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Diocese de São João

del Rei/MG

Criação: 21/05/1960

Instalação: 06/11/1960

Basílica N. Sra do Pilar

08/02/2024

ANO DA ORAÇÃO

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INTRODUÇÃO GERAL

PRIMEIRA PARTE

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Nossa Senhora do Pilar

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�������2013 – 50 ANOS DE CF (HOUVE UMA CELEBRAÇÃO)�2ª GUERRA MUNDIAL�PRESENÇA NORTE AMERICANA EM NATAL�O TÉRMINO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL E A RETIRADA AMERICANA DE NATAL�O FIM DOS RECURSOS AMERICANOS E A INSTALAÇÃO DA CRISE SOCIAL�1948 – MOVIMENTO DE NATAL – PE. NIVALDO MONTE E PE. EUGÊNIO SALLES�1954 – DOM EUGÊNIO – BISPO AUXILIAR DE NATAL�1962 – DOM EUGÊNIO – ADMINISTRADOR APOSTÓLICO�1962 – DOM EUGÊNIO E A CÁRITAS REALIZAM A PRIMEIRA CF EM NATAL, MOSSORÓ E CAICÓ�1963 – 16 DIOCESES REALIZAM A CF

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�������CERTIDÃO DE NASCIMENTO DA CF�EXCELÊNCIA, É, PROVAVELMENTE, DO SEU CONHECIMENTO O PLANO DE UMA CAMPANHA NACIONAL, NA LINHA DE COLETAS QUE SÃO FEITAS NA ALEMANHA CATÓLICA. EMBORA AINDA ESTEJAMOS ESTUDANDO COM TÉCNICOS EM PUBLICIDADE O LANÇAMENTO DESTA PROMOÇÃO, PERMITA A CONFIANÇA FRATERNA DE ENVIAR-LHE O PRIMEIRO ESBOÇO DO QUE ESTÁ OCORRENDO COMO SUGESTÃO. POR FAVOR, ENVIE-NOS UMA PRIMEIRA REAÇÃO URGENTE: A) EM TESE, A IDEIA LHE AGRADA? B) A DIOCESE DE V. EXCIA. ADERIRÁ À CAMPANHA? C) QUE IMPRESSÃO LHE CAUSA O MATERIAL REMETIDO? TEM SUGESTÕES A APRESENTAR?��AGUARDO SUAS INSTRUÇÕES E SUAS ORDENS O AMIGO EM JESUS CRISTO.�DOM HELDER CÂMARA. �1º SECRETÁRIO-GERAL DA CNBB (14 DE OUTUBRO DE 1952 ATÉ 10 DE JULHO DE 1958)

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Qual o período para a realização da CF?

Quaresma, um momento oportuno para a conversão exigida por Jesus: “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).

“A penitência do Tempo Quaresmal é também externa e social.

Sua prática acontece de acordo com as possibilidades de nosso tempo, as realidades de cada região e as condições dos fiéis” (SC, n. 110).

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CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2024

Tema: Fraternidade e Amizade Social

Lema: “Vós sois todos irmãos e irmãs”

(cf. Mt 23,8)

Inspiração Bíblico-teológica e do Magistério da Igreja

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O Papa Francisco, na carta encíclica Fratelli Tutti (04 de outubro de 2020), anunciou uma proposta de responsabilidade coletiva que leva à fraternidade e amizade social.

A CF deste ano traz consigo o convite a um amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço, nos interpela à comunhão e solidariedade.

A 4 de fevereiro de 2019, o Papa Francisco e o Xeque  Ahmed el-TayebA 4 de fevereiro de 2019, o Papa Francisco e o Xeque  Ahmed el-Tayeb, Grande Imã de Al-Azhar, assinaram o Documento da Fraternidade Humana para a Paz e Coexistência MundialA 4 de fevereiro de 2019, o Papa Francisco e o Xeque  Ahmed el-Tayeb, Grande Imã de Al-Azhar, assinaram o Documento da Fraternidade Humana para a Paz e Coexistência Mundial, também conhecido como a Declaração de Abu Dhabi. Os princípios da compaixão e da solidariedade humana encarnados neste texto são os mesmos que mais tarde inspiraram a resolução que estabeleceu o dia 4 de fevereiroA 4 de fevereiro de 2019, o Papa Francisco e o Xeque  Ahmed el-Tayeb, Grande Imã de Al-Azhar, assinaram o Documento da Fraternidade Humana para a Paz e Coexistência Mundial, também conhecido como a Declaração de Abu Dhabi. Os princípios da compaixão e da solidariedade humana encarnados neste texto são os mesmos que mais tarde inspiraram a resolução que estabeleceu o dia 4 de fevereiro como o Dia Internacional da Fraternidade Humana

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Três perspectivas:

VER as situações de inimizade que destroem a dignidade dos filhos e filhas de Deus;

ILUMINAR pelo Evangelho que resgata o sentido das relações humanas;

AGIR alargando a tenda em busca de uma sociedade amiga, justa, fraterna e solidária.

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OBJETIVOS DA CF 2024

 

Objetivo geral:

DESPERTAR para o valor e a beleza da fraternidade humana,

promovendo e fortalecendo os vínculos da amizade social,

para que, em Jesus Cristo, a paz seja realidade entre todas as pessoas e povos.

 

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Objetivos específicos:

ANALISAR as diversas formas da mentalidade de indiferença, divisão e confronto em nossos dias e suas consequências para toda a humanidade, inclusive na dimensão religiosa.

COMPREENDER as principais causas desta indiferença geradora da incapacidade de ver nas outras pessoas um irmão e irmã.

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IDENTIFICAR iniciativas de comunhão, reconciliação e fraternidade, capazes de estimular a cultura do encontro.

REDESCOBRIR, a partir da Palavra de Deus, a fraternidade, a amizade social e a comunhão como elementos constitutivos de todo ser humano.

ACOLHER o magistério da Igreja sobre a fraternidade universal, como ajuda ao discernimento nas inúmeras situações de conflito e divisão.

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ESTIMULAR a espiritualidade, os processos, os hábitos e as estruturas de comunhão na Igreja e na sociedade.

INCENTIVAR e PROMOVER iniciativas de reconciliação entre pessoas, famílias, comunidades, grupos e povos.

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INTRODUÇÃO AO TEMA DA CF 2024

SEGUNDA PARTE

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Introdução ao Tema da CF 2024:

FRATERNIDADE E AMIZADE SOCIAL

 A amizade é um dom de Deus, um fenômeno humano universal, um caminho de humanização e de renovação das relações fraternas.

Devemos construir a amizade social em vista da boa convivência.

Para tanto, precisamos entender a amizade.

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Platão vê a amizade como abertura para o belo, o bom e o verdadeiro. É importante para a reorganização sociopolítica, servindo como tecido social que possibilita o fortalecimento da comunidade. Para ele, a amizade é a forma de toda a comunidade espiritual e ética.

Aristóteles afirma: a amizade é o vínculo social que mantém a unidade entre os cidadãos ou companheiros. A amizade social é uma virtude que aperfeiçoa a natureza humana, motivada por um ato de eleição. É oposta ao egoísmo.

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Santo Tomás de Aquino diz que todo homem é naturalmente amigo e familiar e que a amizade é necessária para o bem viver na sociedade.

Em 2020, o Papa Francisco lançou a Fratelli Tutti, onde mostra a fraternidade, baseada na amizade social e no amor político.

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A amizade social é o amor presente nas relações sociais; é o amor feito cultura. Ninguém alcança a plenitude isolando-se. O amor exige uma progressiva abertura.

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Ao usar “amizade social”, o Papa alargou este conceito e o elevou ao nível de acolher a todos, Ele exemplifica: relações internacionais livres, unidade das nações, todos voltados ao bem comum.

O ponto de partida é o valor do ser humano, considerado digno de todo o cuidado. Trata-se da fraternidade aberta a todos.

Não existimos no vazio, mas em um contexto amplo e diversificado de relações pelo qual somos corresponsáveis.

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VER

TERCEIRA PARTE

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Caim e Abel - Onde está o teu irmão?

(Gn 4,1-9)

O homem conheceu Eva, sua mulher, e ela engravidou e deu à luz Caim, dizendo: “Ganhei um filho homem, graças ao Senhor”. Ela tornou a dar à luz e teve Abel, irmão de Caim. Abel tornou-se pastor de ovelhas e Caim, agricultor. Tempos depois, aconteceu que Caim trouxe frutos do solo para oferecer ao Senhor. Abel, trouxe os primogênitos do seu rebanho.

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e a gordura deles. E o Senhor se agradou de Abel e de sua oferta, mas de Caim e de sua oferta não se agradou. Caim ficou muito irritado e com o rosto abatido. Então o Senhor perguntou a Caim: “Por que andas irritado e com o rosto abatido? Porventura, se agires bem, não serás aceito? Mas, se não agires bem, o pecado espreitará à tua porta. Ele te deseja, mas tu deves dominá-lo”. Caim falou ao seu irmão Abel: “Vamos ao campo!” Logo que estavam no campo, Caim atirou-se sobre seu irmão Abel e o matou. Deus perguntou a Caim:

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“Onde está Abel, teu irmão?” Ele respondeu: “Não sei. Acaso sou o guarda do meu irmão?”

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A CF nos faz refletir sobre o quanto podemos melhorar a nós mesmos e o mundo. Os desafios nos levam a somar forças e à ajuda mútua, por isso, nos perguntamos: a que a CF nos convoca à conversão?

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Somos todos irmãos

Somos irmãos, temos a mesma dignidade e somos iguais, dotados de alma racional e criados à imagem de Deus, remidos por Cristo, com a mesma vocação e destino.

A igualdade fundamental não exclui as distinções, mas nossas diferenças são nossa riqueza!

Muitas vezes, entendemos falsamente as diferenças como se fizessem a vida do outro contrária à nossa.

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Essa diversidade não pode nos impedir de viver o novo mandamento de Jesus e amar e rezar pelos nossos inimigos.

O amor é mandamento fundamental e o critério para guiar nossas escolhas e nossos relacionamentos.

As palavras de Jesus Cristo estão, presentes em nossa vida, guiando-nos em cada situação? Lembramos da dignidade humana mesmo quando negada às pessoas?

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O pecado faz-nos enxergar as diferenças como características dos inimigos a serem abatidos. As diferenças não são um problema.

O outro é sempre irmão e irmã que precisamos acolher, conhecer e apreciar.

Suas particularidades podem nos enriquecer.

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Aquele que diverge de mim é alguém que, tanto quanto eu, tem direito de existir, de divergir, de ser diferente, de pensar diferente, de agir diferente.

Deve ser visto como um irmão, uma irmã, pois o ideal cristão é a inclusão, a cooperação e a comunhão e não a indiferença, o combate e a eliminação.

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Sinais de divisões e inimizades, sombras de um mundo fechado

Em nossos dias, observamos diversas situações que muito nos angustiam por serem desumanas.

Imperam a intolerância e o consequente desejo de eliminar o diferente (Eliminação real - homicídio), (Eliminação virtual - cancelamento).

As redes sociais têm sido terreno fértil para essa cultura.

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Existem divisões dentro da própria família. Separações que procedem, por exemplo, de escolhas políticas. Algumas comunidades se sentiram atingidas por conflitos durante celebrações, pelo afastamento de pessoas e pelo rancor entre amigos de longa data, inimizades que permanecem até hoje.

A rejeição do diferente pode dar-se: a partir do princípio etnorracial, no âmbito social; por uma questão de sexualidade; política e religiosa.

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No âmbito religioso não é diferente. Quanta violência se pratica em nome da religião, para eliminar quem compreende Deus de uma forma diferente. Entre os cristãos, têm sido estabelecidas relações de inimizade.

Os grupos fechados se tornam uma desculpa para o egoísmo social e a autoproteção dos seus interesses. Somos desafiados a implementar o sentido social, fraterno, amoroso em relação aos bens possuídos. Precisamos romper a indiferença, para sustentar a “amizade social”.

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O mundo está repleto de situações desumanizadoras que acabam conduzindo a estas tristes páginas escritas em nossa história.

A desigualdade social gera uma violência que as corridas armamentistas não resolvem e nem poderão resolver jamais.

Devemos anunciar o Evangelho da Paz. Devemos professar a fé em um Deus de Paz, reconhecendo todo ser humano como sua imagem e semelhança.

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Até mesmo nas relações entre o ser humano e as demais criaturas, negamos nossa pertença a uma Casa Comum, e a destruímos.

Existe a perda do sentido da história e dos grandes temas; o esvaziamento dos projetos comunitários; a cultura do descarte, inclusive das pessoas; a redução dos direitos; a deterioração ética; o enfraquecimento dos valores espirituais e da responsabilidade; a agressividade social; o excesso de informação. O relacionamento fraterno deixa de ser uma consequência do valor da pessoa.

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Marcas da nossa sociedade

Nossa sociedade, hoje, está dividida e erigimos o diferente como inimigo, para justificarmos sua eliminação.

Vivemos em uma sociedade desigual, e isso aprofunda a divisão. Segundo a mentalidade corrente, quanto mais cedo conseguirmos eliminar aqueles que são improdutivos, mais rápido conseguiremos elevar o nível de vida para aqueles que são produtivos e contribuem com a sociedade.

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A crise do pertencimento e a questão das identidades

Há muito já se fala de uma “mudança de época”. Se no passado os processos de interação se davam organicamente, as facilidades alcançadas pelas tecnologias midiáticas impactaram a percepção dos indivíduos acerca do espaço. Relacionamo-nos com pessoas da Indonésia, mas não conhecemos o vizinho. Tais mudanças têm implicações simbólicas, como a questão da estabilidade da identidade e a crise do pertencimento.

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A Síndrome de Caim

A CF quer nos indagar sobre o motivo pelo qual estamos vivenciando um tempo em que a vida, as pessoas e as relações humanas experimentam tanta agressão e ameaças.

O Papa Francisco chama nossa atenção para a “terceira guerra mundial em pedaços”. Isso significa que estamos vivendo um tempo em que não valorizamos mais a vida de cada pessoa e de todas as pessoas. Estamos num mundo que vive a síndrome de Caim.

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Não nos sentimos responsáveis uns pelos outros. Desejamos que as pessoas que pensam diferentemente de nós desapareçam.

Diferença é ameaça. Adversário é inimigo. Nada de superar desavenças e buscar reconciliação. Queremos combate, destruição e morte.

A paz é um atributo divino. Sua falta mostra que foi rompida a unidade entre Deus e a humanidade. Ansiar pela paz é ansiar por Deus. A CF é uma oportunidade de encontro pessoal com Cristo e vivência de seus ensinamentos.

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A inimizade social se tornou o critério determinante da sociedade. O corrupto olha apenas para si, não vive a fraternidade. Outro exemplo é o bullying que pode levar ao suicídio.

Estes exemplos mostram a ausência de fraternidade, o desvalor da pessoa como Caim que só pensava nele mesmo e escolheu matar o irmão. Com isso, sua resposta a Deus é marcada pela indiferença e desrespeito. “Não sei. Acaso sou o guarda do meu irmão?”

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Quando, pois, fala em síndrome de Caim, a CF indica a presença de uma situação transversal de divisão. Trata-se de um critério que toma conta de tudo, causando devastação e morte. É fundamental olhar os alicerces da mentalidade de nossos dias, indo em busca de uma conexão que nos possibilite compreender o seu conjunto.

O Papa nos alerta que a construção da justiça e da paz parece uma utopia de outros tempos. Vemos um cinismo que abandona os grandes valores fraternos e impedem a cultura do encontro.

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Causas que geram e alimentam a inimizade

As principais são: a destruição da coletividade e a construção do individualismo que faz emergir uma subjetividade violenta e doentia.

Eliminamos o outro para o nosso próprio bem.

O dinheiro e o poder levam à exploração predatória e criminosa da biodiversidade e de todo o meio ambiente.

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A questão fundamental

Vivemos um esgotamento epocal. Caímos num crescente hiper individualismo que acabamos nos fechando uns aos outros.

No campo político, podemos e devemos ter nossas afinidades e identidades, mas não devem ser fontes de divisão.

As comunidades religiosas também devem rever suas posições diante do Evangelho buscando fraternidade, amizade, afeto e gratuidade, gerando reconciliação e mantendo a unidade.

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Hoje, vivemos fisicamente próximos, mas existencialmente distantes.

Tornamo-nos incapazes de nos colocar no lugar do outro, incapazes de compaixão.

Vivemos um processo onde a única ótica que importa é a minha.

Ignoramos que tudo está interligado como se fôssemos um na nossa Casa Comum.

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A sociedade padece de uma enfermidade que podemos denominar como “alterofobia”. Por isso, “É preciso revigorar a consciência de que somos uma única família humana.

Precisamos de uma equidade e uma inclusão social cada vez maiores! Precisamos descobrir as necessidades do irmão e da irmã que orbitam ao nosso redor!

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Somos convocados a vencer a tentação de erguer muros no coração e na terra para que não sejamos escravos dentro de muros sem horizontes.

Se o diagnóstico é a “alterofobia”, a síndrome de Caim, o remédio para o tratamento deve ser a amizade social, pois, como veremos a seguir, iluminados pela Palavra de Deus e o magistério da Igreja, estamos efetivamente diante de uma pandemia sociocultural, que clama por transformação e conversão à luz da fraternidade nascida do Evangelho.

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Sinais que suscitam e sustentam a amizade social

Mas nem tudo está perdido! A amizade social é gerada no amor da Trindade.

As mídias digitais nos deixam mais próximos vendo o sentido de unidade da família humana e impele à solidariedade e a busca de uma vida mais digna. Elas podem ajudar-nos graças a seus avanços.

A internet nos oferece meios de encontro e de solidariedade pelo encontro verdadeiro. Mas estratégias comunicativas não garantem a beleza, a bondade e a verdade da comunicação.

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Consideremos a disposição à solidariedade. O povo se mobiliza, realizando a amizade social. Mas solidariedade é mais do que gestos. É pensar e agir dando prioridade à vida de todos, lutar contra as causas estruturais da negação dos direitos, fazer face aos efeitos destrutivos do império do dinheiro.

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Durante a pandemia muitos deram a própria vida, testemunhando que nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas, muitas vezes sem serem reconhecidas

Os movimentos sociais criam esperança forjando a dignidade humana, cuja dedicação é uma proclamação de esperança. As associações comunitárias nos mostram a boa disposição que habita o coração do nosso povo. Os grupos de entreajuda revelam apoio a pessoas que já não conseguem reerguer-se sozinhas.

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Três propostas globais feitas pelo Papa Francisco testemunham as sementes para uma família humana. São elas: o Pacto Educativo Global (visa construir aliança entre escola, família e sociedade colocando no centro do processo educativo o desenvolvimento integral da pessoa e a proteção da casa comum),

a Economia de Francisco e Clara (deseja influenciar os rumos do pensamento econômico. Desenvolvimento mais equitativo e atento a todas as formas de vida no planeta),

e o processo de escuta Sinodal 2021-2024 (Ouvir todas as pessoas em todas as igrejas locais do mundo a cerva de suas expectativas sobre a Igreja e seu papel na sociedade).

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RESUMINDO

Somos todos Irmãos/as;

Somos diferentes, divergente e oponentes. Mas não podemos ser inimigos;

O pecado desconfigurou e a diferença passou a ser vista como obstáculo;

Precisamos perceber que o outro é imagem e semelhança de Deus e que é direito do outro ser diferente;

A violência parece se tornado algo normal;

Os interesses valem mais do que os valores e o outro se tornou mercadoria;

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RESUMINDO

Vivemos próximos, mas existencialmente distantes;

Sofremos da síndrome de Caim.

Alterofobia: medo, rejeição a tudo o que é outro.

Hiper individualismo

SINAIS DE AMIZADE:

O ímpeto de comunhão está inscrito em nós;

Permanente disposição à solidariedade. Homens e mulheres que dão a vida por uma causa, pela Igreja, por uma pessoa;

Os movimentos sociais (Papa Francisco: São pontos de esperança)

As Comunidades Cristãs; Pluralidade;

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MT 23,1-12

QUARTA PARTE

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1Depois, Jesus falou às multidões e a seus discípulos: 2“Na cátedra de Moisés estão sentados os escribas e os fariseus. 3Portanto, tudo o que eles vos disserem, fazei e observai, mas não imiteis as suas ações, pois eles falam e não fazem. 4Amarram fardos pesados e insuportáveis e os põem aos ombros dos homens, mas eles mesmos não querem movê-los, nem sequer com um dedo. 5Fazem todas as suas obras só para serem vistos pelos homens, usam faixas bem largas com trechos da

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Lei e põem no manto borlas bem longas. 6Gostam do lugar de honra nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas, 7de serem cumprimentados nas praças públicas e chamados de ‘rabi’. 8Quanto a vós, não vos façais chamar de ‘rabi’, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos. 9Não chameis a ninguém na terra de ‘pai’, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Não vos deixeis chamar de ‘guia’, pois um só é o vosso Guia, o Cristo. 11Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. 12Quem se exaltar será

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humilhado, e quem se humilhar será exaltado (...)” (Mt 23,1-12).

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Este discurso é orientação a respeito da vida fraterna à luz da Lei do Senhor.

Os discípulos devem aprender o discipulado verdadeiro, devem acompanhar a reflexão dos escribas e fariseus, mas não imitar suas ações porque instrumentalizam a fé.

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No deserto, quando o Senhor entrega a Moisés o decálogo, o contexto é o da libertação do povo da escravidão.

Portanto, os Mandamentos são parte do caminho para chegar à Terra Prometida e não devem ser usados para a opressão.

A Lei é caminho de vida, mas a interpretação dos fariseus é sinônimos da morte, e impede que vivamos como irmãos e irmãs.

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No caso dos escribas e fariseus, suas obras são apenas aparências.

Eles não alargam suas tendas.

A Escritura, não está inscrita em seu coração.

Eles impõem um fardo pesado sobre os outros, fazem opções opressivas.

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É o próprio Senhor o modelo dessa conduta. Por isso, devemos ter os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus: compaixão, disposição ao serviço, misericórdia, benevolência, fraternidade aberta a todos.

A Nova Aliança é comunidade de irmãos, unidos pelo amor a exemplo do Mestre e se reúnem ao redor da mesa e celebram o Sacramento que faz irmãos, onde um é o Senhor e Mestre.

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Um único Mestre: Jesus

O testemunho é um ensinamento que se pode oferecer para que aprendamos pouco a pouco a tarefa da fidelidade ao Evangelho.

Um único Pai: o do Céu

Jesus quer mostrar a centralidade do Pai celeste, como único Pai, de fato.

Jesus afirma que não deve haver mestres entre seus discípulos, pois Ele é o mestre.

A centralidade da paternidade de Deus é a fonte da fraternidade na comunidade.

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Um único Guia: o Espírito que gera diversidade de carismas e ministérios

Reconhecer que o Espírito é guia exige o cultivo da intimidade com Ele e a coragem de deixar-se guiar por Ele, no caminho do amor que passa pela Cruz.

Reconhecer um único Guia, é reconhecer que todos são irmãos e irmãs uns dos outros, são iguais.

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RESUMINDO

O que Jesus Cristo recomenda?

O que Jesus Cristo recomenda aos discípulos e à multidão?

Estamos mais parecidos com os escribas e fariseus ou com Jesus?

Jesus denuncia a instrumentalização da fé. Ou seja, o ensinamento estava correto mas a prática era contrária;

Qual é o eixo? A fraternidade (Mt 23,8)

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RESUMINDO

Onde é o nosso lugar? no lugar de Deus ou do irmão?

Enquanto o primeiro erro de Adão e Eva levou-os a fazer da morte o resultado inevitável, Caim trouxe a morte imediata. Romper as relações fraternas é buscar a morte.

Na volta do filho pródigo, o pai o recebe com túnica, anel e sandálias nos pés.

O filho mais velho resolve ficar fora da festa.

O pai reafirma a fraternidade incorrupta com o filho. É ela a razão para que o filho mais velho se reconcilie com o irmão.

O Pai convida-nos à reconciliação como esforço de manter fortes os vínculos que Ele mesmo jamais rompe.

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RESUMINDO

“Já não vos chamo servos (...). Eu vos chamo amigos” (Jo 15,15)

No Evangelho de João, a fraternidade é o amor distintivo do discípulo e convite à imitação do Mestre.

A chave para a compreensão da amizade cristã está no capítulo 15 de João, onde temos a videira e os ramos e o mandamento do amor. Esse amor se expressa no serviço de dá a própria vida por seus amigos.”

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O testemunho dos santos

A vida e a história dos santos não deixam de ser sinais de fraternidade e amizade social.

A Vida Religiosa Consagrada: testemunho de fraternidade e amizade social

As ordens e congregações religiosas católicas representam preciosas experiências de comunhão. A partir dessa vida fraterna, desenvolvem ações pastorais.

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 Espiritualidade de comunhão

João Paulo II propôs fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão, voltar-se para o mistério da Trindade.

Cultura do respeito, do diálogo, da amizade.

Bento XVI nos diz: A amizade é um grande bem humano.

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Dito isto, podemos afirmar: a fraternidade está no coração do Evangelho.

No coração do Evangelho, aparece a vida comunitária e o compromisso com os outros.

No irmão está o prolongamento da Encarnação : todas as vezes que fizestes isso, foi a mim que o fizestes.

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AGIR

QUINTA PARTE

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“Alarga o espaço da tua tenda”

(Is 54,2)

 

2Alarga o espaço da tua tenda, estende as peles das tuas barracas – nada poupes! – estica as cordas, finca bem as estacas! 3Para a direita e para a esquerda te expandirás, e a tua descendência herdará as nações que virão repovoar as cidades abandonadas. 4Não tenhas medo, pois não passarás vergonha; não te enrubesças, pois não terás de que te envergonhar!” (Is 54,2-4).

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Somente a ação nos leva a dar grandes passos em direção à cultura do encontro e do diálogo.

É necessário alargar a tenda, agindo sobre três elementos da sua estrutura. O primeiro são as lonas. É preciso estendê-las, para que protejam os que estão fora. O segundo são as cordas, que mantêm juntas as lonas. Elas devem aumentar-se para manter a justa tensão. O terceiro são as estacas, os fundamentos da fé. Alargar a tenda exige acolher outros na Igreja, dando espaço à sua diversidade”.

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Nesta dinâmica de alargar os espaços das nossas tendas, nosso desafio é a escuta do Espírito por meio da escuta da Palavra, dos acontecimentos e da escuta mútua.

Assim, a Igreja irradia o valor da amizade.

Apresentaremos sugestões de ação para os âmbitos da pessoa, comunidade e sociedade. Diante delas, cada pessoa, grupo, comunidade e instituição é convocada a discernir a respeito do que fazer.

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Âmbito pessoal:

  1. Realizar a Coleta Nacional da Solidariedade;
  2. Buscar e resgatar a identidade pessoal e o conhecimento de si mesmo;
  3. Cultivar, uma espiritualidade de comunhão;
  4. Identificar as “nossas guerras”, falsidades, ambições para que o mal não cresça;
  5. Reagir como o bom samaritano: ver, sentir compaixão e cuidar;
  6. Olhar cada pessoa com amor;
  7. Promover a cultura do encontro;
  8. Formar-se para a abertura à diversidade;

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  1. Dialogar sempre;
  2. Apostar em uma educação para a liberdade e o respeito às pessoas;
  3. Incentivar a exigência do amor cristão, que acolhe a todos como Jesus;
  4. Incentivar encontros interpessoais;
  5. Ser um agente de reconciliação e de paz;
  6. Ir ao encontro de todos os vizinhos;
  7. Celebrar a vida do outro;

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  1. Participar de iniciativas como “É tempo de cuidar”; “Pacto pela vida e pelo Brasil”; “Pacto Educativo Global”; “Economia de Francisco e Clara”, etc.

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Âmbito comunitário-eclesial:

  1. Promover a Coleta Nacional da Solidariedade;
  2. Empreender a conversão pastoral;
  3. Investir na espiritualidade de comunhão;
  4. Ser “Igreja em saída”;
  5. Favorecer os centros de escuta e formar pessoas para ouvir o diferente;
  6. Buscar os grupos extra eclesiais que cuidam dos mais vulneráveis e com eles pensar o todo da ação;
  7. Lutar pela igualdade de oportunidades para todos;

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  1. Educar para o bom uso das redes sociais;
  2. Estimular a amizade social entre os sacerdotes, os(as) consagradas;
  3. Praticar o ecumenismo e o diálogo interreligioso;
  4. Implantar as Escolas de Perdão e Reconciliação (EsPeRe);
  5. Celebrar o Dia Internacional da Amizade, em 20 de julho;
  6. Abordar a CF na catequese e na pregação, de forma oportuna;
  7. Desmascarar as atitudes de ódio, exclusão e cancelamento que ocorram na comunidade, ajudando em um processo de conversão;

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  1. Investir esforços para que os espaços comunitários de comunhão e participação, sejam oportunidades reais de construção coletiva;
  2. Ser presença de fraternidade, reconciliação e mediação de conflitos nas escolas e outros ambientes educativos;
  3. Fomentar espaços para a escuta das pessoas em grupos de partilha de experiências diversas;
  4. Promover pequenos grupos de ajuda mútua, de solidariedade e caridade;

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  1. Fazer um levantamento das pastorais, ONGs e outras instituições que promovem a solidariedade;
  2. Promover espaços de estudo e partilha da Doutrina Social da Igreja;
  3. Incentivar a participação ativa das famílias nas comunidades escolares;
  4. Apoiar iniciativas de formação de professores para que sejam mediadores de conflito Conheça as EsPeRe, acessando o link: https://esperebh.wordpress.com/apresentacao/

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  1. Estabelecer parcerias na educação e promoção dos Direitos Humanos para todos;
  2. Capacitar os agentes para enfrentar e responder aos discursos de ódio em suas atividades diárias;
  3. Fortalecer o ensino religioso nas escolas;
  4. Criar na CNBB o Grupo de Trabalho “Missionários da Comunhão”, para promover o ecumenismo intra-eclesial, indo ao encontro daqueles que pensam diferente de nós, com corações abertos para ouvir e, a partir da escuta, reconstruir a comunhão na sinodalidade.

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Âmbito social:

  1. Valorizar o voluntariado, o serviço comunitário;
  2. Implementar e popularizar a Justiça Restaurativa;
  3. Promover a discussão de grandes temas do momento, como a migração e o preconceito;
  4. Fomentar e promover as pastorais e movimentos que cuidam de todos os excluídos e desprovidos de dignidade;
  5. Condenar todas as experiências autoritárias e ditatoriais;
  6. Promover a democracia e a paz participando de organismos de Direitos Humanos;

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  1. Apoiar as instituições públicas de denúncia de crimes de ódio e intolerância;
  2. Promover as instituições que cuidam da cultura da paz;
  3. Estabelecer um observatório da Amizade Social;
  4. Conscientizar e formar as pessoas para o bom uso dos recursos digitais;
  5. Fomentar e incentivar as redes de comunicação popular e comunitárias, para a construção das contranarrativas ao ódio e discriminação;
  6. Orientar para a busca do bem comum e reconstruir a ordem política e social, o tecido das suas relações, o seu projeto humano

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ORAÇÃO da CF 2024:

 

Deus PAI, vós criastes todos os seres humanos com a mesma dignidade.

Vós os resgatastes pela vida, morte e ressurreição do vosso Filho, JESUS CRISTO,

e os tornastes filhos e filhas, santificados no ESPÍRITO.

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AJUDAI-NOS, nesta Quaresma, a compreender o valor da amizade social

e a viver a beleza da fraternidade humana aberta a todos,

para além dos nossos gostos, afetos e preferências,

em um caminho de verdadeira penitência e conversão.

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INSPIRAI-NOS um renovado compromisso batismal

com a construção de um mundo novo,

de diálogo, justiça, igualdade e paz,

conforme a Boa-Nova do Evangelho.

ENSINAI-NOS a construir uma sociedade solidária, sem exclusão, indiferença, violência e guerras.

E que MARIA, vossa Serva e nossa Mãe, nos eduque para fazermos vossa santa vontade.

AMÉM!

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