A SOCIEDADE E A RELAÇÃO COM
O TRABALHO
KEURI
CAMPELO
SOCIOLOGIA
13/05/2022
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Para definirmos o que é trabalho, é preciso antes compreendermos por que trabalhamos e as razões pelas quais justificamos a dedicação de 8 horas, as vezes mais, de nossas vidas a uma determinada atividade, com o fim último de obtermos o salário ao fim do mês. A resposta pode parecer óbvia: para nos sustentar. Mas a história nos mostra que a associação entre trabalho e salário é relativamente recente, tendo se configurado no cenário da revolução industrial.
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Karl Marx é um dos maiores teóricos que trabalhou com os problemas e as questões relacionadas às relações do trabalho, do capital e do trabalhador. Para Marx, existe uma diferença histórica nas relações de produção capitalistas e nas relações de produção pré-capitalistas.
Dentro de uma sociedade capitalista, na qual o trabalhador que não dispõem dos meios de produção para produzir o que necessita para sobreviver passa a vender a única “mercadoria” que tem: sua força de trabalho.
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Esse trabalho assalariado da sociedade pós-revolução industrial se diferencia do trabalho em sociedades pré-capitalistas na relação do trabalhador com o seu trabalho, ou do fruto do seu trabalho. Enquanto o servo de um senhor feudal trabalhava a terra de forma a produzir diretamente o seu sustento, cedendo parte da produção ao senhor como forma de tributo, o trabalhador assalariado trabalha em função de uma moeda, para só então poder ter contato com seu sustento.
Marx afirma que essa “coisificação” da força de trabalho – a transformação do trabalho em um objeto que passa a ter valor monetário agregado – é o que possibilita a exploração, ou a alienação, do trabalhador e de sua força de trabalho pelo capitalista detentor dos meios de produção.
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O que é a uberização do trabalho?
Primeiramente, é preciso saber de onde esta ideia parte. Não é difícil notar que o termo uberização faz referência à empresa estadunidense Uber, já bastante conhecida nos dias de hoje.
Este tipo de serviço revolucionou as relações sociais em torno do trabalho A uberização do trabalho está relacionada à globalização e ao neoliberalismo.
Tal situação leva, consequentemente, ao crescente número de pessoas desempregadas que buscam alternativas de trabalho para garantir seu sustento e/ou complementar sua renda.
Soma-se a este cenário, ainda, o crescente papel das tecnologias, da automação e da inteligência artificial na sociedade contemporânea, que vem transformando o mundo e o mercado de trabalho.
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Fotografia urbana de Buenos Aires, sob o governo neoliberal de Mauricio Macri.
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Características da uberização do trabalho
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Geralmente, as pessoas que trabalham através destes aplicativos precisam se submeter a grandes jornadas de trabalho para tentar atingir uma renda mínima suficiente para sua sobrevivência. Dessa forma, acabam extrapolando a carga horária legalmente determinada.
Além das jornadas exaustivas, o(a) trabalhador(a) desta modalidade deve arcar com todos os custos necessários associados ao serviço que é prestado, sem receber qualquer auxílio da empresa que contrata, ou do aplicativo que possibilita o exercício do serviço.
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Os “trabalhadores uberizados”, por não terem uma relação de emprego formalizada, acabam não tendo acesso aos seus direitos e garantias básicas. Além disso, arcam com todos os riscos da atividade profissional exercida. Ou seja, acabam ficando completamente desamparados pela legislação.
Nesse sentido, a forte crítica em torno da precarização gerada por este modelo de trabalho diz respeito à não existência de vínculo empregatício e à terceirização da prestação de serviços. Isso acarreta a isenção de responsabilidades quanto aos direitos mínimos garantidos aos trabalhadores desde a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que, dentre outras coisas, resguardam o bem-estar do(a) trabalhador(a).
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A CLT é uma conquista histórica da classe trabalhadora, e está em vigor no Brasil desde 1943. Visa proteger o(a) trabalhador(a). Seu objetivo é coibir relações abusivas e garantir condições mínimas de trabalho. Antes de sua promulgação, não havia leis para o controle e a regulamentação jornadas, condições de trabalho e benefícios trabalhistas.
Algumas conquistas da CLT são:
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Por fim, é importante lembrar que refletir sobre as relações sociais acerca da ideia de trabalho é fundamental em Sociologia. Pois, dentre outras coisas, esta ciência busca compreender as transformações ocorridas no mundo do trabalho em articulação com as transformações ocorridas no sistema capitalista.
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ATIVIDADES COMPLEMENTARES:
Disponível em: <http://www.tst.jus.br/web/70-anos-clt/historia>. Acesso em 26 set. 2016. Adaptado.
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O contexto histórico que produziu a CLT em 1943 e o contexto histórico das atuais discussões sobre modificações na legislação original diferenciam-se:
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02. A aprovação dos direitos trabalhistas reunidos na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) teve importante impacto nas relações de trabalho e na economia brasileira, pois essas leis:
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C) sistematizaram procedimentos adotados na transição do trabalho escravo para o trabalho livre, porém executados de maneira informal, até serem regularizados como uma legislação nacional durante o Governo Provisório de Getúlio Vargas.
D) garantiram que os operários, além de poderem usufruir e cobrar direitos previstos em lei − muitos deles conquistas obtidas na Europa ainda durante a Revolução Industrial −, pudessem atuar como cidadãos por meio do voto, que foi estendido aos analfabetos.
E) resultaram de pressões sociais que cobravam direitos já assegurados em diversos países do mundo, como a jornada de oito horas de trabalho, garantindo, ao mesmo tempo, aprovação popular ao governo autoritário vigente e algum avanço no sentido da modernização da economia.
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O neoliberalismo dos tempos atuais é tanto uma política econômica voltada para a consolidação do “Estado mínimo”, quanto um programa ideológico que prega a adesão de todos a seus princípios.
Estes dois aspectos do neoliberalismo convergem para:
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@keuricampelo
GABARITO: