Páscoa é uma ilha Chilena, da Polinésia oriental, localizada no Oceano Pacifico Sul a 3.700 quilómetros de distância da costa do Chile. É de forma triangular e esse pedaço de terra, o mais isolado do mundo, ocupa uma área de 170 quilómetros quadrados e sua maior elevação é de 510 metros.
Nasceu de três vulcões que emergiram do mar em tempos diferentes e adormecidos desde que a ilha se encontra ocupada. A sua população, que já atingiu cerca de 15.000 habitantes, é hoje cerca de 3.800, dos quais a maioria vive na capital Hangoa-Roa.
Cratera vulcânica do RANO KAU
No período 600-800 DC as ilhas da Polinésia Oriental (Cook, Sociedade, Marquesas, Austrais, Tuamotu, Havaí, Nova Zelândia, Pitcairn e Páscoa) foram colonizadas, estimando-se que a primeira ocupação de Páscoa se deu um pouco antes de 900 DC, de acordo com a datações de algumas amostras de carvão e ossos de golfinhos, que asseguram a presença humana na praia de Anakena.
Há evidências de que os primitivos colonizadores de Páscoa eram polinésios, pois a sua cultura (incluindo os moais), o dialecto semelhante ao das ilhas do Havai e das Marquesas, os seus instrumentos (arpões, anzóis, enxós de pedra, limas de coral) e os crânios apresentavam uma característica polinésia conhecida como “mandíbula oscilante”. Além do referido as amostras de 12 esqueletos enterrados nas plataformas foram analisados e o estudo do ADN tem características que não ocorrem nos nativos americanos,
Embarcação da polinésia
O referido contraria a tese do explorador norueguês Thor Heyerdahl, de que a ilha de Páscoa foi colonizada através do Pacífico oriental, por grupos indígenas da América do Sul, que navegaram em jangadas, aproveitando as correntes e o vento a favor.
Os primeiros exploradores chegados deram á ilha nome de RAPA NUI, que significa “grande pedra” e, apesar de terem sua culturas diversas, o único ponto comum era o respeito pelos MANA (sábios que estudavam os astros e lhes indicavam tudo o que deveriam fazer incluindo os clã que deveriam dedicar-se à agricultura, á pesca ou mesmo construtores de estátuas (MOAIS).
Antes de tomarem qualquer decisão importante, os mana retiravam-se para junto de Te Pito Kura (o umbigo do mundo), uma pedra altamente mineralizada, onde colocavam as mãos para recolherem as energias necessárias.
O culto pelos mana manifestava-se principalmente após a morte: quando um mana morria, o corpo era envolto em folhas de árvore e colocado dentro de num círculo delimitado por pedras. Quando o corpo estava completamente decomposto, era lavado na água do mar e dos ossos eram feitos amuletos. O que sobrava do corpo e instrumentos utilizados no fabrico dos amuletos eram colocados num buraco e tapado por uma estátua (Moais), em pedra vulcânica encarnada, que representava o mana.
Os moais geralmente eram colocados sobre plataformas, os ahu, de costas para o mar, voltados para a sua aldeia para continuar a proteger os seus habitantes. Em toda a Ilha é possível encontrar mais de cem estatuas, sendo a maior delas de 22 metros, ainda inacabada...
Um MOAI inacabado…
No inicio do povoamento da ilha, a vida era muito simples pois os terrenos eram férteis. Os habitantes semeavam essencialmente batata-doce, inhame, bananas e coco, que produziam sem grande esforço e era a base da alimentação. As proteínas vinham da carne branca de galinhas, que também não necessitavam de grande acompanhamento para a sua criação. Assim os habitantes tinham muito tempo para se dedicarem à construção das estátuas, tarefa muito trabalhosa, tendo em conta que não havia equipamentos em metal , sendo espantoso como conseguiram fazer estátuas de pedra maciça de 22 metros de altura! E é Igualmente espantoso perceber como essas estátuas eram depois transportadas para os ahu, os altares espalhadas pela ilha. Os mais velhos ainda falam de como as estátuas “andavam” ou “caminhavam” pela ilha. Segundo nos contou Betty Rapu, a presidente da Associação de Guias de Turismo da ilha de Páscoa, criada para transmitir aos “estrangeiros” - e aqui também se incluem os chilenos - a história da ilha de Páscoa, muitas das estátuas eram transportadas de pé, deslizavando sobre pedras redondas do mar ou troncos de árvores, dando a impressão, a quem as via de longe, que estariam a caminhar...
Alguns séculos mais tarde chegou à ilha o lendário rei Hotu Matu'a, antecedido por sete valorosos navegadores exploradores. Diz a lenda que aportaram em Anakena, uma praia de areias brancas e de palmeiras. Também eles ficaram imortalizados para a eternidade com sete moai que representam os exploradores enviados para preparar a chegada do primeiro rei.
A população da ilha foi crescendo, tendo chegado a atingir entre 10 a 15 mil habitantes, um número muitíssimo superior ao que a ilha poderia suportar, tendo em conta que tem somente 180 quilómetros quadrados de superfície! Começaram a surgir invejas, ambições e lutas pelo poder. Muitos dos membros dos clãs que não detinham o poder começaram a insurgir-se contra o facto dele estar sempre nas mãos das mesmas clãs.
Ao mesmo tempo, o culto pelos mana foi desaparecendo, dando lugar ao culto pelo homem-pássaro, os Tangata Manu. O homem-pássaro era escolhido entre os guerreiros da ilha todos os anos, na Primavera, por ocasião da passagem das fragatas, que nidificam nuns ilhotes desabitados junto de Páscoa, Os escolhidos tinham que participar em diversas competições, que incluíam uma prova de natação até esses ilhotes onde procuram ovos e ganhava aquele que trouxesse o primeiro. O vencedor tinha então o poder de nomear a clã que iria governar e a que actividades económicas cada clã se iria dedicar.
Casal de fragatas e filhote
Pedras vulcânicas trabalhadas com motivos do HOMEM-PASSARO
Após o inicio do Culto do homem-pássaro os moai deixaram de representar os manas, mas o poder de cada clã. E as estátuas foram crescendo em altura e peso deixando de representar alguém sentado mas de pé. Também a pedra em que eram esculpidos passou a ser cinzenta, retirada dum outro vulcão continuando só chapéu a ser esculpido em pedra vulcânica encarnada. Cada clã que governava queria deixar um moai maior do que o do clã anterior...
Parece que a primeira expedição europeia a visitar a ilha foi do espanhol Gonzalez (1770), que nada registrou além de diários de bordo e, a 5 de Abril de 1722, o explorador Holandês Jacob Roggeveen atravessou o Pacífico partindo do Chile e, após 17 dias de viagem, desembarcou na ilha num domingo de Páscoa, daí o seu nome, que permanece até hoje.
O rongorongo foi o sistema de escrita dos povos da Ilha que, apesar de diversas tentativas, ainda não foi completamente decifrado. A maioria dos especialistas em Páscoa conclui que a invenção do rongo-rongo foi inspirada pelo primeiro contacto dos insulares com a escrita (desembarque espanhol de 1770),
Hoje a ilha de Páscoa vive essencialmente do turismo, continuando no seu estado natural e resistindo ao turismo de massa.
Os naturais tentam defender o melhor possível o seu pequeno Paraíso, tendo conseguido que o Chile respeite a sua língua natal, o rapa nui, o qual passou a ser ensinada nas escolas e declarasse a ilha como reserva natural. Para proteger a ilha da “invasões” de continentais e estrangeiros a terra/propriedade não pode sair da posse dos naturais.
COMO IR???
A Lan Chile é a única companhia aérea que voa para a ilha de Páscoa; o avião pode ser tomado em Santiago do Chile ou em Papeete, no Taiti. Há quatro voos semanais;
ONDE FICAR???
Não existem grandes hotéis na ilha de Páscoa. O alojamento é feito essencialmente em anexos das habitações dos naturais e algumas residenciais existentes.
ONDE COMER???
Há alguns restaurantes onde pode encontrar desde a gastronomia francesa até aos pratos polinésios, como o ceviche de atum e galinha agridoce.