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A Formação do Brasil e as Raízes das Desigualdades Sociais e Étnicas.

Essa aula faz parte da pesquisa de Mestrado Profissional do Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional e Tecnológica – ProfEPT – intitulada "Reflexividade Crítica no Ensino da História: Manifestações Afrobrasileiras e Turismo Cultural na Barra do Jucu, Vila Velha-ES".

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Qual é a cor...

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Charge de P. Batista. Disponível em: https://www.facebook.com/MidiaNINJA/photos/a.164308700393950/2060456230779178/?type=3&source=48

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Um pouco sobre a desigualdade social e étnica no Brasil atual.

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Concentração de Renda em 2020

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Concentração de Terras

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Distribuição Étnica das Terras

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Distribuição étnica nas redes pública, privada e fora da escola:

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Fonte: IBGE, 2018, Apud Instituto Unibanco

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Abandono Escolar

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Fonte: INEP, 2018, Apud Instituto Unibanco

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Perda de Expectativa de Vida ao Nascer Ocasionada por Violência

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Vítimas de violência e a procura por ajuda policial.

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Canais que associam racismo aos homicídios de negros no Brasil

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Raça, Racismo e Racismo Estrutural

  • Raça: Nem sempre teve o mesmo sentido, termo usado pra classificar (primeiramente usado em plantas e animais) durante a modernidade, meados do século XVI, foi utilizado para classificar seres humanos. Com a expansão mercantilista e as conquistas coloniais pelas nações europeias, construiu-se um imaginário que o europeu seria superior e o restante do mundo menos evoluído. (ALMEIDA, 2019)
  • “No século XX, parte da antropologia constituiu-se a partir do esforço de demonstrar a autonomia das culturas e a inexistência de determinações biológicas ou culturais capazes de hierarquizar a moral, a cultura, a religião e os sistemas políticos. A constatação é a de que não há nada na realidade natural que corresponda ao conceito de raça” (ALMEIDA, 2019 p.22).
  • Racismo: é uma forma sistemática de discriminação que tem a raça como fundamento, e que se manifesta por meio de práticas conscientes ou inconscientes que culminam em desvantagens ou privilégios para indivíduos, a depender do grupo racial ao qual pertençam” (ALMEIDA, 2019 p.22). O Racismo cria a ideia de raças inferiores e ele se expressa de diversas maneiras. Hoje ele se manifesta muitas vezes de forma velada e naturalizada.

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Raça, Racismo e Racismo Estrutural

  • Racismo Estrutural: A compreensão de que o racismo não é apenas uma ação individual, mas está estruturado na sociedade desde sua formação, sua estrutura histórica gerou anos de desigualdade que reflete nas condições sociais dos grupos étnicos. “Em uma sociedade em que o racismo está presente na vida cotidiana, as instituições que não tratarem de maneira ativa e como um problema a desigualdade racial irão facilmente reproduzir as práticas racistas já tidas como “normais” em toda a sociedade.” (ALMEIDA, 2019 p.32).

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  • Charge: Maurício Pestana

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Raça, Racismo e Racismo Estrutural

  • Para Almeida “É dever de uma instituição que realmente se preocupe com a questão racial investir na adoção de políticas internas que visem:

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  • a) promover a igualdade e a diversidade em suas relações internas e com o público externo – por exemplo, na publicidade;
  • b) remover obstáculos para a ascensão de minorias em posições de direção e de prestígio na instituição;
  • c) manter espaços permanentes para debates e eventual revisão de práticas institucionais;
  • d) promover o acolhimento e possível composição de conflitos raciais e de gênero.
  • crédito: Caio Gomez

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Foto: Lopo Homem, 1519, Atlas Náutico Português gallica.bnf.fr/Bibliothèque Nationale de France

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O que é Colonizar?

  • Colonizar é o ato de ocupar novos território para habitar ou explorar seus recursos.
  • Quando nos referimos a colonização moderna, referente a ação que as potências europeias exerceram sobre as Américas, essa ocupação se deu através da conquista e domínio dos povos nativos.

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Vanderlyn, John. “Landing of Columbus”, 1852

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Administração

Grande Controle do governo da Metrópole sobre os colonos.

Bastante autonomia. Os colonos podem eleger assembléias que trabalham junto com os governadores.

Ligações com a Metrópole

Submetidos ao monopólio colonial. Só comercializam com a metrópole e só produzem o que a metróple permite.

Policultura de produtos de clima temperado (trigo, aveia etc.) e aparecimento de manufaturas. Grande autonomia e liberdade de comércio.

Trabalho

Compulsório (Escravidão e Servidão)

Livre

Propriedade

Latifúndio

Pequenas e médias fazendas

Localização

América Espanhola, Brasil, Caribe, Sul das 13 Colônias Inglesas

Norte e centro-norte das Treze Colônias (EUA) e Canadá.

As diferentes formas de Colonização na América

COLÔNIAS DE EXPLORAÇÃO

COLÔNIAS DE POVOAMENTO

OBS: Essa é uma visão simplificada em cima do que predominava em cada "modelo".

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Silva, Oscar Pereira da. “Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, 1500”, 1900, Acervo do Museu Paulista da USP

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Primeiros contatos

  • Os portugueses chegaram às Terras onde atualmente é o Brasil em 1500, os primeiros contatos foram pacíficos e cordiais;
  • O foco da economia mercantilista estava no comércio de especiarias das Índias;
  • Como não encontraram metais preciosos, o interesse por esses terrar foram diminutos, sem política de colonização até 1532;
  • O Brasil servia de “parada” no trajeto para as Índias;
  • O primeiro produto explorado pelos portugueses foi o pau-brasil, adquirido dos indígenas através do Escambo e armazenados nas feitorias.

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Mapa do italiano Giovanni Battista Ramusio, com ilustração do escambo de pau-brasil, publicado em 1556 no Delle Navigationi et Viaggi. Disponível em: http://multirio.rio.rj.gov.br/index.php/estude/historia-do-brasil/america-portuguesa/79-as-feitorias-e-a-coloniza%C3%A7%C3%A3o-acidental/8717-a-costa-do-pau-brasil-e-a-costa-do-ouro-e-da-prata. Acesso em 21/09/2021

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Publicidade do "Bank of London" para comemorar o IV Centenário em 1965: "a civilização chegou à terra carioca" -  Livro "Rio 400 + 50 - comemorações e percursos de uma cidade", de Maria Inês Turazzi, Cláudia Mesquita e João de Souza Leite/Reprodução. Disponível em: https://vejario.abril.com.br/blog/daniel-sampaio/rio-456-anos/ Acesso em: 21/09/2021

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  • Invasões estrangeiras
  • Descoberta de metais preciosos na América Espanhola
  • Queda no Comércio de Especiarias no Oriente

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Em 1532 é fundada a Vila de São Vicente

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Como Colonizar uma Terra tão Grande?

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  • O Brasil foi dividido em 15 faixas de Terra que iam do litoral até a linha do “Tratado de Tordesilhas” e passado a particulares que teriam a missão de colonizar.
  • A Carta de Doação era um documento da Coroa Portuguesa pelo qual esta fazia a concessão de uma capitania e dos seus direitos sobre ela, a um capitão donatário.
  • Criadas entre 1534 e 1536, as Capitanias existiram até o século XVIII quando passaram a ser Capitanias Reais

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A Carta Foral

  • Estabelecia direitos e deveres do Donatário, como:
  • Distribuir terras (Sesmarias) a quem desejar;
  • Exercer autoridade Judicial podendo, inclusive, autorizar a pena de morte;
  • Escravizar indígenas;
  • Receber 5% do lucro do comércio de Pau-Brasil;
  • Pagar 10% do lucro sobre os produtos da terra para a Coroa;
  • Entregar 1/5 dos metais preciosos que viesse a encontrar para a Coroa;

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O Fracasso do Primeiro Momento

  • Apenas 5 donatários tomaram posse e somente as capitanias de Pernambuco e São Vicente prosperaram. Abaixo alguns dos problemas:
  • Faltou de dinheiro.
  • Faltou pessoas para trabalhar na lavoura.
  • Os povos indígenas resistiram como puderam e realizavam constantes ataques.
  • Dificuldade de comunicação entre as capitanias e Portugal.
  • Pouquíssima participação dos donatários no lucro como o comércio de pau-brasil.

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  • Criado em 1548 para apoiar as Capitanias e Centralizar a Administração, tinha as seguintes funções:
  • Fundar vilas;
  • Doar semarias;
  • Explorar o sertão;
  • Defender a terra;
  • Promover a catequese;
  • Zelar pelos interesses financeiros da Coroa.

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Tomé de Souza

  • 1º Governador Geral, governou entre 1549 e 1553.

  • Fundou Salvador;
  • Trouxe a cana-de-açúcar;
  • Trouxe o gado (que não existia no Brasil);
  • Trouxe os primeiros escravizados africanos;
  • Chegada dos jesuítas;

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Economia – O Pacto Colonial

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Imagem: Estudo Kids. Disponível em: https://www.estudokids.com.br/wp-content/uploads/2015/07/pacto-colonial-1.jpg. Acesso em 22/09/2021

Colônia

Metrópole

Matérias Primas

Manufaturados

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A Cana-de-Açúcar

  • Produto caro e muito lucrativo no mercado europeu do século XVI;
  • O Brasil tinha clima e solo propício para o cultivo da cana, além de vasto território;
  • Os portugueses já tinham com o cultivo da cana em suas colônias na África;
  • Os portugueses buscaram apoio financeiro dos holandeses, que exigiram monopólio do refino da revenda;

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  • As lavouras de cana exigiam muita mão de obra para um trabalho exaustivo, a solução encontrada foi a ESCRAVIDÃO

Imagem: Escola Educação. Disponível emhttps://escolaeducacao.com.br/ciclo-do-acucar-no-brasil/. Acesso em 23/09/2021

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O Escravismo Colonial

  • Os primeiros escravizados foram indígenas;
  • Houve muita resistência de um lado e violência do outro.
  • Muitos indígenas morreram, seja assassinado, por “novas” doenças trazidas pelos europeus ou pelo trabalho exaustivo. Antes de 1500 viviam aqui cerca de 4 milhões de indígenas, atualmente apenas cerca de 300 mil (SCHMIDT, 2002);
  • Muitos indígenas fugiram para o interior do Brasil, eles conheciam muito bem essa terra;

  • Uma solução cruel, mas muito lucrativa, foi o tráfico de seres humanos do continente africano pra cá. Essa nova estrutura de escravidão que impulsionou o desenvolvimento do mercantilismo europeu, chamamos “Escravismo Colonial”.

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O Navio Negreiro

  • Era um sonho dantesco... o tombadilho
  • Que das luzernas avermelha o brilho.
  • Em sangue a se banhar.
  • Tinir de ferros... estalar de açoite...
  • Legiões de homens negros como a noite,
  • Horrendos a dançar...

  • Negras mulheres, suspendendo às tetas
  • Magras crianças, cujas bocas pretas
  • Rega o sangue das mães:
  • Outras moças, mas nuas e espantadas,
  • No turbilhão de espectros arrastadas,
  • Em ânsia e mágoa vãs!

  • E ri-se a orquestra irônica, estridente...
  • E da ronda fantástica a serpente
  • Faz doudas espirais ...
  • Se o velho arqueja, se no chão resvala,
  • Ouvem-se gritos... o chicote estala.
  • E voam mais e mais...

  • ALVES, Castro. O navio negreiro.

RUGENDAS, Johann Moritz. Voyage Pittoresque dans le Brésil, 1835

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Torturas

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DEBRET, J. Baptiste. Castigo no Pelourinho, Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil 1834 -1839 -Biblioteca Nacional -RJ

Castigos físicos e torturas de todo o tipo eram comuns no Brasil escravista. Alguns exemplos dessa crueldade:

  • chicotadas ou açoites;
  • ferros, de formatos diversos, para pescoço;
  • cintura e membros, que o condenado podia carregar por muitos anos ou pela vida toda;
  • o tronco, no qual o condenado ficava preso por dias e/ ou noites;
  • a venda em leilão, separando as pessoas de uma mesma família;
  • furar olhos e cortar línguas, orelhas, mãos e pés;
  • marcar a pele com ferros em brasa;

(MACIEL, 2016)

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  • Nenhum povo aceita ser escravizado e tanto índios como africanos resistiram da forma que puderam.

  • As resistências variavam, havia quem atrasasse o trabalho, “roubasse” algo na cozinha, fingia-se de doente.

  • Havia quem se suicidasse ou abortasse pra evitar que o filho tivesse o mesmo destino.

  • Mas havia também as resistências coletivas, motins, rebeliões, fugas em massa.

  • A mais conhecida forma de resistência foram os quilombos.

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Os Quilombos

  • Comunidades formadas, na maioria, por escravizados fugitivos, mas também tinham pessoas oprimidas e marginalizadas pela sociedade.
  • Podiam ter meia dúzia ou milhares de moradores. Eles tinham sua própria economia e atividades. Viviam independente do governo colonial.
  • Nos quilombos todos eram iguais, não haviam proprietários.

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Imagem: Casa de Negros, de Johann Moritz Rugendas, 1835 (Domínio Público)

  • Haviam expedições de guerrilha quilombola para atacar fazendas e libertar escravizados.
  • Até hoje existem comunidades quilombolas, há diversas delas aqui no Espírito Santo, inclusive em Cariacica. Você conhece alguma ou já ouviu falar?

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O Quilombo dos Palmares

  • Surgiu no início do século XVII, na serra da Barriga em Alagoas
  • Foi o maior quilombo do Brasil. Abrigou até 20.000 negros. Com a invasão holandesa as fazendas se desorganizaram e muitos escravizadoss aproveitaram o momento para a fuga;
  • Palmares foi a mais importante força de resistência negra contra a escravidão. Os senhores de engenho consideravam o quilombo como um mau exemplo de liberdade, uma ameaça, pois poderiam surgir outros quilombos estimulando os escravos a fugirem.

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Imagem: POST, Frans. Capitania de Pernambuco com representação do Quilombo dos Palmares, 1647

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O Quilombo dos Palmares

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Calixto, Benedito. Pintura de Domingos Jorge Velho, 1903.

  • Muitas expedições militares de holandeses, portugueses e dos próprios fazendeiros invadiam Palmares que sempre continuava de pé.
  • A comunidade de Palmares durou torno de 60 anos.
  • Em 1694, o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, patrocinado pelos senhores de engenho, invade Quilombo dos Palmares destruindo-o totalmente.
  • Em 20 de novembro de 1695, Zumbi foi preso e morto. A cabeça de Zumbi ficou exposta na praça de Recife para intimidar os negros escravos.

Busto de Zumbi dos Palmares em Brasília. Wikipedia.

Em homenagem ao Zumbi dos Palmares, 20 de Novembro comemoramos o dia da Consciência Negra

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Revolta dos Malês

  • Ocorrida em Salvador (1835), conduzida majoritariamente por africanos escravos e libertos na Bahia, entre 600 e 1500 revoltosos que lutavam contra a escravidão e a imposição da religião católica;
  • Malê deriva da expressão imalê, que em iorubá designa negros muçulmanos, que sabiam ler, escrever e falar o árabe;
  • O Brasil era governado pelo regente Diogo Antônio Feijó (1935-37);
  • Instabilidade econômica e política desde a abdicação de D. Pedro I, ocorreram mais de 30 revoltas no período;
  • A partir de “clubes” organizados nos bairros, o movimento foi planejado para eclodir na madrugada do dia 25 de janeiro de 1835, durante uma festa católica.
  • Inicio: O movimento foi delatado. As forças policiais foram mobilizadas, invadiram uma casa onde se reuniam participantes da revolta e foram surpreendidos com a reação dos revoltosos, portando facas, facões e algumas armas de fogo.

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Revolta dos Malês

  • O caos se espalhou por Salvador. A Câmara Municipal foi atacada, os revoltosos pretendiam tomar a prisão existente naquele prédio para libertar o líder malê Pacifico Licutan. Os carcereiros e a guarda do palácio do governo responderam com violência.
  • Nas ruas da cidade, o movimento enfrentou as forças policiais com muita garra e heroísmo, mas foi derrotado.

Foto: Divulgação do Game “Sociedade Nagô” – Disponível para Android no Play Store

  • A repressão foi violenta, centenas foram aprisionados e julgados a sentenças como a morte, o açoite e deportação
  • A Revolta dos Malês demonstrou às autoridades e às elites o potencial de contestação e rebelião que envolvia a manutenção do regime escravocrata. (ABI-RAMIA, 2016)

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Revolta de São José do Queimado (1849)

  • Principal movimento contra a escravidão ocorrido no Espírito Santo;
  • a revolta nasceu de uma supostapromessa não concretizada de liberdade �feita pelo frei italiano Gregório José Maria de Bene aos escravizados da �localidade de São José do Queimado, hoje distrito do município de Serra;
  • No dia 19 de março, cerca de 30 escravizados foram para a missa de �inauguração da Igreja com o objetivo de o frei, durante a missa, declare a �liberdade dos cativos;
  • Com a recusa (provavelmente prevista) do Frei os escravizados saíram as �ruas arregimentando escravizados das fazendas formando um grupo de cerca de 300. “O exército dos insurgentes saiu da igreja, dando “vivas à liberdade”” (CARDOSO, 2018). Eles atacaram fazendas e arrancaram de alguns senhores a Carta de Alforria que lhes concedia a liberdade;
  • O movimento foi reprimido por extrema violência. A maioria dos escravizados foram brutalmente assassinados e seus corpos jogados na hoje chamada “Lagoa das Almas”.

Foto: Arquivo / FCP

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Revolta de São José do Queimado

  • Alguns sobreviventes foram para o município de Cariacica, onde fundaram o Quilombo de Rosa d’ Água.
  • Principais líderes: Francisco de São José (o “Chico Prego”) e João Monteiro (o “João da Viúva”) Eliziário (o Zumbi);
  • Chico Prego e João da Viúva foram enforcados;
  • Eliziário foi um hábil articulador do movimento, ele protagonizou uma lendária fuga, tornou-se uma lenda para os negros que sonhavam com a liberdade, ficou conhecido como o “Zumbi da Serra”.
  • Chico Prego ganhou estátua em uma praça no município da Serra, e seu nome batiza a Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

Foto: Edson Reis/Secom-PMS - Estátua de Chico Prego, Praça Almirante Tamandaré, Serra Sede.

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Herança africana

  • “Apesar das perseguições, incompreensões, intolerâncias e destruição da maioria, algumas práticas culturais africanas sobreviveram e chegaram até os dias atuais, mesmo que modificadas, sincretizadas e/ou fundidas em outras” (MACIEL, 2016, p. 120).
  • Na religião, música, dança, alimentação, língua, temos a influência negra. A África é uma das matrizes da cultura brasileira.

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Rugendas, Johann Moritz. Roda de Capoeira, 1835.

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África em nossa alimentação

  • Africanas escravizadas eram responsáveis pela cozinha das casas-grandes do campo e da cidade, logo seria natural a influência em nossa alimentação.
  • São exemplos da influência africana o vatapá, acarajé, pamonha, canjica, caruru, quiabo e chuchu.
  • Temperos também foram trazidos da África, como pimentas, o leite de coco e o azeite de dendê

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Foto: Viva Receitas. Disponível em https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/culinaria/receitas/canjica-receita-cremosa-e-pratica-que-todos-vao-amar,0c357036cf900618b1f2fefba68e4c7dvsl124ut.html

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Religiões de Matriz Africana

  • No aspecto religioso os africanos buscaram sempre manter suas tradições, entretanto, a necessidade de aderirem ao catolicismo os levou a misturarem suas religiões com o cristianismo, processo conhecido como sincretismo religioso. Dessa mistura surgiram o candomblé, a umbanda, a quimbanda e o catimbó.
  • Algumas divindades religiosas africanas ligadas às forças da natureza ou a fatos do dia a dia foram aproximadas a personagens do catolicismo.
  • Por exemplo, Iemanjá, deusa das águas, no Brasil foi representada por Nossa Senhora. Xangô, o senhor dos raios e tempestades, foi representado por São Jerônimo. Oxalá, orixá identificado com a criação do mundo foi representado por Jesus Cristo.

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Imagem: lilamenez.wordpress.com/tag/ogum/

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África nas artes

  • O samba, afoxé, maracatu, congada, lundu e a capoeira são exemplos da influência africana na música.
  • Instrumentos como o tambor, atabaque, cuíca, alguns tipos de flauta, marimba e o berimbau também são heranças africanas.
  • Cantos, como o jongo, ou danças, como a umbigada, são também elementos culturais provenientes dos africanos.

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Foto: Claudia Fialho, Banda de Congo "Mestre Honório" na Barra do Jucu

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Colonização do Espírito Santo

  • Antes da chegada dos portugueses, habitavam essa região indígenas do grupo linguístico Tupi-Guarani, os Tupiniquim, os Tupinambá e os Temiminó, (faixa costeira e porções dos vales do rios Cricaré, Doce e Itaúnas) e os do grupo linguístico Jê, conhecidos genericamente como Botocudo (áreas ao longo do vale do rio Doce). (GONÇALVES, 2000 p.55)
  • em 1º de junho de 1534, o fidalgo Vasco Fernandes Coutinho recebeu por Carta de Doação e Carta Foral a Capitania do Espírito Santo;
  • Em 23 de maio de 1535 os portugueses, a bordo da caravela Glória, desembarcaram na Prainha, em Vila Velha, com a missão de colonizar a então Capitania do Espírito Santo;

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Antiga fechada do Palácio Anchieta. Crédito: Acervo Público do Espírito Santo/Arte Geraldo Neto. Disponível em https://www.agazeta.com.br/capixapedia/linha-do-tempo-a-historia-dos-470-anos-do-palacio-anchieta-0721. Acesso em 06 out. 2021

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Colonização do Espírito Santo

  • Os primeiros anos de colonização do Espírito Santo foram de guerra e resistência por parte dos indígenas Aimorés, entre botocudos e Puris.
  • Coutinho ergueu o Fortim do Espírito Santo (uma cerca feita de troncos de árvores)surgindo o primeiro núcleo de colonização da capitania, denominado Vila do Espírito Santo.
  • Os constantes ataques indígenas deram fim à vila, o que levou os portugueses a abandoná-la e em 1592, a vila passou a se chamar Vila Velha.
  • Em 1537, Coutinho doou a ilha de Santo Antônio a Duarte de Lemos, um dos homens de sua comitiva colonizadora. Entre os presenteados, D. Jorge de Menezes ficou com a primeira ilha junto à Barra (Ilha do Boi) e Valentim Nunes com a atual Ilha do Frade.
  • Vasco Coutinho transferiu a sede da capitania para a Vila de Nossa Senhora da Vitória, até então denominada Vila Nova, para se diferenciar da primeira, Vila Velha, atualmente Vitória.

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Jesuítas no Espírito Santo

  • Nos aldeamentos das missões jesuíticas na Capitania do Espírito Santo havia “a utilização maciça de mão-de-obra escrava indígena” (GONÇALVES, 2000 p.56);
  • A Companhia de Jesus chega no ES em 1551 com a missão de cristianizar os nativos. O primeiro reponsável foi o Padre Afonso Brás que fundou o Colégio São Tiago, mas ficou pouco tempo;
  • Em 1558 Chegou no ES Frei Pedro Palácios que iniciou a construção do Convento da Penha;
  • O grande referencial entre os jesuítas no ES foi o Padre José de Anchieta, que fundou a missão Retiba com o aldeamento de cerca de 7 mil indígenas e produziu material para o ensino do Tupi entre os Jesuítas;
  • As missões jesuíticas tinham papel importante na economia capixaba, em especial no abastecimento das demandas internas de gêneros alimentícios da Capitania;

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Retrato do Padre José de Anchieta. Obra de Benedito Calixto, 1902. Acervo do Museu Paulista

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Povos Negros no Espírito Santo

Os povos negros foram os construtores da base da riqueza capixaba, como conta Maciel (2016 p.87).

“O Espírito Santo era [...] uma província essencialmente agrícola e apoiada na força de trabalho dos escravos. [...] Os negros exerceram todos os tipos de trabalhos rurais e urbanos existentes. [...] muitas dessas atividades requeriam inteligência, iniciativa e conhecimentos técnicos, como o extrativismo mineral e vegetal; os serviços domésticos de todos os níveis; o artesanato e as manufaturas com argila, madeira, couro e metais; os trabalhos como tripulantes de embarcações fluviais e marítimas; pescadores; artistas; ferreiros; consertadores de armas e serralheiros; criadores de animais etc”.

  • A presença do negro se deu concomitantemente ao estabelecimento das fazendas e aldeias de jesuítas, ou seja, os negros trabalharam ao lado dos indígenas (GONÇALVES, 2000);
  • O ES não tinha grande projeção econômica no Brasil escravista, mas foram trazidos muitos negros escravizados pra cá, alguns diretos da África mas muitos vieram de outras regiões do Brasil (MACIEL, 2016).
  • Os Negros capixabas construíram várias formas de resistência, organizando fugas e revoltas e formando quilombos;

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Herança Cultural Afro-capixaba

  • Na religião:
  • Assim como falamos na herança da cultura afro-brasileira, aqui no Espírito Santo os negros tiveram dificuldades em manter sua religiosidade transferindo sua religiosidade para alguns santos católicos, com destaque aqui para o São Benedito culto é um dos mais fervorosos no estado;
  • A Cabula: prática cultural religiosa de origem africana, provavelmente do povo Banto. Seus rituais reverenciam deuses africanos e espíritos de pessoas mortas nas lutas dos escravos pela liberdade. Sua prática foi fortemente perseguida levando essa religião a quase extinção.
  • Candomblé e Umbanda: Práticas religiosas mais comuns, existem seis as associações e federações que congregam as comunidades de Candomblé e Umbandas capixabas (MACIEL, 2016).

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Escultura de Carybé em madeira no Museu Afro-Brasileiro, em Salvador, representando Oxum

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Herança Cultural Afro-capixaba

  • Bandas de Congo:
  • "Presentes em todo o Estado [...] são grupos que utilizam instrumentos sonoros muito simples, feitos de madeira oca, barris, taquaras, pele de cabra ou de boi, latas ou outros materiais". Nas canções [...] "são feitas referências a fatos do passado, como a escravidão, a guerra do Paraguai, os santos da devoção popular, os Orixás relacionados aos elementos da natureza, como o mar, as estrelas, o vento, a chuva, ou ao ser humano, cobrindo desde amor e morte até fatos políticos e sociais" (MACIEL, 2016, p. 150).
  • Festa do Mastro:
  • Festa de comemorações para São Benedito quase�sempre divididas em duas partes: cortada e puxada�do mastro. "À festa comparecem o Festeiro, os�integrantes da Banda de Congo, os devotos do �Santo e as pessoas do povo. O mastro é conduzido,� festivamente, ao som de músicas da Banda, à casa�do Festeiro, e lá permanecerá o tempo necessário �ao seu preparo, lixamento e pintura, até o dia da �puxada"(MACIEL, 2016, p. 152).

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Fincada do Mastro de São Benedito, Barra do Jucu, 2011 - Foto: Zanette Dadalto

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Herança Cultural Afro-capixaba

  • O Ticumbi, Congada ou Baile de Congo :
  • uma dança dramática que pode ser classificado como um cortejo real, no qual há uma Embaixada de Guerra, com representações de episódios de combates. Os instrumentos musicais são apenas pandeiros e um violão, todos rústicos e de confecção própria. Considerada uma das mais importantes manifestações da cultura afro-capixaba da região norte, São Mateus e Conceição da Barra (MACIEL, 2016).
  • Culinária:
  • A culinária capixaba tem forte presença africana e indígena, �seja nos ingredientes ou no modo de preparo, alguns exemplos �são: milho verde cozido ou assado e seus derivados preparados �nas tradições africanas, como o muxá, a papa, a canjica e a �pamonha. As moquecas de peixes e de mariscos. O arroz doce �ou “arroz de Haussá”, o pé-de-moleque, a baba-de-moça, os �papos-de-anjo, os quindins, as queijadinhas, os quebra-queixos,�as paçocas e outros doces feitos com amendoim, coco, ovos e �leite (MACIEL, 2016).

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Foto: Fabiano Mazzini. Disponível em https://www.al.es.gov.br/Noticia/2018/04/34724/ticumbi-pode-se-tornar-patrimonio-imaterial-do-es.html. Acesso em 05 out. 2021

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A Fazenda Jesuítica de Araçatiba

  • Formada a partir aldeamento jesuítico de Campo Novo (1556). Expandiu seu território e em 1716 já aparece em documentos como a “Grande Fazenda de Araçatiba". Seu território se estendia pelos atuais municípios de Cariacica, Vila Velha, Guarapari e Viana (MACEDO, 2015);
  • Tinha grande importância econômica na Capitania, produzia açúcar, melado, mel do tanque, aguardente, cereais e criação de gado. Tais mercadorias eram escoadas por meio de importantes vias fluviais – rio Jucu e Maruípe – e destinavam-se ao abastecimento da ilha de Vitória;
  • Com a expulsão dos Jesuítas do Brasil, em 1759 a fazenda passou por um processo de fragmentação, sendo que grande parte dela passou para Coronel Bernardino Falcão de Gouveia Vieira Machado e, após sua morte, passou para seu filho, o Coronel Sebastião Vieira Machado ;
  • Registros da segunda metade do século XIX, apontam que as relações entre senhor e escravos na fazenda, sob o comando de Sebastião, eram melhores que em outras fazendas, não há registros de instrumentos de tortura no local e há relatos de que ele era mais tolerante com as práticas culturais dos escravizados (MACEDO, 2015);

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O Rio Jucu

  • Cortava a fazenda de Araçatiba, desaguando na Barra do Jucu. Era o principal meio de circulação de pessoas e mercadorias;
  • Para facilitar a comunicação e o escoamento de produtos, em 1740, os jesuítas construíram o canal de Camboapina, ou Rio Marinho, que ligava o Rio Jucu a Vitória(MACEDO, 2015);
  • "[...] o rio Jucu funciona não só como lugar de passagem, mas lugar de memória de grupos e sujeitos como o senhor Alcides, que ao atravessar pessoas e produtos agrícolas em sua canoa pelo canal do Rio Marinho, atravessa também as lembranças herdadas pelo seu pai, também canoeiro e lavrador, negro, provavelmente filho de africanos escravizados levados para Araçatiba, e de sua mãe, filha de imigrantes açorianos. Os cantos, a dança e a forma de fazer o tambor são lembranças de garoto que Seu Alcides transporta junto com seus tambores para a Barra do Jucu" (MACEDO, 2015, p.90)

Foto: TV Gazeta. Disponível em https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/expedicao-rio-jucu-agua-que-abastece-um-quatro-do-es-ainda-e-ameacada-pelo-esgoto-domestico.ghtml. Acesso em 05 out. 2021

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A Barra do Jucu

Localizada na foz do Rio Jucu "é uma das comunidades mais antigas do Espírito Santo, uma vila de pescadores que séculos atrás compunha parte da grande fazenda Araçatiba [...] A diversidade cultural dessa região habitada por africanos, indígenas e europeus, propiciou o surgimento de práticas populares como a Marujada, a Folia de Reis e as Bandas de Congo [...]” (MACEDO, 2015, p.17)

  • Antes da chegada dos portugueses, a região da Barra do Jucu, era habitada pelos Tupinaés, sedentários, e frequentada por Botocudos, Puris e Goitacás, nômades (GALVÊAS, 2005)
  • O Rio Jucu, além de fonte de sustento para a população ribeirinha, serviu por muito tempo como meio de transporte para percorrer o extenso latifúndio da grande fazenda jesuítica de Araçatiba.

Fonte: Museu Vivo da Barra do Jucu. Disponível em https://museuvivodabarradojucu.com.br/project/jacarenema. Acesso em 05 out. 2021

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Memória e patrimônio histórico e cultural

  • Memória é a forma que os indivíduos ou um grupo percebem e reproduzem acontecimentos do passado, a memória coletiva cria laços de pertencimento. A memória de uma sociedade é, também, objeto de disputa das pessoas que fazem parte dessa sociedade, pois, ao selecionar o que deve ser ou não lembrado, grupos os classes podem ser excluídos ou marginalizados.
  • Patrimônio é o "conjunto de bens de valor cultural que passaram a ser propriedade da nação, ou seja, do conjunto de todos os cidadãos“ (FONSECA, 2005, p.58). Assim como a memória, no caso da definição do que é ou não é um patrimônio, encontramos também uma disputa.
  • Patrimônio Material aqui entendida como todas as manifestações, que simbolizam a história e cultura de um povo, associadas a elementos materiais como construções, obras de arte, etc.;
  • Patrimônio Imaterial aqui entendida como todas as manifestações, que simbolizam a história e cultura de um povo, associadas a elementos abstratos como saberes, tradições, rituais etc.;

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Referências:

  • ABI-RAMIA, Jeanne. A Revolta dos Malês. Multi Rio. 2016. Disponível em: http://multirio.rio.rj.gov.br/index.php/leia/reportagens-artigos/artigos/11808-revolta-dos-mal%C3%AAs. Acesso em: 22/set/2021
  • ALMEIDA, Silvio. Racismo estrutural. Pólen Produção Editorial LTDA, 2019.
  • ALVES, Castro. O navio negreiro. Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro, disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000068.pdf. Acesso em 23/set/2021. Acesso em 23 set. 2021.
  • CARDOSO, Lavínia Coutinho. Revolta Negra na Freguesia de São José do Queimado: escravidão, Resistência e Liberdade no Século XIX na Província do Espírito Santo (1845-1850). 2008. Tese de Doutorado. Dissertação (Mestrado em História Social das Relações Políticas)–Curso de Pós-Graduação, Universidade Federal do Espírito Santo. Vitória.
  • CNN Brasil - https://www.cnnbrasil.com.br/business/desigualdade-no-brasil-cresceu-de-novo-em-2020-e-foi-a-pior-em-duas-decadas/
  • FONSECA, Maria Cecília Londres. O Patrimônio em Processo. Trajetória da política federal de preservação no Brasil. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ; MinC/IPHAN, 2005.
  • GONÇALVES, Flávia de Cássia. A colonização no Espírito Santo entre 1535-1700 e a contribuição dos diversos segmentos populacionais na formação sócio-economico-cultural. Dimensões, Vol. 11, p. 53-61. 2000.
  • IBGE . ATLAS do espaço rural brasileiro. Rio de Janeiro. 2011. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101773.pdf. Acesso em: 15 jan, 2021
  • INSTITUTO UNIBANCO. Observatorio de educacao: Desigualdade racial na educação brasileira: um Guia completo para entender e combater essa realidade. Site. Disponível em: https://observatoriodeeducacao.institutounibanco.org.br/em-debate/desigualdade-racial-na-educacao/?utm_source=google&utm_medium=cpc&utm_campaign=11358183974&utm_content=110865315986&utm_term=discrimina%C3%A7%C3%A3o%20racial%20no%20brasil&gclid=CjwKCAjwhOyJBhA4EiwAEcJdccseSOOV-xROHh-o14iInDXo7F59xQ4IPg5tIfFLb7veFfXcAT3T2BoC4dQQAvD_BwE. Acesso em 10 set. 2021.
  • IPEA. Vidas perdidas e racismo no Brasil. Brasília. 2013.
  • PEREIRA, Eliaro Beltrame. Colonização do Solo Espírito Santense. Portal Vila Capixaba. Disponível em: http://www.vilacapixaba.com/artigos/artigo%20vila%20velha%2016.htm. Acesso em 04 out. 2021.
  • LOPES, Tomás de Vilanova Monteiro. Etapas da Evolução Político-Administrativa do Brasil: O regime das capitanias hereditárias. Revista do Serviço Público, v. 75, n. 03, p. 316-321, 1957.
  • MACEDO, Inara Novaes. Entre rios, praias e planetas: Travessias do Congo da Barra do Jucu. Dissertação (Mestrado em Artes), Universidade Federal do Espírito Santo. Vitória, 2015.
  • SCHMIDT, Mário Furley. Nova História Crítica. Editora Nova Geração - São Paulo, 2002.