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ModalidadeÁrea TemáticaCoordenadoras/es responsáveisFormatoSalaHorário das ApresentaçõesTítuloAutoresResumoPalavras-chave
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Resumo de Artigo para avaliação
Economia
Anderson Santos e Ary Rocco Jr.
Presencial | PUC-SP
20213h00Aplicação da Crítica da Economia Política para o estudo de futebóisAnderson David Gomes dos Santos
O processo de mercantilização sobre os futebóis é visível no desenvolvimento histórico das suas modalidades. A busca por recursos para manter a indústria ou gerar receitas a partir do jogo é algo frequente desde o momento em que se pensa mais como prática profissional que apenas como lazer ou entretenimento.
A partir desta perspectiva, esta proposta pretende indicar categorias da Crítica da Economia Política para compreender a apropriação mercadológica dos futebóis (masculino ou de mulheres).
Para isso, parte-se de levantamento bibliográfico de autores marxistas de distintos campos de estudo que se interessaram a fazer pesquisa sobre o tema, especialmente desde categorias teóricas como Trabalho, Mercadoria, Valor de uso e Valor de troca – a exemplos de Santos (2014; 2021; 2022); Matias (2020); Netto e Cavalcante (2020); Portillo (2022); Reis (2023); Teixeira, Reis e Mascarenhas (2023); e, Teixeira (2025).
Compreendemos que a indústria infocomunicacional é elemento relevante para isso, pois é com ela que o futebol profissional (masculino) se desenvolve e é para ela que se torna programa midiático relevante (Gastaldo, 2011). Ao mesmo tempo em que se torna uma fonte de receitas fundamental para a manutenção de equipes e organizadoras de competição, o que faz com que mobilize outras indústrias em torno do esporte (Santos, 2021). A aplicação a partir da relação com ela se torna fundamental.
Mercantilização, Futebol midiático, Marxismo
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Economia
Anderson Santos e Ary Rocco Jr.
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20213h15Espetacularização, mercantilização ou mercadorização: a reconstrução de marcos teóricos na produção acadêmica sobre clube-empresa no BrasilVinicius Borges Alvim
Após quase cinco anos da sanção da Lei das SAFs (Lei 14.193/2021), ocorrida em outubro de 2021, começa a ser menos arriscado tecer alguns primeiros apontamentos referentes à implementação deste modelo jurídico da Sociedade Anônima do Futebol. Um deles é que o cenário de transformação empresarial dos clubes no Brasil foi impulsionado, com 130 SAFs cadastradas até 2025. No entanto, o debate sobre clube-empresa não se inicia ou se encerra com as SAFs, ele se reconfigura a partir das novas demandas e problemáticas colocadas. Almejando explorar essa trajetória de produção intelectual, o objetivo deste trabalho é refletir acerca das três diferentes denominações incluídas no título: espetacularização, mercantilização e mercadorização. Apontarei aproximações e distanciamentos entre essas perspectivas teóricas, levando em consideração que os distintos autores que as mobilizaram partiram de uma mesmo proposta comum de analisar a transformação econômica do futebol. Aqui, trarei um recorte específico acerca de como essa produção acadêmica teve nos clubes um dos seus objetos de pesquisa, em uma leitura que tem na conversão empresarial destes, até então constituídos como associação civil, como um dos seus principais eixos de investigação. Para isso, farei uma pesquisa em bancos de dados acadêmicos, como Scielo e Ludopédio, que se desdobrará em duas frentes complementares. A primeira delas será composta de apontamentos quantitativos sobre essa produção. A segunda, qualitativa, de como estas três denominações possuem relevância na formatação deste campo de pesquisa com o passar dos anos, além de apontar possibilidades de articulação teórica e conceitual entre essas diferentes entradas.
Clube-empresa, Estudos Sociais do Futebol, Neoliberalismo
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20213h30SAF para que e para quem? Considerações sobre uma Tipologia das SAFsVictor Cesar Silva Formaggini de Jesus,Vinicius Borges Alvim,Rafael Sabino Guimarães De Carvalho
Desde a promulgação da Lei nº 14.193/2021, que instituiu as Sociedades Anônimas do Futebol, o tema segue sendo objeto de debate, impulsionada pelos fracassos e sucessos esportivos e financeiros de clubes como Vasco da Gama, Botafogo, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Fortaleza, Bahia, dentre outros casos de repercussão nacional. A proposta deste trabalho, amparada nos últimos trabalhos e produtos publicados pela linha Clubes e Empresas do Futebol do Observatório Social do Futebol (UERJ), é discutir um recorte dos resultados obtidos no “Relatório Painel das SAFs: Casos Gerais”, aprofundando os primeiros dados apresentados no Mapa da Expansão das SAFs, publicado em 2025 e regularmente atualizado. Além de apresentar um panorama geral das 130 SAFs mapeadas até dezembro do ano passado, este trabalho também busca colaborar com o debate mais amplo da empresarização do futebol no Brasil, compreendendo as especificidades dos clubes em seus contextos políticos, econômicos e geográficos. Para isso, apresentaremos uma primeira elaboração sobre uma “Tipologia das SAFs”, a partir da produção de uma Análise de Correspondência Múltipla (ACM) embasada por dados de diferentes aspectos das SAFs, obtidos em diferentes fontes como Receita Federal, IBGE, CBF, Federações de Futebol, Sites e Redes Sociais dos clubes e via imprensa esportiva.
Sociedade Anônima do Futebol, Empresarização, Tipologia, Análise de Correspondência Múltipla
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20213h45PAINEL DAS SAFS: UMA ANÁLISE DAS NOVAS SOCIEDADES ANÔNIMAS DO FUTEBOL NO BRASIL (2021-2025)Irlan Simões Santos,Isabella de Moraes Topfer,Matheus de Oliveira Espíndola
Com a promulgação da Lei nº 14.193/2021, que autorizou a criação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) no Brasil, observou-se, em apenas 4 anos, a adoção da SAF por mais de uma centena de clubes associativos ou criados já sob o novo modelo jurídico.

A partir dessas novidades no cenário do esporte no Brasil, pesquisadores e bolsistas da linha “Clubes e Empresas do Futebol” do Observatório Social do Futebol, projeto de extensão vinculado ao Laboratório de Estudos em Mídia e Esportes (Leme/Uerj), desenvolveram o projeto intitulado “Painel das SAFs”, que já conta com o lançamento do “Mapa da Expansão das SAFs no Futebol Brasileiro”, e o Relatório “Painel das SAFs - Casos Gerais”.

Buscamos apresentar neste trabalho os dados da pesquisa desenvolvida com as 130 SAFs constituídas até 31 de dezembro de 2025. A pesquisa traz dados esportivos, jurídicos, geográficos e de redes sociais, que contribuem na análise da relevância dos clubes pesquisados no cenário nacional e, consequentemente, na relação entre a empresarização e o sucesso das equipes.
Sociedade Anônima do Futebol; empresarização; futebol
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Anderson Santos e Ary Rocco Jr.
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20214h00A percepção dos torcedores atleticanos sobre a precificação na Arena MRVJoão Vitor Souza Iacomini,Lucas Thadeu Vieira de Paula,Priscila Augusta Ferreira Campos
Inaugurada em 2023 a Arena MRV, estádio do Atlético Mineiro, insere-se no processo recente de arenização do futebol brasileiro, marcado pela intensificação da lógica mercantilista e pela reconfiguração do público dos estádios (MASCARENHAS, 2013; SANTOS, 2014). Nesse contexto, o trabalho analisa a percepção dos torcedores atleticanos sobre os preços praticados ao longo da temporada de 2024, com foco nos valores dos ingressos, da alimentação e do estacionamento. A pesquisa, baseia-se na aplicação de questionários com frequentadores da Arena MRV, sendo os dados analisados por meio de
estatística descritiva e tabulações cruzadas. Os resultados indicam predominância da avaliação dos ingressos como “caros”, seguido por “abusivo”. Tendência semelhante é observada no valor dos alimentos, enquanto o estacionamento apresenta os maiores índices de avaliação negativa. A análise também evidencia diferenças entre sócios e não sócios, sugerindo que o vínculo com o programa impacta a percepção sobre os custos de acesso. Destaca-se ainda a maior presença de torcedores nas faixas etárias entre 20 e 39 anos, grupo que também apresenta avaliações críticas em relação aos preços praticados. Tais resultados reforçam que a elevação dos preços opera como mecanismo de seleção
socioeconômica do público, associado à transformação do torcedor em consumidor e à busca por perfis de maior capacidade de consumo. Conclui-se que a política de preços adotada tensiona o acesso e a permanência no estádio, evidenciando os efeitos econômicos da arenização no futebol brasileiro.
Estádios, futebol, lazer, precificação, torcedores
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DEBATE (14h15-15h15)
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INTERVALO (30 min)
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20215h45Reflexões sobre o futebol-arte, globalização e mercados formadoresPedro Boldino de Oliveira
O futebol-arte é visto como um dos mais marcantes produtos do Brasil, símbolo de sua cultura e identidade nacional, embora outras seleções e clubes do mundo, masculino e feminino, também já tenham apresentado um futebol vistoso e encantador aos olhos do público, sendo geralmente assim categorizado devido às habilidades técnicas individuais de atletas do meio-campo e do ataque. A partir disso, e buscando entender o cenário do futebol masculino contemporâneo, esta pesquisa tem realizado um estudo sobre o estado da arte e o imaginário social do conceito de futebol-arte, relacionando-os com as tendências contemporâneas da formação de futebolistas em um mundo globalizado. A intenção é compreender se o chamado futebol-arte foi de fato escanteado pelo futebol masculino nas últimas décadas, especialmente no contexto brasileiro, em prol de um estilo de futebol mais padronizado em nível global. Partimos da visão do jogo praticada nas grandes ligas europeias de clubes masculinos, mais focada em força e velocidade, comparando a formação de atletas em alguns dos principais mercados futebolísticos europeus com aquela que ocorre no Brasil. Assim, baseando-se em estudos das áreas socioculturais e da educação física e do esporte, o trabalho pretende contribuir para o campo dos estudos do futebol de um modo geral situando qual o papel do futebol-arte ao longo da história e na contemporaneidade, buscando entender a evolução do futebol masculino a nível global e como essa evolução afetou a formação de atletas, especialmente no Brasil, e consequentemente o cenário do mercado mundial do futebol.
futebol-arte; globalização; formação de atletas; estética do desporto; filosofia do esporte.
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20216h00A Economia da Transição de Carreira no Futebol Brasileiro: Vulnerabilidade Financeira e Responsabilidade InstitucionalPedro Vinicius De Souza Brito
Este estudo analisa a transição de carreira de atletas de futebol sob a ótica da economia do esporte, contrastando o imaginário de riqueza com a realidade de precarização da categoria. A estrutura do mercado reflete uma pirâmide financeira desigual, na qual 82% dos atletas profissionais recebem até dois salários mínimos e apenas 1,5% dos jovens das categorias de base atingem o profissionalismo. A ausência de programas estruturados de transição agrava a vulnerabilidade econômica pós-carreira, resultando em perda de renda para cerca de 50% dos jogadores em até cinco anos após a aposentadoria. No futebol feminino, essa instabilidade impõe a dupla carreira como uma estratégia de sobrevivência econômica imediata, levando a abandonos precoces por falta de sustentabilidade financeira. O presente trabalho investiga como esse cenário de contratos curtos e baixos salários exige que os clubes formadores assumam um papel central na mitigação de riscos sociais e financeiros. Propõe-se que a gestão esportiva deve integrar a educação financeira e o suporte ao encerramento do ciclo esportivo como pilares de responsabilidade institucional, garantindo a viabilidade do ciclo de formação humana além do rendimento técnico.
Transição de Carreira, Economia do Esporte, Vulnerabilidade Financeira, Dupla Carreira.
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20216h15Da cidade de concreto à plataforma de dados: A evolução da governança urbana através das Copas (1986–2034)Brenda Lais de Castro
Este artigo analisa a mutação dos megaeventos esportivos, deslocando-se de instrumentos de transformação física para vetores de governança algorítmica. O estudo propõe uma análise comparativa de cinco marcos que evidenciam a erosão da soberania urbana frente à FIFA: a renúncia da Colômbia em 1986, que priorizou o planejamento nacional; a construção da smart city de Lusail (2022), emblemática da cidade-máquina para controle; a Copa de 2026 na América do Norte, que consolida a infraestrutura existente como suporte para a cidade-plataforma; o centenário de 2030, que utiliza a nostalgia como estratégia de expansão global descentralizada; e a projeção para 2034 na Arábia Saudita, que sinaliza a expansão desse modelo de vigilância a uma escala industrial sem precedentes. A análise demonstra que a aparente transição para a sustentabilidade não representa um retorno à autonomia municipal, mas a sofisticação de um modelo onde o megaevento atua como software invisível. Apoiando-se na crítica de Morozov e Bria (2020) sobre o capitalismo digital, o artigo argumenta que o "legado" dos megaeventos transmutou-se do material para a captura de dados. Conclui-se que a gestão urbana contemporânea, ao absorver a lógica da FIFA, tende a substituir a deliberação pública pela otimização técnica, consolidando um regime de governança que utiliza megaeventos para legitimar infraestruturas de controle, desafiando a autonomia cidadã frente aos interesses do capital de dados.
Megaeventos esportivos, Cidade-plataforma, Copa do mundo, Urbanismo crítico
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20216h30Impacto do VAR na Acurácia das Decisões Arbitrais: Evidências Empíricas do Campeonato Paulista A1 2024Bernardo Martins,FABIO ROGERIO BAESTEIRO
Este estudo analisa o impacto da ferramenta Árbitro Assistente de Vídeo (VAR) sobre a acurácia das decisões arbitrais e a eficiência operacional no futebol profissional, com base em 104 partidas no Campeonato Paulista A1 de 2024 e 621 ocorrências protocolares com vídeo. A análise concentra-se na correção de erros claros e óbvios, à luz dos princípios de transparência e justiça esportiva.

A estratégia metodológica fundamenta-se na comparação entre decisões iniciais do árbitro, sem o uso da tecnologia, e decisões finais após eventual intervenção do VAR, por meio do teste de McNemar para dados categóricos pareados. Adicionalmente, são estimadas medidas de magnitude de efeito, incluindo a razão de chances, baseada em pares discordantes, e a razão de prevalência.

Os resultados evidenciam aumento estatisticamente significativo na acurácia das decisões (p < 0,001), com razão de chances de 15,5 (IC95%: 3,94–133,66) e incremento de 4,97 pontos percentuais na prevalência de acertos. Em termos operacionais, observa-se impacto temporal reduzido, com menos de uma intervenção por partida e duração média de 58 segundos, o que reforça a contribuição com a justiça esportiva sem atrasos significativos.

Os achados sugerem que o VAR atua como um sistema robusto de suporte à decisão, elevando o desempenho arbitral sem comprometer a fluidez do jogo. Para além da acurácia técnica, o estudo contribui para o debate sobre economia e governança do futebol ao demonstrar que a incorporação de tecnologias pode aumentar a confiabilidade dos resultados esportivos, reduzir assimetrias informacionais e fortalecer a legitimidade institucional das competições.
VAR, arbitragem, acurácia das decisão, eficiência operacional justiça esportiva
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DEBATE (16h45-18h00)
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EconomiaMarcelo W. ProniVirtualV0113h00Dirigentes, Modernização e Empresarização: a ascensão de novos atores no futebol brasileiro nas décadas de 1970 e 1980Alexandre Vinicius Nicolino Maciel
Na última década debates e movimentações em prol da criação de uma liga profissional de clubes de futebol têm sido suscitados no Brasil com certa frequência. Tal horizonte traz a recordação do primeiro movimento de clubes brasileiros em torno de uma liga independente, ocorrido em 1987, com a chamada Copa União. Esse evento, resultante da crise administrativa da CBF, se desenvolveu através de um arranjo envolvendo os treze clubes de maior torcida do país e um conjunto de empresas dispostas a investir no futebol brasileiro. Ali se confirmava que o futebol brasileiro já não era somente um movimento político, mas também empresarial. Esse discurso empresarial começa a ganhar força no país a partir da década de 1970, quando, a grande mídia, notadamente a Revista Placar, passa a produzir reportagens críticas às figuras tradicionais da cartolagem brasileira. Esse discurso, comprado por dirigentes que ascendiam no cenário político do futebol brasileiro, ganhou ainda mais força num cenário de ditadura empresarial-militar, em que as políticas públicas buscavam desenvolver e favorecer o capital privado. Assim, inúmeros dirigentes se apresentam como modernizadores e capazes de levar os clubes a um cenário de administração empresarial.
Desse modo, o objetivo da pesquisa é debater academicamente sobre o campo dos dirigentes, como um espaço atuante e primordial para o desenvolvimento do empresariado no futebol brasileiro, pensando como esse processo marca uma continuidade das relações políticas estabelecidas durante a ditadura civil-militar brasileira e evidenciarmos os procedimentos adotados pela sociedade.
Modernização, Dirigentes esportivos, Empresarização, Ditadura empresarial-militar, Futebol Brasileiro.
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EconomiaMarcelo W. ProniVirtualV0113h15“Quero ir para o exterior”: crise, mercado e a circulação internacional de jogadores brasileiros (1978-1983)Victor Brandão de Oliveira
O presente artigo tem por objetivo analisar a intensificação do fluxo internacional de jogadores brasileiros entre 1978 e 1983. Argumenta-se que, no contexto do futebol nacional daquele período, percebido pelo prisma de uma "crise" persistente, consolidou-se um imaginário que passou a associar as ofertas advindas da reabertura de mercados estrangeiros, sobretudo os europeus, a melhores oportunidade e condições de trabalho, reconfigurando os horizontes de carreira desses atletas.
A partir da análise de fontes da imprensa esportiva, como a revista Placar e o Jornal dos Sports, e do exame de trajetórias de jogadores convocados para o selecionado brasileiro em ciclos de Copas do Mundo, o trabalho sustenta que a "crise" associada ao futebol brasileiro incidiu na acentuação do êxodo de talentos, servindo, simultaneamente, como elemento estruturante das percepções e estratégias individuais de carreira. Nesse processo, a ampliação das redes internacionais de circulação de jogadores profissionais fomentou novas perspectivas sobre o mercado de trabalho futebolístico, ainda que mediadas por restrições institucionais e regulamentares. Desse modo, ao examinar as condições que possibilitaram a mobilidade desses atletas, o artigo contribui para a compreensão dos mecanismos de formação de um mercado internacional de jogadores no período.
Crise, Êxodo, Mercado, Trabalho, Trajetórias
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Artigo para os anaisEconomiaMarcelo W. ProniVirtualV0113h30RACIONALIDADE LIMITADA E SUCESSÃO GERENCIAL NO FUTEBOL: UMA RELEITURA COMPORTAMENTAL DA DEMISSÃO DE TREINADORES NO BRASILPatrick Zawadzki
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EconomiaMarcelo W. ProniVirtualV0113h45O jogo do dinheiro: o fenomeno social das apostas esportivasGustavo Reis de Araujo
Por que as pessoas apostam no Brasil na atualidade? Esse é a pergunta norteadora deste trabalho, o qual busca compreender as apostas esportivas a partir da perspectiva dos sujeitos apostadores. São duas as hipóteses que percorrem o trabalho: uma econômico-social, e outra histórico-cultural, sem entretanto, compreendê-las isoladas e desenvolvidas a partir de caminhos distintos. Na primeira as pessoas apostam dentro de uma perspectiva econômico-social devido às novas características da ordem econômica do capitalismo neoliberal que busca cada vez incutir nas pessoas a ideia de que é importante aprender a arriscar e correr riscos para ganhar dinheiro, “gamificando” suas vidas, ao passo que se deve valorizar a ousadia e ambição, pois quem deseja ganhar mais, deve se arriscar mais. Junto à isso, as pessoas também apostam dentro de uma ótica histórico-cultural pois o ato de apostar em jogos é elemento presente há séculos na cultura brasileira, em que as pessoas têm por hábito participar de jogos de azar, tais como o “jogo do bicho”, “bingo”, “carteado”, “Telesena”, “Megasena”. As apostas são o “jogo do dinheiro” pois tornaram-se um fenômeno social de cifras bilionárias no Brasil devido ao modo como se imbricam no cotidiano brasileiro e pouco a pouco tornou-se um dos atos “recreativos” mais praticados por uma parcela da população. Além disso, vêm “furando a bolha” do futebol e se estendendo a outros esportes e públicos.
apostas esportivas, neoliberalismo, futebol profissional, jogos de azar.
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EconomiaMarcelo W. ProniVirtualV0114h00Relatório: Redes Multi-Clubes do Futebol (2025)Jonathan Ferreira,Irlan Simões Santos,Murilo Ávila Carneiro
As redes multi-clubes no futebol surgem no final do século XX, impulsionadas pela globalização e financeirização do esporte, evoluindo de iniciativas isoladas para estruturas complexas de propriedade e gestão internacional. Esse artigo pretende discutir os dados presentes no segundo relatório “Redes Multi-Clubes no Futebol: Relatório do Observatório Social do Futebol” (2025) que integra as atividades da linha de pesquisa “Clubes e Empresas no Futebol” do Observatório Social do Futebol. O objetivo é oferecer uma leitura crítica e sistematizada desses processos, contribuindo para o debate acadêmico e público sobre as dinâmicas de governança, transparência e regulação que moldam o futebol na era dos investimentos globais. A pesquisa desenvolvida - por meio da checagem em documentos oficiais das federações/ligas, consulta de documentos e notas públicas oficiais de clubes e grupos econômicos investidores. Além disso, a pesquisa conta com fontes em materiais jornalísticos, desde que as informações estivessem presentes em mais de uma referência - com informações até o mês de novembro de 2025, apresentando um panorama geral de 102 redes multi-clubes, com 282 clubes. Além disso, o relatório está apoiado na base empírica do “Mapa das Redes Multi-Clubes do Futebol (2025)”, um mapa interativo e de acesso público que reúne informações sobre os principais grupos empresariais atuantes no futebol global e os clubes controlados por cada um deles. A consolidação dessa nova base de dados e a atualização contínua do Mapas das Redes Multi-clubes do Futebol permitem compreender o processo de territorialização, financeirização e recomposição das redes multi-clubes no futebol global.
Redes Multi-Clubes; futebol; financeirização
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EconomiaMarcelo W. ProniVirtualV0115h45Fatores preponderantes para a avaliação dos estádios de futebolJimmy Medeiros
Um dos elementos relevantes para o debate sobre o futebol moderno é o processo de arenização dos estádios de futebol, ou seja, transformação física, simbólica e econômica dos estádios de futebol em "arenas multiuso". Portanto, não é um processo de reforma arquitetônica, mas uma mudança no modelo de negócio para permitir novas formas de consumo. Para permitir aprofundar na reflexão deste tema, o presente trabalho faz uso de dados de um survey on-line com torcedores de futebol de clubes cariocas para dimensionar aspectos relevantes da avaliação torcedora em relação aos estádios de futebol da cidade do Rio de Janeiro. Desta forma, são avaliados os estádios de São Januário, Nilton Santos, Novo Maracanã e também o Maracanã antes das reformas para a Copa do Mundo FIFA 2014 e o Jogos Pan-Americanos de 2007. O trabalho faz uso de análise quantitativa descritiva e multivariada para identificar se variáveis como idade, renda, escolaridade, quantidade de jogos que foi ao estádio em um ano, se é ou não é filiado a programa sócio-torcedor, se é ou não é integrante de torcida organizada e o clube de futebol que torce são relevantes para a avaliação dos estádios de futebol no âmbito da modernização do futebol e a arenização dos estádios.
Estádios de futebol, Arenização dos estádios, Futebol moderno, Survey
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EconomiaMarcelo W. ProniVirtualV0116h00Influência espacial na microeconomia dos estádios de Belo Horizonte nos dias de jogos
Júnio Matheus da Silva Cruz
O estádio é o único elo da cadeia produtiva do futebol que é material, físico e localizado. A forma como se organiza espacialmente as atividades do estádio afeta sua estrutura e dinâmicas. Assim, o trabalho responde como a organização espacial da proximidade dos três estádios de Belo Horizonte vão afetar as dinâmicas econômicas. O objetivo deste trabalho é examinar espacialmente as atividades econômicas dos três estádios, identificando fluxos, localização, concentração e distribuição dos agentes, práticas, produtos e serviços. A metodologia empreendida foi observação direta com registro em diário de campo organizando dados por estádio e analisando pela análise de conteúdo. Os resultados da pesquisam apontam que o Mineirão é marcado pelo isolamento em um lugar já isolado e cercado por vários terrenos que provocam isto, determinando assim suas dinâmicas econômicas. O Independência é marcado pela integração ao bairro, o que altera sua organização econômica. A Arena MRV é marcante pela sua estrutura inserida num contexto precário do bairro afetando a organização da economia do lazer. As implicações cientificas deste trabalho se dão na demonstração de como o tecido urbano afeta as atividades em cada estádio, enquanto socialmente, cria um mapeamento disponível para utilização por parte dos públicos interessados.
Microeconomia, Estádios, Belo Horizonte, Determinante Espacial, Dinâmicas Econômicas
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EconomiaMarcelo W. ProniVirtualV0116h15DAS FÍMBRIAS DA CIDADE À MARGEM DO ESPETÁCULO: TRABALHO PRECARIZADO EM FORMA DE VIRAÇÃO EM DIAS DE FUTEBOL NO ESTÁDIO DO MARACANÃ
Rafael Willian Clemente,Edson Miagusko
A cultura do estádio é composta por uma diversidade de elementos em que pese a circulação de vivências, onde se destacam sociabilidades e conflitos, mas também uma rede de economias. Inseridos nesse emaranhado, trabalhadores e trabalhadoras advindos das fímbrias da cidade - subúrbios, periferias e cidades distantes - tecem a sustentação de si e do espetáculo a partir de atividades laborais transitadas nas fronteiras do formal, informal e até do ilegal. Sob negligências e violências do aparato estatal ou da gerência espacial urbana pelo capital empresarial privado está posta a atuação desses indivíduos numa economia de sobrevivência, em formas precarizadas do trabalho feito viração. A partir da experiência etnográfica, observamos a relação dessas pessoas em sujeições de negociação, permissão e negação; enfim, atuações protagonistas em ocasiões de jogos de futebol no entorno do estádio do Maracanã e em trânsito pelo ramal Japeri-Central, nos trens da Super-Via.
Futebol, Maracanã, Mercado informal, Precarização.
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EconomiaMarcelo W. ProniVirtualV0116h30Entre Mercado e Paixão: Indústria do Futebol e Propriedade Intelectual no Brasil
Vicente Magno Figueiredo Cardoso
Este trabalho analisa as transformações do futebol brasileiro contemporâneo a partir da atuação de agentes mercantis situados nas fronteiras entre esporte, mercado e poder. Examina-se como dirigentes, empresários e investidores convertem vínculos afetivos, símbolos clubísticos e práticas torcedoras em recursos econômicos, redefinindo a torcida como ativo estratégico. Argumenta-se que a expansão do futebol-negócio amplia a centralidade de bens imateriais ligados aos clubes, como marcas, escudos, identidade visual, imagem institucional, produtos licenciados e conteúdos midiáticos. Esses elementos assumem papel relevante nas estratégias de geração de receita e valorização patrimonial, aproximando o futebol das dinâmicas contemporâneas da propriedade intelectual e da exploração de ativos intangíveis. O texto evidencia que a produção de valor no setor deixa de depender exclusivamente do desempenho esportivo ou da bilheteria, incorporando mecanismos de monetização baseados no controle, circulação e licenciamento de signos e reputações historicamente acumuladas. Ao mesmo tempo, tais transformações coexistem com práticas personalistas e formas tradicionais de poder. Conclui-se que o futebol brasileiro constitui um cenário para compreender como patrimônio simbólico, mercado e propriedade intelectual se articulam nas disputas econômicas atuais e nas novas formas de governança esportiva contemporânea em expansão no país.
Futebol-negócio; Propriedade intelectual; Mercadorização
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EconomiaMarcelo W. ProniVirtualV0116h45UMA ANÁLISE ACERCA DO FUTEBOL URUGUAIO: GLOBALIZAÇÃO, DEPENDÊNCIA E COMPETITIVIDADE EM UM CONTEXTO PERIFÉRICODemétrio Marguti Coelho
O presente trabalho analisa a inserção do futebol uruguaio na economia política global do futebol, buscando compreender como um país considerado periférico dentro do cenário mundial mantém níveis relevantes de competitividade internacional. Partindo de uma abordagem das Relações Internacionais (RI) ancorada na teoria da dependência e na perspectiva do sistema-mundo, a pesquisa investiga a hipótese de que a competitividade uruguaia está associada a um modelo consolidado de formação e exportação de jogadores, que funciona como estratégia de adaptação às dinâmicas desiguais do sistema global. Metodologicamente, o estudo combina análise quantitativa das principais transferências internacionais de jogadores de clubes uruguaios (Nacional, Peñarol, Defensor Sporting e Liverpool) com o desempenho dessas equipes em competições continentais, como a Copa Libertadores e a Copa Sul-Americana. Os resultados preliminares indicam que a inserção subordinada no mercado global do futebol, embora reforce a dependência econômica, também permite a reprodução de uma competitividade relativa, sustentada por estruturas históricas de formação e por uma cultura futebolística enraizada. O trabalho contribui para o avanço dos estudos sobre futebol nas RI ao evidenciar como as práticas esportivas refletem e reproduzem dinâmicas globais de poder e desigualdade.
futebol; economia política internacional; globalização; Uruguai; dependência
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