RAÍZES DA MALDIÇÃO �DOS FARAÓS
LUIZ HENRIQUE TORRES
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Prof. Dr. Luiz Henrique Torres (FURG)
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R2193 |
Raízes da Maldição dos Faraós / Luiz Henrique Torres. [ Recurso eletrônico ] Porto Alegre: Casaletras, 2022.
268 p. Bibliografia ISBN: 978-65-86625-55-4
1. História do Egito- 2. Maldição dos Faraós - 3. Egiptologia - I. Torres, Luiz Henrique - II. Título.
CDU: 83-1733 CDD: 960
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SUMÁRIO
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INTRODUÇÃO
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Os fundamentos históricos para analisar a veracidade da “maldição dos faraós” originadas no Antigo Egito deve ser buscado nos primórdios da ocupação do Rio Nilo entre o período pré-dinástico e o início do Antigo Império por volta de 3100 a.C.
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A ESFINGE EM GIZÉ É A GUARDIÃ DA SABEDORIA MILENAR. CARTÃO-POSTAL, 1905.
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INÚMERAS INVASÕES E GUERRAS A ESFÍNGE PRESENCIOU AO LONGO DE CINCO MIL ANOS. DIVERSIFICADAS RELIGIÕES E TECNOLOGIAS AQUI ESTIVERAM. "BONAPARTE DIANTE DA ESFINGE" JEAN-LEÓN GÉRÔME, 1868 (ACERVO: ART RENEWAL CENTER).
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Soldados britânicos e indianos posam para foto com a esfinge e pirâmide em Gizé durante a Primeira Guerra Mundial. https://www.historiailustrada.com.br
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Cargueiro militar do Exército dos EUA sobrevoa as Pirâmides de Gizé, em outubro de 1943. (AP Photo). A II Guerra Mundial sobrevoa o Egito.
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EGITO: ATUAL LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA
O Egito ou República Árabe do Egito é um país localizado entre o nordeste da África e o sudoeste da Ásia. É um país mediterrâneo que faz fronteira com Israel, o território palestino em Gaza, Líbia e Sudão. É banhado pelo Mediterrâneo e pelo Mar Vermelho. Localizado no extremo leste do deserto do Saara tem o clima predominante desértico, um relevo plano e a dependência das águas do Rio Nilo.
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FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA CIVILIZAÇÃO EGÍPCIA �
MAPA DO ANTIGO EGITO. In: HISTÓRIA GERAL DA ÁFRICA VOL. 2.
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FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA CIVILIZAÇÃO EGÍPCIA
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OS NOMOS� IN: MORETA, 1927.
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Aegyptus Antiqua, 1765. Atlas Generale de D Anville. In: Description de l’Egypte.
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EGIPTOLOGIA/EGIPTOMANIA
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EGIPTOLOGIA/EGIPTOMANIA
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EGIPTOMANIA
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D. PEDRO E A EGIPTOMANIA
Uma forma de apropriação do Egito faraônico é a charge. No caso, o caricaturista republicano Angelo Agostini na Revista Ilustrada (RJ) de 1871 que reproduz a esfinge com o rosto de D. Pedro II. In: BAKOS, 2004.
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A “mania” ligada ao Egito levou inclusive a escalada das pirâmides pelos turistas.
Henri Béchard, 1880. Acervo: National Geographic.
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O COLECIONISMO MUITAS VEZES ESTEVE ASSOCIADO AO ROUBO DE RELÍQUIAS. STEFANO BIANCHETTI/CORBIS. SMITHSONIANMAG.COM
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NAPOLEÃO E SEU FASCÍNIO: O EGITO É REDESCOBERTO PELO OCIDENTE. Acervo: Descrição do Egito, vol.5, década de 1810.
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DESCRIÇÃO DO EGITO. CARTA TOPOGRÁFICA, 1798-1801.
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PLANTA FRANCESA DO BAIXO EGITO EM 1798. DESCRIÇÃO DO EGITO DÉCADA DE 1810.
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A expedição de Napoleão ao Egito, a partir de 1798, promoveu a Egiptologia na Europa. A esfinge, parcialmente coberta pela areia, foi redescoberta. Teve seu nariz destruído em 1378 por um fundamentalista iconoclasta que desejava destruir um símbolo pagão que era cultuado pelos camponeses egípcios. Atentamente, a Esfinge observou/observa a tortuosa caminhada da humanidade.
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CAMPANHA DO EGITO
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CAMPANHA DO EGITO
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CAMPANHA DO EGITO. ACERVO: MANUEL MOURÃO, COMMONS.WIKIMEDIA
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BONAPARTE COM OS SÁBIOS FRANCESES NO EGITO. ELA ESTÁ OBSERVANDO UMA MÚMIA. MAURICE HENRI ORANGE DÉCADA DE 1890.
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BATALHA DAS PIRÂMIDES 1798, FRANÇOIS WATTEAU. ACERVO:�MUSEU DE BELAS ARTES DE VALENCIANES.
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BATALHA DAS PIRÂMIDES. LOUIS-FRANÇOIS LEUJENE, �1808. MUSÉE NATIONAL DES CHATÊAUX DE VERSAILLES.
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NASCIMENTO DA EGIPTOMANIA NA FRANÇA. �PLANTA DO VALE DOS REIS EM 1800.
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OBRA - DESCRIÇÃO DO EGITO
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DESCRIÇÃO DO EGITO. FRONTISPÍCIO DA PRIMEIRA EDIÇÃO 1809. PERSPECTIVA DO EGITO: DA ALEXANDRIA A PHILAE.
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DESCRIÇÃO DO EGITO. FRONTISPÍCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO, 1809.
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DESCRIÇÃO DO EGITO, 1809. TEMPLO DE ÍSIS NA ILHA DE PHILE.
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DESCRIÇÃO DO EGITO. FRAGMENTOS DE ESTÁTUAS MORTUÁRIAS EM TEBAS (ATUAL LUXOR) IMEDIAÇÕES DO VALE DOS REIS.
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DESCRIÇÃO DO EGITO, 1811. HIERÓGLIFOS EM TEBAS.
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DESCRIÇÃO DO EGITO. Vol 2, 1810. PINTURAS EM SARCÓFAGOS. TEBAS.
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DESCRIÇÃO DO EGITO, VOL. 2, 1810. HIERÓGLIFOS.
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DESCRIÇÃO DO EGITO (PUBLICADO EM 1822). ESFINGE E GRANDE PIRÂMIDE. ARTISTAS: CONTÉ E SCHROEDER.
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A EGIPTOLOGIA FRANCESA DESENCADEOU UM AMPLIADO INTERESSE NO EGITO E NO RETRATAR ICONOGRÁFICO. PIRÂMIDES EM GIZÉ, DAVID ROBERTS, 1839. ACERVO: BIBLIOTECA DO CONGRESSO AMERICANO.
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GIZÉ. FOTÓGRAFO BONFILS, DÉCADA DE 1870. BIBLIOTECA NACIONAL DO RIO DE JANEIRO.
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GIZÉ. FOTÓGRAFO ANTÔNIO BENTO, 1862-1873. ACERVO: BIBLIOTECA NACIONAL DO RIO DE JANEIRO.
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D. PEDRO II E COMITIVA EM GIZÉ, 1871. BIBLIOTECA NACIONAL DO RIO DE JANEIRO.
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CANAL DE SUEZ
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Vendedor de múmias no Egito, 1875. Fotógrafo: Félix Bonfils.
O artefato de maior atração na divulgação da Egiptomania foram as múmias. Esta iconoclastia Ocidental será o fruto mais consumido.
Mas o que é a mumificação?
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MUMIFICAÇÃO. Card Liebig, 1925.
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MUMIFICAÇÃO
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MUMIFICAÇÃO
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MUMIFICAÇÃO
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MUMIFICAÇÃO
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MUMIFICAÇÃO
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MUMIFICAÇÃO
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ANÚBIS
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AS MÚMIAS COMO MERCADORIA
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PÓ DE MÚMIA. MUSEU DE HAMBURGO.
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PÓ DE MÚMIA
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TINTA “MARROM MÚMIA”. ACERVO: HARVARD ARTS MUSEUM.
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TINTA “MARROM MÚMIA”
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APRESENTAÇÃO EM QUE UMA MÚMIA DE TEBAS SERIA DESENBRULHADA EM 1850.
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SHOW DE DESENROLAR MÚMIAS
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COLECIONISMO DE MÚMIAS
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TRATADO MÉDICO SOBRE MÚMIAS DE PETTIGREW (1834)
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CIRURGIÃO PIONEIRO EM AUTÓPSIAS NAS MÚMIAS EGÍPCIAS
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PETTIGREW
O cirurgião inglês Thomas Pettigrew promoveu em 1821, num apelo pseudocientífico como encontros para médicos, espetáculos em que se desenrolavam múmias no Teatro de Piccadilly em Londres. As apresentações se tornaram populares e impulsionaram as atividades públicas e particulares que necessitavam de um número cada vez maior de múmias para serem desembrulhadas e identificadas: sexo, idade e objetos que estavam embalados em seu interior etc. Entre a repugnância e a curiosidade, a profanação de corpos enterrados ritualmente, se tornou uma moda. Era a “múmia kinder”.
Pettigrew acumulou grandes conhecimentos nesta “arte” de exumação e publicou um livro referencial para os estudos científicos no ano de 1834: História das Múmias Egípcias.
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EXPOSIÇÃO EGÍPCIA EM LONDRES NO PICCADILLY em 1828.
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DISSECAÇÃO DE MÚMIA NO CAIRO EM 1886. ORGANIZADA PELO EGIPTÓLOGO FRANCÊS GASTON MASPERO E OBSERVADA POR MILITARES EUROPEUS.
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DISSECAÇÃO DE UMA MÚMIA – QUADRO DE PAUL DOMINIQUE PHILIPPOTEAUX – 1891.
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MANCHESTER EM 1908. ARQUEÓLOGA MARGARET �MURRAY E A MÚMIA DE KHNUM-NAKHT.
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O INTERESSE POR MÚMIAS NA INGLATERRA SE ESTENDEU PELO SÉCULO XIX E FOI OBJETO PARA A CARICATURA SATÍRICA. CHARGE DE THOMAS ROWLANDSON (1806).
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O NASCIMENTO DA LITERATURA SOBRE A MALDIÇÃO DOS FARAÓS/MÚMIAS
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JANE LOUDON – 1827 (A MÚMIA)
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THE MUMMY!
A TALE OF THE TWENTY-SECOND CENTURY.
By Jane Webb (Mrs. Loudon).
"Why hast thou disquieted me, to bring me up?"�I Sam., xxviii. 15.�
LONDON: HENRY COLBURN, NEW BURLINGTON STREET.
1827.
JANE LOUDON
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JANE LOUDON
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MARY SHELLEY
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DIE MUMIE VON ROTTERDAM. GEORG �DÖRING. 1829.
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A MÚMIA DE ROTTERDAM
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THÉOPHILE GAUTIER :�O PÉ DA MÚMIA
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EDGAR ALLAN POE: PEQUENA CONVERSA COM UMA MÚMIA (1845)
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EDGAR ALLAN POE (1845)
O conto “Pequena Conversa com uma Múmia” foi originalmente publicado por Edgar Allan Poe no periódico American Review de abril de 1845. A narrativa trata de um grupo de cientistas norte-americanos liderados pelo Dr. Ponnonner, que realizaram uma expedição científica as montanhas da Líbia e trouxeram uma múmia encontrada em uma gruta. O conto é satírico e humorístico pois Poe busca evidenciar a arrogância científica do tempo em que viveu e descaracterizar o pensamento moderno de que o passado reflete o atraso civilizatório. Ao ganhar vida, a múmia Allamistakeo, passa a dialogar com os cientistas e expor conhecimentos da antiguidade que constrange os conhecimentos científicos da modernidade norte-americana da década de 1840.
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EDGAR ALLAN POE (1845)
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ROMANCE DA MÚMIA PUBLICADO POR THEOFILE GAUTIER EM 1858. CAPA DA EDIÇÃO DE 1901.
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O ROMANCE DA MÚMIA
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O ROMANCE DA MÚMIA
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ROMANCE DA MÚMIA (EDIÇÃO DE 1920)
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O ROMANCE DA MÚMIA (EDIÇÃO DE 1931)
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LOUISA MAY ALCOTT – 1869� “PERDIDO EM UMA PIRÂMIDE: A MALDIÇÃO DA MÚMIA”
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LOUISA MAY ALCOTT – 1869�“PERDIDO EM UMA PIRÂMIDE: A MALDIÇÃO DA MÚMIA”
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LOUISA MAY ALCOTT – 1869�“PERDIDO EM UMA PIRÂMIDE: A MALDIÇÃO DA MÚMIA”
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LOUISA MAY ALCOTT – 1869�“PERDIDO EM UMA PIRÂMIDE: A MALDIÇÃO DA MÚMIA”
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LOUISA MAY ALCOTT – 1869�“PERDIDO EM UMA PIRÂMIDE: A MALDIÇÃO DA MÚMIA”
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ARTHUR CONAN DOYLE�O ANEL DE THOTH (1890)
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ARTHUR CONAN DOYLE�O ANEL DE THOTH (1890)
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Conan Doyle. Lot. N. 249. Harper’s Monthly Magazine, setembro de 1892, p. 525. Ilustração de William T. Smedley. In:https://www.arthur-conan-doyle.com
Reprodução de uma página da primeira edição publicada do conto Lote nº 249 no ano de 1892. Na ilustração, um detalhe da Igreja na Universidade de Oxford.
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ARTHUR CONAN DOYLE�LOTE nº 249
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Conan Doyle, Lot. 249. Edição de 1906. In: https://www.arthur-conan-doyle.com Ilustração Martin Van Maële (Société d’Édition et de Publications, setembro de 1906).
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ARTHUR CONAN DOYLE�LOTE nº 249
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Conan Doyle, Lot. 249. Edição de 1906. In: https://www.arthur-conan-doyle.com Ilustração Martin Van Maële (Société d’Édition et de Publications, setembro de 1906
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ARTHUR CONAN DOYLE�LOTE nº 249
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Conan Doyle, Lot. 249. Edição de 1906. In: https://www.arthur-conan-doyle.com Ilustração Martin Van Maële (Société d’Édition et de Publications, setembro de 1906).
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Conan Doyle, Lot. 249. Edição de 1906. In: https://www.arthur-conan-doyle.com Ilustração Martin Van Maële (Société d’Édition et de Publications, setembro de 1906).
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Conan Doyle, Lot. 249. Edição de 1906. In: https://www.arthur-conan-doyle.com Ilustração Martin Van Maële (Société d’Édition et de Publications, setembro de 1906).
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Conan Doyle, Lot. 249. In: https://www.arthur-conan-doyle.com Ilustração de Antoine-Marie Raynolt em La Lecture (dezembro de 1898.
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Conan Doyle. La momie-vivante (Lot. N. 249). Ilustração: Frederic Rouff, 1923-1924. https://www.arthur-conan-doyle.com
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BRAM STOKER "A JÓIA DAS SETE ESTRELAS“ (1903)
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BRAM STOKER
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BRAM STOKER
Wilde e Richard Francis Burton. Ele estudou em Dublin no Trinity College que se destacou em Orientalismo e Egiptologia.
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AGATHA CHRISTIE – 1924
Este conto da “rainha do crime” foi publicado em 1924 no contexto da descoberta da tumba de Tutankamon e seus desdobramentos sobrenaturais tão difundidos na imprensa mundial. A associação de mortes, como a de Carnarvon, trazendo a tona a “maldição dos faraós” instigou Agatha Christie a contrapor a especulação da imprensa com um raciocínio lógico neste conto “A Aventura da Tumba Egípcia”.
No conto escavações realizadas por dois ingleses próximo ao Cairo, em Gizé, resultam na descoberta de uma série de câmaras funerárias, entre as quais, a tumba do faraó Men-her-Ra da VIII dinastia com capital em Mênfis. Após a descoberta começou a ocorrer a morte de participantes da escavação e a imprensa creditou os fatos a “maldição do faraó” que teve sua tumba profanada: “o poder mágico do antigo Egito passou a ser exaltado a um ponto quase fetichista”. Poirot é convidado pela viúva de um arqueólogo morto em situação trágica para investigar o que realmente ocorreu com o seu marido. A narrativa foi construída para, paralelamente a cobertura sensacionalista da imprensa em relação a tumba de Tutankamon, propor uma interpretação fundada em observação rigorosa dos eventos e explicações lógicas e racionais. É uma resposta as ocorrências do seu tempo e, possivelmente, rechaçar a abordagem mágica proposta por Conan Doyle.
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AGATHA CHRISTIE – 1924
Agatha Christie demonstrava ter algumas leituras de história do Egito e conduz a sua narrativa para um desfecho ligado a assassinatos premeditados por interesses materiais e concretos de apropriação do alheio. Manteve-se coerente a sua literatura policial. Ela colocou no enredo o personagem de Anúbis, que não passava de uma fantasia humana de Anúbis. Agatha flerta com leituras sagradas como O Livro dos Mortos para desmistificar a suposta crença egípcia em maldições. Numa passagem do conto a escritora fala a Hercule Poirot que descrê na divulgação tendenciosa da mídia expandida ao pensamento popular de que a estranha sucessão de mortes relacionadas com a tumba de Men-her-Ra seria uma “prova incontestável da vingança de um faraó do passado contra os profanadores”.
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AGATHA CHRISTIE – 1924
Para Poirot, tal crença “é absolutamente contrária a todas as crenças e pensamentos dos antigos egípcios”. Interessante é o escrito ter sido lançado no contexto dos acontecimentos que seriam amplificados nos anos seguintes e na contramão do sensacionalismo que vigorava. Especialmente, se fizermos um contraponto com outro autor de literatura policial que é Conan Doyle que seguiu um caminho radicalmente oposto ao da “dama do crime”.
Neste conto temos a temática da “maldição” em decorrência do fato histórico da descoberta da tumba de Tutankamon e a cobertura da imprensa frente às mortes. A ficção se amparou nos episódios de 1923.
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ELIZABETH PETERS – egiptóloga autora de 19 livros populares sobre o Antigo Egito. Amelia Peabody é a personagem central das publicações iniciadas em 1975. Este livro da série foi lançado em 1981.
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RAMSÉS, O MALDITO
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RAMSÉS, O MALDITO
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A LITERATURA COMO OBJETO DE ANÁLISE
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PAPEL MOEDA EGÍPCIO COM O MONUMENTO DE ABU SIMBEL
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A MALDIÇÃO DE TUTANKÂMON
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O VALE DOS REIS. ENTRADA DE UMA TUMBA REAL, 1821, EDWARD DE MONTULE.
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O VALE DOS REIS
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Porta da tumbá do faraó Tutankâmon, em 1922, ainda com o lacre original descoberto por Carter.
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Máscara mortuária de Tutankâmon. Museu Egípcio do Cairo.
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Pintura em caixa encontrada na tumba. Acervo: Museu Egípcio do Cairo.
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A TUMBA DE TUTANKÂMON
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LORD CARNARVON
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CARNARVON
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LORD CARNARVON
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A ESCAVAÇÃO
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HOWARD CARTER
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CARTER
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A TUMBA
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A TUMBA
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Área das pesquisas no Vale dos Reis
Vista geral da tumba de Tutankâmon na The Illustrated London News de 17 de fevereiro de 1923.
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OS ARTEFATOS ENCONTRADOS
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OS ARTEFATOS ENCONTRADOS
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Primeiras fotografias dos artefatos encontrados na tumba. O fotógrafo Harry Burton realizou mais de 3 mil fotografias referente a descoberta. Acervo: Griffith Institute, Oxford University.
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O local da escavação/análise dos artefatos se tornou um “pesadelo” devido a frequência de turistas e jornalistas.
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VIGILÂNCIA POLICIAL
A segurança da tumba de Tutankâmon foi rigorosa frente a frequência de turistas e curiosos. A maior preocupação residia na “visita” por traficantes de obras de arte que haviam sido atraídos pela repercussão internacional nas mídias da época. Esta fotografia é de 16 de dezembro de 1922 publicada no The Illustrated London News.
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Menino egípcio com um colar da tumba. A participação dos egípcios na escavação foi indispensável para sua realização.
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A COBERTURA DA IMPRENSA – novembro de 1922
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THE TIMES, 17-02-1923. FOTOGRAFIAS: HARRY BURTON.
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A COBERTURA DA IMPRENSA
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A COBERTURA DA IMPRENSA
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CONAN DOYLE E OS ELEMENTAIS
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CONAN DOYLE E OS ELEMENTAIS
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CONAN DOYLE E OS ELEMENTAIS
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CONAN DOYLE E OS ELEMENTAIS
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Revista O Malho 26-11-1932.
A imprensa sensacionalista passa a ligar acontecimentos como o apagar de luzes no Cairo com o sobrenaturalismo da ação do faraó. Aqueles que visitaram a tumba e ficaram doentes ou morreram foram associados com a maldição.
A circulação de notícias alcançou os jornais e revistas da maioria dos países. Inclusive no Brasil.
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REVISTA DO RADIO (1926).
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Jornal O Malho, RJ, 18-01-1930.
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THE ILLUSTRATED LONDON NEWS
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EDIÇÃO ESPECIAL DO THE ILLUSTRATED LONDON NEWS 24-02-1923.
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CARNARVON, O DESENCADEAR
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CARNARVON, O DESENCADEAR
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CARNARVON, O DESENCADEAR
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COLEÇÃO DE POSTAIS DA DÉCADA DE 1920. Artefatos encontrados na tumba.
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O arqueólogo Howard Carter examinando o sarcófago de Tutancâmon (Mansell/LIFE Pictures).
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O CINEMA...
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A MÚMIA NO CINEMA
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A LOJA DE CURIOSIDADES ASSOMBRADA (1901)
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A MÚMIA NO CINEMA
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A MÚMIA DE 1932 – O GRANDE CLÁSSICO
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A MÚMIA – O ROTEIRO
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A MÚMIA – O ROTEIRO
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A MÚMIA – O ROTEIRO
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A MÚMIA – A DIREÇÃO
Karl Freud foi o diretor e impôs à filmografia elementos fundados no expressionismo alemão num momento em que se firmava o cinema falado nos Estados Unidos. Seu trabalho de câmara foi inovador e dirigiu mais de 100 filmes entre eles O Golem, Metrópolis, Drácula e Terra dos Deuses.
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NINA WILCOX PUTNAN – ARGUMENTO INICIAL DO FILME A MÚMIA (1932)
Romancista, roteirista e dramaturga. É autora de mais de 500 contos. A história original de A Múmia foi escrito por ela e por Richard Schayer. Porém, ficou muito distante do roteiro do filme escrito por Balderston.
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JOHN BALDERSTON – ROTEIRISTA DE A MÚMIA (1932)
Balderston participou da cobertura jornalística da descoberta da tumba de Tutankâmon. In loco vivenciou o potencial de uma história que trabalhando o Egito faraônico poderia inserir uma temática de amor, maldição e vingança para atrair o público cinéfilo.
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A PAIXÃO MILENAR
Os atores principais foram Boris Karloff (Imothep e Ardath Bey) e Zita Johann (Helen).
A sessão de maquiagem feita em Karloff durava oito horas e eram brutais para a pele: algodão, graxa e cola, mistura que depois de seca era muito dolorosa para retirar. Ele deve ter sentido o peso dos milênios em carregar uma múmia e sua maldição.
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CENÁRIO COM ÍSIS.
Fotografia de divulgação do filme em que Zita Johann está em frente a uma estátua de Ísis. Este cenário foi escolhido para o epílogo do filme e a ruptura da maldição.
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UNIVERSAL MONSTERS
Coleção de miniaturas colecionáveis lançada pela Universal e produzida pela Diamond Select.
Boris Karloff em seus sarcófago no filme A Múmia de 1932. Acervo: LHT.
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HISTÓRIA E FICÇÃO
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IMHOTEP EXISTIU?
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CONTINUAÇÃO DO CICLO DA UNIVERSAL�A MÃO DA MÚMIA (1940)
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A MÃO DA MÚMIA (1940)
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A TUMBA DA MÚMIA (1942)
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A TUMBA DA MÚMIA (1942)
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�O FANTASMA� DA MÚMIA�(1944)
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O FANTASMA DA MÚMIA (1944)
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O FANTASMA DA MÚMIA (1944)
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A MALDIÇÃO DA MÚMIA (1944)
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A MALDIÇÃO DA MÚMIA (1944)
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A MALDIÇÃO DA MÚMIA (1944)
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�CICLO �DA �HAMMER �– A MÚMIA� (1959)
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CICLO DA HAMMER
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A MÚMIA (1959)
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A MÚMIA (1959)
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A MALDIÇÃO DA TUMBA DA MÚMIA
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A MALDIÇÃO DA TUMBA DA MÚMIA
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A MALDIÇÃO DA TUMBA DA MÚMIA
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A MORTALHA DA MÚMIA (1967)
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A MORTALHA DA MÚMIA
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A MORTALHA DA MÚMIA
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SANGUE NO SARCÓFAGO DA MÚMIA (1971)
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SANGUE NO SARCÓFAGO DA MÚMIA (1971)
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SANGUE NO SARCÓFAGO DA MÚMIA (1971)
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SANGUE NO SARCÓFAGO DA MÚMIA (1971)
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RETORNO DA UNIVERSAL
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A MÚMIA (1999)
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A MÚMIA (1999)
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O RETORNO� DA MÚMIA (2001)
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O RETORNO DA MÚMIA (2001)
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A MÚMIA: A TUMBA DO IMPERADOR DRAGÃO (2008)
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A MÚMIA: A TUMBA DO IMPERADOR DRAGÃO (2008)
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DARK UNIVERSE OU UNIVERSAL MONSTERS
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A MÚMIA (2017)
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A MÚMIA (2017)
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MÚMIA (2017) UNIVERSAL FILMES.
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A MALDIÇÃO: RAÍZES HISTÓRICAS
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A MALDIÇÃO: RAÍZES HISTÓRICAS
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A MALDIÇÃO: RAÍZES HISTÓRICAS
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A MALDIÇÃO: RAÍZES HISTÓRICAS
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A MALDIÇÃO: RAÍZES HISTÓRICAS
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A MALDIÇÃO: RAÍZES HISTÓRICAS
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A MALDIÇÃO: RAÍZES HISTÓRICAS
Na tumba de Petety e sua esposa, havia a seguinte maldição:
“Escutem todos! O sacerdote de Hathor castigará em dobro aquele que entrar nesta tumba ou fizer qualquer mal a ela. Os deuses o confrontarão, pois sou honrado pelo seu Senhor. Os deuses não permitirão que qualquer coisa aconteça a mim. O crocodilo, o hipopótamo e o leão devorarão aquele que causar qualquer malefício a minha tumba”.
Portanto, alguns exemplos existem de maldições contra os invasores. Frente às inumeráveis mensagens encontradas nas tumbas, templos etc, são aparições raras. Além do mais estas maldições devem ter sido indiferentes aos milhares de saqueadores que pilharam as necrópoles egípcias...
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RELIGIOSIDADE EGÍPCIA
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A “MALDIÇÃO” VEM DO LIVRO DOS MORTOS?
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LIVRO DOS MORTOS
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LIVRO DOS MORTOS
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LIVRO DOS MORTOS
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A MALDIÇÃO ESTÁ NO LIVRO DE THOT?�
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OU É UMA CRIAÇÃO FICCIONAL?
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���QUAIS AS RAÍZES HISTÓRICAS DE UMA MANIFESTAÇÃO CULTURAL COMO A MALDIÇÃO DOS FARAÓS?
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QUAIS AS RAÍZES HISTÓRICAS DE UMA MANIFESTAÇÃO CULTURAL COMO A MALDIÇÃO DOS FARAÓS?
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QUAIS AS RAÍZES HISTÓRICAS DE UMA MANIFESTAÇÃO CULTURAL COMO A MALDIÇÃO DOS FARAÓS?
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QUAIS AS RAÍZES HISTÓRICAS DE UMA MANIFESTAÇÃO CULTURAL COMO A MALDIÇÃO DOS FARAÓS?
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BIBLIOGRAFIA
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ACERVOS E FONTES
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CARTÃO POSTAL DE 1905 COM SELOS E CARIMBOS EGÍPCIOS (PERÍODO 1866-1900).
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