O LIXO E A PROBLEMÁTICA AMBIENTAL�-UC MEIO AMBIENTE-�PROF.ª ISABEL PATRÍCIA
O lixo e seu impacto ambiental
O lixo (também chamado de resíduo) é considerado um dos maiores problemas ambientais da nossa sociedade. A população e o consumo per capita crescem e, junto com eles, a quantidade de resíduos produzidos. Na maioria das vezes, o lixo não é descartado de maneira correta e pode resultar em diversos problemas para o meio ambiente, como contaminação da água, do solo e até mesmo do ar.
A composição gravimétrica¹ dos resíduos consiste em categorizar os tipos de materiais descartados pela população. Trata-se de informação da maior importância para definir as melhores ações para uma gestão integrada e eficiente desses materiais. A edição 2020 do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil trouxe a gravimetria atualizada dos RSU no país, e identificou algumas mudanças no perfil de resíduos ao longo da década. Acesse abrelpe.org.br
¹A análise gravimétrica ou gravimetria, é um método analítico quantitativo cujo processo envolve a separação e pesagem de um elemento ou um composto do elemento na forma mais pura possível.
Cultura do lixo
Em nosso país, a população em geral não apresenta uma cultura de interesse no destino dos resíduos, residindo a maior preocupação na necessidade de um serviço de recolhimento. Uma vez recolhidos pelo serviço público de coleta, para muitos o problema já está resolvido. Esta cultura tem como consequência a falta de interesse em fazer uma redução significativa na geração de lixo, como base para a gestão sustentável. As pessoas não pensam na preservação dos recursos naturais e não têm interesse nos mecanismos de eliminação, a menos que eles representem uma ameaça para a saúde. No entanto, devemos lembrar que somos todos consumidores e responsáveis pelos resíduos que geramos em relação à qualidade e à quantidade. Portanto, também temos um papel fundamental na geração de resíduos e em seu destino final.
A classificação dos resíduos sólidos: afinal, o que é lixo?
No termo estabelecido pela ciência e legislação do meio ambiente, o que conhecemos como lixo é chamado de resíduo, ou seja, tudo aquilo que não é aproveitado por qualquer atividade humana. Os resíduos podem ser diferenciados em quatro categorias, que são: secos, úmidos, perigosos e rejeitos. Vamos entender qual lixo vai em cada categoria?
Aproximadamente 85,2% (material reciclável + matéria orgânica) do que produzimos tem potencial de ser reciclado, isto é, ser transformado no mesmo ou em outro material. Um exemplo é a transformação de sucata em arame ou de pregos e outras peças metálicas. Para a matéria orgânica, sua reciclagem consiste na transformação deste insumo em adubo orgânico. Sendo assim, somente 14,8% dos nossos resíduos são rejeitos. Na prática, rejeitos são tudo aquilo que, esgotadas as possibilidades de reutilização, reciclagem ou tratamento, devem ter uma destinação ambientalmente adequada.
Ao gerar os mais diversos resíduos, como classificá-los?
Os Resíduos Classe I são resíduos que apresentam periculosidade (perigo!) devido a uma ou mais dessas características: inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade. Um exemplo são os resíduos de serviço de saúde, como os medicamentos e os resíduos contaminados com substâncias químicas, biológicas ou radioativas. A resolução responsável pelo correto gerenciamento desses resíduos é a RDC 306/2004.
Já os Resíduos Classe II são aqueles que não apresentam perigo. São subdivididos em dois grupos:
Tudo está bem definido, mas… Para onde vão esses resíduos?
No Brasil, desde que o sistema de coleta de resíduos urbanos se estabeleceu nas cidades, a grande maioria delas envia seus resíduos para locais inadequados ao recebimento, como os lixões. Os lixões são locais a céu aberto, onde todo tipo de resíduo é disposto sem nenhum controle. Eles causam graves problemas para a saúde da sociedade e do meio ambiente. Mas por quê?
O chorume de lixo é o líquido proveniente da matéria orgânica em decomposição nos aterros sanitários. Se disposto de maneira incorreta no meio ambiente, pode provocar contaminação do solo, lençol freático e corpos d’água. Esse líquido tem aparência escura, viscosa e apresenta cheiro forte característico e desagradável. Portanto, é um atrativo para vetores de doenças, tais como moscas e roedores.
Segundo a International Solid Waste Association (ISWA), o Brasil gasta R$1,5 bilhão anual com o sistema de saúde pública por causa dos lixões. Calcula-se que cerca de 1% da população desenvolva doenças graças à destinação inadequada dos resíduos sólidos.
O ATERRO CONTROLADO É O LOCAL ONDE SÃO DESTINADOS RESÍDUOS SANITÁRIOS GERADOS POR HOSPITAIS, CLÍNICAS E CLÍNICAS VETERINÁRIAS, POR EXEMPLO. SUA PRINCIPAL FINALIDADE É DIRIMIR OS IMPACTOS AMBIENTAIS DECORRENTES DO DESCARTE DE LIXO.
São lugares onde o lixo é disposto de forma controlada e os resíduos recebem uma cobertura de solos. No entanto, os aterros controlados não recebem impermeabilização do solo nem sistema de dispersão de gases e de tratamento do chorume gerado, ou seja, os aterros controlados são uma categoria intermediária entre o lixão e o aterro sanitário, sendo geralmente uma célula próxima ao lixão, que foi remediada, recebendo cobertura de grama e argila.
Outra destinação para os resíduos sólidos é a incineração, que tem a vantagem de diminuir muito o volume do lixo, destruir substâncias e materiais perigosos, além de produzir energia. Para saber mais sobre ela e também sobre suas desvantagens, leia o texto: Substâncias tóxicas formadas na incineração do lixo.
ATERROS SANITÁRIOS�NOS ATERROS SANITÁRIOS, POR OUTRO LADO, O LIXO RESIDENCIAL E INDUSTRIAL É DEPOSITADO EM SOLOS QUE RECEBERAM TRATAMENTO PARA TAL, OU SEJA, QUE FORAM IMPERMEABILIZADOS, O QUE INCLUI UMA PREPARAÇÃO COM O NIVELAMENTO DE TERRA E COM A SELAGEM DA BASE COM ARGILA E MANTAS DE PVC. OS ATERROS SANITÁRIOS TAMBÉM POSSUEM SISTEMA DE DRENAGEM PARA O CHORUME (LÍQUIDO PRETO E TÓXICO QUE RESULTA DA DECOMPOSIÇÃO DO LIXO), QUE É LEVADO PARA TRATAMENTO, SENDO DEPOIS DEVOLVIDO AO MEIO AMBIENTE SEM RISCO DE CONTAMINAÇÃO, ALÉM DE CAPTAÇÃO DOS GASES LIBERADOS, COMO METANO, SEGUIDA DA SUA QUEIMA.
O que é uma usina de compostagem?
Em uma Usina de Compostagem, resíduos orgânicos passam por um processo de aceleração da decomposição na presença de oxigênio. Como resultado final do processo, são gerados compostos orgânicos e gases CO2. A depender da tecnologia utilizada, o composto orgânico é muito apreciado na agricultura.
Alternativas para o tratamento de resíduos orgânicos:
A biodigestão é um processo anaeróbico, sem oxigênio, de degradação da matéria orgânica realizado em grandes equipamentos chamados biodigestores. O subproduto deste processo é o biogás que pode ser utilizado como fonte de energia e o fertilizante líquido que pode ser empregado na fertilização do solo.
Tem sua aplicação mais voltada para o tratamento de estercos de animais como os de suínos e bovinos. Projetos populares têm promovido à instalação de biodigestores em comunidades rurais para geração de biogás que posteriormente é utilizado nas residências.
Neste sistema deve-se dar preferência para a utilização de espécies de minhocas que se alimentam de resíduos frescos, como por exemplo, as minhocas californianas. Durante manejo do minhocário deve-se atentar para fatores que podem atrapalhar o funcionamento do sistema, mantendo sempre equilibrado a umidade, calor e os tipos de resíduos utilizados para sua alimentação. Deve-se evitar o fornecimento em excesso de restos de carnes, cítricos, alimentos cozidos ou com alto teor de sal.
Incineração
O emprego da incineração no tratamento de resíduos é realizado através da queima controlada desses materiais, gerando energia térmica, elétrica e cinzas, promovendo uma drástica redução no volume e na periculosidade dos resíduos sólidos.
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Entretanto, a destinação de resíduos orgânicos para um incinerador acaba inviabilizando sua reciclagem e transformação em adubo orgânico, desperdiçando os nutrientes presentes nesta massa de resíduos e que poderiam ser reempregados como fertilizantes naturais do solo.
Como funciona a Compostagem de Resíduos Verdes (gramas, podas de árvores e afins)?
Os resíduos verdes são triturados por máquinas especiais e depois separados de acordo com o seu tamanho. O tratamento acontece a céu aberto. Depois de triturados e misturados, os resíduos são amontoados em pilhas de até 3 m de altura. As pilhas são colocadas em um solo perfurado. Assim a circulação de oxigênio dentro das mesmas é facilitado. O resultado dessa técnica é um aumento significativo de eficiência no processo.
Depois do processo, o composto é então filtrado e impurezas são retiradas.
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Como funciona a Compostagem de Resíduos Orgânicos domiciliares?
A composteira é, basicamente, um recipiente de decomposição, porém, não são todos os materiais orgânicos que podem ser colocados nela. Restos de alimentos, talos e casca de verduras e frutas não cítricas, cascas de ovo e borra de café são muito bem-vindos, assim como folhas e grama fresca e alimentos cozidos em pequenas quantidades. Carnes e fezes de animais podem gerar mal cheiro e contaminação do adubo.
https://youtu.be/wA9hxus1EJM
Reciclar nada mais é do que recuperar a parte reutilizável de produtos consumidos para reintroduzi-los no ciclo de produção de sua origem ou para a criação de outros objetos a partir dessa matéria-prima.
https://youtu.be/OQ5jpiKzNqg
Detrito espacial
Descrição
Detritos espaciais são objetos criados pelos seres humanos e que se encontram em órbita ao redor da Terra, mas que não desempenham mais nenhuma função útil, como por exemplo as diversas partes e dejetos de naves espaciais deixados para trás após seu lançamento.
https://youtu.be/-aoI0H4wGyg
Dois pontos são cruciais para a segregação e destinação corretas de quaisquer resíduos. Primeiro, a educação ambiental e o entendimento da responsabilidade compartilhada. Ou seja, entender que você participa da problemática dos resíduos sólidos. Cada um tem seu papel fundamental neste gerenciamento, seja você gerador, coletor, catador, responsável do setor privado ou público, político da área, entre outros. E o segundo ponto importante é a efetivação da coleta seletiva, que é a coleta de resíduos sólidos previamente separados conforme sua constituição ou composição, e posterior destinação ambientalmente adequada.