| A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
1 | Número da questão | Grande Área | Especialidade | Tema | Grau de dificuldade | Competência | Enunciado da questão | Alternativa A | Alternativa B | Alternativa C | Alternativa D | Comentário da questão | Alternativa Correta | Imagem/Gráfico/Tabela |
2 | 1 | Pediatria | Adolescência | Síndrome da adolescência normal | Fácil | Diagnóstico e Conduta | Adolescente, sexo feminino, 14 anos de idade, veio para consulta ambulatorial acompanhada de sua mãe, que está muito preocupada com o seu desempenho escolar. A adolescente está no 9º ano, nunca reprovou, mas este semestre está de recuperação em matemática, física e química, cujas provas serão realizadas amanhã. Ao ser questionada se já começou a estudar para as provas de amanhã, diz que pretende fazer isso hoje após a consulta, pois acha que a matéria não é muito extensa. Na consulta de hoje, a adolescente está nitidamente sonolenta. Quando confrontada sobre a sonolência, refere que passou a madrugada na fila para comprar ingressos de um show musical que ocorrerá em junho do próximo ano. A previsão de abertura da bilheteria era hoje pela manhã, mas ela chegou com 24 horas de antecedência, por medo de perder o ingresso, sendo a primeira da fila. Levando em consideração as características do desenvolvimento psicológico-emocional presentes na adolescência, podemos enquadrar a descrição acima como uma manifestação de: | Vivência temporal singular. | Atitude social reivindicatória. | Desenvolvimento do pensamento abstrato. | Flutuação constante de humor. | Dica do professor: A questão aborda sobre aspectos da chamada Síndrome da adolescência normal. Essa síndrome consiste numa série de características do desenvolvimento psicológico -emocional observado durante o processo de tornar-se adolescente. Importante destacarmos que nem todos os adolescentes necessariamente apresentam todas as características que compõe esta síndrome. Alternativa A: CORRETA. A vivência temporal singular diz respeito à forma peculiar que o adolescente tem de vivenciar o tempo, com uma compreensão diferente do tempo em relação ao futuro, ou seja, há dificuldade em diferenciar o que é presente, passado e futuro. Nesse caso, as urgências são enormes e as postergações são irracionais. Alternativa B: INCORRETA. Na atitude social reinvidicatória o adolescente se percebe como parte de uma coletividade e isso o torna capaz de uma ideologia, de uma atitude e de um posicionamento. Alternativa C: INCORRETA. Esse aspecto não faz parte da Síndrome da adolescência normal. Na verdade, a necessidade de fantasiar e intelectualizar é integrante da síndrome que se intensificam e dominam o pensamento do adolescente, como mecanismos de defesa frente as situações de perda. Alternativa D: INCORRETA. Um sentimento básico de ansiedade e depressão acompanhará permanentemente o adolescente. A quantidade e a qualidade da elaboração dos lutos da adolescência determinarão a maior ou menor intensidade desta expressão e desses sentimentos. No processo de flutuações dolorosas permanentes, a realidade nem sempre satisfaz as aspirações do indivíduo. A sensação de fracasso frente a busca de satisfações pode ser muito intensa e obrigar o indivíduo a se refugiar em si mesmo. Eis ai o retorno a si mesmo, que é tão singular no adolescente, e que pode dar origem a esse sentimento de solidão característico da típica situação de frustração e desalento e desse aborrecimento que "costuma ser uma característica distintiva do adolescente", que se refugia em si mesmo e no mundo interno que se foi formando durante sua infância. Resposta correta, letra A. | A | |
3 | 2 | Cirurgia | Cirurgia geral | Hemorragia digestiva alta | Difícil | Conduta | Homem, 67 anos de idade, apresentou melena em grande quantidade há 1 hora. Tem antecedente de troca de valva mitral e faz uso contínuo de varfarina. • Exames laboratoriais: Hb: 6,3 g/dL; Ht: 19%; Plaquetas: 135 mil/mm3; TP com INR de 5,1; TTPa com R de 1,14. Na sala de emergência, além da reanimação volêmica, qual deve ser a conduta mais adequada antes da realização da endoscopia digestiva alta? | Vitamina K. | Fibrinogênio. | Aférese de plaquetas. | Complexo protrombínico. | Dica do autor: Este é um caso de sangramento digestivo alto (melena) em um paciente anticoagulado com varfarina, com evidência de coagulopatia grave (INR 5,1). O manejo adequado envolve correção rápida da coagulopatia para permitir a realização segura da endoscopia digestiva alta. A melhor abordagem para reversão rápida dos efeitos da varfarina é o uso de complexo protrombínico (CPC) , que repõe os fatores dependentes de vitamina K (II, VII, IX e X), corrigindo o INR de forma eficaz e imediata. Vitamina K também pode ser administrada para efeito sustentado, mas sua ação é mais lenta e, por si só, não é suficiente em um cenário de urgência. Alternativa A: INCORRETA. A vitamina K, apesar de corrigir a coagulopatia associada à varfarina, tem um início de ação lento (6 a 12 horas). Em um paciente com sangramento ativo e necessidade de intervenção imediata (EDA), não é a opção mais adequada como monoterapia. Alternativa B: INCORRETA. O fibrinogênio é indicado em situações de hipofibrinogenemia, como na coagulação intravascular disseminada (CIVD) ou sangramentos associados a trauma maciço. Não há indicação para sua reposição em coagulopatia por varfarina. Alternativa C: INCORRETA. A aférese de plaquetas é desnecessária neste caso, pois a contagem de plaquetas está normal (135.000/mm³). O problema principal é a coagulopatia causada pela varfarina. Alternativa D: CORRETA. O complexo protrombínico é a escolha ideal para reversão rápida da anticoagulação por varfarina em casos de sangramento agudo. Ele oferece correção imediata do INR ao repor os fatores dependentes de vitamina K. Em combinação com vitamina K (para efeito prolongado), o CPC proporciona controle seguro e eficaz do sangramento. Resposta: Alternativa D | D | |
4 | 3 | Cirurgia | Cirurgia geral | Apendicite Aguda | Fácil | Conduta | Uma mulher com 22 anos procurou serviço hospitalar há 6 horas, com dor periumbilical, em cólica, de forte intensidade. Nesse período de tempo, apresentou um episódio de vômito e manteve anorexia e náusea. Ao exame físico, encontra-se em regular estado geral, com temperatura axilar de 38 °C e dor intensa à descompressão manual brusca em fossa ilíaca direita. No resultado do hemograma, são evidenciados: 14.000 leucócitos/mm³ (valor de referência - VR: 4.000 a 10.000 leucócitos/mm³), bastões 3% (VR: 0 a 5%), segmentados 61% (VR: 40 a 60%). Tomografia computadorizada de abdome mostra apêndice aumentado de volume e densificação da gordura periapendicular. Com base nos dados relatados, assinale a opção que apresenta conduta cirúrgica e uso de antibióticos adequados: | Videolaparoscopia exploratória; antibioticoprofilaxia com metronidazol. | Apendicectomia aberta; antibioticoterapia com cefazolina e gentamicina. | Laparotomia exploratória; antibioticoterapia por sete dias com ciprofloxacina e metronidazol. | Apendicectomia laparoscópica; antibioticoterapia pré-operatória com cefazolina e metronidazol. | Dica do professor: questão bem direta e sem maiores dificuldades. Clássico caso de apendicite aguda. Vamos aproveitar para relembrar o Escore de Alvarado? Esse escore funciona pontuando justamente os dados de uma história típica de apendicite e da avaliação laboratorial. - Migração da dor: 1 ponto. - Anorexia: 1 ponto. - Náuseas ou vômitos: 1 ponto. - Defesa em quadrante inferior direito: 2 pontos. - Dor à descompressão brusca: 1 ponto. - Febre: 1 ponto. - Leucocitose: 2 pontos. - Desvio à esquerda: 1 ponto. O Alvarado alto > 7 fala muito a favor de apendicite, e o paciente deve ser operado, sem necessidade de exames complementares. O Alvarado < 3 fala muito contra a apendicite, e deve-se considerar outro diagnóstico diferencial, ou submeter o paciente a uma reavaliação seriada. O Alvarado intermediário, 4, 5 ou 6, é o da dúvida. É justamente aqui que o Alvarado o orienta a solicitar um exame de imagem. O diagnóstico mais provável no caso é apendicite, mas precisamos de um exame de imagem para confirmá-lo. Alternativa A: INCORRETA. A videolaparoscopia não será exploratória, já temos o diagnóstico de apendicite. Alternativa B: INCORRETA. A apendicectomia por vídeo é o padrão ouro, se estiver disponível. Alternativa C: INCORRETA. Já temos um diagnóstico firmado. Alternativa D: CORRETA. Vide dica do autor. Resposta: Alternativa D | D | |
5 | 4 | Clínica Médica | Cardiologia | Taquiarritmias | Moderado | Conduta | Um homem com 26 anos é levado por amigos para o pronto-socorro devido a palpitações, tonturas e mal-estar. Relata que a sintomatologia iniciou abruptamente há 2 horas. Os amigos contam que estavam com ele em uma festa e confirmam consumo de bebida alcoólica, mas negam consumo de drogas ilícitas. O paciente nega episódios prévios ou comorbidades. Ao exame físico, apresenta-se com pulso irregular, com frequência cardíaca em torno de 123 bpm. A pressão arterial é de 118 x 68 mmHg e, à ausculta cardíaca, não apresenta sopros, mas verifica-se ritmo irregular, não se constatando outras alterações nesse exame. O eletrocardiograma mostra linha de base serrilhada, presença de onda F, intervalo RR irregular e frequência de 125 bpm. Nesse contexto, a abordagem desse paciente deve incluir: | Uso de betabloqueador. | Desfibrilação ventricular. | Massagem de seio carotídeo. | Administração de lidocaína endovenosa. | Dica do autor: Em caso de ECG com ritmo irregular, sem onda P, com serrilhado na linha de base (onda F), o diagnóstico mais provável é a flutter atrial com BAV variável. A fibrilação atiral (FA), diagnóstico diferencial do caso, manifesta-se como tremor ou linha reta na linha de base e onda f no ECG (usamos "f" minúsculo para FA e "F" maiúsculo para flutter). No caso da questão, o motivo mais provável para o surgimento de flutter agudo num paciente jovem e saudável é o efeito agudo do excesso de álcool, quadro clínico conhecido como Holiday Heart Syndrome (“Síndrome do coração pós-feriado), já que o consumo excessivo de bebidas alcóolicas é mais comum em datas festivas. A conduta inicial depende da avaliação hemodinâmica. Como o paciente está estável (PA normal), inicialmente não há indicação de cardioversão elétrica sincronizada (CVES) imediata obrigatoriamente. As opções possíveis então são controle de frequência cardíaca ou controle de ritmo com CVES (já que o flutter teve início a menos de 48 horas). Alternativa A: CORRETA. O uso de betabloqueador é uma boa estratégia para controle de FC num paciente com flutter agudo estável. Alternativa B: INCORRETA . A desfibrilação está indicada para parada cardiorrespiratório em ritmo chocável (FV ou TV sem pulso). Lembre-se que a desfibriação (choque com carga máxima sem sincronizar) é diferente de CVES (choque com cargas progressivas e sincronizado). Alternativa C: INCORRETA. A massagem do seio carotídeo é uma manobra vagal, utilizada em caso de taquicardia supraventricular estável. Alternativa D: INCORRETA. A lidocaína é um antiarrítmico do grupo IB, mas frequentemente utilizado em caso de PCR por ritmo chocável como opção à amiodarona. Resposta: Alternativa A. | A | |
6 | 5 | Medicina de Família e Comunidade | Geriatria | Saúde do idoso | Moderado | Diagnóstico e Conduta | Uma idosa com 75 anos, acompanhada de sua filha, busca a unidade básica de saúde queixando-se ao médico de estar tendo alguns esquecimentos. Relata que a família insistiu muito para que buscasse atendimento médico e que a filha quase a obrigou a ir à consulta. Considerando a necessidade de uma primeira abordagem com avaliação multidimensional do caso, o médico se propôs a utilizar o Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional-20 (IVCF-20). Acerca desse instrumento de avaliação, assinale a opção correta. | Um dos itens avaliados pelo IVCF-20 é a renda familiar dos idosos, que indica a sua situação socioeconômica. | Independentemente do resultado do IVCF-20, os idosos devem submeter-se, na sequência, à Avaliação Geriátrica Ampla (AGA). | Entre os questionamentos a serem feitos para o cálculo do IVCF-20, inclui-se o do número de quedas do idoso no ano anterior ao do exame. | O uso do IVCF-20 permite identificar os idosos frágeis, prescindindo da utilização de ferramenta complementar, seja qual for o seu resultado. | Dica do autor: A síndrome da fragilidade é definida como um estado clínico no qual há maior vulnerabilidade do organismo frente a estressores (doenças, hospitalização, medicamentos, quedas, etc.), tornando os indivíduos mais suscetíveis à incapacidade e à morte. Existem várias ferramentas que foram desenvolvidas para a identificação dos pacientes frágeis, mas ainda não há nenhuma reconhecida como padrão-ouro, por isso você deve estudar provas anteriores da instituição onde pretende prestar prova para saber qual escala é mais cobrada. O Índice de Vulnerabilidade Clínico Funcional (IVCF-20) foi desenvolvido e validado no Brasil a partir de outros instrumentos de triagem rápida amplamente citados na literatura. É um instrumento simples e de rápida aplicação (5 a 10 minutos) que avalia as principais dimensões consideradas preditoras de declínio funcional e/óbito em idosos: a idade, a autopercepção da saúde, as atividades de vida diária, a cognição, o humor, a mobilidade, a comunicação e a presença de comorbidades múltiplas. É uma questionário que vai de 0 a 40 pontos: quanto maior a pontuação, maior o risco de vulnerabilidade clínico-funcional. Alternativa A: INCORRETA. A renda familiar não entra na avaliação. Alternativa B: INCORRETA. O IVCF-20 funciona como uma triagem: se pontuação baixa, o idoso é considerado com baixo risco de vulnerabilidade, logo não precisa de avaliação complementar. Caso a pontuação seja elevada, o idoso deve ser submetido a uma avaliação mais completa, como a avaliação geriátrica ampla (AGA). Alternativa C: CORRETA. No domínio mobilidade, uma das perguntas é sobre o número de quedas no último ano. Alternativa D: INCORRETA. Como dito na letra B, o IVCF-20 funciona como uma triagem com alto poder preditivo negativo para excluir a fragilidade. Caso a pontuação seja elevada, são necessárias ferramentas complementares. Resposta: alternativa C. | C | |
7 | 6 | Pediatria | Pediatria geral | Maus-tratos e Violência Infantil | Fácil | Ética e Profissionalismo | Uma criança com dois anos é atendida em consulta de puericultura com história de ter apresentado, há aproximadamente 1 mês, uma queimadura de segundo grau em tronco devido a derramamento de conteúdo de uma panela que estava sobre o fogão e foi puxada pelo cabo pela criança. Esse tipo de queimadura caracteriza | Um acidente, porque foi um evento fortuito, que ocorreu ao acaso. | Um caso de maus tratos devido às características clínicas da queimadura. | Uma negligência, uma vez que existiam fatores de risco que poderiam ser evitadas. | Um caso de violência doméstica devido às características epidemiológicas da queimadura. | Dica do autor: Essa questão é muito interessante porque traz um conceito que pode soar estranho para um candidato mais mal informado, o que obviamente não é o caso do aluno Sanar! Estamos diante de uma criança de 2 anos que apresentou uma queimadura de segundo grau em tronco por conta do derramamento do conteúdo de uma panela que estava no fogão. Isso foi um acidente, certo? ERRADO! A palavra acidente implica um evento que ocorre por acaso, sem padrão ou previsibilidade, como um acidente por raio durante uma tempestade. No entanto, a maioria dos “acidentes” da infância ocorrem em circunstâncias previsíveis para a criança e para a família, devendo-se substituir, portanto esse termo “acidente” pelo termo “lesão”. Enquanto o termo acidente conota um evento aleatório que não pode ser evitado, o uso do termo “lesão” promove ciência de uma condição médica com risco definido e fatores de proteção que podem ser usados para definir estratégias de prevenção e é exatamente esse o caso dessa questão. Crianças menores de 5 anos são exploradoras naturais e querem ter acesso a todas as áreas da casa, sem nenhuma noção do perigo que algumas de suas ações podem ter. É papel dos pais antecipar os potenciais perigos e atuar para prevenir a ocorrência dessas lesões, como por exemplo não cozinhar com a criança no colo, bloquear a entrada das crianças na cozinha, usar apenas as bocas traseiras do fogão e SEMPRE deixar os cabos das panelas para dentro do fogão. Uma vez que reconhecemos que esse “acidente” poderia ter sido evitado, podemos caracterizar essa queimadura como uma negligência, uma vez que a segurança da criança foi negligenciada dentro desse lar pelos cuidadores que deveriam protegê-la de situações preveníveis como essa. Resposta: alternativa C. | C | |
8 | 7 | Cirurgia | Cirurgia do aparelho digestivo | Câncer Gástrico | Fácil | Diagnóstico | Mulher, 35 anos, queixou-se de dor abdominal recorrente, distensão abdominal e saciedade precoce há alguns meses. Ela também mencionou perda de peso não intencional. Uma endoscopia digestiva alta mostrou uma lesão submucosa no estômago, e o exame anatomopatológico diagnosticou uma neoplasia de células fusiformes de origem no músculo liso. Qual é o diagnóstico mais provável? | Tumor Estromal Gastrointestinal (GIST). | Linfoma MALT gástrico. | Adenocarcinoma do tipo intestinal. | Pólipo gástrico ulcerado. | Para abordar essa questão de maneira detalhada, vamos analisar cada parte do enunciado e as opções de resposta, entendendo o raciocínio por trás da alternativa correta e por que as outras são incorretas. **Enunciado da Questão:** Uma mulher de 35 anos apresenta-se com sintomas de dor abdominal recorrente, distensão abdominal e saciedade precoce, além de perda de peso não intencional. Esses sintomas podem ser indicativos de várias condições gastrointestinais, incluindo, mas não limitado a, distúrbios funcionais, inflamatórios, e neoplásicos. A realização de uma endoscopia digestiva alta, que revelou uma lesão submucosa no estômago, e o exame anatomopatológico, que diagnosticou uma neoplasia de células fusiformes de origem no músculo liso, são cruciais para o diagnóstico. **Alternativa A: Tumor Estromal Gastrointestinal (GIST):** Esta é a resposta correta. Os GISTs são o tipo mais comum de tumor mesenquimal do trato gastrointestinal e originam-se das células intersticiais de Cajal, que são células do músculo liso responsáveis pela motilidade gastrointestinal. A apresentação clínica, juntamente com a localização submucosa da lesão e a descrição histológica de uma neoplasia de células fusiformes (ou seja, células alongadas semelhantes a fibroblastos), são características típicas de um GIST. Além disso, a perda de peso não intencional pode ser um sintoma associado à presença de uma neoplasia. **Alternativa B: Linfoma MALT gástrico:** O linfoma MALT (tecido linfóide associado à mucosa) gástrico é um tipo de câncer que se origina do tecido linfático encontrado na mucosa do estômago. Embora possa apresentar sintomas semelhantes de desconforto abdominal, a sua origem é diferente, sendo derivado do tecido linfático e não do músculo liso. A descrição histológica de uma neoplasia de células fusiformes não é típica do linfoma MALT, que geralmente mostra uma proliferação de linfócitos. **Alternativa C: Adenocarcinoma do tipo intestinal:** O adenocarcinoma gástrico é um tipo comum de câncer de estômago, e a variedade do tipo intestinal é uma de suas formas histológicas. No entanto, este tipo de câncer origina-se das células epiteliais da mucosa gástrica e não do músculo liso, o que não corresponde à descrição dada pela questão. **Alternativa D: Pólipo gástrico ulcerado:** Pólipos gástricos são crescimentos que se projetam para dentro do lúmen do estômago. Eles podem ser neoplásicos ou não neoplásicos, e alguns podem ulcerar. No entanto, a descrição de uma lesão submucosa e uma neoplasia de células fusiformes não se enquadra na caracterização típica de um pólipo gástrico, que geralmente é uma lesão exofítica e não descrita histologicamente como composta por células fusiformes de origem no músculo liso. **Conclusão:** Levando em consideração a apresentação clínica da paciente, os achados endoscópicos e histológicos, o diagnóstico mais provável é um Tumor Estromal Gastrointestinal (GIST). É importante compreender as características distintivas dos diferentes tipos de neoplasias gástricas, tanto para fins diagnósticos quanto terapêuticos, uma vez que o manejo varia significativamente entre os diferentes tipos. | A | |
9 | 8 | Clínica Médica | Infectologia | Meningites agudas | Fácil | Diagnóstico | Idoso, 70 anos, iniciou, há 3 dias, quadro clinico de cefaleia, evoluindo com rigidez de nuca e febre. Porém, no caminho para o PA, apresentou crise convulsiva. Assinale a alternativa que apresenta o provável diagnóstico, qual exame solicitar e a terapia empírica? | Tumor cerebral / tomografia de crânio / programar descompressão craniana. | Meningite bacteriana / tomografia de crânio / punção lombar e antibioticoterapia. | Meningite viral / dosagem de lactato no líquor / iniciar Aciclovir. | Esclerose múltipla / tomografia de crânio / pulsoterapia com corticoide. | Dica do autor: A meningite bacteriana aguda é uma emergência médica caracterizada por inflamação purulenta das meninges , com potencial de evolução rápida para septicemia, choque, edema cerebral e óbito , especialmente em grupos vulneráveis como idosos, imunossuprimidos e crianças. A apresentação clássica inclui: Febre ; Cefaleia intensa ; Rigidez de nuca (sinal de irritação meníngea) ; Alteração do nível de consciência ou sonolência ; Sinais neurológicos focais ou convulsão em casos mais graves. No caso da questão, um idoso com febre, rigidez de nuca e crise convulsiva deve ser considerado, até prova em contrário, como portador de meningite bacteriana , até que a investigação diga o contrário. É importante destacar que a convulsão e a rebaixamento do nível de consciência são sinais de hipertensão intracraniana ou comprometimento neurológico grave . Nessa situação, não se deve realizar punção lombar imediata antes da exclusão de massa expansiva, deslocamento de linha média ou sinais de hipertensão intracraniana . Por isso, a tomografia de crânio deve ser feita antes da punção lombar nesses pacientes, como é o caso deste paciente idoso com crise convulsiva. Após a TC e se não houver contraindicação, realiza-se a punção lombar para confirmação diagnóstica. Contudo, como o atraso no início da antibioticoterapia está fortemente associado à maior mortalidade , o protocolo preconiza que a antibioticoterapia empírica seja iniciada imediatamente após a coleta de hemoculturas, mesmo antes da punção lombar se ela for postergada pela necessidade de neuroimagem. A terapia empírica inicial deve ser ajustada à faixa etária e aos agentes mais prováveis. Em idosos , deve-se cobrir: Streptococcus pneumoniae ; Neisseria meningitidis ; Listeria monocytogenes . O esquema empírico recomendado para idosos inclui: Ceftriaxona ou cefotaxima + ampicilina (para cobertura de Listeria) ± vancomicina (para pneumococo resistente, se necessário). Alternativa A: INCORRETA. Embora um tumor cerebral possa se manifestar com sintomas neurológicos e crises convulsivas, ele não evolui de forma aguda com febre, rigidez de nuca e sinais meníngeos . Essa hipótese não condiz com a clínica aguda e infecciosa descrita. Alternativa B: CORRETA. O quadro é típico de meningite bacteriana . A conduta correta envolve realizar tomografia de crânio antes da punção lombar devido à convulsão (potencial sinal de hipertensão intracraniana) e iniciar antibioticoterapia empírica o quanto antes , o que justifica plenamente essa alternativa como a mais adequada. Alternativa C: INCORRETA. Embora meningite viral seja parte do diagnóstico diferencial, o quadro clínico descrito (gravidade, idade, convulsão, febre alta) aponta fortemente para etiologia bacteriana . Além disso, não se inicia aciclovir em casos sem suspeita de herpesvírus (ex: ausência de sinais focais, temporal, lesões cutâneas etc.). Alternativa D: INCORRETA. A esclerose múltipla não se manifesta com febre, rigidez de nuca ou crises convulsivas associadas a sinais sistêmicos . É uma doença inflamatória autoimune crônica do sistema nervoso central, sem relação com o quadro clínico descrito. Resposta: Alternativa B | B | |
10 | 9 | Pediatria | Neonatologia | Testes de triagem neonatal | Moderado | Diagnóstico | Lactente, 6 meses de idade, masculino, morador da zona rural de Ibatiba, nascido de parto domiciliar, sem pré-natal, sem coleta pregressa de teste do pezinho, cartão de vacinas em atraso, é admitido para internação apresentando 3° episódio de pneumonia. Mãe relata tosse crônica, dificuldade respiratória progressiva, diarreia persistente desde o 1° mês de vida associado a dificuldade de ganho ponderal. Qual alteração no teste do pezinho poderia indicar o provável diagnóstico neste paciente, caso ele fosse realizado? | Tripsina imunorreativa. | Dosagem G6PD. | Fenilcetonúria. | 17-OH Progesterona. | Dica do autor: A questão apresenta um lactente com múltiplos episódios de pneumonia, tosse crônica, diarreia persistente e dificuldade de ganho ponderal desde o primeiro mês de vida. Uma das principais hipóteses diagnósticas a serem consideradas e que pode ser indicada pelo Teste do Pezinho é a Fibrose Cística (FC), uma doença genética autossômica recessiva que decorre da falha do CFTR, um canal de cloro presente na superfície das células epiteliais e que, quando alterado, cursa com o aparecimento de secreções espessas. A alteração das características das secreções tem múltiplas consequências, como: favorecimento da colonização bacteriana nas vias aéreas superiores e inferiores, o que leva a sinusites e pneumonias de repetição, além de se associar a inflamação e destruição das pequenas vias aéreas com aparecimento de bronquiectasias. Além disso existe comprometimento do trato gastrointestinal com insuficiência pancreática exócrina desde o nascimento, evoluindo com esteatorreia, síndrome disabsortiva e baixo ganho ponderal. O paciente em questão não apresenta sintomas gastrointestinais. O teste do pezinho, triagem neonatal sanguínea para várias doenças, inclui a dosagem de tripsina imunorreativa (IRT), que está elevada em pacientes com FC pancreatoinsuficiente. Alternativa A: CORRETA. A dosagem de tripsina imunorreativa (IRT) é parte do teste do pezinho e é usada na triagem neonatal para Fibrose Cística. A tripsina imunorreativa é uma enzima produzida no pâncreas que se apresenta elevada no sangue dos pacientes com fibrose cística pancreatoinsuficiente. Caso a primeira amostra esteja alterada, devido às diversas situações que podem originar resultados falso-positivos e à baixa especificidade do exame, recomenda-se a coleta de outra amostra de sangue em papel-filtro para uma 2ª dosagem do IRT em até 2 a 4 semanas. Caso esta segunda amostra se mantenha alterada, está indicada a confirmação do diagnóstico por meio do teste do cloro no suor, padrão-ouro para o diagnóstico da fibrose cística. Alternativa B: INCORRETA. A dosagem de G6PD (deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase) é utilizada para detectar uma condição que pode levar a episódios de hemólise em resposta a certos medicamentos, alimentos ou infecções. É uma causa de icterícia neonatal às custas de bilirrubina indireta e não está relacionada diretamente aos sintomas descritos no caso. Alternativa C: INCORRETA. A fenilcetonúria é uma doença metabólica hereditária detectada pelo teste do pezinho e que se caracteriza pela incapacidade de metabolizar o aminoácido fenilalanina. Os sintomas incluem atraso no desenvolvimento e problemas neurológicos e não correspondem diretamente ao quadro clínico apresentado. Alternativa D: INCORRETA. A dosagem de 17-OH Progesterona é utilizada na triagem neonatal para hiperplasia adrenal congênita, uma condição que afeta as glândulas adrenais e pode levar a distúrbios no desenvolvimento sexual e desequilíbrios eletrolíticos. Não se relaciona com os sintomas respiratórios e digestivos descritos. Resposta: Alternativa A. | A | |
11 | 10 | Ginecologia e Obstetrícia | Ginecologia | Infecções do trato genital | Fácil | Conduta | H.O.S, feminino, 23 anos, chega ao serviço de pronto atendimento com queixa de corrimento vaginal. Relata ao médico residente , ter relações sexuais com parceiro único há 5 meses , não usando preservativo. Nega ISTs prévias. Ao exame físico ginecológico: genitália externa sem alterações. Ao exame espéculo, vê-se colo uterino com presença de micro ulcerações, além de corrimento amarelo esverdeado, bolhoso e de odor fétido. Notam-se ainda paredes vaginais íntegras. Assinale a alternativa correta acerca da principal hipótese diagnóstica e possível conduta para esse caso. | Tricomoníase, iniciar esquema com Metronidazol para a paciente | Tricomoníase, iniciar esquema com Metronidazol para a paciente e para seu parceiro | Vaginose bacteriana, iniciar esquema com Metronidazol para a paciente | Vaginose bacteriana, iniciar esquema com Metronidazol para a paciente e para seu parceiro | Dica do autor: O quadro clínico descrito é bastante sugestivo de tricomoníase, uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. Essa condição se manifesta com um corrimento vaginal abundante, bolhoso, de coloração amarelo-esverdeada e odor fétido, além de sintomas como prurido e disúria. O exame com espéculo frequentemente revela colo uterino com aspecto de “em framboesa” ou “microulcerações puntiformes”, achado bastante característico, embora não exclusivo. A tricomoníase pode ser assintomática, mas quando sintomática, essas alterações são bastante típicas. O tratamento preconizado é com Metronidazol por via oral, sendo obrigatório o tratamento do parceiro sexual, mesmo que assintomático, para evitar reinfecção. Essa abordagem está claramente definida nos protocolos do Ministério da Saúde (PCDT - 2020) e da OMS, e deve ser seguida como parte do manejo correto das ISTs. Alternativa A: INCORRETA. Apesar de corretamente identificar o agente etiológico e o tratamento com Metronidazol, a alternativa peca por não incluir o tratamento do parceiro, que é obrigatório. O não tratamento do parceiro contribui para altos índices de recidiva. Alternativa B: CORRETA. Esta alternativa reconhece corretamente o quadro clínico como tricomoníase e orienta a terapia com Metronidazol tanto para a paciente quanto para o parceiro, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde. Essa é a conduta adequada e recomendada para garantir eficácia e evitar reinfecções. Alternativa C: INCORRETA. Embora a vaginose bacteriana também apresente corrimento com odor fétido, ela não apresenta o aspecto bolhoso, coloração amarelo-esverdeada nem as alterações cervicais descritas na questão. Além disso, não costuma cursar com inflamação intensa ou dor durante o exame especular. Portanto, o quadro clínico é incompatível com vaginose. Alternativa D: INCORRETA. Além do erro no diagnóstico (como explicado acima), não é necessário tratar o parceiro na vaginose bacteriana, pois não há benefício comprovado nessa abordagem. Resposta: Alternativa B | B | |
12 | 11 | Cirurgia | Cirurgia geral | Princípios da Anestesia | Moderado | Conduta | Um paciente com indicação de cirurgia apresentou, logo após a anestesia, taquicardia, temperatura elevada, arritmia e espasmo do músculo masseter. Sobre o provável diagnóstico desse quadro, suas características e manejo, assinale a alternativa correta. | Trata-se de choque séptico que deve ser tratado com infusão imediata de antibiótico. | Trata-se de hipotermia maligna e deve ser administrado Dantrolene. | Trata-se de hipertermia maligna, condição autossômica dominante. | Trata-se de choque séptico refratário e deve ser administrado sevoflurano. | Dica do expert: Quando estivermos diante de um paciente que apresenta taquicardia, aumento de temperatura, arritmia e contratura muscular após administração de anestesia geral, devemos pensar na hipótese de hipertermia maligna, que é uma doença autossômica dominante caracterizada por uma resposta hipermetabólica após a exposição de algumas drogas anestésicas, sendo a mais comum a succinilcolina. Seu tratamento baseia-se na administração de dantrolene, um relaxante muscular, resfriamento corpóreo, e suportes ventilatório e clínico. Alternativa A: INCORRETA. Não há nenhum indício de que o paciente apresentasse alguma infecção. Além disso, por definição, choque séptico ocorre quando o paciente em sepse mantém hipotensão mesmo após a reposição volêmica realizada de forma correta, necessitando de drogas vasoativas. Alternativa B: INCORRETA. Alternativa para pegar os apressados. Trata-se de HIPERtermia maligna, que é de fato tratada com dantrolene. Alternativa C: CORRETA. Conforme a dica. Alternativa D: INCORRETA. Como já mencionado no comentário da alternativa A, não estamos diante de um quadro de choque séptico, ainda mais refratário, que indicaria que ele não respondeu nem à administração de drogas vasoativas. Resposta correta, letra C. | C | |
13 | 12 | Ginecologia e Obstetrícia | Ginecologia | Infertilidade | Fácil | Conduta | Um casal heterossexual de trinta anos de idade vem tentando engravidar, há mais de 2 anos anos, sem sucesso. Já foi realizado o espermograma do homem e este apresentou-se normal. A mulher tem ciclos regulares, inclusive com sintomas pré-menstruais, todavia, apresentava antecedente de tratamento de “infecção uterina”. Foi solicitada, então , uma histerossalpingografia, que revelou obstrução tubária bilateral, impossível de ser revertida com laparoscopia e histeroscopia a serem realizadas posteriormente. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta. | Trata-se de condição em que o diagnóstico genético pré-implantacional do embrião é impositivo | Deve-se realizar, inicialmente, um coito programado, precedido de estímulo à ovulação | A inseminação é a primeira opção terapêutica | O tratamento inicial, visando à gestação, deve-se ser a fertilização in vitro | Dica do Professor: Casal com infertilidade primária há 2 anos. Espermograma normal, ciclos regulares (inferimos ciclos ovulatórios). Tem antecedente de infecção uterina (provável Doença Inflamatória Pélvica) e na histerossalpingografia havia Obstrução Tubária Bilateral. Só nos resta 1 tratamento: Fertilização In Vitro (o encontro dos gametas e a formação do embrião ocorre fora do corpo da paciente). Alternativa A: INCORRETA. Não há indicação de biópsia do embrião. Alternativa B: INCORRETA. Tubas obstruídas. Não adianta coito programado! Alternativa C: INCORRETA. Tubas obstruídas. De nada adianta colocar um semen preparado intra-uterino! Alternativa D: CORRETA. Pela Obstrução Tubária Bilateral devemos realizar a Fertilização In Vitro (o encontro dos gametas e a formação do embrião ocorre fora do corpo da paciente). Resposta correta, letra D. | D | |
14 | 13 | Medicina de Família e Comunidade | Saúde mental | Transtornos Relacionados a Traumas e Estressores | Fácil | Conduta | B., 28 anos, é bombeiro e participou ativamente de vários resgates de desabrigados na região do Vale do Taquari e na Região Metropolitana de Porto Alegre durante o evento climático extremo de maio de 2024. Ele resgatou inúmeras pessoas nos telhados de suas casas por meio de helicóptero e também por meio de embarcações, salvou crianças e animais de estimação, assim como encontrou várias vítimas fatais durante as buscas. Quatro meses após o episódio, quando buscou tratamento, B. seguia com pesadelos relacionados ao acontecimento, tendo lembranças recorrentes dos fatos acompanhadas de muita angústia. Dizia não querer mais participar de situações de resgate e evitava ao máximo se envolver nesse tipo de atividade. Sentia que sua memória e sua concentração estavam muito prejudicadas desde então. O médico de Atenção Primária na UBS, que lhe atendeu na primeira consulta, prontamente fez um diagnóstico e lhe sugeriu um tratamento. Considerando este caso, assinale a alternativa que preenche as lacunas abaixo CORRETAMENTE. O médico que o atendeu quatro meses após o evento climático extremo entendeu que B. tinha um diagnóstico de _______________ . O médico indicou tratamento psicoterápico e prescreveu um _______________ para ser usado, em caso de remissão dos sintomas, por um período de _______________, antes do início da retirada, que deve ser gradual. | transtorno de estresse agudo | benzodiazepínico | 6 meses | transtorno de estresse agudo | inibidor seletivo da recaptação de serotonina | 12 meses | transtorno de estresse pós-traumático | benzodiazepínico | 6 meses | transtorno de estresse pós-traumático | inibidor seletivo da recaptação de serotonina | 12 meses | Dica do autor: O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é uma condição psiquiátrica que se desenvolve após a exposição a um evento traumático extremo — como guerras, desastres naturais, acidentes graves, agressões físicas ou situações com risco real à vida. Ele se caracteriza por um conjunto de sintomas que persistem por mais de um mês e causam sofrimento significativo ou prejuízo funcional. Segundo o DSM-5 e as diretrizes do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde , os sintomas nucleares do TEPT incluem: Revivescência: lembranças intrusivas, pesadelos ou flashbacks relacionados ao trauma; Evitamento: esquiva de pessoas, locais ou atividades associadas ao evento; Alterações cognitivas e de humor: sentimentos de culpa, distanciamento emocional, amnésia dissociativa; Hiperexcitabilidade: irritabilidade, insônia, hipervigilância, dificuldade de concentração e sustos exagerados. O diagnóstico diferencial com transtorno de estresse agudo é fundamental. Este último ocorre entre 3 dias e 1 mês após o trauma . No caso clínico apresentado, como os sintomas persistem por quatro meses , estamos claramente diante de um quadro de TEPT . O tratamento do TEPT deve envolver: Psicoterapia , especialmente a terapia cognitivo-comportamental com foco no trauma; Farmacoterapia , preferencialmente com inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) como sertralina, paroxetina ou fluoxetina, que são considerados de primeira linha; O uso de benzodiazepínicos não é indicado como tratamento para TEPT, por risco de dependência e por não atuar sobre os sintomas centrais da doença; A duração mínima recomendada do tratamento medicamentoso é de 12 meses , com retirada gradual e supervisionada após remissão sustentada dos sintomas. Alternativa A: INCORRETA. O diagnóstico não é de transtorno de estresse agudo, pois os sintomas persistem há quatro meses. Além disso, benzodiazepínicos não são recomendados como primeira linha para TEPT. Alternativa B: INCORRETA. O uso do ISRS está correto, mas o diagnóstico indicado — transtorno de estresse agudo — está incorreto, já que ultrapassou o tempo limite de 1 mês após o trauma. Alternativa C: INCORRETA. Embora o diagnóstico esteja correto (TEPT), o uso de benzodiazepínicos é inadequado como tratamento principal. Eles podem ser usados apenas em situações muito específicas e por curto prazo. Alternativa D: CORRETA. Essa é a opção que corretamente associa o diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático , o uso de ISRS e a recomendação de tratamento por no mínimo 12 meses , com retirada gradual após remissão dos sintomas. Resposta: Alternativa D | D | |
15 | 14 | Ginecologia e Obstetrícia | Ginecologia | Câncer de mama | Moderado | Diagnóstico e Conduta | Uma mulher de 49 anos procurou uma unidade básica de saúde, com queixa de “caroço na mama esquerda” e saída de secreção esverdeada bilateralmente. No exame, notou-se um nódulo medindo 1,5 cm, indolor, na mama esquerda. As mamas não apresentavam alterações cutâneas ou adenopatia axilar. A paciente foi submetida a cirurgia com ressecção do tumor, cujo laudo histopatológico indicou carcinoma intraductal infiltrante, com 2 linfonodos sentinelas acometidos e receptores hormonais (progesterona e estrogênio) positivos. Assinale a opção que corresponde ao fator que demonstra o pior prognóstico para o quadro dessa paciente. | Tipo histológico do tumor. | Tamanho do tumor primário. | Receptores hormonais positivos. | Linfonodos sentinelas comprometidos. | Dica do autor: Dentro do caso acima tem-se uma paciente com estadiamento T1N1M0; Pois o T1 consiste em tumor de até 2cm; O N1 consiste no número de linfonodos acometidos, quando até 3 linfonodos no mesmo braço/axila, estadia-se como N1; E M0 pois se trata de um caso que não se relata metástases à distância. Além disso, a paciente apresenta um quadro com receptor hormonal positivo, isso é um fator de melhor prognóstico quando comparado ao tratamento de tumores triplo negativos, por exemplo. Dentre os fatores acima listados, aquele que possui maior gravidade, seria o acometimento linfonodal indicando metástases axilares para linfonodos sentinelas. Alternativa A: INCORRETA. O subtipo da paciente é o mais comum e, em geral, de melhor prognóstico se comparado aos outros. Alternativa B: INCORRETA. A lesão de 1,5 cm não confere pior prognóstico da lesão. Alternativa C: INCORRETA. Os receptores hormonais positivos (serão os luminais) tem melhor prognóstico que os triplo-negativos. Alternativa D: CORRETA. O comprometimento axilar é um fator de pior prognóstico nesse caso, pois indica disseminação metastática. Resposta: Alternativa D. | D | |
16 | 15 | Medicina de Família e Comunidade | Atenção Primária à Saúde | Hipertensão e diabetes na APS | Difícil | Conduta | Você atua como médico de família e comunidade em uma Unidade de Saúde da Família e atende uma paciente do sexo masculino, de cor branca, com 62 anos de idade e história de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2, que vem para uma consulta de rotina e não apresenta queixas. Ele usa enalapril 20 mg/dia, anlodipino 5 mg/dia, metformina XR 500 mg/dia. No exame físico, você identifica paciente em bom estado geral, pesando 72 Kg, FC = 80 bpm, PA = 126 x 80 mmHg. Ele lhe traz os resultados de exames laboratoriais que você pediu na última consulta. Glicemia de jejum: 110 mg/dL, HbA1C: 7%, creatinina: 2,0 mg/dL, sódio: 137 mEq/L, potássio: 4,2 mEq/L, relação albuminúria/creatinúria: 350 mg/g. Nessa situação, além de orientar alimentação adequada e exercícios físicos regulares, qual seria a sua conduta? | Suspender o anlodipino e elevar a dose do enalapril para 20 mg de 12/12h. | Manter as medicações prescritas nas mesmas doses, repetir os exames e reavaliar em 1 mês. | Substituir a metformina por glibenclamida e manter as demais medicações prescritas. | Suspender o enalapril e elevar a dose do anlodipino para 5 mg de 12/12h. | Dica do professor: Estamos diante de um paciente com doença renal crônica com albuminúria e ClCr estimada de 39 ml/min/1,73m², com estadiamento GIIIb / A3. Alternativa A: Correto, além da redução e controle de fatores de risco para a DRC, devemos iniciar medidas para reduzir a progressão da doença, feito principalmente por meio dos iECA e BRA, que inibem a vasoconstrição das arteríolas eferentes glomerulares, reduzindo a pressão de filtração glomerular. Esses medicamentos devem ser administrados na maior dose possível, sendo recomendado 40mg/dia de Enalapril. Alternativa B: Incorreto, o diagnóstico de insuficiência renal já está estabelecido, não há necessidade de repetir os exames em um mês. Alternativa C: Incorreto, não haveria benefícios em trocar a classe de hipoglicemiante oral. Se seu ClCr atingir taxas < 30ml/min/1,73m² é preciso suspender a metformina e iniciar iinsulinização. Alternativa D: Incorreto, o enalapril é recomendada para redução da progressão da DRC. Resposta correta, letra A. | A | |
17 | 16 | Ginecologia e Obstetrícia | Obstetrícia | O puerpério | Fácil | Conduta | Paciente teve parto cesárea há 8 dias e retorna à maternidade com queixa de febre alta há 2 dias, acompanhada de calafrios nas últimas horas. Refere ainda dor intensa em andar inferior do abdome. A loquiação está escassa, mas apresenta odor fétido. Ao exame: regular estado geral, temperatura 39°C, PA = 100 x 60 mmHg, FC = 120 bpm, útero no nível da cicatriz umbilical, amolecido e doloroso à palpação. Cicatriz de cesariana seca e limpa. Mamas lactantes, com sinais de ingurgitamento mamário e fissura mamilar à esquerda, mas sem evidência de mastite ou abscesso mamário. Ultrassonografia não evidenciou sinais ecográficos de conteúdo anormal na cavidade uterina ou na cavidade abdominal. Hemograma com leucocitose e desvio à esquerda. A conduta indicada para esse caso é | suspender amamentação e iniciar antibioticoterapia com clindamicina por via oral, em nível ambulatorial. | manter amamentação e iniciar antibioticoterapia com clindamicina por via oral, em nível ambulatorial. | suspender a amamentação e internar a paciente para curetagem uterina de urgência e antibioticoterapia intravenosa com clindamicina e gentamicina. | manter a amamentação e iniciar antibioticoterapia intravenosa com clindamicina e gentamicina. | Dica do professor: Paciente no 8o PO de cesárea, apresenta febre alta com calafrios, dor em baixo ventre e loquiação com odor fétido. Está febril e taquicárdica, com útero hipo-involuido, doloroso e amolecido. Não apresenta sinais de infecção de ferida operatória nem mastite. Ausência de restos placentários à ultrassonografia. Estamos, portanto, diante de uma infecção puerperal, cujo foco é endometrite. Alternativa A: INCORRETA. Diante de uma infecção puerperal, deve ser realizada antibioticoterapia endovenosa e a amamentação não deve ser suspensa. Alternativa B: INCORRETA. Diante de uma infecção puerperal, deve ser realizada antibioticoterapia endovenosa, não via oral. Alternativa C: INCORRETA. A amamentação não deve ser suspensa e não há indicação de curetagem uterina no momento, já que a ultrassonografia não evidenciou a presença de restos placentários. Alternativa D: CORRETA. Está indicada a internação hospitalar para antibioticoteraia endovenosa com clindamicina + gentamicina. A amamentação deve ser mantida. Resposta correta, letra D. | D | |
18 | 17 | Clínica Médica | Endocrinologia | Diagnóstico e tratamento de diabetes mellitus | Fácil | Conduta | Paciente masculino, 55 anos, com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 há 8 anos, apresenta histórico de hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia, ambas controladas com medicação. Atualmente, faz uso de metformina 1.000 mg duas vezes ao dia e gliclazida 60 mg ao dia. Relata episódios frequentes de hipoglicemia, especialmente no período noturno. Exames recentes mostram hemoglobina glicada de 7,8%, função renal preservada e índice de massa corporal (IMC) de 32 kg/m². Qual das alternativas abaixo seria a conduta mais apropriada para otimizar o manejo farmacológico deste paciente? | Suspender a metformina devido ao risco de desenvolver doença renal crônica e iniciar insulina basal. | Manter a gliclazida e adicionar um inibidor do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (iSGLT2). | Iniciar agonista do receptor GLP-1 para auxiliar na redução do peso e associar insulina lenta ou ultralenta + dose mantida de gliclazida e metformina para maximizar o controle glicêmico. | Substituir a gliclazida por um inibidor do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (iSGLT2) para reduzir o risco de hipoglicemia e auxiliar na perda de peso. | Dica do autor: O manejo do diabetes tipo 2 deve ser individualizado, considerando não apenas a hemoglobina glicada, mas também o risco de hipoglicemia, presença de comorbidades, perfil metabólico e impacto do tratamento sobre o peso corporal. Neste caso, temos um paciente com: Diabetes tipo 2 com 8 anos de evolução ; Hipoglicemias frequentes, especialmente noturnas ; IMC de 32 kg/m² (sobrepeso importante) ; Uso de metformina + gliclazida , com HbA1c de 7,8%. Alguns pontos críticos no raciocínio clínico: A gliclazida é uma sulfonilureia de segunda geração. Apesar de eficaz na redução da glicemia, aumenta o risco de hipoglicemia , especialmente em pacientes com função renal preservada e horários fixos de alimentação. Também contribui para ganho de peso , o que piora o controle metabólico a longo prazo. O uso de sulfonilureias vem sendo progressivamente substituído por classes de antidiabéticos que, além do controle glicêmico, trazem benefícios metabólicos adicionais , com menor risco de hipoglicemia. Entre as melhores opções de substituição está a classe dos iSGLT2 (inibidores do cotransportador sódio-glicose tipo 2) : Promovem glicosúria (eliminação de glicose pela urina); Reduzem a glicemia de forma independente da insulina ; Têm risco praticamente nulo de hipoglicemia ; Auxiliam na redução de peso e pressão arterial ; Apresentam benefícios adicionais em pacientes com insuficiência cardíaca e doença renal crônica. Dessa forma, a substituição da gliclazida por um iSGLT2 é a conduta mais apropriada neste cenário, pois: Reduz o risco de hipoglicemia; Contribui para perda ponderal; Mantém ou melhora o controle glicêmico em associação à metformina. Alternativa A: INCORRETA. A metformina deve ser mantida . Ela reduz resistência insulínica, tem perfil seguro e não causa hipoglicemia. A função renal está preservada, portanto não há justificativa para suspendê-la. Alternativa B: INCORRETA. A adição de um iSGLT2 é benéfica, mas manter a gliclazida mantém o risco de hipoglicemia. O mais apropriado é substituir a sulfonilureia. Alternativa C: INCORRETA. O agonista de GLP-1 também seria uma excelente opção, especialmente para perda de peso. Contudo, associá-lo à gliclazida mantém o risco de hipoglicemia e insulina neste contexto não está indicada . Alternativa D: CORRETA. A substituição da gliclazida por um iSGLT2 trata simultaneamente dois dos principais objetivos deste caso: redução do risco de hipoglicemia e controle de peso , com manutenção do controle glicêmico. Resposta: Alternativa D | D | |
19 | 18 | Ginecologia e Obstetrícia | Obstetrícia | Doenças hipertensivas na gestação | Fácil | Diagnóstico e Conduta | Gestante de 32 anos dá entrada na emergência da maternidade com queixa de "borramento" visual e epigastralgia. A idade gestacional é de 34 semanas, BCF 144 bpm, com boa movimentação fetal, dinâmica uterina ausente, pressão arterial de 200x 130 mmHg. A medicação indicada neste momento é: | Sulfato de magnésio endovenoso e hidralazina endovenosa. | Sulfato de magnésio via oral e hidralazina endovenosa. | Sulfato de magnésio endovenoso e metildopa via oral. | Sulfato de magnésio endovenoso e nifedipina endovenosa. | Dica do autor: A paciente apresenta sinais de iminência de eclâmpsia , caracterizados por hipertensão arterial grave (PA ≥ 160 x 110 mmHg), borramento visual e epigastralgia . A eclâmpsia é uma complicação grave da pré-eclâmpsia, caracterizada por convulsões tônico-clônicas generalizadas em gestantes sem histórico de epilepsia. Manejo imediato: O tratamento da emergência hipertensiva na gestação envolve dois pilares principais: Prevenção das convulsões: Sulfato de magnésio EV : é a droga de escolha para prevenção e tratamento da eclâmpsia. Esquema de administração: Ataque: 4 g de sulfato de magnésio EV em 20 minutos . Manutenção: 1 g/h em infusão contínua. Controle da pressão arterial: A meta é reduzir a PA para valores abaixo de 160 x 110 mmHg , evitando quedas abruptas que possam comprometer a perfusão placentária. Hidralazina EV é a primeira escolha, devido à segurança para o feto. Dose: 5 mg IV a cada 15 minutos, até um máximo de 20 mg. Alternativa: Nifedipina oral pode ser usada quando a hidralazina não estiver disponível. Além disso, é essencial realizar a avaliação fetal , monitorizar diurese e considerar a interrupção da gestação . Alternativa A: CORRETA. O sulfato de magnésio endovenoso é essencial para prevenir e tratar crises convulsivas da eclâmpsia. A hidralazina endovenosa é a primeira escolha para controle da PA, pois reduz a pressão de forma eficaz sem comprometer a perfusão placentária. Alternativa B: INCORRETA. O sulfato de magnésio não é administrado por via oral , pois sua absorção é imprevisível e não atinge os níveis terapêuticos necessários para prevenir convulsões. Alternativa C: INCORRETA. A metildopa via oral é uma boa opção para o controle crônico da hipertensão na gestação , mas não deve ser usada em emergências hipertensivas , pois tem ação lenta e menor potência hipotensora . Alternativa D: INCORRETA. Embora a nifedipina seja uma opção segura e eficaz para controle da PA (geralmente administrada via oral na gestação), a hidralazina IV é preferida nas emergências hipertensivas obstétricas , devido à sua rápida ação e segurança comprovada no contexto gestacional. Resposta: Alternativa A | A | |
20 | 19 | Medicina de Família e Comunidade | Saúde Coletiva | Sistemas de informação em saúde | Moderado | Saúde Coletiva e Gestão | O uso off label da hidroxicloroquina e cloroquina para o tratamento da COVID-19 chegou a ser disseminado. Os efeitos adversos da cloroquina são geralmente leves e reversíveis. Porém, efeitos mais graves, como arritmias cardíacas, podem ser observados. Em qual sistema de informação em saúde e vigilância esses eventos devem ser notificados? | Sistema de Notificações em Vigilância Sanitária (VigiMed). | Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). | Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). | Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS). | Dica do professor: Na maioria das vezes, só precisamos saber o que significam as siglas dos sistemas de informação e quais os documentos base que alimentam esses sistemas. Alternativa A: CORRETA. Poucas vezes o VigiMed é cobrado em provas de residência, mas aqui o seu conhecimento sobre Vigilância Sanitária seria o suficiente. Entre as atribuições da Vigilância Sanitária está averiguar medicamentos e seus possíveis efeitos colaterais. Alternativa B: INCORRETA. Efeito colateral de medicamento não é de notificação compulsória. Alternativa C: INCORRETA. O principal documento do SIH é a AIH, cujas principais informações levam em consideração os motivos para internamento de um paciente. O efeito colateral de um medicamento pode ser a principal justificativa, mas a alternativa A continua sendo a melhor resposta. Alternativa D: A questão está perguntando sobre efeitos colaterais mais graves, que provavelmente não serão assistidos ambulatorialmente. De qualquer forma, os principais documentos do SIA são a APAC e BPA, que dizem respeito a procedimentos realizados. Há outros documentos, mas, como dito acima, a alternativa A é a que melhor responde a questão. Resposta correta, letra A. | A | |
21 | 20 | Clínica Médica | Endocrinologia | Metabologia | Moderado | Diagnóstico | Mulher de 30 anos, com diagnóstico de obesidade grau 3, hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2, apresenta ao exame físico: estrias violáceas em tronco com 1 cm de largura, fácies em "lua cheia" e pletora facial. Nega uso de corticosteroides de qualquer tipo no último ano. Em investigação laboratorial apresenta os seguintes resultados: - cortisol livre em urina de 24 horas (amostra 01): 120 microg/24h (valor de referência: 3,0 a 43,0 microg/24h). - cortisol livre em urina de 24 horas (amostra 02): 30 microg/24h (valor de referência: 3,0 a 43,0 microg/24h). - cortisol salivar à meia-noite: 80 ng/dl (valor de referência: < 100 ng/dl). - cortisol sérico matinal após administração de 2,0 mg de dexametasona via oral à meia-noite: 1,0 microg/dL (valor de referência: < 1,8 microg/dL). - ACTH sérico matinal: 15 pg/mL (valor de referência: 7 a 63 pg/mL). Com base no quadro clínico descrito e nos exames complementares, o diagnóstico da paciente é | síndrome de pseudo-Cushing. | doença de Cushing. | tumor ectópico produtor de ACTH. | adenoma adrenal funcionante. | Dica do autor: A avaliação do hipercortisolismo representa um dos desafios mais complexos da endocrinologia clínica. Muitas vezes, pacientes com sinais e sintomas sugestivos de excesso de glicocorticoides endógenos — como obesidade centrípeta, fácies em lua cheia, giba dorsal, estrias violáceas largas, hipertensão arterial e distúrbios glicêmicos — levantam a hipótese de síndrome de Cushing , mas é crucial lembrar que nem todo hipercortisolismo é sinônimo de Cushing verdadeiro . A síndrome de Cushing endógena é classificada com base na dependência ou não do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH). Ela pode ser: ACTH-dependente : causada por adenoma hipofisário (doença de Cushing – a mais comum das causas endógenas) ou por produção ectópica de ACTH (tumores como carcinoma de pequenas células de pulmão). ACTH-independente : causada por adenomas ou carcinomas adrenais funcionantes , que secretam cortisol de forma autônoma. Entretanto, há um grupo de pacientes que, embora apresentem clínica e alterações laboratoriais que mimetizam o hipercortisolismo, não possuem uma síndrome de Cushing verdadeira , mas sim o que chamamos de síndrome de pseudo-Cushing . Trata-se de um hipercortisolismo funcional e transitório , em que o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal está hiperestimulado por condições como: Obesidade visceral (principal fator confundidor) Diabetes mellitus tipo 2 mal controlado Síndrome metabólica Alcoolismo crônico Depressão maior ou transtornos psiquiátricos graves Gravidez Estresse físico agudo (pós-operatório, infecções, dor crônica) Nesses casos, o aumento do cortisol é reversível com o tratamento da condição de base . A chave diagnóstica está na interpretação acurada de testes hormonais , aliada à história clínica e contexto do paciente . Os testes de triagem para síndrome de Cushing incluem: Cortisol livre urinário em 24h (duas amostras): elevado em Cushing, mas também em pseudo--Cushing. Cortisol salivar à meia-noite : reflete perda do ritmo circadiano do cortisol — altamente sensível, mas pouco específico em obesos. Teste de supressão com dexametasona 1 mg : avalia a inibição do eixo. No Cushing verdadeiro, há ausência de supressão do cortisol. No pseudo-Cushing, geralmente há supressão parcial ou total . Quando os testes de triagem são inconclusivos ou mostram alterações discretas, lança-se mão de testes confirmatórios mais robustos, como: Teste de supressão com altas doses de dexametasona (8 mg) Teste combinado com dexametasona + CRH Teste do DDAVP (desmopressina) — cada vez mais utilizado para diferenciar doença de Cushing de pseudoCushing, pois a desmopressina tende a aumentar o ACTH apenas em pacientes com adenoma hipofisário. No caso clínico apresentado, a paciente tem obesidade grau III, HAS e DM2 , todos fatores fortemente associados ao pseudo-Cushing . Além disso, seus exames mostram Cortisol urinário discretamente elevado, cortisol salivar alto, porém com supressão adequada do cortisol após dexametasona e ACTH normal. Esse conjunto de achados é mais compatível com hipercortisolismo funcional , sem evidência de produção autônoma, sustentando o diagnóstico de síndrome de pseudo-Cushing . O eixo HHA está ativado, mas ainda responde aos mecanismos de feedback , o que não ocorre no Cushing verdadeiro. Alternativa A: CORRETA. A síndrome de pseudo-Cushing é a explicação mais provável neste caso, pois a paciente apresenta condições clínicas que podem ativar o eixo HHA (hipotálamo-hipófise-adrenal), como obesidade grau III e diabetes tipo 2. Apesar de algumas alterações laboratoriais discretas (cortisol salivar e urinário ligeiramente elevados), houve supressão adequada do cortisol com dexametasona, o que afasta a síndrome de Cushing verdadeira . O ACTH também está dentro do limite, sem comportamento autônomo. A apresentação é típica de um hipercortisolismo funcional e transitório , sem doença tumoral subjacente. Alternativa B: INCORRETA. A doença de Cushing se refere especificamente à presença de um adenoma hipofisário produtor de ACTH , levando à estimulação das adrenais e produção excessiva de cortisol. Nesse quadro, espera-se falta de supressão do cortisol após dexametasona e níveis persistentemente elevados de ACTH e cortisol em múltiplos exames. No caso descrito, o cortisol suprimido após o teste de 2 mg de dexametasona indica que o eixo está responsivo, descartando essa hipótese. Alternativa C: INCORRETA. O tumor ectópico produtor de ACTH é uma causa rara de síndrome de Cushing ACTH-dependente, em geral associada a neoplasias como carcinoma broncogênico de pequenas células. Costuma cursar com hipercortisolismo severo, ACTH muito elevado e ausência total de supressão com dexametasona , o que não é o caso aqui . O quadro clínico e laboratorial não é compatível com essa condição. Alternativa D: INCORRETA. O adenoma adrenal funcionante é uma causa de síndrome de Cushing ACTH-independente . Nesses casos, o cortisol está alto, mas o ACTH tende a estar baixo ou indetectável , devido à retroalimentação negativa. Como a paciente apresenta ACTH normal ou discretamente elevado , essa etiologia não se aplica . Além disso, a resposta à dexametasona também afasta essa possibilidade. Resposta: Alternativa A | A | |
22 | 21 | Medicina de Família e Comunidade | Epidemiologia | Rastreios e prevenção de câncer | Fácil | Prevenção e Promoção da Saúde | Paciente procura atendimento médico para avaliação da mamografia, cujo resultado está descrito como Avaliação: Classificação BI-RADS 0. BI-RADS (Breast Imaging Reporting And Data System). Segundo o protocolo do Ministério da Saúde deveria ser feito: | Seguimento semestral. | Solicitação de ultrassonografia das mamas. | Encaminhamento para Oncologista. | Necessidade de avaliação histopatológica (Biopsia). | Dica do autor: o sistema BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) é uma padronização internacional para laudos de imagem mamária. Quando uma mamografia é classificada como BI-RADS 0 , isso significa que o exame foi inconclusivo e necessita de avaliação complementar — não é possível definir se é benigno ou maligno apenas com aquela imagem. Dessa forma, segundo o protocolo do Ministério da Saúde e as diretrizes do Colégio Brasileiro de Radiologia, o próximo passo é solicitar um exame complementar , sendo a ultrassonografia mamária o mais indicado, especialmente para elucidar áreas de densidade mamária aumentada ou nódulos não bem caracterizados. Alternativa A: INCORRETA. O seguimento semestral é indicado para lesões provavelmente benignas (BI-RADS 3), não para casos inconclusivos como o BI-RADS 0. Alternativa B: CORRETA. No caso de BI-RADS 0 , deve-se realizar ultrassonografia das mamas ou outro exame de imagem complementar para melhor avaliação da alteração observada. Alternativa C: INCORRETA. O encaminhamento para o oncologista só seria necessário em casos de alta suspeição de malignidade (BI-RADS 4 ou 5), o que não é o caso aqui. Alternativa D: INCORRETA. A avaliação histopatológica (biópsia) é indicada após definição da necessidade de investigação adicional, principalmente em achados classificados como BI-RADS 4 ou 5, e não imediatamente em BI-RADS 0. Resposta: Alternativa B. | B | |
23 | 22 | Ginecologia e Obstetrícia | Obstetrícia | Hemorragias da primeira metade da gestação | Moderado | Conduta | Gestante com 7 semanas de atraso menstrual vem ao pronto atendimento com queixa de dor em baixo ventre e sangramento vaginal. Realiza ultrassonografia transvaginal. Assinale a alternativa que corresponde ao diagnóstico e à conduta assertiva. | Se o colo está fechado e o endométrio mede 10 mm, há abortamento incompleto, devendo internar para dilatação e curetagem. | Se o embrião tem 4 mm e não tem batimento, há aborto retido, devendo internar a gestante. | Se o sangramento é pequeno, mas há cólicas e o embrião está vivo, há um abortamento em curso e deve-se receitar a progesterona. | Se o colo é fechado e o saco gestacional mede 21 mm, mas não tem embrião, há gestação anembrionada e pode ser realizada aspiração. | Dica do autor: A ultrassonografia transvaginal é uma ferramenta essencial na avaliação inicial da gravidez, permitindo a visualização do saco gestacional, vesícula vitelínica, embrião e atividade cardíaca embrionária, quando presentes. Diante de um saco gestacional com diâmetro médio (DMSG) ≥ 20mm sem embrião, consideramos uma gestação anembrionada. A presença de um embrião com comprimento cabeça nádega (CCN) maior que 7 mm sem detecção de atividade cardíaca é um indicativo de abortamento. Este diagnóstico é baseado no critério ultrassonográfico de que a atividade cardíaca deve ser detectável a partir de 6mm de CCN. O manejo da gestação anembrionada ou do aborto retido pode incluir: Conduta expectante → Aguarda-se a eliminação espontânea. Conduta medicamentosa → Uso de misoprostol para esvaziamento uterino. Aspiração manual intrauterina (AMIU) ou curetagem → Para casos com falha do tratamento medicamentoso ou da conduta expectante. A escolha do manejo depende da preferência da paciente, sintomas e estabilidade clínica . Alternativa A: INCORRETA. Aborto incompleto ocorre quando há eliminação parcial dos produtos da concepção. Um endométrio de apenas 10mm com colo fechado sugere aborto completo . Alternativa B: INCORRETA. Para diagnosticar um a borto retido é necessário um embrião com CCN 6mm sem atividade cardíaca. Com apenas 4mm pode se tratar de uma gestação viável inicial. Alternativa C: INCORRETA. A alternativa descreve uma ameaça de aborto ; um aborto em curso é caracterizado por colo pérvio, dor e sangramento intenso. Além disso, o uso de progesterona não é indicado nos casos de abortamento. Alternativa D: CORRETA. O colo fechado e um saco gestacional ≥ 21 mm sem embrião indicam gestação anembrionária . A conduta pode incluir aspiração uterina para esvaziamento. Resposta: Alternativa D. | D | |
24 | 23 | Clínica Médica | Cardiologia | Síndromes coronarianas agudas | Moderado | Diagnóstico e Conduta | Paciente de 67 anos, feminina, deu entrada em um serviço de emergência com dor torácica prolongada, hemodinamicamente estável, referindo três episódios nas últimas 12 horas. Pressão arterial de 100/60 mmHg e frequência cardíaca de 95 bpm. Referia antecedentes de hipertensão, tabagismo e diabetes. O eletrocardiograma de entrada mostrava infradesnivelamento do segmento ST de 2 mm. Iniciada nitroglicerina endovenosa com melhora completa da dor. O resultado do exame de troponina foi positivo e a paciente apresentava creatinina de 1,7 mg/dL. Diante desse quadro, qual o risco isquêmico e em quanto tempo idealmente ela deve ser submetida à cineangiocoronariografia? | Risco muito alto, < 2 horas. | Risco alto, < 24 horas. | Risco intermediário, entre 25 a 72 horas. | Risco Baixo. Realizar teste não invasivo antes de indicar a cineangiocoronariografia. | Dica do autor: Esta questão aborda o manejo do paciente com síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento do segmento ST (SCA sem supra). O risco do paciente é classificado com base na apresentação clínica, exames laboratoriais (troponina) e achados de ECG. A presença de infra-desnivelamento de ST, dor torácica recorrente, troponina positiva e fatores de risco como diabetes, hipertensão e tabagismo colocam a paciente em um grupo de alto risco , segundo as diretrizes de manejo de SCA sem supra. Pacientes de alto risco devem ser submetidos à cineangiocoronariografia em até 24 horas para avaliação e intervenção precoce. Alternativa A: INCORRETA. O risco muito alto indica a necessidade de intervenção imediata (2 horas), o que ocorre em pacientes com instabilidade hemodinâmica, arritmias graves ou dor torácica refratária, o que não é o caso aqui, já que a paciente está estável e a dor foi aliviada com nitroglicerina. Alternativa B: CORRETA. A paciente apresenta critérios de risco alto , como infra-desnivelamento de ST e troponina positiva, associados a fatores de risco significativos (diabetes, hipertensão, tabagismo). De acordo com as diretrizes, pacientes de alto risco devem ser submetidos à cineangiocoronariografia em menos de 24 horas, mesmo que estejam hemodinamicamente estáveis. Alternativa C: INCORRETA. O risco intermediário inclui pacientes com sintomas menos graves e sem alteração significativa nos marcadores de necrose miocárdica. Neste caso, a troponina positiva e o infra-desnivelamento de ST sugerem risco alto, e o tempo ideal para cineangiocoronariografia é menor que 24 horas. Alternativa D: INCORRETA. A paciente não se enquadra em um grupo de risco baixo, uma vez que apresenta dor torácica recorrente, infra-desnivelamento de ST e troponina positiva. Indicar um teste não invasivo não é adequado em pacientes com esses achados. Resposta: Alternativa B | B | |
25 | 24 | Ginecologia e Obstetrícia | Obstetrícia/Saúde mental | Transtornos de humor | Difícil | Saúde Coletiva e Gestão | Uma paciente com 31 anos de idade, preta, solteira, mãe de dois filhos (um de 5 e outro de 3 anos de idade), procura seu médico de família na unidade básica de saúde solicitando a suspensão da fluoxetina (40 mg/dia), que resultou na remissão dos sintomas do terceiro episódio depressivo. Relata que permanece assintomática e em uso regular da medicação. Considerando o caso apresentado, assinale a opção que explicita, com base científica, o plano terapêutico a ser discutido pelo médico e pactuado entre ele e a paciente. | Redução da dose da fluoxetina para 20 mg/dia, dose a ser mantida por pelo menos 5 anos, já que o risco de recorrência da depressão é de 60 a 70%. | Redução da dose de fluoxetina para 20 mg/dia, por 30 dias e, após esse prazo, suspensão do uso, uma vez que o risco de recorrência da depressão é de 30 a 40%. | Manutenção da dose de fluoxetina em 40 mg/dia, por tempo indeterminado ou pelo menos por 5 anos, já que o risco de recorrência da depressão é superior a 80%. | Manutenção da fluoxetina na dose de 40 mg/dia, por pelo menos mais um ano e, após esse prazo, suspensão gradual, já que o risco de recorrência da depressão é de 50 a 60%. | Dica do autor: Temos dois aspectos muito importantes para avaliarmos nesse enunciado. Primeiro, o fato de ser o terceiro episódio depressivo. Segundo, o fato de a paciente ter tido remissão dos sintomas com a dose de 40mg de fluoxetina. Caso a paciente estivesse no primeiro episódio depressivo, deve-se manter a medicação na dose que levou à melhora por 6 a 12 meses após essa melhora. No caso de segundo episódio depressivo, o mesmo é verdade para um período de 3 a 5 anos. Essa paciente está no terceiro episódio depressivo, em que o risco de recorrência para um quarto episódio é muito alto. Assim, deve-se manter a medicação na dose que causou melhora do quadro por tempo indeterminado. Esse tempo deve ser de, pelo menos, 5 a 10 anos. Alternativa A: INCORRETA. O risco de recorrência é maior do que 60-70% e deve-se manter a mesma dose que levou à melhora do quadro. Alternativa B: INCORRETA. O risco de recorrência é bem maior do que 30-40% e deve-se manter o tratamento por, pelo menos, 05 anos. Alternativa C: CORRETA. Conforme dica do autor. Alternativa D: INCORRETA. O risco de recorrência é maior e o tratamento deve ser mantido por, pelo menos, 05 anos. Resposta: Alternativa C. | C | |
26 | 25 | Cirurgia | Urologia | Urologia Ambulatorial | Fácil | Diagnóstico e Conduta | Um paciente masculino, 76 anos de idade, vem a consulta com clínica médica por apresentar dúvidas quanto à frequência com que deve realizar seu exame de próstata. O paciente diz ter feito o exame de PSA várias vezes ao longo dos últimos anos. Traz exame de 3 e de 4 anos atrás, com PSA = 0,8 ng/mL e 0,78 ng/mL, respectivamente. Nesse caso, o paciente deve ser recomendado a | Realizar exame de PSA a cada 5 anos. | Não realizar mais exame de PSA | Realizar exame de toque retal anual. | Realizar ultrassonografia retal com biopsia | Dica do professor: O Ministério da Saúde e o INCA não orientam realização de rastreamento do câncer de próstata. Mesmo se considerarmos as orientações de algumas sociedades, como a de urologia, que nos permite manter o rastreamento se houver uma decisão compartilhada entre paciente e profissional, não devemos continuar com o rastreamento após os 75 anos. Resposta: B | B | |
27 | 26 | Clínica Médica | Saúde mental | Transtornos de humor | Fácil | Conduta | Homem, 48 anos de idade, com histórico de hipertensão arterial controlada e sobrepeso, apresenta queixa de fadiga persistente, dificuldade de concentração e insônia há 6 meses. Ele também relata episódios de ansiedade e tristeza que afetam suas atividades diárias. O paciente é avaliado na UBS e, após investigação, é diagnosticado com transtorno depressivo maior. Iniciado tratamento com antidepressivo. Após 2 meses, ele retorna, relatando melhora parcial dos sintomas, mas continua apresentando fadiga e insônia. Ele também menciona aumento de peso desde o início do tratamento, apesar de manter os mesmos hábitos alimentares. Não há histórico de abuso de substâncias, e os sinais vitais estão normais. A alternativa que contém a conduta mais adequada em relação aos sintomas atuais deste paciente: | Prescrever zolpidem, para induzir o sono em curto prazo. | Recomendar higiene do sono, exercícios físicos regulares e perda de peso. | Adicionar um antipsicótico de segunda geração para controle da insônia. | Prescrever um suplemento de melatonina e aumentar a dose do antidepressivo. | Dica do autor: A abordagem de um paciente com transtorno depressivo maior (TDM) que apresenta sintomas residuais, como insônia, fadiga e ganho de peso, exige uma avaliação cuidadosa para ajustar o tratamento de forma integral. É essencial diferenciar os sintomas relacionados ao próprio transtorno depressivo daqueles que podem ser efeitos colaterais da medicação. Além disso, intervenções não farmacológicas desempenham um papel crucial no manejo, especialmente na promoção de higiene do sono , exercício físico e controle do peso . Medicamentos adicionais podem ser indicados em situações específicas, mas devem ser prescritos com cautela, considerando os riscos de efeitos adversos e interações medicamentosas. O zolpidem é uma medicação hipnótica útil para insônia de curto prazo, mas não trata a causa subjacente e deve ser usado de forma limitada. Antipsicóticos de segunda geração , como quetiapina, podem ser indicados em casos específicos, mas geralmente não são a primeira linha para tratar insônia em pacientes com TDM. Suplementos de melatonina têm alguma eficácia na insônia, mas não tratam diretamente a fadiga ou ganho de peso, e o aumento da dose do antidepressivo deve ser avaliado com base no risco-benefício. Intervenções não farmacológicas, como higiene do sono, exercício físico e suporte nutricional, são fundamentais para o controle dos sintomas residuais e a melhora da qualidade de vida. Alternativa A: INCORRETA. Embora o zolpidem possa ajudar a induzir o sono no curto prazo, ele não trata as causas subjacentes da insônia e da fadiga. Além disso, o uso prolongado de hipnóticos pode levar a dependência e tolerância, tornando-o uma escolha menos adequada como estratégia inicial para este caso. Alternativa B: CORRETA. A recomendação de higiene do sono , aliada a exercícios físicos regulares e ao controle de peso , é uma abordagem abrangente e baseada em evidências para melhorar os sintomas residuais do paciente. Essas medidas não apenas auxiliam na insônia, mas também no ganho de peso e na fadiga. Essa opção enfatiza o papel das mudanças no estilo de vida, que são fundamentais no manejo do TDM. Alternativa C: INCORRETA. A introdução de um antipsicótico de segunda geração pode ser útil em alguns casos de insônia refratária, mas geralmente está associada a um risco significativo de efeitos adversos, como sedação excessiva e ganho de peso adicional. Não é a conduta inicial mais apropriada para o paciente descrito. Alternativa D: INCORRETA. O uso de melatonina tem eficácia limitada e, embora possa ajudar na regulação do ritmo circadiano, não resolve os outros sintomas do paciente. Além disso, aumentar a dose do antidepressivo sem reavaliar o risco de efeitos adversos, como ganho de peso, pode piorar o quadro. Resposta: Alternativa B. | B | |
28 | 27 | Clínica Médica | Pneumologia | Pneumonias adquiridas na comunidade | Moderado | Ética e Profissionalismo | Paciente feminina de 68 anos é trazida ao pronto atendimento por queixa de tosse produtiva há 5 dias, sendo que hoje passou a apresentar dispneia para caminhar no plano e dor ventilatório-dependente em hemitórax direito. Nega febre, internações ou uso de antibióticos recentes. Nega sintomas gripais antes do início do quadro atual, mas diz que vem apresentando dificuldade para engolir alguns alimentos e tosse com frequência durante a alimentação. Paciente é previamente hipertensa e diabética, com controle adequado das comorbidades em uso de losartana 50 mg 12/12h, anlodipino 5 mg 12/12h, metformina 850 mg 3x/dia e dapagliflozina 10 mg/dia. Ao exame físico, paciente encontra-se em regular estado geral, corada, hidratada, anictérica, afebril, lúcida e orientada, cavidade oral em bom estado. Sinais vitais: frequência cardíaca de 102 bpm, frequência respiratória de 25 ipm, PA = 120 x 70 mmHg, SpO2 = 91% em ar ambiente, glicemia capilar de 95 mg/L. Ausculta cardíaca e exame abdominal sem alterações, ausculta pulmonar com estertores crepitantes em campo inferior de hemitórax direito. O médico solicita uma radiografia de tórax que mostra consolidação em base do pulmão direito, com alguns infiltrados algodonosos também em campo inferior esquerdo. Exames de sangue mostram: Hb = 12,1 g/dL, leucócitos 15.000 (75% neutrófilos, 5% bastões), plaquetas 160.000/mm3 , Ur = 60 mg/dL, Cr = 1,1 mg/dL, Na = 135 mEq/L, K = 4,5 mEq/L, Proteína C-reativa = 50 mg/dL, gasometria arterial com pH = 7,46 pO2 = 58 mmHg, pCO2 = 34 mmHg, SpO2 = 91%. Com relação ao caso descrito, assinale a alternativa correta. | Paciente apresenta pneumonia comunitária sem sinais de gravidade, podendo ser tratada ambulatorialmente com amoxacilina-clavulanato e azitromicina. Nenhum exame adicional é necessário. | Paciente com provável pneumonia aspirativa, sendo recomendado tratamento com ceftriaxone e clindamicina em regime de enfermaria, além de oxigenoterapia suplementar por cateter nasal. Solicitar hemoculturas e cultura de escarro. | Paciente com pneumonia comunitária grave com necessidade de internação em UTI. Iniciar antibioticoterapia empírica com ceftriaxone e azitromicina, cateter de alto fluxo e hidrocortisona, colher hemoculturas e pesquisa de antígeno urinário para Legionella. | Paciente com pneumonia adquirida na comunidade, de provável origem aspirativa. Iniciar tratamento empírico com ceftriaxone e azitromicina, cateter nasal de oxigênio, colher hemocultura e cultura de bactérias no escarro, painel de patógenos respiratórios, antígeno urinário para Streptococcus e Legionella. | Dica do autor: A paciente de 68 anos apresenta um quadro clínico típico de pneumonia adquirida na comunidade (PAC) , caracterizado por tosse produtiva, dispneia, dor torácica ventilatório-dependente e hipoxemia (SpO2 de 91% em ar ambiente). A presença de estertores crepitantes à ausculta pulmonar, associada à consolidação pulmonar à radiografia de tórax, confirma o diagnóstico de pneumonia. Além disso, o quadro de disfagia e tosse durante a alimentação sugere a possibilidade de pneumonia aspirativa , uma forma de pneumonia que ocorre devido à inalação de conteúdo gástrico ou orofaríngeo. Esta condição é frequentemente observada em pacientes com fatores de risco para aspiração, como dificuldades de deglutição. O CURB-65 é um escore utilizado para avaliar a gravidade da pneumonia adquirida na comunidade (PAC) e auxiliar na tomada de decisões quanto à necessidade de hospitalização, tratamento em UTI ou manejo ambulatorial. Ele é amplamente utilizado em emergências e hospitais por ser prático e rápido, baseando-se em parâmetros clínicos simples. O nome CURB-65 é um acrônimo que representa os cinco critérios avaliados no escore: C – Confusão mental U – Ureia sérica > 50 mg/dL (ou > 7 mmol/L) R – Frequência respiratória ≥ 30 respirações por minuto B – Pressão arterial (blood pressure) sistólica < 90 mmHg ou diastólica ≤ 60 mmHg 65 – Idade ≥ 65 anos Cada um desses critérios recebe 1 ponto, e a soma dos pontos define a gravidade da pneumonia e orienta o tratamento da seguinte forma: 0 a 1 pontos : Pneumonia leve. Tratamento ambulatorial geralmente é suficiente. Mortalidade em torno de 1%. 2 pontos : Pneumonia moderada. Recomenda-se internação hospitalar, principalmente se houver comorbidades ou outros fatores de risco. Mortalidade em torno de 9%. 3 a 5 pontos : Pneumonia grave. Indica necessidade de internação em UTI ou em uma unidade de tratamento mais intensivo. Mortalidade elevada, variando de 15% a 40% conforme a pontuação. O paciente em questão, pelo CURB-65, possui apenas 2 pontos, ou seja, possui pneumonia aspirativa moderada, com indicação de tratamento hospitalar, ainda mais considerando a presença de hipoxemia (SpO2 < 95% e PaO2 < 60 mmHg na gasometria). Vamos às alternativas: Alternativa A: INCORRETA. Embora a paciente apresente pneumonia adquirida na comunidade, apresenta sinais de gravidade, como hipoxemia e taquipneia, que indicam a necessidade de internação hospitalar para tratamento e monitoramento. Alternativa B: INCORRETA. A adição de clindamicina visa ao tramento de agentes anaeróbios. Aqui vem o principal ensinamento dessa questão: não precisamos cobrir agentes anaeróbios em toda pneumonia aspirativa. A cobertura para esses patógenos está indicada em pneumonias necrotizantes, abscessos odontogênicos, escarro com odor pútrido e pneumonias aspirativas (etilistas e má higiene bucal). Embora tenha ocorrido aspiração, a paciente boa saúde bucal, portanto não apresenta critérios para cobertura de anaeróbios e, por conseguinte, para o uso da clindamicina. Alternativa C: INCORRETA. A paciente não apresenta critérios de pneumonia comunitária grave com necessidade de internação em UTI, como hipotensão ou insuficiência respiratória grave. Além disso, não há indicação clara para o uso de hidrocortisona, e o cateter de alto fluxo não seria necessário neste momento. A combinação de ceftriaxone e azitromicina é apropriada para cobertura de patógenos típicos e atípicos. Alternativa D: CORRETA. A paciente apresenta pneumonia adquirida na comunidade , possivelmente de origem aspirativa, o que requer tratamento empírico com ceftriaxone e azitromicina , que cobrem os patógenos típicos e atípicos. Não há necessidade de cobertura de anaeróbios, conforme discutido anteriormente. Além disso, é necessário realizar oxigenoterapia por cateter nasal , já que a paciente apresenta hipoxemia (SpO2 de 91% em ar ambiente). Exames complementares, como hemocultura , cultura de escarro e painel de patógenos respiratórios , são importantes para identificar o agente causador e ajustar o tratamento conforme necessário. Também é fundamental realizar a pesquisa de antígenos urinários para Streptococcus pneumoniae e Legionella , que são importantes patógenos em pneumonia comunitária. Resposta: Alternativa D. | D | |
29 | 28 | Medicina de Família e Comunidade | Atenção Primária à Saúde | Saúde do Trabalhador | Difícil | Diagnóstico e Conduta | Um paciente com 32 anos, enfermeiro em hospital de referência em urgência e emergência, queixa-se de eritema, descamação e pápulas na face, principalmente na região malar. Ele relata ter percebido que esse quadro clínico, compatível com eczema de contato na face, manifestou-se após o uso constante de certo tipo de máscara de proteção. Apesar do risco de contágio pelo novo Covid-19 já ter diminuído, os profissionais da área de saúde continuam a usar com frequência seus equipamentos de proteção individual, entre eles, as máscaras N95. Considerando-se a situação descrita, assinale a opção correta. | Os medicamentos tópicos, como pomadas compostas por corticoide e antibiótico, são de prescrição obrigatória na condução clínica desse paciente. | Os testes epicutâneos constituem ferramenta diagnóstica confirmativa, podendo ser utilizados amplamente na Atenção Primária à Saúde. | O afastamento, temporário ou permanente, desse trabalhador deve ser avaliado, a partir da confirmação ou suspeita de doença relacionada ao trabalho. | O diagnóstico de dermatose ocupacional, frequente entre profissionais dessa área, possui prevalência real registrada elevada, existindo baixa prevalência de sub-registros depois das notificações realizadas na Atenção Primária à Saúde. | Para abordar essa questão de forma didática, vamos inicialmente desmembrar o enunciado, entender a condição médica apresentada e por que a alternativa correta é a mais adequada, ao mesmo tempo em que discutimos que as outras opções são incorretas. ### Enunciado da Questão Um enfermeiro de 32 anos, trabalhando em um hospital de referência em urgência e emergência, apresenta eritema, descamação e pápulas na face, especialmente na região malar. Esse quadro clínico é descrito como eczema de contato facial, associado ao uso contínuo de máscaras de proteção N95, mesmo com a diminuição do risco de contágio por Covid-19. ### Alternativa Correta: Letra C **"O afastamento, temporário ou permanente, desse trabalhador deve ser avaliado, a partir da confirmação ou suspeita de doença relacionada ao trabalho."** - **Justificativa**: Esta resposta é correta porque leva em consideração a relação entre a condição dermatológica do profissional e seu ambiente de trabalho, especificamente o uso contínuo de EPI (Equipamento de Proteção Individual), neste caso, a máscara N95. Trata-se de uma medida de manejo que visa não apenas a saúde do trabalhador, mas também a prevenção de agravos decorrentes de sua atividade laboral. Essa avaliação de afastamento é fundamental para evitar a exposição contínua ao agente causador, permitir a recuperação do profissional e evitar possíveis complicações da doença. ### Alternativas Incorretas - **Letra A**: "Os medicamentos tópicos, como pomadas compostas por corticoide e antibiótico, são de prescrição obrigatória na condução clínica desse paciente." - **Por que está errada?** Essa alternativa sugere um tratamento específico sem considerar outras medidas importantes, como identificar e remover o agente causador. Além disso, nem todos os casos de eczema de contato necessitam de terapia combinada com corticoides e antibióticos. A abordagem deve ser individualizada, e o tratamento tópico com corticoide e/ou antibiótico nem sempre é a primeira linha, dependendo da gravidade e etiologia do eczema. - **Letra B**: "Os testes epicutâneos constituem ferramenta diagnóstica confirmativa, podendo ser utilizados amplamente na Atenção Primária à Saúde." - **Por que está errada?** Apesar de os testes epicutâneos serem úteis para identificar alérgenos específicos em casos de dermatite de contato, sua implementação na Atenção Primária pode ser limitada devido à necessidade de especialistas para a realização e interpretação dos testes, além de não serem úteis em todos os tipos de eczema ou em todas as situações. - **Letra D**: "O diagnóstico de dermatose ocupacional, frequente entre profissionais dessa área, possui prevalência real registrada elevada, existindo baixa prevalência de sub-registros depois das notificações realizadas na Atenção Primária à Saúde." - **Por que está errada?** Esta alternativa subestima a possibilidade de sub-registro de dermatoses ocupacionais, que de fato é um desafio na área de saúde pública. Muitos profissionais podem não reportar seus sintomas por diversas razões, incluindo a falta de conhecimento sobre a relação entre sua condição e o ambiente de trabalho, ou por receio de repercussões em seu emprego. Assim, a prevalência real pode ser maior do que a reportada. | C | |
30 | 29 | Cirurgia | Cirurgia do aparelho digestivo | Pólipos Intestinais e Poliposes | Fácil | Diagnóstico | Uma paciente de 32 anos teve, recentemente, diagnóstico de PAF (Polipose Adenomatosa Familiar) e possui aversão a cirurgias. Qual é a orientação correta a ser feita nesse caso? | Orientar que a paciente possui uma síndrome genética de herança autossômica recessiva, que dificilmente será transmitida a outras gerações. | Orientar que a paciente provavelmente precisará de intervenção cirúrgica, já que tem grandes chances de desenvolver um câncer colorretal em algum momento de sua vida. | Orientar a paciente que o manejo da Polipose geralmente é feito por meio de acompanhamento clínico, com colonoscopia a cada 5 anos até os 80 anos, deixando para comentar, quando preciso, sobre a possível necessidade de cirurgia. | Orientar que essa patologia é caracterizada pela existência de alguns pólipos na região do reto, que podem ser acompanhados e ressecados por colonoscopia, já que a paciente possui aversão a cirurgias. | Dica do autor: Questão demanda informação do candidato sobre a Polipose Adenomatosa Familiar (PAF) e tenta misturar dúvidas de aspecto ético no meio da questão. Vamos avaliar cada uma das alternativas. Alternativa A: INCORRETA. A polipose adenomatosa familiar é uma doença autossômica dominante, ou seja, apresenta chances altas de ser transmitida às futuras gerações. Alternativa B: CORRETA. Quase todos os pacientes evoluem com carcinoma de cólon aos 40 anos; assim, normalmente é feita uma proctocolectomia total logo após o diagnóstico. Desse modo, a paciente já deve ser orientada sobre isso desde o primeiro momento. Alternativa C e D: INCORRETAS. Devido ao risco elevado de carcinoma de cólon aos 40 anos, não há seguimento com colonoscopia nesses pacientes, e sim a realização de colectomia. Resposta: Alternativa B. | B | |
31 | 30 | Ginecologia e Obstetrícia | Ginecologia | Sangramento Uterino Anormal | Fácil | Conduta | Uma paciente de 36 anos de idade apresenta ciclos persistentes, com volume aumentado de início há um ano, associado a dismenorreia frequente, sem repercussão hemodinâmica no atendimento ambulatorial. Acerca do manejo inicial da paciente com sangramento uterino anormal, assinale a alternativa correta. | O uso de anti-inflamatórios não esteroidais e o ácido tranexâmico auxiliam no controle do sangramento em torno de 50% dos casos. | O rastreio de patologias não estruturais inclui os englobados no mnemônico PALM (pólipo, adenomiose, malignidade e miomas). | O mnemônico COEIN inclui as patologias estruturais, como coagulopatias, disfunção ovulatória, patologias endometriais, causas iatrogênicas e as não especificadas. | O tratamento hormonal com uso de estrogênios deve ser iniciado o mais precocemente possível para controle do sangramento. | Dica do autor: O sangramento uterino anormal (SUA) é definido como qualquer alteração no ciclo menstrual que envolva mudanças no fluxo, frequência, duração ou regularidade da menstruação. Pode ser classificado em causas estruturais e não estruturais , utilizando o sistema PALM-COEIN , que auxilia na investigação e no tratamento adequado. Classificação do SUA – Sistema PALM-COEIN: Causas estruturais (PALM): P ólipo A denomiose L eiomioma (miomas) M alignidade e hiperplasia Causas não estruturais (COEIN): C oagulopatia O vulatória E ndometrial I atrogênica N ão especificada O tratamento inicial do SUA depende da etiologia e da repercussão hemodinâmica . Quando não há instabilidade, o manejo pode ser clínico , incluindo: Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) , como ibuprofeno e naproxeno → reduzem o sangramento menstrual em até 35% e auxiliam na dismenorreia . Ácido tranexâmico (antifibrinolítico) → reduz a perda sanguínea em 40-60% e pode ser usado em pacientes que não desejam hormônios. Terapia hormonal → Pode incluir contraceptivos combinados (estrogênio + progestágeno) ou apenas progestágenos . Alternativa A: CORRETA. Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e o ácido tranexâmico são opções eficazes para o tratamento não hormonal do SUA. Os AINEs reduzem o sangramento em 25-35% e também aliviam a dismenorreia . O ácido tranexâmico , um antifibrinolítico, reduz a perda sanguínea em 40-60% ao inibir a fibrinólise. Segundo a FEBRASGO, essas medicações podem controlar até 50% dos casos de SUA, sendo consideradas primeira linha de tratamento não hormonal. Alternativa B: INCORRETA. O sistema PALM classifica apenas as causas estruturais do SUA, como pólipos, adenomiose, miomas e malignidades . Já as causas não estruturais são classificadas pelo mnemônico COEIN . Alternativa C: INCORRETA. O sistema COEIN classifica as causas não estruturais do SUA, como coagulopatias, disfunções ovulatórias, alterações endometriais, iatrogenia e causas não especificadas . As causas estruturais são classificadas pelo PALM , e não fazem parte do COEIN. Alternativa D: INCORRETA. O tratamento hormonal pode ser considerado em muitos casos, mas não deve ser iniciado indiscriminadamente sem avaliação adequada da etiologia do SUA. Além disso, a terapia hormonal pode incluir apenas progestágenos ou anticoncepcionais combinados (estrogênio + progestágeno), e não apenas estrogênios isolados . Resposta: Alternativa A. | A | |
32 | 31 | Clínica Médica | Saúde mental | Psicofarmacologia | Moderado | Diagnóstico e Conduta | Marcia, 42 anos, chega à consulta referindo estar se sentindo muito desanimada, cansada e com dificuldade para dormir. Diz que tem se incomodado muito com a sua falta de libido. Está casada há 10 anos e nega conflitos no relacionamento. Está em uso de fluoxetina 40 mg há cerca de 9 meses. Sobre o caso de Marcia, pode-se afirmar que: | O tratamento com inibidores seletivos da recaptação de serotonina leva a redução de libido em cerca de 10% das pacientes. | Seria indicada a troca de fluoxetina por bupropiona, que é um antidepressivo com menor prejuízo à função sexual. | O uso de isoflavona apresenta evidência científica de melhora na queixa de redução de libido, sendo uma opção terapêutica para o caso. | Está indicada prescrição de benzodizepinícos para tratamento da insônia, já que não apresenta efeito adverso sobre a função sexual. | Entendendo o enunciado da questão, Marcia está enfrentando sintomas de desânimo, cansaço, dificuldade para dormir e falta de libido. Ela tem usado fluoxetina, um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS), por cerca de 9 meses. Os ISRS são comumente utilizados para tratar depressão e outros transtornos de ansiedade. A questão, então, está se referindo a possíveis efeitos colaterais e opções de tratamento para os sintomas que Marcia está experimentando. Agora, vamos para as alternativas de resposta. A) A primeira opção afirma que o tratamento com ISRS leva à redução de libido em cerca de 10% das pacientes. Essa afirmação é um pouco enganosa. Embora seja verdade que os ISRSs podem causar uma diminuição da libido, a porcentagem de pacientes que experimentam esse efeito colateral pode variar. Estudos mostraram que até 50-70% dos pacientes podem experimentar disfunção sexual com o uso de ISRS, então a porcentagem de 10% é subestimada. B) A segunda opção, que é a correta, sugere a troca de fluoxetina por bupropiona. A bupropiona é um tipo de antidepressivo que é conhecido por ter menos efeitos colaterais sexuais do que os ISRSs. A bupropiona age inibindo a recaptação de dopamina e norepinefrina, diferentemente dos ISRSs, que inibem a recaptação de serotonina. A bupropiona pode, portanto, ser uma opção mais adequada para pacientes que estão enfrentando efeitos colaterais sexuais devido ao uso de ISRSs. C) A terceira opção sugere o uso de isoflavona para melhorar a queixa de redução de libido. No entanto, as evidências sobre a eficácia da isoflavona para o aumento da libido são mistas e inconclusivas. Portanto, esta não é uma opção terapêutica recomendada para o caso. D) A última opção sugere a prescrição de benzodiazepínicos para o tratamento da insônia. Embora os benzodiazepínicos possam ser usados para tratar a insônia, eles não são a primeira opção devido ao risco de dependência e abstinência. Além disso, alguns benzodiazepínicos podem de fato ter efeitos adversos sobre a função sexual, portanto, esta opção também é incorreta. Para entender melhor os mecanismos de ação desses medicamentos, é importante lembrar que a serotonina, a dopamina e a norepinefrina são neurotransmissores que desempenham papéis importantes na regulação do humor, do sono e das funções sexuais. A alteração da recaptação desses neurotransmissores pode, portanto, levar a vários efeitos colaterais, incluindo alterações no humor, no sono e na libido. | B | |
33 | 32 | Pediatria | Neurologia | Cefaleia primária | Moderado | Diagnóstico | Paciente de 12 anos, queixa-se de cefaleia recorrente, moderada, com intervalos variáveis, de dias, semanas ou meses. A dor é bilateral e pulsátil e, por vezes, acompanhada de irritabilidade, anorexia e náusea. Antes do quadro de dor, vê “bolinhas coloridas” e sente formigamento na língua. Sobre o diagnóstico mais provável, assinale a alternativa correta. | O paciente está na faixa etária de menor incidência em pediatria. | Podem fazer parte dos sintomas que precedem a dor: formigamento em hemicorpo, disfasia e disartria. | O paciente apresenta o tipo de quadro mais comum, que é o de dor precedida por sintomas visuais e sensitivos. | Para o diagnóstico adequado é necessário investigar com tomografia de crânio e exames laboratoriais. | Dica do Professor: A presença de recorrência sugere cefaleia primária. A presença de sintomas visuais-sensitivos precedendo o quadro sugere aura, uma manifestação típica de enxaqueca (migrânea). A manifestação de cefaleia pulsátil e náusea reorçam a possibilidade de enxaqueca. Na faixa etária pediátrica-adolescente a enxaqueca pode ser frequentemente bilateral. Alternativa A: Errado, enxaqueca é relativamente frequente em adolescentes. Alternativa B: Verdade, a aura na enxaqueca pode ser visual, sensitiva, motora ou de linguagem. Alternativa C: Errado, enxaqueca sem aura é mais frequente que enxaqueca com aura. Alternativa D: Errado, não há sinais de alerta para suspeitar de cefaleia secundária e se solicitar neuroimagem. | B | |
34 | 33 | Pediatria | Pediatria geral | Maus-tratos e Violência Infantil | Fácil | Ética e Profissionalismo | Uma mulher leva sua filha de 6 anos para uma consulta na unidade básica de saúde do bairro, por suspeitar que a filha esteja sendo abusada sexualmente pelo tio de 24 anos de idade. O tio toma conta da menina quando ela se ausenta para trabalhar como faxineira. A menina conta que brinca de "papai e mamãe" com o tio, mas afirma não querer falar mais sobre o assunto, dizendo que o tio lhe havia dito que a “brincadeira” era um segredo apenas entre os dois. Com relação a situações de suspeita de abuso infantil, a exemplo da descrita, é correto afirmar que | O mais comum é o agressor/abusador ser uma pessoa conhecida da família, ou um membro dela, o que favorece a repetição do abuso. | Os casos de abusos sexuais contra meninos são mais recorrentes do que contra meninas, pois eles tendem a esconder mais as agressões de que são vítimas. | As crianças muito novas que sofrem abuso sexual tendem a esquecer o que aconteceu na fase adulta, havendo, portanto, pouca repercussão desse abuso no futuro. | A equipe de saúde da família deve se restringir ao tratamento das lesões físicas e eventuais danos psicológicos, sem se envolver no encaminhamento da denúncia às autoridades policiais. | Dica do autor: A violência sexual infantil é qualquer ato de interação sexual ou erótica de uma pessoa com mais idade do que a vítima, podendo a autoria ser de um adulto ou mesmo um adolescente para obter de satisfação pessoal própria ou prazer de terceiros. Atualmente, define-se estupro como qualquer ato libidinoso ou conjunção carnal mediante constrangimento, uso de violência, grave ameaça ou por sedução (vítima com idade igual ou menor de 14 anos). Incluem-se desde carícias e manipulação dos órgãos genitais até coito oral, anal ou vaginal. A violência sexual ocorre em todas as classes sociais, envolve pessoas de todas as profissões e perpassa pela questão de gênero. Alternativa A: CORRETA. Em geral, os agressores são pessoas muito próximas, consanguíneas ou com algum laço afetivo com a vítima ou sua família. Nos abusos sexuais, os autores geralmente são homens, sendo, em cerca de 90% dos casos, o pai ou o companheiro da mãe. Alternativa B: INCORRETA. Por conta da sociedade patriarcal em que vivemos, é muito mais comum que os abusos sejam cometidos contra meninas, justamente pela cultura do silenciamento imposta às mulheres desde a infância. Especialmente às meninas, é requerido que se comportem, não incomodem e respeitem os mais velhos, sendo muito comum inclusive a culpabilização da vítima do abuso por “sedução” do adulto agressor. Alternativa C: INCORRETA. Além das possíveis lesões físicas, o abuso sexual tem amplas consequências no desenvolvimento psíquico da criança que repercutem até a vida adulta, principalmente no que diz respeito a formação dos vínculos afetivos. Alternativa D: INCORRETA. Em 2021, o governo Bolsonaro publicou uma medida provisória que obrigava a equipe médica a denunciar a ocorrência de abuso sexual às autoridades, medida que era inclusive necessária para a solicitação do aborto legal nos casos decorrentes de violência sexual. No entanto, no começo de 2023, uma das primeiras ações do governo Lula foi revogar algumas medidas provisórias do governo anterior, inclusive essa que obrigava a denúncia formal. Sendo assim, no ano desse concurso, essa alternativa seria considerada incorreta, já que a equipe médica deveria sim denunciar o ocorrido. Já a partir de 2023, essa alternativa se torna correta, uma vez que a equipe médica não deve mais participar da abertura do processo penal contra o abusador. Resposta: alternativa A. | A | |
35 | 34 | Pediatria | Cirurgia pediátrica | Estenose hipertrófica de piloro | Fácil | Conduta | Um lactente com 1 mês e 15 dias é trazido pela mãe ao pronto atendimento, a qual relata que seu filho vem apresentando vômitos intensos, em jato e de conteúdo leitoso. Ela nega haver febre associada ao quadro e alega que a criança sempre teve muito refluxo e que os sintomas se intensificaram há 2 semanas. A mãe tem ministrado sintomáticos nos últimos 10 dias, sem melhora, notando que o bebê tem perdido peso. Ao exame, o paciente encontra-se desidratado e sonolento, com abdome escavado, com redução de tecido subcutâneo e com presença de pequena massa móvel palpável em epigástrico. Seus exames laboratoriais revelam gasometria venosa com pH de 7,58 (valor de referência - VR: 7,35 a 7,45); PCO₂ de 41 mmHg (VR: 35 a 45 mmHg); pO₂ de 48,4 mmHg (VR: 80 a 100 mmHg); HCO₃ de 36 mEq/L (VR: 22 a 28 mEq/L); BE de +13,5 (VR: -3 a +3); sódio de 138 mEq/L (VR: 135 a 145 mEq/L); potássio de 3,0 mEq/L (VR: 3,5 a 5 mEq/L); e cloro de 80 mEq/L (VR: 95 a 105 mEq/L). Acerca do caso apresentado e das condutas a serem adotadas, assinale a opção correta. | O lactente deve ser estabilizado clinicamente e encaminhado para o procedimento de piloromiotomia. | O lactente deve ser estabilizado clinicamente e encaminhado para realização de cirurgia de fundoplicatura. | O lactente deve ser estabilizado clinicamente e avaliado quanto à possibilidade de erros inatos do metabolismo. | O lactente deve ter a alimentação complementada com fórmula de aminoácidos própria para idade e a mãe deve suspender leite e derivados da dieta do filho. | Dica do autor: Assunto bastante frequente em provas, não dá para não conhecer. Estamos diante de um lactente de 6 semanas que apresenta história de vômitos logo após as mamadas. Eu até imagino que você esteja pensando no refluxo gastroesofágico fisiológico do lactente, que realmente é uma condição bastante frequente, mas alguns achados falam contra essa hipótese como o aumento progressivo dos vômitos, inclusive com descrição de vômitos em jato, e a perda de peso expressiva (até com redução de tecido subcutâneo), que indica que o lactente eliminou todo o conteúdo gástrico e não apenas parte do excedente, como seria característico no refluxo gastroesofágico. Além disso, o paciente apresenta mais um achado semiológico característico dessa condição: a oliva pilórica, que pode ser sentida como uma massa palpável em quadrante superior direito. Para fechar o caso clínico e não deixar nenhuma dúvida, temos ainda resultados de exames que mostram uma alcalose metabólica hipoclorêmica (achado classicamente descrito em provas), sem alteração de sódio e com discreta redução do potássio (afinal, os vômitos persistentes costumam levar a uma hipocalemia). Diante desses achados devemos pensar em um importante diagnóstico: a estenose hipertrófica de piloro! Essa patologia geralmente se manifesta entre 2 e 8 semanas de vida com vômitos não biliosos pós-alimentares, podendo inclusive evoluir com desidratação, conforme descrito. O diagnóstico desses casos pode ser feito por meio da ultrassonografia de abdome que identifica a hipertrofia do piloro. Alternativa A: CORRETA. Como o paciente apresenta distúrbios ácido-básico e eletrolítico há necessidade de estabilização clínica e depois de encaminhar para o tratamento definitivo, a piloromiotomia. Alternativa B: INCORRETA. Não há indicação e fundoplicatura no tratamento da estenose hipertrófica de piloro e nem como medida inicial no tratamento de uma doença do refluxo gastroesofágico em lactentes. Alternativa C: INCORRETA. Vômitos recorrentes, baixo ganho ponderal e distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos realmente podem levar você a pensar em um erro inato do metabolismo, mas nesse caso o encontro da oliva pilórica e a evolução do quadro, tornam a hipótese de estenose hipertrófica de piloro bem mais provável. Alternativa D: INCORRETA. A alergia a proteína do leite de vaca (APLV) pode se manifestar como uma doença do refluxo gastroesofágico em até 40% dos casos, sendo recomendada a instituição de restrição alimentar por 2 a 4 semanas como teste terapêutico, com exclusão de leite e derivados da dieta materna se o lactente estiver em aleitamento materno exclusivo ou o uso de fórmulas extensamente hidrolisadas ou a base de aminoácidos. No entanto, dificilmente uma APLV apresentaria uma evolução tão agressiva para perda de peso e desidratação, cursando até com distúrbio hidroeletrolíticos, como apresentado no caso clínico. Resposta: Alternativa A. | A | |
36 | 35 | Ginecologia e Obstetrícia | Ginecologia | Amenorreia | Moderado | Diagnóstico | Mulher com 33 anos procura seu ginecologista com falha menstrual de 3 meses e lhe é dito se tratar de amenorreia secundária. Nessa linha de diagnóstico, a investigação correta é que se | O FSH e LH estiverem elevados, a etiologia mais provável é hipofisária. | O teste com estrogênio e progesterona for positivo, direciona que existe estímulo estrogênico e o provável fator é ovariano. | Deva solicitar dosagens hormonais e não utilizar testes com administração de hormônios na investigação. | O teste de progesterona for positivo, afasta fator canalicular e garante que existe o estímulo estrogênico. | Dica do autor: Paciente com quadro de amenorreia secundária. A amenorreia secundária ocorre nas mulheres que já apresentaram a menarca e estão sem menstruar por, no mínimo, três ciclos ou 6 meses (se ciclos eram irregulares). Na maioria dos casos, a causa é hipotalâmica, visto que inúmeras situações podem inibir a secreção pulsátil do GnRh e, com isso, interferir no ciclo menstrual: estados de grande tensão, distúrbios psiquiátricos ou alimentares, doenças crônicas, desnutrição, obesidade, exercício físico extenuante e uso de algumas drogas (anticoncepcionais hormonais, androgênios, antidepressivos, metildopa, metoclopramida). É necessário haver alterações significativas na pulsatilidade do GnRh para que ocorra amenorreia. Podemos utilizar dois testes que podem ajudar a levantar as hipóteses mais plausíveis para amenorreia secundária: 1- Teste da progesterona: nesse teste, a progesterona é administrada à paciente por 7 a 10 dias, simulando a segunda fase do ciclo menstrual, aguardando um possível sangramento endometrial. Caso a paciente relate fluxo menstrual, concluímos que: há estrogênio circulante, a paciente não estava ovulando e o seu trato genital é pérvio. Para termos certeza quanto ao mecanismo da anovulação, deve ser realizado um segundo teste; 2- Teste do estrogênio + progesterona: nesse teste, o estrogênio é administrado, simulando a primeira fase do ciclo e, então, é administrada a progesterona, de modo a simular a segunda fase, assim como no teste anterior. Se a paciente apresentar sangramento menstrual, constata-se que havia pouco estrogênio circulante, bem como a sua cavidade endometrial é normal. Logo, suspeita-se de acometimentos no ovário ou útero/vagina, os quais não estão sendo capazes de estimular o ovário de forma adequada, ou ainda na hipófise, que não está sendo capaz de produzir os seus hormônios corretamente. Se a paciente não menstruar, pode-se inferir uma cavidade endometrial comprometida, como nos casos de sinéquia intrauterina, correspondente à Síndrome de Asherman. Alternativa A: INCORRETA. Em caso de aumento das gonadotrofinas (FSH e LH), a causa provável é ovariana. Alternativa B: INCORRETA. Se o teste com estrogênio e progesterona for positivo, significa que não havia estrogênio circulante e que a parte canalicular é pérvia. Alternativa C: INCORRETA. Testes com hormônios podem ser utilizados na investigação. Alternativa D: CORRETA. Com o teste da progesterona é possível concluir que há estrogênio circulante, que a paciente estava em anovulação e que o seu trato genital é pérvio. Resposta: Alternativa D. | D | |
37 | 36 | Pediatria | Genética | Síndromes genéticas | Fácil | Ética e Profissionalismo | Ao atender um recém-nascido de sexo masculino, admitido em alojamento conjunto, um pediatra observa, ao exame físico, diversas características fenotípicas de síndrome de Down. Ele discute essas características com a família da criança e opta por solicitar um cariótipo desse paciente. A respeito da indicação da realização de cariótipo nesse caso, assinale a alternativa correta. | O cariótipo pode ser dispensado caso haja presença de características fenotípicas muito sugestivas da síndrome, especialmente se a mãe tiver 35 anos ou mais, visto ser um exame dispendioso e que não acrescentará novas informações. | O cariótipo está indicado para confirmação diagnóstica, para avaliação de possível mosaicismo e para diagnóstico de translocações do cromossomo 21, que podem representar translocação balanceada em um dos pais. | O cariótipo pode ser solicitado para confirmação diagnóstica, no entanto seu resultado não terá impacto nas orientações sobre prognóstico do paciente nem no aconselhamento genético para o casal. | O cariótipo deve ser solicitado quando os pais são jovens e há suspeita de translocação balanceada em um dos pais, devendo-se esperar, nesse caso, pelo resultado do exame para programar a alta da criança. | Dica do autor: A síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21) é uma condição genética que pode ser sugerida por características fenotípicas como hipotonia, fendas palpebrais oblíquas, face achatada, prega palmar única e outras alterações típicas. No entanto, o cariótipo é indispensável para confirmar o diagnóstico e determinar o mecanismo genético envolvido, que pode ser: Trissomia livre do cromossomo 21 (95% dos casos): Não está associada à herança familiar. Translocação balanceada (4% dos casos): Pode ser herdada de um dos pais, especialmente se houver história familiar ou se a mãe for jovem. Mosaicismo (1% dos casos): Resulta da presença de duas ou mais linhagens celulares, o que pode alterar o prognóstico. O resultado do cariótipo também tem impacto no aconselhamento genético da família, especialmente em casos de translocação balanceada, que pode aumentar o risco de recorrência em gestações futuras. Alternativa A: INCORRETA. O cariótipo não pode ser dispensado, mesmo quando as características fenotípicas são altamente sugestivas, pois ele é necessário para confirmar o diagnóstico e identificar o tipo de alteração cromossômica, o que tem implicações no aconselhamento genético. Alternativa B: CORRETA. O cariótipo está indicado para confirmar o diagnóstico, avaliar a possibilidade de mosaicismo (que pode alterar o prognóstico) e investigar translocações do cromossomo 21, especialmente translocações balanceadas que podem ser herdadas de um dos pais e têm impacto no planejamento reprodutivo. Alternativa C: INCORRETA. O cariótipo em um papel importante no aconselhamento genético, e seu resultado também é essencial para confirmar o tipo de alteração genética e direcionar as orientações de forma personalizada. Alternativa D: INCORRETA. A realização do cariótipo não depende da idade dos pais. Ele é indicado independentemente disso, com o objetivo de confirmar o diagnóstico e investigar translocações ou mosaicismos. Resposta: Alternativa B. | B | |
38 | 37 | Clínica Médica | Neurologia | AVC hemorrágico | Difícil | Conduta | Paciente de 72 anos, sexo feminino, é levada por familiares ao PS com histórico de cefaleia súbita seguida de rebaixamento do nível de consciência. Você como plantonista procede com a intubação sem intercorrências e estabilização do paciente. Na TC crânio identificado hemorragia subaracnóidea Fischer 3. Enquanto aguarda subir para o bloco cirúrgico para craniectomia descompressiva, o monitor alarma: PA 70x30, FC 50, satO2 90%. Qual a conduta necessária neste momento para proteção cerebral? | Noradrenalina. | Manitol. | Solução salina hipertônica. | Hiperventilação. | Dica do autor: A hemorragia subaracnóidea (HSA) é uma emergência neurológica grave, e quando se apresenta com rebaixamento do nível de consciência, como neste caso, há grande risco de hipertensão intracraniana (HIC) , isquemia cerebral secundária e até morte. O escore de Fisher 3 , na TC de crânio, indica sangramento denso em cisternas ou fissuras , com alto risco de vasoespasmo cerebral e piora neurológica subsequente . O objetivo principal do manejo inicial é garantir perfusão cerebral adequada , ou seja, manter a pressão de perfusão cerebral (PPC) estável , evitando tanto a hipotensão arterial quanto a hipoxemia . No cenário descrito — PA 70x30 mmHg e FC 50 bpm , com dessaturação — o risco iminente é de hipoperfusão cerebral . A PPC é calculada pela fórmula: PPC = PAM – PIC . Assim, qualquer queda na pressão arterial média (PAM) compromete diretamente a perfusão cerebral, podendo levar a isquemia cerebral secundária . Nessas condições, a prioridade absoluta é corrigir a hipotensão com drogas vasopressoras , como a noradrenalina , para restaurar rapidamente a PAM e proteger o cérebro. A estabilização hemodinâmica vem antes de qualquer outra medida para controle da HIC . Alternativa A: CORRETA. A noradrenalina é a droga de escolha para correção de hipotensão em pacientes com lesão neurológica aguda , pois promove vasoconstrição periférica com elevação sustentada da pressão arterial , sem comprometer a perfusão cerebral. É fundamental para restaurar a PPC em situações de hipotensão com risco de isquemia cerebral secundária . Seu uso é respaldado pelas diretrizes nacionais e internacionais em neurointensivismo e manejo de HSA. Alternativa B: INCORRETA. O manitol é um agente osmótico utilizado para redução da pressão intracraniana em casos de HIC. No entanto, em pacientes com hipotensão , seu uso está contraindicado ou deve ser feito com extrema cautela, pois pode causar diurese osmótica e piorar ainda mais a pressão arterial , agravando a hipoperfusão cerebral. Alternativa C: INCORRETA. A solução salina hipertônica também é utilizada para controle de hipertensão intracraniana, e pode ser uma alternativa ao manitol em pacientes com risco de instabilidade hemodinâmica. Contudo, assim como o manitol, não é prioridade em um paciente com PA 70x30 mmHg . A primeira intervenção deve ser a estabilização da pressão arterial , e só depois se consideram medidas para controle da HIC. Alternativa D: INCORRETA. A hiperventilação reduz a pressão intracraniana por causar vasoconstrição cerebral, mas seu efeito é transitório e pode provocar isquemia cerebral , especialmente em pacientes com PPC comprometida . Além disso, não trata a hipotensão grave presente neste caso. A hiperventilação só é indicada em situações específicas e por tempo limitado, geralmente como medida ponte em HIC refratária. Resposta: Alternativa A | A | |
39 | 38 | Pediatria | Dermatologia | Parasitoses da pele | Fácil | Conduta | Uma criança com 5 anos é levada pela avó à unidade básica de saúde (UBS) com queixa de muito prurido em área periungueal do hálux direito e na planta do pé direito, além de discreta dor. A avó do paciente refere visitas frequentes da criança ao sítio, onde anda descalça. Ao exame físico, detectam-se quatro lesões puntiformes nos locais das queixas, sendo pápulas ceratóticas com elevação central enegrecida, eritematosa, e duas lesões já pustulosas. Com base nessas informações, assinale a opção que apresenta, respectivamente, o provável diagnóstico e o manejo adequado para esse caso. | Larva migrans; prescrição de tiabendazol tópico. | Eczema disidrótico; hidratação dos pés e corticoide tópico de média potência. | Tungíase; remoção cirúrgica do parasita na UBS com material devidamente esterilizado. | Verruga viral; aplicação de ácido tricloroacético (ATA) 80% ou de nitrogênio líquido na UBS. | Dica do autor: A tungíase, também chamada de bicho de pé, é causada pela pulga não alada Tunga penetrans, que mede cerca de 1 mm e é capaz de penetrar na derme superior até aumentar de tamanho, criando um nódulo. Clinicamente, manifesta-se como uma pápula amarelada pruriginosa e dolorosa, com um ponto escuro central (representa a porção posterior do parasita) (Figuras 10 e 11). Cada lesão possui uma fêmea fecundada. Ocorre principalmente nos pés – planta, interdigital ou periungueal. O tratamento consiste na enucleação com agulha estéril e na extração manual da pulga. Se forem múltiplas pápulas, tiabendazol 25 mg/kg oral por 10 dias. Alternativa A: INCORRETA. A clínica da larva migrans é característica, com lesões eritematosas lineares salientes, trajeto serpinginoso e muito pruriginosas, decorrente do deslocamento subcutâneo das larvas. O diagnóstico é clínico, e o tratamento é feito com tiabendazol 5% pomada 3x/dia por 15 dias. Alternativa B: INCORRETA. O eczema disidrótico é uma condição cutânea caracterizada por pequenas bolhas que se formam nas palmas das mãos, laterais dos dedos e/ou plantas dos pés. As bolhas geralmente são acompanhadas por coceira intensa, vermelhidão e descamação da pele afetada. O quadro pode ser recorrente e muitas vezes está associado a fatores como estresse emocional, contato com substâncias irritantes ou alergênicas, exposição a água e calor excessivos, entre outros. Hidratação da pele e corticosteroides tópicos de baixa a média potência podem ser prescritos para controlar a inflamação e aliviar a coceira. Alternativa C: CORRETA. Vide a dica. Alternativa D: INCORRETA. Verrugas comuns costumam ser elevadas, ásperas e têm uma superfície granular. Podem ter uma coloração variando de rosa a marrom. Verrugas plantares geralmente são planas devido à pressão exercida pelo peso do corpo sobre elas. Podem ter pontos pretos no centro, que são pequenos vasos sanguíneos coagulados. O quadro clínico apresentado associado a fator de risco epidemiológico (andar descalça no sítio), sugerem bicho do pé ou tungíase como diagnóstico. Resposta: Alternativa C | C | |
40 | 39 | Medicina de Família e Comunidade | Atenção Primária à Saúde | Ferramentas da Atenção Primária | Fácil | Diagnóstico e Conduta | O Ecomapa é um instrumento de avaliação familiar que identifica, por uma representação gráfica, fatores de ordem social, cultural e econômica, bem como as relações familiares e delas com o seu ambiente, que podem influenciar na saúde de uma família ou de um indivíduo. Acerca disso, assinale a alternativa correta. | Nele são representadas as ligações entre família e indivíduo e os recursos do meio, suas intensidades, proximidades, mas sem direcionar o fluxo de troca de energia entre eles. | Pode-se utilizar símbolos para representar os integrantes do familiograma dentro do ecomapa. Homens são representados por círculos, e mulheres, por quadrados. | Permite a visualização da rede de apoio social de uma família, identificando suas relações e ligações com o meio e seus contextos. Demonstra o equilíbrio entre as necessidades e os recursos dessa família. | Tal instrumento de avaliação é imutável, ou seja, uma vez delineado, ele não deverá ser alterado. | Dica do autor: O ecomapa é uma ferramenta valiosa para a avaliação das dinâmicas familiares e de suas interações com o meio ambiente. O ecomapa é usado para mapear as conexões entre uma família e os sistemas externos com os quais interage, como vizinhança, instituições de saúde, escolas, serviços sociais e redes de apoio . Essa representação gráfica ajuda a visualizar as forças e fraquezas das relações sociais e os recursos disponíveis, oferecendo uma visão holística da situação familiar. O objetivo principal é identificar tanto os fatores que fortalecem quanto os que enfraquecem a família, ajudando na formulação de intervenções mais eficazes. Alternativa A: INCORRETA. Esta alternativa menciona que o ecomapa representa as ligações entre família e indivíduo e os recursos do meio, suas intensidades e proximidades, mas sem direcionar o fluxo de troca de energia entre eles. Na verdade, o ecomapa inclui setas ou linhas que indicam a direção e a intensidade das trocas de energia, recursos, ou influências entre a família e os diferentes sistemas. Essas linhas ajudam a identificar as relações mais fortes e mais fracas, bem como as áreas que necessitam de maior atenção ou suporte. Alternativa B: INCORRETA. Nesta alternativa, afirma-se que no ecomapa são utilizados símbolos do familiograma, com homens representados por círculos e mulheres por quadrados. Esta informação está incorreta. Geralmente os homens são representados por quadrados e as mulheres por círculos. Alternativa C: CORRETA. A alternativa correta afirma que o ecomapa permite a visualização da rede de apoio social de uma família, identificando suas relações e ligações com o meio e seus contextos, demonstrando o equilíbrio entre as necessidades e os recursos dessa família. Esta descrição está correta, pois o ecomapa é justamente utilizado para identificar e visualizar as conexões de apoio social, as interações com diversos contextos e a forma como esses fatores impactam o equilíbrio e o bem-estar da família. Alternativa D: INCORRETA. Esta alternativa afirma que o ecomapa é um instrumento de avaliação imutável, ou seja, uma vez delineado, ele não deverá ser alterado. Esta afirmação está incorreta. O ecomapa é uma ferramenta dinâmica que pode e deve ser atualizada conforme as circunstâncias e as relações da família mudam ao longo do tempo. As revisões periódicas do ecomapa são essenciais para refletir mudanças nas redes de apoio e nos recursos disponíveis, permitindo intervenções mais adaptadas às necessidades atuais da família. Resposta: Alternativa C. | C | |
41 | 40 | Ginecologia e Obstetrícia | Obstetrícia | Emergências obstétricas e procedimentos | Moderado | Conduta | Uma mulher, G2P1A0, com 26 anos de idade, 39 semanas de gestação, apresenta-se na maternidade em franco trabalho de parto. O obstetra realiza o parto vaginal sem intercorrências. Na assistência ao terceiro período da parição, ainda na sala de parto, logo após a saída do recém-nascido, o médico solicita que a equipe de enfermagem administre ocitocina, de forma intramuscular. O médico também realiza a tração controlada do cordão umbilical. Após o desprendimento da placenta, a paciente é encaminhada para a enfermaria. No entanto, cerca de 10 minutos depois, ela apresenta sangramento intenso, taquicardia e hipotensão. O obstetra realiza massagem uterina e solicita a instalação de ocitocina endovenosa, de soro fisiológico, além da administração de misoprostol via oral. Diante das condutas realizadas, assinale a alternativa correta. | Na sala de parto, o médico deveria ter prescrito misoprostol ao invés de ocitocina após o desprendimento do feto | Caso a paciente persista com sangramento, a próxima conduta do médico será indicar histerectomia. | O médico deveria ter realizado a extração manual da placenta, seguida de curagem ou curetagem | O uso de misoprostol via oral justifica-se por seu início de ação rápido. | Dica do professor: Em ordem de frequência, as quatro principais causas de hemorragia puerperal são atonia uterina, laceração de trajeto, retenção de tecidos placentários e coagulopatias! Alternativa A: Incorreto. É recomendação UNIVERSAL a administração de 10 UI IM de ocitocina logo após a extração fetal! Alternativa B: Incorreto. Podemos utilizar derivados do ergot (pois a paciente não é hipertensa), ácido tranexâmico ou outros anti-fibrinolíticos, passagem de balão intrauterino... mesmo que seja necessária intervenção cirúrgica (em caso de evolução para choque), podemos realizar ligaduras de B-Lynch antes da histerectomia puerperal. Alternativa C: Incorreto. A tração controlada de cordão com extração lenta é o padrão recomendado de rotina. Alternativa D: Correto! Resposta correta, letra D. | D | |
42 | 41 | Pediatria | Hematologia | Principais Cânceres Infantis | Fácil | Conduta | Um menino com 13 anos, previamente saudável, foi avaliado no ambulatório de pneumologia, por causa de uma história de 20 dias de febre (> ou = 38 °C), mal-estar, sudorese noturna profusa e tosse seca, que não foram modificados pelo tratamento prévio com amoxicilina. Ao exame físico, foram observados no paciente múltiplos linfonodos de consistência endurecida, fixos, indolores, em cadeia cervical e supraclavicular esquerda, com diâmetro entre 2 a 5 cm cada um. Foi realizada radiografia de tórax, que mostrou infiltrados pulmonares bilaterais, arredondados, e adenopatia hilar bilateral. Diante do caso descrito, assinale a opção que apresenta, respectivamente, a principal hipótese diagnóstica e a conduta correta para a sua confirmação. | Mononucleose; solicitar biópsia aspirativa de gânglio e sorologias específicas. | Tuberculose; solicitar hemograma, hemocultura e tomografia computadorizada de alta resolução de corpo inteiro. | Pneumonia comunitária; solicitar hemograma, hemocultura e tomografia computadorizada por emissão de pósitrons de tórax. | Linfoma de Hodgkin; solicitar biópsia excisional de gânglio e tomografia computadorizada por emissão de pósitrons de corpo inteiro. | Dica do autor: Os linfomas se manifestam com linfonodomegalias assimétricas (mais comumente na região cervical), que são indolores à palpação, firmes e com consistência fibroelástica e podem se manifestar com os sintomas B (perda ponderal, sudorese noturna e febre). A linfonodomegalia reacional, por outro lado, costuma ser simétrica, dolorosa e com aumentos pequenos (< 2 cm). Alternativa A: INCORRETA. A mononucleose causa linfonodomegalias reacionais, não é o caso da questão. Alternativa B: INCORRETA. A tuberculose ganglionar pode causar sintomas semelhantes, no entanto, é comum o acometimento pulmonar típico com cavitações em ápices, que não está presente no caso. Alternativa C: INCORRETA. A linfonodomegalia generalizada não está presente na PAC, além disso, não houve melhora com amoxicilina. Alternativa D: CORRETA. O melhor exame para diagnóstico dos linfomas é a biópsia excisional (lembre que PAAF não é adequado). Para estadiamento, o exame padrão-ouro é o PET-CT. Resposta: alternativa D. | D | |
43 | 42 | Cirurgia | Trauma | ATLS: Trauma de Coluna Vertebral | Fácil | Diagnóstico e Conduta | Um paciente com 44 anos, vítima de queda de um andaime de 4 metros de altura, é trazido ao serviço de emergência hospitalar por familiares. Durante a avaliação inicial na sala de emergência, o paciente se mantém em Glasgow 15 e com perda da sensibilidade tátil e dolorosa na região desde a cicatriz umbilical até os pés. Apresenta movimentos e sensibilidade normais em membros superiores, paralisia em ambos os membros inferiores, e os seguintes sinais vitais: frequência respiratória de 16 irpm; frequência cardíaca de 90 bpm; pressão arterial de 120 x 82 mmHg; saturação periférica de oxigênio de 100% em uso de oxigênio suplementar. Sabe-se que o paciente não ingeriu álcool ou drogas, era previamente saudável e não utiliza medicações. Qual é o nível de lesão medular relativo à interpretação compatível com o quadro clínico descrito? | L2. | T4. | T10. | T12. | Dica do autor: Dermátomos e miótomos são as áreas de pele e músculo respectivamente inervadas por neurônios sensitivos e motores por determinada raiz nervosa. Seu conhecimento é extremamente útil para determinar níveis de lesão. Referência de dermátomos: C4 – ombro. C6 – dedão. T4 – mamilo. T8 – processo xifoide. T10 – umbigo. T12 – sínfise púbica. L3 – joelho. E os principais miótomos? - C5: Deltoide (elevação do ombro) - C6: Flexor do antebraço (bíceps) - C7: Extenso do antebraço (tríceps) - C8: Flexos do punho - T1: Abdutor do dedo mínimo - L2: Flexor do quadril (iliopsoas) - L3 – L4: Extensores do joelho (quadríceps e reflexo patelar) - L4, L5, S1: Extensores do joelho (isquiotibiais) - L5: Dorsiflexores do tornozelo e do hálux (tibial anterior e extenso longo do hálux) - S1: Flexores plantares do tornozelo (gastrocnêmio e sóleo) Portanto, sensibilidade na altura da cicatriz umbilical = T10 Resposta: Alternativa C | C | |
44 | 43 | Medicina de Família e Comunidade | Vigilância em Saúde | Vigilância epidemiológica | Fácil | Saúde Coletiva e Gestão | No Brasil, a doença diarreica aguda é reconhecida como importante causa de morbimortalidade, mantendo relação direta com as precárias condições de vida e saúde dos indivíduos, em consequência da falta de saneamento básico, de desastres naturais (estiagem, seca e inundação) e da desnutrição crônica, entre outros fatores, de acordo com dados do Ministério da Saúde de 2019. No sentido de melhorar o controle das doenças diarreicas agudas, o Ministério da Saúde orienta, como conduta relacionada à vigilância epidemiológica a ser adotada pela equipe de saúde da Unidade Básica de Saúde, a | monitorização, do tipo sentinela, das doenças diarreicas agudas. | notificação compulsória semanal dos surtos de doença diarreica aguda apenas em crianças. | notificação compulsória imediata de caso individual de doença diarreica aguda em criança. | notificação compulsória dos casos isolados de doença diarreica aguda causada por água e/ou alimento. | Dica do autor: A Vigilância Sentinela é um modelo de vigilância que utiliza estabelecimentos de saúde estratégicos. Ou seja, em determinadas unidades (ou municípios), alguns outros agravos, além daqueles presentes na lista nacional, podem ser de notificação compulsória. Esses agravos são divididos em 5 grupos: I. Vigilância em Saúde do Trabalhador II. Vigilância de doenças de transmissão respiratória III. Vigilância de doenças de transmissão hídrica e/ou alimentar IV. Vigilância de doenças sexualmente transmissíveis V. Síndrome neurológica pó-infecção febril exantemática As doenças diarreicas agudas estão contidas no grupo III. Alternativa A: CORRETA. Conforme dica do autor. Alternativas B, C e D: INCORRETAS. Doenças diarreicas agudas não constam na Lista Nacional de Agravos de Notificação. Resposta: Alternativa A. | A | |
45 | 44 | Cirurgia | Cirurgia geral | Complicações Cirúrgicas | Fácil | Conduta | Homem de 75 anos foi levado ao serviço de urgência devido à confusão mental. Os familiares relataram que o homem é diabético (em uso de metformina 500 mg 2 vezes ao dia) e tabagista (1 maço a cada 2 dias). Informaram que ele está no quarto dia de pós-operatório de colecistectomia por via laparoscópica e recebeu alta no segundo dia de pós-operatório, evoluindo bem. Contudo, ontem, tinha apresentado episódio de confusão mental, trocando os nomes dos filhos e esquecendo se havia jantado ou não. Hoje, pela manhã, apresentou quadro semelhante de confusão mental, relatando já ter tomado o café da manhã, mesmo sem tê-lo feito. No exame, apresenta-se consciente, com pontuação de 14 na Escala de Coma de Glasgow. Sua temperatura é de 38,6 °C, pulso de 120 batimentos por minuto, 26 incursões respiratórias por minuto, saturação de O₂ de 93% com cateter nasal de oxigênio. Na ausculta pulmonar, apresentou crepitações em base direita. Sua pressão arterial é de 96 × 60 mmHg. Sem alterações na ausculta cardíaca. Abdome normotenso, indolor, sem visceromegalias, com ferida cirúrgica em bom estado, sem secreção purulenta. No caso apresentado, a conduta a ser adotada é | Manter o paciente em regime ambulatorial e prescrever antibiótico via oral. | Internar o paciente para realização de exames laboratoriais, e iniciar antimicrobianos via intravenosa. | Solicitar tomografia computadorizada de abdome com contraste e prescrever antitérmico e sintomáticos. | Solicitar tomografia computadorizada do encéfalo e prescrever haloperidol. | Dica do autor: Questão sem maiores dificuldades. Pós-operatório diferente do normal, com sinais de infecção (taquicardia e febre), certamente precisamos investigar o que aconteceu de errado. Somos obrigados a pedir exames básicos como hemograma, função renal e eletrólitos. Além de marcadores infecciosos como PCR. Além disso, devemos pedir exames focados na via biliar, como GGT, FA, AST, ALT e bilirrubinas. Vamos lá: Alternativa A: INCORRETA. Não se trata de regime ambulatorial. Paciente com piora clínica importante no pós-operatório e com confusão mental. Precisamos investigar a causa disso! Alternativa B: CORRETA. Precisamos averiguar se esse paciente apresenta alguma infecção ou complicação intra-abdominal pós-cirúrgica. Alternativa C: INCORRETA. Realmente esse paciente irá ganhar uma tomografia computadorizada de abdome com contraste, mas primeiro precisamos solicitar exames gerais e entrar com antibiótico empírico. Alternativa D: INCORRETA. A confusão mental é, provavelmente, secundária a infecção ou complicação pós-operatória. Diante do exposto, conclui-se que a melhor resposta é a alternativa B. Resposta: Alternativa B. | B | |
46 | 45 | Medicina de Família e Comunidade | Vigilância em Saúde | Saúde ambiental | Fácil | Saúde Coletiva e Gestão | Luis é médico rural em uma área de difícil acesso na região amazônica. Responsável pelo cuidado à saúde de ribeirinhos, vem acompanhando, ao longo dos últimos anos, o agravamento progressivo dos períodos de seca na região, antigamente raras, com impactos diretos e significativos na subsistência e no transporte daquelas populações. Essa mudança climática coincide com o avanço do desmatamento na região. Diante dos casos e considerando os conceitos relacionados à Vigilância Ambiental e às Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Medicina, assinale a alternativa correta: | Luis deve se manter distante dos aspectos relacionados à realidade socioambiental da comunidade, uma vez que seu engajamento nessas questões pode comprometer seu juízo clínico. | O problema identificado foge da governabilidade de Luis, cuja formação é clínica e, portanto, deve estar fora do seu escopo de atuação. | A seca é um fenômeno climático natural e independente, portanto sem relação com o estado de saúde de indivíduos e comunidades. | Os efeitos da seca na saúde da comunidade devem gerar uma reação empática em Luis, na busca de soluções compartilhadas para a preservação do meio ambiente. | Dica do Professor: A Vigilância em Saúde Ambiental (VSA) consiste em um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento e a detecção de mudanças nos fatores determinantes e condi¬cionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana, com a finalidade de identificar as medidas de prevenção e controle dos fatores de risco ambientais relacionados às doenças ou a outros agravos à saúde. A Vigilância em Saúde Ambiental é um dever de todos os médicos. Ou seja, o médico do enunciado deve ter uma reação empática ao problema e tem, sim, a responsabilidade pela busca de soluções. Resposta: D. | D | |
47 | 46 | Cirurgia | Urologia | Litíase Urinária | Fácil | Ética e Profissionalismo | Um homem de 46 anos vai ao pronto-socorro com queixa de dor em cólica de forte intensidade na região lombar direita, com irradiação para flanco e fossa ilíaca direita há 12 horas, levando-o à incapacidade laboral. Ele refere que já apresentou alguns episódios semelhantes, com várias ocorrências de vômitos, e que fez uso de chás caseiros para tratamento. Ele nega disúria e polaciúria. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral com fácies de dor, sudorese profusa, mucosas desidratadas (1+/4+), temperatura de 36,5°C, frequência cardíaca de 100 batimentos por minuto, pressão arterial de 130 × 80 mmHg, pulmões limpos e bulhas rítmicas e normofonéticas. Ao exame físico do abdome, apresenta dor à palpação de flanco direito e sinal de Giordano positivo à direita. Nos exames complementares, tem-se hemograma sem alterações. Em rotina de urina, constata-se urina turva, ausência de nitritos, presença de leucócitos, 10.000/mL, e presença de hemácias, de 50.000/mL. Com base nessas informações, assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, o diagnóstico da doença e o tratamento adequado para esse paciente. | Litíase renal; cirurgia de urgência. | Infecção urinária; antibioticoterapia. | Litíase renal; analgesia e hidratação. | Infecção urinária; analgesia e urocultura. | Dica do autor: A litíase renal, também conhecida como nefrolitíase ou cálculo renal, é uma condição causada pela formação de cálculos (pedras) nos rins ou no trato urinário. Na avaliação diagnóstica de um paciente com suspeita de litíase renal, é essencial a análise de sinais clínicos e resultados de exames laboratoriais e de imagem. No contexto clínico, devem-se observar os seguintes pontos: História clínica: Dor em cólica de forte intensidade, localizada em flanco ou região lombar, frequentemente irradiando para a fossa ilíaca e região inguinal. Geralmente, a dor é intermitente, associada a náuseas, vômitos e sudorese. Exame físico: O paciente pode apresentar sinais de desconforto intenso, sudorese e taquicardia, associados à dor. A desidratação pode ocorrer em casos de vômitos frequentes. Exame de urina (EAS): É comum observar: Hematúria microscópica ou macroscópica, devido ao trauma no trato urinário causado pela passagem do cálculo. Leucocitúria (10.000 leucócitos/mL no caso em questão), sem bacteriúria significativa ou nitritos, descartando infecção urinária. Urina turva pode ser observada, mas geralmente não há crescimento bacteriano em urocultura. Hemograma: Normalmente, o hemograma apresenta-se sem alterações importantes na litíase renal não complicada. Exames de imagem: A tomografia computadorizada de abdome sem contraste é o padrão-ouro para diagnóstico de cálculos renais, identificando tamanho, localização e grau de obstrução. Ultrassonografia pode ser usada como método inicial, especialmente em grávidas ou emergências. O diagnóstico diferencial inclui condições como infecção urinária, pielonefrite, apendicite aguda, entre outras, que precisam ser descartadas com base no quadro clínico e laboratorial. A avaliação completa permite não apenas confirmar o diagnóstico, mas também guiar o manejo, que pode variar desde analgesia até intervenção cirúrgica em casos mais graves. Alternativa A: INCORRETA. Embora o diagnóstico de litíase renal esteja correto, a indicação de cirurgia de urgência não é apropriada neste caso. O tratamento inicial para pacientes com litíase renal sem sinais de complicações graves (como infecção associada, rim único, obstrução completa ou insuficiência renal) consiste em medidas conservadoras, incluindo analgesia, terapia expulsiva (tansulosina) e hidratação, além de monitoramento para expulsão espontânea do cálculo. A cirurgia é reservada para casos refratários ou complicados. Alternativa B: INCORRETA. O diagnóstico de infecção urinária não é compatível com o quadro clínico e laboratorial descrito. Apesar da leucocitúria no EAS, não há bacteriúria significativa, nitritos positivos ou febre que sugiram infecção. Além disso, a dor em cólica e o sinal de Giordano positivo são mais indicativos de litíase renal. O tratamento com antibioticoterapia não seria indicado neste caso. Alternativa C: CORRETA. O quadro descrito é clássico de litíase renal, caracterizado pela dor em cólica de forte intensidade, hematúria e ausência de sinais sugestivos de infecção. O manejo inicial deve incluir terapia expulsiva (tansulosina), analgesia, fundamental para controle da dor, e hidratação adequada para auxiliar na eliminação espontânea do cálculo. Alternativa D: INCORRETA. O diagnóstico de infecção urinária está incorreto pelos motivos já mencionados. Além disso, a abordagem com urocultura seria mais indicada para casos com suspeita de infecção, o que não é a prioridade neste paciente, cujo diagnóstico mais provável é litíase renal. Resposta: Alternativa C. | C | |
48 | 47 | Pediatria | Hematologia | Púrpura trombocitopênica | Fácil | Conduta | Um pré-escolar com 3 anos de idade, previamente hígido, é atendido no pronto-socorro. A mãe relata que seu filho apresentou manchas no corpo há 2 dias. Além disso, refere que a criança esteve resfriada no mês anterior e que melhorou após 5 dias. Durante o exame físico, estava afebril, alerta, com múltiplas petéquias em membros e tronco, pequenos hematomas em joelhos, ausência de visceromegalias ou linfonodomegalia. O exame de esfregaço de sangue periférico mostra plaquetas de 57 000/mm3 (valor de referência: 150 000 a 450 000/mm3 ), com macroplaquetas; células vermelhas e brancas com morfologia e quantidade normais. Nesse caso, o diagnóstico provável e a conduta adequada são, respectivamente, | Leucemia; aspiração e biópsia de medula óssea. | Púrpura trombocitopênica idiopática; seguimento clínico. | Púrpura trombocitopênica idiopática; corticoide em altas doses. | Leucemia; exames de citometria de fluxo e imuno-histoquímicos. | Dica do professor: Paciente que apresenta plaquetopenia e “mais nada” em questão de prova temos que pensar em púrpura trombocitopênica idiopática(PTI). Outra dica importante é a presença de evento desencadeante (infecção ou vacinação recentes) - neste caso clínico há relato de resfriado no mês anterior. Alternativa A: Incorreta. Na leucemia o estado clínico do paciente geralmente é comprometido e podemos observar outras alterações no hemograma além de trombocitopenia (leucocitose ou leucopenia, blastos em sangue periférico, anemia, etc). Alternativa B: Correta. O Alvo terapêutico na PTI é plaquetas acima de 30.000/mm3 sem sangramentos. Portanto podemos apenas observar, lembrando que em crianças a maioria dos casos de PTI regride de forma espontânea. Alternativa C: Incorreta. A criança não tem indicação de tratamento conforme discutido na aletrantiva B. Alternativa D: Incorreta. Conforme discutimos na alternativa A, a criança não tem critérios para pensarmos em leucemia no momento. Resposta correta, letra B. | B | |
49 | 48 | Cirurgia | Cirurgia do aparelho digestivo | Câncer de Esôfago | Moderado | Conduta | Paciente do sexo masculino, de 75 anos, tabagista, com quadro de disfagia progressiva e emagrecimento de 12 kg em 3 meses, atualmente ingerindo apenas alimentos líquidos e pastosos, realizou endoscopia digestiva alta que evidenciou lesão expansiva circunferencial em esôfago médio (localizada a 28 cm dos dentes incisivos), de 5 cm de extensão, estenosante, mas que permitiu passagem do aparelho para o estômago. A biópsia mostrou carcinoma escamoso de esôfago moderadamente diferenciado. Tomografia de estadiamento mostrou múltiplas metástases pulmonares. Em relação à disfagia e ao suporte nutricional desse paciente, qual é a melhor opção terapêutica? | Jejunostomia cirúrgica. | Nutrição por sonda nasoenteral. | Gastrostomia por via endoscópica. | Passagem de prótese endoscópica. | Dica do autor: Vamos relembrar os tipos de câncer de esôfago? - O adenocarcinoma de esôfago é aquele que fica localizado na região distal e mantém correlação com DRGE, pirose e esôfago de Barret. Sua incidência vem crescendo no mundo desenvolvido é nos EUA é o tumor mais comum do esôfago. - O CEC é o tipo histológico de tumor em esôfago que mantém correlação com tabagismo e etilismo, e acomete o esôfago proximal e médio. No Brasil ainda é mais prevalente que o adenocarcinoma, e tem correlação com baixo nível socioeconômico. Alternativa A: INCORRETA. A jejunostomia é a última opção em casos de obstrução do trato digestivo alto e fica reservada para aqueles pacientes nos quais a passagem do endoscópio é impossível, devido a obstrução completa da luz. Alternativa B: INCORRETA. A banca considerou essa alternativa incorreta, mas a nutrição por sonda nasoenteral não é uma opção absurda para este paciente. Ele apresenta um CEC metastático e com prognóstico reservado. Certamente, ter uma SNE não é confortável para um paciente possivelmente paliativo, mas não é de todo incorreta. Alternativa C: INCORRETA. A gastrostomia por via endoscópica também é uma opção, pois o autor nos informou que a passagem do endoscópio foi possível. Entretanto, também é desconfortável para um paciente possivelmente paliativo. Alternativa D: CORRETA. Visto que estamos frente um paciente com prognóstico reservado, essa é a melhor alternativa. Resposta correta, alternativa D. | D | |
50 | 49 | Ginecologia e Obstetrícia | Obstetrícia | Apresentação pélvica e anomalias da apresentação | Fácil | Diagnóstico e Conduta | Uma paciente com 39 semanas e 2 dias de idade gestacional chega à unidade de pronto atendimento para avaliação obstétrica e, após anamnese e exame físico geral, foi constatada, no exame de toque vaginal, uma apresentação fetal como a ilustrada na foto a seguir. Com relação à foto, é correto afirmar que se trata de uma apresentação cefálica | Defletida de 1° grau, bregmática. | Defletida de 2° grau, de fronte. | Defletida de 3° grau, de face. | Fletida, occipital. | Dica do autor: Vamos relembrar os conceitos: quanto ao grau de deflexão, a apresentação cefálica pode ser: fletida, defletida de 1º grau, defletida de 2º grau (fronte) ou defletida de 3º grau (face). O ideal é que o feto esteja em apresentação cefálica fletida para apresentar o menor diâmetro do polo cefálico ao canal de parto. Em cada uma dessas variações, o nosso ponto de referência para a variedade de posição (relação entre a apresentação e a bacia materna) e o diâmetro apresentado na insinuação vão mudar: - Fletidas - lambda (occipício) - suboccipitobregmático - 9,5 cm; - Defletidas de 1º grau - bregma - occipitofrontal e 11 a 12 cm; - Defletidas de 2º grau - naso/ glabela - occipitomentoniano - 13,5 cm - Defletidas de 3º grau - mento - submentobregmático - 9,5 cm. A questão apresenta uma imagem de uma apresentação cefálica defletida de 3º grau (face), cujo ponto de referência é o mento. Resposta: Alternativa C. | C | https://sanar-courses-platform-files.s3.sa-east-1.amazonaws.com/REVALIDAINEP2023R64-original-1679061458.png |
51 | 50 | Ginecologia e Obstetrícia | Ginecologia | Afecções do trato geniturinário feminino | Fácil | Conduta | Uma mulher de 53 anos vem ao ambulatório de uroginecologia referindo perda urinária. Possui histórico de 5 partos via vaginal e apresenta menopausa há 7 anos, sem terapia de reposição hormonal. No exame físico ginecológico, apresenta prolapso de parede anterior grau 1, sem perda urinária à valsalva. Apresenta resultado de estudo urodinâmico que revelou a presença de contrações não inibidas do músculo detrusor como único achado. Nesse caso, a abordagem terapêutica inicial é | correção cirúrgica do prolapso de útero e da parede vaginal anterior por via vaginal. | terapia de reposição hormonal apenas com estrogênio via oral. | colpossacrofixação. | tratamento comportamental podendo ou não associar anticolinérgicos. | Dica do autor: Um cuidado que temos que ter aqui: atenção à queixa da paciente: perda involuntária de urina. Óbvio que faltam dados da anamnese para caracterizar a perda, mas, como no estudo urodinâmico há a presença de contrações não inibidas do músculo detrusor como único achado, consideramos que a paciente apresenta uma incontinência de urgência. É definida como a perda urinária involuntária precedida de sensação de forte desejo de urinar, com necessidade de esvaziar a bexiga imediatamente no momento da urgência. E vale lembrar que a principal causa é a Síndrome da Bexiga Hiperativa, caracterizada pelos sintomas de urgência urinária com ou sem incontinência de urgência, geralmente acompanhada de aumento na frequência miccional e noctúria, sem causa local ou metabólica. O diagnóstico da bexiga hiperativa é CLÍNICO e não seria necessário o estudo urodinâmico (que inclusive pode vir normal). O tratamento envolve modificações de estilo de vida, mudanças comportamentais, fisioterapia com técnica de biofeedback e em alguns casos até medicações (anticolinérgicos e agonistas dos receptores beta-3-adrenérgico). A "pegadinha" aqui é que, no exame físico, há um prolapso leve de parede anterior e que NÃO é queixa da paciente. Não devemos abordar cirurgicamente. Resposta: Alternativa D. | D | |
52 | 51 | Cirurgia | Cirurgia geral | Doença Diverticular dos Cólons/Diverticulite aguda | Fácil | Conduta | Homem de 55 anos de idade apresenta quadro de dor em fossa ilíaca esquerda. No exame físico, apresentava bom estado geral, frequência cardíaca de 90 batimentos por minuto, pressão arterial de 130 × 80 mmHg, frequência respiratória de 20 incursões respiratórias por minuto e temperatura axilar de 37,9 °C. O paciente realizou tomografia de abdome e pelve, que mostrou ausência de líquido livre e gás na cavidade peritoneal, discreta distensão de alças de delgado e cólons direito e transverso, espessamento de cólon descendente e abscesso pericolônico de 6 cm próximo à goteira parietocólica esquerda. Nesse caso, qual é a melhor conduta imediata? | Internação e antibioticoterapia venosa exclusiva. | Antibioticoterapia venosa e drenagem do abscesso. | Alta hospitalar e antibioticoterapia oral ambulatorial. | Laparotomia exploradora e procedimento de Hartmann. | Dica do autor: Vamos relembrar a classificação de Hinchey para diverticulite aguda? Grau I: abscesso pericólico, pequeno e localizado: permite tratamento conservador; Grau II: abscesso pélvico maiores, geralmente maiores que 5 cm. A drenagem percutânea costuma ser uma excelente alternativa. Grau III: Peritonite purulenta difusa = SEMPRE demandam cirurgia; Grau IV: Peritonite fecal = não tratável por outra forma que não cirúrgica Estamos frente um paciente com diverticulite aguda Hinchey II. Portanto, a melhor alternativa é a letra B. Alternativa A: INCORRETA. O tratamento clínico conservador com antibioticoterapia venosa fica reservado para casos Hinchey I. Alternativa B: CORRETA. Realizamos drenagens percutâneas nos casos de Hinchey II, como neste caso. Alternativa C: INCORRETA. O uso de antibioticoterapia oral pode ser uma opção para pacientes com diverticulite aguda NÃO complicada (o que seria um Hinchey 0), ou para Hincheys I, em pacientes jovens, sem comorbidades, sem fatores de risco e com excelente estado geral. Alternativa D: INCORRETA. Perfuração livre, seja purulenta ou fecal (Hincheys III ou IV), o tratamento é cirúrgico. Resposta: Alternativa B. | B | |
53 | 52 | Pediatria | Endocrinologia | Complicações agudas de diabetes mellitus | Fácil | Diagnóstico e Conduta | Uma menina de 4 anos é levada ao pronto-socorro de um hospital público pelo SAMU, com relato de quadro de náusea, vômitos e dor abdominal de evolução rápida nas últimas 6 horas. Sua mãe conta que a filha teve perda de peso significativa na última semana. Ao exame físico, a paciente apresenta-se sonolenta, desidratada, com hálito cetônico, taquicárdica e taquipneica, com glicemia capilar de 300 mg/dL (valor de referência - VR: 60 a 99 mg/dL), gasometria com pH 7,19 (VR: 7,35 a 7,45) e HCO₃ 15 mEq/L (VR: 22 a 28 mEq/L). Com base nos dados apresentados, é correto afirmar que a criança possui níveis reduzidos de: | Insulina e potássio total. | Cortisol e potássio total. | Insulina e sódio. | Glucagon e sódio. | Dica do autor: Na cetoacidose diabética (CAD) temos instalação abrupta dos seguintes sintomas: poliúria, polidipsia e perda de peso; taquicardia e graus variados de desidratação e fadiga, astenia e prostração. Além desses, a CAD apresenta manifestações relacionadas à presença dos cetoácidos: hálito cetônico, cefaleia, náuseas, dor abdominal e a respiração de Kussmaul. Num paciente com DM tipo 1 que se apresenta desidratado com os sintomas acima descritos e que reduziram ou suspenderam o uso de insulina, a principal hipótese é CAD. A CAD está relacionada à deficiência insulínica; portanto, situações onde há a incapacidade de “colocar a glicose para dentro da célula”. Quando as outras glândulas percebem que não têm insulina, chegam à seguinte conclusão: “se nosso colega pâncreas não está produzindo insulina, é porque não deve ter glicose no sangue, então vamos aumentar a glicemia!”. Dessa forma há aumento de hormônios contrarreguladores: glucagon, cortisol, catecolaminas e hormônio do crescimento. Resumindo, a combinação dessas alterações hormonais piora ainda mais a hiperglicemia, pois aumentam a glineogênese. Alternativa A: CORRETA. A maior parte dos pacientes com CAD tem déficit de potássio corporal (em média, o déficit é de 5 a 10 mEq/kg). No entanto, comumente os níveis séricos são normais ou até altos na admissão, já que a hiperosmolalidade, a acidose e a deficiência insulínica provocam um desvio do potássio do intracelular para o extracelular. Quando corrigimos esses fatores, o potássio volta para dentro da célula, levando à hipocalemia caso não haja reposição de potássio durante o tratamento. Alternativa B: INCORRETA. O cortisol está elevado, já que é um hormônio contrarregulador. Alternativa C: INCORRETA. Pacientes com CAD geralmente apresentam pseudo-hiponatremia. A hiperglicemia determina um fluxo de água do intra para o extracelular e "empurra" o sódio do extra para o intracelular, ou seja, o pool corporal está normal, mas o exame não reflete a realidade, havendo uma pseudo-hiponatremia. Alternativa D: INCORRETA. O glucagon está elevado, porque também é um hormônio contrarregulador. Resposta: Alternativa A | A | |
54 | 53 | Medicina de Família e Comunidade | Atenção Primária à Saúde | Abordagem centrada na pessoa | Fácil | Ética e Profissionalismo | Mulher de 34 anos, com 4 filhos, desempregada, comparece a uma unidade básica de saúde (UBS) com queixa de atraso menstrual de um mês. Durante a consulta, a paciente relata que está muito aflita, por ter realizado um teste de gravidez cujo resultado foi positivo. Afirma que compareceu à consulta porque não deseja essa gravidez. Quando questionada, a paciente nega qualquer situação de violência sexual. Nesse caso, além de acolher e acalmar a paciente, a melhor abordagem a ser realizada pelo médico deve ser | iniciar o pré-natal regular, mencionando a possibilidade de entrega voluntária da criança para adoção após seu nascimento. | desencorajar a realização de um aborto, apesar da paciente ter direito, enfatizando os riscos à saúde advindos do procedimento de abortamento, como hemorragia, infecção, perfuração uterina, infertilidade e morte. | assegurar o direito às informações clínicas e legais adequadas, garantir o sigilo e informar sobre sintomas que justifiquem a busca de atendimento médico em caso de realização de um aborto inseguro. | questionar abertamente sobre a intenção de abortar, sem julgamento, e informá-la que tem obrigação ética de fazer um boletim de ocorrência caso o aborto venha a ser realizado. | Dica do autor: A abordagem de uma gestação indesejada deve ser feita com empatia, respeito à autonomia da paciente e oferecimento de informações claras sobre as opções disponíveis, incluindo os aspectos legais e clínicos. A mulher tem o direito de decidir sobre o curso da gravidez, e a função do profissional de saúde é garantir que ela tenha acesso a informações completas, incluindo as implicações de um aborto inseguro. No Brasil, o aborto é legal em casos específicos, como risco à vida da mulher, anencefalia do feto e violência sexual. No entanto, a maioria dos abortos realizados no país ocorre de forma insegura, o que coloca a vida da mulher em risco, devido a complicações como hemorragias, infecções, perfuração uterina, infertilidade e até morte. Acolhimento e sigilo: O médico deve acolher e respeitar a decisão da paciente, garantindo que ela tenha acesso a todas as informações sobre direitos e opções, sem julgamento, e assegurando que o sigilo médico seja mantido. Informação sobre aborto inseguro: O médico deve fornecer informações sobre riscos de aborto inseguro e garantir que a paciente tenha acesso a informações legais e clínicas sobre os cuidados que deve ter caso opte por essa prática, enfatizando sempre os riscos à saúde. Alternativa A: INCORRETA. Iniciar o pré-natal regular sem respeitar a decisão da paciente não é a abordagem mais adequada, considerando que a paciente expressou claramente o desejo de não continuar com a gravidez. O médico deve oferecer informações completas sobre as opções legais e seguras para a paciente. Alternativa B: INCORRETA. Desencorajar a realização de um aborto, sem informações claras não respeita a autonomia da paciente. Além disso, enfatizar os riscos de abortamento de forma alarmista pode contribuir para o estigma em vez de fornecer suporte adequado. A melhor abordagem é informar sobre os riscos de um aborto inseguro. Alternativa C: CORRETA. A melhor abordagem é assegurar o direito à informação sobre todas as opções legais e os riscos associados à realização de um aborto inseguro. O médico deve também garantir o sigilo e dar informações claras sobre sintomas que indicam complicações em caso de realização de um procedimento. Esta abordagem respeita a autonomia da paciente, garantindo que ela tenha informações clínicas e legais adequadas. Alternativa D: INCORRETA. Questionar sobre a intenção de abortar sem empatia e sem fornecer as informações adequadas pode ser invasivo e não ajuda na tomada de decisão informada. Além disso, não há obrigação ética de fazer um boletim de ocorrência caso o aborto seja realizado. Resposta: Alternativa C. | C | |
55 | 54 | Pediatria | Pediatria geral/Saúde mental | Transtornos do neurodesenvolvimento | Moderado | Conduta | Uma criança de 8 anos é atendida no ambulatório geral de pediatria devido a baixo rendimento escolar. Há 3 meses, vem sendo observadas dificuldades como falta de atenção nos afazeres escolares e domésticos, dificuldade em manter a concentração durante as atividades de lazer e nas aulas de educação física, além de dificuldade em seguir instruções e concluir os deveres. A mãe relata que o comportamento desatento é frequente e que a criança rotineiramente perde objetos e se distrai facilmente com estímulos externos. O pré-natal e parto foram sem intercorrências e não tem antecedentes familiares de doenças neurológicas. O exame neurológico não tem sinais de focalização. Qual é a conduta mais adequada? | Iniciar metilfenidato 30 minutos antes de ir para escola. | Manter seguimento e solicitar relatórios acadêmicos. | Solicitar eletroencefalograma com fotoestimulação. | Iniciar carbamazepina e checar níveis séricos no retorno. | Dica do autor: O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é o distúrbio neurocomportamental mais comum da infância e se caracteriza pela falta e a dificuldade de manter a atenção, o controle insatisfatório de impulsos e a hiperatividade com excessiva atividade motora. Geralmente com a entrada na escola os sintomas se tornam mais evidentes, com predomínio dos sintomas de hiperatividade na pré-escola e de desatenção no ensino fundamental, prejudicando o rendimento escolar. O diagnóstico é feito pelo preenchimento dos critérios diagnósticos de acordo com o DSM-V pela presença de um padrão persistente (6 ou mais sintomas por pelo menos 6 meses) de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que se inicia antes dos 12 anos e interfere no funcionamento social, acadêmico ou profissional (ou que reduzem sua qualidade), com sintomas presentes em dois ou mais ambientes e que não são melhor explicados por outros diagnósticos diferenciais. Como o diagnóstico de TDAH é exclusivamente clínico, é necessário avaliar os sintomas em pelo menos dois contextos (escola e casa) e garantir que eles estejam presentes há mais de 6 meses. Antes de iniciar o tratamento medicamentoso, deve-se realizar uma investigação cuidadosa, envolvendo relatórios escolares, observação clínica e entrevista com os pais. Intervenções não farmacológicas, como psicoterapia e suporte pedagógico, são frequentemente a primeira linha, principalmente em casos leves a moderados. Alternativa A: INCORRETA. Embora o metilfenidato seja uma das principais medicações para TDAH, iniciar o tratamento sem uma avaliação completa não é adequado. O uso de estimulantes está indicado em casos confirmados e que apresentem impacto significativo na funcionalidade, após esgotadas as estratégias não farmacológicas iniciais. Alternativa B: CORRETA. Manter seguimento e solicitar relatórios acadêmicos é a melhor abordagem inicial. Essa conduta permite uma avaliação abrangente e coleta de informações importantes, como a extensão do impacto dos sintomas no ambiente escolar. Além disso, favorece a exclusão de outras condições que podem simular ou coexistir com TDAH, como distúrbios do sono, transtornos de aprendizagem ou questões emocionais. Alternativa C: INCORRETA. O eletroencefalograma com fotoestimulação não é indicado neste caso. O TDAH tem diagnóstico clínico e não requer exames complementares, exceto em casos de dúvida diagnóstica com epilepsia (quando há episódios sugestivos de crises convulsivas, o que não é o caso aqui). Alternativa D: INCORRETA. A carbamazepina é utilizada no manejo de epilepsia e transtornos de humor, mas não tem indicação no tratamento de TDAH. Seu uso seria inadequado e não teria nenhum benefício para o paciente. Resposta: Alternativa B | B | |
56 | 55 | Clínica Médica | Pneumologia | Crise asmática | Fácil | Conduta | Uma paciente de 40 anos de idade, com histórico de asma e rinite alérgica, apresenta quadro de dispneia progressiva e sibilos. O exame físico mostrou FC = 100 bpm, FR = 26 irpm, SatO2 = 89%. Qual é a conduta imediata a ser adotada nesse caso? | Iniciar broncodilatador de ação curta e observar a resposta. | Solicitar radiografia de tórax para avaliação. | Prescrever corticoide sistêmico imediatamente. | Encaminhar para hospitalização em unidade de terapia intensiva. | Dica do autor: A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por episódios recorrentes de dispneia, sibilância, opressão torácica e tosse , geralmente desencadeados por fatores alérgicos ou infecciosos. Durante uma crise, ocorre broncoespasmo, edema da mucosa brônquica e produção excessiva de muco , levando à obstrução do fluxo aéreo. Classificação da crise asmática: A gravidade de uma crise de asma é determinada por parâmetros clínicos e gasométricos. O caso descrito apresenta dispneia progressiva, sibilos, FR = 26 irpm e SatO₂ = 89% , indicando crise moderada a grave . Conduta inicial em crise de asma: O manejo segue as diretrizes da Global Initiative for Asthma (GINA) e do Protocolo do Ministério da Saúde , que recomendam: Oxigenoterapia , se SatO₂ 92%. Broncodilatadores de ação curta (β2-agonistas, como salbutamol, associados ou não a anticolinérgicos, como ipratrópio) , administrados a cada 20 minutos na primeira hora por nebulização ou spray dosimetrado com espaçador. Corticoterapia sistêmica (prednisona 40-60 mg VO por 5-7 dias) , caso não haja resposta adequada ao broncodilatador. Monitorização contínua da saturação e sinais de gravidade. No caso apresentado, a prioridade inicial é a administração de broncodilatador de ação curta (salbutamol) e avaliação da resposta clínica. Alternativa A: CORRETA. A administração de salbutamol (β2-agonista de curta ação) é a conduta prioritária no tratamento da crise asmática, pois promove broncodilatação imediata . O paciente deve ser monitorado para avaliar a necessidade de terapias adicionais. Alternativa B: INCORRETA. A radiografia de tórax não é indicada de rotina para crise asmática, sendo solicitada apenas em casos com suspeita de pneumotórax, pneumonia ou outra complicação. Alternativa C: INCORRETA. Embora o uso de corticosteroides sistêmicos seja indicado para reduzir a inflamação e prevenir recorrência da crise, a prioridade inicial é a broncodilatação . O corticoide pode ser administrado após avaliação da resposta ao broncodilatador, porque eu efeito é mais tardio, na prevenção de recorrência de crises. Alternativa D: INCORRETA. A hospitalização em UTI é indicada apenas em crises refratárias ao tratamento inicial , com sinais de insuficiência respiratória grave (ex.: hipercapnia, exaustão respiratória, rebaixamento do nível de consciência ), o que não é o caso descrito . Resposta: Alternativa A. | A | |
57 | 56 | Pediatria | Neonatologia | Desconforto respiratório do recém-nascido | Moderado | Conduta | Após parto cesáreo, RN de 36 semanas de idade gestacional necessita de ventilação com pressão positiva na sala de parto. Com 30 minutos de vida, apresenta FR 70 irpm, tiragem intercostal e batimento de aletas nasais. O padrão radiológico esperado, a etiopatogenia e o tratamento para estabilização do paciente são: | Infiltrado retículo-granular difuso e broncogramas aéreos / dficiència e inativação do surfactante pulmonar / administração de surfactante. | Hiperinsuflação pulmonar e infiltrado retículo-granular grosseiro / deficiência e inativação do surfactante pulmonar / oxigênio inalatório. | Hiperinsuflação pulmonar e derrame intercisural / retardo na absorção do líquido pulmonar / CPAP nasal. | Infiltrado intersticial / infecção por disseminação hematogênica / antibiótico sistêmico e ventilação mecânica. | Dica do autor: Esta questão aborda um recém-nascido prematuro que apresenta sinais de desconforto respiratório após o nascimento. A etiologia do desconforto respiratório em neonatos é diversa e pode variar desde causas infecciosas, como pneumonia neonatal, até condições relacionadas à prematuridade, como a doença da membrana hialina (DMH). A DMH, também conhecida como síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido, é causada pela deficiência de surfactante pulmonar, uma substância que reduz a tensão superficial nos alvéolos e evita o colapso pulmonar. O diagnóstico é frequentemente clínico, mas pode ser apoiado por achados radiológicos característicos. Alternativa A: INCORRETA. Embora o infiltrado retículo-granular difuso e os broncogramas aéreos sejam achados radiológicos clássicos da DMH, a etiopatogenia e o tratamento descritos nesta alternativa estão incorretamente associados a esses achados radiológicos. Alternativa B: INCORRETA. A hiperinsuflação pulmonar e o infiltrado retículo-granular grosseiro não são típicos da DMH. Além disso, a deficiência e inativação do surfactante pulmonar são causas da DMH, mas o tratamento com oxigênio inalatório sozinho não é suficiente para estabilizar o paciente. Alternativa C: CORRETA. A hiperinsuflação pulmonar e o derrame intercisural são achados radiológicos que podem ser vistos em recém-nascidos com retardo na absorção do líquido pulmonar, uma condição comum em neonatos após cesariana. O CPAP nasal é uma modalidade de tratamento que ajuda a manter os alvéolos abertos e facilita a absorção do líquido pulmonar. Alternativa D: INCORRETA. O infiltrado intersticial pode ser visto em neonatos com infecção por disseminação hematogênica, como a septicemia neonatal. No entanto, o cenário clínico descrito na questão não é típico de septicemia neonatal. Resposta: Alternativa C. | C | |
58 | 57 | Cirurgia | Trauma | ATLS: Atendimento Inicial ao Politraumatizado | Fácil | Conduta | Um motociclista de 40 anos foi vítima de um atropelamento por um caminhão. Na avaliação inicial, ele está inconsciente, com respiração irregular, pupilas anisocóricas e Glasgow Coma Scale de 6 pontos. A tomografia de crânio revela lesão com desvio da linha média. Dentre as alternativas, a conduta prioritária deve ser: | Indução de coma com barbitúricos. | Intubação orotraqueal e ventilação mecânica. | Administração de manitol para reduzir a pressão intracraniana. | Craniotomia descompressiva. | Dica do autor: A questão apresenta um caso de trauma cranioencefálico grave (ECG < 9) em um motociclista atropelado. Os sinais clínicos incluem ECG de 6 pontos , pupilas anisocóricas , respiração irregular e uma lesão com desvio da linha média na tomografia , indicando hipertensão intracraniana e possível herniação cerebral iminente. Nessas circunstâncias, a intubação orotraqueal com ventilação mecânica (letra B) é a prioridade inicial. O controle imediato da via aérea é essencial para prevenir hipóxia e hipercapnia, que podem agravar a hipertensão intracraniana e piorar o prognóstico neurológico e para proteger a via aérea, uma vez que o paciente vítima de TCE grave perde essa capacidade. Explicação das alternativas: Alternativa A: INCORRETA. A indução de coma com barbitúricos pode ser uma estratégia para controle da hipertensão intracraniana refratária, mas não é a prioridade inicial em um paciente com GCS de 6 e respiração irregular. Garantir a via aérea e a oxigenação vem antes desse tipo de intervenção (devemos sempre seguir o ABCDE do trauma). Alternativa B: CORRETA. A intubação orotraqueal com ventilação mecânica é a conduta inicial e mais urgente. Pacientes com GCS ≤8 têm indicação de intubação para proteção da via aérea e ventilação adequada, evitando hipóxia e hipercapnia que podem exacerbar a hipertensão intracraniana. O que gera estranheza é um paciente com GCS de 6 ter ido para TC sem IOT, de qualquer forma, garantir a via aérea ainda é uma prioridade acima das demais. Alternativa C: INCORRETA. A administração de manitol é uma medida eficaz para reduzir a pressão intracraniana, mas deve ser realizada após a estabilização das funções vitais, incluindo a via aérea e a ventilação, como tratamento ponte, em quadros de hipertensão intracraniana refratários às medidas de 1a linha. Alternativa D: INCORRETA. A craniotomia descompressiva pode ser necessária em casos de hipertensão intracraniana refratária, mas essa decisão é geralmente tomada após estabilização clínica inicial completa. Resposta: Alternativa B | B | |
59 | 58 | Ginecologia e Obstetrícia | Obstetrícia | Medicina neonatal | Moderado | Diagnóstico e Conduta | Gestante de 43 anos de idade, casada, está em consulta pré-natal após submeter-se a reprodução assistida. É primigesta e tem 33 semanas de gestação. Na avaliação clínica, está em bom estado geral, corada, PA 120 x 75mmHg, FC 78 bpm, IMC 21,4 kg/m2. A altura uterina é de 31 cm. O BCF está presente e é rítmico. Tônus normal. Traz ultrassonografia obstétrica mostrando feto único, cefálico, com dorso à esquerda e placenta posterior. Índice de líquido amniótico9cm e peso estimado 1685g (percentil 5). Na mesma consulta foi realizada a seguinte avaliação de vitalidade fetal. A orientação a ser dada à paciente quanto à resolução da gravidez é: | Indicar parto com 34 semanas de gestação. | Programar parto no termo precoce | Aguardar termo tardio. | Aguardar até 40 semanas de gestação. | Dica do autor: A questão traz uma paciente de 33 semanas com ultrassonografia obstétrica mostrando índice de líquido amniótico normal e peso fetal estimado no percentil 5. Conceitualmente, fetos abaixo do percentil 10 podem ser pequenos para a idade gestacional (PIG, condição geralmente fisiológica) ou com restrição de crescimento (condição patológica, em que algum fator levou a um crescimento inadequado do feto). A questão exige também a interpretação dos exames de vitalidade fetal mostrados nas figuras. Temos a foto de um doppler de artéria umbilical e, olhando os valores de referência, podemos ver que o exame está normal. A seguir temos uma cardiotocografia também normal (linha de base entre 110-160bpm, variabilidade moderada, acelerações transitórias presentes e desacelerações ausentes). Segundo o Manual do Ministério da Saúde (2022), fetos com peso estimado entre o percentil 3 e 10, sem alterações do Doppler maternofetal, são considerados PIG. Nestes casos, a avaliação da vitalidade e do crescimento fetal pode ser realizada quinzenalmente. Se a paciente não entrar em trabalho de parto espontaneamente, o parto pode ser induzido com 40 semanas. Resposta: letra D. | D | https://sanar-courses-platform-files.s3.sa-east-1.amazonaws.com/USPSP2021118R1-original-1645636216.png |
60 | 59 | Ginecologia e Obstetrícia | Ginecologia | Afecções das mamas | Fácil | Conduta | Mulher de 64 anos leva para seu médico o resultado de exames de rotina, incluindo a mamografia. No laudo, veio descrito área de assimetria focal localizada no quadrante superior medial da mama direita classificada como BIRADS 0. Diante desse caso, qual é a melhor conduta? | Indicar Core-biopsy. | Solicitar ultrassonografia mamária. | Punção por agulha fina. | Solicitar ressonância magnética das mamas. | Dica do autor: O sistema BI-RADS foi estabelecido para padronizar a nomenclatura e a descrição das mamografias, permitindo que os radiologistas transmitissem os resultados de forma clara e compreensível, tanto para os clínicos quanto para os pacientes. Vamos revisar brevemente as categorias BI-RADS: BI-RADS 0: inconclusivo. Conduta: complementar com outro exame ou incidência ou magnificação. BI-RADS 1: achados negativos. Conduta: rastreamento de rotina. BI-RADS 2: achados benignos (ex.: cisto simples/calcificações grosseiras “em pipoca”/nódulo sólido, características benignas). Conduta: rastreamento de rotina. BI-RADS 3: achados provavelmente benignos (risco < 2%). Conduta: repetir mamografia em seis meses. Após dois controles semestrais normais, o seguimento é anual, até completar três anos. BI-RADS 4: achados suspeitos de malignidade (grande variação do grau de suspeita. Pode ser subdividida nas categorias 4A, 4B e 4C). Conduta: biópsia. BI-RADS 5: achados altamente sugestivos de malignidade (risco > 95%). Conduta: biópsia. BI-RADS 6: carcinoma com diagnóstico estabelecido por exame histopatológico (ex.: paciente em vigência de quimioterapia neoadjuvante que ainda não operou). Nessa paciente, com uma assimetria focal, uma das possibilidades é a complementação com uma ultrassonografia de mamas. Alternativa A: INCORRETA. BI-RADS 0 não indica biópsia. Alternativa B: CORRETA. Conforme dica do autor. Alternativa C: INCORRETA. BI-RADS 0 não indica punção. Alternativa D: INCORRETA. A ressonância não será o primeiro exame para complementar o BI-RADS 0. Resposta: Alternativa B. | B | |
61 | 60 | Ginecologia e Obstetrícia | Obstetrícia | Parto | Fácil | Conduta | Uma mulher com 25 anos, primigesta, na 39ª semana de gestação, encontra-se na segunda fase do trabalho de parto (colo totalmente dilatado, cabeça fletida, encaixada no plano +2 de De Lee, posição occipto-púbica, proporção cefalopélvica adequada), em bloco obstétrico de uma maternidade do Sistema Único de Saúde, atendida por equipe experiente. A gestante, segundo relatou, havia planejado parto normal em seu pré-natal, mas após uma hora de trabalho de parto, entra em exaustão, e as contrações uterinas vão diminuindo em frequência, mesmo depois de medidas encorajadoras de esforço. Realiza-se anestesia neuroaxial, é administrada ocitocina, sendo realizada amniotomia, que revelou líquido meconial. A cardiotocografia apresenta resultado normal, razão pela qual a equipe médica decide aguardar a progressão do parto, porém, com 2 horas e meia de trabalho de parto, nova cardiotocografia aponta bradicardia, e as contrações não se revelam eficientes para a conclusão do período expulsivo. A partir do caso clínico descrito, qual deve ser a melhor conduta? | Indicar a realização imediata de parto cesáreo de urgência. | Realizar parto vaginal assistido, com utilização de fórceps de Simpson. | Administrar nova dose de ocitocina, para estimulação da contração uterina. | Aguardar até se completarem 3 horas de evolução, por se tratar de primípara. | Dica do autor: O parto vaginal instrumentalizado (fórceps ou vácuo-extrator) pode ser necessário em algumas situações obstétricas, como sofrimento fetal, abreviação do período expulsivo e distócia de rotação. Os instrumentais têm as funções de apreender o polo fetal, tracionar e rodar. Estudos recentes mostram que ambos (fórceps e vácuo) são instrumentos eficazes para agilizar o parto. O vácuo causa menos traumas maternos do que o fórceps, porém aumenta o risco de céfalo-hematomas e hemorragias intracranianas fetais. O fórceps ideal para rotações >45 graus é o fórceps de Kielland, que não apresenta uma grande curvatura pélvica, e pode ser utilizado para rotações com mecanismo de chave-fechadura. Além disso, devido à sua articulação deslizante, é o fórceps indicado para a correção de assinclitismos. O fórceps de Simpson é utilizado para pegas diretas ou pequenas rotações (<45 graus), devido à sua curvatura pélvica acentuada. Estamos diante de uma paciente com feto em plano +2 de De Lee e variedade occípito-púbica (OP), com cardiotocografia com bradicardia, que indica necessidade de parto imediato pela via mais rápida. Neste caso, a via vaginal é a mais rápida, diante de uma apresentação fetal já em +2 de De Lee, com auxílio do fórceps. Como não há necessidade de rotação (o feto já está em OP) para ultimar o parto, o fórceps indicado para pegas direta é o fórceps de Simpson. Vamos analisar as alternativas: Alternativa A: INCORRETA. A via de parto mais rápida com um feto em +2 de De Lee e apresentando bradicardia é a via vaginal, através do parto instrumentalizado. Alternativa B: CORRETA. Vide dica do autor. Alternativas C e D: INCORRETAS. Diante da bradicardia fetal (sofrimento fetal agudo), o parto deve ser ultimado imediatamente. Resposta correta: Alternativa B. | B | |
62 | 61 | Clínica Médica | Infectologia | Infecções do trato urinário | Moderado | Conduta | Mulher de 33 anos, sem patologias prévias, procura o setor de emergência por febre há 2 dias, associada a disúria e dor lombar à direita, de forte intensidade, sem irradiação. Ao exame físico de entrada apresentava-se em mau estado geral, corada, desidratada, temperatura axilar de 39,2°C, pressão arterial de 82 x 46 mmHg, relatando peso de 60 kg. Ritmo cardíaco regular em 2 tempos, sem sopros, frequência cardíaca 118 batimentos por minuto. Aparelho respiratório sem alterações. Abdome flácido, com ruídos hidroaéreos presentes, punho-percussão dolorosa à direita. Sem alterações ao exame físico neurológico. Exames demonstraram: Hemoglobina 11,2 g/dL (referência:12-16), hematócrito 33% (referência: 35-45), plaquetas 52.000/mm3 (referência: 150.000-400.000) Leucócitos 18.000/mm3 (referência: 4.000-11.000) com aumento de células jovens. Apresentava ainda creatinina 2,3 mg/dL (referência: 0,7-1,2) e ureia 88 mg/dL (referência 10-50). Baseado na principal hipótese diagnóstica, qual a conduta inicial? | Hemoculturas em até 3 horas da admissão, urocultura, ciprofloxacina, 1000 mL de soro fisiológico em 3 horas e 6 concentrados de plaquetas. | Hemoculturas e urocultura imediatamente, 1800 mL de soro fisiológico em 3 horas e ceftriaxona na primeira hora. | Ceftriaxona intravenoso na primeira hora, hemoculturas e urocultura nas primeiras 2 horas, 1200 mL de soro ringer lactato na primeira hora. | Hemoculturas e urocultura imediatamente, 6 concentrados de plaquetas, 1800 mL de soro fisiológico e ceftriaxona endovenosa. | Dica do professor: estamos diante de uma paciente com provavel quadro de pielonefrite, evoluindo com sinais de sepse. Alternativa A: Incorreto, a hemocultura deve ser coletada em até 1h da admissão. Alternativa B: Correto, a abordagem inicial do paciente séptico envolve coleta de culturas, inicio de antibioticoterapia de amplo espectro e reposição volêmica (20 a 30 ml/kg). Alternativa C: Incorreta, preferencialmente deve-se coletar as culturas antes do início da antibioticoterapia. Alternativa D: Incorreto, a paciente possui contagem de plaquetas superior a 50.000 e sem sinais de sangramento ativo, de modo que não á indicação de transfusão no momento. Resposta correta, letra B. | B | |
63 | 62 | Ginecologia e Obstetrícia | Ginecologia | Emergências e procedimentos | Fácil | Diagnóstico | Mulher com 21 anos chega a uma unidade de pronto atendimento relatando dor pélvica há 2 dias, que se intensificou nas últimas 8 horas, após relação sexual. Queixa-se de sangramento vaginal após a relação, evidenciado na consulta. Refere que a última menstruação havia ocorrido há 5 dias, com ciclos anteriores regulares. Ao exame físico, encontrava-se febril (temperatura axilar: 38,7 °C), com sinais de defesa abdominal, e demonstrou que o exame ginecológico foi extremamente doloroso, quando houve mobilização dos anexos e do colo uterino, que apresentava ectocérvice friável e sangrante. A paciente refere dados normais de exames ginecológico e ecográfico realizados há 90 dias. Considerando-se essa história clínica, qual é o diagnóstico mais provável? | Gravidez ectópica rota. | Doença inflamatória pélvica. | Torção anexial de cisto ovariano. | Rotura de cisto lúteo hemorrágico. | Dica do professor: Questão sobre uma provável Doença Inflamatória Pélvica. Temos que nos atentar ao quadro de dor pélvica, febre e sangramento intermenstrual. Para a confirmação clínica de DIP, é necessária a presença de: Três critérios maiores MAIS um critério menor OU Um critério elaborado #CRITÉRIOS MAIORES Dor no hipogástrio + Dor à palpação dos anexos + Dor à mobilização de colo uterino #CRITÉRIOS MENORES -Temperatura axilar > 37,5°C ou temperatura retal > 38,3°C -Conteúdo vaginal ou secreção endocervical anormal -Massa pélvica -Mais de cinco leucócitos por campo de imersão em material de endocérvice -Leucocitose em sangue periférico -Proteína C reativa ou velocidade de hemossedimentação (VHS) elevada -Comprovação laboratorial de infecção cervical por gonococo, clamídia ou micoplasmas #CRITÉRIOS ELABORADOS -Evidência histopatológica de endometrite -Presença de abscesso tubo-ovariano ou de fundo de saco de Douglas em estudo de imagem -Laparoscopia com evidência de DIP A paciente tem os 3 critérios maiores e pelo menos 1 menor. Após o diagnóstico, precisamos decidir se a paciente fará o tratamento internada ou domiciliar. Pelo Ministério da Saúde, os critérios para indicação de tratamento hospitalar de DIP são: 1-Abscesso tubo-ovariano, 2-Gravidez, 3-Ausência de resposta clínica após 72h do início do tratamento com antibioticoterapia oral, 4-Intolerância a antibióticos orais ou dificuldade para seguimento ambulatorial; 5-Estado geral grave, com náuseas, vômitos e febre 6-Dificuldade na exclusão de emergência cirúrgica (ex.: apendicite, gravidez ectópica) Alternativa A. INCORRETA. Não haveria febre. E teria um atraso menstrual na história. Alternativa B. CORRETA. Vide dica do autor. Alternativa C. INCORRETA. É um diagnóstico diferencial de dor pélvica aguda. Não teria febre e nem sinais de cervicite. Alternativa D. INCORRETA. É um diagnóstico diferencial de dor pélvica aguda. Não teria febre e nem sinais de cervicite. Além disso, o corpo lúteo apareceria na 2a fase do ciclo menstrual. Resposta: Alternativa B. | B | |
64 | 63 | Clínica Médica | Nefrologia | Síndrome nefrítica | Moderado | Conduta | Paciente do sexo feminino, 30 anos, foi admitida no hospital com quadro de fraqueza, hiporexia, febre não aferida, dispnéia, dor torácica, intensificada com a inspiração profunda, poliartralgia, edema de membros inferiores e redução do volume urinário. Informa que o quadro teve início há cerca de 30 dias, intensificado na última semana. Ao exame físico, foi identificado sinais flogísticos em joelhos e punhos, edema de membros inferiores 2+/4+, PA 170x110 mmHg, MV reduzido em 1/3 inferior, bilateralmente. Solicitado exames laboratoriais que evidenciaram: Hemoglobina 8,0 g/dL; Hematócrito 24,2%; Leucócitos global 3.200/mm3 ; Plaquetas 152.000/mm3 ; Creatinina 3,5 mg/dL; Ureia 130 mg/dL; Albumina sérica 2,4 mg/dL; Urina rotina Proteínas 3+, Leucócitos 450.000, Hemácias 320.000; Radiografia de tórax com derrame pleural bilateral e Ultrassonografia de rins e vias urinárias sem alterações. Após esses exames iniciais, foi coletado FAN, anti-DNA, pANCA, cANCA, dosagem de C3 e C4, Anti-HIV, HBsAg, Anti-HCV. Mesmo antes desses resultados, qual a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta mais coerente? | Glomerulonefrite rapidamente progressiva secundária à nefrite lúpica; realização de biópsia renal com urgência e início de pulsoterapia com metilprednisolona. | Síndrome nefrótica; início de prednisona 1mg/kg/dia e encaminhamento para o ambulatório de nefrologia, para checagem de exames solicitados na internação e seguimento clínico. | Síndrome nefrítica; realização de biópsia renal com urgência e início de prednisona 1 mg/kg/dia. | Glomerulonefrite rapidamente progressiva secundária à Síndrome de Goodpasture; realização de biópsia renal com urgência e início de pulsoterapia com metilprednisolona e ciclofosfamida. | Dica do autor: O quadro clínico apresentado sugere doença renal com acometimento sistêmico , caracterizada por síndrome nefrítica (hipertensão arterial, hematúria, proteinúria e insuficiência renal) associada a manifestações sistêmicas, como poliartralgia, febre, derrame pleural e anemia. A paciente tem sinais de glomerulonefrite rapidamente progressiva (GNRP) , evidenciada por insuficiência renal aguda com oligúria, hematúria dismórfica e proteinúria importante (embora não em nível nefrótico) . Além disso, a presença de anemia e leucopenia sugere doença autoimune sistêmica . O diagnóstico mais provável é nefrite lúpica , uma manifestação renal grave do lúpus eritematoso sistêmico (LES) . A biópsia renal é fundamental para classificar a nefrite lúpica e definir o tratamento. Contudo, diante de um quadro grave como este, com rápida deterioração da função renal, o tratamento imunossupressor deve ser iniciado imediatamente , mesmo antes do resultado da biópsia, com pulsoterapia com metilprednisolona . Alternativa A: CORRETA. Glomerulonefrite rapidamente progressiva secundária à nefrite lúpica é a hipótese mais provável. A paciente apresenta manifestações sistêmicas típicas do LES (poliartralgia, febre, acometimento pleural, insuficiência renal, anemia e leucopenia). A conduta correta inclui biópsia renal com urgência para confirmar o tipo de lesão glomerular e definir o tratamento definitivo, mas a pulsoterapia com metilprednisolona deve ser iniciada imediatamente , devido ao risco de progressão rápida para insuficiência renal terminal. Alternativa B: INCORRETA. A paciente não apresenta síndrome nefrótica pura , pois a proteinúria é significativa (3+), mas não atinge valores nefróticos (>3,5 g/24h). Além disso, há hipertensão e hematúria, o que caracteriza síndrome nefrítica e não nefrótica. Além disso, apenas prednisona oral (1 mg/kg/dia) seria inadequada para um quadro tão grave, necessitando de imunossupressão mais agressiva com pulsoterapia . Alternativa C: INCORRETA. Embora a paciente apresente síndrome nefrítica , a conduta descrita na alternativa não é a mais adequada. O tratamento inicial não deve ser apenas prednisona oral (1 mg/kg/dia) , mas sim pulsoterapia com metilprednisolona , devido à gravidade do quadro. Alternativa D: INCORRETA. A Síndrome de Goodpasture (doença anti-MBG) geralmente se manifesta com hemorragia pulmonar e glomerulonefrite rapidamente progressiva , o que não é o caso aqui, pois a paciente tem poliartralgia, leucopenia e derrame pleural , achados mais sugestivos de LES. Além disso, a síndrome de Goodpasture não cursa com alterações hematológicas como leucopenia e anemia hemolítica . Resposta: Alternativa A. | A | |
65 | 64 | Cirurgia | Trauma | ATLS: Atendimento Inicial ao Politraumatizado | Fácil | Relação Médico-Paciente e Comunicação | Durante o seu plantão, você recebe a seguinte comunicação: homem com 23 anos, vítima de ferimentos por arma de fogo no tórax, abdome e coxa direita. ECG: 15, FC: 100 bpm, PAS: 90 mmHg, FR:30 e Sat: 98%. Ao chegar na sala de trauma, seu paciente está in extremis. Está irresponsivo, com respiração agônica, saturação de oxigênio na casa dos 80%, apesar da ventilação com Ambu e máscara, e seu pulso radial é fraco, com FC de 105 batimentos por minuto. Os socorristas instalaram 2 acessos venosos periféricos de grande calibre e começaram a infundir solução salina. Relatam que o paciente foi baleado 3 vezes à queima-roupa com uma arma de fogo desconhecida. O primeiro ferimento, na porção superior do tórax direito, estava soprando na cena e foi coberto com um curativo oclusivo, preso em três lados. O segundo ferimento está localizado no quadrante inferior esquerdo do abdome e não sangra. O terceiro ferimento está localizado na coxa direita e não está sangrando. Os socorristas informam que o sangramento da coxa pulsava antes da aplicação de um torniquete. Sua primeira conduta para este paciente deve ser: | Estabelecer uma via aérea definitiva; | Realizar uma radiografia de tórax; | Remover o torniquete da coxa direita do paciente; | acostomia com drenagem fechada do lado esquerdo do tórax. | Dica do autor: O manejo de um paciente politraumatizado segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support) , priorizando a abordagem em ordem de gravidade: A - Via aérea (Airway); B - Respiração (Breathing); C - Circulação (Circulation); D - Déficit neurológico (Disability). E - Exposição (Exposure) . O caso descrito apresenta um paciente criticamente instável , com sinais de insuficiência respiratória grave (respiração agônica e saturação em queda, apesar da ventilação com Ambu), indicando necessidade imediata de estabelecer uma via aérea definitiva . A insuficiência respiratória associada à irresponsividade aponta para uma falência iminente da via aérea, sendo imprescindível a realização de uma intubação orotraqueal (IOT) para proteger a via aérea e garantir a ventilação. Após assegurar a via aérea, as próximas etapas incluem a avaliação e manejo da respiração (tórax), hemorragias ativas (controle da circulação) e demais lesões identificadas na avaliação primária e secundária. No entanto, a prioridade inicial é sempre estabilizar a via aérea em pacientes com insuficiência respiratória aguda. Alternativa A: CORRETA. Estabelecer uma via aérea definitiva é a conduta inicial mais apropriada para este paciente. Ele apresenta sinais claros de insuficiência respiratória grave, incluindo respiração agônica e saturação de oxigênio baixa, indicando necessidade urgente de intubação orotraqueal . Garantir a via aérea é a prioridade absoluta no protocolo do ATLS, pois sem oxigenação adequada, as outras intervenções não terão efeito. Alternativa B: INCORRETA. A realização de uma radiografia de tórax é parte da avaliação secundária no ATLS, mas não deve ser feita antes de garantir a estabilização da via aérea. O exame seria importante para investigar lesões torácicas adicionais, como pneumotórax ou hemotórax, mas não substitui a necessidade de intervenção imediata para assegurar a oxigenação. Alternativa C: INCORRETA. Remover o torniquete da coxa direita é contraindicado no manejo inicial fora do ambiente cirúrgico. O torniquete está controlando uma hemorragia arterial potencialmente fatal, e sua remoção pode causar sangramento maciço e descompensação hemodinâmica. A decisão de remover o torniquete deve ser feita apenas em um ambiente controlado, como o centro cirúrgico. Alternativa D: INCORRETA. A toracostomia com drenagem fechada pode ser necessária no manejo de lesões torácicas, como pneumotórax ou hemotórax, mas a prioridade inicial é estabilizar a via aérea. O manejo do tórax só deve ser realizado após garantir a ventilação adequada, especialmente em um paciente em insuficiência respiratória grave. Resposta: Alternativa A | A | |
66 | 65 | Clínica Médica | Saúde mental | Transtornos de Personalidade | Fácil | Saúde Coletiva e Gestão | O registro a seguir trata de um exame psíquico no campo objetivo do registro, no formato SOAP. Objetivo: Bom estado geral Avalio minha capacidade negativa antes do exame psíquico. – Apresentação: vestes adequadas à temperatura do ambiente, condizentes com o ambiente que a pessoa frequenta e com temáticas infantis para a idade da pessoa. – Atitude: evasiva, pouco colaborativa e, por vezes, manipuladora. – Contato: empático e sedutor, alternando‐se com momentos de desconfiança. – Consciência: lúcida e consciente. – Atenção: tenacidade e vigilância preservadas. – Orientação: auto e alopsíquica preservadas. – Memória: sem alterações. – Sensopercepção: ausência de alucinações ou ilusões. – Pensamento: fluxo normal e agregado, conteúdo de menos valia e de inferioridade em relação ao mundo. – Crítica e noção de doença: ausência de crítica em relação a exigências irreais sobre os outros e ausência de noção de doença. – Humor e afeto: humor hipotímico e afeto incongruente, pouco ressonante e lábil. – Psicomotricidade: agitação de pernas e mãos, principalmente ao ser questionada sobre relações interpessoais. Com base nessas informações, assinale a alternativa que apresenta o capítulo dentro do DSM V no qual mais provavelmente será encontrada a hipótese diagnóstica da pessoa avaliada. | espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos | transtornos depressivos | transtornos de ansiedade | transtornos da personalidade | Dica do autor: Segundo o DSM-5, os critérios diagnósticos para Transtorno de Personalidade Borderline incluem: Esforços frenéticos para evitar abandono real ou imaginado; Padrão de relacionamentos interpessoais intensos e instáveis, caracterizados por alternância entre extremos de idealização e desvalorização; Perturbação da identidade: autoimagem ou sentimento de self marcadamente e persistentemente instável; Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente autolesivas (ex.: gastos, sexo, abuso de substâncias, direção imprudente, compulsão alimentar); Comportamentos, gestos ou ameaças suicidas recorrentes, ou comportamento automutilante; Instabilidade afetiva devido a uma acentuada reatividade do humor; Sentimentos crônicos de vazio; Raiva intensa e inapropriada ou dificuldade em controlar a raiva; Ideação paranoide transitória relacionada ao estresse ou sintomas dissociativos graves. O exame psíquico descrito aponta para vários desses critérios, particularmente a instabilidade nas relações interpessoais, sentimentos de menos valia e inferioridade, humor instável, e a ausência de insight, alinhando-se bem com o diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline. Resposta: Alternativa D | D | |
67 | 66 | Medicina de Família e Comunidade | Saúde mental | Psicose | Fácil | Conduta | Geraldo, 37 anos, adscrito à unidade básica de saúde, chega para consulta apresentando sintomas psicóticos. Como parte de seu delírio persecutório, recusa-se a ser medicado e não aceita ser encaminhado para o CAPS. Nesse caso, a conduta correta é: | encaminhar para o CAPS mesmo assim, pois ele não tem recurso para esse atendimento; | Insistir com a medicação, que é condição para um plano terapêutico adequado; | fazer o acolhimento de Geraldo e convencê-lo a aderir ao tratamento para os problemas identificados; | fazer o acolhimento de Geraldo, avaliar o quadro clínico geral e pactuar o acompanhamento na medida de suas limitações, lançando mão da entrevista motivacional se possível; | Dica do autor: Pacientes com sintomas psicóticos podem apresentar delírios persecutórios , o que pode resultar na recusa de tratamento ou na desconfiança em relação aos profissionais de saúde. Nesse caso, Geraldo , de 37 anos , recusa-se a ser medicado e não aceita ser encaminhado para o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). Diante dessa situação, a abordagem adequada deve ser baseada nos princípios do acolhimento , da autonomia do paciente e do cuidado centrado na pessoa , além de utilizar ferramentas como a entrevista motivacional . A conduta correta deve focar em acolher o paciente, respeitar sua autonomia, avaliá-lo de forma integral e, na medida do possível, buscar engajá-lo no tratamento . A entrevista motivacional pode ser uma ferramenta valiosa para ajudar o paciente a entender a importância do tratamento e, gradualmente, levá-lo a tomar decisões mais conscientes em relação ao seu quadro clínico. Análise das alternativas: Alternativa A: INCORRETA. Encaminhar compulsoriamente o paciente ao CAPS sem seu consentimento não é a abordagem correta. O encaminhamento forçado pode agravar o quadro psicótico e não respeita a autonomia do paciente, que deve ser considerada sempre que possível. Alternativa B: INCORRETA. Insistir na medicação pode gerar resistência e aumentar o delírio persecutório. A medicação é importante, mas ela deve ser introduzida de forma pactuada com o paciente, sempre que possível, e com respeito à sua autonomia. Alternativa C: INCORRETA. Convencer o paciente a aderir ao tratamento pode não ser eficaz quando ele está vivenciando um quadro de delírio. A abordagem deve ser mais centrada no acolhimento e avaliação integral do paciente, evitando pressão imediata para aderir ao tratamento. Alternativa D: CORRETA. A conduta correta é acolher Geraldo , avaliar seu quadro clínico geral , e pactuar um plano de acompanhamento respeitando suas limitações. A entrevista motivacional pode ser usada para ajudar o paciente a refletir sobre sua situação e, gradualmente, promover a adesão ao tratamento de forma colaborativa. Resposta: Alternativa D | D | |
68 | 67 | Pediatria | Pediatria geral/Saúde mental | Transtornos do neurodesenvolvimento | Moderado | Conduta | Um lactente de 9 meses, nascido a termo, é trazido pela mãe ao hospital, que relata estar preocupada com o comportamento do filho, que é diferente do comportamento dos outros dois irmãos. A mãe também relata que o menino não estende os braços para pedir colo e que tem apresentado pouco contato visual quando estimulado. A história familiar mostra um tio paterno com Transtorno de Espectro Autista. Na avaliação, o médico nota o bebê irritado, com choro persistente ao ser examinado, e registra que seu desenvolvimento motor e seu estado nutricional estão adequados para a idade. Considerando-se esse quadro clínico, a conduta médica imediata a ser adotada diante do relato da mãe é: | Encaminhar o paciente para a neuropediatria e para um geneticista. | Iniciar estímulos precoces e agendar breve retorno. | Tranquilizar a mãe e manter o bebê em consultas de rotina de puericultura. | Iniciar uso de risperidona e encaminhar o paciente para uma equipe multiprofissional. | Dica do autor: Nas provas devemos suspeitar de transtorno do espectro autista naquelas crianças que se apresentam com dificuldade de interação social, como olhar não sustentado e ausência de sorriso social (mas também atraso ou regressão de fala ou do interesse comunicativo, como apontar objetos), e demonstram padrões restritos e repetitivos de comportamento, como o “brincar” diferente (preferir ficar olhando ou manipulando as rodinhas dos brinquedos) e a hipo ou hipersensibilidade a estímulos (como no caso a hipersensibilidade a estímulos auditivos e táteis), apresentando sempre uma resistência à modificação da rotina. O transtorno do espectro autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento que se desenvolve e é diagnosticado, em geral, antes dos três anos. A prevalência estimada do autismo é de 1% da população mundial, sendo quatro vezes mais prevalente em meninos do que em meninas. De acordo com DSM-V, o diagnóstico de TEA pode ser feito na presença atual ou por história prévia de déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos associados a pelo menos dois dos padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, presentes precocemente no período de desenvolvimento e causando prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida no presente. Esses sintomas não devem ser mais bem explicados por deficiência intelectual ou por atraso global do desenvolvimento. As características comportamentais do TEA tornam-se evidentes na primeira infância, e já no primeiro ano de vida podemos identificar alguns sinais de risco para autismo, como atraso na aquisição do sorriso social, desinteresse pela face humana, olhar não sustentado ou ausente, preferência por dormir sozinho ou irritabilidade quando ninado no colo, ausência de ansiedade de separação e indiferença quando os pais se ausentam, dificuldade em comunicar o que deseja e em olhar quando chamado, platô ou regressão do desenvolvimento quanto ao comportamento social e à linguagem. Devido à grande neuroplasticidade dos primeiros dois anos de vida, quanto mais precoce o diagnóstico, mais rápido pode ser instituído o tratamento, com melhores resultados a longo prazo no funcionamento socioadaptativo. Nesse caso temos uma suspeita de TEA devido a descrição da mãe do olhar não sustentado e da pouca procura ao colo materno. No entanto, durante o exame físico, o que foi evidenciado foi apenas uma grande irritabilidade, com choro persistente, o que pode ser característico de uma criança dessa faixa etária por conta da “ansiedade de separação” dos pais. Sendo assim, como há uma dúvida, antes do encaminhamento para avaliação com neurologista pediátrico, podemos orientar estímulos e agendar um retorno breve para a reavaliação. Resposta: Alternativa B. | B | |
69 | 68 | Ginecologia e Obstetrícia | Ginecologia | Anticoncepção | Moderado | Diagnóstico e Conduta | Uma paciente de 28 anos, G3P2A1 (partos normais), procura a unidade básica de saúde para informar-se acerca de métodos contraceptivos para o seu caso. Ela refere ter útero didelfo e relata fazer acompanhamento no ambulatório de hematologia por ter tido tromboembolismo pulmonar após COVID-19. Além disso, também faz acompanhamento no ambulatório de reumatologia por possuir lúpus eritematoso sistêmico. A paciente apresenta fluxo menstrual intenso e não deseja laqueadura, por questões pessoais. Segundo os critérios de elegibilidade, qual método é indicado para o caso dessa paciente? | Sistema intrauterino de levonogestrel (SIU-l). | Dispositivo intrauterino de cobre (DIU T-Cu). | Pílula de etinilestradiol e gestodeno. | Pílula de progestágeno isolado. | Dica do autor: Os critérios de elegibilidade são orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a prescrição de métodos contraceptivos levando em consideração o risco-benefício para a saúde de cada paciente. Dessa forma, a partir de critérios como comorbidades, medicações em uso e antecedentes médicos, o método pode ser ou não indicado para a paciente. Os métodos anticoncepcionais podem ser classificados em quatro categorias, de acordo com a OMS: Categoria 1: não há restrições para o uso do método; Categoria 2: as vantagens no uso do método superam seus riscos; Categoria 3: os riscos no uso do método superam seus benefícios; Categoria 4: o método apresenta um risco inaceitável para indicar o seu uso. As principais contraindicações acontecem com os métodos combinados (estrogênio + progesterona), e você precisa saber algumas situações clássicas que são contraindicações aos combinados como enxaqueca com aura, tabagista com idade maior ou igual a 35 anos, hipertensão arterial, antecedente de trombose venosa profunda, trombofilias conhecidas. Alternativas A e B: INCORRETAS. Útero didelfo contraindica DIU. Alternativa C: INCORRETA. Antecedente de trombose contraindica métodos combinados. Alternativa D: CORRETA. É a mais correta das alternativas, mas fica a observação que pacientes com Lupus Eritematoso Sistêmico e anticorpos antifosfolípides positivos ou desconhecidos não devem receber métodos hormonais (combinados, progesterona isolada e até mesmo o DIU de progesterona). Resposta: Alternativa D. | D | |
70 | 69 | Medicina de Família e Comunidade | Saúde Coletiva | Políticas públicas de saúde | Moderado | Prevenção e Promoção da Saúde | A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP) segue os atributos e as competências da Atenção Primária à Saúde na perspectiva de promoção da saúde, prevenção de agravos, tratamento e seguimento, entre outros. A respeito dessa política, assinale a opção correta. | Ela garante a saúde das pessoas privadas de liberdade, por intermédio de um acordo entre o governo federal, estados e municípios. | A equipe de saúde da família de um município não tem o dever de desenvolver ações de saúde em uma unidade carcerária, mesmo que localizada em seu território. | As equipes de atenção primária prisional não poderão possuir equipe de saúde mental, pois as pessoas privadas de liberdade devem ser acompanhadas em Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). | A adesão à PNAISP é obrigatória para os municípios e estados, garantindo-se, assim, o cuidado integral à saúde das pessoas privadas de liberdade. | Dica do autor: Como descrito no texto da própria política, "A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP) foi instituída por meio da Portaria Interministerial nº 1, de 2 de janeiro de 2014, que disciplina os objetivos, as diretrizes, bem como as responsabilidades do Ministério da Saúde, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, dos estados e do Distrito Federal, representados pelas Secretarias de Saúde, de Justiça ou congêneres e dos municípios." Alternativa A: CORRETA. "O processo de implementação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP) prevê a adesão de estados e municípios como pré-requisito para solicitação de habilitação das equipes de saúde. A ADESÃO é o compromisso que o estado ou o município firmam com a União com o propósito de implantar a política no seu território, por meio da apresentação de um Plano de Ação Estadual ou Municipal de assistência à saúde para as pessoas privadas de liberdade daquele território." Alternativa B: INCORRETA. As equipes de saúde da família são responsáveis pela população adscrita, o que pode englobar a população prisional. Alternativa C: INCORRETA. Há, entre as equipes de atenção primária prisional apresentadas pela política, as equipes de atenção primária prisional com saúde mental dos tipos I e II. Alternativa D: INCORRETA. A adesão não é obrigatória. Desta forma, a melhor resposta para essa questão é a alternativa A. Resposta: Alternativa A. | A | |
71 | 70 | Pediatria | Pediatria geral/Saúde mental | Transtornos do neurodesenvolvimento | Fácil | Relação Médico-Paciente e Comunicação | Uma criança de 3 anos foi avaliada por queixa de crises epilépticas há 2 meses. Na consulta médica, foram acrescidos na história atrasos na linguagem e comunicação, e interação social deficitária, tendendo a ficar isolada, sem participar das dinâmicas de sala de aula. Apresentava ainda seletividade alimentar, estereotipias motoras e dificuldade para iniciar o sono. A principal hipótese diagnóstica aventada foi transtorno do espectro autista (TEA). Qual das manifestações clínicas da criança se encontra entre os critérios diagnósticos para TEA? | Distúrbio do sono. | Deficiência intelectual | Distúrbio da comunicação social. | Epilepsia | Dica do professor: De acordo com DSM-V, o diagnóstico de TEA pode ser feito na presença atual ou por história prévia de déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos associados a pelo menos dois dos padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, presentes precocemente no período de desenvolvimento e causando prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida no presente. Esses sintomas não devem ser mais bem explicados por deficiência intelectual ou por atraso global do desenvolvimento. Dentre os déficits de comunicação e interação social podemos citar: abordagem social anormal, dificuldade para iniciar ou responder a interações sociais, comunicação verbal e não verbal pouco integrada, anormalidade no contato visual, ausência de expressões faciais e comunicação não verbal, dificuldade em compartilhar brincadeiras imaginativas ou em fazer amigos e ausência de interesse por amigos ou colegas. Já dentre padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades pode-se citar: a presença de movimentos corporais estereotipados (como mãos em rotação, movimentos de torção, batimentos da cabeça, movimentos complexos com todo o corpo), preocupação insistente com parte de objetos ou vinculação com objetos inusitados, sofrimento acentuado com mudanças triviais no aspecto do ambiente, insistência sem motivo em seguir rotinas com detalhes precisos e interesses excessivamente circunscritos ou perseverativos. Resposta correta, letra C. | C | |
72 | 71 | Clínica Médica | Nefrologia | Doença renal crônica | Fácil | Diagnóstico e Conduta | Homem, 78 anos, portador de doença renal crônica, HAS, dislipidemia, DM tipo 2 e gota. Usa enalapril, anlodipina, rosuvastatina, metformina, empagliflozina e alopurinol. Nega etilismo ou tabagismo. Exame físico: FR: 17 ipm, FC: 70 bpm e PA: 130 x 76 mmHg. Exames laboratoriais: Ur: 55 mg/dL; Hb:13,5 g/dL; Cr:1,6 mg/dL; Sódio: 138 mEq/L; Potássio:4,9 mEq/L; PTH:122 PG/mL (VR: 14,5-87,1); Cálcio total: 8 mg/dL (VR: 8,4-10,5); Fósforo:5,8 mg/dL (VR: 2,5-5,6); Albumina: 4,6 g/dL (VR: 3,5-4,8) e Hemoglobina glicada:7,8 % (VR:4,3-6,1). Qual é o mecanismo patogênico primário mais provável para as alterações laboratoriais encontradas? | Diminuição da hidroxilação renal da vitamina D. | Aumento da excreção renal de fosfato. | Mutação no gene do receptor de detecção do cálcio (CaSR). | Produção autônoma do paratormônio. | Dica do autor: O primeiro passo ao estarmos diante dessa questão é sumarizarmos os achados encontrados. Temos um paciente com uma Cr de 1,6 (ClCr 44 – classificado como G3b), com 78 anos – hipertenso, diabético e portador de gota (potencial usuário de anti-inflamatórios ao longo da vida). Temos aí três etiologias possíveis para uma DRC. Temos algumas alterações que podem ser atribuídas ao DRC em curso. Temos uma hiperfosfatemia, hipocalcemia e aumento do PTH, que caracterizam a doença mineral óssea associada a DRC. Alguns fatores estão no cerne dessa condição fisiopatológica: a redução da produção de 1,25-di-hidroxivitamina D (que é a vitamina D ativa) e a redução da excreção renal de fosfato. A conversão de 25-OH-Vitamina D em 1,25-di-hidroxivitamina D acontece a nível renal pela ação da 1-alfa-hidroxilase, e é uma função perdida a medida que a DRC progride. A Vitamina D é extremamente importante para a absorção de cálcio a nível intestinal e renal, além de ser essencial na inibição da produção do PTH a nível da paratireoide. A redução da excreção de fosfato também acaba por quelar o cálcio circulante, induzir hipocalcemia e estimular os CaSR (receptores sensíveis à cálcio da paratireoide) a produzirem mais PTH – que aos poucos vai levando ao estímulo osteoclástico para disponibilização de cálcio na circulação. Alternativa A: CORRETA. Como comentamos na Dica do Autor. Alternativa B: INCORRETA. Na verdade, a redução da excreção renal de fosfato contribui como mecanismo fisiopatológico. Alternativa C: INCORRETA. Não temos uma mutação do CaSR na fisiopatologia da DRC e Doença Mineral Óssea. Alternativa D: INCORRETA. Uma produção autônoma de PTH resultaria em hipercalcemia. Não esperaríamos hipocalcemia como encontrado no caso. Resposta: Alternativa A. | A | |
73 | 72 | Cirurgia | Cirurgia geral | Isquemia mesentérica | Fácil | Diagnóstico | Dentre os achados apresentados abaixo, o mais típico da isquemia intestinal aguda é | diarreia sanguinolenta. | dor desproporcional ao exame físico. | febre. | taquicardia. | Dica do autor: A isquemia intestinal aguda é uma condição de emergência caracterizada pela redução abrupta do fluxo sanguíneo para o intestino , podendo evoluir rapidamente para necrose intestinal, sepse e morte . É uma causa importante de dor abdominal aguda em pacientes idosos, cardiopatas ou com fatores de risco tromboembólicos. Existem quatro mecanismos principais de isquemia intestinal: Embolia arterial mesentérica (principalmente da artéria mesentérica superior); Trombose arterial mesentérica ; Trombose venosa mesentérica ; Isquemia mesentérica não oclusiva (redução da perfusão em estados de choque ou vasoconstrição prolongada). A clínica clássica da isquemia intestinal aguda é marcada por um sinal muito característico: dor abdominal desproporcional aos achados do exame físico . Ou seja, o paciente refere uma dor muito intensa, difusa, mal localizada , mas o exame físico abdominal não revela sinais compatíveis com tamanha queixa — não há rigidez, defesa significativa, ou sinais peritoníticos inicialmente. Esse descompasso clínico é o maior alerta para o diagnóstico. Com a progressão da necrose intestinal, podem surgir febre, leucocitose, taquicardia, acidose metabólica, peritonite, e, eventualmente, choque séptico. No entanto, esses achados são tardios e indicam maior gravidade, sendo pouco específicos para o diagnóstico precoce. O exame de escolha para avaliação diagnóstica é a angiotomografia de abdome com contraste , que permite avaliar o fluxo nas artérias mesentéricas e alterações intestinais precoces. O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo do mecanismo envolvido e da extensão da necrose. Alternativa A: INCORRETA. A diarreia com sangue pode ocorrer em fases mais avançadas ou em outros quadros como colite isquêmica, mas não é o achado mais típico da isquemia intestinal aguda . O sangramento retal geralmente não ocorre nas fases iniciais. Alternativa B: CORRETA. O achado mais típico e sugestivo da isquemia intestinal aguda é a dor abdominal desproporcional ao exame físico , especialmente nas primeiras horas da doença. Esse descompasso deve sempre acender o alerta para o diagnóstico. Alternativa C: INCORRETA. A febre pode aparecer, mas geralmente é um achado tardio , indicando infecção secundária, necrose intestinal ou peritonite. Não é específica nem precoce. Alternativa D: INCORRETA. A taquicardia pode surgir por dor ou resposta inflamatória, mas é um sinal inespecífico , comum em diversas outras condições abdominais. Não é característico ou exclusivo da isquemia intestinal. Resposta: Alternativa B | B | |
74 | 73 | Ginecologia e Obstetrícia | Obstetrícia | Hemorragias da segunda metade da gestação | Fácil | Diagnóstico e Conduta | Paciente, 31 anos, está na 29ª semana da sua terceira gestação, com duas cesáreas anteriores, e vem ao PS queixando-se de sangramento vermelho vivo, sem esforço desencadeante, em pequena quantidade, não associado a dor. Ao exame físico, apresenta útero com tônus preservado, altura uterina de 28 cm; Cardiotocografia Categoria II. Exame especular: visualizando sangramento uterino ativo em pequena a moderada quantidade. Com base na história clínica da paciente, é sugerido um caso de | Descolamento prematuro de placenta | Trabalho de parto prematuro | Placenta prévia | Abortamento | Dica do expert: A questão traz um quadro clássico de placenta prévia: sangramento vermelho vivo, indolor e na ausência de sofrimento fetal. Além disso, menciona o principal fator de risco: sucessivas cesáreas prévias. Para memorizar o quadro clínico da placenta prévia, utilize o mnemônico PRÉVIA: O sangramento na placenta prévia é Progressivo, Repetitivo, Espontâneo, Vermelho vivo, Indolor e na Ausência de hipertonia ou sofrimento fetal agudo. Alternativa A: INCORRETA. Não há hipertonia uterina nem sofrimento fetal. Alternativa B: INCORRETA. A paciente não apresenta contrações nem dilatação do colo uterino. Alternativa C: CORRETA. Alternativa D: INCORRETA. O diagnóstico de abortamento só pode ser feito até as 20-22 semanas de gestação. Resposta correta, letra C. | C | |
75 | 74 | Ginecologia e Obstetrícia | Obstetrícia | Trabalho de parto | Fácil | Conduta | Primigesta com idade gestacional de 38 semanas procura a maternidade. Realizou pré-natal regular e todos os seus exames estão dentro da normalidade. Relata sentir ansiedade porque a data provável do parto se aproxima e ela ainda não tem sinais do início do trabalho de parto. Diante disso, expressa desejo de realizar uma cesariana para evitar possíveis complicações. Ao exame clínico, não foram identificadas alterações. Nesse caso, a conduta mais adequada é | conversar sobre os riscos da cesariana e, caso a paciente mantenha o desejo de realizá-la, agendar o procedimento a partir de 39 semanas de gestação. | expor que, devido aos maiores riscos da cesariana, o parto vaginal é a via de parto indicada em gestações de baixo risco e que, por isso, é inviável optar pela cesariana. | explicar que, em gestações de baixo risco, a cesariana por desejo materno só pode ser realizada antes do início do trabalho de parto, a partir de 41 semanas de gestação. | orientar sobre os riscos da cesariana e, caso a paciente mantenha o desejo de realizá-la, fazer o procedimento imediatamente, posto que a autonomia da gestante deve ser garantida. | Dica do autor: O cenário descrito envolve uma primigesta com 38 semanas de gestação que deseja realizar uma cesárea de forma programada. Em gestantes de baixo risco, a escolha do tipo de parto deve ser cuidadosamente discutida, levando em conta os riscos e benefícios de cada abordagem. Cesariana programada: Embora a cesárea seja indicada em casos de complicações, em gestantes de baixo risco, ela não é a primeira escolha. O parto vaginal é preferido pelo menor risco de complicações maternas e fetais, e pela recuperação mais rápida. Indicação da cesárea: A decisão de realizar uma cesárea pode ser tomada caso haja riscos médicos, ou se a paciente escolher o procedimento após ser bem informada sobre os riscos. A autonomia da gestante deve ser respeitada, mas a escolha deve ser feita de forma informada. Momento ideal para a cesárea: Em casos de cesárea sem indicação médica específica, a recomendação é agendar o procedimento após as 39 semanas de gestação. A cesárea antes desse período pode acarretar riscos como desconforto respiratório do recém-nascido. Alternativa A: CORRETA. Propõe uma discussão sobre os riscos da cesariana com a paciente, o que é essencial para informar a gestante sobre os riscos e benefícios do procedimento. Caso a gestante mantenha o desejo de realizar a cesárea, a recomendação é agendar o procedimento após 39 semanas de gestação, conforme as diretrizes atuais. Alternativa B: INCORRETA. Sugere que, em gestação de baixo risco, o parto vaginal é a única via possível. Embora o parto vaginal seja, de fato, a via preferencial em gestantes de baixo risco, a opção pela cesárea deve ser discutida quando houver desejo materno. A cesárea pode ser realizada em caso de desejo, mas a indicação médica deve ser avaliada, sendo que a gestante tem direito de escolher o tipo de parto, desde que informada adequadamente sobre os riscos. Alternativa C: INCORRETA. Uma cesárea programada pode ser realizada a partir das 39 semanas, e não a partir das 41 semanas. Alternativa D: INCORRETA. Uma cesárea programada e sem indicação médica antes das 39 semanas aumenta muito os riscos fetais, principalmente de desconforto respiratório e necessidade de UTI neonatal, por isso não deve ser realizada imediatamente. Deve-se aguardar as 39 semanas. Resposta: Alternativa A. | A | |
76 | 75 | Cirurgia | Cirurgia do aparelho digestivo | Cirurgia Bariátrica e Metabólica | Difícil | Diagnóstico | Um adolescente de 16 anos procura atendimento hospitalar com quadro de epigastralgia, náuseas e vômitos importantes há 4 dias, sendo internado para investigação. Ele foi submetido, há 2 meses, à cirurgia bariátrica tipo gastrectomia vertical, por obesidade mórbida, e apresentou, no pós operatório, rápida perda de peso. O exame abdominal não apresenta alterações à inspeção, sinais de peritonite e de ascite ausentes. Considerando-se esses dados clínicos e os riscos de complicações e de doenças disabsortivas após esse tipo de cirurgia, assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica mais provável e o exame complementar a ser solicitado. | Colelitíase; ultrassonografia abdominal. | Hérnia incisional; radiografia de abdome. | Síndrome de Dumping; dosagem de gordura e pH fecal. | Dilatação esofágica e esofagite; endoscopia digestiva alta. | Dica do autor: O adolescente, após cirurgia bariátrica (gastrecomia vertical) há 2 meses, apresenta epigastralgia, náuseas e vômitos intensos . Esses sintomas sugerem complicações pós-operatórias ou condições associadas à rápida perda de peso, comum após a bariátrica. A colelitíase (formação de cálculos biliares) é uma complicação frequente nesses pacientes, devido ao metabolismo alterado e à perda rápida de peso, que promove a supersaturação da bile e redução da motilidade da vesícula biliar. Os sintomas de colelitíase incluem: Dor em epigástrio ou hipocôndrio direito ; Náuseas e vômitos ; Piora dos sintomas após refeições gordurosas (não mencionado no caso, mas ainda relevante). A ultrassonografia abdominal é o exame de escolha para diagnosticar colelitíase, pois é sensível, não invasivo e identifica cálculos e sinais de colecistite, caso presentes. Alternativa A: CORRETA. Colelitíase é a complicação mais provável no cenário de cirurgia bariátrica e perda rápida de peso. A ultrassonografia abdominal é o exame indicado para confirmar o diagnóstico. Alternativa B: INCORRETA. A hérnia incisional é possível em pacientes pós-operados, mas não explicaria os sintomas de epigastralgia, náuseas e vômitos intensos. Além disso, o exame abdominal não mostrou alterações como abaulamentos, comuns em hérnias. Alternativa C: INCORRETA. A síndrome de Dumping causa sintomas como náuseas, sudorese, taquicardia e diarreia após ingestão alimentar. Não é o quadro mais compatível neste caso, pois não há relato de tais sintomas. Alternativa D: INCORRETA. A dilatação esofágica ou esofagite poderia causar epigastralgia e vômitos, mas é menos provável neste cenário em comparação com colelitíase. Além disso, esses achados seriam investigados com endoscopia digestiva alta , não ultrassonografia abdominal. Resposta: Alternativa A | A | |
77 | 76 | Clínica Médica | Saúde mental | Transtornos de humor | Fácil | Diagnóstico | Um paciente com 36 anos de idade apresentou sintomas de redução da necessidade do sono, sensação de grandiosidade, aumento da libido e aceleração dos pensamentos. Apresentou tais sintomas por 10 dias consecutivos, 5 vezes no último ano. Sobre a afecção desse paciente, é correto afirmar que se trata de provável diagnóstico de: | Ciclotimia. | Distimia. | Transtorno Afetivo Bipolar, sendo a medicação mais indicada a Lamotrigina. | Transtorno Afetivo Bipolar, sendo a medicação indicada o Ácido Valproico. | Dica do autor: O Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) é uma condição psiquiátrica caracterizada por episódios de alteração do humor que variam entre mania, hipomania e depressão. O quadro clínico descrito, com redução da necessidade de sono, grandiosidade, aumento da libido e aceleração do pensamento por 10 dias consecutivos , é sugestivo de um episódio maníaco . Quando esses episódios ocorrem de forma recorrente, alternando com episódios depressivos, a condição é classificada como Transtorno Afetivo Bipolar tipo I. O manejo depende da gravidade dos sintomas, sendo estabilizadores de humor como ácido valproico , lítio e alguns antipsicóticos atípicos frequentemente utilizados. Alternativa A: INCORRETA. A ciclotimia é uma forma mais leve de transtorno bipolar, caracterizada por flutuações do humor entre hipomania e sintomas depressivos subclínicos, mas sem episódios maníacos ou depressivos maiores completos. O quadro apresentado é mais grave e não se enquadra nessa descrição. Alternativa B: INCORRETA. A distimia refere-se a um transtorno depressivo persistente de longa duração, mas de menor intensidade do que a depressão maior. Não está associada a sintomas de mania ou hipomania, como os descritos no enunciado. Alternativa C: INCORRETA. A lamotrigina é frequentemente utilizada no manejo do transtorno bipolar, especialmente na prevenção de episódios depressivos, mas não é o estabilizador de humor de primeira escolha para episódios maníacos. Nesse caso, estabilizadores mais eficazes para mania, como o ácido valproico, são preferidos. Alternativa D: CORRETA. O quadro apresentado é compatível com Transtorno Afetivo Bipolar tipo I , e o ácido valproico é uma medicação amplamente utilizada como estabilizador de humor para o controle de episódios maníacos, sendo recomendado para esse caso. | D | |
78 | 77 | Cirurgia | Cirurgia geral | Pré-operatório | Fácil | Diagnóstico e Conduta | Um paciente será submetido a uma cirurgia cardíaca eletiva. Qual antibiótico deve ser preferencialmente utilizado para a profilaxia antimicrobiana cirúrgica? | Cefazolina. | Metronidazol. | Ceftriaxona. | Cefepima. | Dica do autor: Questão direta sobre antibioticoprofilaxia em cirurgia. No caso de uma cirurgia cardíaca, considerada cirurgia limpa, o recomendado é uma cefalosporina de primeira geração. Desse modo, só nos resta como alternativa correta a Letra A, uma vez que a Cefazolina, uma cafalosporina de primeira geração, é o antibiótico indicado para esse procedimento, assim como os demais procedimentos cirúrgicos classificados como limpos. Resposta: Alternativa A. | A | |
79 | 78 | Clínica Médica | Cardiologia | Insuficiência cardíaca | Fácil | Saúde Coletiva e Gestão | Mulher de 35 anos com história atual de dispneia a mínimos esforços, além de evolução de miocardite viral há um ano, é internada pela terceira vez nos últimos 45 dias. O ecocardiograma apresenta aumento das câmaras cardíacas e fração de ejeção de 32%. Ela está em uso de furosemida, losartana, carvedilol e espironolactona. Está na fila do transplante cardíaco. Nesse caso, a melhor opção terapêutica atualmente é suspender: | carvedilol e iniciar sacubitril-valsartana | losartana e iniciar sacubitril-valsartana | carvedilol e iniciar nitrato-hidralazina | losartana e iniciar nitrato-hidralazina | Dica do autor: A base do tratamento da ICFER é composta por 4 grupos de medicações: IECA ou BRA ou INRA (Sacubitril/Valsartana) + Betabloqueador (carvedilol, succinato de metoprolol e bisoprolol) + Antagonista da aldosterona (espironolactona) + Inibidor da SGLT2 (dapagliflozina ou empagliflozina). Em pacientes com insuficiência cardíaca avançada, internando-se frequentemente por descompensações , o sacubitril-valsartana se torna preferível aos bloqueadores do sistema renina-angiotensina tradicionais (iECA/BRA) , pois estudos como o PARADIGM-HF demonstraram que essa medicação reduz hospitalizações e melhora a sobrevida . Dessa forma, neste caso, a melhor conduta terapêutica é suspender a losartana e iniciar sacubitril-valsartana , pois esse fármaco proporciona maior benefício na insuficiência cardíaca avançada, reduzindo mortalidade e descompensações . A escolha de suspender a losartana se deve ao fato de que o sacubitril-valsartana não pode ser usado em associação com um bloqueador do sistema renina-angiotensina (iECA ou BRA), pois há risco aumentado de angioedema e hipotensão grave . Alternativa A: INCORRETA. O carvedilol não deve ser suspenso , pois os betabloqueadores (como carvedilol, bisoprolol e succinato de metoprolol) são a base do tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida . Eles reduzem a ativação do sistema simpático e têm forte impacto na melhora da sobrevida dos pacientes com ICFEr. Alternativa B: CORRETA. Vide a dica. Alternativa C: INCORRETA. A combinação nitrato-hidralazina é utilizada em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, especialmente naqueles com contraindicação a iECA/BRA/sacubitril-valsartana (por exemplo, insuficiência renal grave ou hiperpotassemia importante). No entanto, esta paciente não apresenta contraindicações ao uso de sacubitril-valsartana , que é a terapia mais recomendada. Além disso, o carvedilol não deve ser suspenso , pois faz parte do tratamento essencial da insuficiência cardíaca. Alternativa D: INCORRETA. Embora a combinação nitrato-hidralazina possa ser uma opção em pacientes intolerantes a iECA/BRA/sacubitril-valsartana , não há justificativa para sua escolha neste caso , pois a paciente pode se beneficiar do uso de sacubitril-valsartana , que tem impacto superior na redução de mortalidade e hospitalizações . Além disso, assim como na alternativa C, a suspensão do betabloqueador não seria recomendada . Resposta: Alternativa B. | B | |
80 | 79 | Cirurgia | Cirurgia de cabeça e pescoço | Doenças da Tireoide e Paratireoide | Difícil | Saúde Coletiva e Gestão | Paciente de 68 anos, refere aparecimento de nódulo de tireoide há cerca de 15 anos com crescimento muito lento. Refere que nos últimos 3 meses a região cervical anterior vem aumentando muito de tamanho e se tornando muito endurecida. Refere também quadro de dispneia progressiva. Nega história familiar de câncer de tireoide. Moradora de Jacaraípe, costuma se alimentar de peixes e mariscos com frequência. Ao exame palpamos aumento difuso da glândula tireoide com consistência pétrea e não conseguimos identificar bem a traqueia. O médico suspeitou de uma neoplasia maligna da glândula tireoide. Dentre as possibilidades, qual a neoplasia maligna mais provável? | Carcinoma medular de tireoide. | Carcinoma papilífero de tireoide. | Carcinoma anaplásico. | Bócio endêmico. | Dica do autor: O carcinoma anaplásico de tireoide é uma neoplasia rara, mas extremamente agressiva, geralmente acometendo pacientes idosos. O quadro clínico é marcado por um crescimento rápido e progressivo de um nódulo tireoidiano pré-existente, levando a sintomas compressivos, como dispneia, disfagia e disfonia . A descrição de consistência pétrea e o aumento rápido do volume cervical, com dificuldade de identificar a traqueia, são achados sugestivos de invasão local e comprometimento das estruturas adjacentes, característicos desse tipo de câncer. O carcinoma anaplásico é responsável por menos de 2% dos cânceres de tireoide, mas apresenta uma mortalidade elevada devido ao seu comportamento altamente invasivo. O diagnóstico costuma ser tardio, com metástases locais e à distância. O prognóstico é geralmente ruim, com sobrevida média de 6 meses após o diagnóstico , mesmo com tratamento agressivo, incluindo cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Alternativa A: INCORRETA. O carcinoma medular de tireoide está associado a uma mutação genética (RET) e, frequentemente, apresenta-se com níveis elevados de calcitonina. Ele não tem um crescimento tão rápido e invasivo como o carcinoma anaplásico e, em geral, não apresenta a característica de consistência pétrea. Alternativa B: INCORRETA. O carcinoma papilífero de tireoide é o tipo mais comum de câncer de tireoide, mas tende a ter um crescimento lento e a metástase linfonodal é mais comum do que a invasão direta de estruturas locais. Ele não se apresenta com rápido aumento de volume e endurecimento súbito como descrito no caso. Alternativa C: CORRETA. O carcinoma anaplásico de tireoide é o mais compatível com o quadro clínico descrito: paciente idoso, nódulo pré-existente com crescimento acelerado, consistência pétrea, invasão local e sintomas compressivos, como dispneia. Alternativa D: INCORRETA. O bócio endêmico é caracterizado por um aumento difuso da tireoide devido à deficiência de iodo, comum em áreas de baixa ingestão de iodo. Embora possa causar aumento de volume, não apresenta crescimento acelerado e endurecimento pétreo como no carcinoma anaplásico. Resposta: Alternativa C | C | |
81 | 80 | Pediatria | Pediatria geral/Saúde mental | Transtornos alimentares | Fácil | Conduta | Durante uma visita domiciliar, o médico de família nota que a filha de 16 anos do casal visitado aparentava ser muito menor do que o vestido que usava. O casal concorda com a observação e afirma que a filha come pouco. A adolescente relata que não apresenta qualquer problema de saúde e que apenas procura se cuidar fazendo musculação e corrida diariamente, além de seguir as dietas que estuda nas redes sociais. A mãe refere que, seguindo a dieta atual, a filha havia perdido 7 kg em 1 mês. A adolescente nega vomitar após as refeições ou quaisquer problemas, exceto o fato de não menstruar há 4 meses, negando também ser sexualmente ativa. Ao exame físico, verificam-se altura de 1,7 metros e peso de 45 kg. Observa-se ainda que o exame físico da adolescente não apresenta alterações, exceto aspecto emagrecido e palidez cutaneomucosa. Para esse caso clínico, o diagnóstico e o tratamento a serem considerados inicialmente são, respectivamente: | Bulimia nervosa; bupropiona. | Hipertireoidismo; propiltiuracil. | Anorexia nervosa; psicoterapia. | Transtorno de purgação; metoclopramida. | Dica do autor: O enunciado nos leva a crer que não há doença "orgânica" que justifique a perda de peso da paciente. A paciente tem um crescimento adequado (1,7 metros), exame físico sem alterações, menstruava antes da perda de peso e a paciente nega qualquer problema, além de ter parado de menstruar. Há uma ênfase na dieta realizada pela paciente, e que segue orientações de redes sociais, além de a perda de peso que a própria mãe relaciona temporalmente com a dieta. Alternativa A: INCORRETA. A bulimia nervosa envolve compulsão alimentar seguido de algum comportamento compensatório, que pode ser ou não o ato de induzir vômitos. Não há, na história, nenhuma citação a compulsão alimentar. Alternativa B: INCORRETA. Não há outros sintomas de hipertireoidismo, e o enunciado traça um paralelo muito claro entre a dieta experimentada pela paciente e a perda de peso. Alternativa C: CORRETA. A principal característica da anorexia é a restrição da ingestão alimentar que leva a um peso corporal significativamente baixo. Nesse caso, temos uma paciente realizando uma dieta que a levou a ter um IMC de 15,5. A psicoterapia é uma abordagem terapêutica adequada ao caso. Alternativa D: INCORRETA. Purgação significa vomitar. A paciente nega que vomite e não há nada no enunciado que nos leve a pensar nessa possibilidade. Resposta: Alternativa C | C | |
82 | 81 | Medicina de Família e Comunidade | Saúde mental | Transtornos relacionados ao uso de substância psicoativa | Difícil | Diagnóstico e Conduta | A Médica de Família e Comunidade (MFC) trabalha há 5 anos em uma Unidade de Saúde da Família (USF) e conhece bem a população que assiste e os principais problemas do território. Recentemente, uma nova família chegou em uma das 5 microáreas que conformam seu território. Trata-se de uma família com filhos adolescentes e tiveram consultas de casos novos agendadas na USF. Na consulta de caso novo da mãe dos adolescentes ela comentou que andava muito preocupada com o filho mais velho, de 17 anos. Achava que ele estava usando algum tipo de droga, pois mudou muito seu comportamento, ultimamente. No dia da consulta de Caso Novo desse adolescente, enquanto se prepara para chamá-lo, a MFC lembrou-se da preocupação da mãe e, na consulta, além de explorar as queixas do adolescente se preparou para realizar a triagem sobre o uso, abuso e dependência de substâncias. Qual instrumento de triagem seria melhor aplicado pela MFC, no caso acima? | ASSIST (Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening Test). | CAGE (Cut down, Annoyed by criticism, Guilty and Eye opener). | SADD (Short Alcohol Dependence Data). | AUDIT (Alcohol Use Disorders Identification Test). | Dica do autor: A triagem para abuso de substâncias, especialmente entre adolescentes, requer instrumentos sensíveis e validados, capazes de identificar o uso precoce ou problemático de álcool, tabaco e drogas ilícitas. O ASSIST (Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening Test) é um instrumento desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para triagem de uso de substâncias em populações gerais, incluindo adolescentes. Ele permite a identificação do nível de risco associado ao uso de substâncias (baixo, moderado ou alto) e orienta intervenções apropriadas, como aconselhamento ou encaminhamento para tratamento especializado. Diferentemente de outros instrumentos, como o CAGE ou o AUDIT , que são mais voltados para a detecção de dependência ou uso problemático de álcool, o ASSIST avalia múltiplas substâncias, incluindo tabaco, álcool, maconha, cocaína e outras drogas. Além disso, ele é recomendado para adolescentes, uma vez que permite um rastreamento mais amplo e sensível em faixas etárias vulneráveis, como a descrita no caso. Alternativa A: CORRETA. O ASSIST é o instrumento mais adequado para a triagem no caso descrito, pois avalia múltiplas substâncias de forma abrangente e fornece uma estimativa do risco relacionado ao uso. Sua aplicação é validada para adolescentes, especialmente em situações em que o relato inicial sugere mudanças comportamentais associadas ao uso de substâncias, como no caso do adolescente de 17 anos. Alternativa B: INCORRETA. O CAGE (Cut down, Annoyed, Guilty, Eye-opener) é um questionário breve, sensível para dependência de álcool em adultos. Embora útil para triagem de uso de álcool, ele não avalia múltiplas substâncias nem foi projetado especificamente para adolescentes, tornando-o inadequado no contexto apresentado. Alternativa C: INCORRETA. O SADD (Short Alcohol Dependence Data) é uma ferramenta voltada para avaliação de dependência alcoólica em adultos e não contempla a triagem de uso de outras substâncias. Alternativa D: INCORRETA. O AUDIT (Alcohol Use Disorders Identification Test) é um instrumento específico para identificar uso problemático de álcool. Apesar de sua eficácia em adultos e adolescentes, ele não abrange múltiplas substâncias e, portanto, não é ideal no contexto do caso, onde a preocupação envolve o uso de diferentes drogas. Resposta: Alternativa A . | A | |
83 | 82 | Medicina de Família e Comunidade | Saúde Coletiva | Populações Vulneráveis | Moderado | Diagnóstico e Conduta | Os povos ciganos/Romani que vivem no Brasil possuem um estilo de vida não homogêneo, com uma cultura muitas vezes divergente. Portanto, é essencial que gestores e profissionais da saúde se aproximem dessa população e conheçam suas questões específicas. Nesse contexto, ao se fazer o planejamento de ações de saúde para essa população, é importante considerar que | as questões de saúde são conduzidas por homens na maioria das comunidades ciganas/Romani, motivo pelo qual as mulheres não devem ir ao hospital sozinhas. | a depressão e o suicídio são problemas de saúde nas comunidades ciganas/Romani, com maior incidência em mulheres, sendo motivados pelo racismo e por outras formas de violência. | as mulheres são as lideranças mais respeitadas por toda a comunidade cigana/Romani; por isso, para criar um vínculo de confiança com a comunidade, os agentes públicos de saúde devem iniciar a interlocução com elas. | os povos ciganos/Romani optam, em sua grande maioria, por se manterem nômades, buscando formas alternativas de garantir saúde e educação, apesar de atualmente algumas famílias ciganas/Romani preferirem residências fixas. | Dica do autor: Os povos ciganos/Romani são conhecidos por sua diversidade cultural e, por isso, a abordagem de questões de saúde para essa população deve ser realizada com sensibilidade e conhecimento profundo de suas particularidades. A cultura cigana/Romani é diversa, com diferentes subgrupos e estilos de vida, que podem variar desde a vida nômade até o sedentarismo, e as questões de saúde devem ser planejadas considerando essa diversidade. De acordo com a literatura sobre a saúde da população cigana, a depressão e o suicídio são questões de saúde significativas dentro dessas comunidades, principalmente entre as mulheres. Essas questões são frequentemente associadas ao racismo e a outras formas de violência social que a comunidade cigana enfrenta, como a discriminação, o preconceito e a exclusão social. Alternativa A: INCORRETA. Embora seja importante considerar as particularidades culturais das comunidades ciganas/Romani, a afirmação de que as questões de saúde são conduzidas apenas por homens não é verdadeira em relação à maioria das comunidades ciganas/Romani. Em algumas comunidades, as mulheres também desempenham papéis significativos no cuidado da saúde, tanto dentro da família quanto na comunidade. A ideia de que as mulheres não devem ir ao hospital sozinhas não é uma diretriz cultural universal entre os ciganos/Romani. Alternativa B: CORRETA. A depressão e o suicídio são, de fato, questões relevantes na saúde mental das comunidades ciganas/Romani, especialmente entre as mulheres. Essas condições são muitas vezes motivadas por fatores externos, como o racismo e violências sociais. As mulheres ciganas, muitas vezes marginalizadas e em situação de vulnerabilidade, podem ser mais afetadas por essas condições. Alternativa C: INCORRETA. A afirmação de que as mulheres são as líderes mais respeitadas em todas as comunidades ciganas/Romani não reflete a diversidade dentro dessa população. Em muitos grupos, as lideranças são predominantemente masculinas, e os papéis sociais podem variar dependendo da subcultura cigana/Romani. Portanto, iniciar a interlocução com as mulheres não é necessariamente a melhor estratégia para criar vínculos de confiança com todas as comunidades ciganas. Alternativa D: INCORRETA. Embora haja uma tradição nômade entre os povos ciganos/Romani, nem todas as famílias ciganas/Romani continuam a viver dessa forma. Muitas têm optado por residências fixas ao longo do tempo, adaptando-se às condições contemporâneas, especialmente devido à mudança social e ao acesso a serviços de saúde e educação. Generalizar que a maioria dos ciganos ainda são nômades não é mais correto. Resposta: Alternativa B. | B | |
84 | 83 | Clínica Médica | Gastroenterologia | Diarreias crônicas | Fácil | Diagnóstico | Mulher, 21 anos de idade, procura atendimento ambulatorial para investigação de diarreia crônica. Faz uso de anticoncepcional injetável. Ao exame, apresenta-se em bom estado geral, descorada +/4+. Realizados exames laboratoriais com Hb: 10,5g/dL, ferritina 25ng/mL, vitamina D 11ng/dL. Solicitada endoscopia digestiva alta, com achado de redução do pregueado mucoso em segunda porção duodenal. Diante do quadro clínico, com relação às alterações esperadas para confirmação do diagnóstico mais provável, é correto afirmar: | As lesões acometem mais o íleo, mas podem ocorrer em todo o tubo digestivo | Os anticorpos são úteis para o diagnóstico, sendo a biópsia gástrica o padrão-ouro | A realização de uma colonoscopia é essencial para a avaliação, pois as alterações são mais frequentes no cólon | No anatomopatológico, observa-se redução da relação vilo/cripta e infiltração de linfócitos na mucosa | A paciente em questão apresenta um quadro clínico de diarreia crônica, anemia (descrita pela descoloração e Hb de 10,5g/dL, que está abaixo do valor considerado normal para mulheres adultas, geralmente aceito como sendo maior que 12g/dL), e deficiência de ferro (indicada pela ferritina de 25ng/mL, valor considerado baixo, sugerindo ferropenia) e vitamina D (11ng/dL, também abaixo do recomendado, que é geralmente considerado deficiente quando menor que 20ng/dL). O achado endoscópico de redução do pregueado mucoso em segunda porção duodenal sugere uma alteração estrutural no intestino delgado. A alternativa correta (D) menciona "No anatomopatológico, observa-se redução da relação vilo/cripta e infiltração de linfócitos na mucosa". Esse achado é característico da doença celíaca, uma condição autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. A doença celíaca leva à atrofia vilositária, que é a redução da altura dos vilos intestinais em relação às criptas, e à infiltração linfocítica da mucosa. Estas alterações comprometem a absorção de nutrientes, levando a sintomas como diarreia crônica, anemia por deficiência de ferro (devido à má absorção), e deficiência de vitamina D, todos presentes neste caso. Vamos analisar por que as outras alternativas são incorretas: A) "As lesões acometem mais o íleo, mas podem ocorrer em todo o tubo digestivo." - Esta descrição é mais característica da Doença de Crohn, uma doença inflamatória intestinal que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, do esôfago ao ânus, com predileção pelo íleo terminal. Embora a Doença de Crohn possa causar diarreia crônica e anemia, a ausência de menção a sintomas sistêmicos, como febre, dor abdominal, e a localização das lesões encontradas na endoscopia não suportam esse diagnóstico como o mais provável. B) "Os anticorpos são úteis para o diagnóstico, sendo a biópsia gástrica o padrão-ouro." - Embora os anticorpos sejam úteis no diagnóstico da doença celíaca (anticorpos antiendomísio e antitransglutaminase tecidual), a biópsia gástrica não é o padrão-ouro para diagnóstico dessa condição; a biópsia do intestino delgado (duodeno) é. A confusão pode surgir porque a endoscopia pode examinar tanto o estômago quanto o duodeno, mas é na segunda porção do duodeno onde as alterações críticas para o diagnóstico da doença celíaca são mais frequentemente encontradas. C) "A realização de uma colonoscopia é essencial para a avaliação, pois as alterações são mais frequentes no cólon." - Esta afirmação não se aplica ao caso da doença celíaca, que primariamente afeta o intestino delgado. A colonoscopia é mais relevante na avaliação de doenças do cólon, como a retocolite ulcerativa e, em alguns casos, a Doença de Crohn, quando há suspeita de envolvimento colônico. Assim, a correlação dos sintomas clínicos, achados endoscópicos, e as alterações histológicas esperadas (redução da relação vilo/cripta e infiltração de linfócitos na mucosa) apontam para a doença celíaca como o diagnóstico mais provável neste caso. É importante que o médico esteja atento a estes sinais e sintomas, bem como aos achados específicos nas biópsias, para um diagnóstico correto e tratamento adequado, que neste caso seria a exclusão do glúten da dieta. | D | |
85 | 84 | Cirurgia | Cirurgia geral | Pancreatite Aguda | Moderado | Conduta | Homem de 49 anos com dor no andar superior do abdômen, amilasemia de admissão de 2460 U/dl (valor de referência até 160U/dl) em tratamento com jejum, hidratação e analgesia em hospital de média complexidade, sem Unidade de Terapia Intensiva há 72 horas. As frequências cardíacas e respiratória estão em 106 batimentos e 26 incursões respiratórias por minuto, a amilasemia elevou se para 4280 U/dl, o hematócrito está em 55 % (valor de referência de 36 a 46%), os glóbulos brancos de 16.000 mg/dl (valor de referência de 4.000 a 10.000 mg/dl), a ureia e creatinina, respectivamente, de 150 mg/dl (valor de referência de 16 a 40 mg/dl) e 2,8 mg/dl (valor de referência de 0,6 a 1,2 mg/dl), as bilirrubinas totais de 6,4 mg/dl (valor de referência 0,2 a 1,0 mg/dl) e bilirrubina direta de 4,4 mg/dl. Após tomografia (com coleções peripancreáticas), foi solicitada a transferência para hospital terciário. Os achados que podem justificar o encaminhamento para hospital terciário são: | As coleções peripancreáticas, a amilasemia e a leucocitose. | A leucocitose, a hiperbilirrubinemia e a amilasemia. | A hemoconcentração e a azotemia. | As coleções peripancreáticas e a hiperbilirrubinemia. | Dica do professor: os fatores associados ao mau prognóstico na pancreatite aguda são: idade avançada, falência orgânica persistente, hematócrito > 44%, PCR > 150 mg/dL nas 48 horas do início do quadro, disfunção renal persistente, dentre outros. Portanto, dentre as opções elencadas, a que contempla dois fatores de mau prognóstico é a letra C. Resposta correta, letra C. | C | https://sanar-courses-platform-files.s3.sa-east-1.amazonaws.com/FMRP2021R3MASTOLOGIA6-original-1645634229.png |
86 | 85 | Medicina de Família e Comunidade | Epidemiologia | Indicadores de saúde | Fácil | Saúde Coletiva e Gestão | Uma primigesta de 28 anos, com idade gestacional de 25 semanas e 4 dias, foi atendida por uma equipe de saúde da família fluvial. Na avaliação, ela se queixou de tosse há 5 dias, associada a anosmia, febre de 38,2 °C e dispneia. Segundo familiares, ela recebeu apenas a primeira dose da vacina contra Covid-19. O quadro clínico dessa paciente evolui com insuficiência respiratória aguda e óbito. Diante disso, é realizado parto cesáreo de urgência e a criança nasce com 450 g e 20 cm, apresentando batimentos cardíacos e movimentos respiratórios por 10 segundos, sendo constatado óbito do bebê após esse período. A paciente havia realizado apenas uma consulta de pré-natal, assim que descobriu a gestação, não tendo sido identificadas alterações nos exames realizados à época. Como esses eventos devem ser considerados para o cálculo dos indicadores de mortalidade e natalidade? | A morte da gestante não será contabilizada no cálculo da mortalidade materna; a criança será contabilizada no cálculo da natalidade e da mortalidade neonatal precoce. | A morte da gestante será contabilizada no cálculo da mortalidade materna; a criança será contabilizada apenas no cálculo da mortalidade perinatal, não contribuindo para a natalidade. | A morte da gestante não será contabilizada no cálculo da mortalidade materna; a criança será contabilizada apenas no cálculo da mortalidade infantil, não contribuindo para a natalidade. | A morte da gestante será contabilizada no cálculo da mortalidade materna; a criança será contabilizada no cálculo da natalidade e da mortalidade infantil neonatal precoce. | Dica do autor: A questão aborda indicadores de mortalidade e natalidade, usados para avaliar a saúde materno-infantil. Esses indicadores têm definições claras: Mortalidade materna: é definida como a morte de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gravidez, independentemente da duração ou localização, desde que seja causada por complicações relacionadas à gestação, parto ou puerpério, excluindo causas acidentais ou incidentais. Neste caso, a morte da mãe por insuficiência respiratória devido à Covid-19 é contabilizada na mortalidade materna, pois ocorreu durante a gestação e não se configura como causa acidental. Mortalidade perinatal: inclui mortes fetais a partir da 22ª semana de gestação (peso ≥ 500 g ou comprimento ≥ 25 cm) ou até o 7º dia completo de vida pós-parto. O recém-nascido, com 450 g e 20 cm, entrou nos critérios de morte perinatal, pois nasceu vivo e faleceu após 10 segundos de vida. Natalidade: considera todos os nascimentos vivos (nascidos vivos) registrados. O recém-nascido descrito no caso foi considerado vivo ao nascer, pois apresentou batimentos cardíacos e movimentos respiratórios, mesmo que por um curto período. Alternativa A: INCORRETA. A morte da gestante é contabilizada no cálculo da mortalidade materna, e não excluída como mencionado na alternativa. Alternativa B: INCORRETA. A criança é considerada um nascimento vivo, contribuindo para o cálculo da natalidade. Alternativa C: INCORRETA. A morte da gestante não pode ser excluída do cálculo de mortalidade materna, e a criança deve ser considerada para a natalidade e para a mortalidade perinatal, diferentemente do que a alternativa sugere. Alternativa D: CORRETA. A morte da gestante é contabilizada no cálculo da mortalidade materna, enquanto o recém-nascido será considerado um nascimento vivo (contribuindo para a natalidade) e sua morte será incluída na mortalidade perinatal e neonatal precoce (por ter ocorrido nas primeiras 24 horas de vida). Resposta: Alternativa D. | D | |
87 | 86 | Cirurgia | Cirurgia geral | Hérnias | Fácil | Diagnóstico e Conduta | Uma mulher de 45 anos, hipertensa controlada, com índice de massa corporal de 20 kg/m2 , é submetida a procedimento de correção de hérnia umbilical em regime ambulatorial sob anestesia local. O anel herniário aparenta ter cerca de 1,5 cm de diâmetro. Diante disso, o médico opta pela correção sem o uso de telas de reforço. Em relação ao uso profilático de antibióticos nesse caso, é correto afirmar que a | Antibioticoprofilaxia é justificada por conta da hipertensão arterial. | Cirurgia realizada é considerada limpa, sem indicação de antibioticoprofilaxia. | Cirurgia foi realizada sob anestesia local, dispensando a antibioticoprofilaxia. | Antibioticoprofilaxia está indicada, pois a cirurgia ocorreu em regime ambulatorial. | Dica do autor: O caso descreve uma mulher submetida a uma correção de hérnia umbilical em regime ambulatorial e sob anestesia local, sem a utilização de tela de reforço. Esse tipo de procedimento cirúrgico é classificado como uma cirurgia limpa, já que ocorre em uma área sem contaminação prévia e sem abertura de tratos contaminados, como o trato gastrointestinal. A profilaxia antibiótica em cirurgias limpas, como no caso apresentado, não é rotineiramente recomendada. A indicação de antibioticoprofilaxia ocorre apenas em situações específicas, como quando há alto risco de infecção devido ao uso de próteses (como telas de reforço), implantes ou em pacientes com imunossupressão ou fatores de risco significativos. No caso descrito, a paciente apresenta um risco de infecção baixo, não justificando o uso de antibioticoprofilaxia. Alternativa A: INCORRETA. A hipertensão arterial controlada não é um critério para indicar antibioticoprofilaxia. Esse fator não interfere diretamente no risco de infecção cirúrgica em procedimentos limpos, como a correção de hérnia umbilical. Alternativa B: CORRETA. A cirurgia de hérnia umbilical em regime ambulatorial é considerada limpa, e nesse contexto, não há indicação de antibioticoprofilaxia de rotina, já que o risco de infecção é muito baixo. Alternativa C: INCORRETA. A anestesia local utilizada no procedimento não é um critério que dispensa ou contraindica antibioticoprofilaxia. A indicação ou não da profilaxia baseia-se na classificação da cirurgia (limpa, potencialmente contaminada, contaminada ou infectada) e no uso de materiais como próteses, o que não é aplicável neste caso. Alternativa D: INCORRETA. O fato de a cirurgia ocorrer em regime ambulatorial não indica, por si só, a necessidade de antibioticoprofilaxia. O critério determinante é a classificação da cirurgia como limpa, com baixo risco de infecção, o que dispensa o uso de antibióticos. Resposta: Alternativa B. | B | |
88 | 87 | Medicina de Família e Comunidade | Saúde Coletiva | Economia da saúde | Fácil | Diagnóstico e Conduta | Após assumir a gestão da saúde municipal, um médico encontra a seguinte situação de saúde: uma população de 30 mil habitantes, com faixa etária predominante de 20 a 50 anos, com predomínio de doenças crônicas não transmissíveis e de causas externas, principalmente por acidentes. O município possui cobertura de atenção primária de 70%, com sete equipes de saúde da família em áreas de maior vulnerabilidade e nas áreas menos vulneráveis, uma unidade básica de saúde tradicional. A partir desses dados, o médico reúne a equipe de planejamento para construir o plano municipal dos próximos 4 anos. Com base nessas informações, qual deve ser a ação prioritária contemplada no plano? | Ampliação da cobertura da atenção primária com maior integração com atenção secundária de forma a melhorar os indicadores das doenças crônicas e a ampliar a resolubilidade do Sistema Único de Saúde. | Manutenção da cobertura de saúde da família, priorizando a criação de um serviço de urgência e de emergência em área mais vulnerável, considerando as necessidades de saúde. | Aumento dos serviços de saúde de atenção primária tradicional pela necessidade de ampliar o acesso dos usuários ao sistema de saúde sem estratégia de saúde da família. | Aquisição de novas ambulâncias para facilitar as remoções de pacientes para os municípios vizinhos e os fluxos dos usuários nas urgências, ampliando o acesso à saúde. | Dica do autor: Qual a situação atual desse município? Cobertura ainda insuficiente da Atenção Primária e indicadores de morbimortalidade muito relacionados com condições sensíveis à APS, como doenças crônicas não transmissíveis e causas externas. Observando essa situação, vamos às alternativas: Alternativa A: CORRETA. Como os principais problemas dizem respeito a condições sensíveis à APS, ampliar essa cobertura é uma forma de garantir ação sobre os fatores de risco e sobre essas condições. Além disso, no que tange às causas externas principalmente, a articulação com a atenção secundária é essencial para uma assistência adequada. Alternativa B: INCORRETA. Não temos informações sobre a disponibilidade de serviços de urgência e emergência, o que não nos permite avaliar o impacto de uma suposta ausência dessa assistência no município. Alternativa C: INCORRETA. A Estratégia de Saúde da Família (ESF) é a estratégia norteadora da Atenção Primária no nosso país. Alternativa D: INCORRETA. A aquisição de novas ambulâncias não é a melhor resposta para as demandas de saúde desse município. Resposta: Alternativa A. | A | |
89 | 88 | Pediatria | Nefrologia | Distúrbios do Equilíbrio Ácido-Básico | Fácil | Diagnóstico | Um lactente masculino, de 2 meses, é levado à emergência com história de vômitos não biliosos que iniciaram com três semanas de vida e progressivamente pioraram. Há 2 dias, passou a vomitar após as mamadas e hoje o vômito está em jato. Ao exame físico, apresenta-se irritado, faminto, muito emagrecido; no epigástrio, foi observado onda peristáltica se deslocando da esquerda para direita e, após a criança vomitar, palpada à direita, também no epigástrio, massa firme e móvel com cerca de 2 cm de diâmetro. Com base na principal hipótese diagnóstica, o distúrbio ácido-básico que se espera encontrar nesse lactente é | Alcalose metabólica hipoclorêmica. | Acidose metabólica hiperclorêmica. | Acidose metabólica hipoclorêmica. | Alcalose metabólica hiperclorêmica. | Dica do professor: Mais uma questão sobre o mesmo tema da cirurgia pediátrica: estenose hipertrófica de piloro. Paciente com história e sinais clínicos típicos: lactente que inicia vômitos não biliosos, em jato, progressivamente piores, a partir da 2ª-3ª semana de vida, e que tem uma nodulação palpável (em formato de azeitona) na região epigástrica, que é a oliva pilórica, ou seja, o próprio piloro espessado; e com as ondas de Kussmaul visíveis, que são ondas de peristalse do estômago, esquerda pra direita, tentando vencer a obstrução pilórica. A criança fica irritada, com fome e emagrecida como consequência da obstrução e dos vômitos repetidos. Como os vômitos são de conteúdo gástrico, o paciente perde ácido clorídrico (HCl), portanto, desenvolve alcalose metabólica e hipocloremia. A – correta B, C e D incorretas, conforme justificado pela dica do professor. Resposta correta: A. | A | |
90 | 89 | Medicina de Família e Comunidade | Saúde Coletiva | Judicialização da saúde | Moderado | Saúde Coletiva e Gestão | Homem, 63 anos de idade, internado em hospital privado com quadro de leucemia miclocítica avançada, não responsiva ao tratamento disponível, verificou, na internet, que havia um novo tratamento, ainda sem eficácia cientificamente comprovada, nos Estados Unidos. Para fazer parte do protocolo de tratamento de uso compassivo, o paciente teria de custear o medicamento e sua importação. As doses da nova medicação são semanais e o tempo de utilização indeterminado. O custo da dose é bastante elevado e o tratamento foi negado pelo Plano de Saúde do paciente, com o argumento de que é experimental. A sugestão do médico assistente foi transferir o paciente para um hospital público e fazer judicialização do tratamento, sob alegação do Princípio de Integralidade do SUS. Com relação à judicialização das questões de saúde no Brasil, pode-se afirmar: | Ainda é fenômeno incipiente para definir políticas públicas específicas. | Decisões judiciais monocráticas, sem padronização, devem ser evitadas. | O judiciário deve se abster de defender interesses individuais dos usuários. | O interesse dos gestores públicos deve prevalecer nas análises judiciais. | Dica do expert: De acordo com o CONASEMS, a judicialização da saúde é entendida como o fenômeno das ações judiciais contra o Sistema Único de Saúde (SUS) que demandam o fornecimento de tratamentos médicos com base no direito constitucional à saúde. Este é um tema relevante no âmbito da saúde, visto que demanda atenção especial a grupos que não tem a possibilidade de adquirir medicações e/ou tratamentos de forma gratuita pelo SUS ou pelos planos privados de saúde por questões de alto custo e/ou falta de comprovação científica que justifique o uso em larga escala. O órgão responsável pela normatização e extensão, bem como da limitação da cobertura de tratamentos não liberados pelos planos de saúde, é a Agência Nacional de Saúde (ANS), esta que tem como objetivo “promover a defesa do interesse público na assistência suplementar à saúde, regulando as operadoras setoriais, inclusive quanto às suas relações com prestadores e consumidores, contribuindo, assim, para o desenvolvimento das ações de saúde no país” (Revista de Direito Sanitário/USP, 2018; UNISEPE, 2019). Alternativa A: INCORRETA - A judicialização é um fenômeno crescente no país, sendo então essencial maiores discussões tanto da população, quanto dos profissionais em saúde e, sobretudo, do poder público, na busca por normatizar as ações em saúde em questões que promovem ainda grande discussão como, por exemplo, a liberação de medicações e/ou tratamentos específicos de custo elevado bem como sem comprovação científica como nos estudos clínicos ainda em andamento. Isso ocorre pois ainda existem conflitos que permeiam necessidades individuais e coletivas, na busca pela garantia de um direito complexo como o direito à saúde. Assim, se faz importante a busca por discussões sobre o tema por integrantes governamentais do setor saúde levando maior informação à população. Alternativa B: CORRETA - A decisão monocrática é aquela decisão proferida por apenas um magistrado, por exemplo, por um juiz, mas pode ocorrer em outras instâncias. É importante evitar essas decisões, pois pode se formar um contrassenso com o sistema de saúde a partir das diferentes visões sobre um determinado tema, por parte de um juiz, por exemplo. Assim, as decisões dos governantes em saúde, baseadas em políticas públicas e estudos populacionais podem ser desacreditadas a depender do crescimento da judicialização. Por outro lado, é essencial salientar que determinadas decisões são complexas, quando estão associadas ao processo de vida e morte, e que ainda é um assunto de extrema relevância a se discutir no âmbito da saúde. Alternativa C: INCORRETA - O judiciário não deve se abster de defender interesses individuais dos usuários, devendo cada caso ser avaliado de forma individualizada. De acordo com Cappelletti (1993): “o judiciário pode contribuir para o aumento da capacidade de incorporação do sistema político, garantindo a grupos marginais, destituídos de meios para acessar os poderes políticos, uma oportunidade para a vocalização de suas expectativas de direito"". Alternativa D: INCORRETA - É incorreto afirmar que o interesse dos gestores públicos deve prevalecer nas análises judiciais, pois essas análises devem ocorrer de acordo com cada processos judicial, avaliando a situação específica, o que o indivíduo está pleiteando e os motivos da não oferta por parte do governo que está gerando essa judicialização (Revista de Administração Pública, 2012). Resposta: Alternativa B. | B | |
91 | 90 | Clínica Médica | Hepatologia | Cirrose hepática e suas complicações | Moderado | Conduta | Paciente masculino, 72 anos, com cirrose hepática de etiologia alcoólica, abstinente há 1 ano, é admitido no hospital pela terceira vez no mês por quadro de ascite tensa. Em cada admissão prévia foi submetido à paracenteses de alívio com remoção de 2 e 3 litros de fluido. Ele refere estar seguindo uma dieta restrita de sódio (2g/dia) e tomando 160 mg de furosemida e 400 mg de espironolactona ao dia. A concentração urinária de sódio é baixa, comprovando sua obediência à dieta com baixo teor de sódio. O sódio e o potássio séricos são de 125 mEq/L e 4,2 mEq/L, respectivamente. Qual é a conduta inicial mais apropriada no tratamento da ascite deste paciente? | administrar furosemida venosa. | remover todo líquido ascítico possível e iniciar reposição intravenosa de albumina. | remover todo líquido ascítico que for possível e adicionar amilorida à sua medicação. | remover no máximo 5l de líquido ascítico, não fazer reposição de albumina e aumentar a dose de ambos os diuréticos. | Dica do autor: Quando falamos em tratamento da ascite em um paciente hepatopata crônico, devemos ter em mente as seguintes orientações: 1. Restrição de sódio (2g/dia); 2. Restrição de líquido (apenas quando o Na sérico for < 120g/ml); 3. Diuréticos (inicia-se com dois diuréticos devido seu efeito sinérgico e progressivamente aumentamos a dose). A paracentese é indicada nos seguintes casos: 1. Ascite refratária ao tratamento oral com diuréticos; 2. Ascite intratável (paciente com contraindicações ou efeitos adversos ao uso de diuréticos); 3. Ascite tensa com desconforto respiratório. Na questão temos um paciente que segue adequadamente o tratamento proposto com diuréticos e restrição de sódio. Entretanto a ascite é refratária. Nos casos de ascite refratária, o tratamento recomendado é realizar a paracentese volumosa (> 5L) e iniciar infusão de albumina. Vamos às alternativas: Alternativa A: INCORRETA. Diuréticos devem ser evitados em pacientes que não excretam> 30 mmol/dia de sódio sob tratamento diurético. Alternativa B: CORRETA. Nos casos de ascite refratária, o tratamento recomendado é realizar a paracentese volumosa (> 5L) e iniciar infusão de albumina. Alternativa C: INCORRETA. Amilorida pode ser empregada como alternativa a espironolactona, mas não em acréscimo. Alternativa D: INCORRETA. Em casos de ascite refratária, é necessário realizar paracentese de grande volume. Resposta: Alternativa B. | B | |
92 | 91 | Clínica Médica | Endocrinologia | Complicações agudas de diabetes mellitus | Fácil | Conduta | Mulher, 28 anos, com diabetes mellitus tipo 1, apresenta poliúria, polidipsia, náuseas e vômitos há 48 horas. Interrompeu a administração de insulina regular há dois dias devido a um episódio de gastroenterite. Exame físico: desidratada, respiração de Kussmaul e hálito cetônico. Sinais vitais: PA = 90 × 50 mmHg, FC= 120 bpm, FR= 28 irpm, SpO₂= 96% em ar ambiente. Laboratório: glicose sérica= 480 mg/dL (VR: 70-99), pH arterial= 7,15 (VR: 7,35-7,45), bicarbonato= 10 mEq/L (VR: 22-28), cetonas séricas positivas, sódio= 142 mEq/L (VR: 135-145), cloro= 100 mEq/L (VR: 98-106), potássio= 4,0 mEq/L (VR: 3,5-5,0). Qual é a conduta inicial mais adequada para o manejo deste caso? | Administração de bicarbonato de sódio intravenoso. | Administração de insulina subcutânea. | Administração de solução fisiológica 0,9% intravenosa. | Administração de insulina intravenosa contínua. | Dica do autor: O caso descreve uma mulher jovem com diabetes mellitus tipo 1 que apresenta sinais e sintomas clássicos de cetoacidose diabética (CAD) , uma complicação grave caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. A CAD ocorre frequentemente devido à suspensão ou inadequação da administração de insulina, como no caso descrito, em que a paciente interrompeu a insulina após um quadro de gastroenterite. O tratamento baseia-se em três pilares “VIP”: Volume, Insulina e Potássio (VIP). No entanto, as doses e a infusão de cada um desses componentes devem ser ajustadas criteriosamente, pois, se fizer insulina com potássio baixo, vai induzir a arritmias que podem matar o paciente. A conduta inicial sempre deve ser a expansão volêmica com SF 0,9% e deve-se avaliar o potássio: se K+ < 3,3, deve-se fazer reposição de potássio ANTES da insulina, até que o valor normalize ; se K+ > 5,3, pode-se fazer insulina SEM potássio e monitorizar o eletrólito ; por fim, se K+ entre 3,3 e 5,3, deve-se fazer insulina COM potássio. Alternativa A: INCORRETA. O bicarbonato de sódio possa ser usado em casos de acidose grave com pH menor ou igual a 6,9 Alternativa B: INCORRETA. A insulina subcutânea é usada para o manejo de hiperglicemia em pacientes estáveis ou para evitar a CAD. No entanto, na CAD já estabelecida, o uso de insulina intravenosa contínua é preferível, pois permite ajuste mais rápido e eficaz das necessidades metabólicas. Ainda assim, a reposição volêmica precede a administração de insulina, especialmente no início do tratamento. E nesse caso, como K = 4,0, deve ser feita insulina junto com reposição de potássio. Alternativa C: CORRETA. A reposição volêmica é a medida inicial e mais importante na CAD. A desidratação é severa e contribui significativamente para a hiperglicemia, pois reduz a depuração renal de glicose. A solução fisiológica 0,9% deve ser administrada rapidamente nas primeiras horas, com ajustes conforme o estado clínico e os parâmetros laboratoriais. Alternativa D: INCORRETA. Embora a insulina intravenosa seja fundamental no tratamento da CAD, a reposição volêmica precede sua administração. A insulina não deve ser iniciada antes de corrigir parcialmente a hipovolemia e nesse caso deve ser feita junto com reposição de potássio, como já explicado. Resposta: Alternativa C | C | |
93 | 92 | Pediatria | Infectologia | Arboviroses | Fácil | Saúde Coletiva e Gestão | Uma criança de 6 anos é atendida em pronto-atendimento com febre contínua em torno de 40 °C. O sintoma iniciou há aproximadamente 4 dias, a criança faz uso de paracetamol, sem melhora. Apresentou, a partir do 3º dia de doença, fezes amolecidas, com aspecto de “borra de café” e odor fétido, 3 a 4 episódios/dia. No 4º dia de evolução, surgiram artralgia em joelhos, rash cutâneo avermelhado de aspecto morbiliforme e sangramento nasal importante. Não há descrição de sintomas semelhantes na vida pregressa da criança. Diante da suspeita de dengue, o médico decide realizar a prova do laço. Para isso ele deverá aferir a pressão arterial e | Calcular o valor médio; insuflar o manguito até esse valor por 3 minutos; contar o número de petéquias que surgem na área delimitada no antebraço do paciente. Se contar mais de 10 petéquias, o teste é considerado positivo. | Obter a pressão sistólica; insuflar o manguito até esse valor por 3 minutos; contar o número de petéquias que surgem na área delimitada no antebraço do paciente. Se contar mais de 20 petéquias, o teste é considerado positivo. | Calcular o valor máximo; insuflar o manguito até esse valor por 10 minutos; contar o número de petéquias que surgem na área delimitada no antebraço do paciente. Se contar mais de 10 petéquias, o teste é considerado positivo. | Obter a pressão a diastólica; insuflar o manguito até esse valor por 10 minutos; contar o número de petéquias que surgem na área delimitada no antebraço do paciente. Se contar mais de 20 petéquias, o teste é considerado positivo. | Dica do autor: A prova do laço é um exame clínico simples, utilizado para avaliar a fragilidade capilar e sugerir aumento da permeabilidade vascular, alterações comuns em casos de dengue clássica ou com sinais de alarme, especialmente quando ainda não há manifestações hemorrágicas evidentes. Trata-se de uma ferramenta útil na triagem de pacientes com febre e suspeita clínica de dengue, principalmente nas fases iniciais da doença. No entanto, no caso descrito, a criança já apresenta sangramentos espontâneos claros, como epistaxe importante e fezes em borra de café, o que dispensa a necessidade da prova do laço. Esses sinais clínicos, por si só, configuram critério de gravidade e indicam a presença de sinais de alarme, sendo suficientes para estabelecer a suspeita diagnóstica e conduzir o manejo adequado, sem necessidade de testes adicionais para comprovar sangramento subclínico. Mas, seguindo o que a questão pede, a realização correta da prova do laço, conforme o Ministério da Saúde, segue os seguintes passos: Aferir a pressão arterial (PA) para identificar os valores de pressão arterial e calcular a média, que é calculada como: (PAS+ PAD)/2 Onde PAS é a pressão arterial sistólica e PAD a pressão arterial diastólica. Inflar o manguito até o valor calculado da média entre a pressão sistólica e diastólica e mantê-lo por 3 minutos em crianças e 5 minutos em adultos. Após desinsuflar o manguito, contar o número de petéquias que surgirem em uma área delimitada de 2,5 × 2,5 cm no antebraço. Considera-se a prova positiva se houver mais de 10 petéquias em crianças ou mais de 20 petéquias em adultos na área delimitada. A positividade da prova do laço reforça o diagnóstico de dengue e deve ser considerada em conjunto com os sintomas clínicos e laboratoriais. Alternativa A: CORRETA. Este é o procedimento correto para a realização da prova do laço, conforme descrito no protocolo do Ministério da Saúde. A PA média é utilizada, e o manguito é insuflado por 3 minutos; considera-se o teste positivo se houver mais de 10 petéquias na área delimitada. Alternativa B: INCORRETA. Utilizar a pressão sistólica como referência não é a conduta indicada para a prova do laço. A média entre a pressão sistólica e a diastólica é o valor recomendado. Alternativa C: INCORRETA. Insuflar o manguito até o valor máximo por 10 minutos é inadequado e não segue o protocolo correto. Além disso, manter a pressão por 10 minutos pode causar desconforto desnecessário e não é necessário para a prova do laço. Alternativa D: INCORRETA. Utilizar a pressão diastólica como referência não está de acordo com o protocolo. O valor correto a ser utilizado é a média entre a pressão sistólica e a diastólica , e o tempo de insuflação é de 3 minutos, e não 10 minutos. Resposta: Alternativa A. | A | |
94 | 93 | Medicina de Família e Comunidade | Saúde mental | Tabagismo | Fácil | Conduta | Renata é médica da UBS e começou a acompanhar dona Rosa, de 62 anos, recentemente. Durante a consulta, Renata percebe que a paciente é tabagista, fumando cerca de 30 maços-ano de cigarro comum. Tentando abordar este assunto, a médica questiona sobre o que dona Rosa acha da ideia de participar do grupo de cessação de tabagismo, ao qual a paciente responde: ""doutora, eu adoraria participar, porque sei que tenho que parar, mas acho muito difícil devido à ansiedade que eu sinto"". Pensando na entrevista motivacional como instrumento de abordagem para mudanças de comportamento, a melhor conduta para a senhora Rosa, nesta consulta, seria: | Abordar as situações de risco de recaída e como lidar com as mesmas. | Orientar sobre estratégias para diminuir ou interromper o uso do cigarro. | Considerar farmacoterapia (adesivo de nicotina e/ou bupropriona. | Encaminhar à pneumologia para tomada de decisão compartilhada. | Para abordar esta questão de maneira eficaz, vamos primeiro entender o contexto do enunciado e, em seguida, analisar cada alternativa apresentada, justificando por que a alternativa B é a resposta correta e por que as demais são incorretas para o cenário proposto. O objetivo é proporcionar uma compreensão abrangente do processo de cessação do tabagismo, um tema crucial na medicina preventiva e na promoção da saúde. ### Enunciado da Questão: Dona Rosa, uma paciente de 62 anos, tabagista com uma carga de 30 maços-ano de cigarro comum, expressa vontade de parar de fumar, associando sua dificuldade de cessação ao aumento da ansiedade. A médica, Renata, considera a entrevista motivacional como ferramenta de abordagem para a mudança deste comportamento nocivo. ### Análise das Alternativas: - **Letra A: Abordar as situações de risco de recaída e como lidar com as mesmas.** Embora compreender e planejar estratégias contra as situações de risco seja uma etapa importante no processo de cessação do tabagismo, essa abordagem é mais apropriada numa fase posterior, quando a paciente já estiver em um processo ativo de tentativa de cessação. Neste momento inicial, a prioridade é estabelecer estratégias motivacionais e práticas para iniciar a cessação. - **Letra B: Orientar sobre estratégias para diminuir ou interromper o uso do cigarro.** (Resposta Correta) Esta é a abordagem correta neste momento da consulta. A paciente demonstrou interesse em parar de fumar, mas expressou preocupações com a ansiedade que isso pode causar. Orientar sobre estratégias para diminuir ou interromper o uso do cigarro alinha-se com os princípios da entrevista motivacional, onde o foco está em empoderar o paciente, respeitando sua autonomia e facilitando a discussão sobre métodos práticos e acessíveis para iniciar a cessação do tabagismo. Essas estratégias podem incluir desde a definição de uma data para parar, técnicas para lidar com os gatilhos do tabagismo, até a utilização de recursos de suporte como grupos de apoio. - **Letra C: Considerar farmacoterapia (adesivo de nicotina e/ou bupropriona).** Embora a farmacoterapia seja um componente importante no manejo da dependência de nicotina, especialmente para indivíduos com alto grau de dependência, a decisão de iniciar tais tratamentos deve vir após uma avaliação detalhada das necessidades e preferências do paciente, assim como da sua situação clínica geral. A entrevista motivacional visa, primeiramente, estabelecer a motivação e o comprometimento do paciente com a mudança de comportamento. A farmacoterapia pode ser discutida como parte do plano de tratamento, mas não deve ser o foco inicial da consulta. - **Letra D: Encaminhar à pneumologia para tomada de decisão compartilhada.** Encaminhar a paciente diretamente para um especialista sem antes abordar as estratégias iniciais de cessação pode ser prematuro e pode não respeitar o princípio da entrevista motivacional de fortalecer a capacidade do paciente de tomar suas próprias decisões de saúde. Enquanto o suporte especializado pode ser necessário em certos casos, a abordagem inicial deve focar em estabelecer uma relação de apoio e em discutir estratégias práticas e acessíveis de cessação. ### Conclusão: A resposta correta, letra B, reflete a abordagem inicial mais apropriada para a situação descrita, alinhada aos princípios da entrevista motivacional e ao estágio atual da paciente no processo de mudança de comportamento. As demais opções, embora possam fazer parte de um plano de cessação do tabagismo em diferentes estágios, não são as mais adequadas como primeira linha de abordagem, dada a situação específica da paciente e o contexto da consulta. | B | |
95 | 94 | Ginecologia e Obstetrícia | Ginecologia | Endometriose | Fácil | Diagnóstico e Conduta | Paciente apresentando história de dismenorreia importante desde o menacme, além de esterilidade. Realizou laparoscopia diagnóstica, que mostrou focos sugestivos de endometriose, informação confirmada por biópsia. Em relação à etiologia dessa patologia, é correto afirmar: | A propagação linfática ou vascular explica a presença de endometriose em sítios mais comuns, sendo a teoria evidenciada em grande número de estudos realizados. | A teoria da menstruação retrógrada defende que ocorre um refluxo do conteúdo menstrual através das trompas de Falópio para dentro da cavidade abdominal devido a sua hiperperistalse e disperistalse. | A teoria da metaplasia celômica sugere que o tecido endometrial presente em locais anômalos seja originário de alterações celulares decorrentes de agressão crônica ao tecido peritoneal. | A teoria de indução remete a um fator ambiental, podendo determinar a diferenciação de células potenciais em tecido endometrial. | Dica do professor: Ainda não existe consenso sobre a etiologia da endometriose, existem muitas teorias, mas nenhuma delas consegue explicar todos os casos. Uma das teorias mais antigas é a teoria da menstruação retrógrada, em que ocorre um refluxo do sangue menstrual pelas tubas uterinas (o que acontece fisiologicamente em 90% das mulheres), caindo na cavidade pélvica e levando células endometriais viáveis que vêm a se tornar focos de endometriose. A teoria imunológica complementa essa hipótese, explicando que essas células endometriais que caem na cavidade pélvica são eliminadas pelo sistema imunológico na maioria das mulheres e em algumas pacientes, isso não ocorre, o que favoreceria a proliferação do endométrio ectópico. Alternativa A: INCORRETA. A teoria da disseminação linfática/hematogênica explica a presença de lesões em locais distantes da pelve, através dos vasos sanguíneos e linfáticos, mas não é uma teoria muito evidenciada em estudos atuais. Alternativa B: CORRETA. Alternativa C: INCORRETA. Nessa teoria, sugere-se a transformação do tecido peritoneal em tecido endometrial em decorrência de algum gatilho, como fatores ambientais. Alternativa D: INCORRETA Resposta correta, letra B | B | |
96 | 95 | Cirurgia | Cirurgia cardiovascular | Dissecção aguda de aorta | Fácil | Diagnóstico e Conduta | Homem 55 anos, há 1 hora apresenta dor torácica à esquerda súbita e de forte intensidade com irradiação para o dorso e para o pescoço que de acordo com o paciente "parecia ter rasgado algo no peito", que se iniciou em repouso. Ao exame clínico o paciente estava agitado, sudoreico e pálido. Paciente hipertenso e tabagista. Frequência cardíaca de 97 bpm, PA + 210x110 mmHg. Exame pulmonar normal. Auscuta cardíaca com sopro diastólico em foco aórtico. Ritmo regular. Pulsos assimétricos em membros superiores.Assinale a alternativa correta: | A principal hipótese diagnóstica é um infarto agudo do miocárdio e o paciente deverá colher enzimas cardíacas e eletrocardiograma e medidas para isquemia coronariana deverão ser iniciadas. | A principal hipótese diagnóstica é dissecção de aorta torácica e a medida inicial deverá ser o controle pressórico e a realização de Angio TC de tórax. | A principal hipótese diagnóstica é um tromboembolismo pulmonar e o paciente deverá ser submetido a Angio TC de tórax e anticoagulação plena. | A principal hipótese diagnóstica é a Síndrome de Boerhaave e o paciente deverá ser submetido à TC de Tórax e Abdome. | Dica do autor: A dissecção aguda da aorta é uma das causas mais temidas de dor torácica de origem não cardíaca, e deve sempre ser considerada como diagnóstico diferencial prioritário em emergências , especialmente em pacientes com fatores de risco cardiovasculares clássicos, como hipertensão arterial sistêmica mal controlada , tabagismo crônico , doença aterosclerótica difusa , síndromes genéticas do tecido conjuntivo (como Marfan) ou histórico de cirurgia cardiovascular prévia . O mecanismo fisiopatológico envolve a ruptura da camada íntima da aorta , o que permite a penetração do sangue entre as camadas da parede arterial, criando um falso lúmen . Esse processo pode evoluir de maneira anterógrada ou retrógrada, comprometendo artérias colaterais vitais (carótidas, subclávias, renais, mesentéricas, ilíacas), podendo gerar isquemia de órgãos e extremidades. A depender do segmento envolvido, a dissecção é classificada, pelas classificações de Stanford e DeBakey , em tipo A (aorta ascendente, mais grave) ou tipo B (apenas descendente) . Clinicamente, o paciente costuma relatar uma dor torácica súbita, de fortíssima intensidade , com frequência descrita como "em rasgo", "em facada" ou "dilacerante" , que pode irradiar para o dorso, pescoço ou mandíbula. Sinais clínicos de alerta incluem: Pulsos assimétricos ou ausentes entre membros Déficits neurológicos súbitos Sopro diastólico em foco aórtico , sugerindo insuficiência aórtica aguda Hipotensão ou hipertensão extrema (sendo a segunda mais comum na fase inicial) Palidez, sudorese fria e agitação O diagnóstico deve ser imediatamente suspeitado diante desse quadro, e a confirmação depende de exames de imagem rápidos , sendo a angio-TC de tórax o exame de escolha em pacientes estáveis . Em instabilidade hemodinâmica, ecocardiografia transesofágica ou ecocardiograma à beira leito são alternativas viáveis. A radiografia de tórax pode mostrar alargamento do mediastino, mas não é sensível o suficiente para afastar o diagnóstico. O tratamento envolve duas frentes principais: Controle pressórico agressivo , com objetivo de manter PAS 120 mmHg e FC 60 bpm, usando betabloqueadores (ex: esmolol) e vasodilatadores (ex: nitroprussiato de sódio) Cirurgia de emergência para dissecções tipo A (aorta ascendente) Já as dissecções tipo B complicadas (com isquemia ou ruptura) podem ser tratadas com técnicas endovasculares (TEVAR) , enquanto as não complicadas podem inicialmente ser manejadas clinicamente. Portanto, o grande diferencial desta questão está na correlação clínica extremamente característica da dissecção , que o candidato deve estar atento para reconhecer nas provas e na prática clínica. Lembrar que infarto agudo do miocárdio e embolia pulmonar são diagnósticos diferenciais frequentes, mas a presença de sopro diastólico, assimetria de pulsos e dor rasgando são pistas fortes e específicas da dissecção da aorta. Alternativa A: INCORRETA. Embora a dor torácica também seja compatível com infarto agudo do miocárdio (IAM), o caráter da dor (rasgando) , sua irradiação para dorso e pescoço , os pulsos assimétricos e o sopro diastólico são achados muito mais específicos de dissecção da aorta do que de síndrome coronariana aguda. Alternativa B: CORRETA. Todos os achados descritos convergem para o diagnóstico de dissecção aguda de aorta torácica , com início súbito de dor intensa, sopro diastólico, assimetria de pulsos e perfil de risco cardiovascular. A conduta correta é o controle pressórico imediato e a realização de uma AngioTC de tórax , para confirmação e avaliação da extensão da dissecção. Alternativa C: INCORRETA. Apesar do tromboembolismo pulmonar também poder causar dor torácica e taquicardia, não é comum apresentar sopro diastólico nem pulsos assimétricos , e o tipo de dor costuma ser pleurítica, piorando com a respiração e não descrita como “rasgando”. Além disso, o perfil clínico descrito se alinha melhor à dissecção aórtica. Alternativa D: INCORRETA. A síndrome de Boerhaave (ruptura esofágica espontânea) também cursa com dor torácica súbita, porém geralmente ocorre após vômitos intensos , acompanhada de sinais de mediastinite, enfisema subcutâneo ou sepse, nenhum dos quais é mencionado no caso clínico. O quadro apresentado é mais compatível com dissecção aórtica. Resposta: Alternativa B | B | |
97 | 96 | Pediatria | Nutrologia | Alergia à Proteína do Leite de Vaca | Fácil | Prevenção e Promoção da Saúde | Lactente nascido de 37 2/7sem e atualmente de 2 meses e meio de vida e em aleitamento materno exclusivo (30 min cada 3 h) e vacinação atualizada. Apresenta evacuação pastosas e os pais referem 2 episódios com laivos de sangue na última semana, após vacina de rotavírus. Relatam ainda de regurgitações frequentes, além de choro intenso a noite por 60 minutos. A pesagem mostrou ótimo ganho de 60 gramas/ dia. A mãe começou a fazer dieta isenta de leite de vaca sem sucesso. Assinale a correta. | A possibilidade de alergia alimentar deve ser reconhecida e retirar também a soja da dieta materna e iniciar medicação anti-refluxo. | Orientar o controle da mamada excessiva, fazer o teste de provocação oral após 2 a 4 semanas da dieta materna de exclusão de leite e derivados, tranquilizar os pais e evitar exames laboratoriais desnecessários e manter a orientação do calendário vacinal. | A dieta de exclusão é difícil de ser realizada e deve ser encaminhado para a nutricionista para verificar a transgressão da dieta sem leite e derivados e solicitar restrição de soja e trigo. | Não deve ser alergia ao leite de vaca pelo bom ganho de peso e iniciar inibidor de bomba de prótons. Logo que possível fazer o teste de provocação oral de leite de vaca. | Dica do professor: O diagnóstico de APLV é complexo e envolve uma clínica muito diferenciada. Entretanto, a suspeita de APLV deve ser levantada em paciente com evacuação com laivos de sangue, regugitação frentquentes e choro intenso. Alternativa A: INCORRETA – Na suspeita de APLV em paciente em aleitamento exclusivo deve-se estimular o aleitamento materno e orientar a exclusão completa de alimentos que contenham proteínas do leite de vaca apenas Alternativa B: CORRETA – O teste de provocação oral deve ser realizado após cerca de 30 dias da dieta de exclusão da proteína do leite de vaca. O diagnóstico definitivo de APLVA ocorre pela confirmação de manifestações clínicas associadas à ingestão de alimentos com proteína do leite de vaca. Não há exames complementares definitivos para o diagnóstico de APLV. Alternativa C: INCORRETA – De fato, o processo de exclusão da dieta pode ser feito em caráter multidisciplinar com a ajuda de nutricionista. Porém, não é indicado a restrição de soja e trigo Alternativa D: INCORRETA – Baixo ganho ponderal não é sintoma necessário no diagnóstico de APLV. Além, o teste de provocação oral de leite de vaca só deve ser realizado após 2-4 semanas. Resposta correta, letra B. | B | |
98 | 97 | Pediatria | Oncologia | Principais Cânceres Infantis | Fácil | Conduta | Uma menina de 6 anos em tratamento para leucemia linfoide aguda é levada a uma unidade de pronto atendimento infantil devido a pico febril de 38,5°C, sem outros sintomas associados. Ela utiliza um cateter de longa permanência para a administração de quimioterapia, realizada há uma semana. Seu exame físico não revela alterações. Diante do quadro clínico apresentado, assinale a opção correta em relação à propedêutica. | A paciente deve ser tratada com antibióticos de largo espectro, sendo indicada a troca imediata do cateter de longa permanência. | A paciente dispensa a propedêutica complementar, por se tratar de um primeiro pico febril e por não haver alterações no exame físico que indiquem foco infeccioso. | A paciente apresenta alto risco para neutropenia febril e, por isso, deve realizar hemograma, hemocultura de sangue periférico e de cateter central e provas inflamatórias. | A paciente deve realizar hemograma completo e, caso o resultado indique neutrófilos < 1.000/mm³, a investigação deve prosseguir com hemocultura, com provas inflamatórias e com hemocultura de cateter central. | Dica do autor: A questão traz uma escolar que apresentou um único pico febril de 38,5ºC sem outros sintomas associados. Embora em qualquer outro contexto esse quadro pudesse passar como uma infecção viral autolimitada, com orientação apenas de antitérmico, nesse caso estamos diante de um paciente oncológico portador de leucemia linfoide aguda que apresenta um cateter de longa permanência (fonte potencial de infecção) e que realizou quimioterapia há 1 semana, o que significa que ela provavelmente apresenta um menor número de leucócitos, afetados pela quimioterapia em decorrência de sua rápida replicação. Vale lembrar que outros tecidos de replicação rápida também são afetados, como as mucosas oral e do trato gastrointestinal, o que favorece a penetração de patógenos gram negativos. Sendo assim, estamos diante de um caso suspeito de neutropenia febril, uma complicação relativamente frequente da quimioterapia, e que se apresenta com febre e leucócitos baixos. Mesmo sem o resultado do hemograma desse paciente é possível imaginar que esse é o caso, estando indicada a internação do paciente, coleta de todos os exames (hemograma, proteína C reativa e hemocultura, inclusive de todas as vias do cateter venoso) e introdução de antibiótico empírico de amplo espectro com cobertura principalmente para bactérias gram negativas, sendo uma boa opção o cefepime (cefalosporina de 4ª geração), e para gram positivos tendo em vista a possibilidade de infecção de cateter, sendo a vancomicina uma boa opção. Vale dizer que o antibiótico estará indicado mesmo que os exames estejam normais, até porque as vezes a neutropenia é tão importante a ponto de não serem identificadas as alterações inflamatórias normais, como a neutrofilia e a elevação e provas inflamatórias. Alternativa A: INCORRETA. Estão indicados antibióticos de amplo espectro, no entanto, não há indicação da troca imediata do cateter, mas sim da investigação por meio de hemocultura de todas as vias, se ele está ou não comprometido. Apenar se houver comprovação da infecção estará indicada a retirada e troca do cateter. Alternativa B: INCORRETA. Frequentemente, pacientes com neutropenia febril se apresentam oligo ou assintomáticos no pronto-socorro, declarando apenas a presença de febre. Isso acontece porque a depleção das células de defesa é tal monta que não vemos manifestações inflamatórias, como estertores pulmonares ou sinais flogísticos ao redor do cateter. Mesmo assim, há indicação de internação, coleta de todos os exames e início de antibiótico empírico de amplo espectro Alternativa C: CORRETA. Conforme dica o autor. Alternativa D: INCORRETA. A neutropenia é considerada moderada se entre 500 e 1000 células/mm3 e grave se menos de 500 células/mm3, entretanto, independentemente disso, tendo em vista a gravidade do quadro que pode evoluir rapidamente para sepse e choque séptico em decorrência dos baixos níveis das células de defesa, há indicação de realizar a coleta imediata de todos os exames incluindo hemocultura do cateter, que pode ser uma fonte de infecção. Resposta: Alternativa C. | C | |
99 | 98 | Medicina de Família e Comunidade | Atenção Primária à Saúde | Práticas integrativas | Moderado | Diagnóstico e Conduta | Uma equipe de saúde (ES) de um distrito sanitário especial indígena (DSEI) realizou uma análise situacional de saúde da população adscrita e identificou um problema de alcoolismo na população masculina. A equipe planeja, junto com os líderes locais, uma intervenção comunitária para enfrentar esse problema de saúde, respeitando o contexto intercultural local. Conforme a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, qual das seguintes propostas deve ser adotada pela ES para desenvolver a intervenção? | A ES e os líderes podem convidar a população masculina para uma roda de conversa sobre o tema do alcoolismo na aldeia, com o objetivo de pactuar com os participantes os próximos passos. | A ES pode convidar a população para ir ao polo base a fim de assistir a uma palestra expositiva sobre os riscos e as complicações do etilismo crônico, avaliando a possibilidade de prescrever midazolam para as pessoas com dificuldade de cessar o uso de bebida alcóolica. | A ES pode realizar uma reunião de planejamento para designar o papel de cada membro da equipe e convidar a população para ir ao polo base a fim de assistir a uma palestra sobre os riscos e as complicações do etilismo crônico. | A ES e os líderes podem convidar a população masculina para uma roda de conversa sobre o tema do alcoolismo na aldeia, com o objetivo de prescrever benzodiazepínicos para as pessoas com dificuldade de cessar o uso de bebida alcóolica. | Dica do autor: Alternativa A: CORRETA. Perceba que essa alternativa inclui os líderes locais na tomada de decisão e planejamento das ações, o que respeita o atributo derivado da APS de competência cultural, e organiza uma roda de conversa com o objetivo de pactuar os próximos passos com os participantes, o que respeita o manejo compartilhado dos problemas do MCCP. Alternativa B: INCORRETA. Nessa alternativa, a equipe atua sozinha, sem participação das lideranças locais, faz uma palestra expositiva e tem como objetivo a prescrição de medicamentos. Não há competência cultural nem autonomia dada aos participantes. Alternativa C: INCORRETA. Menos mal que a alternativa B, mas ainda há uma ação paternalista da equipe, que realiza uma palestra apenas para os participantes. Alternativa D: INCORRETA. A conduta deve ser compartilhada respeitando os costumes locais. A definição prévia de que o objetivo é a prescrição de benzodiazepínicos vai de encontro à ideia de manejo compartilhado dos problemas. Desta forma, a melhor resposta para essa questão é a alternativa A. Resposta: Alternativa A. | A | |
100 | 99 | Medicina de Família e Comunidade | Atenção Primária à Saúde | Planejamento familiar | Moderado | Diagnóstico e Conduta | A equipe de uma unidade de saúde da família está organizando atividades educativas com a comunidade sobre métodos contraceptivos e planejamento familiar. Com relação aos direitos reprodutivos e sexuais na Atenção Primária à Saúde (APS), assinale a opção correta. | A avaliação global e o acolhimento com escuta qualificada são função exclusiva dos médicos e enfermeiros na APS. | É função específica da enfermagem a orientação com relação aos métodos contraceptivos de barreira. | O método contraceptivo definitivo somente é aplicado para homem ou mulher com capacidade civil plena e que tenha idade acima de 25 anos e pelo menos dois filhos vivos. | Para prescrição de anticoncepcional oral, não é necessária a realização prévia de colpocitologia oncótica nem exame de mamas. | Dica do autor: Questão que mistura conhecimentos de atenção primária e de contracepção. Vale ressaltar que em 2022 foi aprovado um novo projeto sobre contracepção definitiva. Agora, vasectomia e laqueadura podem ser realizadas em pessoas com 21 anos OU dois filhos vivos. Além disso, não há mais necessidade de se ter anuência do cônjuge e a laqueadura pode ser realizada durante o parto, se o desejo pelo procedimento for informado com antecedência. Vamos analisar cada uma das alternativas. Alternativa A: INCORRETA. Acolhimento é atribuição de todos os profissionais da Atenção Primária. Alternativa B: INCORRETA. Essas orientações não são específicas da enfermagem. Alternativa C: INCORRETA. Importante ressaltar que já há nova legislação sobre o assunto. À época, essa alternativa estava incorreta porque era necessário ter 25 anos “OU” dois filhos vivos, não “E” dois filhos vivos. Alternativa D: CORRETA. Vide a dica do autor. Diante do exposto, conclui-se que a melhor resposta é a alternativa D. Resposta: Alternativa D. | D |