Simbologia da técnica: a cena do Cáucaso
Umberto Galimberti
Simbologia da técnica: a cena do Cáucaso
Umberto Galimberti (1942)
Simbologia da técnica: a cena do Cáucaso
I Parte
SIMBOLOGIA DA TÉCNICA:
A CENA DO CÁUCASO
Simbologia da técnica: a cena do Cáucaso
Epígrafe:
A técnica é muito mais fraca que a necessidade.
ÉSQUILO. Prometeu acorrentado, v.514.
Prometeu Acorrentado, Theodoor Rombouts, 1620
Simbologia da técnica: a cena do Cáucaso
Sete pontos:
1 – O selo da necessidade
2 – O tempo que envelhece
3- O adeus aos deuses
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Sete pontos:
4 – O nascimento do homem
5 – A previsão secreta
6- A cega esperança
7 – O remédio para a dor
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1
O SELO DA NECESSIDADE
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1 – A invencibilidade do limite:
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Perda dos limites:
“Tudo ficou incerto. Não há mais controle sobre o projeto que o homem acalenta como impulso irresistível, para o qual não há um porto repousante. Onde não se conhece limite, ignora-se também o critério; e não é mais possível aquilo que, em outras épocas, o era, quando para uma previsão racional do futuro bastava olhar o passado.”
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2 – A inviolabilidade da natureza:
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A figura do INQUIETANTE
“muitas são as coisas inquietantes (deiná), mas nenhuma é mais do que o homem (deinóteros).
Antígona, de Sófocles
Homem,
senhor das técnicas
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Cidade antiga:
Natureza como lei.
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A JUSTA MEDIDA
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Dentro dessa visão cósmica, não podia nascer nenhum projeto que visasse à dominação do mundo.
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PARTES 🡨🡪 TODO
Soma quantitativa
Nota qualitativa
A PIEDADE CÓSMICA 🡪 relação entre o Múltiplo e o Uno.
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O TODO tem precedência sobre as PARTES e é melhor que do que elas.
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Filosofia Grega 🡨🡪 Sabedoria Oriental
Platão e Lao Tsé
Cosmos e Tao = Justa Medida
Dissolução com o nascimento da REPRESENTAÇÃO TÉCNICA.
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Mudança da relação COSMOS e PÓLIS
Antes 🡪 Cosmos definia a Pólis.
Agora 🡪 Pólis define Cosmos.
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Impossibilidade do paralelo:
Técnica avançada do Ocidente é ANTÍTESE da técnica antiga.
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Inversão da hierarquia dos saberes de Aristóteles:
SABEDORIA
PRÁXIS
PRODUÇÃO
Não são as ciências mais altas.
O homem não é o ser mais alto.
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2
O TEMPO QUE ENVELHECE
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EPÍGRAFE:
PROMETEU: o tempo que envelhece
acaba por ensinar todas as coisas.
HERMES: no entanto, tu ainda
não aprendeste a ser sábio.
(Versos 981-982)
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1 – O tempo da natureza:
Fragmento de Anaximandro:
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NIETZSCHE: tempo cíclico
O eterno retorno do igual.
FINAL e FINALIDADE: IDENTIDADE
O acabado é o perfectum porque está completo, porque não deixa nada fora de si.
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TÉLOS
TEL significa “girar em torno”, “cumprir por inteiro o próprio giro”.
TELEÓ é “levar a cumprimento”.
PERFICERE 🡪 PERFECTUM = completo, terminado.
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NIETZSCHE em Ditirambos de Dioniso:
Emblema da necessidade!
Do ser, constelação suprema,
Que nenhum desejo alcança,
Que a ninguém contamina,
Eterno sim do ser;
Eu sou eternamente o teu sim.
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Alcançar o TÉLOS = chegar ao FIM = à META da obra.
Enérgheia e Entelécheia
ENÉRGHEIA 🡪 pertence ao mundo mecanicista da natureza.
ENTELÉCHEIA 🡪 pertence ao mundo finalista da “projetualidade” humana.
ENTELÉS ÉCHO 🡪 “cheguei à conclusão” = estou completo.
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MORTE
TEMPO no TEMPO CÍCLICO
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2 – O tempo da técnica:
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Os termos:
SKOPÓS = “aquele que observa e vigia” e “o objeto fixado pelos olhos”, ALVO e META.
SKOPÉO = “visar algo antecipadamente”.
PROMETEU = Métheos (aquele que pensa) e Pró (antes).
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TEMPO de PROMETEU 🡪 FUTURO
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TEMPO
CÍCLICO é o tempo da natureza.
PROJETUAL é o tempo da técnica.
Nietzsche: o gosto amargo das ilusões.
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Do TEMPO QUE RETORNA ao TEMPO QUE ENVELHECE
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“a técnica nada mais persegue que o próprio crescimento, um mero ‘sim’ a si mesma.”
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3
O ADEUS AOS DEUSES
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EPÍGRAFE de NIETZSCHE
Como se poderá constranger a natureza a abandonar os seus segredos, a não ser opondo-se vitoriosamente a ela, isto é, mediante o que é inatural?
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1 – O homem habita a diferença
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Cf. Platão no Hípias Maior, Cármides e Crátilo:
TÉCHNE – DÝNAMIS – EPISTHÉME
fazer coisa – agir técnico – ciência
Especificidade 🡪 diferenças
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2 – Deus habita o indiferenciado
INDIFERENCIADO 🡪 pano de fundo pré-humano.
Emancipação do homem 🡪 gesto violento.
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DECISÃO
DE
CIDIR
Estabelecer o SENTIDO DAS COISAS.
Eliminar o horizonte indiferenciado.
Cortar (DE CAEDERE)
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RAZÃO = GESTO VIOLENTO
Dizer que algo é isto e não outra coisa é uma DECISÃO e não uma VERDADE.
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RAZÃO que impõe a DIFERENCIAÇÃO.
Exemplos:
O desejo incestuoso de Freud.
Édipo: decifrar e violar (Nietzsche)
Édipo rei, de Sófocles.
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PLATÃO
PSYCHÉ: o encantamento da natureza.
PHYSÉCHE: o que sustenta e move a natureza.
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HERÁCLITO
O homem considera uma coisa justa, e uma outra, injusta; para o deus tudo é belo, bom e justo.
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RAZÃO: identidade e diferença.
DEUS: confusão do indiferenciado.
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HERÁCLITO
Deus é dia e noite, inverno e verão, guerra e paz, saciedade e fome, e muda como o fogo quando se mistura com os odorosos perfumes, tomando continuamente o aroma deles.
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3 – A técnica como emancipação do humano em relação ao divino:
SÍMBOLO:
o mundo dos deuses
DIÁBOLOS:
o mundo da razão
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O mundo que eles [os deuses] habitam é o mundo do símbolo, na acepção grega que diz synbállein, “colocar junto”, onde não há distinção, onde a incapacidade de reconhecer a diferença é acompanhada da tendência de aboli-la com um gesto divino.
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FREUD
Símbolo é o mundo do INSCONSCIENTE.
NIETZSCHE
O mundo no instante de sua laceração.
O crime humano da violação do mundo e da conquista da diferença e do sagrado.
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CENÁRIO
Deus não cria mais os homens.
Os homens se emancipam de Deus.
Separação do horizonte simbólico.
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FOGO na mão dos homens:
princípio de ordem e civilização
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PROMETEU segundo Nietzsche
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O pressuposto do mito de Prometeu é o ilimitado valor que a humanidade ingênua atribui ao fogo, como a verdadeira salvaguarda da civilização ascendente: mas o homem dispor livremente do fogo e não o receber como um presente do céu, como fulgor incendiário ou como chama escaldante do Sol, parecia a estes arcaicos homens contemplativos um sacrilégio, um furto contra a natureza divina.
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E assim o primeiro problema filosófico coloca logo uma penosa e insolúvel contradição entre o homem e o deus e a instala como um rochedo no limiar de toda civilização. A coisa melhor e mais alta, da qual a humanidade pode participar, a conquista como um crime.
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4
O NASCIMENTO DO HOMEM
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Epígrafe
Pólemos, o pai de todas as coisas,
Alguns ele manifesta como deuses,
Outros, como homens.
Heráclito
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1 – O reconhecimento recíproco
URANO
CRONOS
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“Sua mãe o alertou de que o tempo em que se podia vencer com o uso da violência havia terminado e que o futuro pertencia a quem aprendesse a se servir do conhecimento.”
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ZEUS quis o EXTERMÍNIO DOS HOMENS
Prometeu os socorre fazendo deles:
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DIFERENÇA INSTAURADA
→ A ordem da violência se confronta com a ordem do conhecimento.
→ Aplicado às técnicas, “um dia terá um poder em nada inferior ao de Zeus.”
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NOVO ARRANJO CÓSMICO
Tomada de consciência do sofrimento
→ Sofrimento escrito num futuro irreversível, que nenhum deus pode modificar, porque tutelado pela invencível força da necessidade.
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ACORDO = NECESSIDADE
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PROMETEU RECONHECE
A técnica é muito mais fraca que a necessidade.
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QUEM GOVERNA A NECESSIDADE?
CORO: Quem governa a necessidade?
PROMETEU: As Moiras que tecem o fio e as Eríneas a partir da memória implacável.
CORO: E Zeus é mais fraco do que elas.
PROMETEU: Nem Zeus pode fugir ao que lhe foi destinado.
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MOIRAS: Cloto, Láquesis e Átropos (quadro de John Melhuish Strudwick, 1885).
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Fúrias (quadro de William Bouguereau, 1862)
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Fúrias (quadro de William Bouguereau, 1862)
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O QUE LHE FOI DESTINADO
Superação da ciclicidade do tempo
Instauração da projetualidade do tempo.
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RECONHECIMENTO RECÍPROCO
Aplacamento da cólera divina
“A cólera de Zeus aguarda.”
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Deus → violência do INDIFERENCIADO.
Homem → RAZÃO que deve arrancar de Deus a DIFERENÇA e defendê-la a todo custo.
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SOFRIMENTO MÚTUO
→ Na defesa do DIFERENTE, está o SOFRIMENTO.
“Prometeu sofre a violência de Zeus, mas Zeus sofre o segredo de Prometeu.”
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2 – A ORIGEM DA CONSCIÊNCIA
Três filhos de Zeus:
PROMETEU
HERACLES
DIONÍSIO
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PROMETEU
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HERACLES e o TOURO DE CRETA
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DIONÍSIO ou BACO
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PROTAGONISTAS CASTIGADOS
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CRISTIANISMO
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FILHOS DE ZEUS
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COMPOSIÇÃO SIMBÓLICA
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CONS-CIÊNCIA
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5
A previsão secreta
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EPÍGRAFE
Este não é o momento de revelar o segredo; é preciso mantê-lo oculto o máximo possível.
Ésquilo, Prometeu Acorrentado, v.522-524.
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1 – Saudade da inocência primitiva:
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HESÍODO
A técnica aparece como remédio concedido pelos deuses, depois que estes ocultaram dos homens as condições de vida.
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Porque tu poderias trabalhar por um dia e manter-se por um ano livre do trabalho; poderias sem delongas impor uma direção à fumaça da chaminé e fazer desaparecer o trabalho dos bois e o cansaço das mulas! Mas Zeus escondeu tudo isso.
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CONEXÃO entre:
Mítica idade de ouro
Técnica como remédio
Passado como saudade
Congelamento do tempo que virá.
Permissão da continuidade histórica.
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2 – O segredo de Prometeu:
A queda dos deuses e da visão mítica do mundo, incapaz de prefigurar a história que virá com a inauguração da técnica.
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A SITUAÇÃO e o MODO:
“Eu conheço a situação e o modo”.
Esse modo será o USO MAIS SÁBIO DO FOGO.
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3 – A História como progresso:
Previsão de Prometeu encerra a IDADE MÍTICA e abre a IDADE HISTÓRICA.
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SAUDADE e MEMÓRIA
Não há mais a saudade, que, idealizando o tempo passado, o fixa em sua imóvel perfeição como idade de ouro.
Mas a memória, que vê o passado como um tempo em que foi possível acumular essas experiências que permitem mover-se com mais agilidade no presente.
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SAUDADE
Experiência da desilusão.
Impossibilidade de reencontrar a inocência perdida.
Passado marcada pela simplicidade de vida.
Presente caracterizado pela artificiosidade da técnica.
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MEMÓRIA
“Operosa mãe das técnicas”.
Só por ela é possível encontrar as condições para o acontecimento futuro.
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NOSTALGIA e UTOPIA
A técnica olha com suspeitas para o passado e para o futuro.
Parecem à técnica disposições anti-históricas.
Propositoras de uma infância eterna.
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De fato, o que há de mais seguro do que um futuro totalmente igual ao passado?
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PREVISÃO SECRETA de PROMETEU
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6
A cega esperança
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