dentro de um contexto caracterizado como um sistema de poder econômico, político e social, conduz essa reflexão em torno do objeto de estudo trazendo maior profundidade à investigação. Dessa forma, a pesquisa foi feita pela análise da produção bibliográfica sobre a temática bem como, levantamento de dados (PNAD-IBGE, OIT, OXFAM e etc.), que abordam as informações sobre a exploração, a divisão sexual do trabalho, a atuação das mulheres em espaços de liderança. Enquanto membro de uma classe e enquanto pertencente a uma categoria de sexo, a mulher é duplamente determinada dentro dessa estrutura social contraditória (SAFFIOTI, 2013). Sendo assim, o caráter problemático da situação da mulher nas sociedades de classes que tem o patriarcado como um dos seus estruturadores, não é ocorrência passageira, pelo contrário, é uma tensão que se apresenta firme por ser causada pela própria organização social, o que introduz um sério obstáculo para as condições de mudança da realidade. Para o capital, a emancipação da mulher não é interessante, visto que ele precisa dessa desigualdade e desvalorização para a preservação de seu sistema de dominação. E para preservar a estrutura que engendra a subordinação da figura feminina, é necessária a continuidade da lógica da divisão sexual do trabalho. O contingente feminino inserido no mercado de trabalho, mesmo estando cada vez mais em expansão, não é uma luta para a autonomia e liberdade das mulheres pelo capital, pelo contrário, fundamenta-se na lógica de acumulação de valor com o grande objetivo de gerar mais lucro através de vasta mão de obra subsidiária. Referências: BOTTOMORE, Tom (coord). Dicionário do Pensamento Marxista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. CISNE, Mirla. Feminismo, luta de classes e consciência militante feminista no Brasil. Rio de Janeiro, 2013. 408p. Tese (Doutorado em Serviço Social) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro. SAFFIOTI, Heleieth. A mulher na sociedade de classes. 3. ed. São Paulo, Editora Expressão Popular, 2013. SOUZA, Terezinha Martins dos Santos. Patriarcado e Capitalismo: Uma relação simbiótica. Revista Temporalis, n.30. jul./dez, 2015, p. 475-494. Disponível em: file:///C:/Users/WSInformatica/Downloads/Dialnet-PatriarcadoECapitalismo-5297864.pdf. Acesso em: 12 abr 2022. | 06. Relações étnico-raciais, gêneros e sexualidades | Jordana Rabelo de Menezes | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5698 | resources/download/restrict/eng2020/1662001539_ARQUIVO_6f8666b1d505ce55f5c77dbf83b71128.pdf | ||||||||||||||||||
66 | 1475533 | A música como Recurso Didático para o ensino e aprendizagem da Geografia: analise na escola E. E. Fatima Aparecida Costa Falcon, Município de Presidente Prudente - SP | O presente trabalho teve por objetivo analisar e contribuir para a construção de conceitos geográficos através do vivido, do cotidiano, com a música � partindo, dessa forma, do senso comum para chegar ao conhecimento científico; estudar Metodologia do Ensino de Geografia e a Educação Libertária. Faz-se necessário, neste novo século, que os professores � e não só os de Geografia � encontrem novas formas didáticas para a construção do conhecimento escolar, pois a aula puramente expositiva já não é mais capaz de alcançar, por si só, os seus objetivos. Para se adequar as novas exigências sociais é preciso uma renovação tanto dos materiais didático-pedagógicos quanto da metodologia do processo de ensino-aprendizagem e assim despertar o interesse dos alunos para a aula (PEREIRA, 2011). Quando a proposta de utilização da música é apresentada aos alunos, a tendência que se observa é a de serem tomados pela curiosidade e ansiedade. A receptividade é quase sempre satisfatória. Tal iniciativa facilita muito na concentração e absorção das ideias explicitadas pela obra musical, complementando o uso do livro didático. Após a iniciativa do professor, sua argumentação e reflexão sobre ideias apreendidas com o auxílio da música, parte-se para a segunda etapa da proposta aqui apresentada. Sugere-se, então, que o professor estimule cada aluno a escolher a sua própria música, a partir de um tema previamente proposto e elabore um comentário crítico/reflexivo escrito. Em seguida, sentindo-se mais seguro, devido à orientação prévia do professor, o aluno expõe suas impressões de forma oral (OLIVEIRA; SILVA; NETO; VLACH, 2005, p. 73). Fazendo com que os alunos, dessa forma, interajam com o conhecimento através da proposição de letras musicais que manifestem mais concretamente seu cotidiano de vida e seu lugar de identidade. A proposta da música como recurso didático nos leva, nesse sentido, a abordagens da Educação Libertária, onde não há relação autoritária entre professor/aluno e todos podem contribuir que haja a construção dos conceitos geográficos dentro da sala de aula. Assim, o ato de educar e de aprender libertário deve ser, simultaneamente, o ato de desaprender algumas coisas � aquilo que nos ensinaram a fazer e pensar de forma autoritária � para criarmos nosso próprio conhecimento partindo da expressão livre da espontaneidade. Não é necessário podar o potencial da originalidade do aluno para que ele possa absorver o conhecimento acumulado historicamente pela humanidade (FREIRE, 1986. Pg. 35). Desta maneira, foi utilizada a metodologia Pesquisa-ação que objetiva segundo Molina (2010, p. 27): uma metodologia coletiva que favorece as discussões e a produção cooperativa de conhecimentos específicos sobre a realidade vivida, a partir da perspectiva do esmorecimento das estruturas hierárquicas e das divisões em especialidades, que fragmentam o cotidiano. Assim, o intuito do artigo é, exemplificar como a música popular brasileira pode ser inserida no ensino em geografia, como material didático, através dos conceitos de geografia acionando os aspectos lúdicos e a aproximação com a realidade do estudante. Desta forma, para obtenção dos dados a partir da metodologia aplicada foi realizada uma intervenção em sala de aula com alunos da escola E. E. Fatima Aparecida Costa Falcon, posteriori foi redigido um relatório descritivo da intervenção contendo as avaliações durante as atividades, observando alunos e professor para interpretação e analise dos dados. Desta maneira, levando em conta os aspectos sobre o conceito de território, foi usada a letra de música de Adoniram Barbosa- Saudosa Maloca para a intervenção, que foi lançada em 1951 para se fazer uma leitura precisa e exemplificadora dos processos de urbanização, expansão urbana, metropolização do espaço e potencialização da especulação imobiliária, que se desdobrou em diversas formas de segregação sócio espacial dentro da cidade, estabelecidas pelos diversos agentes econômicos que esbarra na questão das classes sociais que perderam suas moradias junto as áreas centrais, ou seja os chamados cortiços e assim esses sujeitos passam a morar na periferia. Os resultados mostraram que é possível compreender em conjunto, as dimensões que passa a estabelecer relações com contexto histórico e espacial, de cunho social, politico e cultural entre aluno/professor. Deste modo a concebemos a importância do raciocínio geográfico sobre o conceito de território, reconhecendo os conceitos fundamentais dos trabalhos de investigação geográfica e ensino de Geografia em constante articulação com as musicas populares que contextualiza, representa e traz novos significados geográficos dos valores sociais. Através da metodologia de pesquisa-ação, a proposta de intervenção na aula de geografia foi necessária para apresentar aos alunos, uma maneira diferente de utilizar a geografia como ferramenta de análise dos fenômenos de seu cotidiano. Em que é possível perceber elementos que são objetos de estudos da geografia em filmes, séries, quadros, anúncios, revistas, jogos eletrônicos, histórias em quadrinhos, mas que durante esta experiência, foi utilizada a música. A intervenção foi bastante satisfatório, pois o intuito desta proposta de introduzir música para compreender os processos de expansão Urbana, é o esforço de tentar fazer com que a sala de aula não seja um momento maçante, como vários estudantes relataram durante a intervenção, mas que possa ser algo mais dinâmico, a ponto de haver a realização de trocas de informações que promova interações entre os estudantes, possibilitando criar novas visões e potencialidades, para o desenvolvimento do seu ponto crítico sobre diversos assuntos. | LUANA NOVAIS DE ANDRADE | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5601 | resources/download/restrict/eng2020/1658174195_ARQUIVO_f2bfce5ed0b4f18007cb0043c24a559f.pdf | |||||||||||||||||||
67 | 3333540 | A natureza apropriada na Ilha Grande (RJ): contexto nacional e repercussões locais | A maior ilha do estado do Rio de Janeiro tem o nome de Ilha Grande, e é distrito do município de Angra dos Reis. É a Ilha que nomeia a Baía da Ilha Grande, no sul do estado, que por sua vez abrange o município de Paraty e uma parcela do município de Mangaratiba, além da já citada Angra dos Reis. A Ilha está totalmente inserida em Unidades de Conservação, que são o Parque Estadual da Ilha Grande, a Reserva Biológica da Praia do Sul, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Aventureiro e a Área de Proteção Tamoios, sendo as duas primeiras de proteção integral, isto é, uso restritivo à habitação humana, e as últimas de uso sustentável, ou seja, permissivas à ocupação. A Ilha Grande é, portanto, uma grande área ambientalmente protegida. É importante assinalar que a estrutura normativa relacionada ao meio-ambiente tem origens em processos históricos capitalistas que carecem de atenção, sobretudo no atual cenário em que diversos parques nacionais e estaduais estão sob gestão privada. A categoria de natureza tem um papel central na determinação do que se protege � e para quê. O estabelecimento de áreas protegidas teve início em determinado contexto histórico e determinado contexto espacial, com discursos e intenções próprias de cada momento. Além disso, a política ambiental brasileira tem certos enlaces com a legislação turística no país, o que também merece atenção. Diversos trabalhos discutem problemáticas relacionadas ao estabelecimento de unidades de conservação no país, sobretudo em relação a conflitos com populações que mantém relações outras com a natureza, e acabam tendo suas práticas de certa maneira � ou completamente � cerceadas. Na Ilha Grande não seria diferente. Além disso, diversos núcleos populacionais por todo o Brasil direcionaram suas atividades econômicas para o turismo, o que também aconteceu na Ilha Grande. Temos modificações profundas no modo de vida das pessoas em função da política ambiental e turística, com embates frequentes entre sociedade civil e Estado. Ainda assim, é importante apontar que as unidades de conservação também funcionaram durante as últimas décadas como a última fronteira a conter o avanço da especulação imobiliária em diversas localidades. Contexto que por si só é contraditório: ao passo em que dificultam a reprodução social de determinadas pessoas, são também o instrumento garantidor dessa reprodução, em certa medida. Porém, na última década a Ilha Grande vem sendo alvo do avanço do controle do empresariado através dos dispositivos legais ambientais, isto é, através das unidades de conservação são impostas � pelo Estado e pela iniciativa privada � diversas novas modificações. Esse processo não é exclusivo da Ilha. Dentre os mais de 30 Parques Nacionais (PN) abertos à visitação no Brasil, apenas quatro funcionavam a partir do regime de concessão privada até 2017. Porém, em 2017, Sarney Filho, o então Ministro do Meio Ambiente, apresentou novas diretrizes para os parques nacionais no país, sobretudo em relação a concessão de serviços de apoio à visitação. Desde então, diversos parques foram colocados a concessão e diversos processos de licitação foram abertos em todo país. Buscando entender os interesses e discursos envolvidos no processo de estabelecimento de áreas ambientalmente protegidas, a pesquisa tem como objetivo investigar o avanço da apropriação privada da natureza, analisando o cenário nacional, mas tendo como estudo de caso a Ilha Grande, no período entre 2015 e 2019. Dentre os procedimentos metodológicos, estão a pesquisa documental, a partir da análise de legislação ambiental e turística, além de trabalhos de campo realizados entre 2016 e 2019, que consistiram na presença em audiências públicas e na realização de entrevistas abertas, e pesquisa bibliográfica sustentada em autores estudiosos da temática. Em relação aos resultados, é necessário apresentar o que ocorreu no estudo de caso durante o período analisado. Em 2009 foi estabelecido o Decreto 41.921 pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que autorizava a instalação de novos empreendimentos em zona de conservação de vida silvestre da Área de Proteção Tamoios, enquanto anteriormente só eram permitidas reformas e ampliações das construções já existentes. O governador buscava atrair empresários interessados na construção de resorts e hotéis de luxo, que são empreendimentos frequentes na região sul do estado, mas não tão presentes na Ilha Grande. Em 2012, novamente, uma decisão arbitrária com a tentativa de implantação de Zonas de Interesse Para Equipamentos Turísticos no zoneamento da APA Tamoios, que permitiria a construção de resorts em 18 praias da Ilha Grande consideradas pelo INEA como degradadas. Em síntese, duas investidas de apropriação privada da natureza através da APA Tamoios, e em 2015 foi a vez do Parque Estadual (PEIG), quando este foi escolhido para ser o projeto piloto de gestão privada de unidades de conservação do estado do Rio de Janeiro. A Lei n° 7.061 foi aprovada em 2015 e tornou possível o estabelecimento de Parcerias Público Privadas para a gestão de unidades de conservação estaduais, além da limitação do número de visitantes e cobrança de taxa permanência e a Ilha Grande foi escolhida pelo governo estadual como projeto piloto. Quando um grupo tem a continuidade do seu modo de apropriação, uso e significação do território ameaçada, há um conflito ambiental, segundo Acselrad (2004, p.21), e fica evidente, portanto, a partir da exposição desses eventos, que conflitos ambientais são presentes na Ilha Grande. Hoje, a nível nacional, todo esse processo tem a sistematização em um programa governamental iniciado em 2016, nomeado Projeto �Parcerias Ambientais Público-Privadas�, o PAPP. De acordo com o site institucional do programa, o objetivo é formular e aplicar modelos de parcerias ambientais público-privadas direcionadas para o aproveitamento sustentável das potencialidades econômicas das unidades de conservação. Penna-Firme (2015, p.110) chama de mercantilização da natureza o processo histórico pelo qual os seres vivos e os ambientes naturais em que vivem são manipulados e utilizados para benefícios particulares e acúmulo de capital. A natureza, vista como capital e como recurso, é transformada em parques, que geram lucros para quem controla sua gestão. Quando transformamos, segundo Penna-Firme (2015, p.111), a natureza em um conjunto de serviços e objetos para um mercado de consumo global, também criamos restrições para grupos específicos, como as populações caiçaras no caso da Ilha Grande. O autor discute que o estabelecimento de áreas segregadas para fins de conservação da natureza segue a lógica de mercado que reproduz desigualdades, e que muitas vezes as populações tradicionais seguem tendo seus direitos violados em nome da sustentabilidade ambiental global (2015, p. 117). É necessário que estudos a respeito desse processo sejam aprofundados, sobretudo em função do contexto político que atravessa o país, sem nos esquecermos de que a Baía da Ilha Grande é a futura Cancun brasileira aos olhos do presidente da República. Referências ACSELRAD, H. As práticas espaciais e o campo dos conflitos ambientais. In: ACSELRAD, H. (org). Conflitos Ambientais no Brasil. Rio de Janeiro: Relume/Dumará: Fundação Heinrich Böll, 2004. BRASIL, Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000. BRASIL, Lei Estadual n°7061, de 25 de setembro de 2015. DIEGUES, A. C. S. O mito moderno da natureza intocada. São Paulo, Hucitec: Nupaub-USP. 1996 PENNA-FIRME, R. Mercados �Verdes� e a apropriação de terras para finalidades de conservação da natureza. Ciência Geográfica - Bauru - XIX - Vol. XIX - (1): Janeiro/Dezembro. 2015 | 02. Campo e Rural | Johana Alecrim | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 511 | resources/download/restrict/eng2020/1659131294_ARQUIVO_d7dc0b3ff1e9ad92df4bda26b7b7387c.pdf | ||||||||||||||||||
68 | 6897452 | A nova regionalização do IBGE: um estudo a partir da Região Imediata de Alfenas-MG | Sempre houve a necessidade e preocupação, desde o período colonial, do conhecimento e delimitação do território brasileiro, bem como a sua consequente regionalização, para os mais diversos fins, seja o uso didático ou para assessorar o Estado na produção de estatísticas, elaboração de programas de desenvolvimento e no planejamento territorial. Nesse sentido, sempre coube ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou antes de sua fundação ao Conselho Nacional de Geografia (CNG), a tarefa de estudar o território nacional com o intuito de propor diretrizes e mesmo uma regionalização oficial do País. Assim, ao longo da história desse instituto, diversas regionalizações foram propostas, como a das Zonas Fisiográficas de 1940, com o Estado Novo (1937-1945). Com a centralização do poder e a necessidade de conhecimentos mais detalhados, essa regionalização tinha como objetivo a integridade nacional, a diminuição de diferenças regionais e a vigilância nas zonas fronteiriças, como também a urbanização e industrialização (IBGE, 2017). Uma segunda proposta foi a das Microrregiões Homogêneas de 1968 no Quinquênio de JK (1956-1961). Essa nova regionalização também trazia o desejo de maior conhecimento do território, da integração nacional, especialmente com a criação de Brasília, e da ampliação do mercado interno (idem). Já a terceira divisão foi a de Microrregiões Geográficas de 1989 que tinha por objetivo a descentralização do poder, com um olhar para o campo brasileiro e seu potencial econômico na produção de commodities. Por fim, em 2017, o IBGE lançou uma nova proposta de regionalização do Brasil, com critérios que permitem uma maior flexibilidade, o que requer uma atualização constante, mas que respeita características reais de uso que as populações fazem do território. Na nova regionalização, que será trabalhada nesse artigo, duas categorias são propostas: as regiões intermediárias e as regiões imediatas. Esse trabalho, portanto, tem como objetivo principal realizar um estudo das características dessa nova regionalização do IBGE, com um foco especial na região imediata de Alfenas-MG, buscando compreender as coerências e contradições internas, bem como realizar um comparativo com a regionalização anterior. De modo mais específico, esse trabalho também almeja contribuir com novos estudos nesse tema, produzindo alguns mapas da nova regionalização, bem como na discussão de algumas teorias como a relação entre desenvolvimento geográfico desigual e regionalização do espaço brasileiro (CRUZ, 2020). Para realização do trabalho aqui proposto, foi feito uma revisão de literatura, especialmente do documento oficial do IBGE �Divisão Regional do Brasil em Regiões Geográficas Imediatas e Regiões Geográficas Intermediárias 2017� e, na sequência, pesquisas na internet, em sites das prefeituras municipais dos municípios que compõem a Região imediata de Alfenas, bem como nas bases de dados do próprio IBGE. Além disso, buscou-se um embasamento teórico em Côrrea (2000), que define o conceito de região nas diferentes correntes do pensamento geográfico, e em Cruz (2020), que pesquisou a relação entre o desenvolvimento desigual no Brasil e a regionalização do território brasileiro. Para a produção dos mapas, foi utilizada a base de dados do IBGE e o software QGIS, que é gratuito e de fácil uso. No presente artigo discorreremos o conceito de região com base na Geografia Crítica, segundo Corrêa (2000). O conceito de região segundo essa escola, é algo complexo e em constante modificação, é a especificação da totalidade. São áreas com diferenciação nos seus processos internos, o que provoca a desigualdade entre si, oriundas de sua constituição (história), cultura, a forma em que se adaptaram e se apropriaram dos meios, mecanismos e técnicas disponíveis em cada espaço e tempo. Com a inserção do capitalismo isso se torna mais visível, pois ele é um elemento que ao mesmo tempo provoca a diferenciação e a integração. No Brasil não foi diferente, ao iniciar os estudos para um planejamento de divisão territorial ainda que incipiente, tinha-se como objetivo o domínio e controle das áreas para não ganharem forças de maneira a avançar e se apresentarem como uma ameaça ao desejarem se tornar estados independentes, conforme Viana (1940) no documento oficial IBGE Divisão Regional do Brasil em Regiões Geográficas Imediatas e Regiões Geográficas Intermediárias 2017. Outro fator incisivo e determinante nas constantes alterações das divisões regionais foi e é o advento do capitalismo, capaz de provocar mudanças e novos arranjos espaciais ao mesmo tempo em que tende a comportar similaridades e homogeneizar seus arranjos, aflora a disparidade da desigualdade em grandes e pequenos recortes territoriais. As complexidades das transformações da regionalização perpassa também as constantes modificações provenientes do MTCI - Meio Técnico Científico Informacional (Santos 2000). As constantes ligações das redes com seus fixos e fluxos, transformam a cada instante a espacialidade, necessitando de uma adaptação aprimorada e mais específica de tempo em tempo, o que é possível perceber desde a primeira divisão regional que se deu pelas Zonas Fisiográficas de 1940, até a Divisão Regional do Brasil em Regiões Geográficas Imediatas e Regiões Geográficas Intermediárias 2017. Embora o conceito de região trabalhado neste artigo seja o da Geografia Crítica, podemos ver traços de outras escolas geográficas nas divisões regionais do Brasil, pois as fases da Geografia não se extinguem em função de novas escolas. A divisão regional de 1940, por mais que almejasse o conhecimento do território para objeto de centralização de poder e diminuição das desigualdades, foi baseada em elementos naturais e posição geográfica, características estas do Determinismo Ambiental. A segunda divisão regional é marcada pelo desenvolvimento econômico, industrial e urbano, o que requer dados apurados e estatísticos, o que associamos à Geografia Teorética. A terceira divisão, já promove uma descentralização do poder e maior independência dos estados para fins de transformações advindas da globalização. Analisamos então, segundo o olhar da Geografia Crítica a qual se dará de maneira mais precisa na regionalização de 2017. O presente artigo conclui que a Divisão Regional do Brasil em Regiões Geográficas Imediatas e Regiões Geográficas Intermediárias (2017) faz mais sentido tendo como enfoque principal a Região Imediata de Alfenas, visto a inclusão da cidade de Campos Gerais na região, como exemplo. É perceptível que as cidades menores recorrem à cidade de Alfenas para fins de prestação de serviços públicos de educação, saúde, bens de consumo duráveis, etc. A diferença do PIB destas cidades em relação a Alfenas, demonstra a dependência destas para com a cidade e todas elas tem a sua economia pautada na agricultura, principalmente a familiar. Outra pontuação feita é que a maioria das cidades da região Imediata de Alfenas são banhadas pelo lago da represa de Furnas, um elemento natural/artificial que influencia a dinâmica econômica dessas cidades. Referência Bibliográficas: ALFENAS. Conheça a cidade. Câmara Municipal de Alfenas. Câmara Municipal de Alfenas. Alfenas, 2022. Disponível em: <http://www.cmalfenas.mg.gov.br/a-camara/conheca-a-cidade> Acesso em: 11 fev 2022. CORRÊA, Roberto Lobato. Região e Organização Espacial. 7ª ed. São Paulo: Editora Ática, 2000. CRUZ, R. C. A. Ensaio sobre a relação entre desenvolvimento geográfico desigual e regionalização do espaço brasileiro. Geousp � Espaço e Tempo (On-line), v. 24, n. 1, p. 27-50, abr. 2020. ISSN 2179-0892. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Divisão Regional do Brasil em Regiões Geográficas Imediatas e Regiões Geográficas Intermediárias. Rio de Janeiro : IBGE, 2017. _________. Cidades - Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: <https://cidades.ibge.gov.br/brasil/panorama> Acesso em: 11 fev. 2022. | 01. Cidade e Urbano | Laryssa Micheline, Matheus Nadur | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 6067 | resources/download/restrict/eng2020/1661999187_ARQUIVO_8f2f8dce8eeeb230542016d3011874c7.pdf | ||||||||||||||||||
69 | 3499685 | A nova territorialização dos moradores da vila Canela no espaço urbano de PALMAS � TO. | A NOVA TERRITORIALIÇÃO DOS MORADORES DA VILA CANELA NO ESPAÇO URBANO DE PALMAS � TO MOURA Pracidina Chaves pramoura@yahoo.com.br Resumo O presente projeto aborda o entendimento de que para compreendermos o povoado e a comunidade Canela deve se levar em consideração o seu contexto cultural, social, político, histórico e geográfico. Neste sentido a questão sobre territorialização é colocada frente à conjuntura que se forma ao longo da criação do estado do Tocantins e, mais precisamente, da capital Palmas, considerando que �a história de uma dada cidade se produz através do urbano que ela incorpora ou deixa de incorporar� (SANTOS, 1994, p. 71). Ou seja, desde a sua fundação, já se previa a construção de uma usina hidrelétrica e, por conseguinte, a formação de um lago que traria uma mudança radical nas vidas dos habitantes das comunidades ali localizadas. Portanto, aí reside uma grande contribuição para a justificativa e discussão desse projeto. Para Haesbaert(2004) devemos pensar a territorialização e a desterritorialização como processos concomitantes, ou seja, fundamentais para compreendermos as práticas humanas. Nessa direção, a compreensão da história do povoado Canela é importante neste estudo, tendo em vista essa comunidade, ao se defrontar com a proposta de desterritorialização, que vem buscando, de maneira dinâmica, elementos estruturais que deem suporte para a manutenção de seus valores, de sua memória, tradição e história. Essa estratégia pode-se dizer, possui uma dimensão política que favorece a um só tempo, a permanência, a existência e a sobrevivência da comunidade. Objetivos  Analisar e refletir o processo de desterritorialização dos moradores da Vila Canela e sua reterritorialização no novo espaço urbano de Palmas; Introdução Para início de discussão teórica é fundamental entender que Território é percebido como um espaço que abriga identidade ou mesmo como um espaço de identificação. Na perspectiva de Medeiros (2009), o sentimento é a sua base e a forma espacial importa muito pouco, pois esta pode ser variável. Trata-se nesse caso de identidades itinerantes ou em permanente diáspora, cuja territorialidade pode ser mais virtual do que real. O �território�, para essa autora pode mesmo ser imaginário e até mesmo sonhado. É a partir deste imaginário que a sua construção tem início. A desterritorialização, está ligada à fragilidade das fronteiras, especialmente das fronteiras estatais � o território, sendo aí, sobretudo um território político. Segundo Haesbaert (2009), desterritorialização também pode estar ligada à hibridização cultural que impede o reconhecimento de identidades claramente definidas. O território aqui é, antes de tudo, um território simbólico, ou um espaço de referência para a construção de identidades. Entende-se que a concepção de território como uma noção simbólico-cultural, mais subjetiva, que diz respeito à apropriação e valorização simbólica, e a noção de desterritorialização como negociação política, se enquadram na nessa proposta de analisar a comunidade Canela, situada anteriormente no espaço agora ocupado pelo lago da hidrelétrica Luiz Eduardo Magalhães, através das transformações sofridas com a transferência para o espaço urbano da cidade de Palmas. No povoado Canela existiam cento e noventa e sete famílias proprietárias de lotes. O acesso era através da TO-080, estrada pavimentada que também dava acesso à antiga praia da Graciosa. O Canela pertenceu inicialmente ao município de Porto Nacional. Quando houve a desapropriação Para a Arne 64, em Palmas, mudaram-se somente 72 famílias. As demais fizeram �opção� por receber indenizações e construir suas casas em outras localidades. As famílias não proprietárias foram relocadas para o setor Santa Bárbara, bairro periférico de Palmas (PARRIÃO, 2011). Atualmente, a comunidade Canela encontra-se localizada na zona urbana do município de Palmas, capital do Estado do Tocantins, mais precisamente na quadra 508 Norte, antiga Arne 64 � Plano Urbanístico. As primeiras famílias a deixarem o povoado foram as que lá chegaram, após a construção de Palmas, e foram definidas como ocupantes; pessoas que não tinham benfeitorias ou que moravam de favor. Essas famílias foram para os Aurenys e Taquaralto (setor Santa Bárbara). Os moradores mais antigos e aqueles que construíram benfeitorias como casas e roçados se deslocaram para o espaço urbano de Palmas. Os terrenos, para continuarem suas atividades agrícolas estão localizados a 30km de Palmas, sentido Porto Nacional (SOUZA, 2014). Na cidade, a vida dos habitantes do povoado Canela, como acontece com outros reassentamentos, mudou bastante, apesar de terem ocupado novas casas e a quadra contar com uma infraestrutura básica numa tentativa evidente de reproduzir o que existia no lugar de origem. Alguns moradores, todavia, já venderam suas casas e buscam empregos comuns na cidade, sem qualificação, o que ocasiona vários problemas de ordem emocional, social e financeira (SANTOS, 2017). Procedimentos metodológicos O estudo foi desenvolvido através de três técnicas de pesquisa combinadas entre consulta bibliográfica, entrevistas e análise documental. A população é constituída pelos moradores do antigo povoado Canela que residem atualmente na quadra 508 Norte em Palmas, Tocantins. A coleta de dados da entrevista foi realizada após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A análise dos dados será submetida à técnica de análise de conteúdo temática proposta por Bardin (BARDIN, 2009). Resultados O planejamento urbano de Palmas adotou os princípios do urbanismo modernista do século XX, mesmo que de modo �inercial�, ou mesmo tardio (REIS, 2011). Nessa direção, a área territorial da capital Palmas foi formada por desmembramento e anexação de território com isso o Distrito de Canela foi anexado ao Plano Diretor de Palmas pelo De Decreto de 13 de fevereiro de 1990. No entanto, desde 2001 essa área encontra-se submersa em decorrência da construção da Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães no município de Lajeado, o que por sua vez, com seus moradores reassentados para o Centro Diretor de Palmas na Arne 64 (508 Norte) (CRUZ, 2015). Nesse sentido, surgiu como problema de pesquisa uma pergunta aparentemente bastante simples: Como está à situação atual dos antigos e tradicionais moradores do povoado Canela em Palmas? Destaca-se o fato de que por ser uma comunidade ribeirinha que vivia às margens do Rio Tocantins e que hoje vive às margens da sociedade na cidade de Palmas, é fundamental descreve sobre a sua territorialização, organização e reorganização no espaço urbano de Palmas- TO. Referências BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2009. CRUZ, J. Memória e a dimensão política da identidade na comunidade Canela � Estado do Tocantins (2000 � 2008). In: REIS, Patrícia Orfila Barros dos (Org.). Palmas: um projeto e múltiplos olhares. Palmas: Editora da UFT, 2015, p. 63-79. HAESBAERT, R. Dilema de conceitos: espaço-território e contenção territorial. Territórios e territorialidades: teorias, processos e conflitos. São Paulo: Expressão Popular, p. 95-120, 2009. HAESBAERT, R. O mito da desterritorialização: do �fim dos territórios� à multi- territorialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 2004. PARRIÃO, D. M. S. Impactos sociais: construção da usina hidrelétrica Luiz Eduardo Magalhães. 63f. Monografia (Graduação em Administração) � Universidade de Brasília, Distrito Federal, 2011. SANTOS, A. M. Povoado Canela em Palmas�TO: lugar e reassentamento. Revista Interface (Porto Nacional), n. 14, p. 90-98, 2017. SANTOS, A. M. Povoado Canela em Palmas�TO: lugar e reassentamento. Revista Interface (Porto Nacional), n. 14, p. 90-98, 2017. SOUZA, D. P. Desenvolvimento e Meio Ambiente: um estudo sobre a percepção da Comunidade do Reassentamento Luzimangues, Porto Nacional � TO. 2014. 68f. Monografia (Graduação em Geografia) � Universidade Aberta do Brasil (Universidade Brasília), Tocantins, Palmas, 2014. | 01. Cidade e Urbano | Pracidina Chaves Moura | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5981 | resources/download/restrict/eng2020/1661775204_ARQUIVO_8a6c2eeffad4f042dd941064dc044e4e.pdf | ||||||||||||||||||
70 | 6455387 | A Pandemia e a Desigualdade na Imunização Vacinal Anti-SARS-CoV-2 - Vacinas contra o Coronavírus (COVID-19) | INTRODUÇÃO O vírus Sars-CoV-2, causador da doença COVID-19, está presente na forma de pandemia desde o final de 2019. Após dois anos e meio de pandemia do coronavírus (COVID-19), muitas são as contradições que ficaram evidentes, a desigualdade vacinal é um elemento presente e preocupa as autoridades de saúde. A desigualdade vacinal entre os países é o tema que trataremos neste texto. Os objetivos são: apresentar os dados referentes ao número de vacinados no mundo contra a COVID-19, mostrar a desigualdade existente entre os países que mais vacinam e os que menos tem vacinado; as possíveis consequências dessa desigualdade. As causas e as consequências da desigualdade vacinal contra a COVID-19, são explorados no texto. As principais causas da desigualdade vacinal entre países estão ligadas principalmente por questões econômicas, capacidade produtiva, políticas de governos para o enfrentamento da pandemia e a renda dos países. As consequências da desigualdade vacinal podem causar: a) aumento no número de infectados e mortes pelo COVID-19; b) possibilidade de mutação do vírus e o surgimento de novas variantes, o que pode tornar as vacinas já existentes obsoletas e um novo agravamento da pandemia. Segundo os dados da publicação digital Our World In Data (Nosso Mundo em Dados, em tradução literal), especializada na divulgação de dados governamentais, e outros, 65% da população mundial recebeu pelo menos uma dose da vacina para imunização da COVID-19. Desse total, apenas 15.2% das vacinas foram em países pobres, principalmente em países da África. Enquanto os dados oficiais mostram que nos Emirados Árabes Unidos (Abu Dhabi, Dubai, Xarja, Ajmã, Umm al-Quwain, Ras al-Khaimah e Fujeira), 98% da população recebeu pelo menos uma dose do imunizante, no lado oposto, na República Democrática do Congo, 0,87% da população foi imunizada com pelo menos uma dose (World Health Organization, 2022). É uma tragédia anunciada, os dados falam por si. Porém, ao decorrer do texto apresentaremos o que os especialistas e os estudos sobre a pandemia têm a nos mostrar sobre a realidade e as consequências da desigualdade vacinal no mundo. METODOLOGIA A pesquisa empírica e dados analíticos sobre as vacinas consiste em abordar a questão a partir de especialistas em saúde pública, cientistas na área de virologia e assuntos pandêmicos, coleta e cruzamento de dados se utilizando das bases do Our World In Data e da World Health Organization (WHO), ainda, dos departamentos oficiais de saúde de diferentes governos ao redor do mundo. Para demonstrar a desigualdade vacinal usamos as variáveis entre grupos específicos: desigualdade vacinal entre as grandes regiões geográficas; desigualdade vacinal entre países por grupos de alta, média e baixa renda; variação vacinal ao longo da pandemia; atual situação das vacinas contra a COVID-19 no mundo. Com essa metodologia criamos alguns gráficos com os resultados acerca da desigualdade vacinal da COVID-19. RESULTADOS Nas condições atuais da pandemia do COVID-19, pode-se afirmar que é uma moléstia que prevalece atuando, apesar dos esforços de contenção e no aumento de vacinados e na diminuição no número de doentes e mortes, as notícias são de novos aumentos de contaminados e mortes na Ásia, principalmente na China e Coréia do Sul. Na cidade chinesa de Shangai, foi registrado no dia 28 de abril de 2022, 52 mortes e 5487 novos casos de covid-19 (WHO,2022), até o momento este foi o número mais elevado de casos desde o início da pandemia. A variante do vírus Sars-CoV-2, a Omicron, com alta capacidade de disseminação e mutações, tornou-se dominante no mundo desde que foi detectada pela primeira vez, em novembro, na África do Sul (LUSA,2022). Os dados atualizados da WHO para abril de 2022, mostra que globalmente houve 509.531.232 casos confirmados e 6.230.357 mortes por COVID-19. O Artigo �Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 Variants of Concern: A Perspective for Emerging More Transmissible and Vaccine-Resistant Strains� dos pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) e do Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo (USP), que revisaram mais de 150 estudos sobre o novo coronavírus, analisando as características do Sars-CoV-2, seus aspectos patogênicos, capacidade de mutação e transmissão e a eficiência das vacinas, aponta para medidas que impeçam a circulação do vírus, porque é imprevisível e não se tem conhecimento das possíveis variantes que surgirão no futuro próximo. Uma constatação publicada no artigo já citado, é a importância das vacinas e as doses de reforço. De acordo com o artigo, a situação de imunidade induzidas pelas vacinas e pelas doses de reforço colocaram uma situação confortável por um determinado período, porém, alerta que a tendencia é uma possível nova onda de contaminação, por novas variantes, mais contagiosas, diminuindo a eficácia das vacinas. A vacinação contra a COVID-19 tem-se mostrado desigual em várias facetas e quando comparada entre os continentes pode se evidenciar essa desigualdade, vejamos em janeiro de 2021, o total de vacinados que completaram o protocolo na América do Norte foi de 5,2% da população. Na posição oposta, o continente africano registrava 0.0028% de sua população com vacina. O dado mais atual sobre a vacinação é de 26 de março de 2022, a situação em geral dos continentes melhorou, principalmente nos continentes da América do Sul e na Ásia. O continente africano é o que tem a menor proporção de vacinados, 16% completaram o esquema vacinal e 5.1% da população tiveram pelo menos uma dose da vacina, um total de 21%. Desde o início das vacinas, este número é muito inferior aos demais continentes. O que pode vir a propiciar novas variantes e no surgimento de uma nova onda, um número grande de infectados e mortes por COVID-19. O que pode explicar a melhor situação na América Latina é a constatação de que a maioria dos países latinos possuem em comum sistemas de saúde públicos. Este elemento é muito importante e merece um estudo mais profundo, o qual, será explorado em outro trabalho. Porém, é fato que corrobora positivamente para o estudo que estamos fazendo. Neste resumo apresentamos dados gerais sobre a atual situação das vacinas contra o COVID-19. Mostramos que existe uma desigualdade vacinal entre os continentes, sendo que a África, mesmo após mais de um ano da implantação de vacinas, o continente registra os menores números de imunizados. Vimos que os estudos apontam para uma possível mutação do vírus, podendo desenvolver novas variantes levando a uma nova fase da pandemia. REFERÊNCIAS DATA, Our World in. Coronavirus (COVID-19) Vaccinations. Disponível em: <https://ourworldindata.org/covid-vaccinations>. Acesso em: 29/04/2022. de Souza, Anacleto S., Vitor M. de Freitas Amorim, Gabriela D.A. Guardia, Filipe F. dos Santos, Henning Ulrich, Pedro A.F. Galante, Robson F. de Souza, and Cristiane R. Guzzo. 2022. "Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 Variants of Concern: A Perspective for Emerging More Transmissible and Vaccine-Resistant Strains" Viruses 14, no. 4: 827. Disponível em: <https://doi.org/10.3390/v14040827>. Acesso em 25 de abril de 2022. PÚBLICO. Xangai regista 52 mortes e o maior número diário de infeções por covid-19. Lusa, 29 de abril de 2022. Disponível em:< https://www.publico.pt/2022/04/29/mundo/noticia/xangai-regista-52-mortes-maior-numero-diario-infecoes-covid19-2004245>. Acesso em: 29 de abril de 2022. WHO Coronavirus (COVID-19) Dashboard. Disponível online: <https://covid19.who.int/ >. Acesso em: 29 de abril de 2022. | 05. Geografia da fome, alimentar e da saúde | MOACIR ROBERTO HEIMANN | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5888 | resources/download/restrict/eng2020/1661910761_ARQUIVO_a3cd757df6f5dddb7ba4f562a90c0a0a.pdf | ||||||||||||||||||
71 | 7799942 | A Pegada Hídrica do consumo de carne bovina nas regiões brasileiras | O Brasil é o dono do primeiro rebanho bovino comercial do mundo. Influenciado pelo aumento na demanda por essa proteína animal que é a carne vermelha. Sendo o responsável por suprir a demanda do mercado interno e também abastecer outras países a partir da exportação de seus derivados e in natura. Juntamente com essa carne bovina que é produzida e exportada, existe um grande volume de água utilizada em toda a cadeia produtiva que não é contabilizado, seja na lavagem de equipamentos ou para dessedentação animal. Desse modo; os indicadores de sustentabilidade são um importante mecanismo de mensuração dos níveis de apropriação dos recursos naturais finitos e da pegada que a humanidade exerce sobre o planeta terra. Sendo extremamente necessário mensurar o consumo de água doce na dessedentação animal do bovino de corte em todas as regiões do Brasil, como forma de monitorar a pressão sobre o recurso hídrico brasileiro e sua utilização de forma eficiente nos diversos sistemas de produção de carne, contribuindo com a cultura cientifica na formação de um banco de dados sobre o manejo hídrico. A partir da associação dos indicadores de sustentabilidade ambiental: Pegada Ecológica; que exige a determinação de um item de consumo a ser trabalhado, como o consumo de água doce. Pegada Hídrica Azul que expressa o grau de consumo direto ou indiretamente de água; a partir da capitação de água superficial ou subterrânea. O conceito de Água Virtual, que considera a água indiretamente exportada para outros países incorporada em bens agrícolas ou industrial. O trabalho objetivou calcular a pegada hídrica do consumo de carne bovina nas regiões brasileiras, Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, para o ano de 2020. Constituísse como de natureza quantitativa, baseado em uma pesquisa bibliográfica e documental, com o levantamento de dados secundários no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). Como método de análise utilizou-se a pegada hídrica (PE), sendo pegada hídrica avaliada em volume de água consumido e pegada ecológica em hectare. A metodologia está fundamentado principalmente em Almeida et al. (2010), Andrade (2006), Hoekstra et al. (2011), Santos et al. (2013) e Van Bellen (2002). Os resultados da avaliação da pegada hídrica (PE) nas cincos regiões brasileiras; apontam para o avanço da pecuária sobre a região Norte com um aumento de 2,4 milhões de cabeças, e no Centro-Oeste a evolução do rebanho foi de 1,5 milhão de cabeça em um intervalo de tempo de 5 (cinco) anos, 2015 à 2019. O maior consumo ocorre principalmente na região Centro-Oeste com um consumo de 170.200,04 megalitros. Obtendo também a maior pegada hídrica (PE) total entre as regiões, de 86.274,40 global hectare e uma pegada per capita de 0,0062 hectare global. Já o menor valor de consumo encontrado foi na região Nordeste com um consumo de 35.570,57 megalitros e uma pegada hídrica (PE) total correspondente a 18.030,72 global hectare, e uma pegada per capita de 0,0003 global hectare. Portanto, o indicador de sustentabilidade ambiental estima a área de floresta bioprodutiva em hectare global apropriada, responsável por manter o nível de consumo de água doce nas respectivas regiões brasileiras. Reforçando a importância do monitoramento do fluxo de entrada e saída desse recurso na bovinocultura de corte e a conscientização da população sobre a pressão existente nos sistemas que constitui a pecuária brasileira. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE, B. B. Turismo e sustentabilidade no município de Florianópolis: Uma aplicação do método da Pegada Ecológica. 2006. 152 f. Dissertação (Mestrado em Administração) - Curso de Pós-Graduação em Administração, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006. ALMEIDA, M. D, L, NETO, C. A, L, F, REIS, L. M, SILVA, V. P, A pegada ecológica do consumo de água do município de Caiacó/RN. HOLOS, Ano 26, Vol. 5 BLENINGER, T., KOTSUKA, L. K, Conceitos de Água Virtual e Pegada Hídrica: estudo de caso da soja e óleo de soja no Brasil. Revista Recursos Hídricos, Vol. 36, Nº 1, 15-24, maio de 2015. CARMO, R.L; OJIMA, A.R.O; OJIMA, R.; NASCIMENTO, T.T. Agua virtual, escassez e gestão: o Brasil como grande exportador de água. Revista Ambiente e Sociedade. Campinas, Vol. X, n.1, 2007, p.83-96. DIAS, G. F, Pegada Ecológica e Sustentabilidade Humana. � São Paulo: Gaia, 2002 DAMSON, A. S. H. Relatório planeta vivo 2010. Portugal: WWF Mediterrâneo, 2010. FERNANDES, M. F, R, XAVIER, L. S, PEIXOTO, J. A; A, Estudo do Indicador de Sustentabilidade �Pegada Ecológica�: uma abordagem teórica-empírica. Revista Gerencias, São Paulo, v. 7, n. 1, p.29-37, 2008. MARACAJÁ, K. F. B. Pegada Hídrica como Indicador de Sustentabilidade Ambiental. REUNIR, v. 2, 2012 PUIG, G. P, El agua virtual: conceptos e implicaciones. ORINOQUIA-Universidad de los Llanos � Villavicencio, Meta. Colombia Vol. 16- No 1- Ano 2012 REBOUÇAS, A. C, Água no Brasil: abundância, desperdício e escassez. BAHIA ANÁLISE & DADOS Salvador, v. 13, n. ESPECIAL, p. 341-345, 2003 SANTAREM, L. S; Cálculo da Pegada Ecológica (PE) do consumo de carne bovina no Estado do Amazonas/AM. XVIII Encontro Nacional de Geógrafos, 24 a 30 junho, 2016 � São Luís / MA. SANTOS, A. S. M. Alimentação urbana e a pegada ecológica do consume de carne bovina na cidade de Parintins. ACTA Geográfica, Boa Vista, v.7, pp.45-53, 2013. | 10. Geografia física e meio ambiente | Lenilton dos Reis Canto | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 6023 | resources/download/restrict/eng2020/1661946902_ARQUIVO_d25a4612ef92fb553d1f3b7f6d9723a6.pdf | ||||||||||||||||||
72 | 8345325 | A Pesquisa sobre a Questão da Mineração: Análise da Produção Científica da Geografia na Região Nordeste e na Bahia | Nas últimas décadas, a atividade minerária se tornou um tema presente na pesquisa geográfica, conforme analisaram Sousa, Germani e Antonino (2021). A questão da mineração despertou a atenção dos geógrafos e desafia a pesquisa geográfica como tema de gravidade política, econômica, ambiental e social (GONÇALVES, 2021). No contexto econômico, a exploração dos bens minerais historicamente se reproduz, entremeando espaços-tempo latino-americanos e brasileiros. No Brasil, a mineração está presente em todas as regiões geográficas, repercutindo em impactos que atingem diversas dimensões da natureza e da sociedade. No Nordeste do país, e, particularmente, no estado da Bahia essa presença não é recente e remonta ao século XIX, desde a exploração do ouro e dos diamantes na região da Chapada Diamantina, demarcando os territórios extrativos-mineral do passado (ANTONINO, 2019). A mineração se projeta no tempo-espaço nordestino e baiano, no �presente�, atinge cada vez mais territórios e provoca conflitos que abrangem variadas dimensões da natureza e da sociedade, aqui entendida a partir da indissociabilidade e relação intrínseca na dinâmica socioespacial (SANTOS; 1996; SOUZA, 2020). Conforme a dinâmica veloz das pesquisas minerais no Nordeste e na Bahia, observados por meio dos dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), há uma evidente propensão à expansão das áreas mineradas no �futuro� (ANTONINO, 2019). Desse modo, ampliam-se e aprofundam-se também os conflitos, pois a mineração é uma atividade produtora de conflitos nas suas diferentes fases do processo mineral, desde as etapas iniciais de pesquisas, até fases finais de fechamento e descomissionamento de minas (GEOGRAFAR, 2021). Processos que nem sempre ocorrem a contento do que estabelece a legislação. Assim, a atividade mineral produz e reproduz o espaço, em conjunto com suas contradições, amparada pelo modo capitalista de produção que se apoia no papel do Estado constituindo uma atividade hegemônica que se territorializa em diferentes lugares (SANTOS, 1996; HARVEY, 2005). Nesse cenário, de implicação territorial da expansão da mineração no Brasil, no Nordeste e na Bahia �as políticas de governos, a estrutura de monopólio das empresas, os desastres-crimes, os conflitos com comunidade camponesas, indígenas, quilombolas e elementos dramáticos como morte de trabalhadores � despertam e desafiam a interpretação geográfica� (ASSIS, 2021). Nessa perspectiva, esta pesquisa se constitui em um desdobramento da pesquisa inicial realizada por Sousa, Germani e Antonino (2021) que analisou o �estado da arte� da pesquisa sobre mineração na análise geográfica e, objetivou analisar a produção científica da Geografia a respeito da questão da mineração na região Nordeste e no estado da Bahia, no âmbito dos Programas de Pós-graduação em Geografia (PPGEOs) do Brasil, no período compreendido entre 1987 e 2020. Buscou-se, ainda, identificar as principais categorias teórico-metodológicas utilizadas nesses estudos e entender de que forma a dinâmica da realidade em movimento pode influenciar na constituição dos estudos científicos sobre o tema da atividade minerária e estabelecer, ou não, direcionamentos específicos nessas pesquisas e na racionalidade que as embasam teoricamente. Além disso, intentou-se problematizar o atual contexto de expansão do capital hegemônico e da fronteira mineral para a região Nordeste e, especificamente, para a Bahia no sentido de suscitar outras possibilidades de análises que permitam a ampliação das vias analíticas para além das narrativas e discursos estabelecidos. Os procedimentos metodológicos situam o estudo na esfera de uma abordagem qualitativa de natureza exploratória. A análise documental constitui principal ferramenta do estudo, tendo sido examinado o corpo de trabalhos produzidos nos PPGEOS do Brasil, entre 1987 e 2020. A base de dados foi construída por meio da consulta ao Portal de Dados Abertos da Capes. A discussão segue pela via interpretativa da análise dialética de conteúdo (BARDIN, 1977) no sentido de reconhecer, observar e compreender o movimento da realidade, no que tange a temática estudada, e seus desdobramentos para o desenvolvimento teórico-conceitual da ciência geográfica. Os resultados preliminares apresentam um panorama da produção científica sobre a questão da mineração na região Nordeste e na Bahia que, em uma perspectiva escalar, figuram nas pesquisas enquanto espaços-tempo empíricos, hora como sujeito ora como objeto analítico. Foram identificadas 72 pesquisas sobre/na região nordeste, sendo 23 delas na Bahia. Constatou-se um maior incremento das pesquisas a partir de 2011, tal fato pode guardar relação com fatores como o processo de expansão da fronteira mineral (WANDERLEY, GONÇALVES e MILANEZ, 2020), a ampliação dos PPGEOs na região Nordeste, ou ainda, com os desastres-crimes da mineração em Mariana (MG) 2015 e Brumadinho (MG) 2019, e condiz com os indicadores analisados em escala nacional (SOUSA, GERMANI e ANTONINO, 2021). Apesar da variedade analítica e teórico-metodológica, a maioria das pesquisas destacam, ao tempo em que denunciam, conflitos e impactos de ordem � territorial, política, cultural, socioambiental �, decorrentes da exploração mineral. Importante considerar que se trata de pesquisas que estudam a problemática da mineração situada em espacialidades de uma região do país historicamente explorada, oprimida e também, periferizada, e ressaltar que parte desses projetos de exploração mineral, seja �do passado, do presente ou do futuro�, ocorreram ou ocorrem em áreas do semiárido nordestino (MARQUES, ANTONINO e MONTALVÃO, 2017) que já sofrem com a vulnerabilidade socioeconômica e ambiental, e muitas vezes se instalam em territórios ocupados por populações rurais e comunidades tradicionais, povos originários, quilombolas, de Fundo e Fecho de Pasto, produzindo conflitos diversos. Para além do mapeamento da produção científica em pauta, os resultados apontam para a necessidade da ampliação e aprofundamento teórico-metodológico dos estudos no sentido de buscar entendimentos cada vez mais condizentes com a realidade em seu constante movimento e com a complexificação da produção do espaço em seus atravessamentos e contradições. Referências ANTONINO, Lucas Zenha. Territórios Extrativo-Mineral na Bahia: Violações de Direitos e Conflitos nos Territórios Terra-Abrigo. Tese (Doutorado em Geografia). Instituto de Geociências. Universidade Federal da Bahia. Salvador, 2019. GONÇALVES, Ricardo Junior de Assis Fernandes. A geografia e a pesquisa crítica do modelo de Mineração no Brasil. Revista Mutirõ (Recife) V. II, No. II, 2021. P 66-87. SSN 2675-3472 BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977. GEOGRAFAR. Grupo de Pesquisa Geografia dos Assentamentos em Área Rural. Formas de acesso à terra identificadas na luta. 2021. Disponível em https://geografar.ufba.br/ Acesso em 20 mar 2022. HARVEY, David. A produção capitalista do espaço. São Paulo: Annablume, 2005. MARQUES, Juracy; ANTONINO, Lucas Zenha; MONTALVÃO, Pablo (Org.). Amputação das montanhas do sertão: ecocídio e mineração na Bahia. 1ed.Paulo Afonso: Editora Sabeh, 2021. SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo Razão e Emoção São Paulo: Hucitec, 1996. SOUSA, Valdirene S. R; GERMANI , Guiomar I..; ANTONINO, Lucas Z. Uma Geografia da pesquisa sobre a mineração no Brasil no campo da análise geográfica (1987-2020): AMBIENTES: Revista de Geografia e Ecologia Política, [S. l.], v. 3, n. 2, p. 77�106, 2021. DOI: 10.48075/amb.v3i2.28606. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/ambientes/article/view/28606. Acesso em: 21 abr. 2022. SOUZA, Marcelo Lopes de. Articulando ambiente, território e lugar: a luta por justiça ambiental e suas lições para a epistemologia e a teoria geográficas. Ambientes. Volume 2, Número 1, 2020, pp. 16-64. WANDERLEY, Luiz. J. M. ; GONÇALVES, Ricardo. J. A. F. ; MILANEZ, Bruno. O interesse é no minério: O neoextrativismo ultraliberal marginal e a ameaça de expansão da fronteira mineral pelo governo Bolsonaro. REVISTA DA ANPEGE, v. 16, 2020, p. 549-593 | 03. Pensamento Geográfico | Valdirene Rocha, Guiomar Germani, Lucas Antonino | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 6111 | resources/download/restrict/eng2020/1661202941_ARQUIVO_f826dd1117e44f20de8b6fcd7fb22966.pdf | ||||||||||||||||||
73 | 2968479 | A precarização dos trabalhadores de aplicativo diante da pandemia de COVID-19 em Rio Branco/AC | O objetivo geral do trabalho é de compreender o processo de flexibilização e precarização dos trabalhadores de aplicativo em Rio Branco/AC de modo a enfatizar os reflexos da pandemia da COVID-19 para com o mundo do trabalho ao longo dos anos de 2020 a 2022. A década de 1970 marca o momento denominado de crise estrutural do capital como resultado do esgotamento e da incontrolabilidade de seu sistema de metabolismo social. Como resposta à sua crise, o capital iniciou um processo de reestruturação produtiva a fim de garantir sua reprodução e expansão. Para isso, o trabalho passa a ter relevância significativa assumindo novas formas de exploração da atividade laboral e um elevado nível de alienação e precarização. No Brasil, a reestruturação produtiva do capital intensificou-se a partir dos anos de 1990 com a ofensiva neoliberal somado com o modelo de acumulação flexível impondo novos padrões organizacionais e tecnológicos às empresas. Com isso, impuseram um cenário de enxugamento da força de trabalho, novas formas de gestão laboral e de precariedade salarial e desregulamentações dos direitos sociais com o aumento da informalidade e da terceirização do trabalho. A partir de 2015 há uma nova ofensiva neoliberal no Brasil com a promulgação da Lei da Terceirização 13.429/17 e a Reforma Trabalhista que vem de encontro com os anseios da classe capitalista ao aprofundar a precarização e a flexibilização do trabalhador ao retirar direitos sociais garantidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e aprofundar a exploração do trabalhador já que, segundo a Revista Fórum (2015), o trabalhador terceirizado tem menor remuneração, maior jornada de trabalho, sofrem mais riscos de acidente e perdem seu poder de negociação com o enfraquecimento das relações sindicais. Portanto, a reestruturação produtiva do capital proporcionou uma nova morfologia do trabalho assentada sobre a informalidade e a terceirização, permeadas pela precarização e flexibilização nas relações. Além disso, impulsionou o crescimento do setor terciário, conforme reforçado por Moreira (2016, p.59) de que �a sociedade do trabalho transforma-se na sociedade dos serviços [...] já que há uma dispensa progressiva do trabalho produtivo e um aumento correlato do trabalho improdutivo�. Antunes (2018) corrobora ressaltando que ao mesmo tempo em que o proletariado industrial da era taylorista/fordista vem se reduzindo, há uma forte contratendência dada pela expansão de novos contingentes de trabalhadores e trabalhadoras no setor de serviços, na qual denomina de novo proletariado de serviços da era digital, cujo trabalho ganhou impulso com as TICs, que conectam pelos celulares às mais diversas modalidades de trabalho. Essa nova modalidade de trabalho no setor de serviços é configurada �sem jornadas pré-determinadas, sem espaço laboral definido, sem remuneração fixa, sem direitos, nem mesmo o de organização sindical� (ANTUNES, 2018, p.36). É o advento de uma nova era de escravidão digital. Nesse contexto de trabalho terceirizado e informal, encontramos o caso da empresa de tecnologia Uber. A Uber é uma empresa privada global que se organiza através de um aplicativo que estabelece o vínculo entre trabalhador e consumidor do serviço. Em sua forma de gestão, o trabalhador realiza a atividade com seu instrumento de trabalho (o automóvel, no caso do Uber transporte, ou moto e bicicleta no Uber Eats). Com isso, o próprio trabalhador fica responsável pelas diversas despesas e manutenção dos seus meios de transporte. Na relação com a empresa-aplicativo, a mesma oferece um trabalho desregulamentado, ou seja, o trabalhador é apenas um prestador de serviço não é um trabalhador formal da empresa, portanto, sua remuneração é de acordo o trabalho realizado e não estão assegurados os direitos sociais. A Uber foi fundada em 2010, nos Estados Unidos, e chegou ao Brasil em 2014 oferecendo 5 produtos, sendo 4 deles relacionados ao transporte de pessoas (Uber X, Uber Juntos, Uber Select e Uber Black) como também a Uber Eats, que é um serviço de entrega de comidas pelo qual através do aplicativo há o menu de vários restaurantes cadastrados. (UBER, 2019). A espacialidade da Uber alcançou a cidade de Rio Branco em 2017, com o transporte de pessoas, e em 2018, o Uber Eats, e vem crescendo o número de trabalhadores vinculados a esses tipos de modalidade de serviço, como também a quantidade de usuários. O crescimento da informalidade e dos trabalhadores terceirizados são resultado do processo de reestruturação produtiva do capital que levou a precarização e flexibilização nas formas contratuais. Nesse sentido, o desemprego e a baixa remuneração proporcionam o aumento de trabalhadores por conta própria seja como única fonte de renda, seja o trabalhador que exerce várias funções para complementar a renda familiar mensal. Em 2017, o desemprego levou o estado do Acre a uma taxa de 56,51% de trabalhadores por conta própria, o que demonstra a superioridade da informalidade frente ao trabalho formal (AC 24 HORAS, 2019). Em 2019, segundo dados divulgados pelo IBGE nos três primeiros meses do ano (janeiro a março), a taxa de desemprego subiu de 13,1% para 18%, o que representa um universo de 64 mil pessoas desempregadas no Acre, sendo a maior porcentagem da história no estado. (RODRIGUES, 2019). Além disso, a partir de 2020, a COVID-19 trouxe um aprofundamento da precarização do trabalhador, pois devido ao isolamento social muitos trabalhadores passaram a utilizar as tecnologias para exercer suas atividades, utilizando do home office para as categorias mais formais e com nível de formação de médio a alto; por outro lado, devido ao fechamento e/ou restrição do comércio cresceu os serviços de entrega e assim, aumentando também os postos de trabalho para os trabalhadores informais e desempregados que aderiram ao mundo dos trabalhadores de aplicativo. Com isso, a quantidade de trabalhadores por conta própria e terceirizados representa uma porcentagem significativa no estado do Acre, o que nos remete a relevância do trabalho, pois através das leituras de referencias sobre a temática, coleta de dados do IBGE e do Rais/Caged e entrevista com esses trabalhadores foi possível realizar um diagnóstico da situação e das condições do emprego em Rio Branco. Além disso, a Geografia do Trabalho nos oferece subsídios para compreender a �dinâmica territorial do trabalho, as estruturas espaciais que lhe estão na base, em meio aos rearranjos do capital e suas diferentes formas de expressão� (THOMAZ JUNIOR, 2018), pois as dinâmicas escalares local/regional/nacional estão articuladas no nível global do capital, como é o caso da Uber de nacionalidade norte americana. Referencias AC 24 HORAS. IBGE: informalidade atinge 56,1% dos trabalhadores acreanos, diz Ministério. Disponível em: https://www.ac24horas.com/2017/07/05/ibge-informalidade-atinge-5651-dos-trabalhadores-acreanos/. Acesso em: maio de 2019. ANTUNES, Ricardo. O privilégio da servidão. O novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Boitempo, 2018. A UBER. Disponível em: https://www.uber.com/pt-BR/newsroom/fatos-e-dados-sobre-uber/. Acesso em: maio de 2019. MOREIRA, Ruy. A geografia do espaço-mundo. Conflitos e superações no espaço do capital. Rio de Janeiro: Consequência, 2016. RODRIGUES, Iryá. Com 64 mil desempregados, Ac foi o que mais perdeu postos de trabalho, aponta IBGE. Disponível em: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2019/05/16/com-64-mil-desempregados-ac-foi-o-que-mais-perdeu-postos-de-trabalho-aponta-ibge.ghtml. Acesso em: maio de 2019. THOMAZ JUNIOR, Antonio. Geografia do Trabalho por inteiro. Revista Pegada On line. V.19, n.02, maio/agosto de 2018, p. 06-56. | 08. Geografia econômica | Karina Furini da Ponte | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 780 | resources/download/restrict/eng2020/1658437556_ARQUIVO_009c31a7850b9f3432a05fe93bc6427e.pdf | ||||||||||||||||||
74 | 5431611 | A problemática da política habitacional via crédito: o endividamento e a retomada de imóveis em dois distritos de São Paulo. | INTRODUÇÃO Na década de 1990, a inserção da economia brasileira nas finanças globais impulsionou o consumo em massa via crédito, permitindo a aquisição, por famílias de baixa renda, de bens antes não pertencentes à sua capacidade de compra, como a casa própria. Em 1997, instaurou-se junto ao Sistema de Financiamento Imobiliário, a lei de alienação fiduciária, ferramenta jurídica que assegura os credores, aumentando a disponibilidade de crédito. Tal lei ameaça, nos momentos de crise econômica, o pagamento das parcelas. A presente pesquisa analisa o processo de retomada de imóveis financiados pela Caixa Econômica Federal e realiza um estudo de caso com os imóveis retomados nos distritos do Campo Limpo e da Vila Andrade, em São Paulo. Estuda-se a mudança no público alvo das políticas habitacionais voltadas às baixas rendas (PMCMV). Entende-se quais são os perfis socioeconômicos que tiveram acesso à compra de imóveis e quais são os que mais tiveram seus imóveis retomados, correlacionando estes dados e destacando as problemáticas e limitações do acesso à moradia via crédito. OBJETIVOS O objetivo é compreender a dinâmica da política habitacional brasileira nos anos recentes e como ocorreu o acesso à moradia via crédito. Procura-se entender as entrelinhas do crédito como alavancagem econômica e as consequências desse fenômeno. Visa-se analisar o processo de retomada de imóveis em dois distritos de São Paulo (Campo Limpo e Vila Andrade) e entender as limitações do acesso à moradia via crédito. Os objetivos específicos são: Levantar dados sobre dos imóveis retomados pela CEF (lei de acesso à informação); Produzir gráficos da evolução do acesso ao crédito e da retomada de imóveis nos dois distritos; Analisar quantidade e distribuição, tanto dos lançamentos de imóveis (Embraesp), quanto dos imóveis retomados pela CEF; Entender quais as mudanças nas políticas de acesso à moradia via crédito, principalmente nos anos recentes e para as baixas rendas; Compreender o impacto das mudanças nas políticas públicas no acesso habitacional; Entender a causa da espacialização dos dados obtidos junto à Embraesp e à CEF, para ambos os distritos. METODOLOGIA Realiza-se levantamento bibliográfico sobre a política habitacional brasileira, sua evolução e as consequências da crise econômica de 2015, como o boom de retomada de imóveis em 2017. A bibliografia permite compreender como ocorreu a mudança nas políticas habitacionais e no perfil socioeconômico com acesso ao crédito e subsídios do Estado. Para caracterização da área de estudo, junto ao IBGE, SEADE e EMPLASA, foram coletados dados para compreender a história e diferenças quantitativas dos perfis dos habitantes de cada distrito. Como levantamento documental foi acessado o banco de dados da Embraesp e mapeados os lançamentos de imóveis em São Paulo, compreendendo a distribuição destes entre os distritos de renda elevada (Vila Andrade) e baixa renda (Campo Limpo). Além disso, via lei de acesso à informação, foram coletados dados da CEF sobre os imóveis retomados, sendo estes mapeados e analisados em relação ao perfil socioeconômico de cada distrito. RESULTADOS Constatou-se um maior número de imóveis retomados no Campo Limpo do que na Vila Andrade. Entre os anos 2000 e 2021, Campo Limpo teve 244 imóveis retomados, enquanto Vila Andrade, somente 107. O boom nessas retomadas ocorreu, para ambos os distritos, após a crise de 2015, com o ápice em 2017. A análise dos dados dos lançamento de imóveis (Embraesp), mostrou que houve entre 2000 e 2020, mais lançamentos imobiliários na Vila Andrade (48.462) do que no Campo Limpo (12.474). O dado explicita a dinâmica do mercado imobiliário de buscar localidades com maior potencial lucrativo, fato relacionado ao perfil socioeconômico da população do distrito. Segundo o Censo 2010, a renda per capita do Campo Limpo era R$722 e da Vila Andrade, R$1960. Analisar os distritos permite compreender como o impacto da retomada de imóveis chega a determinadas classes de renda de maneira diferente. É a classe baixa ou média/alta quem mais arca com prejuízos nas mudanças das políticas habitacionais e mais tem imóveis retomados? A análise de dados realizada na pesquisa ressalta uma mudança no acesso ao PMCMV nos últimos anos. Ao analisar o enquadramento dos lançamentos de imóveis, se dentro ou fora do escopo do programa, observa-se que a Vila Andrade, a partir de 2017, passou a apresentar mais lançamentos dentro do PMCMV do que fora (em 2018, 87,84% estavam dentro do programa). O auxílio estatal passou a financiar imóveis para a classe média/alta ao invés da classe baixa, como era o intuito do PMCMV em 2009. Os recursos do faixa 1 foram extinguindo-se, hoje, poucas unidades são contratadas nessa faixa e, em 2020, a renda limite do PMCMV chegou a R$9.000,00. Entre 2000 e 2020 o Campo Limpo teve 12.474 lançamentos, dos quais, 43,53% enquadraram-se no PMCMV, enquanto na Vila Andrade, somente 9,31% enquadrava-se. Somente em 2017 a maioria dos imóveis lançados na Vila Andrade passaram a enquadrar-se no programa, mostrando que o perfil do público que passou a ter acesso aos benefícios sociais dados pelo Estado mudou. Os resultados mostram que a população do Campo Limpo sofreu mais com a retomada de imóveis e com a ausência dos lançamentos das construtoras. A população de baixa renda cada vez menos acessou o PMCMV, principalmente pós crise financeira de 2015. Ampliou-se o valor do imóvel (R$300 mil em 2020) e com isso, imóveis menores e em áreas privilegiadas (como na Vila Andrade), enquadraram-se no programa. O acesso à moradia via crédito não soluciona o problema habitacional, mas cria um impasse a longo prazo, sobre a inadimplência. A política habitacional termina ao fim do pagamento das parcelas, quando as famílias deixam o risco de perderem suas casas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, M.A.; MELAZZO, E.S.; FERREIRA, J.V. Produzindo casas de papel: As engrenagens da securitização de ativos imobiliários residenciais no Brasil, Confins (On Line), 47, 2020. BOLAFFI, G. Habitação e urbanismo: o problema e o falso problema. In: MARICATO, ERMÍNIA (Org.). 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A inserção da economia brasileira no cenário mundial: uma reflexão sobre o papel do Estado e sobre a situação atual real à luz da história. México: Logros e Retos del Brasil Contemporâneo, UNAM, 24 a 26 de Agosto de 2011. ROYER, Luciana de Oliveira. Financeirização da política habitacional: limites e perspectivas. Tese de doutorado. FAU USP. São Paulo, 2009. SHIMBO, Lúcia Zanin. Habitação social de mercado: a confluência entre Estado, empresas construtoras e capital financeiro. Belo Horizonte: Editora C/Arte, 2012. (Coleção Arquitetura & urbanismo). | 01. Cidade e Urbano | GABRIELLE RIBEIRO BRITO LIMA | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5847 | resources/download/restrict/eng2020/1659133111_ARQUIVO_9fea41ec2ee7fe02eeb61d458f570b8c.pdf | ||||||||||||||||||
75 | 6479855 | A problemática socioambiental e a lógica do mercado | Introdução O geógrafo Milton Santos em diferentes momentos de sua trajetória acadêmica foi um combatente ferrenho das injustiças sociais. O autor deixou bastante explícito seu posicionamento contra todo tipo de fundamentalismo. Em uma de suas palestras ele afirma que o grande fundamentalismo contemporâneo é o �consumo� (SANTOS, 2001) e, nessa linha de raciocínio, podemos dizer, forma análoga, o �dinheiro�. Na esteira desse pensamento, o filósofo italiano Giorgio Agamben (2017), ao longo de uma entrevista observa que � fazendo alusão ao pensamento de Niestche � Deus não está morto, mas sim, tornou-se dinheiro. Respeitando suas diferenças, tanto um quanto o outro, em suas reflexões, expõem o caráter brutal e desenfreado do capital. A face mais horrenda desse sistema se materializa e/ou é operacionalizada por diferentes empresas estando presente nos mais diversos lugares do espaço geográfico sobretudo em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, como é o caso das grandes mineradoras que buscam nestas localidades fatores locacionais como legislação ambiental frágil, baixa fiscalização, incentivos fiscais entre outros para se instalar, deixando muitas vezes passivos socioambientais assim que a produção deixa de ser atraente do ponto de vista do capital. Vários são os exemplos que ilustram essa relação perversa do capital com o �ambiental�. A experiência de maiores proporções no Brasil foi o crime ambiental da barragem rompida no dia 5 de novembro de 2015 quando essa barragem era conhecida por barragem do Fundão. Era de propriedade da Samarco Mineração S/A. Objetivos Assim buscamos neste estudo problematizar a racionalidade presente no crime socioambiental provocado pela mineradora Samarco � empresa controlada pela Cia Vale do Rio Doce e BHP Billiton admitindo que essas corporações tem a capacidade de se infiltrar nas subjetividades intrapessoais apresentando-se como única possível, ocultando e invisibilizando outras formas de racionalidades. Metodologia. A perspectiva metodológica adotada se de em torno de uma revisão de literatura, segundo a qual identificou que o modelo empregado pelas empresas que atuam em atividades de impacto direto em ecossistemas � ou mesmo aquelas com impacto indireto � demonstram de maneira clara e nada sutil a ênfase nos lucros em detrimento do cuidado ambiental. Observa-se também, em diferentes literaturas que o uso da expressão sustentabilidade é vazio em termos de comprometimento e responsabilidade socioambiental. Nesse sentido, realizamos uma busca no Google Acadêmico, filtrada pelo idioma em Português no período compreendido entre 2012 e 2016 e pelas palavras chave: bacia hidrográfica, crime e/ou impacto socioambiental, mineração, empresas. Não foi difícil perceber a ênfase dada por diferentes autores quantoà presença de um modelo desenvolvimentista de caráter predador, embora, muitas empresas anunciem � ou procuram demonstrar � preocupação e ações de cunho ambiental-preservacionista. Nesse aspecto, um dos crimes/impactos mais alarmante dentro do período mencionado foi àquele cometido contra a bacia do rio Doce. As comunidades dos municípios banhados por esse rio, vivenciaram momentos de grande ansiedade e perplexidade, após o rompimento da barragem em Mariana, em Minas Gerais e suas implicações na vida dos moradores. Outro aspecto muitas vezes negligenciado por estudos relacionados a este crime ambiental é a questão do comprometimento da segurança alimentar das populações atingidas, sobretudo as famílias de menor poder aquisitivo que tinham na pesca, na coleta de frutas e no cultivo de hortaliças e na criação de pequenos animais sua soberania alimentar. Para Maluf (2000) a questão alimentar faz parte da condição primária humana de existência, pois se alimentar representa um direito humano básico sendo que através da observação das características socioeconômicas marcantes de uma sociedade, com é o caso de seu sistema alimentar, a questão alimentar tende a estar no centro das ações e das políticas públicas, então o combate à fome e a insegurança alimentar representa um componente fundamental para os processos de desenvolvimento dos países com vistas a equidade social. Diversas ações dos movimentos sociais têm trabalhado na perspectiva da luta pela segurança alimentar na bacia do Doce. Convocados pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) os camponeses do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) desempenharam um conjunto de ações como doação de cestas básicas às famílias em situação de risco social grave como parte da campanha Rio Doce Sem Fome. As consequências desse acontecimento � no qual estamos chamando de crime socioambiental � são sentidas até os dias atuais. Seja na dinâmica cotidiana de diversas comunidades que mantinham relações socioeconômicas com o rio, seja arranjo � ou desarranjo � empregatício ocorrido nessa região. A pandemia provocada pelo COVID-19 agravou o estado de vulnerabilidade das classes mais abastadas atingidas pelo rompimento das barragens, ou seja, se não bastasse a condição socioeconômica fragilizada antes e, sobretudo após o descaso com a falta de assistência e com processos litigiosos em relação à indenização esse grupo passa a ser potencializado em termos de rico social com a pandemia, comprometendo inclusive a sua segurança alimentar. Diante da problemática estabelecida com esse acontecimento e todo o intenso envolvimento vivenciado, nos sentimos impelidos e provocados a questionar a lógica e/ou racionalidade presente nesse acontecimento. Entendemos que a racionalidade estampada nessa tragédia não é nova, mas sim constituinte de um modelo econômico-financeiro já conhecido, estudado, criticado e, principalmente, abraçado por uma grande maioria de empresas � o capitalismo como modelo. Ressaltamos que não é proposta deste texto apresentar outros modelos ou mesmo elaborar novas críticas a esse sistema econômico, mas sim problematizar essa racionalidade em decorrência da capacidade que sua força agenciadora apresenta para se infiltrar nas subjetividades infrapessoais (LAZZARATO, 2014), apresentando-se como única possível, ocultando e invisibilizando outras formas de racionalidades. Resultados No contexto apresentado, acreditamos que ao problematizar uma determinada realidade, estaremos, ao mesmo tempo, produzindo/criando espaços para outras lógicas possíveis. Nesse sentido, é interessante destacar a diferença entre um modelo que se beneficia de uma determinada �natureza� até o seu esgotamento, como tem sido o caso de muitas mineradoras, e outro, em que a natureza, como fonte de renda, se estabelece uma relação de cuidado, proteção e preservação, como no caso do turismo, uma das principais fontes de renda de alguns municípios do Estado do Espírito Santo. É a problematização dessa lógica e discurso que constitui a direção que pretendemos tomar. Como, também, problematizar a complexidade dos impactos desse crime socioambiental, trazendo as implicações resultantes dessa lógica/racionalidade e as tensões com outras diferentes formas de racionalidades e/ou pensamentos acerca dessa problemática. Além disso, buscamos contextualizar as influências da teoria pós-colonialista na constituição das relações sociais, culturais e ambientais, com o intuito de rever os pressupostos da racionalidade hegemônica determinista. Buscamos, nesse artigo, discutir aspectos da problemática em questão, como por exemplo, as noções de desenvolvimento, aspectos socioculturais e a noção de natureza, a fim de contribuir para o entendimento, mesmo que inacabado, da racionalidade hegemônica, sua relação com o meio e a noção estabelecida acerca de desenvolvimento e progresso. Referências. AGAMBEN, Giogio.Deus não morreu:ele tornou-se dinheiro. Entrevista concedida a Peppe Salvà e publicada por Ragusa News em 16-08-2012. Tradução de Selvino J. Assmann. Disponível em:<http://www.ihu.unisinos.br/noticias/512966-giorgio-agamben>. Acesso em: 30 fev. 2017. LAZZARATO, Maurízio. Signos, Máquinas, subjetividades. Tradução: Paulo Domenech Oneto e Hortência Lencastre. 1. ed. São Paulo: Edições Sesc São Paulo; n.: 1, 2014. MALUF, R. S. (2000), Atribuindo sentido(s) ao desenvolvimento econômico. Estudos Sociedade e Agricultura, 15, 53-86. SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único a consciência universal. 6ª ed. � Rio de Janeiro: Record, 2001. | 08. Geografia econômica | Daniel Louzada Casteluber, Rosinei Ronconi Vieiras | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5699 | resources/download/restrict/eng2020/1661974950_ARQUIVO_051bab0efcd0f2f73e8da3a3a6a6d68a.pdf | ||||||||||||||||||
76 | 1368583 | A Produção Cartografia na Compreensão da Territorialização da Covid-19 em Sergipe. | O presente trabalho é um estudo de cunho geográfico e fruto de uma extensa pesquisa sobre a Covid-19, realizada pelo PET - Programa de Educação Tutorial, do Curso de Licenciatura em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe, relacionado aos efeitos da Covid-19, em Sergipe. Para tal pesquisa, foi necessário o uso de instrumental cartográfico, com a realização de mapeamentos de número de infectados (contaminados), e de mortes, com estes, é possível detectar os diferentes índices e impactos nos municípios, que nos leva a auferir a ideia de formação de necroterritórios da Covid-19, conceito esse ainda incipiente mais que merece as devidas atenções. Para o mapeamento, foi elaborado um banco de dados de infectados, mortes, e índices de mortes, catalogados em material disponibilizado pelo governo de Sergipe, através da página (https://todoscontraocorona.net.br/), com extração de dados nos boletins diários e semanais; a coleta se dá desde junho de 2020 aos dias atuais, os mapas contidos no trabalho se referem aos totais de infectados (contaminados), de mortes e da variação absoluta e relativa dos mesmos, que são publicados mensalmente na página https://itabaiana.ufs.br/pagina/22651-mapeamento-da-covid-19, de domínio da Universidade Federal de Sergipe, Campus Professor Alberto de Carvalho. Para mostrar o processo de expansão da Covid-19 em Sergipe, usou-se os mapas do índice de morte e do percentual do eleitorado, das duas últimas eleições majoritárias no país (em 2016 e 2020), dados disponibilizados em (https://www.tre-se.jus.br/eleicoes/resultado-das-eleicoes), referente aos percentuais de votos no segundo turno, para presidente; com estes resultados e cruzamento de dados, com o mapeamento de índice de mortes pela Covid-19, foi elaborado o mapa dos necroterritórios em Sergipe. Para a compreensão dos fenómenos, explicados a partir da territorialização da Covid-19, foi necessário realizar alguns debates, e discussões internamente no grupo no PET e externamente, com profissionais da geografia e de áreas denominadas de afins, com a participação do PET nos espaços de diálogo organizado pela AGB - Secção Aracaju, em 2020 e em 2021, nas atividades do I Fórum da Geografia Sergipana: Cenários Pandêmicos e Pós-Pandêmicos e da VII SEMAC 2021 - Ações do Campus durante a Pandemia do novo Corona Vírus, (COVID - 19), além de entrevistas na Rádio UFS e em rádios locais; com os materiais catalogados no decorrer da pesquisa, partiu-se para os estudos das questões territoriais, conceito fundamental para se compreender os necroterritórios, buscou-se em autores da geografia que defendem o território como uma construção humana, em tempo e espaço de forma duradoura e ao mesmo tempo efêmera, como se observa em SOUZA (1995), ou como afirma Fernandes (2008), que os territórios carregam no seu bojo as marcas da conflitualidade, ou seja, os territórios são criados e recriados a partir de conflitos de interesses, é nesta perspectiva que se advoga a formação dos necroterritórios, e para entender tal formação é necessário um resgate para se compreender o que é negacionismo? de onde vem o negacionismo? E quais impactos que este negacionismo influiu na territorialização da pandemia. Como resultado, tem-se o mapa final, denominado de mapa dos necrotéritorios , que é mostrado numa perspectivas da Cartografia Geográfica Crítica, neste é possível destacar 3 (três) necroterritórios já abordado em um artigo do PET, no ENEPET, classificando em: Intensos, quando tem alto índice de mortes por 100mil/habitantes, neste caso, que predominam em áreas com alto índice de negacionismo do poder governamental e de parte da população; os necroterritórios médios, aqueles com valores acima de 100 mortes até aproximadamente 300 mortes por 100mil/habs.; e os necroterritórios suaves, que ficam abaixo de 100 mortes por 100mil/habitantes, a classificação com estes valores, levou em consideração, os níveis mundiais (que serão abordados em outro trabalho do PET no ENG), e os níveis nacionais, apresentado em outras oportunidades, com isso facilita realiza um comparativo do local, nacional e do mundial. Em Sergipe, se observa a formação dos necroterritórios intensos, em áreas que tiveram os maiores índices de eleitores que votaram nas duas últimas eleições majoritárias nos candidatos de tendência de direita (Aécio Neves e Jair Bolsonaro), com população de maior cunho negacionista da pandemia, por vez, nos denominados necrotérritórios leves, os percentuais de votos dos candidatos de cunho da esquerda (Dilma Rousseff e Fernando Haddad), foram bem maiores, e na transição deste, os necroterritótios médios, seguindo uma linha de tendência nacional, com maiores índices o Sul, Sudeste e Centro Oeste, redutos da direita e os menores no Nordeste, reduto da esquerda. Além do fator do negacionismo, para a contribuição de diferentes índices regionais e municipais em Sergipe, pode-se destacar outros fatores, a saber: A alocação de duas Rodovias Federais (BR - 101 e BR - 235), detectou-se que em sedes municipais que são cortadas por estes veios rodoviários, a tendência é de ter maiores índices de mortes pela Covid-19, constatados em Itaporanga d�Ajuda e Propriá, na BR - 101 e Itabaiana, Areia Branca e Frei Paulo na BR - 235, como estas cidades recebem diferentes viajantes, facilita a propagação do vírus, outro fator que merece destaque é a centralidade de algumas cidades, como maior exemplo a Grande Aracaju, e mais cidades que recebem um considerável número de pessoas da própria região, para a realização de alguns serviços básicos, que nas sedes não tem, como exemplo dos Bancos, INSS, Hospitais Regionais, e um forte comércio, neste caso pode-se destacar os municípios de Itabaiana, Nossa Senhora da Glória, Lagarto, Propriá e Estância, ainda merece destaque, municípios de cunho turístico, que tiveram os maiores aumentos, em momento de veraneio, como Canindé do São Francisco e Pirambu. Com estas análises, pode-se destacar que, a cartografia é de suma importância para os estudos geográficos e que os mapas refletem uma realidade territorial impressionante, que a ciência é de fundamental importância para se combater as Fakes News e o desvelamento da real situação do país. Bibliografia FERNANDES, Bernardo Mançano. Entrando nos territórios do território. In: PAULINO, Eliane Tomiasi; FABRINI, João Edmilson (org.). Campesinato e território em disputa. São Paulo: Expressão Popular, 2008. p. 273-302 SOUZA, Marcelo José Lopes de. O território: sobre espaço e poder autonomia e desenvolvimento. IN: CASTRO, Iná Elias de: GOMES, Paulo César da Costa e CORRÉIA, Roberto Lobato. Geografia conceitos e temas; Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995. https://todoscontraocorona.net.br/ https://www.tre-se.jus.br/eleicoes/resultado-das-eleicoes https://itabaiana.ufs.br/pagina/22651-mapeamento-da-covid-19 | 11. Cartografia e representações de mundo | Carla Mirele, José Aparecido Vieira, Hunaldo | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5683 | resources/download/restrict/eng2020/1661263465_ARQUIVO_9e2db3057eef098caabefbb2aa48c330.pdf | ||||||||||||||||||
77 | 2551381 | A produção do espaço urbano de São Borja �RS na indissociável relação entre campo e cidade | A produção do espaço urbano de São Borja �RS na indissociável relação entre campo e cidade A produção do espaço está associada ao modo de produção, suas transformações ao longo do tempo e a constituição da vida cotidiana, a qual está imbricada nessas múltiplas dimensões, como a articulação entre a ordem próxima e distante de que trata Lefebvre (2001). O percurso que este estudo se orienta é: a produção do espaço urbano do município de São Borja em sua indissociável relação entre campo e cidade. Mais especificamente, as contradições inerentes ao campo moderno, manifestadamente característico do meio técnico científico-informacional (SANTOS, 1997), e a cidade e suas periferias pobres. O que a princípio aparece como contradição, são elementos do modo de produção, que gera riqueza e pobreza e consequentemente, desigualdades sociais e espaciais. Acrescido ao modo de produção, tem-se as especificidades da constituição histórica local, marcada por estratégias de ocupação territorial e consolidação e disputas de fronteiras do período colonial. A sede municipal remonta ao período missioneiro e a instalação dos 7 Povos das Missões no território atual do Rio Grande do Sul, datando de 1682. Em virtude de sua localização em região de disputa fronteiriça, foi instituído como município em 21 de maio de 1834. Dois elementos importantes da constituição espacial e, posteriormente das relações urbanas e rurais, tem origem nos primórdios de constituição do município: sua localização fronteiriça e o predomínio de uma estrutura fundiária de grandes propriedades rurais. O percurso metodológico para a análise dessa produção espacial engloba: revisão bibliográfica da discussão acerca da dialética entre campo e cidade, rural e urbano; a constituição do campo moderno, aqui compreendido a partir da teoria de Milton Santos de meio técnico-científico-informacional, identificação da inserção de São Borja na escala regional e nacional. Foram coletados e analisados dados dos censos agropecuários do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), dados do IPEA (Instituto de pesquisa Econômica Aplicada), dados do IRGA (instituto Rio Grandense do Arroz), levantamento de estabelecimentos industriais e comerciais articulados ao agronegócio. Assim, objetiva-se contextualizar São Borja, identificar os processos e transformações ao longo do século XX e XXI, para por fim compreender o espaço urbano em sua indissociável relação com o campo modernizado. A atividade pecuária predominou durante o século XIX, originária da estrutura fundiária e primeira base econômica do estado. Todavia, ao longo do século XX tem-se a emergência da agricultura empresarial alicerçada na produção de arroz e soja. Fontoura (2011) argumenta que é através da produção de arroz e trigo que se tem o avanço das relações capitalistas e modernização da agricultura a partir da década de 1930. A pecuária em estabelecimentos de latifúndio foi reduzindo territorialmente em função da expansão da agricultura moderna, sem com isso alterar a estrutura fundiária. Atualmente há predomínio da produção de arroz e sua articulação entre indústria de beneficiamento, estabelecimentos, armazenamento, comerciais diretamente associados à agricultura. O desenvolvimento agrícola e industrial tem implicações na constituição urbana e na oferta de serviços disponíveis. As beneficiadoras são um laço dessa cadeia de articulação do campo e da cidade. Segundo Santos (1993 ,p.53): �A cidade torna-se o locus da regulação do que se faz no campo. É ela que assegura a nova cooperação imposta pela nova divisão do trabalho agrícola (...)�. Dessa forma, estão instalados em São Borja diversos estabelecimentos voltados para esse campo moderno e tecnológico, como revendedoras de maquinários (John Deere �Alvorada, Masey Ferguson, Case- AGROSER, Super Tratores) e insumos (Ciagro, Terra Nova e Comercial Agrícola Horizonte). Observa-se o que Santos argumenta como a incorporação de ciência e informação ao território rural. Assim, a cidade subsidia o campo moderno e corresponde a cadeia do agronegócio, definida como antes da porteira (à montante), dentro da porteira e depois da porteira (à jusante), o que envolve uma cadeia de atores e ações vinculados e articulando esses espaços urbanos e agrícolas: produção e fornecimento de insumos, máquinas e equipamentos, serviços especializados; preparo e manejo do solo, tratos culturais, irrigação, colheita, transporte, armazenagem, industrialização, distribuição e comercialização (FEIX, LEUSIN JÚNIOR, AGRONONIK, 2016). Conjuntamente, tem-se um aparato financeiro através dos estabelecimentos bancários: Banco do Brasil, Banrisul, Itaú, Sicredi. Segundo Elias (2012, p.3): São regiões agrícolas que � encontram-se sob o comando de grandes empresas nacionais e multinacionais, as mesmas que estão à frente das redes agroindustriais globalizadas, representando lugares funcionais dessas. �É a modernização presente no meio técnico-científico-informacional contrastando com a constituição de uma cidade pobre em relação ao campo� (FERREIRA, 2009). No espaço urbano encontram-se também os trabalhadores do campo moderno, corroborando para a divisão urbana produtora das periferias sociais, o que torna a relação campo e cidade mais complexa. Referências Bibliográficas ELIAS, Denise. Relações campo-cidade, reestruturação urbana e regional no Brasil. XII Coloquio Internacional de Geocrítica. Bogotá, 2012. Disponível em:< http://www.ub.edu/geocrit/coloquio2012/actas.htm>. Acesso em agosto de 2019. EMBRAPA. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Cultivo do arroz irrigado no Brasil. 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78 | 2676257 | A Produção dos Espaços periféricos e o Direito à Cidade: Uma Reflexão Sobre o Bairro dos trezes, em Serrinha-Ba | 1 INTRODUÇÃO As transformações que as cidades brasileiras passaram ao longo do processo históricos e as desigualdades socioespaciais persistentes, no atual século, permitira o surgimento de uma estrutura urbana baseada numa apropriação diferenciada dos espaços das urbes. A estrutura econômica, decorrente de um modelo capitalista concentrador e global, contribuiu sistematicamente, para a formação de espaços, cuja pobreza urbana constitui elemento base para conflitos e disputas. Como é sabido, as periferias surgem a partir do controle da classe dominante sob o solo urbano, de acordo com Flávio Villaça: O controle da produção e consumo do espaço urbano exercido pela classe dominante se dá através do controle de três esferas: Na esfera econômica destaca-se o controle do mercado imobiliário que produz os bairros da classe dominante no local onde elas desejam. Na esfera política, ocorre o controle do Estado, que no tocante ao espaço urbano se manifesta de três maneiras a saber: Controle da localização de infra-estrutura urbana, Controle da localização dos aparelhos do Estado, Controle da legislação de uso e ocupação do solo. Finalmente a classe dominante desenvolve toda uma ideologia a respeito do espaço urbano. Essa ideologia como toda ideologia visa auxiliar a dominação e torná-la aceitável pelos dominados. (VILLAÇA, 1997, p. 8). Para Carlos (2017), a cidade é um espaço apropriável para a realização da vida, mas a realização da vida é, pois, interrompida pela lógica de acumulação capitalista que reproduz espaços fragmentados que não se relacionam entre si de modo efetivo. A dimensão coletiva desses espaços é comprometida por um modelo de cidade que se baseia numa lógica de exploração e consumo. Essa forma é, ainda, destacada por Carlos (2017, p. 41): �a reprodução do espaço urbano, sob a lógica da acumulação capitalista, repõe a desigualdade dos indivíduos na sociedade, vivida concretamente através dos modos de apropriação diferenciados�. Para tanto, a periferia seria resultado dessa construção diferenciada sob a égide dos agentes hegemônicos que têm o controle do espaço. 2 OBJETIVOS Buscou-se neste trabalho, analisar um bairro periférico, bairro dos trezes, em Serrinha-Ba, como substrato para compreender o processo de construção do espaço de exclusão engendrado pelo Estado 3 METODOLOGIA A pesquisa se norteou a partir de um viés qualiquantitativo de estudos, análise bibliográficas e pesquisa de campo. 4 RESULTADOS Apresentando-se como um centro de influência no Território de Identidade do Sisal e no interior da Bahia, Serrinha tem se destacado não só pela sua expansão urbana nos últimos anos, mas também pela marcante desigualdade socioespacial que acompanha seu crescimento. Atualmente, com uma população estimada de aproximadamente 81.693 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística � IBGE (2010), e uma diversidade de serviços, é, pois, a cidade que mais cresce no contexto microrregional. Para tanto, essa importância não reflete muito nas condições de vida da classe trabalhadora que mora nas periferias da cidade. Destaca-se, portanto, o bairro dos Treze, lócus de estudos e análise no município de Serrinha, que permite pensar os fundamentos do direito à cidade e seus rebatimentos num contexto de uma cidade polo. Figura 1 � Mapa de localização do bairro dos Treze Fonte: Santiago, 2022 O processo de formação das periferias urbanas são fenômenos multifacetados, isto é influenciado por numerosos agentes que com suas ações e intervenções, no meio urbano, articulam a diferenciação e a segregação socioespacial. O bairro dos Treze, por sua vez, se insere num contexto urbano heterodoxo, pois apresenta uma configuração espacial complexa, porque a dificuldade de acessibilidade aos benefícios e a provisão de serviços básicos, como acesso à água potável e saneamento básico, são poucos qualificados. Contudo, quando questionado sobre os serviços básicos no bairro, um dos depoentes desta pesquisa asseverou que: Não tem nada, não tem uma farmácia, um posto de saúde.... Tem creche e escola. Aqui muitos foram embora não aguentaram conviver aqui com a crianças. Esses serviços básicos não têm. Rede de esgoto não tem, a gente tem que fazer fossa, estou para cavar a minha. Aqui essas casinhas jogam para o lado de lá (apontando para um córrego que serve como efluente de esgoto e fossas) desceu do lado aí só tem fezes mesmo, vai tudo aí para baixo. (DEPOENTE 1). Figura 2 � Açude da Bomba Figura 3 � Rua sem Pavimentação Fonte: Do autor Fonte: Do autor O bairro dos Treze representa o reflexo e o signo de uma produção urbana erigida num plano escalar para acomodar pobres e trabalhadores que não dispoem de meios econômicos que permitam morar em outros espaços melhores localizados e com estrutura urbana que garanta uma vida digna. Os bairros periféricos são constitutivos de uma produção urbana que se baseiam numa lógica excludente. Note-se que na figura 1 mostra o corrego elencado pelo depoente, o que antes era um lago, agora é um depósito de efluentes das residências, que serve tanto para os esgotos, como para pastos onde animais vivem. Este panorama, visto no bairro dos Treze, é um retrato da maioria dos bairros perifericos, não apenas em Serrinha, mas no Brasil. REFERÊNCIAS CARLOS, A. F. A. et al.Justiça Espacial e o Direito à Cidade. A privação do Urbano e o direito a cidade em Henri Lefebvre. São Paulo: Contexto, 2017. GUIMARÃES, L. da S. Periferia e Espaços Periféricos: Um estudo de caso do Loteamento Jardim Catarina. Dez. 2015. GUIMARÃES, L. da S. Periféricos e Espaços Periféricos: Notas Gerais. 21 jul. 2016. IBGE. População no último censo [2010]. IBGE: São Paulo, 2010. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ba/serrinha/panorama. Acesso em: 24 jan. 2022 LEFEBVRE, H. O direito à cidade. Tradução Rubens Eduardo Frias. São Paulo: Centauro, 2001. MARES, R. M. A produção do espaço e a reprodução da vida na periferia pobre das cidades médias: o estudo do bairro Cruzeiro em Vitória da Conquista/BA. 2011. 150f. Monografia (Licenciatura em Geografia) � Departamento de Geografia. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Vitória da Conquista, 2011. SANTOS, M. O espaço do cidadão. 7. ed. São Paulo: Studio Nobel, 2007. VILLAÇA, F. Efeitos do espaço sobre o social na metrópole brasileira. In: VII Encontro Nacional da ANPUR. Recife/PE, 1997, p. 2-13. | 01. Cidade e Urbano | David Dias da Silva, David Dias da Silva | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5856 | resources/download/restrict/eng2020/1660428560_ARQUIVO_bb704cf8012a09d59588523b27f7598b.pdf | ||||||||||||||||||
79 | 8552746 | A questão agrária e a questão racial como territórios imateriais da Educação do Campo | INTRODUÇÃO Este artigo parte da reflexão acerca do caminho metodológico a ser adotado para análise da Educação do Campo no intuito de entender como a questão agrária e a questão racial são apresentadas no curso de Licenciatura de Educação do Campo do Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária (Pronera), busca-se entender se há correlação entre elas. Tanto a questão racial, quanto a questão agrária são entendidas nesse trabalho como territórios imateriais, que a partir de uma interpretação crítica e decolonial buscamos correlacioná-las no intuito de entender a questão agrária brasileira a partir de um olhar voltado não apenas à ideia de classe, mas acrescentada a ideia de raça, que fundamenta e estrutura a sociedade de classes, em especial a brasileira alicerçada a partir do escravismo. Partindo da compreensão da questão agrária como o modo como as sociedades organizam o uso, a posse e a propriedade da terra (STEDILE, 2012) e que no caso brasileiro ele decorre de uma desigualdade de acesso à terra que tem um forte fator étnico-racial, um impeditivo com base na linha de cor, que remota à escravidão, o que resulta que o modo como o campo foi e é organizado se dá não apenas a partir da diferenciação de classe, mas de raça. Dessa forma, faremos alguns apontamentos como questões raciais a influenciou. Com isso queremos vincular ambas as questões, demonstrando como a racialização da humanidade, aqui imposta a partir da colonialização e da colonialidade, influenciou o modo como a sociedade brasileira construiu uma estrutura fundiária concentracionista que se manifesta em diversos conflitos por terra e território. Destacaremos nesse trabalho alguns eventos do final da escravidão e período pós abolição. Para análise das questões propostas é salutar compreender que tanto a questão racial, quanto a questão agrária não são frutos direto da escravidão, mas tem nela seu aprofundamento e ganha especificidades na sociedade brasileira. OBJETIVOS Neste artigo temos como objetivo analisar a questão agrária brasileira a partir da estruturação da sociedade racializada e marcada pelo escravismo, portanto, decorre desse outro objetivo que é o de analisar legislação acerca da escravidão e sua relação com a questão agrária. METODOLOGIA Tendo por base os objetivos deste artigo desenvolveremos trabalho teórico a partir de revisão bibliográfica. RESULTADOS O acesso à terra tem sido historicamente marcado por grandes conflitos e em resposta o Estado brasileiro montou diversas estratégias para impedir que a propriedade da terra fosse dada a ex escravos e seus descendentes, impedindo inclusive qualquer possibilidade de uma verdadeira reforma agrária no país. Compreendemos que a construção da interpretação hegemônica da sociedade brasileira se deu de modo perverso e negligenciando parte importante da sociedade e mais ainda, que o modo como se estruturou essa história tem ligação direta com o processo escravagista e o legado por ele deixado. Dessa forma, propomos que o modo de interpretar a realidade deve ser revisto numa outra perspectiva, a dos subalternos, para dessa forma ser também uma arma na luta pelo território material, o território camponês, neste sentido, buscamos desenvolver a leitura da questão agrária e da questão racial como territórios imateriais da Educação do campo. Esse artigo se configura como parte da reflexão para construção de um caminho metodológico para alargamento do entendimento da questão agrária e como se apresenta na Educação do campo as questões propostas, portando é um debate em aberto, em processo de amadurecimento. REFERÊNCIAS CAMPOS, J. F. S.; FERNANDES, B. M. Territórios paradigmáticos da Geografia Agrária: unidade, diversidade e diferencialidade. Terra Livre, v. 39, p. Jul/Dez. 2012 FERNANDES, Bernardo Mançano. Os campos da pesquisa em educação do campo: espaço e território como categorias essenciais. A pesquisa em Educação do Campo, v. XX, p. X-I, 2006. _____. Construindo um estilo de pensamento na questão agrária: o debate paradigmático e o conhecimento geográfico. Tese (livre-docência). Presidente Prudente: [s.n], 2013. v.1-2 _____. Sobre a tipologia de territórios. In Saquet, Marcos Aurélio. Sposito, Eliseu Savério (Orgs.) Territórios e Territorialidades. São Paulo: Expressão Popular, 2009. FERNANDES, Bernardo Mançano; MOLINA, Mônica Castagna. O campo da educação do campo Disponível em: http://www2.fct.unesp.br/nera/publicacoes/ArtigoMonicaBernardoEC5.pdf. Acessado em 05 de outubro de 2019. GERMANI, Guiomar. Condições históricas e sociais que regulam o acesso a terra no espaço agrário. GeoTextos: revista da Pós-graduação em geografia, vol. 2, n. 2, 2006 (pp. 115-148). LEI 501 de 04 de setembro de 1850. Estabelece medidas de repressão do tráfico de africanos no Brasil Império. Disponível em:< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lim/lim581.htm> acessado em 28 de outubro de 2021. Lei 601 de 18 de setembro de 1850. Dispõe sobre as terras devolutas do Império. Disponível em: <planalto.gov.br/ccivil¬_03/Leis/L0601-1850.htm> acessado em 28 de outubro de 2021. LEI 3.270 de 28 de setembro de 1885. Regula a extinção gradual do elemento servil. Disponível em < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lim/LIM3270.htm> acessado em 28 de outubro de 2021. LEI 3.353 de 13 de maio de 1888. Declara extinta a escravidão no Brasil. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lim/lim3353.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA%203.353%2C%20DE%2013,o%20Imperador%2C%20o%20Senhor%20D.&text=1%C2%B0%3A%20%C3%89%20declarada%20extincta,lei%20a%20escravid%C3%A3o%20no%20Brazil.> acessado em 28 de outubro de 2021. MARTINS; José de Souza. O cativeiro da Terra. 9ª ed. � São Paulo: Contexto, 2013. QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder e classificação social. In: SOUZA SANTOS, B; MENEZES, M. P. (Orgs.). Epistemologias do Sul. São Paulo. Cortez, 2010. Resolução 76 de 13 de julho de 1822. Disponível em : < https://www.camara.leg.br/internet/infdoc/conteudo/colecoes/legislacao/Legimp-F_63.pdf> acessado em 28 de outubro de 2021. SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: ténica e tempo. Razão e emocção. 4ª ed. São Paulo: Edusp, 2012. SCHWARCZ, Lilia Moritz e GOMES, Flávio (orgs.). Dicionário da escravidão e liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. SOUZA, Marcelo José Lopes de. O Território: sobre espaço e poder, autonomia e desenvolvimento. In: Castrol.et al. (orgs.) Geografia: Conceitos e Temas. Rio de Janeiro. Bertrand Brasil. SCHWARCZ, L. M. O espetáculo da miscigenação. In: DOMINGUES, H. M. B., SÁ, M. R., and GLICK, T., orgs. A recepção do Darwinismo no Brasil [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2003, pp. 165-180. História e saúde collection. ISBN 978-85-7541-496-5. SciELO Books <http://books.scielo.org>. THEODORO, Mário (org.). As políticas públicas e a desigualdade racial no Brasil: 120 anos após a abolição. Brasília: IPEA, 2008. | 06. Relações étnico-raciais, gêneros e sexualidades | IRANI SOARES | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5649 | resources/download/restrict/eng2020/1661389399_ARQUIVO_0f0066f1d72a7a8840a40657694394f3.pdf | ||||||||||||||||||
80 | 7982836 | A Questão Agrária e as novas Conflituosidades: território, grandes projetos e resistências camponesas. | O debate sobre a questão agrária no Estado do Maranhão tem se mostrado atual, ganhando novos contornos, com as novas dinâmicas que o campo tem vivenciado com a financeirização da terra, novas estratégias de organização dos movimentos sociais, dentre outros. Ela tem sido espaço de importantes discussões nas últimas décadas, levando em consideração o contexto dos conflitos no campo, com a sua intensificação com o avanço da fronteira agropecuária e as diversas formas de usurpação de territórios camponeses. O avanço do agronegócio, sobretudo, da soja, da cana-de-açúcar, de milho, juntamente com o plantio de eucalipto tem representado novas nuances da questão agrária maranhense, que se estruturam com a consolidação do latifúndio, mas que se organizam numa nova roupagem dada pela ideia de grandes projetos de desenvolvimento. Sendo assim, se ligam, por exemplo, a infraestrutura logística que se instalou no Estado e tem crescido com a Estrada de Ferro Carajás (EFC) e o Complexo Portuário do Itaqui. Assim, o objetivo desse trabalho é analisar o papel das lutas sociais no Maranhão na questão agrária , apresentando o entendimento da territorialização camponesa, em que os assentamentos são a principal representação desse processo (BERNARDO MANÇANO FERNANDES, 2008), mas que também tem, cada vez mais, aparecido nas ações de resistência dos grupos camponeses no estado. Nesse contexto, buscamos discutir como vem se consolidando o processo de produção do território por grupos camponeses, envolvendo as garantias de produção, mas que avança sobre outras perspectivas, que se ligam a educação, cultura, saúde, etnia, raça, gênero, etc. Utilizamos o método do materialismo histórico e dialético, apreendendo as contradições e percebendo o concreto como prioritário na compreensão dos fenômenos. Assim, partimos do conjunto de produções acerca da questão agrária brasileira e maranhense, percebendo as transformações e trazendo estas para o debate. Ao mesmo tempo, os bancos de dados como do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e da Comissão Pastoral da Terra nos trazem importantes elementos para pensar as transformações no campo do estado. O presente trabalho apresenta uma discussão teórica sobre a questão agrária no Maranhão, trazendo contribuições relacionadas à estrutura agrária do estado, bem como discutindo os conflitos presentes nos territórios camponeses, com a finalidade de perceber como vem sendo trabalhadas as questões ligadas à reforma agrária e luta de classes na vida dos povos que vivem em comunidades tradicionais, observando como vem se consolidando a busca pela apropriação da terra, bem como a garantia das condições de uso da mesma pelos povos das comunidades tradicionais, que vivem em constantes conflitos com o capitalismo industrial, aqui apresentado pelo latifúndio e o agronegócio. O trabalho estrutura-se a partir de discussões com aporte teórico de autores (as) que estudam a questão agrária no Brasil e no Maranhão, trazendo discussões conceituais acerca do tema em questão, pautando a luta de classes como centro das tensões emanadas nos conflitos territoriais existentes dentro das comunidades tradicionais campesinas. A segunda parte traz em destaque o Estado do Maranhão, trazendo para debate as transformações que a questão agrária tem nesse local, sobretudo, com a instalação de grandes projetos de desenvolvimento e as novas formas de resistência. Foram utilizados aportes teóricos de autores (as) ligados à análise da agrária, dentre eles: Rafael Barra Amador (2020), Saulo Barros Costa (2016), Adelaide Ferreira Coutinho (2008), Carlos Walter Porto Gonçalves (2005), Ariovaldo Umbelino de Oliveira (2007), Sávio José Dias Rodrigues (2010), Bernando Mançano Fernandes (2008), Ronaldo Barros Sodré (2015), dentre outros (as). Esses (as) teóricos (as) nos ajudam a pensar a questão agrária brasileira e maranhense a partir da luta de classes, percebendo a constituição do território maranhense enquanto espaço de disputa e como a força dos movimentos sociais tem buscado favorecer a luta dos camponeses em defesa do direito ao uso e permanência na terra, bem como na garantia da preservação da identidade cultural dos povos que vivem no campo maranhense. Ao tratarmos da questão agrária no Maranhão, discutindo os conflitos territoriais e as lutas de classes camponesas, nos colocamos frente às situações relevantes de dominação/expropriação que vivem as comunidades tradicionais, sejam elas quilombolas, indígenas, camponesas. As questões ligadas ao agronegócio, ao latifúndio, ao capitalismo industrial expõem de forma considerável as famílias dos pequenos(as) produtores(as) à fragmentação dos seus territórios, ao mesmo tempo têm feito emanar novas formas de organização e luta contra o agronegócio no estado, a exemplo do que Amador (2020) analisa. Assim, estratégias ligadas a compreensão de um território autônomo e do Bem Viver passam a ser importantes. O agronegócio tem se apresentado, no Maranhão, a partir da expansão da soja e milho em diversas regiões do Estado, além do plantio de Eucalipto. Duas matrizes têm sido referência para entender atualmente esse avanço: o MAPITOBA, região agrícola que vem se consolidando desde a década de 1990, mas que foi institucionalizada enquanto política de Estado em 2015. Esta é uma região que tem servido de mote para financiamentos e acesso a políticas usando o discurso de desenvolvimento; a Estrada de Ferro Carajás (EFC), que é um eixo logístico criado para escoar produção de minério de ferro da Serra de Carajás, em Carajás-PA pelo Complexo Portuário do Itaqui, em São Luís-MA. Atualmente ela tem atraído diversos empreendimentos para seu entorno, além do próprio complexo portuário ter se tornado uma região de expansão industrial´. Uma das atividades industriais do entorno é a produção siderúrgica, que tem aumentado a demanda por carvão vegetal, o que faz pressão pela produção de silvicultura de eucalipto. Sua ligação com o porto, faz com que a produção agrícola encontre facilidades de uso desse objeto logístico, sendo amplamente utilizado para escoar também a produção de soja e milho, inclusive com a construção de um terminal próprio, o TEGRAM (terminal de Grãos do Maranhão), que se localiza no porto do Itaqui. Essa expansão de projetos ligados a essas duas referências, têm fragmentado o território de grupos camponeses no Estado, fazendo os conflitos, assassinatos, ameaças de morte crescerem (CPT, 2022). Conflitos envolvendo comunidades tradicionais e quilombolas em Alcântara, Itapecuru, Parnarama, Matões, Balsas, Duque Bacelar, Mirador, entre outros, têm sido evidenciados junto com a desumanização desses grupos promovido pelo agronegócio. Os processos de resistência têm sido o caminho dos movimentos sociais, construindo a partir de suas realidades e peculiaridades, novas estratégias. Dentre elas, podemos elencar algumas: as retomadas por grupos indígenas e camponeses em diversos municípios do estado; acampamentos, como resistência e afirmação; cooperação entre diversos grupos, mesmo que diversos e distintos; a utilização da educação, dentre elas se ressalta a educação do campo, educação indígena e educação quilombola com elementos de compreensão da realidade na totalidade que associa conteúdos com os processos que as famílias vivenciam. Assim, o resistir se constitui como forma de garantia do direito à vida em suas múltiplas perspectivas. A reprodução dos grupos sociais, nas perspectivas da produção, da cultura, envolvendo elementos materiais, imateriais, passa a ser importante nesse processo, trazendo transformações para compreensão da questão agrária no estado. | 02. Campo e Rural | Ligieria Alves, SÁVIO JOSÉ DIAS RODRIGUES | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 6152 | resources/download/restrict/eng2020/1661959014_ARQUIVO_1a7d26af7d25df7f60a1a579ad410445.pdf | ||||||||||||||||||
81 | 5867339 | A questão racial e o ensino de geografia na Educação de Jovens e Adultos: Análise do Currículo da Cidade de São Paulo | INTRODUÇÃO O debate acerca da inserção da questão racial na educação brasileira intensificou nos últimos anos em decorrência da promulgação da Lei Federal 10.639/2003, que determinou a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira no currículo oficial da rede pública e particular de ensino. Uma série de documentos institucionais e acadêmicos foram produzidos, com vistas a assegurar uma efetiva inclusão da temática no processo de ensino-aprendizagem das escolas brasileiras. Paralelamente a esse processo, ocorria o debate e a elaboração de políticas educacionais que buscavam especialmente (i) assegurar a universalização do acesso a educação básica, (ii) consolidar uma estrutura organizacional do financiamento educacional, (iii) ampliar o nível de escolaridade dos docentes da escolas públicas brasileiras, (iv) construir uma política curricular nacional e (v) estabelecer metas e sistemas avaliativos do processo de ensino-aprendizagem dos estudantes. Portanto, a questão da qualidade, do currículo, dos recursos e da formação docente constituem os principais temas das políticas públicas educacionais do nosso país nos primeiros vinte anos do século XXI. Foi nesse contexto que o Município de São Paulo iniciou o processo de construção de uma base curricular para toda Rede Municipal de Ensino. Assim, em Dezembro de 2017, a Prefeitura publicou os Currículos dos componentes curriculares do Ensino Fundamental II, destaca-se a elaboração de um currículo específico para tratar da Tecnologias de Aprendizagem e da Educação Especial (Currículo de Lingua Brasileira de Sinais e de Língua Portuguesa para Surdos). Já no ínicio de 2019, foi publicado o Currículo da Cidade para Educação de Jovens e Adultos e de Educação Infantil. Ademais, a Secretaria Municipal de Educação publicou uma série de Orientações Didáticas para a implementação do Currículo, dentre as quais destacamos a de Coordenação Pedagógica e dos Povos Indígenas. Logo, há que se considerar que houve um trabalho efetivo da Prefeitura de São Paulo, com vistas a construir uma política curricular municipal, a partir das diretrizes e das orientações propostas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e, de acordo com a própria Municipalidade, em consonância com as determinações das Leis Federais 10.639/03 e 11.645/08, isto é, em prol de uma educação para as relações étnico-raciais. Isso posto, neste artigo buscaremos compreender de que forma o Currículo da Cidade de São Paulo, incorporou as determinações da Lei 10.639/03, tanto nas orientações e diretrizes gerais, como também no que concerne a competências e habibilidades de geografia. Para alcançar os objetivos propostos o artigo se organizará em três seções. Na primeira contextualiza-se a Educação de Jovens e Adultos, apresenta-se as determinações da Lei 10.639/03, bem como o debate nacional acerca da Base Nacional Curricular Comum. Na segunda seção analisamos como as diretrizes e os objetos de conhecimento da BNCC, do componente curricular de geografia, foram incorporadas pelo Currículo da Cidade de São Paulo que trata da Educação de Jovens e Adultos, nessa seção também apresentaremos a organização e orientações gerais do Currículo paulistano. Na última seção abordaremos como a questão racial é inserida no Currículo da Cidade a partir da análise do Eixos, Objetos de Conhecimento e Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento presente no documento. OBJETIVO GERAL Compreender como a questão racial, no que tange as determinações da Lei 10.639/03, está presente no Currículo da Cidade de São Paulo, no âmbito da Educação de Jovens e Adultos e com foco na disciplina de geografia. METODOLOGIA O presente artigo será realizado a partir da análise documental dos Currículos da Cidade de São Paulo, especialmente da disciplina de geografia, da Base Nacional Comum Curricular, da Lei 10.639/2003 e das Diretrizes Curriculares Nacionais e Municipais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. RESULTADOS O Currículo da Cidade de São Paulo resulta de um processo de construção de uma política curricular, que busca garantir o direito de aprendizagem de �bebês, crianças, adolescentes, jovens e adultos (...) ao longo de suas trajetórias na Educação Básica� e em prol da construção de (...) �uma sociedade mais inclusiva, democrática, próspera e sustentável para todos� (SÃO PAULO, 2017, p. 07), assim o Currículo da Cidade se estrutura a partir de três conceitos orientadores, a saber: Educação Integral, que considera o estudante a partir de suas múltiplas dimensões (intelectual, social, emocional, física e cultural); Equidade que almeja garantir um processo educativo que reconheça o contexto e as características sociais, econômicas, culturais, étnico-raciais e geográficas dos educandos e Educação Inclusiva, que corresponde ao respeito e a valorização da �diversidade e diferença, reconhecendo o modo de ser, de pensar e de aprender de cada estudante� (SÃO PAULO, 2017, p. 12). Esses conceitos foram fundamentais para a construção da Matriz de Saberes, que pode ser definida como as competências e habilidades gerais, que os educandos devem desenvolver ao longo do seu processo de escolarização. É importante destacar que a Matriz de Saberes �fundamenta-se em marcos legais e documentos oficiais socialmente relevantes (...) alinhadas com conquistas relacionadas aos direitos humanos, em geral, e ao direito à educação, em específico�(SÃO PAULO, 2019, p. 29-30). Dentre esses documentos estão as Leis 10.639/03 e 11.645/08. Entretanto, apesar das referências e indicações as legislações citadas acima, quando se analisa os Eixos, os Objetos de Conhecimento e Objetivos de Aprendizagem e Conhecimento da disciplina de geografia, verifica-se que a temática aparece de forma isolada e em momentos específicos do currículo, ou seja, a questão racial não é uma temática estruturante do processo de aprendizagem dos educandos da EJA. A questão racial é tematizada apenas como elemento identitário e cultural, o que é de fato importante, necessário e constitui um avanço no que diz respeito a política curricular municipal, mas não aparece como elemento estruturante da formação social, política, econômica e espacial brasileira e especialmente paulistana. Um exemplo desse fato relaciona-se com o estudo do complexo urbano da Cidade de São Paulo, que é indicado pelo Currículo como uma das principais estratégias para se pensar e aplicar as diretrizes curricular da EJA, e no qual o aspecto racial não aparece como elemento importante para compreensão dessa questão. O documento aponta assim que: "Trabalhar na EJA a mobilidade espacial a partir de perspectivas do trabalho, do lazer e dos serviços pode ajudá-lo a compreender que, em cada momento da história, a cidade constitui características específicas que para serem explicadas e necessário compreender os aspectos políticos (...), econômicos (...) e (...) social" (SÃO PAULO, 2019, p. 76). Por fim, ao se analisar os cincos eixos (Sujeitos e seu lugar no mundo, Organização territorial no tempo e no espaço, Pensamento espacial e formas de representação cartográfica, Natureza, ambientes e qualidade de vida e Trabalho e formação socioespacial) que fundamentam os Objetos de Conhecimento e os Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento das Etapas de Alfabetização, Básica, Complementar e Final da EJA, verifica-se um predominío do tratamento da questão étnico-racial no eixo Sujeito e seu lugar no mundo, o que reforça a abordagem isolada e relacionada principalmente com a perspectiva cultural. REFERÊNCIAS ARROYO, Miguel Gonzáles. Currículo, território em disputa. 5. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013. SACRISTÁN, José Gimeno. O currículo: uma ref¬exão sobre a prática. 3. ed. Tradução: Ernani F. da Fonseca Rosa. Porto Alegre: Artmed, 2000. SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Currículo da cidade : Educação de Jovens e Adultos: Geografia. São Paulo. SME/COPED, 2019. | 06. Relações étnico-raciais, gêneros e sexualidades | Fabiana Luz | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 1559 | resources/download/restrict/eng2020/1661734562_ARQUIVO_6f21fa4c03487cb3141cc12d6b9c824d.pdf | ||||||||||||||||||
82 | 6936164 | A recepção de Ruy Mauro Marini na Geografia brasileira e a contribuição da Teoria Marxista da Dependência (TMD) para o debate da geografia do capitalismo. | O presente artigo resulta de estudos realizados a partir do projeto de pesquisa �Teorias marxistas e a geografia do capitalismo�, desenvolvido pelo Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Espaço, Política e Ideologias (G-EsPI), na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campus de Três Lagoas (CPTL). Neste artigo identificamos e analisamos a recepção da obra do sociólogo marxista Ruy Mauro Marini, particularmente da Teoria Marxista da Dependência (TMD), na ciência geográfica brasileira. Um aspecto importante da categoria dependência reside na interpretação de que ela não expressa um modo específico e dissociado de produção capitalista. Trata-se, isto sim, por meio da TMD, de evidenciar as formas e tendências específicas que o modo de produção capitalista adquire enquanto economia mundial em países dependentes (LUCE, 2018). Para essa perspectiva, a dependência pode variar em termos de forma e de grau, mantendo-se, contudo, como um fundamento das formações econômico-sociais (FES) subordinadas ao imperialismo. A dependência se constitui, pois, como uma relação de subordinação entre nações �formalmente independentes, e cujo marco as relações de produção das nações subordinadas são modificadas ou recriadas para assegurar a reprodução ampliada da dependência� (MARINI, 2011 [1973], p. 134-135). Segundo Marini, a criação da grande indústria moderna seria comprometida sem o papel exercido pelos países dependentes. Em primeiro lugar, pela necessária oferta de produtos agrícolas no mercado mundial, que permitiram a especialização de parte da sociedade na atividade especificamente industrial, dando condições para que os países centrais incrementassem, significativamente, sua classe operária urbana. Com efeito, analisando a importância da América Latina para a economia capitalista mundial, o autor destaca que é sua participação que permitirá o deslocamento do eixo da acumulação na economia industrial da produção de mais-valia absoluta para de mais-valia relativa, isto é, �que a acumulação passe a depender mais do aumento da capacidade produtiva do trabalho do que simplesmente da exploração do trabalhador� (MARINI, 2011 [1973], p. 138). Como decorrência desse processo, são reproduzidas as condições para o estabelecimento de trocas desiguais entre países especializados na produção de bens manufaturados e aqueles destinados predominantemente à oferta produtos primários. A desigualdade, neste caso, resulta do fato de os primeiros países poderem obter um lucro extraordinário originado de suas particulares condições de produção (maior produtividade do trabalho, possibilidade de produzir com menor preço de produção, oferta de produtos que as demais não produzem, etc.). Neste caso, nas relações internacionais de mercado, a venda de produtos aos países dependentes a preços superiores ao seu valor (a �violação� da lei do valor) resulta na transferência de valor dos países dependentes àqueles industrializados, configurando a desigualdade como efeito necessário das relações de troca. É certo que os estudos geográficos, no Brasil, passaram por uma importante virada crítica a partir do final da década de 1970, baseada na incorporação da teoria marxiana para o tratamento do temário desta disciplina. Uma qualificada bibliografia marxista nacional foi produzida, incorporando-se também, neste movimento de renovação, teorias e aportes internacionais relevantes ao entendimento de nossa �situação periférica�, resultando na constituição de um legado crítico para a geografia atual, do início do século XXI. Diante deste quadro, parece-nos necessário qualificar e problematizar a hipótese de uma escassa recepção nesta disciplina de um autor como Marini, cuja obra é marcada por uma densa contribuição para o estudo dos países dependentes, particularmente da América Latina, possuindo sua teoria da dependência um corte claramente geográfico e, a nosso juízo, profícuo aos estudos de Geografia Econômica e Social. A qualificação da recepção do autor na Geografia brasileira teve, na presente proposta, como etapa preliminar o levantamento bibliográfico da obra Marini com o objetivo de permitir a identificação de seus principais conceitos e categorias. Entre as fontes estudadas estão teses e dissertações produzidas em Programas de Pós-Graduação (PPGs) brasileiros, artigos científicos publicados em periódicos e obras interdisciplinares publicadas no Brasil. A organização do material encontrado foi feita por meio de uma catalogação em tabela, contendo as seguintes informações: ano, autor, título, subárea da Geografia, instituição, termo de referência associado à obra de Marini e tipo de publicação (dissertação, tese ou periódico). Para a pesquisas das teses e dissertações utilizou-se o Banco de Teses e Dissertações da Capes (catalogodeteses.capes.gov.br) e o filtro de seleção �Geografia� enquanto área do conhecimento. Nos trabalhos encontrados, buscou-se referência aos principais conceitos relacionados à obra de Ruy Mauro Marini e, consequentemente, da TMD. Entre as palavras-chaves de busca com êxito, cita-se: �Subimperialismo�, �Dependência�, �Superexploração da força de trabalho�, �Superexploração do trabalho�, �Teoria Marxista da Dependência� e o próprio nome do autor, �Ruy Mauro Marini�. Outros conceitos foram buscados, porém sem resultados reportados, tais como: �Transferência de valor� ou �Dialética da dependência�. Após a identificação das referências bibliográficas, analisou-se o conteúdo como meio necessário para garantir a validade da citação. No caso dos artigos científicos, os caminhos adotados foram a seleção de cinco indexadores mais relevantes, a nosso critério, para os periódicos no Brasil e também na América Latina, sendo estes: Scielo, Redalyc, Latindex, Google Scholar e Periódicos CAPES. Em seguida, pesquisou-se pelas palavras-chaves mencionadas acima e como filtro fundamental para seleção do material escolheu-se a nacionalidade do autor do estudo como brasileira e a Geografia como área de formação específica deste. Este foi o critério encontrado para estabelecer o vínculo da obra com a produção acadêmica nacional da ciência geográfica. Ademais, foram analisadas as referências bibliográficas dos trabalhos encontrados, buscando-se por termos associados à TMD e pelos autores que vincularam-se ao pensamento de Marini ou foram orientados e influenciados teoricamente por este autor, como Jaime Osorio, Adrián Sotelo Valencia, Nildo Ouriques, Mathias Seibel Luce, Claudia Wasserman, etc. Por fim, pesquisou-se pelos livros do próprio Marini e de autores inspirados em seu pensamento, publicados no Brasil, com o objetivo de comparar com o ano da publicação das fontes analisadas. Neste caso, o critério de seleção das obras que foi utilizado foram a língua portuguesa e o vínculo com a TMD ou o pensamento de Marini. O número de obras interdisciplinares publicadas, com base no pensamento de Marini, em português apresenta-se relativamente superior aos demais materiais encontrados. O período de publicação destas concentra-se, quase em sua totalidade, entre os anos de 2012 e 2019, demonstrando uma presença tardia dessa teoria, mesmo em outros campos disciplinares. Dentre as teses e dissertações identificadas e analisadas, na Geografia, encontrou-se sete dissertações e duas teses defendidas pelos PPGs brasileiros que utilizam-se da obra de Marini ou do aporte teórico da TMD. O período de produção dessas pesquisas é bem específico e corresponde a um recorte temporal de cinco anos (2014-2018). Anotou-se um total de oito artigos publicados que cumpriram os critérios estabelecidos na seleção. De modo geral, esses resultados, aliados àqueles advindos da pesquisa das teses e dissertações, corroboram e qualificam a hipótese evidenciada de que existe uma escassez da divulgação e do debate acerca da obra de Ruy Mauro Marini e da Teoria Marxista da Dependência no campo da ciência geográfica. | 08. Geografia econômica | Joser Neves, Thiago Santos | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 1591 | resources/download/restrict/eng2020/1661994623_ARQUIVO_ca2903225e044d5b8ff85aafae8e04a5.pdf | ||||||||||||||||||
83 | 1562282 | A rede urbana sob a perspectiva dos movimentos pendulares de pacientes: uma análise a partir do programa Tratamento Fora de Domicílio (TFD) | Os movimentos pendulares são caracterizados como o deslocamento entre o local de residência e o local onde os sujeitos realizam atividades do seu cotidiano, relacionadas a serviços como trabalho, educação e saúde. Muitos desses movimentos são realizados em decorrência da carência da oferta de serviços na cidade em que os indivíduos moram, sendo então condicionados a se deslocar para outros locais. O presente trabalho trata de uma pesquisa sobre o movimento pendular de pacientes do sistema público de saúde residentes em Conceição de Macabu que se deslocam para outras cidades para tratamentos em unidades de saúde localizadas fora do município de residência, se deslocando por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD). O objetivo deste trabalho é investigar o fluxo de pacientes residentes em Conceição de Macabu, localizada na região Norte do estado do Rio de Janeiro, que fazem uso do programa Tratamento Fora de Domicílio (TFD) para se deslocar para outros municípios em busca de serviços de saúde de média e alta complexidade. Dentre os objetivos específicos, pretende-se identificar se os pacientes de Macabu são atendidos por sua própria região de saúde ou são direcionados a outras regiões, e identificar qual cidade se destaca como polo de atração dos pacientes do TFD Macabuense. A análise das conexões espaciais dos serviços de saúde é capaz de revelar a centralidade exercida por certas cidades que se destacam pela diversidade de atividades e de bens e serviços que oferecem. Adicionalmente, a descrição dessas interações espaciais pode identificar quais cidades apresentam carência de determinados recursos e serviços, identificando a limitação de atendimento da população. Portanto, para estudar a dinâmica dos movimentos pendulares faz-se necessário abordar conceitos de hierarquia de cidades e de rede urbana, que têm importante papel na distribuição e acesso a bens e serviços. No caso da área de saúde, essa hierarquia e rede influenciam, por exemplo, na complexidade do tratamento ofertado por determinado município. A especialização de certos centros impõe o deslocamento de pessoas, que terão como cidade de origem aquelas com menor oferta de serviços e como cidade de destino as que apresentam uma capacidade maior de atender as demandas de certos tratamentos de saúde da população. O movimento pendular de pacientes possui relação direta com os meios de transporte e com a acessibilidade, em razão disso, o Tratamento Fora de Domicílio � TFD será o objeto de estudo neste trabalho, pois se trata de uma política pública que proporciona o acesso geográfico de pacientes da rede pública ou conveniados ao Sistema Único de Saúde - SUS a serviços de saúde localizados em outras cidades com maiores recursos, quando esgotados todos os meios de tratamento e/ou exames diagnósticos no local de residência. Para a produção desta pesquisa foi realizada, inicialmente, uma revisão bibliográfica, trabalhando temas da área da Geografia Urbana e Geografia da Saúde. Outra importante etapa de nossa metodologia é a pesquisa quantitativa, com a coleta de dados dos usuários do TFD na Secretaria Municipal de Saúde de Conceição de Macabu. Os dados coletados são referentes ao quantitativo de viagens realizadas pelo TFD e de pessoas que se deslocaram através do programa durante o ano de 2021, além de quais os locais de destino dessas pessoas. Ao longo do ano de 2021, foram realizadas um total de 2.536 viagens por meio do TFD, sendo 1.437 direcionadas a municípios da região Norte, 1.063 para outras regiões de saúde do Estado do Rio de Janeiro e 36 para cidades de outros Estados, sendo eles São Paulo e Minas Gerais. Dessa forma, observa-se que a maior parte do fluxo de pacientes realizado pelo TFD Macabuense é realizado dentro da região de saúde Norte, resultado esperado e coerente com a regionalização do SUS, em que se espera que a própria região de saúde atenda as necessidades de sua população. Todavia, nota-se que essa região não é suficiente para atender sua população em todos os serviços demandados, havendo fluxos inter-regionais para alguns pacientes. O município de Macaé se mostrou um polo de referência para os deslocamentos dos usuários do TFD Macabuense, recebendo a maior parte dos fluxos de pacientes. Houve um total de 889 viagens do TFD para Macaé em 2021, que atraiu 1.349 pessoas no primeiro quadrimestre do ano, 1.432 no segundo e 1.452 no terceiro. Esses resultados nos mostram que, na configuração desta rede urbana a partir dos movimentos populacionais em razão de tratamentos de saúde, Macabu tem forte ligação com a cidade de Macaé. Em resumo, a demanda pelo acesso a diversos serviços encontrados nas cidades são condicionantes de deslocamentos populacionais e, como visto, há um grande fluxo de pessoas de Conceição de Macabu para outros municípios por meio do TFD em virtude da carência existente em alguns tipos de serviço de saúde. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Portaria/SAS/Nº 055 de 24 de fevereiro de 1999. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/1999/prt0055_24_02_1999.html. Acesso em: 10 nov. 2021. CORRÊA, Roberto Lobato. A rede urbana. Rio de Janeiro: Ática, 1989. GOMES, Cilene. PAULA, Adriana Maria de. NOBRE, Leonardo. Rede urbana, serviços de saúde e o transporte intermunicipal de beneficiários do SUS: aproximações de análise ao caso da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, SP. Bahia: Revista do Programa de Pós-Graduação em Geografia vinculada ao Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, v. 3, n. 4 Especial, 2019. GUIMARÃES, Raul Borges. Regiões de saúde e escalas geográficas. Rio de Janeiro: Cad. Saúde Pública, v. 21, n. 4, p. 1017-1025, 2005. IBGE. Regiões de Influência das Cidades: 2018. Rio de Janeiro: IBGE, 2020. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101728.pdf. Acesso em: 25 de ago. 2021. KUSCHNIR, Rosana. LIMA, Luciana Dias de. BAPTISTA, Tatiana Wargas de Faria. 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84 | 1479717 | A Reforma do Ensino Médio e o livro didático: a Geografia e o PNLD de 2021 | Introdução O avanço neoliberal no campo da educação vem cada vez mais forte nos últimos anos, recentemente o sistema nacional de educação brasileiro sofreu com grandes ataques, com a aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e com a reforma do ensino médio, ambas as políticas impactam diretamente o trabalho do professor, a geografia escolar e o ensino de geografia. A Reforma do Ensino Médio aprovada em 2017 determinou que as escolas de ensino médio de todo o país até 2022 deveriam iniciar a implementação do Novo Ensino Médio, que é organizado por área e impõe uma ampliação de carga horária visando o ensino integral. A resolução da Reforma não deixou muito claro como o currículo seria organizado, mas já determinava as disciplinas obrigatórias, a organização por área, os itinerários formativos e uma formação profissional. A BNCC do Ensino Médio regulamentou as competências e as habilidades a serem trabalhadas no ensino médio e para definir melhor os conteúdos principalmente os itinerários formativos foi aprovada a revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio em 2018. A etapa mais recente deste processo e que chocou demais os professores foi o momento de escolha do PNLD de 2021, ele foi um dos primeiros passos para a efetivação de todo essa reforma. Assim no que se refere aos livros didáticos principalmente no ensino médio é de muito valor uma análise sobre os processos de modificações que os mesmos vêm sofrendo com as reformas do ensino médio e a aprovação da Base Nacional (BNCC). Portanto nesse trabalho busca-se uma análise sistematizada sobre o PNLD do ensino médio, uma política educacional governamental que faz a aprovação dos livros que serão disponibilizados para a escolha do professor. Objetivos Compreender como a Geografia Escolar está presente no PNLD de 2021, uma vez que as obras são organizadas por áreas para atender a BNCC e as DCNs do ensino médio. Metodologias Para a realização desse trabalho fizemos uma revisão bibliográfica sobre os livros didáticos e o mercado de livros didáticos, sobre o PNLD e sobre a geografia do ensino médio. A partir dos resultados dessa revisão foi realizada uma análise pautada no método do materialismo-histórico-dialético, na qual buscamos compreender as contradições presentes no sistema e nas propostas neoliberais. Também realizou um levantamento nos Guias Nacionais do Livro Didático do PNLD de Geografia do ensino médio durante todos editais publicados, dos anos 2009 até 2021, eles serviram para realizar o levantamento de editoras e autores presentes nos editais, e assim demonstrando o oligopólio de editoras e os autores mais presentes. Também foi analisado o Guia do PNLD do Ensino Médio de 2021, para compreender como a Geografia Escolar foi abordada por esse material. Resultados Com a reforma do ensino médio foi possível perceber uma grande modificação na estrutura do Guia de Livros Didáticos do PNLD ensino médio, o qual antes continha de 14 até 18 obras e em média de 27 até 30 autores de livros. Após a reforma esses dados sobem drasticamente passando a ter em 2021, 77 autores e 19 obras para a escolha do professor. A hipótese é que com a reforma do ensino médio o número de autores aumentaram pelo fato de haver uma junção de áreas, na qual a geografia está presente na área de ciências humanas e sociais aplicadas, e a partir disso aumentaram os autores. Porém diminuem-se os geógrafos, professores de geografia que escrevem os livros didáticos, aqui vemos duas hipóteses a primeira é que o geógrafo e professor de geografia que escreviam livro didático perderam espaço com essa junção com as ciências humanas, e a segunda hipótese é uma negação por parte dos geógrafos e professores de geografia que escreviam livro didático de participarem dessa edição do programa. Nessa situação, as editoras, ao menos no Brasil, buscam cada vez mais se adequar às exigências do governo, que se traduzem em Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e nas determinações específicas de cada edital do PNLD, além das idiossincrasias dos avaliadores (MUNAKATA, 2012, p.62) Com essas hipóteses levantadas a reflexão deve se pautar em cima do mercado de livros didáticos sua articulação com a política e a influência que esse tem sobre os autores de livros didáticos. Nesse ponto devemos refletir os processos em que os livros didáticos são submetidos e as consequências para a geografia escolar neste processo. Marx quando debate a mercadoria nós traz diversos apontamentos e o primeiro ponto de reflexão está na relação dos vícios e virtudes, pois como Marx nos alerta a priori a mercadoria parece uma coisa trivial e simples, entretanto com uma análise sucinta e metódica se observa sua complexidade e sutilezas. Dessa maneira essas hipóteses também nos levou à uma reflexão com relação aos escritores de livros didáticos, e sobre a arte séria e a indústria cultural que Adorno e Horkheimer (1985) debatem, pelo fato de que na visão dos autores a escrita é uma arte, entretanto pelos processos que são submetidos os livros didáticos leva a consideração se os autores de livros didáticos realizam uma arte séria. Dentro deste contexto a Geografia Escolar até então presentes nos livros didáticos do ensino médio passa a ser diluída pela política e pelo mercado. Considerações Finais Como demonstramos, o mercado de livros didáticos é amplo e aborda diversos agentes, e os principais agentes interessados nesse momento no mercado de livros didáticos são as editoras que formam um oligopólio do mesmo. E o principal destaque é que o maior financiador desse mercado é o Estado, e com isso o dinheiro público passa para a iniciativa privada e para projetos neoliberais de reformas do sistema público de ensino. Portanto esse trabalho buscou contribuir para um balanço sobre o mercado de livros didáticos focando no livro de geografia do ensino médio, a ciência a qual durante os últimos anos vem sofrendo diversos ataques. Referências Bibliográficas. ADORNO, T. W.; HORKHEIMER, M. Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Zahar, 1985. BRASIL. Ministério da Educação. PNLEM/2009 /Secretaria de Educação Básica, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. �Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2008. .Guia de livros didáticos : PNLD 2012 : Geografia� Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2011. .Guia de livros didáticos : PNLD 2015 : geografia : ensino médio. � Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2014. .PNLD 2018: geografia � guia de livros didáticos � Ensino Médio/ Ministério da Educação � Secretária de Educação Básica � SEB � Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.Brasília, DF: Ministério da Educação, Secretária de Educação Básica, 2017. CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO. Produção e vendas do setor editorial brasileiro em 2009. São Paulo: Câmara Brasileira do Livro / SNEL / FIPE, [2010?]. Disponível em: <http://www.cbl.org.br/telas/cbl/downloads.aspx>. Acesso em: jan. 2012. MARX, K. O capital. São Paulo: Nova Cultural, 1996 [1867]. MUNAKATA, Kazumi.. O livro didático como mercadoria. Pró-Posições (UNICAMP. Impresso), v. 23, p. 51-66, 2012. | 04. Ensino de Geografia e Educação | Filipe Fernandes Crescêncio, Sandra de Castro de Azevedo | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5711 | resources/download/restrict/eng2020/1661908344_ARQUIVO_37519dd1a8c998241a960fc2c503575d.pdf | ||||||||||||||||||
85 | 4889410 | A Reforma Gerencial do Estado na Educação de Jovens e Adultos na Rede Estadual de Ensino do Rio de Janeiro | A reforma gerencial promovida pelo governo do estado do Rio de Janeiro para ajustar a máquina estatal a um novo modo de regulação social não poupou a gestão educacional. A evidência disto é a implantação do Programa Gestão Integrada da Escola (GIDE) por parte da Secretaria de Estado de Educação (SEEduc/RJ). Por meio desse programa de reforma gerencial, a SEEduc/RJ tem buscado contemplar aspectos estratégicos, políticos e gerenciais com foco em resultados, a pretexto de melhorar os indicadores da educação, especialmente aqueles relacionados ao desempenho do estado do Rio de Janeiro no Índice de Desenvolvimento da Educação Brasileira (IDEB). Esse conjunto de medidas altera significativamente o cotidiano das escolas, na medida em que estabelece a lógica mercantil como referência de gestão do trabalho escolar. Esse impacto nos parece ser mais intenso na Educação de Jovens e Adultos (EJA), justamente por suas especificidade sem apresentar uma educação voltada para os trabalhadores e sua inserção no mercado de trabalho, e contradições por não garantir uma formação plena de autonomia e cidadania frente as transformações existentes na sociedade e no mundo do trabalho. Por esta razão, tomamos como objeto de estudo as mudanças determinadas pela GIDE na EJA no Estado do Rio de Janeiro. Nosso objetivo foi avaliar se em algum aspecto a implantação da GIDE trouxe alguma melhoria no trabalho pedagógico desenvolvido na EJA na SEEduc/RJ. Trata-se de uma pesquisa documental, de análise qualitativa e de caráter explicativo, ou seja,de compreender os caminhos tomados pela SEEduc na educação de Jovens e adultos, sem abrir mão de fontes bibliográficas primárias. Com o desenvolvimento deste trabalho investigativo, conseguimos perceber que de fato, existe um impacto para influencia muito grande do setor privado na formulação e efetivação na política pública da EJA, por dentro da reforma gerencial do Estado na EJA do Estado do Rio de Janeiro. Esta investigação está contribuindo não apenas para o desenvolvimento dessa política pública da Educação, mas também para a reflexão de profissionais da educação pública do Estado do Rio de Janeiro desenvolverem suas atividades na EJA acerca de sua própria realidade seja pelas similitudes, seja pelas distinções. Essa pesquisa foi realizada dentro de uma Escola pública estadual em São João de Meriti/RJ, a qual o professor é docente nesta unidade de ensino da EJA. Buscou analisar documentos oficiais da SEEduc, e realizou pesquisa de campo na Escola com elaboração de debates políticos pedagógicos, para entender e perceber os rumos que a EJA na SEEduc,e mais especificamente na Escola estariam assumindo como nova gestão de ensino para a EJA. Analisamos essas relações de tensões existentes na escola, por dentro dos conceitos desenvolvidos por Antônio Gramsci: hegemonia e contra hegemonia; crise do bloco histórico fordista, e de Sociedade civil. ALGEBAILE, Eveline. Escola pública e pobreza no Brasil: a ampliação para menos. Rio de Janeiro: Lamparina, Faperj,2009. ANDERSON, Perry. Balanço do neoliberalismo. In SADER, Emir & GENTILLI, Pablo (orgs.)Pós-neoliberalismo: as práticas sociais e o Estado democrático. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995, p. 9-23.) BEHRING, Elaine. Brasil em contra-reforma: desestruturação do Estado e perda de direitos. São Paulo: Cortez, 2008. BOMFIM, Maria Inês. 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Ensino de Geografia e Educação | Sergio Vieira da Silva | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 382 | resources/download/restrict/eng2020/1661121649_ARQUIVO_713708273108f32d432cecdb9bada64a.pdf | ||||||||||||||||||
86 | 2664780 | A Regência através das Mídias Sociais | Introdução O presente relato de experiência apresenta e explica de forma sintética e analítica como foram os encontros do núcleo do Programa Institucional de Residência Pedagógica da Licenciatura em Geografia na UFF de Angra dos Reis. As atividades iniciaram em outubro de 2020, sem muitas certezas de como dar prosseguimento a um programa que se realiza dentro do ambiente escolar. Devido às recomendações de distanciamento social vindas da pandemia de COVID-19, os encontros do núcleo aconteciam remotamente por vídeo conferências com o uso do Google Meet. Dentre as atividades realizadas a que estará sendo descrita é a de como foi o processo de criação do canal da PIRP em uma plataforma de compartilhamento de vídeos. Objetivos O relato apresenta a experiência que os residentes do PIRP do núcleo de Angra dos Reis, junto ao docente orientador e os preceptores tiveram no desenvolvimento de um canal na plataforma YouTube. Para isso, é preciso situar a ideia do PIRP que seria colocar os residentes no ambiente escolar para além dos estágios obrigatórios no curso de licenciatura os que tivessem vinculados ao programa pudessem de fato ter a experiência de dar uma aula. O núcleo estava vinculado a duas escolas-campo, contudo a experiência do presente trabalho estará centrado na experiência na Escola Municipal Benedito dos Santos Barbosa e seus alunos. Metodologia Para isso, realizamos os encontros através do Meet e por meio de sondagens e questionários e reuniões com alunos das escolas-campo que levaram-nos a fazer o canal e os processos para a postagem dos vídeos na plataforma. Com o resultado das reuniões foi delimitado um tema de abordagem para os primeiros vídeos. Segundo o questionário, o tema que era mais apontado pelos alunos da escola-campo foi sobre globalização. O processo para a produção dos vídeos começa com a realização de um roteiro para direcionar o andamento do vídeo, que era compartilhado com todos os residentes para revisão coletiva. Para em seguida, a gravação que era feita no Stream Yard no dia anterior a postagem para as edições e o padrão no dia de envios de vídeos. Para uma melhor utilização da plataforma de vídeo, YouTube, foi convidada uma especialista no assunto de mídias sociais que realizou apontamentos e recomendações sobre o canal do núcleo PIRP de Geografia da UFF de Angra dos Reis. Resultados Os resultados da experiência com mídias sociais trouxeram pontos positivos e negativos na sua finalidade, que era realizar o ensino por meios tecnológicos. Em primeiro lugar, os pontos negativos são os que são possíveis de perceber com o primeiro questionário respondido pelos alunos, em que poucos deles tinham condições de estudar facilmente utilizando internet e a partir de algum dispositivo capaz de conectá-los. Outro seria um distanciamento de alunos que geralmente precisam de maior atenção em comparação a outros, dificultando a interação social e a aprendizagem. Os pontos positivos sobre essa experiência foram sobre a adesão de recursos que já são de uso comum em outros ambientes, contudo ainda não eram muito explorados no ambiente escolar. Então a experiência possibilitou que os residentes, preceptor e orientador experimentassem novas ferramentas que podem ser utilizadas como materiais didáticos. Sobre essas novas ferramentas que são as mídias sociais, nesse relato são feitas análises e comparações com elementos tradicionais presentes na prática de lecionar. Outras comparações são relacionadas aos conceitos da geografia e as categorias do método geográfico na interpretação desse contexto trazido pelo distanciamento social. Referências CORRÊA, Roberto. Espaço, um conceito-chave da geografia. In: CASTRO, Iná; GOMES, Paulo; CORRÊA, Roberto. Geografia: conceitos e temas. 2 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000. p.15-47 GONÇALVES, Amanda. Contribuições da teoria histórico-cultural ao ensino e aprendizagem da geografia. Rio Claro: Estudos Geográficos,16(1): 213-224, jan./jun. 2018. Disponível em: <http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/estgeo>. Acesso em: 9 abri. 2022 NÚÑEZ, Isauro Beltrán. Vygotsky, Leontiev e Galperin: Formação de Conceitos e os Princípios Didáticos. Brasília: Liber Livro, 2009. In: GONÇALVES, Amanda. Contribuições da teoria histórico-cultural ao ensino e aprendizagem da geografia. Rio Claro: Estudos Geográficos,16(1): 213-224, jan./jun. 2018. Disponível em: <http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/estgeo>. Acesso em: 9 abri. 2022. SACRAMENTO, Ana. A produção de jogos na formação docente: material didático e ensino de geografia. IN: SACRAMENTO, Ana. A mediação didática do estudo da cidade e o trabalho de campo: diferentes formas de ensinar Geografia. Geografia Escolar: contextualizando a sala de aula. Curitiba: Editora CRV, 2014, p. 103 � 117. SANTOS, Milton. Espaço e método. São Paulo: Nobel, 1985. SAQUET, Marcos; SILVA, Sueli. MILTON SANTOS: concepções de geografia, espaço e território. Geo UERJ, Rio deJaneiro, v. 2, ed. 18, p. 24-42, 2.sem 2008. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/geouerj/article/viewFile/1389%20/1179#:~:text=De%20acordo%20com%20Santos%20(1978,fun%C3%A7%C3%B5es%20s%C3%A3o%20criadas%20e%20institu%C3%ADdas. Acesso em: 9 abr. 2022. ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. 2. ed. Porto Alegre: Ed. Artmed, 1998, p. 167-194. In: SACRAMENTO, Ana. A produção de jogos na formação docente: material didático e ensino de geografia. IN: SACRAMENTO, A. C. R. A mediação didática do estudo da cidade e o trabalho de campo: diferentes formas de ensinar Geografia. Geografia Escolar: contextualizando a sala de aula. Curitiba: Ed. CRV, 2014, p. 103 � 117 | 04. Ensino de Geografia e Educação | Bianca Nunes | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5565 | resources/download/restrict/eng2020/1660517870_ARQUIVO_d5ee900c7fb1d33c523fca91ef7b5375.pdf | ||||||||||||||||||
87 | 2354934 | A relação da cidade de Shenzhen e o grupo Tencent: atuação da tecnoesfera sobre o território. | INTRODUÇÃO Com o aparecimento de novas dinâmicas nos modos produção, o território entendido como recurso sofre drásticas modificações no seu uso, forma e estrutura. Apresenta-se com uma elevada fluidez, atuação dos sistemas informacionais, lógica de funcionamento, tudo em consonância com a elevada densidade da tecnoesfera sobre o território. O uso do território se produz na inter-relação existente entre a Tecnoesfera e a Psicoesfera, ou seja, ao mesmo tempo em que a tecnoesfera instiga o território a agregar a si novas técnicas, informação e novas relações de produção, exige-se que os sujeitos que estão contidos neste território passem por modificações, a fim de se tornarem sujeitos de ação na tecnoesfera. Como forma de compreender especificamente a íntima relação da Tecnoesfera sobre o uso do território, tomou-se como objeto de estudo a cidade chinesa de Shenzhen, que possui forte presença do meio �técnico - científico - informacional e reconfiguração socioespacial de seu território. OBJETIVOS Utilizando-se da análise geográfica, visa-se identificar e discutir as utilizações do setor tecnológico na modificação, reestruturação e uso do território. De maneira mais específica se tomará como estudo a possível relação de uma empresa de tecnologia com a reconfiguração do território. No caso desta pesquisa, relação Território- cidade de Shenzhen- Tencent (empresa de Tecnologia)- Estado. Objetivos específicos: � Compreender o território de Shenzhen - Quando se iniciou o período de mudança das características do território. � Verificar qual é o papel do Estado Chinês � na promoção de mudanças do território e incentivos empresariais em Shenzhen. � Buscar entender o processo de formação do grupo Tencent � origem, projetos, ligação com o estado. � Buscar relacionar o crescimento do grupo Tencent e as modificações do território de Shenzhen. METODOLOGIA Optei por desenvolver minha pesquisa numa abordagem teórica descritiva, ou seja, baseada em sua maior parte em revisões, análises bibliográficas e dados econômicos de forma comparativa, com base no uso do método hipotético dedutivo para se buscar uma possível resposta sobre problema de pesquisa. A classificação da pesquisa ficará entre a pesquisa qualitativa e quantitativa, ou seja, será mista, nitidamente esta escolha se deve a complexidade do tema de pesquisa. RELAÇÃO SHENZHEN � GRUPO TENCENT A cidade chinesa de Shenzhen foi escolhida com base na forte ação da tecnoesfera em seu território. A cidade apresenta suas especificidades decorrentes da presença massiva desta tecnoesfera o que do ponto de vista do estudo geográfico a torna de grande relevância para a compreensão das modificações futuras das cidades globais. O nível de especialização tecnológica nesta cidade é altíssimo, o incentivo ao desenvolvimento de novas tecnologias de interconexão dos espaços é extremamente avançado e o sistema de informação é dinâmico e possui ampla atuação por seu território. Dados sobre pessoas, bens, serviços, mercadorias e mesmo sobre o território são produzidos continuamente, agregados a um grande banco de dados que são processados e minerados segundo interesses do sistema produtivo, e que ao fim alimentam direta ou indiretamente a tecnoesfera existente neste território. Agrega-se a este estudo as ideias de KAHIL (2010, p.478) o denominado �uso corporativo do território� e como este seria uma �[...] categoria adequada para expor a normatividade interna da forma hegemônica de ordenamento dos sistemas de objetos e de justificação da conduta das ações (corporativas), ou seja, forma hegemônica de compartilhar o espaço no capitalismo contemporâneo.� Entender como a criação infraestrutura incentiva a criação de universidades, desenvolvimento da tecnologia informacional está ligado à criação de um ambiente propício à inovação e promoção da tecnoesfera em diferentes níveis do território. A cidade de Shenzhen obteve um vertiginoso crescimento nos últimos anos graças em boa parte a sua especialização nos meios tecnológicos. O seu território neste momento apresenta-se ultra percebido e apropriado pelos sistemas de informação que diante de acesso cada vez maior dos dados de usuários conseguem estruturar uma correlação dos meios e demandas de mercadorias e serviços. Nesta cidade destaca-se a existência da sede da o grupo Tencent - gigante do setor de tecnologia, que hoje é o maior portal e serviços de internet da China. A indagação sobre a relação entre o estado, a tecnoesfera, a empresa e o território se mantém, ou seja, busca-se o entendimento sobre o nível de interligação e estímulo mútuo de existência e reprodução destes elementos. No decorrer deste entendimento, nota-se que com a intensificação da tecnoesfera o território também terá como resultado a promoção de desigualdades socioespaciais. Há de se levar em conta este elemento para compreender melhor as especificidades da máxima especialização do território e a sua correlação com marginalização de espaços e grupos existentes no mesmo. Neste momento, podem-se tomar como base as definições de �circuito inferior da economia� de SANTOS (1977) para compreender esta marginalização de certos grupos dentro da esfera econômica dessa cidade. Como SANTOS (1997, p.37) pontua, o �[...] desmantelamento de uma forma simples de circulação de mercadorias e de pessoas e, depois, á completa dependência do circuito inferior com relação a um circuito superior revitalizado�. CONSIDERAÇÕES FINAIS A tecnologia da informação é a atual partícula de articulação do sistema econômico mundial, a grande fonte do estímulo da prospecção da Tecnoesfera. Sendo que sua funcionalidade segue uma lógica do sistema produtivo vigente. A relação qualificada da Tecnoesfera provoca o uso do território. Este território usado ocorre especialmente através do seu uso pela ciência, técnica e informação. O uso do território como resultado da Tecnoesfera irá reverberar no pensamento idealizado do chamado crescimento econômico do mundo capitalista e como bem aponta SANTOS (1977) �O crescimento econômico que se vale do capital concentrado a serviço de uma estrutura capitalista gera pobreza.� Este é o ponto de grande importância nos debates da geografia para entender a sua �estrutura, função e a sua forma�. No caso específico desta pesquisa, entender como isso se dá no território de cidades de Shenzhen que é hiper especializada com a presença massiva da Tecnoesfera. REFERÊNCIAS HABERMAS, Jürgen. Teoria e práxis. São Paulo: Editora da Unesp, 2013 (1ª Ed. 1978). Capítulo 9. Consequências práticas do progresso técnico-científico. KAHIL, Samira Peduti. Psicoesfera: uso corporativo da esfera técnica do território e o novo espírito do capitalismo. Sociedade & Natureza. [online]. 2010, vol.22, n.3, pp.475-485. Disponível em <https://seer.ufu.br/index.php/sociedadenatureza/article/view/11332>. SANTOS, Milton. A totalidade do Diabo. Como as formas geográficas difundem o capital e mudam as estruturas sociais. In: Santos, Milton. Economia espacial. Críticas e alternativas. São Paulo: Hucitec, 1977. | 01. Cidade e Urbano | ERIANE TAIS DE ALMEIDA | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 6090 | resources/download/restrict/eng2020/1661999177_ARQUIVO_c1fee66aeea34ddc74196dcb92f8db4e.pdf | ||||||||||||||||||
88 | 4241592 | A relação entre Arte e Geografia nas músicas de Belchior | A arte possui o poder de expandir a mente do apreciador e também o leva a outros mundos, espaços e tempos. Se a arte representa a realidade, então é possível a ciência geográfica estudar o mundo como é apresentado pela ótica artística. Moreira (2008), ao abordar sobre a relação entre a Geografia a literatura, enfatiza que as categorias espaço e tempo estão presente na obra de arte e são abordadas de forma diferente da ciência: a arte apresenta o espaço subjetivo, enquanto a Geografia aborda o espaço objetivo. Para Moreira e Moraes (2017) a arte alcança o melhor grau de objetividade da realidade por meio da interação social e da inserção do artista na vida pública. Pois é por meio dessas interações que os artistas captam melhor a realidade. Os autores também explicam que a realidade possui determinações ideológicas, portanto, a arte não é neutra. Há nas obras de arte as concepções de mundo de cada artista, inclusive seu posicionamento diante do pensamento de uma época. Dentro desse campo de determinações históricas, o artista possui diversas possibilidades para expressar essa realidade em que vive. Mas é exatamente, diante da concepção dos autores, essa inserção na vida pública e social que torna a arte realista. A música é uma, dentre as diversas formas de arte. Portanto, o presente trabalho tem como objetivo relacionar a Geografia e a arte a partir do tema mobilidade do trabalho no contexto do governo militar presente em músicas do cantor Belchior. Moreira e Moraes (2017) demonstram que a arte é capaz de revelar questões de uma determinada época. Para os referidos autores em sociedades onde a luta de classes são mais intensas, maior é a amplitude dessas questões humanas e históricas. Dessa maneira, as músicas de Belchior também revelam questões especificas do contexto em que o músico viveu. As canções de Belchior apresentam distintas abordagens, o amor, a saudade, a cidade, o sertão, a migração, a violência, dentre outros. A migração ou mobilidade do trabalho é um tema recorrente em suas canções. A partir das canções de Belchior é possível conhecer o nordestino que migra pra a cidade grande. Esse movimento é recorrente no Brasil, com grande intensidade nas décadas de 60 e 70, período marcado pela Ditadura Militar. As andanças entre as regiões do país marcam a vida do próprio cantor. Antônio Carlos Gomes Belchior nasceu na cidade de Sobral � CE, mudou-se algumas vezes para Fortaleza tanto por conta da música, quanto da faculdade de medicina que ele não concluiu. Por motivos profissionais em sua carreira musical, mudou para a região sudeste, em 1971 para o Rio de Janeiro, em 1972 para São Paulo. Ao cantar que �A minha história é, talvez igual a tua� Belchior mostra que suas músicas não são uma biografia, mas sim uma demonstração da realidade de jovens dessa geração, principalmente nordestinos, ora camponeses, ora residente de pequenas cidades, que migram com destino ao Sudeste. A partir das músicas de Belchior é possível compreender a configuração espacial brasileira, em que se concentrava no sudeste a produção do capital, por isso atraia trabalhadores da região nordeste para compor o exercito de mão de obra para a reprodução do capital. A exploração da mão de obra contribui para o desenvolvimento econômico do espaço, ao mesmo tempo em que acentuam as desigualdades socioespaciais, as relações centro e periferia, que também são temas das músicas de Belchior. Ele expõe as contradições do espaço urbano, quando canta e expressa a realidade do �Jovem que desceu do norte, que no sul viveu na rua e que ficou desnorteado, (...) e que ficou desapontado, (...) e que ficou apaixonado e violento como você� Esse desapontamento refere a realidade que o jovem esperançoso, envolto pela esperança de alcançar melhores condições de vida no sudeste, se depara com a realidade contraditória do espaço urbano em meio a ditadura militar. Nesse sentido, a expressão da realidade em uma dada obra de arte se dá pela intensidade das relações do artista, enquanto sujeito, da sua experiência com a realidade concreta: �Eu sou como você que me ouve agora� é um trecho da música de Belchior que demonstra que sua música mostra não só a sua experiência, mas a de outros sujeitos, a do sujeito que escuta a música. O grau de objetividade nas músicas do cantor Belchior é expresso por meio da sua interação no meio social, da experiência do cantor no período militar. O cantor vivenciou um período característico na história política brasileira. Partilhando dessas experiências no mundo durante o governo militar, consciente ou não, há nas músicas do cantor reflexos dessa realidade histórica. Para Moreira e Moraes (2017) artista está imerso na realidade social, e esta é a base entre a relação do artista e o mundo, do artista e o conteúdo realista da sua obra. Para tanto, foi escolhido três músicas do referido cantor: Apenas um rapaz latino Americano, Fotografia 3x4 e por fim Alucinação. A escolha das referidas músicas se justifica pela clareza em abordar os temas aqui estudados: A repressão no Governo Militar, a mobilidade do trabalho e as contradições no espaço urbano. No entanto, a expressão dessas questões da realidade não se limita apenas a estas canções. O presente trabalho se divide em três partes, na primeira é abordado a arte como forma de abordar a realidade. O segundo momento, será contextualizado as canções de Belchior no período da ditadura Militar e por fim, o debate sobre a mobilidade do trabalho nas músicas de Belchior. Referências CHIAVENATTO, Júlio José. O Golpe de 64 e a ditadura Militar. Editora Moderna. São Paulo, 1994. CONCEIÇÃO, Alexandrina Luz, Jovens andarilhos no curto ciclo do capital, Revista OKARA: Geografia em debate, v.1, n.1, p. 1-152, João Pessoa-PB, 2007. MOREIRA; Luciano Accioly Lemos, MORAES; Adreia Pereira, A arte e o artista no capitalismo: da clausura a conquista do mundo. In: MORAES; Andréa Pereira, MAGALHÃES ; Belmira, MOREIRA; Luciano Accioly Lemos, Estética E Crítica Literária Reflexões acerca do pensamento estético em Lukács e Marx, Instituto Lukács, 1° ed, São Paulo, 2017. Disponível em: < https://ed56e1fd-a4d0-4bfe-a746-de350872ed41.filesusr.com/ugd/46e7eb_6581ed1617664c97beccde5432ffcc93.pdf> Acesso em: 01. 06. 2021. MOREIRA, Ruy. Ser-Tões: O Universal no Regionalismo de Graciliano Ramos, Mário de Andrade e Guimarães Rosa. In: Pensar e Ser em Geografia: Ensaios de História, Epistemologia e Ontologia do Espaço Geográfico. São Paulo: Contexto, 2008. | 03. Pensamento Geográfico | JÉSSICA MARTINS DA SILVA, Gerusa Martins da Silva | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 6060 | resources/download/restrict/eng2020/1661968663_ARQUIVO_b03474bdd172efb414049abebc1df77a.pdf | ||||||||||||||||||
89 | 2836580 | A representação do negro na geografia brasileira do século XXI | Introdução Diversos povos compõem a matriz de formação da população brasileira, tornando assim o Brasil um país mundialmente conhecido pela miscigenação entre diversas etnias, especialmente negros advindos de várias regiões da África, europeus, árabes e japoneses. Apesar da mistura entre os povos e a suposta exaltação do �caldeirão cultural�, algumas parcelas da população se encontram em maior vulnerabilidade social do que outras, e esta vulnerabilidade se manifesta especialmente pelo critério raça/cor, visão que foi sendo construída e naturalizada durante o processo de ensino-aprendizagem, por meio de pesquisas e informações divulgadas pela mídia e demais meios de comunicação. Conhecer e analisar o contexto da construção desta vulnerabilidade e desigualdade é fundamental para o entendimento do processo de formação do território brasileiro e da ciência geográfica que é produzida no país. Raça/cor são categorias de análise importantes para a compreensão da construção das identidades, e estas categorias foram adquirindo diferentes valores sociais ao longo do tempo, pautando a heterogeneidade da população com base em teorias raciais formuladas principalmente a partir do século XVII que reforçaram a ideia de superioridade entre as raças. Além disso, há o racismo científico, os discursos político-ideológicos que buscam justificar a opressão e exploração dos povos africanos, que ainda hoje sofrem as consequências do apagamento de suas especificidades em relação ao continente europeu e até mesmo americano, incluindo mazelas sociais e econômicas. Muitas vezes as questões raciais e seus desdobramentos são tratadas com indiferença pela maioria dos geógrafos, o que ocasiona em perdas de material teórico e debate acerca de temas pertinentes à mais da metade da população brasileira impossibilitando assim a produção de um pensamento crítico acerca da realidade. Diante dessa realidade, o desafio encontrado é a desnaturalização e desconstrução dessa mentalidade que se faz presente na sociedade brasileira e o resgate da identidade negra que sofreu apagamento através de ideologias e cultura europeia. Objetivos O presente trabalho tem como objetivo geral analisar o processo de discussão da temática racial na geografia brasileira no século XXI, selecionando algumas das principais revistas científicas de geografia do país. Como objetivos específicos se tem: contextualizar a situação socioeconômica, racismo e segregação dos indivíduos pretos e pardos na sociedade brasileira; analisar as produções acerca de tópicos que envolvem a temática e reafirmar a identidade das pessoas negras tanto na sociedade brasileira quanto na produção científica. Metodologia A metodologia consiste, inicialmente, na análise minuciosa de dados estatísticos elaborados pelo IBGE referentes aos aspectos socioeconômicos e educacionais da população negra brasileira. Após a análise destes dados, será feita a seleção de algumas das principais revistas de geografia do país e a classificação e discussão de seus trabalhos a partir das diversas áreas e temáticas da Geografia. Resultados Como resultados, a pesquisa indica um aumento no número de publicações referentes às questões étnico-raciais e população negra a partir do ano de 2010, especialmente após o processo de democratização do acesso ao ensino superior que rompeu com muitas das dificuldades enfrentadas por pessoas negras ao ocuparem o espaço que era e são delas por direito nas Universidades. Em contrapartida ao aumento de publicações, ainda se faz necessária a luta constante para que haja a mudança de mentalidade e postura a nível social, pois é possível ainda perceber um racismo que se faz velado dentro de instituições, que se recusam a pautar a importância destes atores na sociedade brasileira, e até em meio a profissionais que atuam no debate sobre as questões étnico-raciais. Referências BOSSÉ, Mathias Le. As questões de identidade em geografia cultural � algumas concepções contemporâneas. In: ROSENDAHL, Zeny; CORRÊA, Roberto Lobato (Org.), Geografia Cultural: Uma Antologia. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2013. p. 221-232. CASTRO, Iná Elias de; GOMES, Paulo César da Costa; CORRÊA, Roberto Lobato (Org.). Olhares Geográficos: Modos de ver e viver o espaço. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012. 192 p. HAESBAERT, Rogério. Identidades territoriais. In: ROSENDAHL, Zeny; CORRÊA, Roberto Lobato (Org.), Manifestações da Cultura no Espaço. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1999. p. 169- 190. HOFBAUER, Andreas. Ações afirmativas e o debate sobre racismo no Brasil. São Paulo: Lua Nova, 2006. 9-56 p. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/%0D/ln/n68/a02n68.pdf>. Acesso em: 24 jan. 2018. QUIJANO, A. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, E. (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino- americanas. Coleção Sur-Sur. Buenos Aires: CLACSO, 2005. ROSENDAHL, Zeni; CORRÊA, Roberto Lobato (Org.). Geografia Cultural: Uma Antologia. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2013. 296 p. v. 2. ROSENDAHL, Zeni; CORRÊA, Roberto Lobato (Org.). Manifestações da Cultura no Espaço. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1999. 248 p. SANTOS, Renato Emerson dos. �Agenda & agências: a espacialidade dos movimentos sociais a partir do Pré-Vestibular para Negros e Carentes�. 350 f. Tese de Doutorado, Instituto de Geociências, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2006. SCHWARCZ, Lilia Moritz. O espetáculo das raças. Cientistas, instituições e questão racial no Brasil, 1870-1930. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, 287p. | 06. Relações étnico-raciais, gêneros e sexualidades | Flávia Vieira Lourenço, Josiane de Fátima | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 1489 | resources/download/restrict/eng2020/1661983755_ARQUIVO_8ac0b7b4d89831ee06e4bf0289bc9016.pdf | ||||||||||||||||||
90 | 2534371 | A representação social do brasileiro na obra realista O Cortiço, de Aluízio Azevedo | José Elias Pinheiro Neto Universidade Estadual de Goiás joseeliaspinheiro@gmail.com INTRODUÇÃO Uma característica a ser considerada no realismo é a negação dos elementos caracteríticos do período antecessor, o romantismo. Isso muito se deve à oposição ao sentimentalismo dos românticos. A razão está no sentido de compreender as mazelas sociais e a função do homem na sociedade. O realismo �retoma posicionamentos desenvolvidos no Iluminismo, e, novamente, se faz a defesa divinizadora da razão� (CUNHA, 2001, p. 103), então, é coerente que os realistas enxerguem a realidade a partir da ciência, em contraposição à imaginação fértil dos românticos. Aluísio Azevedo apresenta, em sua obra O Cortiço (1890), as teorias da época em que viveu, estas �consideravam decisiva a influência da hereditariedade e do meio social no comportamento humano� (TUFANO, 1982, p. 132). Além desse olhar científico, Aluísio Azevedo destaca-se por representar �a vida das populações marginais, [a] reconstituição do ambiente social escravocrata da época [e por sua] capacidade de observação que revelou da análise de agrupamentos humanos� (TUFANO, 1982, p. 132-133). Aluísio Azevedo constrói sua narrativa a partir de teorias deterministas, as personagens são moldadas pelo meio em que vivem, O Cortiço apresenta a descrição dos costumes e comportamentos da época, a narrativa se justifica como meio para se compreender o processo de formação da brasilidade. O local onde ocorrem as ações ganha vida própria e determina o comportamento de quem o habita. A personagem Pombinha, a menina pura do Cortiço que acaba se prostituindo após se frustrar em seu casamento e, ainda, Jerônimo, o aldeão português que abandona a família e seus próprios valores ao encantar-se por Rita Baiana. Aluísio Avevedo aponta para pensamentos e comportamentos de uma sociedade e suas relações, a criminalização da classe baixa, por exemplo, nasce da associação entre pobres e marginais que acontecem no romance, e se repete atualmente da mesma forma. Os discursos que permeiam a sociedade são construídos da e na própria história e desvelados pela Literatura. Assim, mister se faz compreender como esses discursos de formaram ao longos anos para que se possa ser pensados atualmente. Nesse sentido, cabe ao leitor interpretar alguns aspectos importantes sobre o processo de desenvolvimento do país, e essa leitura pode também se aportar na Literatura enquanto representação mimética da realidade, no sentido de coloborar com os elementos científicos, sejam eles: a História, a Geografia, a Filosofia e entre outros. É, com esta vertente, de aproximação da realidade com a ficção, Geografia e Literatura, que esta pesquisa se substancia para a compreensão também dos processos de silenciamentos sociais. OBJETIVOS Perscrutar, no realismo, mais especificadamente no romance O cortiço, de Aluísio Azevedo, publicado na década de 1890, um aporte literário para a compreensão do processo pelo qual a racionalidade representa a realidade no período de formação da estrutura social brasileira, inferindo na relevância do aporte literário para as discussões da realidade; explorando os fatos descritivos literários na obra O cortiço e verificando como as personagens do romance desvelam os sentidos representativos das minorias sociais. METODOLOGIA A pesquisa se estabelece em bases bibliográficas, nas quais apresenta-se uma releitura do objeto para estudar as diversas representações da realidade que estão postas literariamente no discurso narrativo das personagens. Os elementos que colaboram para a compreensão de problemas sociais que estão apontados no recurso literário, buscando discernimento teórico e subjetivo do que se imbrica na proximidade entre a realidade e a ficção, os limites das linhas fronteiriças entre elas e como a Geografia e a Literatura podem se aproximar. Esse tipo de recurso faculta ao pesquisador diversas possibilidades para apresentar uma solução para o problema, a revisão bibliográfica delimitada como pesquisa teórica �tem por objetivo estudar um foco ou um assunto, não apenas citando partes desses textos, repetindo o que já está escrito, mas sim, conseguir ter uma visão crítica daquilo que está escrito, é uma atividade científica que ajuda a descobrir e entender a realidade� (MARCONI e LAKATOS, 2006, p. 71). Para sustentar a análise apresentam-se autores tais como: Bahia (2012), Fonseca (2015) e Pinho (2016). RESULTADOS Este trabalho analisa ficcionalmente o comportamento do sujeito brasileiro em formação dado pelo discurso narrativo das personagens no romance O cortiço, de Aluísio Azevedo. A importância deste estudo envolve em conhecer os elementos formadores da sociedade contemporânea brasileira e o sentimento de brasilidade que está posta na obra realista. A ficção apresenta acontecimentos que trazem pensamentos concretos da realidade, sem comprovação ou indicação científica, mas desvelando historicamente os processos pelos quais vem atravessando. Desta forma, para a compreensão do pensamento das personagens em Aluísio Azevedo, busca-se também proximidades com outras obras do escritor, necessário se faz um desencadeamento, em de uma escrita subjetiva, ficcional, mas que tem o efeito histórico da apresentação social, de crenças e de raça. Assim, pode-se compreender também, nas atitudes das personagens, e pelos seus efeitos, os discursos contrapostos com os analistas teóricos, que se apresentam nesta análise e entre outros que serão pesquisados. e, também, entendimentos sobre os fatos que ocorrem em um Brasil do século XIX, como os elementos comportamentais do ser humano e entender as relações sociais. Portanto, por intermédio dos conhecimentos acerca desta análise, a busca em constituir saberes acadêmicos que podem percorrer e permanecer na sociedade como forma de legitimar compreensões dos acontecimentos históricos do processo formador da sociedade, por intermédio da Literatura. E, também, uma compreensão da aproximação entre a realidade e a ficção, no sentido produzir apontamentos capazes de entender fatos sociais na formação da sociedade brasileira e, cotidianamente, nos acontecidos atuais em nosso meio e que estão descritos na Literatura. REFERÊNCIAS AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. 30. ed. São Paulo: Ática, 1997. BAHIA, Ryanne F. Monteiro. Quando a pobreza toma corpo: análise sociológica de O cortiço, de Aluísio Azevedo.In.: Baleia na rede. v. 9. n. 1, 2012. CUNHA, Helena Parente. Periodização e história literária. In: SAMUEL, Rogel (Org.). Manual de teoria literária. 14. ed. Petrópolis: Vozes, 2001. FONSECA, Priscilla de S. B. O jogo entre o espontâneo e o dirigido que rege a obra �O Cortiço� com base nas questões de gênero, etnia e do capitalismo primitivo. Alumni � Revista Discente da UNIABEU. v. 3, nº.5, janeiro-julho, 2015. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração, análise e interpretação de dados. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2006. PINHO, Adeítalo Manoel. Pensar na literatura: entre malandros, favelas e golpes de capoeira. Abralic. 2016, p. 2069-2078. TUFANO, Douglas. Estudos de língua e literatura. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1982. | 06. Relações étnico-raciais, gêneros e sexualidades | José Elias Pinheiro Neto | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5553 | resources/download/restrict/eng2020/1660327912_ARQUIVO_65b57f353ab343189321acdc93ad6b41.pdf | ||||||||||||||||||
91 | 4591925 | A representatividade espacial das relações de gênero e de trabalho no Brasil: entraves na elaboração de mapas na Geografia brasileira | As décadas finais do século XX foram cruciais para a configuração do mundo tal qual se conhece atualmente e para a maneira como o aferimos e interpretamos. Foi um momento de reestruturação do sistema capitalista marcado por uma revolução tecnológica. A complexidade das novas relações capitalistas engendra uma nova realidade social e política que se reverbera pelo espaço geográfico, acompanhada por uma série de questões. Ao passo que problemas se apresentam no território de maneira complexa, a cartografia, juntamente com as geotecnologias, tem sido utilizada de maneira crescente como um instrumento importante no auxílio das atividades que envolvem a compreensão e solução deles. Entretanto, essa cartografia que auxilia na gestão territorial, ao ser compreendida na maioria das vezes como cópia mimética da realidade, tem contribuído para uma visão da cidade como habitada por seres sem gênero, assexuados, sem raça, sem etnia que vivenciam só as relações sociais de classe entre si. Ademais, a cartografia tem contribuído, também, para uma visão do território enquanto uma contiguidade naturalmente neutra (CALIÓ, 1991). Tendo em mente que a invisibilidade das relações de gênero, em especial das mulheres nos estudos urbanos e na representação cartográfica, resulta em políticas públicas que não levam em consideração as singularidades e especificidades de suas vidas, é fundamental avançar nas discussões acerca da produção e uso de mapas no contexto da Geografia brasileira e para que se compreendam quais os entraves e dificuldades e, consequentemente, quais as possibilidades dos mesmos enquanto uma representação espacial comprometida com a transformação do espaço geográfico (entendido, aqui, como um espaço social, descontínuo, heterogêneo). Dessa forma, o presente trabalho tem por objetivo identificar e analisar os principais entraves e dificuldades na elaboração de representações espaciais a partir de mapas, produzidos por geógrafas e geógrafos brasileiros, das relações de trabalho e de gênero no território brasileiro. Para o alcance do objetivo do presente trabalho, fez-se necessário, em um primeiro momento, o levantamento e revisão de literatura sobre a temática. Realizou-se também um levantamento das principais fontes de dados sobre trabalho no Brasil, partindo das mais conhecidas no cenário nacional, com destaque para fontes públicas como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Fundação SEADE, e também para fontes alternativas, como a empresa social Gênero e Número. Após a coleta dos dados, foi construído um geodatabase utilizando o software ArcGIS Pro, possibilitando a verificação da modelagem de relações espaciais entre os dados (como a topologia, terreno e redes) e as validações dos dados (como os domínios), permitindo a conservação dos dados em um único local de forma organizada e sistêmica (ZEILER, 1999). A partir da adaptação da metodologia de análise de dados geoespaciais proposta pelo IBGE (2019), são utilizados alguns elementos para a análise dos dados obtidos: quais as temáticas disponíveis, quais os formatos destes dados (tabulares, documento textual, vetorial), o ano de coleta e publicação dos dados, qual a escala de abrangência dos dados (municipal, estadual, nacional), qual a usabilidade dos dados para representações espaciais, entre outros. Apesar do acesso a tecnologias e técnicas mais precisas de observação da superfície terrestre, e do auxílio dos computadores na elaboração dos mapas, Fonseca (2004) destaca que não se conseguiu fazer da Cartografia uma linguagem mais e melhor utilizada pela Geografia nos dias de hoje. São poucos os trabalhos geográficos no Brasil que se propõem e produzem de fato uma cartografia comprometida com a análise do espaço geográfico e com a transformação social. As dificuldades observadas na produção de mapas que tratam das relações de trabalho e de gênero, no âmbito da geografia brasileira, são bastante heterogêneas e complexas, mas para melhor discussão podem ser subdivididas em três grandes entraves que se inter-relacionam. Um primeiro entrave diz respeito à articulação teórica entre a Geografia e a Cartografia. No cenário nacional, em contraposição ao cenário internacional, pouco tem se discutido sobre epistemologias e ontologias cartográficas no âmbito geográfico. Há a permanência de uma polarização com relação ao uso de mapas nas pesquisas científicas, em que de um lado se rejeita uma cartografia convencional ligada à Geografia Tradicional, presa às métricas euclidianas e à uma representação mimética da realidade, e de outro lado a adoção de geotecnologias na elaboração de mapas, mas enquanto uma atividade altamente técnica, dando continuidade a esta cartografia analítica que é criticada. Um segundo entrave relaciona-se à questão técnica e metodológica da elaboração de mapas. Apesar de a ciência geográfica estar inserida em um contexto de intensas evoluções tecnológicas, observadas principalmente pela adoção das geotecnologias que têm auxiliado a produção cartográfica, o domínio técnico das mesmas ainda é bastante complexo para as geógrafas e geógrafos. Como exemplo tem-se a dificuldade que se tem no manuseio de softwares de Sistema de Informação Geográfica (SIG), o conhecimento acerca dos procedimentos a serem realizados no SIG, a acessibilidade aos dados necessários, entre outros, que se somam à resistência mencionada anteriormente. Um terceiro entrave está relacionado aos dados referentes ao trabalho e ao gênero no Brasil, referente às fontes, à abrangência e à atualização. Os dados geoespaciais sobre esta temática se concentram, principalmente no IBGE, responsável por dados a nível municipal, estadual e nacional. Apesar do IBGE fornecer dados atualizados com certa frequência através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), dados mais completos são fornecidos a partir do Censo, cujo último levantamento foi realizado em 2010, e sem previsão de novo levantamento. Tal cenário se mostra bastante prejudicial no contexto de altas taxas de desemprego que o país enfrenta. Outra fonte importante para a temática é a Fundação Seade, que fornece dados importantes sobre as relações de trabalho, que são atualizados com regularidade, mas que se restringem ao estado de São Paulo. O acesso aos dados referentes ao trabalho e gênero, bem como o acesso à cartografia no Brasil são um obstáculo enfrentado frequentemente na elaboração de mapas. Dessa forma, discutir os entraves que se colocam na elaboração e utilização de mapas pela geografia brasileira, principalmente quando se trata das relações de trabalho e de gênero, se faz de extrema importância, ao passo que, identificando tais dificuldades, é possível analisá-las e superá-las, propondo maneiras outras de se utilizar a cartografia e o mapa como instrumentos que sejam capazes de atender às demandas da ciência geográfica. Mais do que superar tais dificuldades, mas também explorar as potencialidades que o mapa oferece enquanto uma representação do espaço geográfico. CALIÓ, S. A. Relações de Gênero na Cidade: uma contribuição do pensamento feminista à Geografia Urbana. São Paulo, Tese (Doutorado em Geografia. FFLCH,/USP, 1991. FONSECA, F. P. A inflexibilidade do espaço cartográfico, uma questão para a Geografia: análise das discussões sobre o papel da Cartografia. Tese (Doutorado em Geografia Física). FFLCH, USP, São Paulo, 2004. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Avaliação da Qualidade de Dados Geoespaciais. Manuais Técnicos em Geociências. No. 13, Rio de Janeiro: IBGE. 2019. ZEILER, M. Modeling our World: The ESRI Guide to Geodatabse Design. California: Esri Redlands, 1999. | 11. Cartografia e representações de mundo | Isabela Bordignon | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 754 | resources/download/restrict/eng2020/1661981275_ARQUIVO_a2b9701a4077f50c427ad8f5b142e6a7.pdf | ||||||||||||||||||
92 | 7174799 | A reprodução crítica do capital no campo e a expansão da pequena propriedade e das relações familiares de sitiantes em Itápolis (SP) (1930-1950) | Introdução Ao longo das décadas de 1930, 1940 e 1950 o campo paulista passou por profundas transformações, porém, não ocorreu propriamente modernização, no sentido do aprofundamento do desenvolvimento de suas forças produtivas, com a ampliação dos níveis de investimento de capital, o que viria a ocorrer apenas a partir dos anos 1960. Neste período, as principais transformações do campo paulista referem-se à expansão da pequena propriedade e a diversificação agrícola (SANTOS, 2019). Objetivos A Grande Crise econômica de 1929 representou ponto de inflexão na marcha cafeeira por sobre o território paulista, de modo que ao longo das décadas seguintes seria verificado em todo o Estado de São Paulo a redução das áreas e plantações cafeeiras. Também Monbeig (1998) observou que a expansão da franja pioneira paulista após a crise de 1929 não estaria mais atrelada ao binômio ferrovias-café. Em seu trabalho, Pierre Monbeig (1998) indicou que a criação de extensa malha rodoviária, a diversificação da produção agrícola paulista (expansão da pecuária e dos cultivos do algodão, do milho, do arroz, do feijão etc.) e a fundação de patrimônios leigos no Oeste Paulista passariam a mover a expansão da franja pioneira no pós-crise de 1929. O autor nos permite observar, ademais, que no pós-1929 a constituição de um mercado de terras no Estado de São Paulo não se daria mais sustentado tão somente pela abertura, compra e venda de grandes fazendas cafeeiras, mas marcado sobretudo pela intensa expansão de loteamentos dedicados à pequenas propriedades, principalmente na franja pioneira, mas também em sua retaguarda, nas regiões já decadentes da cafeicultura. Neste artigo, buscaremos compreender melhor a expansão da pequena propriedade na retaguarda da franja pioneira paulista no pós-crise econômica de 1929. Metodologia Analisaremos a expansão da pequena propriedade no campo paulista entre as décadas de 1930 e 1950 através do estudo do município de Itápolis, localizado na porção centro-norte do estado de São Paulo. Em meados do século XX, a paisagem da região onde se localiza o município, na retaguarda da franja pioneira, era complexa, na medida em que ali estavam mescladas a pequena e a grande propriedade, a agricultura de gêneros e a agroexportadora, as relações de trabalho familiares e o colonato. Através de extensa revisão bibliográfica, de pesquisa em fontes secundárias e de entrevistas de campo buscamos compreender as contradições desta realidade complexa, produto do movimento de reprodução crítica capitalista no campo. Resultados Através de pesquisa em fontes secundárias, observamos que ocorreu ampliação acelerada no número de pequenas propriedades rurais no município de Itápolis no período entre 1930 e 1950. No entanto, ainda que a pequena propriedade agrícola tenha se expandido e predominasse em números absolutos no município, a terra se encontrava ainda relativamente concentrada numa parcela restrita dos proprietários. Em nossas entrevistas com antigos sitiantes e moradores do município, observamos ainda que esta fragmentação fundiária foi seguida pela redução das áreas plantadas com café, com a introdução de pastagens e da pecuária nas propriedades agrícolas de maior porte, particularmente nas terras arenosas onde a cafeicultura já não fornecia renda diferencial, e pela introdução das culturas temporárias (algodão, milho, arroz, feijão etc.), principalmente nos sítios. Deste modo, verificamos que a crise cafeeira de 1929 resultou, para o município de Itápolis, na diversificação agroexportadora e, simultaneamente, ampliou o parcelamento de antigas fazendas de café, expandindo as relações de trabalho baseadas no trabalho familiar dos sitiantes. Após a crise de 1929 o setor imobiliário expandiu-se nas pequenas cidades do Oeste Paulista como mercado de terras, tanto na franja pioneira quanto em sua retaguarda, tal como também observaram Monbeig (1998), Fernandes (1972) e Müller (1951). Para inúmeros proprietários de terras do Oeste Paulista em falência, a venda de glebas de suas propriedades surgiu como solução para a incapacidade de acumulação a partir do agrário, isto é, o fazendeiro via a terra como capital imobilizado, renda capitalizada que não se realizou como acumulação de riqueza. Neste contexto, no interior da economia agroexportadora, uma camada social composta por sujeitos pobres viu-se em condições de acessar a terra, principalmente através do endividamento. O pequeno sitiante enxergou na terra a possibilidade de enriquecer, como possibilidade de acumular os capitais que não havia conseguido durante os anos em que se manteve colono ou trabalhando em outras atividades. Através de nossas pesquisas, verificamos que a conquista da terra, para o sitiante, se apresentou como possibilidade de superação da sua sujeição à violência do trabalho na fazenda, onde o trabalhador deveria render o quanto fosse necessário ao fazendeiro. Por sua vez, o acesso ao sítio, como aparente superação da condição de sujeição ao fazendeiro, sujeitou-lhe à violência da reprodução capitalista de outras formas. A primeira delas, a determinação do preço da terra, que se antecipa à ocupação produtiva do solo e lhe impõe uma reprodução social atrelada ao tempo social médio de produção (MARX, 2017), isto é, que represente a produção de um montante de mais-valor, pela exploração do trabalho familiar, que efetive o pagamento da terra. Assim, no Oeste Paulista, a expansão do mercado de terras no pós-crise de 1929 representou uma forma de expropriação antecipada dos rendimentos dos sitiantes. Esses sítios não estavam atrelados apenas à reprodução de subsistência, eles se determinavam como unidades de produção de mercadorias. Ao entrar na terra, os sitiantes deveriam produzir renda o quanto antes para saldar suas dívidas (preço da terra), de modo que a maior parte dos rendimentos eram transferidos para o pagamento da terra. Eles especulavam, assim, com culturas variadas, mas se dedicavam principalmente à produção cafeeira, como verificamos em nossas pesquisas e entrevistas. Na impossibilidade de gerar o lucro necessário para sustentar suas famílias, os sitiantes tendiam a se endividar com maquinistas, fazendeiros e bancos (MONBEIG, 1998). Observamos que o cotidiano destes sítios em Itápolis em meados do século XX era determinado pela e para a produção de mercadorias e respondia pela valorização do capital financeiro anteposto como mercado de terras. O trabalho destes sitiantes, ainda que fosse fundado na exploração do núcleo familiar, estava sujeitado à produção de mercadorias dentro do tempo médio de trabalho socialmente necessário. Em sua forma aparente, a determinação que fundamentaria a ocupação produtiva da terra por sitiantes se colocaria através da reprodução simples, isto é, como M-D-M, no entanto, como verificamos, era a reprodução ampliada do capital seu fundamento, portanto movimento autonomizado, D-M-D� (MARX, 2013). Deste modo, antes de enxergarmos estes sítios como territórios de reprodução camponesa (PEREIRA DE QUEIROZ, 1973), buscamos demonstrar a sujeição destes sitiantes à reprodução social negativa capitalista. Referências FERNANDES, Liliana Laganá. Bairros rurais do município de Limeira: estudo geográfico. Doutorado, FFLCH-USP. São Paulo, 1972 MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política: Livro III: O processo global da produção capitalista. Trad. De Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2017. MONBEIG, Pierre. Pioneiros e Fazendeiros de São Paulo. São Paulo: Hucitec, Polis, 1998. MÜLLER, Nice Lecocq. Sítios e sitiantes no Estado de São Paulo. São Paulo: Ind. Gráf. José Magalhães, 1951. PEREIRA DE QUEIROZ. Maria Isaura. Bairros rurais paulistas: dinâmica das relações bairro rural-cidade. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1973. SANTOS, Anderson P. Modernização Periférica e Agricultura: crise agrária e contradição campo/cidade no Oeste Paulista � Itápolis (1940-1970). Mestrado. FFLCH-USP. São Paulo, 2019. | 02. Campo e Rural | Anderson Pereira dos Santos | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 1658 | resources/download/restrict/eng2020/1661982486_ARQUIVO_dfb16d06593cca78ff1cc35f6b9fe40c.pdf | ||||||||||||||||||
93 | 5998964 | A sociabilidade e as culturas juvenis em uma cidade pequena: as práticas espaciais das juventudes em Oriente/SP | Este artigo é parte integrante de uma pesquisa de Mestrado na qual analisamos as práticas juvenis e a sociabilidade em cidades pequenas, na elaboração deste artigo em especial, foi desenvolvido um estudo que tem como objetivo analisar as formas de sociabilidade e as práticas espaciais de jovens de diferentes gerações na praça central de Oriente-SP, que refletem em apropriações sobre a praça central da cidade, nos momentos do lazer e entretenimento em diferentes dias e horários do cotidiano da pequena cidade. Assim, observamos a juventude em uma cidade pequena do interior paulista, mais especificamente na região administrativa de Marília, destacando que dentre as muitas questões que as pequenas cidades do interior enfrentam está a falta de inovações no lazer e ócio da população em geral e dos jovens em particular, o que faz com que o tempo livre seja vivido como um tempo de ausência. Para tanto, estudamos: a história urbana dessa cidade pequena, explorando como se realizavam as práticas de sociabilidade juvenil das gerações do passado, das décadas de 80 e 90, comparando as práticas das gerações atuais, investigando a memória local, seus tempos e espaços, para acompanharmos as transformações e permanências. Através de procedimentos de entrevistas e da observação participante, buscamos compreender as práticas dos diferentes grupos juvenis na pequena cidade. Dessa maneira, evidenciamos questões sobre as especificidades dessa cidade pequena no que tange as suas interações espaciais, seus ritmos de vida e seus conteúdos em termos de espaços de encontro e sociabilidade juvenil no presente, destacando que a proximidade desta cidade com a cidade média de Marília-SP, certamente nos levou a considerar também as relações interurbanas nas práticas espaciais e na sociabilidade no tempo livre dos jovens. Compreendemos que o conjunto das práticas espaciais está também envolvido na produção do espaço e da vida social da cidade pequena. O espaço público, deve ser considerado como espaço que possibilita uso comum e coletivo. Os espaços públicos fazem parte do cotidiano dos habitantes nas pequenas cidades, são espaços simbólicos para os moradores, pois é onde encontram-se os diferentes sujeitos. Vale explicitar, também, que partimos de uma análise pautada na existência de distintas classes sociais, pretendendo analisar as diferenças de lazer entre elas. A geografia como ciência tem o papel de analisar, de forma crítica, os processos contemporâneos de transformação urbana. Os usos cotidianos dos espaços públicos e a existência de centros de disputa prática entre jovens de diferentes classes sociais necessitam de diversas análises, explicitando os privilégios e as opressões que entram no jogo das práticas juvenis no tempo livre. Ao analisar os jovens de diferentes gerações e demonstrarmos suas práticas na cidade pequena, consequentemente explicamos aspectos que influenciam o processo de produção do espaço urbano, através de questões sociais e culturais, demonstrando mudanças e permanências nas práticas juvenis. Os estudos geográficos que buscam explorar as influências dos espaços sobre a interação dos sujeitos podem trazer à tona novas características socioespaciais que a urbanização nas pequenas cidades vem gerando sobre as relações sociais, antes não observadas. Consideramos a possibilidade de abordar questões como o consumo de álcool entre as diferentes juventudes e questões que envolvem relações de trânsitos entre as cidades próximas e a cidade estudada, na conformação de espaços e práticas de diversão plurais, complexas e multiconectadas em diversas direções. Entre os procedimentos de pesquisa, destacamos a revisão bibliográfica, pois este procedimento possibilita acessar trabalhos acadêmicos e diversas publicações, assim foi possível encontrar documentos e materiais que possam contribuir no desenvolvimento de nossos estudos. Compõem também esta etapa, o levantamento de dados secundários e as pesquisas documentais, nos institutos e órgãos oficiais, bem como o de fontes históricas nos lugares de memória da cidade (como bibliotecas e museus). Outro dos procedimentos adotados em nossos estudos é a entrevista, que possibilita dialogar de forma mais controlada com os jovens na cidade, registrando informações por meio gravações, para que possamos descobrir quais são as principais práticas espaciais que realizam, suas visões da cidade e dos outros jovens, bem como as relações sociais e espaciais que estabelecem em seu tempo livre. As entrevistas também permitem que acessamos informações sobre a memória de gerações do passado. Nos trabalhos de campo, frequentamos os espaços públicos da cidade, buscando ampla aproximação com os sujeitos estudados, observando as práticas dos jovens na praça central da cidade. A pesquisa observa os sujeitos estudados em seus múltiplos detalhes, analisando suas diferentes formas de interações espaciais e descobrir a conexão íntima que existe entre elas, em uma abordagem multiescalar, observando a relação do fenômeno em suas territorializações. Também entrevistamos jovens de gerações atuais, para compreender as práticas juvenis da atualidade. Para dar conta da geração atual, utilizamos a observação participante, como procedimento fundamental de pesquisa de campo, possibilitando realizar uma descrição densa. Assim explicitamos questões culturais sobre os hábitos dos jovens de diferentes gerações que residem no interior paulista em cidades pequenas, destacando especificamente Oriente � SP, e também demonstramos questões sobre as dimensões dos espaços públicos na pequena cidade, revelando a centralidade da principal praça da cidade. | 09. Cultura, memória e patrimônio | Karin Gabriel Moreno, Matheus Guimarães Lima | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5535 | resources/download/restrict/eng2020/1661892678_ARQUIVO_c0af91f3e0b3f80f3f803de990671e1a.pdf | ||||||||||||||||||
94 | 8366918 | A sujeição da renda da terra em áreas de reforma agrária: apontamentos sobre o acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio | Introdução Desde a colonização, o Brasil tem sido palco de resistências. Sejam resistências dos povos indígenas frente à colonização, resistência negra contra a escravidão ou a resistência camponesa e dos demais povos do campo. Desde a promulgação da Lei de Terras de 1850, os conflitos agrários brasileiros foram acirrados. Canudos, Contestado e diversos outros momentos de organização camponesa e dos povos tradicionais, revelaram que o abismo social presente no sistema de Sesmarias ainda era presente no país, deixando claro o poder do atraso (MARTINS, 1999). O quadro de desigualdade não foi alterado, pelo contrário, intensificou-se durante os anos de ditadura, os quais foram responsáveis pelo desmantelamento das Ligas Camponesas. Foi também neste período, em meados de 1980, que surge no campo brasileiro o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), organizando nacionalmente a luta pela terra e por reforma agrária. É neste emaranhado de reivindicações camponesas, desde Canudos e Contestado, até a atualidade da luta pela terra, que pretende-se compreender a realidade do acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio, localizado no município de Rio Bonito do Iguaçu/PR. Tal acampamento, originado a partir do histórico de luta camponesa contra o latifúndio Giacomet-Marodin, atual Araupel S/A, destaca-se por sua abrangência e organização em diferentes momentos, culminando na divisão dos talhões individuais. É a partir do histórico � aqui destacado de forma suscinta - de luta pela terra no país, até a realidade do acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio, que pretende-se compreender como algumas situações presentes no interior do referido acampamento podem ser entendidas como expressões da sujeição da renda da terra. Da mesma maneira, busca-se entender como estas possíveis situações se desdobram sobre a realidade das famílias camponesas. Para tanto, o presente trabalho apresenta-se em três partes distintas. A primeira destinada a compreender a luta pela terra no Brasil, a influência da Lei de Terras de 1850 no processo histórico de reivindicações, com ênfase nas reivindicações camponesas. A segunda parte do presente trabalho 3é destinada à compreensão do histórico de luta pela terra e por reforma agrária no município de Rio Bonito do Iguaçu/PR, buscando compreender como a resistência camponesa junto ao MST contribuiu para a conquista da terra e a continuidade da luta. A terceira e última parte é destinada a compreensão de possíveis situações de sujeição da renda da terra vivenciadas por famílias camponesas sem-terra do acampamento anteriormente citado. Metodologia O trabalho é proposto a partir de dois eixos metodológicos principais: o levantamento bibliográfico e a utilização de dados coletados em campo. Entende-se o levantamento bibliográfico como instrumento fundamental para a compreensão dos conceitos de sujeição da renda da terra, da questão agrária brasileira e da luta pela terra na realidade investigada. Da mesma maneira, parte das discussões elencadas no presente trabalho, são frutos das analises desenvolvidas desde o ano de 2020, ano de inicio do processo de doutoramento da primeira autora, possibilitando assim, o diálogo entre a realidade percebida e vivenciada e o material bibliográfico utilizado. Para as analises, utiliza-se dados suplementares, coletados através do desenvolvimento de trabalhos de campo entre os anos de 2020 e 2022, pela primeira autora. Resultados A sujeição da renda da terra é, primordialmente, uma manifestação do modo capitalista de produção. O capital, sujeitando a renda da terra, não sujeita apenas esta, mas também o trabalho realizado na terra (MARTINS, 1986). Martins (1986), cita como exemplo a condição do camponês diante do pagamento de empréstimo bancário e a sujeição da renda da terra neste processo. Apesar do exemplo citado pelo autor não estar distante da realidade das famílias camponesas sem-terra, não pode ser considerado como o único fator pelo qual se dá a sujeição da renda da terra. No caso do Acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio, pode-se perceber que a sujeição da renda da terra se dá, principalmente, pela subordinação da produção camponesa. Se tratando da produção leiteira é possível perceber, ainda que de informalmente, a desvalorização do leite produzido pelas famílias Herdeiros da Terra de 1º de Maio, com relação ao produto de famílias dos assentamentos ou de outras localidades do município de Rio Bonito do Iguaçu/PR. O pagamento da produção, em reais por litro produzido, é relativamente menor para as famílias acampadas. A alegação dos laticínios é a instabilidade no fornecimento de energia elétrica, a ausência de comprovante de endereço e do CAD-PRO. Tal prática, no entanto, evidencia a subordinação da produção camponesa a determinadas empresas e a sujeição da renda da terra à estas. Uma vez que, até a conquista do CAD-PRO nos últimos meses do ano de 2021, apenas algumas empresas do ramo lático realizavam a compra da produção camponesa do Acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio, alegando, principalmente, a situação instável de ocupação. Porém, o custo de produção das famílias acampadas aproximava-se ou era superior ao custo de famílias assentadas ou de outras áreas do município citado anteriormente. Sendo assim, estas famílias podem possuir um retorno financeiro menor por seu trabalho. Mesmo que a lógica camponesa vise a reprodução da força de trabalho familiar, o menor rendimento financeiro evidencia a menor possibilidade de sua reprodução, podendo contribuir para a busca de maneiras diferenciadas para a sobrevivência familiar camponesa. Para além da produção leiteira, observa-se que a produção do feijão também evidencia a sujeição da renda da terra. Apesar dos preços estabelecidos previamente pelo Departamento de Economia Rural do estado do Paraná (DERAL-PR), a comercialização da produção para as famílias acampadas ainda possui alguns entraves. Pela ausência de cerealistas que recebam o produto no município anteriormente citado, a comercialização do feijão necessita ser realizada em outros municípios vizinhos, o que dificulta a comercialização direta do produto. Tal fato, facilita o surgimento dos atravessadores, que adquirem o produto camponês por preço menor que o estipulado pelo DERAL-PR, justificando a ação pela quantidade de produto ou pela distância percorrida por estes. A realidade vivenciada pelas famílias camponesas sem-terra do Acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio, retrata não apenas a necessidade de realização de reforma agrária no país, mas também, como podem ser identificadas possíveis situações de sujeição da renda da terra, mesmo em áreas de conflito social. A conquista do cadastro de produtor rural, não exime as famílias camponesas da subordinação de sua produção. Pois, a subordinação da produção camponesa é, a sujeição do trabalho exercido na terra pelo capital. Referências KAUTSKY, K. A questão agrária. 3 ed. São Paulo: Proposta Editorial, 1980. MARTINS, J. S. Os camponeses e a política no Brasil: as lutas sociais no campo e seu lugar no processo político. 3 ed. Petrópolis: Vozes, 1986. _____________. O poder do atraso: ensaios de sociologia da história lenta. 2 ed. São Paulo: Hucitec, 1999. _____________. O cativeiro da terra. 9 ed. São Paulo: Contexto, 2010. WOORTMANN, K. �Com parente não se neguceia�: o campesinato como ordem moral. In: Anuário Antropológico/87. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro, 1990. | 02. Campo e Rural | Jéssica Follmann | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5554 | resources/download/restrict/eng2020/1661986062_ARQUIVO_1eff7948fa87fff09eb66beacdcb8d58.pdf | ||||||||||||||||||
95 | 1479822 | A sustentabilidade ambiental nas edificações da MRV em Uberlândia- MG | INTRODUÇÃO Diante dos desafios do crescimento das cidades e dos problemas relacionados ao meio ambiente, a Organização das Nações Unidas estabeleceu no Acordo de Paris realizado em 2015 a Agenda do Desenvolvimento Sustentável de 2030, um conjunto de objetivos para o desenvolvimento sustentável, dentre eles, tornar as cidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis (NAÇÕES UNIDAS, 2020). O setor da construção civil tem papel fundamental para a realização dos objetivos globais do desenvolvimento sustentável porque a indústria da construção consome recursos naturais e utiliza energia e água, o que gera grandes impactos ambientais. Esses impactos se relacionam ao consumo de matéria-prima, energia, água, geração de resíduos sólidos, líquidos e gasosos. Existe uma estimativa que mais de 50% dos resíduos sólidos gerados pelas atividades humanas sejam provenientes da construção civil. Estes aspectos ambientais, aliados à qualidade de vida que o ambiente construído proporciona, enfatizam as relações entre construção e meio ambiente. O setor possui um papel importante no novo cenário sustentável que está atuando em diversos mercados da economia mundial e brasileira. Esse setor representa uma parcela significativa do PIB do país que corresponde a 4% do valor total, o que o insere como um dos setores que geram impacto positivo na economia brasileira (GIL, 2021). As atividades do setor da Construção Civil geram impactos positivos e negativos na sociedade. Os impactos negativos referem-se aos danos que ocorrem no meio ambiente, devido à alta utilização de recursos naturais, como extração de matérias-primas, consumo de água, energia elétrica e produção de grande volume de resíduos. Além disso, a fase de construção do empreendimento sem os devidos cuidados relacionados às normas de segurança pode afetar a saúde e segurança dos trabalhadores (FARIAS, 2014). Já o impacto positivo da construção civil no Brasil aponta que o setor é formado por aproximadamente 64 mil empresas, empregam dois milhões de trabalhadores, com movimentação de R $224 bilhões de reais anualmente, ou seja, 8,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Almeida e Mendes (2018) aborda que existem várias medidas sustentáveis que podem ser executadas nos empreendimentos, o que inicia no planejamento da obra, gestão da construção e do edifício. Alguns exemplos são: uso da água da chuva, melhor aproveitamento da luz solar, adoção de lâmpadas com menor consumo de energia, tratamento de esgoto, descarte e reciclagem de resíduos, telhado verde, uso de materiais que causem menos impacto na natureza, madeiras de reflorestamento, dentre outros. De acordo com o site eletrônico, a empresa MRV Engenharia é a maior construtora da América Latina, pioneira no mercado da construção civil, e tem como foco a construção de empreendimentos residenciais. Foi fundada em Belo Horizonte, em 1979, pelos sócios Rubens Menin Teixeira de Souza, Mário Lúcio Pinheiro Menin e a Vega Engenharia, com o objetivo de construir e incorporar empreendimentos residenciais na capital mineira com foco na classe média. O nome MRV foi criado a partir das iniciais dos nomes dos 3 sócios e refere-se à MRV Engenharia e Participações, à Prime e à MRL Engenharia. A maioria dos indicadores socioambientais apresentados no relatório anual de sustentabilidade é da MRV Engenharia e Participações. Em relação ao faturamento da empresa e a quantidade de funcionários, em 2020, a receita operacional líquida foi de R $6.6 bilhões, o lucro líquido foi de R$550 milhões, contando com 19.058 funcionários e 294 contratações. Cerca de R$6.9 milhões foram destinados ao Instituto MRV, onde mais de 630 mil pessoas foram impactadas pelos projetos com foco na educação. O percentual de repasse da empresa para o Instituto foi 1% do lucro líquido da MRV&CO. Esse grupo inclui as empresas Luggo, Urba e MRV US (AHS). OBJETIVO O objetivo deste estudo é compreender o processo construtivo das edificações e as práticas de sustentabilidade ambiental da empresa MRV Engenharia em Uberlândia-MG. METODOLOGIA A metodologia consistiu de levantamento bibliográfico sobre os conceitos relacionados a Sustentabilidade Ambiental, Desenvolvimento Sustentável, Espaço Urbano Indicadores Ambientais e edificações sustentáveis; levantamento de dados secundários (relatórios, informações sistematizadas pela Revista Exame e outras), material publicitário, sistematização de dados por órgãos do setor empresarial, dados do site da empresa, do relatório de sustentabilidade da empresa e levantamentos de dados sobre a atuação da MRV em Uberlândia. RESULTADOS A questão ambiental transformou-se num grande negócio, perpassando as atividades econômicas e a lucratividade das empresas, que passam a utilizarem-se dos discursos da sustentabilidade, quando se observa em muitos casos que as boas práticas geralmente se restringem ao seu espaço interno (coleta seletiva, economia de energia, água e materiais recicláveis) com poucos desdobramentos de ações no sentido de mudar as condições sociais e econômicas para além de seu microterritório interno, com poucas implicações na estrutura da cidade, com melhoria das condições de vida da população. Conforme informações disponíveis no site eletrônico, a MRV possui os reconhecimentos que asseguram as melhores práticas do mercado que foram conquistados por três anos consecutivos com o 1º lugar do ranking Inteligência Empresarial da Construção. A MRV foi uma das primeiras construtoras a conquistar a certificação no nível A do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade na Habitação (PBQP-H) e o selo ISO 9001, um dos mais criteriosos e exigentes do mercado e o prêmio Top of Mind em diversas cidades que têm atuação. Desde 2014 a empresa MRV focou o seu trabalho em inovação e transformação digital, investiu mais de R$250 milhões na área de construção civil. No ano de 2019 a empresa teve 37 premiações relacionadas à inovação e sustentabilidade, como exemplo citamos, o Prêmio de Excelência BIM, organizado pelo Sinduscon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo), Sustentabilidade pelo Guia Exame de Sustentabilidade, Prêmio Destaque Construção concedido pela Associação Brasileira das Empresas e Profissionais das Telecomunicações. O reconhecimento pelo Guia Exame de Sustentabilidade em 2019 como empresa mais Sustentável do Setor de Construção Civil demonstra que em 2018, 60% dos empreendimentos lançados pela MRV Engenharia contavam com painéis fotovoltaicos, com meta de chegar a 100% até 2022). Obteve também, o reconhecimento pela CDP (Disclosure Insight Action) devido à redução de impactos ambientais. Além desta prática sustentável, os compromissos voluntários com a sustentabilidade melhoram o desempenho ambiental da empresa, que desde 2016, é signatária do Pacto Global da ONU, contribui com os objetivos do desenvolvimento sustentável, possui o compromisso com Agenda 2030 do Acordo de Paris e a empresa é listada no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3, Bolsa de Valores do Brasil. REFERÊNCIAS ALMEIDA. Érica Del Fiaco; MENDES, Stephanie Lorraine Carvalho. Estudo sustentável das construtoras de Anápolis. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) � UniEvangélica, 2018. FARIAS, Angelica Carina de Andrade. Sustentabilidade empresarial: estudos de casos na construção civil de Campina Grande-PB. 2014. 125f. Dissertação (Mestrado em Administração). Universidade Federal da Paraíba. GIL, Lucas Almeida. Análise da conjuntura de incorporadoras e construtoras frente ao movimento Environmental, Social and Governance � ESG no Brasil. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2021. MRV. História. Belo Horizonte, 2021. Portal: MRV. Disponível em: https://www.mrv.com.br/institucional/pt/a-mrv/historia. Acesso em: 20 jan. 2021. MRV. MRV celebra 37 premiações conquistadas em 2019. Belo Horizonte, 2020a. Portal: MRV. Disponível em: https://www.mrv.com.br/institucional/pt/relacionamentos/releases/mrv-celebra-37-premiacoes-conquistadas-em-2019. Acesso em: 20 jan. 2021. NAÇÕES UNIDAS (Brasil). Transformando nosso mundo: a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável. [S. l.]: Nações Unidas, 2020. Disponível em: https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/. Acesso em: 13 set. 2020. | 10. Geografia física e meio ambiente | Oracilda Aparecida de Freita | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5745 | resources/download/restrict/eng2020/1659469567_ARQUIVO_a1b5e2283e40c9d1477276571f038197.pdf | ||||||||||||||||||
96 | 1947338 | A Terceira Via presente no Agronegócio: o discurso sobre sustentabilidade como agroestratégia | Introdução: Uma das pautas mais discutidas nos últimos anos no Brasil é sobre a polarização política-ideológica vigente no debate público, sobre ser de direita ou ser de esquerda. Essa polarização tem ocasionado a divisão da população e também sobre como abordar temas diversificados, tanto culturais, como também sociais e econômicos do cotidiano do brasileiro. Afinal, são concepções antagônicas que embaralham a compreensão de quem não tem formação crítica sobre essa relação dicotômica, isso é um fato. Para Giddens (2007), essa divisão se caracteriza essencialmente pelas diferenças nos valores políticos, sobre estar no polo da esquerda é desejar uma sociedade solidária e inclusiva, em que nenhum cidadão seja deixado de fora. É comprometer-se com a igualdade e acreditar que temos a obrigação de proteger e zelar pelos membros mais vulneráveis da sociedade. Como adendo crucial, isso envolve a crença de que a intervenção do governo é necessária para alcançar tais objetivos. Os direitistas tendem a negar cada uma dessas proposições. Nesse sentido, com a polarização das ideias cada vez mais forte, um movimento que se define como o equilíbrio e solução entre os conflitos destas duas vertentes têm ganhado espaço e escopo no debate político, a chamada Terceira Via. E essa tendência tem aparecido nos últimos anos também através do agronegócio, como um movimento que apresenta a sustentabilidade como uma agroestratégia. Com a hegemonia do capitalismo hodierno, e suas diversas formas de apropriação existente em diversos setores da sociedade, para o setor de produção alimentar fica evidente a ascensão de produção de alimentos orgânicos também pelo agronegócio. O agronegócio não pode se dar somente na esfera da produção agrícola ou pecuária, pois ele se efetiva por meio de um conjunto de �agroestratégias� (ALMEIDA, 2010). Por essas estratégias, compreende-se a manutenção de suas crises estruturais. Objetivo: Analisar os pressupostos teóricos que exemplificam como a Terceira Via, assim como o Agronegócio, se apropriam de questões sustentáveis para atender a seus interesses econômicos e seus rebatimentos no espaço geográfico. Metodologia: Primeiro realizamos um amplo levantamento bibliográfico utilizando o portal de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), do Ministério de Educação do Brasil (MEC) para servir como base de toda a teorização proposta, e para isso foram elencadas as seguintes palavras chave: Terceira Via, regime alimentar corporativo e agronegócio. Vale destacar que também utilizamos materiais desenvolvidos na Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" encontrados em seu Repositório Institucional. Os arquivos foram fichados tecnicamente e utilizados na discussão do tema proposto. Resultados: Pela Revolução Verde, o ideário produtivista se tornou notório pela gama da utilização máxima dos recursos produtivos, não só por meio de biotecnologia avançada, mas também no desenfreado ideal de desenvolvimento no campo, com exploração máxima dos recursos naturais e utilização de agrotóxicos na produção de commodities. O alimento pela Revolução Verde, tornou-se uma moeda, algo capitalizado. Dessa forma, vale também abordar o Regime Alimentar Corporativo (McMICHAEL, 2016), para que possa ser compreendida as diferentes formas com que o alimento é tratado pelo agronegócio, a vertente neoliberal no campo. Vertente essa que é capitaneada por grandes corporações atuantes no território brasileiro, em uma complexa cadeia de relações comerciais que também alteram as relações territoriais, culturais e também sociais de onde se instala. Com a utilização máxima dos recursos naturais e produtivos nas últimas décadas, e com a notória emergência de preservação ambiental debatida nos últimos anos, as formas estruturais de produção do alimento pelo agronegócio também tendem a mudar. Assim sendo, existe uma mutação nas formas produtivas e a ascensão da ideia de que o agronegócio incentiva, por meio de suas técnicas, uma agricultura sustentável. Seu principal objetivo é a manutenção da produtividade agrícola com o mínimo possível de impactos ambientais e com retornos econômico-financeiros adequados à meta de redução da pobreza, atendendo, dessa maneira, às necessidades sociais e econômicas das populações rurais e da cidade através de uma produção alimentar segura e sustentável (SOUZA, 2004), discurso esse aprestado também pela Terceira Via, em que o Estado e o Poder Privado devam criar políticas que lidem com a crise ambiental (GIDDENS, 2007), o capitalismo verde é emergente como forma produtiva, e o conceito de sustentabilidade ganha muita força pela Terceira Via e o Agronegócio. Uma relação perigosa que denota a apropriação de práticas sustentáveis que antes estavam sendo utilizadas como recursos de segurança alimentar e soberania alimentar pela população camponesa e movimentos de luta pela terra, e que agora estão sendo apropriados pelo agronegócio como resolução de suas crises estruturais. O alimento orgânico transformado em mercadoria, valioso por ser orgânico, por isso merece ser exportado e escoado para o mundo e para elites, e não como forma de segurar ao trabalhador brasileiro o acesso por um alimento de qualidade e também de práticas realmente sustentáveis. O capital transformou a questão ambiental em um grande negócio (HARVEY, 2016) e a produção de alimentos orgânicos é uma tendência que nos próximos anos se tornará prioridade para o mercado alimentar global corporativo, principalmente quando estes estão cotados por valores altíssimos nas bolsas de valores de todo o mundo, além também de fazer parte dessa onda sustentável, que vêm junto às novas demandas produtivas do setor, pertencendo e legitimando o movimento denominado Terceira Via, presentes nos diversos setores políticos do território brasileiro. Referências ALMEIDA, A. W. Agroestratégias e desterritorialização: os direitos territoriais e étnicos na mira dos estrategistas dos agronegócios. In: ALMEIDA, A. W. et al. (Eds.). Capitalismo globalizado e recursos territoriais: fronteiras da acumulação no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Lamparina, p. 101�143. 2010. GIDDENS, A. O debate global sobre a terceira via. São Paulo. Editora UNESP, 2007. HARVEY, D. As 17 contradições e o fim do capitalismo. São Paulo: Boitempo, 2016. HARVEY, D. Novo imperialismo. São Paulo: Loyola, 2004. IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Divisão regional do Brasil em mesorregiões e microrregiões geográficas. Volume 1. Rio de Janeiro: Departamento de Geografia, 1990. IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Divisão regional do Brasil em regiões geográficas imediatas e regiões geográficas intermediárias. Rio de Janeiro: Coordenação de Geografia, 2017. McMICHAEL, P. Regimes alimentares e questões agrárias. Tradução de Sonia Midori. 1. Ed. São Paulo: Editora Unesp e UFRGS, 2016. 256p. SOUZA, F. C. C. Repensando a Agricultura: o enfoque da sustentabilidade como padrão alternativo à Agricultura Moderna. HOLOS, Ano 20, outubro/2004. MINAS GERAIS. Regiões de planejamento, 2010. Disponível em: https://www.mg.gov.br/sites/default/files/paginas/arquivos/2016/ligminas_10_2_02_regplan_listamunicipios.pdf. Acesso em: 25 fev. 2022. | 02. Campo e Rural | Rodrigo de Paulo Souza e Silva, Leticia Fogliene de O. Silva | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5552 | resources/download/restrict/eng2020/1661999455_ARQUIVO_64e1a80889e2384adb67f1fd9085b6e7.pdf | ||||||||||||||||||
97 | 9451994 | A territorialização da luta pela terra no cotidiano das famílias acampadas do Helenira Resende Marabá-PA | Introdução Os acampamentos são produtos da luta de movimentos socioterritoriais que visam à reforma agrária, logo, almeja-se a igualdade de direito ao acesso à terra e de um desenvolvimento econômico-político pautado na agricultura camponesa. Visto que nos últimos anos tem se intensificado os conflitos em torno da luta pela terra no sudeste do Pará, buscamos analisar as estratégias de territorialização da luta pela terra utilizada pelos movimentos socioterritoriais, em particular o MST. Para tal escolhemos estudar o acampamento Helenira Resende, organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), localizado no município de Marabá-PA, que possui uma realidade emblemática, que desenrola na resistência à três despejos. A pesquisa esmera analisar as estratégias de territorialização na luta pela terra, tendo como objeto de análise o acampamento Helenira Resende organizado pelo MST, considerando suas articulações internas (dentro do acampamento), bem como suas interações externas, alçando mobilizar outras escalas geográficas como a regional, nacional e a global. Além disso, identificar as principais formas de desarticulação territorial do acampamento empreendida pelo Estado e o Grupo Santa Barbara Xinguara S.A, buscando analisar a reprodução socioeconômica das famílias acampadas como resistência ao modelo de desenvolvimento agropecuário no sudeste paraense. Visando melhor compreender a particularidade dos conflitos agrários na sub-região Sudeste Paraense, necessitou-se aprofundar o estudo no processo de formação territorial da sub-região, enfatizando os acampamentos enquanto estratégia de territorialização dos movimentos socioterritoriais. Para esse fim, realizou-se uma revisão histórica e teórico-metodológica, com o intuito de refinar a interpretação sobre a territorialização da luta pela terra. Igualmente se utilizou da análise documental a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Comissão Pastoral da Terra (CPT), do MST e da Vara agrária de Marabá. Com o intuito de identificar as estratégias cotidianas empregadas pelo movimento, realizou-se um estudo de caráter etnográfico. Realizou-se também a aplicação de questionários junto aos acampados, além de entrevistas semi-estruturadas com lideranças do MST e acampadas(os). Salientamos que a pesquisa se encontra em desenvolvimento, logo, nem todas as etapas metodológicas foram totalmente concluídas, pois estão sendo implementadas gradativamente. A realidade do espaço agrário na sub-região sudeste paraense vem passando por um acirramento dos conflitos agrários em decorrência da forte disputa territorial manifesta em lógicas de apropriações distintas da terra, ou seja, de um lado o projeto agropecuário e mineral, altamente articulado ao mercado internacional e ao capital financeiro por trabalhar com commodities, por outro lado, os movimentos socioterritoriais ao desenvolverem diversas estratégias de luta pela terra � dentre elas se destaca as ocupações de fazendas com indícios de irregularidades que levam a construção de acampamentos, a exemplo do Helenira Resende � que visam o modelo de desenvolvimento econômico pautado na agricultura voltada para a reprodução familiar e mercado de excedentes (MARTINS, 2009) destinando seus produtos para feiras e mercados locais e/ou regionais. Em virtude do aumento significativo da violência no campo (MIRANDA, 2019) via ameaças e assassinatos de lideranças ou mesmo chacina nos acampamentos existentes na sub-região acreditou-se ser de fundamental importância estudar os acampamentos já que se configura como um enclave no atual modelo de desenvolvimento econômico da sub-região. O Helenira Resende é um acampamento organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o qual se encontra nas dependências das Fazendas Cedro, Fortaleza e Rio Pardo � a existência de três área de ocupação por um único grupo de família talvez cause estranheza, mas isso reflete a mobilidade que grupo realizou durante os despejos vivenciados nos onze anos de acampamento � pertencentes à Agropecuária Santa Barbara Xinguara S.A, localizadas às margens da Rodovia Federal BR-155, à 50 km da cidade de Marabá. É importante frisar que o acampamento Helenira Resende se encontra em uma realidade antes considerada �terra dos castanhais� (EMMI, 2002) que na sua estrutura fundiária apresenta uma grande concentração de terras e possui um histórico de apropriação irregular de terras da União, sendo este os fatores que levou à ocupação. Como afirma Miranda (2019) os acampamentos são considerados territórios contra-hegemônicos que visam desenvolver um contradiscurso à lógica empregada pela agropecuária e mineração na sub-região. O Helenira Resende surge da estratégia utilizada pelo MST em ocupar áreas com indícios de grilagem e irregularidades. �MST é um movimento socioterritorial que desenvolve metodologias e trabalho de base para que assim, um dos seus objetivos (a conquista da terra de trabalho) seja alcançado� (FERNANDES, 2001). No decorrer dos onze anos de acampamento as famílias acampadas já vivenciaram três despejos e atualmente tem-se uma nova reintegração de possa para a área da Fazenda Fortaleza onde se encontram entorno de cento e oitenta a duzentas das 360 trezentas e sessenta famílias sem-terra. Dessa feita, é notório que as estratégias de resistência e permanência do movimento foram exitosas, o que nos leva a entender que apesar das condições precarizadas e incertas e da sociabilidade forçada (TURATTI, 2005) há uma constante elaboração de estratégias que afirmem a territorialidade desses sujeitos (SACK, 1986). O acampamento Helenira Resende pelos seus onze anos de territorialização, pelos seus diversos processos de des-re-territorialização manifestos nas várias reintegrações de posse, que consideramos ser em verdade despejos, pois há nitidamente irregularidades, apresenta elementos importantes para analisar a sua territorialidade, no que tange as relações de poder que estão estabelecidas entre liderança-liderando, da organicidade das famílias sem-terra enquanto sujeitos coletivos, bem como identificar as articulações existentes entre os movimentos sociais/MST e movimentos sindicais/Fetagri. | 02. Campo e Rural | Beatriz Andrade Cardoso | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 1572 | resources/download/restrict/eng2020/1661907011_ARQUIVO_a6cd0935317b8c35dfc8a587de6b80b3.pdf | ||||||||||||||||||
98 | 7865554 | A territorialização do Agronegócio canavieiro e a Redução da Abelha Mamangava: O caso do Assentamento Santa Rita, Tupi Paulista/SP. | Introdução: A territorialização desenfreada das monoculturas compromete a existência de diversas espécies, dentre as quais, as abelhas. O agronegócio canavieiro altera o equilíbrio dos ecossistemas locais, causando a morte de uma diversidade de espécies não-alvo, o que inclui inúmeros agentes polinizadores. Dentre estes, a abelha Mamangava constitui uma espécie sensivelmente ameaçada, posto que a mesma pressuponha da existência de áreas minimamente preservadas para a sua reprodução. Com a substituição da diversidade característica do território camponês pela monotonia do território canavieiro, surgem problemas ambientais e sociais, uma vez que a expansão da cana-de-açúcar demanda a ocupação de áreas antes ditadas por outras dinâmicas e processos. Isso nos permite pensar as disputas pelo controle de diferentes frações do espaço, ou seja, as disputas territoriais. Para Santos (2002), o espaço compreende um conjunto indissociável de sistemas de objetos e ações, no qual os sistemas de objetos são representados pelos objetos naturais, como rios montanhas, florestas, entre outros, enquanto os sistemas de ações seriam representativos das relações sociais, ou seja, as ações humanas. A expansão da agroindustria canavieira e das suas atividades, principalmente em relação à aplicação de agrotóxicos, tanto por via aérea quanto terrestre, impõe novos processos e dinâmicas. Isso faz com que todas as atividades do entorno tenham as suas dinâmicas reformuladas, posto que os seus efeitos sejam �compartilhados� independentemente da vontade dos agricultores que estejam �no caminho� da expansão. Nesse contexto, a expansão do agronegócio canavieiro e das práticas predatórias de pulverização (aérea e terrestre) de agrotóxicos implica na redução da população de diversos agentes polinizadores. Dentre estes, devido às suas características específicas (tamanho, comportamento semi-social, reduzida capacidade de vôo, entre outras), a abelha mamangava é um daqueles que apresentam maior tendência de declínio (MALASPINA, 2009; FREITAS, 2010). Essa assertiva foi verificada, também, em um estudo de caso realizado por nós no Assentamento Santa Rita, que fica localizado no município de Tupi Paulista/SP no ano de 2019 (VALÉRIO, 2019), oportunidade na qual foram observados diversos relatos acerca das dificuldades de produzir alguns tipos específicos de cultivos, como no caso do maracujá. Este estudo identificou, com base em relatos e observações, uma íntima relação entre o período de expansão da atividade canavieira e a redução da presença de abelhas mamangava nos maracujazeiros, com implicações na redução da produtividade e qualidade da fruta. Diversos estudos, de diferentes áreas do conhecimento, apontam o uso indiscriminado de agrotóxicos em áreas rurais como um dos principais causadores de mortalidade e toxidade das abelhas. Os agrotóxicos usados em larga escala, devido aos efeitos de toxidade, podem afetar a atividade das abelhas, reduzindo o seu movimento e, no limite, levando a morte. Mesmo em baixas concentrações, ao longo do tempo os efeitos crônicos provocam alterações no sistema nervoso das abelhas, com implicações na redução da polinização (MALASPINA 2009). Objetivos: Verificar a validade da hipótese de que a expansão da cana-de-açúcar e do modus operandi que caracteriza as suas atividades, afeta de maneira negativa a população de abelhas mamangava e, com isso, a redução da produtividade do maracujá. Metodologia: Para cumprir os objetivos estabelecidos utilizaremos tanto dados e informações primárias, obtidas por meio de observações, entrevistas e questionários, quanto secundárias, com especial atenção para o Instituto de Economia Agrícola (IEA); a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA); o Censo Agropecuário do IBGE, entre outras. Além disso, realizaremos uma revisão bibliográfica acerca do tema abordado. Resultados: Nossa pesquisa de mestrado ainda está em estágio inicial, porém como é uma continuidade do trabalho de conclusão de curso, apresentamos alguns resultados desse estudo no presente resumo. Entendemos que as mudanças que o homem têm imposto ao seu ambiente vem reduzindo a abundância de abelhas, colocando em risco a produção de alimentos e a preservação de muitos ambientes naturais e das espécies que neles habitam. É urgente que se reconheça as abelhas e outros animais polinizadores como essenciais para a sustentabilidade da produção mundial de alimentos. A abelha é, nesse contexto, elemento mediador dos processos e indicativo da qualidade ambiental, que pode ser mais ou menos favorável ao cultivo do maracujá, o que pressupõe considerarmos a situação geográfica dos territórios nos quais são praticados os cultivos. Para Silveira (1999), a situação geográfica decorre de um conjunto de influências sobre determinado recorte territorial, dando origem a encontros contraditórios entre diferentes propostas de produção do espaço. Como cultivo hegemônico em terras paulistas, a cana-de-açúcar destinada ao processamento industrial tem o seu movimento de expansão para a região Oeste do estado relacionado a ações e políticas que favoreceram a substituição de práticas e culturas anteriormente praticadas pela formação de grandes canaviais, assim como a instalação de novas usinas e destilarias, com Programas como o Programa Nacional do Álcool (PROÁLCOOL) e o Plano de Desenvolvimento do Oeste do Estado de São Paulo(PRÓ-OESTE), por exemplo (BRAY, 2000). Em Valério (2019), identificamos diversos relatos de camponesas e camponeses que apontam para a redução da abelha mamangava como um dos fatores limitantes para a produção de determinados cultivos, em especial no caso do maracujá. Isso porque, de acordo com os agricultores entrevistados, essa abelha é uma grande �aliada� na produção do maracujá, uma vez que a sua redução implica na necessidade de contratação de mão-de-obra para realizar a polinização de maneira manual, o que aumenta os custos de produção, reduz a efetividade dos processos de polinização e, consequentemente, a produtividade dos cultivos praticados. No que se refere especificamente ao maracujá, dados do Censo Agropecuário (IBGE, 2006 e2017) apontam que entre 2006 e 2017 houve uma redução da produtividade da fruta no estado de São Paulo, de 8,5 para 6,8 toneladas por hectare, o que representou um declínio de aproximadamente 20%. Concomitantemente, a cana-de-açúcar registrou aumento de mais de 50% na área colhida, colocando elementos para pensar as influências da expansão canavieira para a prática dos demais tipos de cultivo. A queda da produtividade do maracujá, apontada pelos agricultores entrevistados em Valério (2019) e reforçada pelos dados do Censo Agropecuário (2006 e 2017) na escala do estado de São Paulo, aponta para os efeitos de uma situação geográfica limitante para a prática deste cultivo, indício da existência de influências externas, no caso em questão, o modus operandi do agronegócio canavieiro. De tal modo, além de todos os impactos ecológicos e sociais derivados da expansão da cana-de-açúcar, é possível também estimar os impactos econômicos oriundos da diminuição deste importante �serviço� prestado pelas abelhas. Referencias: BRAY, S. C.; FERREIRA, E. R.; RUAS, D. G. G. As políticas da agroindústria canavieira e o Proálcool no Brasil. Marília: UNESP, 2000. MALASPINA, O. Efeitos provocados por agrotóxicos em abelhas no Brasil. Ribeirão Preto: Alínea, 2009. OLIVEIRA, A. U. de. Barbárie e Modernidade: As transformações no campo e o agronegócio no Brasil. Terra Livre. n. 21. São Paulo: AGB, 2003. ¬¬SANTOS, M. A Natureza do Espaço. Técnica e Tempo, Razão e emoção. São Paulo: Edusp, 2002. SILVEIRA, Maria Laura. Uma situação geográfica: do método à metodologia.Revista Território, ano IV, n.6: p.21-28, jan/jun. 1999. VALÉRIO, D, F. Por uma primavera menos silenciosa: A territorialização da cana-de-açúcar e a redução da abelha mamangava no assentamento Santa Rita, Tupi Paulista/SP. Trabalho de conclusão de curso, Universidade Estadual Paulista. Presidente Prudente, 2019. | 02. Campo e Rural | Daniela Ferarrezi Valério | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5923 | resources/download/restrict/eng2020/1661978350_ARQUIVO_8ddbd6b1e77c903eab0aa838dc73941b.pdf | ||||||||||||||||||
99 | 3858421 | A territorialização do Bem Viver no campo brasileiro: produzindo escalas geográficas com e na terra | Introdução O Bem Viver é uma forma de construir e organizar coletivamente novas formas de vida a partir de uma proposta civilizatória que rompe com o ideário capitalista, configurando-se em uma alternativa ao desenvolvimento (ACOSTA, 2016). Neste contexto, o desenvolvimento é entendido enquanto invenção histórica composto por formas de conhecimento, subjetividades e sistemas de poder (ESCOBAR, 2014) que permitem consolidar o controle social (MONTENEGRO-GÓMEZ, 2006), servindo de base estrutural para a reprodução do capital por meio de discursos e práticas que reverberam na produção de escalas do e para o capital (SMITH, 2000). No entanto, existe uma diversidade de grupos sociais com identidades territoriais específicas que praticam e vivenciam o Bem Viver no campo brasileiro, desde povos e comunidades tracionais até movimentos sociais de luta pela terra. Ele está enraizado no modo de vida de diferentes grupos sociais do campo, a partir de múltiplos territórios e territorialidades (HAESBAERT, 2008) que materializam propostas que colocam a vida no centro em detrimento da lógica destrutiva do capital. Logo, a territorialização do Bem Viver produz escalas geográficas com e na terra, ao modificar as relações entre a casa, a comunidade, a nação e o globo, confrontando-se com a escala do capital, que atua em diferentes dimensões e é produtora de injustiças ambientais. Considerando que a escala é uma resolução geográfica de processos sociais contraditórios de competição e cooperação, sua produção e reprodução expressam tanto a disputa social quanto a geográfica para estabelecer fronteiras entre diferentes lugares, localizações e sítios de experiência. A construção do lugar implica a produção da escala e ela é o critério de diferença. Neste sentido, a construção da escala não é apenas uma solidificação ou materialização espacial de forças e processos sociais, mas produtora de processos sociais específicos (SMITH, 2000). Se são os territórios e os atores que produzem as escalas geográficas, pode-se afirmar que o capital enquanto relação social (GUTIÉRREZ AGUILAR, 2019) produz políticas escalares que excluem, criando territórios corporativos de exceção e zonas de sacrifício e indiferença (CRUZ; MALHEIRO, 2019), a partir de atividades econômicas moderno-coloniais como a mineração e o agronegócio, por exemplo. Estas, afetam diretamente a escala do corpo (saúde física e mental) e da comunidade (transformações no território causados pela ação desses atores hegemônicos) de diversos sujeitos que tem na natureza a base para a sua existência. Além disso, operam nas escalas da nação e do globo, a partir do poder de determinadas empresas transnacionais vinculadas ao setor de produção de sementes, agrotóxicos e maquinários e ao extrativismo mineral, nas alianças com o próprio Estado, sem falar no aparato ideológico que produz discursos e práticas sociais para sustentar esse modelo (ESCOBAR, 2014). Logo, são escalas que se manifestam à parte da natureza e sob territórios e sujeitos coletivos, impondo uma única lógica, a do capital. Em contrapartida, o Bem Viver produz escalas geográficas com e na terra porque são as pessoas em seus territórios nos seus processos de resistências e r-existências que produzem formas diversas de estabelecer e ampliar identidades com conexões entre a escala do corpo, da comunidade, da nação e do globo. Elas vivem formas específicas de subverter a relação do capital e de mudar o mundo (GUTIÉRREZ, 2019), sendo, portanto, escalas que se manifestam com a natureza em articulação com os territórios de vida e com os sujeitos que nele vivem, florescendo a partir de diferentes formas de pensar o mundo, o território e a produção da vida. A territorialização desses bem viveres são uma realidade que reverberam do modo de vida de sujeitos coletivos distintos e das suas lutas por terra e território na defesa dos bens comuns da natureza, e, portanto, vinculam-se com todos os sujeitos que travam lutas ecológicas pelo território, ao concebê-las enquanto lutas pela natureza e entendê-la enquanto base material e simbólica para a existência dos grupos sociais do campo de diferentes territorialidades. Foi possível identificar que o Bem Viver não se apresenta como modelo único a ser seguido, mas enquanto bem viveres, isto é, propostas comunitárias que colocam a vida no centro e que emergem de diferentes territórios, produzindo escalas geográficas com e na terra. Objetivos O objetivo do artigo é propor reflexões acerca da territorialização do Bem Viver nas fissuras, a partir da diversidade dos sujeitos coletivos do campo que ao materializar bem viveres específicos reconfiguram a trama social e produzem escalas geográficas com e na terra. Para tanto, os objetivos específicos são a) debater acerca do modelo civilizatório de degradação da vida e apontar para a emergência do Bem Viver; b) ressaltar a diversidade de Bem Viveres no campo brasileiro; e, c) tratar da relação entre Bem Viver e a produção de escalas geográficas com e na terra. Metodologia O trabalho adota os moldes da pesquisa teórico-bibliográfica de cunho qualitativo, sendo a área de abrangência a da Geografia Agrária e Geografia Socioambiental. Resultados O modelo civilizatório de degradação da vida se fundamenta no ideário capitalista e no projeto de des-envolvimento enquanto a proposta do Bem Viver se estabelece na diversidade de práticas comunitárias que colocam a vida no centro. Portanto, existem bem viveres que estão territorializados no campo brasileiro e materializam alternativas ao desenvolvimento, consolidando formas de enfrentamento à lógica destrutiva do capital a partir de formas específicas de construção do pluriverso, maneiras diversas de dizer que o território é a própria vida e a vida não se vende, se ama e se defende. Logo, tais bem viveres produzem escalas geográficas com e na terra, modificando e produzindo relações entre a escala do corpo, da comunidade, da nação e do globo, desde a diversidade de identidades territoriais dos sujeitos coletivos do campo brasileiro. Referências ACOSTA, Alberto. O bem viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. São Paulo: autonomia literária, Elefante, 2016, p. 69-141. ESCOBAR, Arturo. La invención do desarrolo. Traductora Diana Ochoa. 2 ed. Edición Popayán: Universidad del Cauca, 2014. Disponível em: <http://www.unicauca.edu.co/editorial/sites/default/files/librosDigitales/la_invencion_del_desarrollo.pdf> Acesso em: 20 mar. 2022. GUTIÉRREZ AGUILAR, Raquel . Común, ¿hacia dónde? Metáforas para imaginar la vida colectiva más allá de la amalgama patriarcado capitalismo y dominio colonial. In: El APANTLE. Madrid: traficante de sueños. Disponível em: <https://www.traficantes.net/sites/default/files/pdfs/TDS-UTIL_Apantle_web.pdf> Acesso em: 20 mar. 2022. HAESBAERT, Rogério. Dos múltiplos territórios à multiterritorialidade. In: HEIDRICH, A. L.; COSTA, B. P.; PIRES, C. L. Z.; UEDA, V. (orgs). A emergência da multiterritorialidade: a ressignificação da relação do humano com o espaço. Porto Alegre: UFRGS, 2008. ARÁOZ, Horacio Machado. La �Naturaleza� como objeto colonial. Una mirada desde la condición eco-bio-política del colonialismo contemporâneo. Onteaiken, n. 10. Boletín sobre prácticas y estudios de acción colectiva. Publicación del Programa de Estudios sobre acción colectiva y conflito social. Centro de Estudios Avanzados, Universidad Nacional de Cordoba. Córdoba, 2010. p. 35-47. MONTENEGRO GÓMEZ, Jorge Ramón. Desenvolvimento em (des) construção: narrativas escalares sobre desenvolvimento territorial rural. 2006. 438 f. Tese (doutorado) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências e Tecnologia, 2006. Disponível em: <https://repositorio.unesp.br/handle/11449/105042> Acesso em: 20 mar. 2022. PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. O desafio ambiental. Rio de Janeiro: Record, 2004. SMITH, Neil. Contornos de uma política espacializada: veículos dos sem-teto e produção geográfica espacializada. In: ARANTES, Antônio A. (Org). O espaço da diferença. Campinas: Papirus, 2000, p. 133-159. WALSH, Catherine. Pedagogías Decoloniales: prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir. Quito: Ediciones Abya-Ayala, 2013. | 02. Campo e Rural | Camila Campos de Lara Jakimiu | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 5541 | resources/download/restrict/eng2020/1658164096_ARQUIVO_b7cbc7f4dab9445dc90ccaae5e8baa0c.pdf | ||||||||||||||||||
100 | 8969493 | A territorialização do campesinato em Campo do Meio � MG | Introdução O conflito por terras no campo é uma herança histórica, enraizada no Brasil desde a colonização, causando consequências nos dias atuais. De acordo com dados da OXFAM (2016), o país é considerado o �paraíso dos latifúndios�, com mais de 40% da terra concentrada em menos de 1% das propriedades. Isso resulta em intensas disputas por território entre o agronegócio, que expande sua fronteira visando a produção e lucro e o campesinato, resistente às imposições do sistema neoliberal pautadas na desigualdade, visando uma produção de qualidade. Ademais, a forma de territorialização dos dois sistemas é ocupar o território, porém de formas completamente distintas e conflitivas. O campesinato se territorializa através dos assentamentos rurais e o capital através do agronegócio (COCA, 2013). Esses assentamentos impedem ao menos no âmbito legal o avanço do capital e do agronegócio nas regiões onde foram implantados, pois as famílias assentadas nestas áreas são responsáveis pela preservação e manejo destas terras (FERNANDES, 2007). Por conta desse fator é de grande relevância estudar e tentar compreender, mesmo que de forma inicial, como esse processo de territorialização e desterritorialização vem se manifestando no campo, principalmente de forma local, analisando essas questões territoriais no município de Campo do Meio, localizado na região do Sul de Minas Gerais, onde existem dois assentamentos, Primeiro do Sul e Nova Conquista II, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), o qual resiste na luta pela terra e pela Reforma Agrária Popular. Objetivo: Entender como o campesinato se articula e se mantém presente perante sua territorialização em Campo do Meio-MG, e consequentemente diante da desterritorialização do agronegócio, compreendendo todas as dinâmicas desse processo. Metodologia: Foi realizado para a elaboração do trabalho um levantamento bibliográfico abarcando dissertações e artigos publicados em periódicos, artigos publicados em anais de evento científicos. Utilizando as seguintes fontes de informação: Google Acadêmico, Researchgate, Academia.edu. Portal de Periódico da CAPES, Rede DATALUTA (Banco de Dados da Luta pela Terra), entre outras. Também foi utilizado para desenvolver o levantamento documental, materiais elaborados por organizações não governamentais. Resultados: Com o intuito de romper com o avanço do capital do campo, o campesinato se articula por meio de ocupações. Nessa luta socioterritorial, um pedaço de território é resgatado do capital que pode tentar recuperá-lo pela subordinação da renda da terra ao capital. Ocupam a terra para permanecer nela, resistindo contra as investidas do capital (MOREIRA, 2017). Sendo essa ocupação ou por acampamentos ou por assentamentos. Essas ocupações são lideradas por movimentos sociais. Uma das atividades do movimento consiste a ocupação de terra foi e é a principal estratégia do movimento camponês na luta pelo acesso à terra. Dessa forma os movimentos sociais pressionam o Estado a dar respostas imediatas par a resolução dos conflitos fundiários e implanta projetos de assentamentos. (DINIZ, 2010). Dentro disso, é possível afirmar que os assentamentos rurais, são a principal forma de resistência ao sistema vigente e considerados trunfos e triunfos. São trunfos porque representam a conquista do território por parte dos camponeses, rompendo em parte com a hegemonia do capital sobre o campo. São triunfos porque representam referências para lutas futuras, de modo que o histórico de resistência das famílias sem-terra para que eles fossem conquistados serve como incentivo para aqueles que ainda não acessaram a terra (FERNANDES, 2005). Essa resistência, também se faz presente na área rural de Campo do Meio. De acordo com Coca et al (2018), o Acampamento Quilombo Campo Grande, foi formado em 1998, por uma ocupação realizada pelo MST. As famílias ocuparam a grande propriedade pertencente a Companhia Irmãos Azevedo (CAPIA). A Usina era essencial para a cidade pois gerava uma quantia considerável de empregos a população. Porém a empresa detinha vários processos trabalhistas na justiça e dividas, até que não resistiu e faliu. E foi nesse momento que o conflito se inicia, uma vez que os funcionários não foram avisados e não receberam nenhum direito, causando um sentimento de revolta. Então os próprios funcionários, junto de suas famílias e ao movimento ocuparam aquele território desterritorializado o capital, e plantam ali há mais de 22 anos. O modelo monocultor da cana-de-açúcar, implementado pela CAPIA e responsável por diversos processos trabalhistas foi substituído pelo modelo familiar, baseado na produção em pequena escala e no desenvolvimento de práticas de base agroecológica. (COCA et al, 2018). Segundo os autores, o assentamento é responsável por assentar 462 famílias, cerca de 2030 pessoas, produzindo café e outras culturas de forma ecológica, atendendo as demandas da população que rodeia a região, não só em Campo do Meio, mas em Alfenas também. Logo, apesar de o agronegócio avançar de modo rápido e intenso, usando até mesmo táticas arcaicas como a escravidão, o campesinato tem criado ações de resistência que possibilitam o acesso e/ou permanência na terra. (COCA et al.2019). Referencias COCA, Estevan. Debatendo o conceito de reforma agrária: considerações sobre os tipos de assentamentos rurais no Brasil. CAMPO-TERRITÓRIO: revista de geografia agrária, v. 8, n. 16, p. 170-197, ago., 2013. COCA, E.; et. al. A luta pela/na terra em tempos de instabilidade institucional: o Acampamento Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio - MG. NERA � Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária. Artigo DATALUTA. Novembro de 2018. COCA, E. et. al. Agroecologia e terriorialidades camponesas em Campo do Meio � MG. CAMPO-TERRITÓRIO: revista de geografia agrária, v. 14, n. 34, p. 168-186, dez., 2019. DINIZ, A.S. Reforma Agrária Brasileira uma Breve Discussão. Revista Homem, Espaço e Tempo. Outubro de 2010. FERNANDES, B. M. Territórios da questão agrária: campesinato, reforma agrária e agronegócio. Revista Brasileira de Reforma Agrária, São Paulo, 2007. v.4, n.2. p. 77-94, jul/dez. 2007. FERNANDES, B. M. Desconstrução do texto. In: NERA, Presidente Prudente, 2005. MOREIRA. G. L. A luta pela terra em contexto de injustiça agrária: pedagogia de emancipação humana? Experiencias de luta da CTP e do MST. Tese de doutorado - Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Educação. Belo Horizonte � MG. 2017. OXFAM. Desterrados: tierra, poder y desigualdade em América Latina. 2016. | 02. Campo e Rural | Leticia Fogliene de O. Silva | Espaços de Diálogo e Práticas � EDPs | 6113 | resources/download/restrict/eng2020/1662001206_ARQUIVO_02ade46616490352ccfc34b2deada96f.pdf |