Uma reflexão sobre vínculos
Pamela Suelen Wildner Radl
Cristine Maria Warmling
Uma reflexão sobre
vínculos
Pamela Suelen Wildner Radl
Cristine Maria Warmling
1ª Edição
Porto Alegre-RS
2025
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Faculdade de Medicina
Programa de Pós-Graduação em Ensino na Saúde - Mestrado Profissional
Pamela Suelen Wildner Radl
Cristine Maria Warmling
Entrelaços o jogo:
Uma reflexão sobre vínculos
1ª Edição
UFRGS
Porto Alegre
2025
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Reitora: Profa. Marcia Cristina Bernardes Barbosa
Vice-Reitor: Prof. Pedro de Almeida Costa
Pró-Reitoria de Graduação: Profa. Nádya Pesce da Silveira
Pró-Reitoria de Pós-Graduação: Profa. Claudia Wasserman
Pró-Reitoria de Pesquisa: Prof. Flavio Pereira Kapczinski
Pró-Reitoria de Extensão: Profa. Daniela Borges Pavani
Pró-Reitoria de Planejamento e Administração: Prof. Diogo Joel Demarco Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas: Arthur Gustavo dos Santos Bloise Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis: Profa. Natalia Pietra Mendez
Faculdade de Medicina
Diretora: Profa. Cristiane Bauermann Leitão
Vice-Diretor: Prof. Leandro Meirelles Nunes
Programa de Pós-Graduação em Ensino na Saúde - Mestrado Profissional
Coordenadora: Camila Giugliani
Coordenadora Adjunta: Cristine Maria Warmling
Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida, desde que citada a fonte.
DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)
(Bibliotecária Shirlei Galarça Salort – CRB10/1929)
U58e Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Programa de
Pós-Graduação em Ensino na Saúde
Entrelaços o jogo: uma reflexão sobre vínculos/ Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Pamela Suelen Wildner Radl e Cristine Maria Warmling – Porto Alegre: PPGENSAU, 2025.
28p.
ISBN: 978-65-5973-561-7
1. Atenção Primária à Saúde 2. Jogo 3. Vínculo I. Radl, Pamela Suelen Wildner II. Warmling, Cristine Maria III Título.
NLM: W18
SUMÁRIO
REFERENCIAL TEÓRICO CONCEITUAL..................................................5
PERCURSO METODOLÓGICO..................................................................7
Elaboração Pedagógica do Jogo......................................................................8
DESCRIÇÃO DO PÚBLICO ALVO.............................................................9
DESCRIÇÃO DO MATERIAL PROPOSTO................................................9
Avaliação e possíveis indicadores.................................................................11
MANUAL DO FACILITADOR....................................................................12
CARTAS DO JOGO..................................................................................14
RESUMO
��“EntreLaços 0 Jogo”, um produto técnico em formato de jogo de cartas, desenvolvido no âmbito do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde da UFRGS. Inspirado em pesquisa qualitativa com enfermeiras da Atenção Primária à Saúde, o jogo visa promover reflexões sobre o vínculo entre profissionais e usuários do Sistema Único de Saúde articulando ludicidade, escuta e construção coletiva de saberes. O material foi estruturado com base em dados empíricos e referenciais teóricos da saúde coletiva, sendo composto por 32 cartas organizadas em quatro categorias: narrativas, desafios, perguntas provocadoras e obstáculos vivenciados na prática. O jogo estimula o pensamento crítico, a empatia e a corresponsabilidade no cuidado, alinhando-se às diretrizes da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde e da Política Nacional de Humanização. Seu público-alvo inclui estudantes e profissionais da saúde, e sua aplicação é recomendada em reuniões de equipe, oficinas, espaços formativos e ações de integração ensino-serviço. “EntreLaços: o jogo” configura-se como ferramenta pedagógica acessível, criativa e situada, que contribui para a valorização do vínculo como dimensão essencial da prática em saúde e para a qualificação do cuidado.
Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde; Vínculo; Jogo.
INTRODUÇÃO
A pesquisa “EntreLaços: o vínculo como cuidado na Saúde da Família” possibilitou um contato profundo com enfermeiras atuantes em Unidades de Saúde da Família, revelando práticas, saberes e discursos singulares que atravessam o cotidiano da Atenção Primária à Saúde (APS).
A partir do encontro com a realidade vivida pelas profissionais participantes da pesquisa, surgiu a inspiração e a motivação para a criação deste material educativo, inserida na proposta do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O programa tem como premissa a articulação entre pesquisa e prática por meio do desenvolvimento de um produto técnico, este trabalho integra os requisitos para a obtenção do título de Mestre, dentro da linha de pesquisa Processos de ensino na saúde.
Como resultante do “encontro” entre profissionais de saúde e usuários do sistema no Sistema Único de Saúde (SUS), através da PNAB, temos o uso da palavra vínculo (BRASIL, 2017).
O vínculo é visto como uma base para humanizar as práticas de saúde, garantindo que os usuários se sintam acolhidos e respeitados. Ele é considerado essencial para fortalecer a confiança no sistema de saúde, facilitando o acompanhamento contínuo e integrado dos usuários, promovendo maior eficácia no cuidado. Alinha-se ao princípio da longitudinalidade, que é uma característica central da Atenção Básica (BRASIL, 2017).
“EntreLaços: o jogo” é um Objeto Educacional Virtual (OEV) criado no formato de jogo de cartas, com o objetivo de promover reflexões e mudanças nas práticas profissionais por meio da ludicidade, da troca de experiências e do compartilhamento de saberes. Inspirado em histórias reais e falas dessas profissionais, o jogo convida estudantes e trabalhadores da saúde a pensarem juntos sobre o fortalecimento (ou o enfraquecimento) dos vínculos no cotidiano dos serviços de saúde, por meio de situações vividas, perguntas provocadoras e desafios coletivos.
Em consonância com o projeto ético-político do SUS, com a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) (2004a) e com a Política Nacional de Humanização (PNH) (2004b), o jogo busca contribuir com a formação de profissionais comprometidos com práticas de cuidado centradas nas pessoas, na escuta e na construção coletiva dos caminhos possíveis para o bem viver.
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OBJETIVOS
REFERENCIAL TEÓRICO CONCEITUAL
A constituição do vínculo entre profissionais de saúde e usuários configura-se como um dos principais pilares da APS, sendo essencial para a integralidade, a longitudinalidade do cuidado e a efetividade das ações em saúde (STARFIELD, 2002). O vínculo é compreendido não apenas como a continuidade do contato entre profissional e usuário, mas como um espaço relacional permeado por afetos, confiança, compromisso e escuta qualificada (CUNHA; GIOVANELLA, 2011; BRASIL, 2017; FRANCO; MERHY, 2013).
Ao longo dos anos, o fortalecimento do vínculo tem sido apontado como estratégia essencial para consolidar a APS como ordenadora da rede de atenção (BRASIL, 2017). A Reforma Sanitária brasileira e a implementação do SUS trouxeram consigo a valorização das relações humanas como base para o cuidado, reconhecendo que a prática em saúde envolve dimensões técnicas e relacionais (STARFIELD, 2002).
Nesse contexto, a Estratégia Saúde da Família (ESF) trouxe importantes inovações ao estimular a territorialização, o trabalho em equipe e a responsabilização dos profissionais por um território e sua população, o que favorece o desenvolvimento de vínculos duradouros. O vínculo, nessa perspectiva, ultrapassa o contato esporádico e se sustenta na continuidade do cuidado, na construção de uma relação horizontalizada, onde o usuário é reconhecido como sujeito ativo, e o profissional como um facilitador do cuidado (BRASIL, 2017).
A literatura aponta que o fortalecimento do vínculo contribui para uma série de desdobramentos positivos, como a melhoria da adesão ao tratamento, o acesso facilitado, a resolução dos problemas de saúde, a satisfação dos usuários, e o enraizamento do cuidado no território e na vida cotidiana das pessoas (AYRES, 2004; STARFIELD, 2002).
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No entanto, o estabelecimento de vínculos sólidos exige tempo, escuta, empatia e compromisso. Também demanda condições institucionais que o favoreçam: tempo disponível para o atendimento, equipes estáveis, processos de educação permanente e espaços de reflexão sobre a prática. A ausência dessas condições pode gerar vínculos frágeis, instrumentalizados ou até mesmo rompidos, impactando diretamente na qualidade do cuidado (VIEIRA et al., 2023).
As falas dos profissionais entrevistados evidenciaram que o vínculo não é apenas um facilitador do cuidado, mas uma condição para que o cuidado aconteça de forma efetiva e transformadora. Ele emerge da convivência, do reconhecimento mútuo e do investimento afetivo nas relações. Nesse sentido, como aponta Cecílio (2009), o vínculo é também um espaço de disputa de projetos, de negociação de sentidos e de reconstrução da prática profissional.
A construção do vínculo deve ser vista como um processo contínuo, que demanda investimento subjetivo por parte dos profissionais, além da valorização da dimensão relacional do cuidado nas políticas públicas e na formação dos trabalhadores da saúde. É nesse ponto que se insere a proposta do jogo educativo “EntreLaços: o jogo”, como ferramenta reflexiva e formativa para equipes de saúde, visando potencializar o reconhecimento do vínculo como categoria central da prática em APS.
A proposta se alinha às diretrizes da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (BRASIL, 2004a), que valoriza a aprendizagem significativa, situada e dialógica. Ao apostar no jogo como dispositivo educativo, busca-se fomentar um processo de formação que não dissocia teoria e prática, e que reconhece o vínculo como uma construção ética, afetiva e política, indispensável para uma atenção integral e humanizada.
A adoção de jogos educativos na educação permanente em saúde dialoga diretamente com a definição seminal de gamificação como “uso de elementos de design de jogos em contextos não jogo” (Deterding et al., 2011). Dentro dessa proposta surge “EntreLaços: o jogo”. Ao organizar-se em cartas que induzem escuta, reflexão e construção coletiva, o jogo transfere intencionalmente para o ambiente formativo componentes de desafio, feedback imediato e narrativa, produzindo a “gamefulness” defendida pelos autores. Essa configuração responde à lacuna apontada pelas enfermeiras entrevistadas — ausência de espaços sistematizados para discutir o vínculo — e traduz a teoria em prática pedagógica alinhada às diretrizes da EPS.
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A literatura corrobora a pertinência dessa escolha metodológica. Na revisão sistemática de 30 ensaios clínicos randomizados, Gentry et al., (2019) concluíram que intervenções baseadas em serious games ou gamificação foram, na maioria dos estudos, tão ou mais eficazes que métodos tradicionais na melhoria de conhecimento, habilidades e satisfação de profissionais de saúde, embora alertem para a necessidade de pesquisas mais robustas. No contexto brasileiro, Silva; Valotta, (2022) identificaram escassez de evidências sobre o impacto de metodologias ativas na APS, mas ressaltaram seu potencial para estimular a autonomia crítica e aproximar práticas do SUS. Dessa forma, “EntreLaços: o jogo” posiciona-se como dispositivo pedagógico coerente com evidências internacionais e necessidades locais, potencializando a problematização dos vínculos e qualificando o cuidado na APS.
�PERCURSO METODOLÓGICO
O desenvolvimento do produto técnico intitulado “EntreLaços: o jogo” foi orientado pelos princípios do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que propõe a articulação entre teoria e prática por meio da criação de produtos educacionais vinculados à realidade dos serviços e das formações em saúde. A metodologia adotada compreendeu, portanto, uma abordagem integrada, composta por três etapas principais:
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Fundamentação Empírica
O ponto de partida para a concepção do jogo foi a pesquisa intitulada “EntreLaços: o vínculo como cuidado na Saúde da Família”. Nessa pesquisa, foram entrevistadas enfermeiras atuantes em unidade de saúde da família (USF), cujos relatos revelaram práticas, desafios e potências presentes no cotidiano do trabalho. A escuta qualificada dessas profissionais permitiu identificar elementos significativos sobre o vínculo entre trabalhadores e usuários que foram agrupados em categorias de análise, os quais serviram de inspiração direta para a criação dos conteúdos do jogo.
�Fundamentação Teórica
A elaboração do produto técnico foi sustentada por referenciais teóricos da área da saúde coletiva e da educação em saúde, com ênfase na Política Nacional de Atenção Básica, na Política Nacional de Educação Permanente em Saúde e na Política Nacional de Humanização. Esses documentos orientam a valorização do vínculo como elemento essencial para a qualidade do cuidado, bem como a promoção de estratégias educativas centradas na problematização, no diálogo e na experiência dos sujeitos.
Elaboração Pedagógica do Jogo
A partir da análise dos dados empíricos e da revisão da literatura, foi criado um OEV no formato de jogo de cartas, com estrutura didática organizada em quatro categorias principais: “Histórias da APS”, “Reflexão Relâmpago”, “Desafio Coletivo” e “Curto-Circuito”. Ao todo, o jogo é composto por 32 cartas e um manual do facilitador. Cada categoria foi concebida com base em situações reais, desafios profissionais, questões reflexivas e barreiras identificadas na prática cotidiana dos serviços de saúde. Em cada carta foi criada uma situação fictícia inspirada em uma fala destacada da pesquisa.
A elaboração do jogo foi guiada pelos princípios das metodologias ativas de ensino-aprendizagem (MITRE et al., 2008), que visam fomentar a autonomia dos participantes, o pensamento crítico e a construção coletiva do conhecimento. Assim, o produto foi pensado para ser utilizado em espaços diversos, como reuniões de equipe, oficinas de educação permanente, atividades acadêmicas e momentos de integração entre ensino e serviço.
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DESCRIÇÃO DO PÚBLICO ALVO
O público-alvo do “Laços em Jogo” são estudantes de graduação da área da saúde (enfermagem, medicina, psicologia, serviço social, odontologia, entre outros) e profissionais já inseridos na rede de atenção à saúde. A escolha desse público parte da percepção de lacunas ainda existentes nos currículos das graduações em saúde quanto à integração de práticas educativas que dialoguem com os princípios e diretrizes do SUS.
Apesar de avanços importantes — como as mudanças nas Diretrizes Curriculares Nacionais e a implementação de programas como os PET-Saúde — ainda é necessário ampliar estratégias que favoreçam o aprendizado crítico, reflexivo e voltado à realidade dos territórios, conforme propõe o Decreto nº 7.508/2011 (BRASIL, 2011), que regulamenta a organização do SUS e trata da articulação interfederativa e da formação dos trabalhadores.
Assim, ao promover um jogo educativo, acessível e engajador, pretende-se contribuir para a consolidação de práticas pedagógicas alinhadas à formação crítica e humanizada, fomentando a aproximação dos sujeitos formadores e formandos com os princípios da equidade, integralidade e participação social.
�DESCRIÇÃO DO MATERIAL PROPOSTO
“EntreLaços: o jogo” é composto por um “Manual do Facilitador” e 32 cartas, organizadas em quatro categorias temáticas:
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O jogo é de baixa complexidade, pode ser utilizado por 5 a 15 participantes em sessões com duração inferior a 1 hora, e foi pensado para ser de fácil replicação em diferentes contextos de ensino, formação e trabalho.
Estratégia/metodologia de utilização
A metodologia do jogo se baseia nos princípios das metodologias ativas, que valorizam o protagonismo do aprendiz e a construção coletiva do conhecimento (MITRE et al., 2008). Em vez de um ensino centrado na transmissão de conteúdos, propõe-se aqui um espaço de escuta, diálogo e ressignificação das práticas profissionais.
O uso do jogo em espaços como reuniões de equipe, salas de aula ou rodas de conversa estimula o engajamento, favorece a empatia e cria oportunidades para os participantes se verem nos relatos, se reconhecerem nos desafios e se apoiarem na construção de soluções.
Em um cenário de excesso de informação e aceleração dos processos de trabalho, propor um momento lúdico de reflexão pode ser transformador. O jogo, ao unir leveza e profundidade, permite que diferentes vozes sejam ouvidas e valorizadas, favorecendo a construção de vínculos mais fortes — entre os participantes e entre os trabalhadores e usuários do SUS.
�Possibilidades de uso do material
“EntreLaços: o jogo” pode ser utilizado em:
Por sua versatilidade e acessibilidade, o jogo pode ser adaptado a diferentes realidades e equipes, respeitando as especificidades locais e culturais.
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“EntreLaços: o jogo” auxiliará no aperfeiçoamento de trabalhadores da saúde e estudantes, ampliando a reflexão sobre as práticas profissionais que envolvem a temática vínculo entre profissionais de saúde e usuários
O material educativo proposto pode ser utilizado como ferramenta que fortaleça os espaços de Educação Permanente em Saúde, preferencialmente, em espaços coletivos (reuniões de equipes multiprofissionais, salas de aula), oportunizando momentos de troca de saberes, reconhecimento de necessidades e valorização das experiências dos estudantes e trabalhadores.
Avaliação e possíveis indicadores
A avaliação do uso do jogo será feita de forma contínua, por meio de um formulário eletrônico acessível via QR Code disponível no “Manual do Facilitador”. Os dados coletados permitirão analisar:
Além disso, o jogo será disponibilizado gratuitamente em PDF no repositório digital LUME da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, permitindo o monitoramento do número de downloads e da disseminação do material. Os indicadores de acesso serão acompanhados trimestralmente pelas autoras, com vistas ao aprimoramento constante do produto.
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1. Apresentação
O jogo “EntreLaços: o jogo” é uma ferramenta educativa criada a partir de uma pesquisa do mestrado profissional, com foco no vínculo entre trabalhadores e usuários na Atenção Primária em Saúde (APS). Inspirado por histórias reais e falas de enfermeiras da rede, ele promove a reflexão coletiva sobre como fortalecemos (ou enfraquecemos) os vínculos na rotina dos serviços de saúde.
É um jogo leve, mas profundo. Não exige vencedores — apenas escuta, partilha e vontade de construir um SUS mais humano.
‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾ 2. Objetivos
‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾3. Público-alvo
Equipes de saúde da APS (Enfermeiros/as, Técnicos/as de Enfermagem, ACS, Médicos/as, profissionais do NASF, gestores/as, residentes, estudantes etc.)
4. Material para o Jogo
‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾5. Organização do jogo
‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾ 6. Regras do Jogo
MANUAL DO FACILITADOR
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‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾ 7. Sugestão de Roteiro (1 hora)
⏱ 5 min – Abertura
⏱ 35-45 min – Rodadas do jogo
⏱ 10-15 min – Fechamento
‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾8. Dicas
‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾9. Possibilidades de adaptação
‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾‾10. Encerramento
Que o “EntreLaços: o jogo” ajude a tornar visível aquilo que não está nos protocolos: a escuta, o cuidado, o encontro. Que sirva como disparador para ações concretas e inspire um fazer em saúde cada vez mais humano, potente e relacional.
11. Avaliação do Produto
Após jogar, avalie nosso jogo no qr code ao lado.
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CARTAS DO JOGO
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Histórias da APS
Quando eles te procuram
Há meses você acompanha Dona Marta, que convive com uma doença crônica. Mesmo com dificuldades, ela insiste em marcar consulta apenas com você.
“Eles confiam porque sabem que vão ser acolhidos, ouvidos e que suas necessidades vão ser atendidas.”
Histórias da APS
Ah! Os Problemas Estruturais
Ao chegar na unidade, você percebe infiltrações que deixam o consultório em péssimo estado. Isso gera dificuldades nos atendimentos e na recepção dos usuários.
“Se a gente reclama, logo somos vistos como quem só sabe se queixar... e isso acaba atrapalhando.”
Histórias da APS
Acolhendo quem chega
Uma pessoa recém- transferida de unidade aparece sem saber como funcionam as consultas. Ela foi transferida por quebra de vínculo e está um pouco nervosa.
“Pra mim, vínculo é a forma como acolhemos, conversamos e cativamos a pessoa."
Histórias da APS
O paciente pródigo
Um usuário que estava sumido reaparece após meses. Comenta que se sente pronto para falar algo que o incomoda, mas que não havia conseguido dizer antes.
“Quando ele finalmente consegue se aproximar e dizer o que de fato está incomodando.”
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Histórias da APS
A Articulação
Durante a reunião de equipe, o clima esquenta e os colegas começam a evidenciar alguns problemas de comunicação no serviço.
“Somos os profissionais que circulam por tudo. Muitas vezes, também assumimos o papel de educadores na equipe.”
Histórias da APS
Confiança em construção
Um usuário pede para ser atendido somente por você, pois não se sente confortável com outro profissional.
“Quando penso em vínculo, a primeira palavra que me vem é confiança. É isso que sustenta a relação.”
Histórias da APS
Metamorfose do Território
No território, muitas famílias se mudam frequentemente, tornando difícil manter um acompanhamento. Como construir vínculo?
“Minha área tem muita mudança, invasões... é difícil criar vínculo quando as pessoas mudam tanto."
Histórias da APS
Novos Vínculos, Velhas Feridas
Numa ação coletiva, uma moradora comenta que não confia na equipe pois um profissional “falou algo que a deixou magoada”. Mesmo sem ter sido você, o comentário gera tensão.
“A usuária disse que não confia porque uma profissional comentou que não dava pra tanta gente morar na mesma casa. Isso a magoou.”
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Reflexão Relâmpago
Motivação e Desafios
“Mesmo nos dias difíceis, eu me sinto motivada. Sempre tem algo novo pra aprender.”
Em um dia exaustivo, você se questiona se ainda ama o que faz. Onde buscar forças para manter o cuidado humanizado na APS?
Reflexão Relâmpago
Reconhecer a singularidade
“Quando eles dizem: ‘Vou falar a verdade pra você’, é porque confiam. É uma sinceridade que não mostram pra todo mundo.”
Um paciente chega dizendo que vai “falar a verdade” somente para você. Como você comunica isso com a equipe?
Reflexão Relâmpago
Cada um é um
“A gente precisa considerar a realidade de cada pessoa, entender o que ela consegue fazer.”
Você considera importante conhecer as condições de vida do usuário? Como isso afeta seu atendimento?
Reflexão Relâmpago
Cadê o médico
“Se não tem médico, por que está aberto? É uma relação complicada com os usuários."
Pense numa fase em que a unidade estava sem médico. Como lidar com a demanda e com a insatisfação de alguns usuários?
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Reflexão Relâmpago
Usuário que bate o ponto
“É importante valorizar o que ele sente, estar disponível e tentar oferecer um atendimento de qualidade, mesmo que ele venha todo dia.”
Na unidade, sempre tem aquele paciente que aparece “todo dia” com queixas repetitivas. Como acolher sem cair no automatismo?
Reflexão Relâmpago
A desconfiança
“Eles confiam porque se sentem seguros, porque sabem que serão acolhidos.
Já se deparou com um usuário desconfiado ou resistente ao serviço? Como você age para retomar ou construir uma relação de confiança?
Reflexão Relâmpago
Tempo
“Vínculo é um processo. Requer tempo e interesse genuíno das pessoas.”
Você acha que somente a passagem do tempo garante o vínculo ou é preciso algo mais? O que você faz para fortalecer essa relação?
Reflexão Relâmpago
Pequenas Atitudes, Grandes Resultados
“Gosto de mostrar o protocolo durante o atendimento e explicar o porquê de cada conduta. Isso faz diferença.”
Quais práticas simples você adota no dia a dia para fortalecer o vínculo? Como isso faz diferença para o usuário?
Desafio Coletivo
Reunião de estudo de caso
"A gente tem uma rotina na nossa equipe que a gente chama de reunião de estudo de caso, que de 15 em 15 dias a gente se reúne..."
A equipe quer fortalecer a discussão de casos e envolver todos os membros. Como garantir participação ativa de cada profissional?
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Desafio Coletivo
Criando um protocolo de acolhimento
“Ter um protocolo de acolhimento pode ajudar a fortalecer os vínculos com os usuários.”
A equipe decidiu construir um protocolo simples de acolhimento. Quais pontos não podem faltar para estimular o vínculo?
Desafio Coletivo
Vínculo na Educação Permanente
“Falamos de sífilis, de pré-natal... mas sobre vínculo mesmo, quase nunca se fala.”
No próximo encontro de educação permanente, o tema será a construção do vínculo. O que não pode faltar nessa conversa?
Desafio Coletivo
Reunião de estudo de caso
“Nossa equipe se reúne a cada 15 dias para discutir casos, mas é preciso garantir que todos participem.”
A equipe quer fortalecer a discussão de casos e envolver todos os membros. Como garantir participação ativa de cada profissional?
Desafio Coletivo
Crescimento da demanda
“A demanda alta faz com que a gente tenha menos tempo e acabe sem conseguir olhar com profundidade para cada caso.”
A recepção está sobrecarregada e faltam vagas na agenda. Como manter a qualidade do atendimento sem perder a escuta e o acolhimento?
Desafio Coletivo
Motivação e clima de equipe
"Eu me sinto muito motivada (...) mas a gente oscila, né? São altos e baixos (...)"
A gestão local pediu sugestões para melhorar a motivação e o clima na unidade. Que propostas viáveis o grupo pode apresentar?
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Desafio Coletivo
Rotatividade profissional
“Com a troca constante de profissionais, o vínculo se quebra e o processo precisa recomeçar.”
A rotatividade de profissionais está alta e os usuários reclamam de ter que “recomeçar do zero”. Criem estratégias para minimizar esse impacto.
Desafio Coletivo
Protocolos sem engessar o cuidado
“Alguns protocolos são muito rígidos e não se adaptam à realidade.”
Vocês querem padronizar o atendimento à mulher, mas sem prender a prática a regras rígidas. Como equilibrar protocolo e singularidade?
Desafio Coletivo
Motivação e clima de equipe
“Eu sou motivada, mas é claro que há altos e baixos.”
A gestão local pediu sugestões para melhorar a motivação e o clima na unidade. Que propostas viáveis o grupo pode apresentar?
Desafio Coletivo
Vínculo e o perfil profissional
“Nem todo profissional tem o perfil ideal para atuar na atenção primária ou no trabalho em equipe.”
Algumas pessoas da equipe têm mais facilidade de criar vínculo com os usuários do que outras. Como acolher diferentes perfis profissionais e, ao mesmo tempo, estimular uma prática mais relacional?
Estagiários ou profissionais recém- formados chegam à unidade e demonstram dificuldade em entender o papel do vínculo na APS.
Curto-Circuito
Falta de preparo na formação inicial
"Não sei se a formação nos dá isso. (...) Como é que um profissional vai saber o que é vínculo se ele vai lá uma vez por semana na unidade de saúde?"
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Você busca algum documento que oriente formalmente a construção de vínculo, mas ninguém parece conhecer um protocolo claro.
Curto-Circuito
Falta de protocolo específico sobre vínculo
“Talvez existam protocolos sobre vínculo... mas, sinceramente, eu não conheço nenhum.”
O ritmo de trabalho é intenso e mal há tempo para conversar com os usuários. Isso pode comprometer a qualidade do acolhimento.
Curto-Circuito
Sobrecarga de atendimentos
“Com tanta correria, não dá tempo nem de explicar direito as coisas para o paciente.”
Estagiários ou profissionais recém- formados chegam à unidade e demonstram dificuldade em entender o papel do vínculo na APS.
Curto-Circuito
Falta de preparo na formação inicial
“Não sei se a formação ensina sobre vínculo. Como o profissional vai aprender isso indo uma vez por semana na unidade?”
Por falta de tempo ou recursos, o usuário sai sem uma resposta efetiva. Ele pode acabar buscando outro serviço ou voltando com o mesmo problema.
Curto-Circuito
Problemas de resolutividade
“Infelizmente, às vezes a pessoa volta com o mesmo problema, porque a gente não conseguiu resolver na primeira vez.”
Você se dedica ao cuidado, mas percebe que muitos colegas estão desmotivados e agem no automático, sem esperança de mudança.
Curto-Circuito
Clima de Baixa Expectativa
“Às vezes, o que me desmotiva é que, assim como eles estão, eles já não estão, né? Eles somem.”
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O usuário chega para marcar consulta. A recepção só oferece vaga distante no tempo, sem perguntar sobre a urgência ou a queixa.
Curto-Circuito
Agendamento sem escuta
“‘Tem vaga tal dia, ponto.’ Não há conversa, não se entende a urgência da pessoa.”
Apesar dos esforços da equipe, há pouco retorno sobre o trabalho feito. Não há reconhecimento formal nem valorização por parte da gestão.
Curto-Circuito
Falta de valorização pela gestão
“Nunca ouvi um ‘obrigado’ ou um ‘parabéns’. Já fomos até chamados de vagabundos pelo prefeito.”
Você se dedica ao cuidado, mas percebe que muitos colegas estão desmotivados e agem no automático, sem esperança de mudança.
Curto-Circuito
Clima de Baixa Expectativa
“O que desmotiva é ver que muitos colegas já desistiram.”
Vocês percebem que nunca houve capacitação ou discussão formal só sobre vínculo na equipe. O assunto é ignorado, apesar de ser fundamental no dia a dia.
Curto-Circuito
Falta de Educação Permanente sobre vínculo
“Nunca discutimos o vínculo em educação permanente. Esse tema sempre ficou de lado.”
REFERÊNCIAS
AYRES, José Ricardo. Cuidado: trabalho e interação nas práticas de saúde. 1. ed. Rio de Janeiro: [s. n.], 2009. Disponível em: www.lappis.org.br.
BRASIL. DECRETO No 7.508, DE 28 DE JUNHO DE 2011. Regulamenta a Lei no 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização do Sistema Único de Saúde - SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa, e dá outras providências. [S. l.], 2011. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7508.htm. Acesso em: 1 maio 2025.
BRASIL. HumanizaSUS: Política Nacional de Humanização: a humanização como eixo norteador das práticas de atenção e gestão em todas as instâncias do SUS / Ministério da Saúde, Secretaria Executiva, Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Brasília-DF: [s. n.], 2004a. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/humanizasus_2004.pdf. Acesso em: 7 jun. 2023.
BRASIL. PORTARIA No 2.436, DE 21 DE SETEMBRO DE 2017. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília-DF: Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html. Acesso em: 7 jun. 2023.
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CECÍLIO, Luiz Carlos de Oliveira. As necessidades de saúde como conceito estruturante na luta pela integralidade e equidade na atenção. In: PINHEIRO, Roseni; MATTOS, Ruben Araújo de (org.). Os sentidos da integralidade na atenção e no cuidado à saúde. 8aed. Rio de JAneiro: UERJ, IMS: ABRASCO, 2009. p. 113–126. Disponível em: https://lappis.org.br/site/wp-content/uploads/2017/12/sentidos-da-integralidade8edicao.pdf. Acesso em: 7 jun. 2023.
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Sobre as autoras
Pamela Suelen Wildner Radl
Mestrado em Ensino na Saúde (UFRGS-2025). Residência em Saúde da Família (ESP/RS-2015). Especialista em Saúde Coletiva (UCDB-2013), Saúde do Trabalhador (UCDB-2013) e Atenção à Saúde das Pessoas com Sobrepeso e Obesidade (UFSC-2022). Bacharel em Enfermagem pela Universidade Federal do Acre – Campus Floresta (2011).
Sempre com um olhar atento para os determinantes sociais da saúde. Atuou em projetos de intervenção em abrigos e reflexões sobre a formação dos profissionais da saúde, com foco em transformar o cuidado em algo mais próximo, potente e humanizado.
Atualmente trabalha na APS de um município da região metropolitana de Porto Alegre-RS. Sua prática é atravessada pelo compromisso ético com o SUS, pelo desejo de ensinar e aprender com o cotidiano e por uma convicção: cuidar é, antes de tudo, criar laços.
Cristine Maria Warmling
Pós-doutorado CAPES/Brasil/McGill University (Montreal-Canadá) (2015). Doutorado em Educação Programa de Pós-Graduação Faculdade de Educação da UFRGS (2009). Mestrado em Saúde Coletiva Programa de Pós-Graduação de Saúde Coletiva Universidade Federal de Santa Catarina (2002). Graduação em Odontologia Universidade Federal de Santa Catarina (1987). Professora Associada do Departamento de Odontologia Preventiva e Social da Faculdade de Odontologia da UFRGS (2011). Coordenadora Adjunta e Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação Modalidade Mestrado Profissional Ensino na Saúde Faculdade de Medicina da UFRGS (2012).
Atua na área de Saúde Coletiva com experiência em Educação na Saúde. Desenvolve projetos e pesquisas para compreender e intervir nos processos e relações entre a organização do trabalho e a formação e educação na saúde e da produção de tecnologias inovadoras de educação permanente no SUS