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LUIZ ROMERO

LITERATURA

ROMANTISMO BRASILEIRO

POESIA

24/02/2022

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  • INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS DO ROMANTISMO

  • O ROMANTISMO BRASILEIRO – POESIA

  • AUTORES PRINCIPAIS

  • INTELECÇÃO DE TEXTOS

ARTE: RAPHAEL DAVID

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INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS DO ROMANTISMO

  • CONTEXTO E ESTILO
  • O Romantismo marcou um período que configurou um estilo de vida e de arte predominante na Civilização Ocidental.

  • Vigência aproximadamente entre a segunda metade do século XVIII e a primeira metade do século XIX.

  • Esse período entre os dois séculos foi profundas transformações históricas: Rousseau prega um novo conceito entre homem e natureza / a fé e a religião são aos poucos substituídas pela razão e ciência / é o Século das Luzes, do Iluminismo, da Ilustração / o pensamento filosófico contra o Absolutismo...

  • É um momento de transformação da liderança histórica da Aristocracia (Clero e Nobreza) para a classe média (Burguesia e Povo).

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  • Essas transformações culminaram com o advento da Revolução Francesa (1789) – “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Revolução de cunho popular-burguês.

  • A ascensão das classes médias provoca um deslocamento do público consumidor da Literatura: um novo público leitor.

  • O Romantismo passa a refletir a ideologia da Classe Burguesa (cunho nacional, popular e tradições) em substituição a arte clássica aristocrática.

  • A palavra-chave do Romantismo é LIBERDADE e a arte decorre da noção da Liberdade do indivíduo.

  • A arte literária expressa a tendência para o entretenimento.

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  • A criação funda-se no EU: sentimento / emoção / imaginação / valores relativos / o estilo apolíneo é substituído pelo dionisíaco.

  • IMPLANTAÇÃO DEFINITIVA DO CAPITALISMO (Revolução industrial).

  • Liberalismo econômico, filosófico, social...

  • Livre concorrência.

  • Democratização da arte e da vida política.

  • Criação de escolas / Alfabetização geral.

  • Desenvolvimento da imprensa.

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AS ORIGENS DO ROMANTISMO

  • Alemanha: Reação contra os rigores do classicismo (Werther, de Goethe) e o movimento “Sturm und Drang”.

  • Inglaterra: a poesia melancólica e subjetiva de Young e Byron e os romances: “Ivanhoé”, de Walter Scott; “O último dos Moicanos”, de Fenimore Cooper, “Robinson Crusoé”, de Daniel Defoe. . .

  • França: país irradiador das ideias políticas do Liberalismo e do gosto artístico romântico – As Conquistas napoleônicas...Victor Hugo (poesia e ficção social), Alfred Musset (poesia de confissão), René de Chateaubriand, Alexandre Dumas. . .

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CARACTERÍSTICAS E COMENTÁRIOS:

  • Liberdade de criação e de expressão;
  • Sentimentalismo;
  • Egocentrismo;
  • Nacionalismo;
  • Retorno ao passado;
  • Individualismo;
  • A natureza como cúmplice dos sentimentos do artista;
  • Emoção e Subjetivismo;
  • Fuga da realidade (morte, sonho, imaginação, loucura, espaço e no tempo);
  • Idealização do herói, do amor e da mulher;
  • Crítica social.

Pintura de Antoine-Jean Gros (1771-1835)

Moça com livro Almeida Júnior

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1. CONTEXTO SOCIAL / POLÍTICO / ECONÔMICO

ASCENSÃO

DA

BURGUESIA

REVOLUÇÃO

FRANCESA (1789)

IMPLANTAÇÃO

DEFINITIVA

DO CAPITALISMO

Livre concorrência

– 1ª Revolução Industrial

– Liberalismo econômico, filosófico,

social

– Democratização da arte e da vida

política

Criação de escolas

– Alfabetização geral

– Desenvolvimento da imprensa

  • NOVO PÚBLICO LEITOR

ROMANTISMO (Arte da burguesia em ascensão)

INTRODUÇÃO AO ROMANTISMO

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ROMANTISMO BRASILEIRO

VIGÊNCIA HISTÓRICA

Arte identificada com a Independência política (1822)

Nacionalismo Ufanista

  • Indianismo

• Regionalismo

• Culto à natureza

• Procura de uma língua brasileira

1836 – Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães.

1871 – Morte do último poeta romântico de valor: Castro Alves.

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GERAÇÃO

DENOMINAÇÃO

COMPONENTES

MODELOS POÉTICOS

TEMAS

1.ª

Nacionalista/

Indianista

Gonçalves de

Magalhães

Gonçalves Dias

Chateaubriand

e

Lamartine

– O ÍNDIO / A NATUREZA

– A SAUDADE DA PÁTRIA

– A RELIGIOSIDADE

– O AMOR IMPOSSÍVEL

2.ª

Byroniana /

Subjetivista /

Ultra-Romantismo

Álvares de

Azevedo / Casimiro de Abreu /Fagundes

Varela / Junqueira

Freire

Byron

e

Mussett

– A DÚVIDA / O TÉDIO /

– A MORTE / A INFÂNCIA

– O MEDO DO AMOR

– O SOFRIMENTO /ORGIA

– SATANISMO

3.ª

Liberal / Social /

Condoreira

  • Castro Alves
  • Sousândrade

Vitor Hugo

– DEFESA DE CAUSAS

HUMANITÁRIAS

– DENÚNCIA DA ESCRAVIDÃO

– AMOR ERÓTICO

ROMANTISMO – POESIA

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POESIA DO ROMANTISMO

1823 - 1864

1831 - 1852

1847 - 1871

PRIMEIRA GERAÇÃO

SEGUNDA GERAÇÃO

TERCEIRA GERAÇÃO

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Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer eu encontro lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar –sozinho, à noite–

Mais prazer eu encontro lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu'inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

(Gonçalves dias Portugal,1843)

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02. Gonçalves Dias consolidou o romantismo no Brasil. Sua "'Canção do exílio" pode ser considerada tipicamente romântica porque

a) apoia-se nos cânones formais da poesia clássica greco-romana; emprega figuras de ornamento, até com certo exagero.

b) exalta terra natal; é nostálgica e saudosista; o tema é tratado de modo sentimental e emotivo..

c) utiliza-se do verso livre, como ideal de liberdade criativa; erudita; glorifica o canto dos pássaros e a vida selvagem.

d) poesia e música se confundem, como artifício simbólico; a natureza e o tema bucólico são tratados com objetividade.

e) refere-se à vida com descrença e tristeza; utiliza-se do exílio como o meio adequado de referir-se à evasão da realidade.

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O poema I-Juca-Pirama (Últimos Cantos – 1851) é composto de dez cantos e narra história de um jovem índio guerreiro (I-juca-pirama – “aquele que vai morrer”, da nação Tupi – tribo Timbira), que caiu prisioneiro de outra tribo (Aimoré). Tendo de cuidar do pai velho e cego, ele se humilha diante de seus inimigos, pedindo-lhes que o deixem ir para cuidar do velho pai. Ao tomar conhecimento do ocorrido, o velho guerreiro se sente destroçado em seus sentimentos de orgulho de índio valente e lança a maldição sobre o filho.

Tu choraste em presença da morte?

Na presença de estranhos choraste?

Não descende o cobarde do forte;

Pois choraste, meu filho não és!

Possas tu, descendente maldito

De uma tribo de nobres guerreiros,

Implorando cruéis forasteiros,

Seres presa de vis Aimorés.

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Possas tu, isolado na terra,

Sem arrimo e sem pátria vagando,

Rejeitado da morte na guerra,

Rejeitado dos homens na paz,

Ser das gentes o espetro execrado;

Não encontres amor nas mulheres,

Teus amigos, se amigos tiveres,

Tenham alma inconstante e falaz!

  1. O filho é amaldiçoado por haver infringido uma norma do código de comportamento indígena, a saber: 
  2. Deixar-se fazer prisioneiro.
  3. Pedir para cuidar do pai.
  4. Chorar na hora da morte.
  5. Fugir sem tentar lutar.
  6. Implorar perdão com medo.

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LEMBRANÇA DE MORRER

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,

Que o espírito enlaça à dor vivente,

Não derramem por mim nem uma lágrima

em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura

A flor do vale que adormece ao vento:

Não quero que uma nota de alegria

Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio

Do deserto, o poento caminheiro

– Como as horas de um longo pesadelo

Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

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  1. O eufemismo é uma figura de linguagem caracterizada pela suavização de uma realidade desagradável. O poema é aberto com um eufemismo. Destaque e explique que ideia ele suaviza.

  1. Quando em meu peito rebentar-se a fibra” - suaviza a ideia de morte..
  2. “Em pálpebra demente” – manifestação da loucura.
  3. “A flor do vale que adormece ao vento” – natureza suave.
  4. “Que se desfaz ao dobre de um sineiro” – o som da morte.
  5. “Não derramem por mim nem uma lágrima” – um pedido.

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02. Na terceira estrofe, há uma inversão de perspectivas dos conceito de vida e de morte. O poeta compara a vida a um longo pesadelo – imagem usualmente concebida para a morte. Aqui se torna claro que o eu lírico concebe a vida como um sofrimento, para o qual só uma saída: a morte – uma das principais características do ultrarromantismo:

  1. pessimismo.
  2. Escapismo.
  3. Nacionalismo.
  4. Sentimentalismo.
  5. Idealização da mulher.

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O Navio Negreiro – 1ª

‘Stamos em pleno mar...doudo no espaço

Brinca o luar – dourada borboleta –

E as vagas após ele correm...cansam

Como turbas de infantes inquieta.

‘Stamos em pleno mar... Do firmamento

Os astros saltam como espumas de ouro...

O mar em troca acende as ardentias,

– Constelações do líquido tesouro.

‘Stamos em pleno mar... Dois infinitos

Ali se estreitam num abraço insano

Azuis, dourados, plácidos, sublimes...

Qual dos dous é o céu? Qual o oceano?...

“Navio Negreiro”, de Rugendas, 1830

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01. Nessa primeira parte do poema, o cenário apresenta-se equilibrado e harmonioso. Que elementos da natureza compõem o cenário?

  1. A lua, o mar, o céu, os astros..
  2. Borboleta, o espaço, vagas.
  3. Tesouro, espaço, vagas.
  4. Abraço, azuis, dourados.
  5. Firmamento, azuis, dourados.

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02. Pelas estrofes do famoso poema O Navio Negreiro nota-se que o eu lírico manifesta a linguagem pontuada de eloquência. É a poesia como instrumento de uma causa, que define a função do poeta como a função da denúncia. É a poesia do artista que não quer mais fugir da vida e do mundo, mas sim lutar para modificá-los. Tentando sensibilizar setores da sociedade com relação a valores como a liberdade e justiça. Essa geração recebeu a denominação de

  1. Ultrarromântica.
  2. Byroniana.
  3. Condoreira.
  4. Indianista.
  5. Nacionalista.

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 Navio negreiro – 4ª

Era um sonho dantesco... o tombadilho

Que das luzernas avermelha o brilho,

Em sangue a se banhar.

Tinir de ferros... estalar do açoite...

Legiões de homens negros como a noite,

Horrendos a dançar...

Negras mulheres, suspendendo às tetas

Magras crianças, cujas bocas pretas

Rega o sangue das mães:

Outras, moças... mas nuas, espantadas,

No turbilhão de espectros arrastadas,

Em ânsia e mágoa vãs!

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  1. Era um sonho dantesco....” Ao associar a um sonho as cenas que que o poeta vai descrever, o eu lírico prenuncia que

 

  1. tudo o que se segue é mero fruto de sua imaginação, sem qualquer relação com a realidade.
  2. o relato é todo baseado em lendas e histórias imaginárias sem vínculos com a realidade.
  3. é impossível acreditar que pudesse ser realidade o que ele vai descrever..
  4. ele se permitiu a liberdade de descrever visões que teve em estado de delírio.
  5. não se pretendia ver lógica e coerência nos detalhes que vai apresentar.

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Leia o texto que segue e responda à questão proposta.

Palmares! A ti meu grito!

A ti, barca de granito,

Que no soçobro infinito

Abriste a vela ao trovão,

E provocaste a rajada,

Solta a flâmula agitada

Aos uivos da marujada,

Nas ondas da escravidão.

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01. Da estrofe do poema “Saudação a Palmares”, de Castro Alves, reflete um posicionamento típico

 

  1. da poesia romântica de sentimentalismo exacerbado e íntimo.
  2. da poesia romântica exaltada e identificada com a causa dos abolicionistas.
  3. da poesia árcade de exaltação pastoril e idílica à natureza.
  4. da poesia romântica de tema sentimental, subjetivo e piegas.
  5. da poesia da negação devido à violação do ambiente celestial.

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