Todo lo que usted quiera, sí señor, pero son las palabras las que cantan, las que suben y bajan… Me prosterno ante ellas… Las amo, las adhiero, las persigo, las muerdo, las derrito…
Tienen sombra, transparencia, peso, plumas, pelos, tienen de todo lo que se les fue agregando de tanto rodar por el río, de tanto transmigrar de patria, de tanto ser raíces…
Son antiquísimas y recientísimas… Viven en el féretro escondido y en la flor apenas comenzada… Qué buen idioma el mío, qué buena lengua heredamos de los conquistadores torvos…
Todo se lo tragaban, con religiones, pirámides, tribus, idolatrías iguales a las que ellos traían en sus grandes bolsas… Por donde pasaban quedaba arrasada la tierra… Pero a los bárbaros se les caían de las botas, de las barbas, de los yelmos, de las herraduras, como piedrecitas, las palabras luminosas que se quedaron aquí resplandecientes… el idioma. Salimos perdiendo… Salimos ganando… Se llevaron el oro y nos dejaron el oro… Se lo llevaron todo y nos dejaron todo… Nos dejaron las palabras.
1. Tratamento didático do texto literário (TL)
Inviabilizar o uso do texto como pretexto.
2. Texto literário
Manifestação da literatura;
Textos pertencentes à esfera artístico-literária da atividade comunicativa;
Produto de criação com seus recursos literários da língua, organizados através de uma imprevisível combinação de elementos;
O TL é uma modalidade de criação artística na qual as funções referencial e denotativa do sistema aparecem parcialmente modificadas pela vontade e intenção expressiva de seu autor, que em sua atividade criadora busca potencializar ao máximo a expressividade discursiva.
Abre caminhos para usos diferentes da língua, permitindo uma complexa atividade cognitiva de construção de sentido e de atribuição de interpretações, de reconhecimentos de elementos, de formas, de relações.
“os textos literários oferecem como input de língua para desenvolver as quatro habilidades lingüísticas fundamentais na aquisição de uma língua: compreensão leitora, compreensão auditiva, expressão oral e expressão escrita, dentro de um contexto cultural significativo”. Albadalejo (2007, p. 6).
"registra a evolução da ciência, tecnologia, jurisprudência, política, educação, ética, estética [...]” (TENORIO e REYZÁBAL, 1992, p. 32).
3. Qual o papel do TL para o ensino de língua?
1) Primeiro, os temas literários apresentados em seus textos possuem um caráter universal, fazendo com que o texto se aproxime do mundo do aluno.
2) TL é um material autêntico, logo, não foi desenvolvido para fins específicos fora da esfera artística e que, portanto, o aluno pode perceber através destes textos amostras de língua dirigidas a falantes nativos.
4. Fortes razões para incluir o TL em aulas de (E/LE)
(Albadalejo, 2007)
3) A carga de valor cultural que o TL apresenta, acarreta em um benefício para a transmissão de códigos sociais e de conduta da sociedade onde se fala a língua;
4) Oferece uma ampla riqueza linguística, tanto pelo vocabulário, como pelas estruturas sintáticas, variações linguísticas e estilísticas e formas de conectar as ideias;
5) O poder que dispõe em envolver o leitor para que se crie um compromisso pessoal com a obra (ou o texto) que lê.
5. Seleção dos textos!
(Albadalejo, 2007)
Nos livros didáticos (EM), que espaço ocupa o TL nas seções destinas ao desenvolvimento da habilidade leitora?
Coleções aprovadas pelo PNLD/2018 de espanhol- Ensino médio
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1:
Dado importante 2:
… se a literatura “registra” diferentes contextos da condição humana, acreditamos que, por meio desse registro materializado no texto literário (TL), a latinidade pode ser revelada e discutida nas aulas de língua espanhola durante a prática da atividade leitora.
América, no invoco tu nombre en vano.
Cuando sujeto al corazón la espada,
cuando aguanto en el alma la gotera,
cuando por las ventanas
un nuevo día tuyo me penetra,
soy y estoy en la luz que me produce,
vivo en la sombra que me determina,
duermo y despierto en tu esencial aurora
dulce como las uvas, y terrible,
conductor del azúcar y el castigo,
empapado en esperma de tu especie,
amamantado en sangre de tu herencia.
Pablo Neruda
...latinidade vem do latim Latinitas e se refere ao estudo da língua e da cultura latinas, bem como ao conjunto de povos de língua latina.
A noção de latinidade revela algumas faces.
I - O enfrentamento entre essas duas Américas encontrou sua expressão poética em “Las dos Américas” do colombiano José Maria Torres de Caicedo como expressado na estrofe abaixo:
Caicedo escreve esse poema da cidade de Veneza, em setembro de 1856, e publica no mês de fevereiro de 1857 no ‘El Correo de Ultramar’.
“Más aislados se encuentran, desunidos, / Esos pueblos nacidos para aliarse:/ La unión es su deber, su ley amarse:/ Igual origen tienen y misión;/ La raza de la América latina, / Al frente tiene la sajona raza,/ Enemiga mortal que ya amenaza/ Su libertad destruir y su pendón”.
O filósofo e político chileno, Francisco de Bilbao, também empregou o termo “latino” ao continente americano, precocemente, durante uma conferência realizada em Paris, em 22 junho de 1856, conclamando a uma unidade latino-americana. Nesse caso, Bilbao teria sido o primeiro hispano-americano a adotar a terminologia composta para dar mais ênfase ao seu manifesto.
“Pero la América vive, la América latina, sajona e indígena protesta, y se encarga de representar la causa del hombre, de renovar la fe del corazón, de producir, en fin, no repeticiones más o menos teatrales de la edad-media, con la jerarquía servil de la nobleza, sino la acción perpetua del ciudadano, la creación de la justicia viva en los campos de la República. […] La palabra circula en tus valles, visita las orillas de los grandes ríos, y brilla en los Andes para contemplar el firmamento poblado por la palabra de Dios. ¡Adelante, mundo de Colón, América de Maipo, Carabobo y de Ayacucho!”.
O sociólogo brasileiro Octavio Ianni (1993) defende que parte do pensamento e prática na AL organiza-se com base em interpretações sintetizadas em alguns conceitos:
(3) nossa América (formulada em 1891 pelo filósofo e intelectual cubano José Martí, com o intuito de emancipar América do domínio europeu e norte-americano)
(4) revoluções,
(5) castas e classes e a
(6) questão nacional (A base da construção da nação se ampara em seu território, população, história, bandeira, hino, moeda, mercado, comunicação, santos, ruínas, monumentos, língua, dialetos, literatura, produções culturais, derrotas, por exemplo)
Destes 9 TL empregados para a prática leitora, 7 são de autores LA.
Dado importante 2:
Evidências da latinidade nos TL selecionados para a seção de leitura na coleção:
Sequência
básica
Cosson (2009).
… se constitui como o momento de preparação do aluno antes de entrar no texto. Nessa etapa devem ser mobilizados mecanismos que estabeleçam aproximação do leitor com a obra de forma atrativa e que despertem no estudante o interesse pela leitura propriamente dita.
A motivação
… corresponde à fase em que se apresenta o autor e a obra. Mas é preciso ter sensibilidade para não fazer desta etapa um momento longo. Bastam informações básicas sobre o autor seguida da apresentação física da obra correspondente, ou do seu contexto de produção.
A introdução
Sequência didática para a prática leitora
… implica no contato efetivo com o texto. Pode se dar de maneira silenciosa ou não. Nesse momento, é possível ir acrescentando dados que possam ser relevantes à leitura ao posso em que ela se realiza. Também nessa etapa, à medida que a leitura vai se realizando, os dados hipotéticos mencionados para a motivação podem ir se confirmando ou não.
A leitura
… irá compor a parte de construção do sentido do texto em um diálogo que envolve autor, leitor e comunidade por meio de enunciados que constituem as inferências
A interpretação
Proposta 1:
Motivação
Introdução
TELEVISÃO (2) foi publicado em O Livro dos Abraços (1989);
É composto por 191 contos;
Essas histórias cobrem uma variedade de tópicos, como política; religião; cultura; sociedade; a literatura, a linguagem e as palavras, a voz humana, os leitores, os filhos, os sonhos, o medo, o esquecimento, a noite, a cultura, a arte...
Cada texto evoca diferentes experiências do autor, recuperando (tanto para si como para o leitor) uma vasta quantidade de experiências. Sobre Compromisso e Liberdade.
Leitura
La televisión / 2
�La televisión, ¿muestra lo que ocurre? En nuestros países, la televisión muestra lo que ella quiere que ocurra; y nada ocurre si la televisión no lo muestra. La televisión, esa última luz que te salva de la soledad y de la noche, es la realidad. Porque la vida es un espectáculo: a los que se portan bien, el sistema les promete un cómodo asiento.
➔Divulgar o link do EL LIBRO DE LOS ABRAZOS e pedir que eles escolham outro microrrelato para apresentar na próxima aula. (http://resistir.info/livros/galeano_el_libro_de_los_abrazos.pdf)
Interpretação
Como bem lembra Canclini (2008), os mercados de comunicação do continente latino-americano, que até o século XVII estiveram nas mãos da Espanha e Portugal e nas da França desde o XIX até o início do século XX, passam ao predomínio estadunidense nesses últimos séculos.
Érika Januza
Letícia Spiller
Proposta 2:
Motivação
I
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LINK YOU TUBE
Mi belleza
LECTURA
INTERPRETAÇÃO
1- En el poema el “yo lírico” afirma que su belleza es limpia, que no se disfraza y que no engaña. Cómo entiendes esa afirmación?”
2- En el verso “No es la clásica belleza eurocéntricamente hablando” . ¿Qué significa hablar de la belleza de una persona “ de una manera eurocéntrica? ¿Qué consecuencias dejan para nuestro país y para nuestro continente este padrón?
3- ¿ Qué lugar de habla ocupan estos autores em contexto latino-americano?
“Ao mencionar esse padrão e observando o contexto e o lugar de fala dos autores, seria oportuno propor um contraponto entre a imposição desse padrão de beleza, que considera apenas as pessoas brancas e europeias, com a realidade étnico-racial latino-americana. Importante mencionar também que a poeta além de mulher, Magia López é negra e assume o compromisso de reivindicar a voz da mulher afro-cubana. Mulher e negra. “
Proposta 2:
Motivação
Introdução:
Con su ritual de acero
sus grandes chimeneas
sus sabios clandestinos
su canto de sirenas
sus cielos de neón
sus ventanas navideñas
su culto a dios padre
y de las charreteras
con sus llaves del reino
el norte es el que ordena
pero aquí abajo abajo
el hambre disponible
recorre el fruto amargo
de lo que otros deciden
mientras que el tiempo pasa
y pasan los desfiles
y se hacen otras cosas
que el norte no prohíbe
con su esperanza dura
el sur también existe
con sus predicadores
sus gases que envenenan
su escuela de Chicago
sus dueños de la tierra
con sus trapos de lujo
y su pobre osamenta
sus defensas gastadas
sus gastos de defensa
son su gesta invasora
el norte es el que ordena
pero aquí abajo abajo
cada uno en su escondite
hay hombres y mujeres
que saben a qué asirse
aprovechando el sol
y también los eclipses
apartando lo inútil
y usando lo que sirve
con su fe veterana
el sur también existe
con su corno francés
y su academia sueca
su salsa americana
y sus llaves inglesas
con todos sus misiles
y sus enciclopedias
su guerra de galaxias
y su saña opulenta
con todos sus laureles
el norte es el que ordena
pero aquí abajo abajo
cerca de las raíces
es donde la memoria
ningún recuerdo omite
y hay quienes se desmueren
y hay quienes se desviven
y así entre todos logran
lo que era un imposible
que todo el mundo sepa
que el sur también existe.
L
e
c
t
u
r
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1 ¿Desde qué lugar habla el “yo” poético del poema?
2 ¿Qué nociones económicos sociales se puede asociar, a partir del poema, a cada hemisferio?
3 ¿Qué tipo de relación se establece entre el Norte, especialmente los EEUU, y el Sur a través de las imágenes que emplear el autor en el poema?
4 A través del poema, se puede percibir un contrapunto entre los norteamericanos y los latinoamericanos. Explica.
Interpretação
O poema ‘El sur también existe’ do uruguaio Mario Benedetti aborda o enfrentamento entre os países do norte e do sul, fazendo referência ao domínio dos países desenvolvidos, em particular os EUA, sobre os países latino-americanos.
Nesse poema, podemos notar que o poeta qualifica “os do norte” como desenvolvidos industrialmente e tecnologicamente; como possuidores de armas químicas; como consumistas e ricos, mas pobres socialmente por não socializarem as descobertas científicas. Já os países do sul, os latino-americanos, são descritos como frágeis, marginalizados, dependentes, sem importância mundial, porém é do sul onde saem pessoas que se esforçam e que lutam sem perder a fé, a esperança e que tratam de seguir em frente apesar de todas as dificuldades sociais, políticas e econômicas que lhes afetam.
Essa constatação revelada no discurso literário dialoga com as questões defendidas por Canclini (2008) e Mignolo (2005): o controle dos espaços, a apropriação de terras e do saber associadas ao acúmulo do capital nas mãos de uma minoria (norte-americana) reforça a marginalização de outros (LA). Também corresponde à discussão sobre colonialidade de poder, de que trata Quijano (2000), como um padrão mundial capitalista que estabelece relação entre dominadores/superiores e dominados/inferiores.
Fazer uso de um poema como este numa aula de língua espanhola, compreende uma discussão para além dos hemisférios: reflexão em torno da submissão dos países LA frente à dominação norte-americana, cenário que tanto marca a história econômica e político dos países da América Latina.
Dado importante 3:
Texto literário | Autor | Temática discutida na unidade a parir do TL | Cenário LA verificado no texto |
La televisión, (‘El libro de los abrazos’) |
Eduardo Galeano
|
Meios de comunicação. | Os mercados que dominam a comunicação como mecanismo de manipulação das informações. Questão nacional. |
Mi belleza |
Magia López e Alexei Rodriguez Mola |
Hipervalorização da beleza em detrimento a outras. | A presença dos afrodescendentes na construção étnica-racial do continente LA. Raça Cósmica. |
El sur también existe | � Mario Benedetti
|
Ambientes periféricos no mundo hispânico. | Enfrentamento entre os países do norte e do sul da AL, fazendo referência ao domínio dos países desenvolvidos, em particular os EUA, sobre os países latino-americanos. Conceito de nossa América. |
Entendemos que o conteúdo que esses textos literários trazem também merecem ser levados em consideração nas atividades que se propõem a trabalhar com a compreensão e a interpretação. Afinal de contas, interpretar representa ir além das entrelinhas e, nesse caso, cabe a discussão em torno de todas as particularidades que o texto pode revelar sobre a latinidade, a fim de permitir que o aluno se reconheça como partícipe desse subcontinente diante da aproximação de contextos que não são próprios dos países de fala hispânica em solo americano, mas que também diz respeito a nossa realidade sócio-histórica.
Além disso, apontar para as particularidades do cenário LA é uma forma de, através do ensino de língua espanhola, atendermos o que orienta a LDB em seu artigo 35, parágrafo III sobre uma das finalidades do EM: “o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico” (BRASIL, 1996, p.13). Além disso, a BNCC aponta para a necessidade de se compreender os processos identitários, conflitos e relações de poder que permeiam as práticas sociais de linguagem na formação do aluno de EM.
REFERÊNCIAS
ACQUARONI, R. (2007). Las palabras que no se lleva el viento: literatura y enseñanza de español como LE/L2. Madrid: Santillana Educación.
ACALBALADEJO, M. D. G. Cómo llevar la literatura al aula de ELE: de la teoría a la práctica. In MarcoELE. Revista de didáctica ELE. Nº 5, 2007. Disponível em:<https://marcoele.com/como-llevar-la-literatura-al-aula-de-ele-de-la-teoria-a-la-practica/>. Acesso em: 02 fev. 2009.
CANCLINI, G. Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade. Tradução Heloísa Pezza Cintrão, Ana Regina Lessa. 4. ed. 4. reimpr. São Paulo: Edusp, 2008. (Ensaios Latinoamericanos, 1).
IANNI, O. O labirinto latino-americano. Petrópolis/RJ, Vozes, 1993.
MIGNOLO. V. D. La ideia de América Latina. Barcelona: Editorial Gedisa, 2005.
QUIJADA, M. Sobre el origen y difusión del nombre América Latina. Revista de Indias, 1998. Disponível em: <http://digital.csic.es/handle/10261/9354>. Acesso em: 23 de abril de 2020.
TENORIO, P.; REYZÁBAL, Mª V. El aprendizaje significativo de la literatura. Madrid: La Muralla, S.A., 1992.