ADEILDO
ALVES
ARTE
ARTISTAS CONTEMPORÂNEOS PIAUIENSES
04/04/2022
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A CONDIÇÃO POLÍTICA do Nordeste, considerado zona ultra perigosa pelos militares durante a última ditadura, provocou uma diáspora cultural espalhando jovens artistas e intelectuais por entre os polos dominantes do Rio de Janeiro e de São Paulo, centros historicamente mais preparados para receber literatos do que artistas plásticos. Desde o Modernismo podemos detectar maior abertura de paulistas e cariocas para com os poetas, novelistas e críticos literários que chegavam do Nordeste do que para com os artistas.
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https://delirioplaneta.blogspot.com/2017/03/arte-contemporanea-no-maranhao-texto-de.html#:~:text=Dentre%20estes%20artistas%20que%20produzem,body%20art)%2C%20Marcio%20Vasconcelos%20(
Há de se convir que a arte no Maranhão é conhecida principalmente pela grande efervescência da cultura popular, bumba-boi, cacuriá, tambor de crioula, Dança do lelê, entre outras, isso não quer dizer que a produção artística seja resumida somente a essas formas de expressão. Podemos perceber com isso que a força da tradição ainda supera as produção de arte contemporaneidade, mas isso é ruim? Embora se evidencie a produção mais popular da arte isso não quer dizer que não há uma produção diferenciada dentro do Estado e embora se pense num atraso artístico, prefere-se acreditar que esse tipo de afirmação é um tanto equivocada e carregada de pré-conceitos de uma cultura dominante.
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Dentre estes artistas que produzem dentro do estado podemos citar por sua estética não tradicional ou convencional apropriação de outros espaços para criação de suas obras:
Marília de Laroche (fotografia, arte urbana, performance), Erivelto Viana (performance, dança), Raurício Barbosa (body art), Marcio Vasconcelos (fotografia, performance), Thiago Martins de Melo (pintura, performance), Gê Viana (arte urbana, performance), João Almeida (tipografia artística, artes visuais), Efeito Colateral e Furta Tinta (coletivos de grafite), Porcolitos (intervenções urbanas), Bruno Azevedo (escritor), Celso Borges (poesia), Tairo Lisboa (filme experimental), Wilka Barros (performance fotográfica), Uimar Junior (performance), Ton Bezerra (performance, pintura), Maria Zeferina (Arte Urbana), Tieta Macau (Dança, performance), Kenny Oliveira (arte não especificada), Diones Caldas (vídeo arte), Lucian Rosa (cinema), BemDito Coletivo (performance, Intervenções urbanas, dança).
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Fernando Mendonça
Nasceu em berço de artistas. Seu pai era saxofonista e a mãe artesã na pequena Bacuritiba. Aos14 anos, a vida no vilarejo já não cabia nas exigências de sua alma inquieta. Foi morar em São Luis do Maranhão, onde logo ingressou num grupo artístico da cidade, o Laborarte, ali pela década de 70. Em 1980, foi mais longe: partiu para o Rio de Janeiro, onde tornou-se amigo e discípulo de Rubens Guerchman, o artista vanguardista que muitas vezes usou a arte para questionar a opressão e a desigualdade social no período da ditadura militar.
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Manifestações artísticas e culturais integram o movimento de luta da violência contra as mulheres e é uma significativa ferramenta de mobilização de novos públicos em favor dessa causa. Buscando compreender e discutir o lugar da mulher na sociedade contemporânea, principal motivação da artista maranhense Marlene Barros, a Galeria de Arte do Sesc abre ao público nesta terça-feira(26) o seu mais recente trabalho, a exposição “Eu tenho a tua cara”. Composta por rostos de mulheres transfigurados, visa expressar o impacto da violência sofrida diariamente pela mulher brasileira.
“Eu tenho a tua cara” é um trabalho criado a partir de fotografias de rostos de várias mulheres onde a artista cria novas imagens, novos rostos, que causam estranhamento e inquietação em quem observa pelo seu poder de instigação e de subversão causada pela troca dos olhos e das bocas de cada uma, onde são costurados os pedaços de umas nas outras. Um rosto que se qualifica enquanto grotesco, pois a imagem dessa costura também nos transporta para outra imagem ligada a costuras dos corpos de mulheres que sofreram ou sofrem algum tipo de violência.
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Cosme Martins nasceu no Maranhão em 1959. Iniciou sua carreira em sua cidade natal, São Bento, pintando temas figurativos locais. Na década de 80, mudou-se para o Rio de Janeiro com o objetivo de expandir o reconhecimento de sua arte.
No Rio de Janeiro, obteve orientação de grandes artistas Rubens Gerchman, Luiz Áquila, Aluísio Carvão, Kate Van Scherpenberg e José Maria Dias da Cruz. Tais experiências com grandes mestres da arte brasileira favoreceram a obtenção de prêmios e participações em salões e importantes museus de arte como Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro e Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Já Roberto Pontual abriu as primeiras portas para o mercado de arte. Foi ele que recebeu Cosme Martins em Paris quando foi vencedor do Prêmio Viagem através da participação na exposição A “Mão Afro Brasileira em Pintura”
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PIAUÍ
Eulália Pessoa
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Entre o mosaico de cores e desenhos que arrebatam os olhos de quem se depara com a magnífica obra de Eulália Pessoa, cujos traços e pinceladas extraem da memória sentimentos esquecidos e a identificação, quase que imediata, com a situação representada, há uma história que revela mais que um estilo, desnuda lembranças fossilizadas, camufladas nas camadas do tempo que somente a arte foi e é capaz de revelar. Esse é o universo subjetivo da artista plástica Eulália Pessoa, nascida no Ceará, mas radicada em Teresina desde os 3 anos de idade. Ela é formada em Nutrição pela Universidade Federal do Piauí e em Artes Visuais pelo Instituto Camilo Filho. A artista já teve suas obras expostas em Teresina e São Paulo, assim como nos países Áustria, Tailândia, China, Itália, República Dominicana. Ao redor de um artista tudo se transforma, ainda mais quando a artista em questão é a Eulália Pessoa, que fez da sua morada um oásis da arte, transformando cada micro espaço em um fragmento da sua obra. São telas, esculturas, xilogravuras, jardinagem, cerâmicas, que dão vida ao seu lar e que convivem em constante diálogo e sintonia com as fotos do cônjuge Manuel Soares, um prato cheio para qualquer olhar forasteiro.
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Yolanda Carvalho
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Yolanda Carvalho, professora, artista plástica, gravadora e ilustradora de Teresina-PI. É o maior nome da xilogravura no Piauí, arte esta que se dedica há mais de 30 anos. Estudou Artes Plásticas na Fundação Brasileira de Teatro, Faculdade de Artes Dulcina, Brasília-DF. É graduada em Educação Artística e Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pós-graduada em Preservação da Arte Rupestre, Núcleo de Antropologia da Pré-História, da Universidade Federal do Piauí.
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Antonio Cardoso
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O artista plástico Antonio Cardoso nasceu em Teresina, mas reside em Timon-MA. É formado em Artes Visuais, graduando em Designer Gráfico e possui diversos cursos ligados a produção digital e artística. Tem trabalhos conhecidos internacionalmente e ilustra para Pink Elephant, Moska na sopa (do vocalista Tico Santa Cruz, Detonautas Rock Clube) e Geekdom Store. Venceu o concurso da ALL STAR CHEVRON, e já foi homenageado como jovem empreendedor cultural do ano. Lançou dois volumes do seu primeiro quadrinho em nível nacional de forma independente, chamado “NERUNDA, QUANDO OS PÁSSAROS VOAM”.
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Josefina Pacheco Gonçalves
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É difícil dissociar a história do artista da sua arte, grande parte da sua obra acompanha os acontecimentos da sua vida, representa o que o artista está vivendo ou a forma como ele enxerga o mundo. Isso se torna mais forte quando o artista em questão nasce para a arte e respirando arte. Foi assim que aconteceu com uma das maiores artistas plásticas da nossa época, Josefina Pacheco Gonçalves, que é natural de Barras-PI. Formada em Desenho e Artes Plásticas pela Universidade Federal da Bahia, especialista em História da Arte e Arquitetura e em Gestão de Negócios da Moda. Já lecionou no Instituto Camillo Filho no Curso de Artes Visuais e na UNINOVAFAPI no Curso Design de Modas. Com obras premiadas e exposições que já rodaram o Brasil e ultrapassaram as fronteiras do país.
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Érico Ferry
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Um artista multifacetado ou vários artistas dentro de uma única pessoa? O teresinense Érico Ferry é pintor, escritor, artista visual, compositor e músico. Não só envereda por diversas artes como domina tudo o que se propõe experimentar. Érico é estudante do curso de Música na Universidade Federal do Piauí e já compôs a trilha sonora para os documentários “O Canto de Jader Damasceno” (2014) e “Ampulheta de Thiago Furtado” (2015). Participou de exposições pela cidade como na Roda de Poesia Tensão, Tesão & Criação, no Café Sobrenatural e na Tomato Gastronomia e Cultura, todas levando a sua série “Deformar para criar”. Além disso, como se não bastasse dominar a pintura, apresentou performances musicais pela UFPI com composições autorais.
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Nonato Oliveira
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Raimundo Nonato de Oliveira nasceu em São Miguel do Tapuio, em 11 de dezembro de 1949. �Desde criança já se identificava com a arte. Naquela época não tinha acesso a tintas, fazendo uso, como alternativa, de algumas plantas para fabricar suas cores próprias. Aproveitando as sobras de material de construção de seu pai, o pedreiro Sabino, Nonato fez o seu primeiro painel. Enquanto Sabino fazia o reboco de um dos quartos de sua casa, Nonato pegou uma faca e aproveitou para fazer recortes na parede, fendendo aos poucos as figuras das pessoas próximas a ele, além de animais como burros e pássaros. Já a partir daquele momento atraiu a admiração de todos em sua volta.
�Uma das grandes influências de Nonato é o seu tio Mestre Dezinho, artista renomado no Nordeste. Em Valença do Piauí, cidade natal de Dezinho, Nonato trabalhou com o tio e aprendeu bastante, inclusive sobre a temática regionalista que adota atualmente.�Com 17 anos fez uma série de quadros sobre a Guerra de Canudos, que o levou a uma exposição no Rio de Janeiro. As obras lhe renderam uma bolsa de estudos na Europa, onde chegou a trabalhar como ajudante do pintor espanhol Pablo Picasso: "Ficava olhando ele pintar. Fiquei na França com ele o tempo inteiro até o dia de sua morte", diz Nonato.
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https://www.google.com/search?q=NONATO+OLIVEIRA+HIST%C3%93RIA&hl=pt-BR&sxsrf=ALeKk02wfvoyws-wx47wkzADDbsXGqeBgA:1606240830589&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=2ahUKEwjKwYWx4ZvtAhXcCrkGHW2CALAQ_AUoAnoECAkQBA&biw=1366&bih=625#imgrc=QovSgMtQL6x19M
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Carmem Carvalho e a contribuição
para o teatro piauiense
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A atriz e produtora Carmem Carvalho é natural de Teresina e radicada em Parnaíba. Formada em Artes Visuais na Universidade Federal do Piauí, ela atua como professora, inserindo o teatro também no ambiente escolar. São mais de vinte anos de dedicação ao teatro e o currículo extenso da atriz só confirma a vasta experiência nos palcos. Carmem Carvalho já apresentou peças como “A menina e o barquinho” (1994), “Uma estrela” (1998), “Traquinagem” (2005), “A saga do criador de bode” (2005), “O marinheiro” (2006), “Branca de Neve e os setecentos anões” (2007), “A incrível pedra fina” (2007), entre outros. A atriz já participou de inúmeros festivais de teatro dentro e fora do Piauí, apresentou em várias cidades piauienses, ministrou diversas oficinas ao longo da sua trajetória nas artes cênicas e trabalha na promoção do “Troféu – Os melhores do ano do teatro piauiense”. Carmem Carvalho foi idealizadora do Festival de Monólogos Atriz Ana Maria Rego e do Baile de Artistas de Teresina, ela está tão entrelaçada ao teatro piauiense que é seu nome se mistura a essa história. Para a atriz o teatro é feito de pontes e por isso é uma arte tão envolvente.
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“O teatro representa uma ponte entre a dramaturgia, eu e as pessoas. Essa ponte une o invisível ao visível.” Carmem Carvalho