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FERNANDO

SANTOS

LÍNGUA

PORTUGUESA

TEXTUALIZAÇÃO DE TEXTOS ARGUMENTATIVOS E APRECIATIVOS

(CRÔNICA ARGUMENTATIVA)

19/04/2022

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O que é crônica?

A crônica é um texto narrativo curto, que normalmente é produzido para jornais e revistas;

Possui uma duração pequena;

Trata de acontecimentos corriqueiros do cotidiano.

Sabe aquela ida de ônibus para a escola ou o trabalho? Às vezes, esse curto período de tempo possui muitos “pequenos” acontecimentos, não é mesmo? Uma briga com o cobrador, uma conversa alheia no telefone, e por aí vai…

São exatamente esses acontecimentos corriqueiros, que nas mãos do escritor certo, se tornam uma ótima crônica.

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Veja o trecho a seguir:

Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.

Trata-se do trecho de uma crônica escrita por Drummond de Andrade. Nele é possível ver a representatividade do cotidiano. O ponto inicial e primordial na produção textual de um cronista.

Ela se adapta com o contexto em que é produzida e, ao decorrer do tempo, as crônicas ficam desatualizadas, como uma notícia passageira que não é mais lembrada.

No entanto, algumas transpassam o tempo. Ou seja, permanecem compreensíveis mesmo após várias décadas. Um exemplo, são as crônicas poéticas de Clarice Lispector.

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Quais os principais cronistas brasileiros?

No Brasil, existem vários escritores que se destacaram dentro desse estilo textual. Veja quais são os principais cronistas brasileiros:

  • Machado de Assis;
  • Carlos Drummond de Andrade;
  • Rubem Braga;
  • Luís Fernando Veríssimo;
  • Fernando Sabino;
  • Carlos Heitor Cony;
  • Caio Fernando Abreu.

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Tipos de Crônicas

  • Crônica Jornalística: São produzidas para meios de comunicação, que utilizam temas atuais para pensar.

  • Crônica Histórica: Relato de fatos ou acontecimentos históricos, podendo ter personagens, tempo e espaço.

  • Crônica Humorística: Como o próprio nome já define, ela é voltada para o humor e usa desse mecanismo para entreter o público. Além disso, pode utilizar da ironia para criticar aspectos sociais, políticos, culturais e econômicos.

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A crônica argumentativa é um texto híbrido que mistura elementos narrativos com a opinião do autor acerca de determinado assunto. Ela é muito comum em jornais e revistas.

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crônica argumentativa é um gênero textual pertencente ao domínio do jornalismo em que o autor expõe sua opinião mesclando narrativas e argumentos. A crônica argumentativa é um subgênero/subtipo pertencente ao gênero crônica.

Produção

Definição de uma temática e uma narrativa (base para a defesa do argumento).

O texto deve seguir algumas características básicas do gênero crônica, como:

  • abordagem de uma situação cotidiana;
  • uso de uma linguagem simples e direta direcionada ao leitor;
  • apresentação de um texto curto e com informações essenciais para a construção do argumento.

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Resumo sobre crônica argumentativa

A crônica argumentativa é um subgênero pertencente ao gênero crônica.

Para desenvolver uma crônica argumentativa é preciso seguir a seguinte estrutura: apresentação do tema, desenvolvimento do argumento e desfecho.

Diferentemente da crônica narrativa, na crônica argumentativa o autor defende um ponto de vista e propõe uma reflexão a seu leitor.

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Como fazer uma crônica argumentativa?

1) Definição do tema e da narrativa que embase o argumento

Como se trata de um texto híbrido, a crônica argumentativa mescla elementos narrativos com argumentos. Sendo assim, o autor precisa ter definido o seu tema, associado ao cotidiano das pessoas, e qual será a construção narrativa para fundamentar sua opinião.

Caso pretenda falar sobre relações amorosas contemporâneas, o autor pode utilizar uma breve narrativa romântica pessoal ou extraída de filmes ou séries conhecidas para, em seguida, mostrar ao leitor se ele está “de acordo” ou “contra” as formas de amar da atualidade.

Essa etapa é o planejamento do texto, a base de sustentação formada pela narrativa e o argumento principal da crônica argumentativa.

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2) Início do texto: apresentação do tema

Após planejar e definir o caminho a ser percorrido, o autor inicia o seu texto fazendo uma apresentação do tema. É possível utilizar aqui alguns recursos narrativos ou levar o leitor à reflexão inicial.

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3) Desenvolvimento do argumento

Se na etapa anterior os argumentos permeavam a narrativa, agora eles aparecem de forma mais direta e com mais consistência. É nesse ponto que o autor aprofunda sua argumentação trazendo, se necessário, mais exemplos, reflexões e associações a fim de atingir o seu leitor.

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4) Conclusão/desfecho

Trata-se da última parte do texto. Aqui, há uma retomada das principais ideias defendidas, o que também funciona como um reforço, e o autor faz um encerramento evidenciando o que ele pretendeu defender ou mesmo deixando alguma problematização para que o leitor possa pensar.

A crônica argumentativa não precisa ser necessariamente um texto conclusivo com propostas de solução e convite à ação. O seu encerramento pode trazer elementos literários e filosóficos que deixam uma “pulga atrás da orelha” do leitor, e não necessariamente certezas e convicções.

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Exemplo e análise de uma crônica argumentativa

O texto a seguir foi escrito pelo ator e escritor Gregório Duvivier. Ele se chama “O maior gesto do nosso imperador foi um berro, o país já nasceu na gritaria” e foi publicado no jornal Folha de S.Paulo.

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Algumas tecnologias vieram pra acabar com o pouco que nos restava de paz. O bluetooth, por exemplo. Não que eu tenha horror a ele, ele é que tem horror a mim. Trata-se de uma tecnologia voluntariosa, cheia de implicâncias, corpo mole e má-vontade — astrólogos dirão que é geminiana.

Responsável por conectar dois aparelhos, o bluetooth faz a ponte quando dá na telha e quando tem química. “Desculpa, mas o encontro do seu Galaxy com sua JBL não deu liga. Estão em momentos diferentes de vida e alegaram incompatibilidade de agenda.”

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Acontece inclusive de dois aparelhos serem velhos conhecidos e, do dia pra noite, resolverem fingir que não se conhecem. E às vezes rola o contrário: sua caixinha teve um breve caso de uma noite com o celular do vizinho — mas pro resto da vida ela ficará reconhecendo aquele celular, lembrando dele como um ex que não superou o divórcio.

Existe apenas uma ocasião em que bluetooth é infalível: quando se trata de perturbar o silêncio da vida em comunidade. O advento da caixinha de som acabou com a paz na esfera pública. Já existia uma solução pra quem gostava de ouvir música na rua: o fone de ouvido. A caixinha é uma espécie de fone que todo o mundo à sua volta é obrigado a colocar no ouvido também. Ir à praia se tornou uma experiência enlouquecedora: os Barões da Pisadinha se misturam aos Aviões do Forró, cada um num tom e num compasso, e de repente você está ouvindo os Aviões da Pisadinha.

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autor traz, inicialmente, uma situação cotidiana muito conhecida dos leitores: o barulho excessivo que as tecnologias causam. Há, ainda, a utilização do humor como recurso para gerar empatia nos leitores. A associação da caixinha de som com as misturas musicais é um bom exemplo disso.

Assim, temos a apresentação de uma narrativa, os aparelhos barulhentos e um argumento de que o barulho excessivo atrapalha a vida em comunidade. Essa parece ser a linha argumentativa que Gregório pretende seguir em seu texto.

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Nessa segunda parte, o autor desenvolve um pouco mais o seu argumento, trazendo uma nova referência: a tese do descobrimento do Brasil. Ele associa a ideia de barulho ao descobrimento do Brasil ao dizer que Pedro Álvares Cabral gritou, nada resolveu e foi embora. O país, segundo o autor, nasceu na gritaria, e esse argumento procura demonstrar justamente que “desde o descobrimento se grita e nada se resolve assim por aqui”.

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No desfecho, Gregório ressalta novamente que gritar e berrar não resolve problemas. Ele faz um outro paralelo para reforçar seu argumento ao final: compara-se o sucesso de João Gilberto com o fim da gritaria.

Nesse sentido, segundo o autor, para o Brasil avançar, é preciso parar de tentar impor as vontades aos gritos. Em outras palavras, o autor defende que o diálogo, ou melhor, o “falar baixinho”, é a melhor maneira de se adquirir uma verdadeira independência.

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Características e estrutura da crônica argumentativa

A crônica argumentativa é um texto curto e de linguagem simples e clara. Por se tratar de um texto predominantemente jornalístico e publicado em um espaço curto nos jornais e revistas, essa crônica deve atentar-se apenas ao essencial.

Ela é também um texto híbrido, isto é, apresenta elementos narrativos mesclados com argumentos. No entanto, deve-se narrar apenas aquilo que é relevante à construção do argumento.

Em resumo, a crônica argumentativa apresenta uma temática de relevância social tendo como ponto de partida narrativas (situações) do cotidiano das pessoas. O objetivo do texto é difundir a opinião do autor sem necessariamente tentar convencer o seu leitor. Por causa disso, não há dados precisos, e sim casos e futilidades cotidianas. Se possível, o texto deve trazer uma problematização/reflexão acerca do tema.

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