FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO
Dr. Hudson Junior
Fisiologia do Exercício
Crescimento Físico
Crescimento em tecido musculoesquelético como função da hiperplasia e da hipertrofia celular (MALINA, BOUCHARD, 2002)
Hipertrofia e Hiperplasia em crianças e adolescentes
Maturação
Processo biológico que determina a velocidade e o momento do crescimento e que difere de indivíduo para indivíduo.
(MALINA et al., 2004)
Maturação Esquelética
3 anos
5 anos
14 anos
Avaliação da �Maturação Sexual
A avaliação da Maturação Sexual é baseada no desenvolvimento de características sexuais secundárias.
Meninas
Desenvolvimento da Mama
Pilosidade
Idade de Menarca
Meninos
Desenvolvimento da Genitália
Pilosidade Púbica
Maturação Sexual�Critérios de Tanner
Menarca
GARRET JR; KIRKENDALL, 2003
A chegada da primeira menstruação depende do desenvolvimento do teor de gordura corporal. Se o seu percentual atingir 17% da massa corporal, geralmente ocorre a primeira menstruação.
Menarca
TREINAMENTO & MENARCA
Idade de menarca pode também ser influenciada pelo nível de treinamento físico. Este fenômeno está provavelmente relacionado não somente ao treinamento físico regular, mas também à seleção para atividades esportivas de meninas com predominância de linearidade corporal, as quais, por sua vez, apresentam menor percentual de gordura.
Porque em crianças da mesma faixa etária, o crescimento se efetua em alguns mais cedo, e em outros mais tarde?
IDADE CRONOLÓGICA
X
IDADE BIOLÓGICA
�IDADE CRONOLÓGICA
Idade cronológica: determinada pela diferença entre um dado dia e o dia do nascimento do indivíduo
(GALLAHUE, 1989)
Idade Biológica�
Fornece um registro do índice de seu progresso em direção à maturidade.
É um conceito amplo que se refere a uma transformação complexa, continua, dinâmica e progressiva, que inclui crescimento e a maturação...
Desenvolvimento
Aprendizagem
Domínios do Desenvolvimento�Humano
Afetivo
Físico
Cognitivo
Motor
Características Fisiológicas dos indivíduos desde a infância até a fase adulta
Alterações nas Freqüências Cardíacas
Funções Pulmonares e�Respiratórias
Freqüência Respiratória por Minuto durante o Crescimento
Pressão Arterial
Aumenta gradativamente até os 5 anos de idade
PAS - 1-2 mm Hg/ ano
PAD - 0,5- 1 mm Hg /ano
Diferenças mínimas entre os sexos até a puberdade;
Entre os 13 e 18 anos os meninos apresentam níveis de PA maiores
�Termorregulação�
Percepção Subjetiva de Esforço
O esforço associado ao movimento realizado é percebido subjetivamente pelas crianças como sendo menor do que por adultos.
(WEINECK, 2005)
O exercício físico moderado estimula o crescimento, por induzir aumentos significativos no hormônio do crescimento (GH) na circulação, tanto de crianças, como de adolescentes e adultos.
Georgopoulos et al.,1999
Eixo GH/IGF-1
O GH é produzido pela hipófise de forma pulsátil a cada 2 horas, de forma mais pronunciada durante sono.
O GH estimula a formação dos fatores de promoção do crescimento, conhecidos como IGFs, sendo o principal o IGF-1, sendo o principal mediador da aceleração linear do crescimento, envolvido na determinação da espessura óssea, comprimento, densidade e arquitetura do esqueleto, aumentando as proporções corporais durante a infância e adolescência. (ROGOL et al., 2000; BORBA et al., 2003).
Exercício e Crescimento
Exercício físico moderado
Induz aumentos significativos do hormônio de crescimento na circulação
Treinamento intenso
Atenua o crescimento
COOPER, 1999; GODFREY et al., 2003
Os principais reguladores do PVA e da maturação da placa de crescimento são os níveis séricos de testosterona e estrógenos, os quais aumentam durante a puberdade.
(PHILLIP; LAZAR, 2003)
Influências Genéticas
Capacidades Físicas influenciadas pelo treinamento
Resistência Física
(WEINECK, 2004)
Resistência Aeróbia
É a qualidade física que permite a um atleta sustentar o maior tempo possível em uma atividade física em condição anaeróbia, isto é, numa situação de débito de oxigênio.
(TUBINO, 1984)
Resistência Anaeróbia
Tempo que o corpo leva até atingir a demanda de oxigênio que precisa.
Défcit (Dívida) de O2
(Ghorayeb et al, 2004).
Limiar Anaeróbio (L2)
Adaptação Central
Lenta
Adaptações Cardiovasculares
Ação da Enzima eNOS
(Óxido Nítrico Endotelial Sintase)
Adaptações Respiratórias
Adaptação Periférica
Músculo
WILMORE, 2001
O tamanho do coração está diretamente relacionado ao tamanho corporal 🡪 crianças apresentam corações menores que os adultos
Crianças apresentam volumes de ejeção menores.
Débito cardíaco máximo de uma criança é menor do que o de um adulto igualmente treinado.
Todos os volumes pulmonares aumentam até a maturidade física.
WILMORE, 2001
Ghorayeb & Dioguardi, 2007
A pressão arterial é menor nas crianças do que nos adultos.
As crianças demoram mais tempo que os adultos para retornar a pressão arterial aos valores de repouso.
Aparelho respiratório das crianças é menos eficiente que o dos adultos.
Ghorayeb & Dioguardi, 2007
Estudos...
Volume sistólico maior
Ghorayeb & Dioguardi, 2007
O tamanho do coração está altamente relacionado com o VO2máx em crianças e adolescentes.
Confiabilidade
A confiabilidade das mensurações do VO2máx é geralmente baixa para crianças abaixo de 10 anos de idade.
Ao comparar crianças e adolescentes de diferentes idades, verifica-se aumento no VO2máx absoluto com o aumento da idade.
O aumento no VO2máx absoluto no masculino, coincide ou ocorre em torno do pico de velocidade de altura (PVA) com uma velocidade típica de 0,412 L.min-1 por ano.
No feminino, há indicações de que o VO2máx absoluto aumenta até a menarca e estabiliza-se posteriormente.
O VO2máx relativo ao peso corporal permanece constante da infância à adolescência nos meninos e decai nas meninas, provavelmente devido ao aumento do tecido adiposo.
O VO2máx relativo parece ser um índice válido de desempenho aeróbio apenas para comparações entre crianças de idade biológica similar.
Aumento da freqüência cardíaca
Ghorayeb & Dioguardi, 2007
Treinamento de resistência deve ser introduzido desde a idade pré-escolar, principalmente quando for baseado em resistência aeróbia, de forma submáxima e de maneira contínua.
Não deve exceder os limites fisiológicos da criança
Weineck, 1991
O Treinamento Específico deve ser iniciado na pubescência e adolescência, pois nessa fase da vida o desenvolvimento muscular cardíaco e do aparelho respiratório atinge níveis altamente treináveis e uma maior capacidade de suportar cargas
O Planejamento deve privilegiar os treinamentos das resistências aeróbia e anaeróbia
Weineck, 1991
VO2máx Absoluto
VO2máx Relativo
VO2máx Absoluto
VO2máx Relativo
VO2máx Absoluto
VO2máx Relativo
Indivíduos não treinados
Em todas as idades os meninos apresentam valores médios de VO2máx superiores aos das meninas, inclusive na fase pré-púbere. Essa variação chega a cerca de 15%.
VO2máx e avanço do processo maturacional
(GOBBI; VILLAR; ZAGO, 2005)
Comparação�
� Exercício� Submáximo
(WILMORE; COSTILL, 2001)
Comparação menino de 12 anos de idade e um adulto
Economia de Corrida
É definida como o custo energético na execução do ato de correr, é o volume de O2 consumido para uma distância percorrida. (WILMORE, COSTILL, 2001)
A intensidade relativa a uma dada taxa de trabalho diminui com a idade.
(ROWLAND, 2008)
Fatores que influenciam a menor economia de corrida
das crianças e sua melhora com a maturação:
(ROWLAND, 2008)
Adolescentes podem realizar a mesma tarefa motora com economia de aproximadamente 20% no consumo de oxigênio em comparação com as crianças.
(GUEDES; BARBANTI, 1995)
A freqüência de passadas foi cerca de 17% maior nos meninos do que nos homens ao longo das diferentes velocidades na esteira.
Força
Conceito
O treinamento de força pode ser definido como uma forma especializada de condicionamento usado para a habilidade de produzir ou resistir a uma força.
Riewald, 2005; Dowshen, 2001
Não há idade mínima para iniciar um programa de treinamento resistido.
Qual idade começar?
(ACSM, 2003, 2005)
T.F. e crianças
Os exercícios envolvendo a força máxima devem ser evitados, pois podem provocar uma ossificação antes do período pubertário, o que prejudicaria o crescimento ósseo.
Fleck, 1997
Idade (anos) | Observações |
<8 | Introdução ao treinamento, técnicas, utilizar pouco peso (corporal), baixo volume, monitorar a tolerância aos exercícios, progredir lentamente. |
8 – 10 | Aumentar nº exercícios com peso, continuar com ensinamento da técnica, introduzir poucos exercícios complexos, iniciar a progressão gradual das cargas, continuar com a monitoração da tolerância. |
11 - 13 | Progressão da carga, técnicas mais avançadas, programas mais complexos, desenvolvimento de um programa de trein. de força. |
14 – 15 | Progressão para programas do treinamento de força mais avançados e específicos, programas suportes de força e condicionamento. |
16 ou + | Após ganho suficiente de experiência - programas de treinamento de força próximo de adultos, cargas mais intensas, sessões mais avançadas |
Considerações básicas para a progressão do exercício de força
Flexibilidade
Dantas, 1999
Flexibilidade
TIPOS DE FLEXIBILIDADE
Ativa – é a máxima amplitude que se pode obter através de movimentos efetuados pelos músculos de forma voluntária.
Passiva – é a máxima amplitude articular que se consegue em um movimento através de uma ação de uma segunda pessoa, aparelhos, força da gravidade, etc.�
Estática - o componente estático se refere à amplitude máxima de um movimento.
Dinâmica - o componente dinâmico refere-se à resistência ou rigidez oferecida ao movimento dentro de uma determinada amplitude.�
MANIFESTAÇÃO
Nota-se que a flexibilidade das meninas é levemente superior à dos meninos desde a escola.
A partir do surto da puberdade, ao mesmo tempo em que aumenta a força nos meninos, vai diminuindo a flexibilidade;
JENSEN & FISHER, 1979
Treinamento de flexibilidade na infância e na juventude
Deve, desde a infância, ser o mais exigente possível.
O objetivo do treinamento deve ser a manutenção da flexibilidade infantil.
Exercício x Flexibilidade
O encurtamento e o enfraquecimento de determinados grupos musculares aparecem já na infância, com o treinamento básico.
Deve ser executado como um treinamento compensatório e de flexibilidade para o relaxamento da musculatura suscetível a encurtamento.
(WEINECK, 1999)
Vantagens da criança em relação ao treinamento de flexibilidade
Durante a infância e a pré-adolescência há pouca tonicidade muscular e os ossos não estão totalmente calcificados, o que contribui para a efetividade do programa de flexibilidade.
Difiori, 1999
Qual o método mais seguro para a criança?
O método estático é sugerido em programas promotores da saúde para crianças e iniciantes, pela facilidade de execução à medida que são reduzidas condições de lesões.
Achour Jr, 1995
Idade pré-escolar �(3 aos 6-7 anos)
1ª idade escolar �(6-7 aos 10 anos)
Tendências contraditórias
2ª idade escolar� (10 anos ao início da puberdade)
Puberdade �(meninas 11-12 anos, meninos 12-13 anos)
Adolescência �(meninas 13-14 até 17-18 e meninos 14-15 até 18-19)
Velocidade
Velocidade
É a capacidade de completar ações motoras, sob determinadas condições, no menor tempo.
Forte influência nos saltos,
lançamentos, “sprint”, jogos
desportivos
(FREY apud WEINECK, 1991
Israel apud Weineck (1991), identifica para a obtenção da velocidade máxima, a velocidade de reação e a capacidade de aceleração e coordenação, como treinamento até a pubescência, utilizando estímulos variados, aumentando gradativamente o treinamento de corrida de velocidade (Weineck,1991).
Isso se deve ao fato de que neste período, idade pré - escolar / pubescência, melhoram as relações de alavanca e processos nervosos ligados a mobilidade
(Koinzer,1978 apud Weineck,1991)
Entre a pubescência e a adolescência, recomenda-se o uso de métodos com repetições e de intervalos curtos, com a compactação da carga conforme a idade, garantindo assim a obtenção de energia aláctica
(Koinzer, 1978 apud Weineck, 1991).
Nas sessões com crianças de 8 a 12 anos – enfatizar jogos desportivos que mantém o interesse, estimulando-as, a revelar capacidades de velocidade de diversas formas.
Dos 13 aos 14 anos os índices de velocidade aproximam-se dos seus valores absolutos, correspondentes à fase adulta.
A velocidade máxima – no sentido de velocidade de corrida –
alcança seu ponto máximo nas meninas e meninos não treinados aos 15-17
anos e 20-22 anos, respectivamente.
Entre o 5º e o 7º ano de vida ocorre um elevado aperfeiçoamento
dos movimentos de corrida, portanto, recomenda-se nesta época uma maior oferta de exercícios de velocidade.
De acordo com Weineck (1991), um vasto repertório de ações coordenativas deve ser privilegiado na idade pré-escolar, com exercícios de fácil execução, combinando habilidades motoras um pouco mais complexas já na 1ª infância escolar com seqüências objetivas e de rápida execução.
Durante a pubescência, o ajuste corporal, diminui a qualidade de realização de movimentações mais finas, mas não interferindo diretamente nas ações já automatizadas, onde deve ser repetido movimentações já adquiridas e aperfeiçoamento de técnicas esportivas dominadas (Meinel apud Weineck,1991).
Mais adiante, a adolescência permite novamente uma fase de aprendizagem de novas técnicas motoras, isso devido a melhora do controle corporal e de reorganização (Weineck,1991).
Períodos sensíveis do desenvolvimento das capacidades físicas
(ZAKHAROV, 2003)
(ZAKHAROV, 2003)
Períodos sensíveis do desenvolvimento das�capacidades físicas
O oferecimento de estímulos adequados para o desenvolvimento das capacidades coordenativas, de modo integrado com mecanismos de percepção e tomada de decisão, e que estimulem indiretamente o desenvolvimento das capacidades condicionais deve ocupar um papel de destaque durante o processo de formação esportiva na infância.
(SILVA, 2006)
Muito Obrigado...
Boa noite a todos!