FECCIF25 – IV Feira Estadual de Ciência e Cultura do IFSP – Setembro / Outubro de 2025
Este estudo analisa a mobilidade urbana sob a perspectiva de gênero, mostrando como a insegurança nas cidades brasileiras afeta negativamente a vida das mulheres. Para evidenciar a desigualdade de gênero presente no espaço urbano, foram realizadas pesquisas bibliográfica e documental, e pretende-se aplicar um questionário nos bairros Pimentas, Cumbica e Cabuçu, em Guarulhos — onde os índices de violência contra a mulher são elevados. Como solução, propõe-se um dispositivo portátil conectado a um aplicativo de segurança, com funções como localização em tempo real, rotas seguras e contatos de emergência. O objetivo é promover mais segurança, autonomia e mobilidade para as mulheres, além de disponibilizar meios de ajuda rápida e eficiente em situações de perigo.
RESUMO
INTRODUÇÃO
OBJETIVOS
METODOLOGIA
SEGURANÇA DAS MULHERES NAS RUAS DE GUARULHOS: USO DA TECNOLOGIA PARA UM AMBIENTE URBANO SEGURO
Danielle C. Silva Assis¹, Emanoela S. de Araújo², Gabrielly B. Brasileiro3, Cristiane Santana Silva4 (orientadora)
1Instituto Federal de São Paulo, Guarulhos, Brasil - a.danielle@aluno.ifsp.edu.br
2Instituto Federal de São Paulo, Guarulhos, Brasil - santos.emanoela@aluno.ifsp.edu.br
3Instituto Federal de São Paulo, Guarulhos, Brasil - baleeiro.g@aluno.ifsp.edu.br
4Instituto Federal de São Paulo, Guarulhos, Brasil – cristiane.santana@ifsp.edu.br
A mobilidade urbana segura é um direito essencial. No entanto, para as mulheres, o espaço público ainda é hostil e excludente. A violência e o assédio nas ruas limitam sua autonomia e restringem o acesso às atividades sociais, econômicas e culturais.
Segundo Lefebvre, o direito à cidade está ligado ao acesso pleno à vida urbana. No Brasil, esse direito ainda é atravessado por desigualdades de gênero. Em Guarulhos, registros da Prefeitura apontam altos índices de violência contra mulheres, especialmente nos bairros Pimentas, Cumbica e Cabuçu.
Diante desse cenário, este estudo investiga como a tecnologia pode contribuir para a segurança feminina. O objetivo é propor soluções que ampliem a mobilidade segura, fortaleçam a autonomia e incentivem a participação das mulheres no espaço público.
O objetivo central deste estudo é desenvolver duas ferramentas complementares: um aplicativo de mapeamento, cujo diferencial é possibilitar o planejamento de trajetos seguros, indicando rotas alternativas e áreas de risco; e um dispositivo portátil de segurança, que funciona como botão de emergência integrado ao aplicativo.
Como objetivos específicos, destacam-se a investigação da percepção das mulheres sobre a insegurança urbana em Guarulhos, a identificação dos fatores que contribuem para a violência de gênero no espaço público, a realização de pesquisa de campo nos bairros mais afetados e a proposta de soluções tecnológicas que ampliem a autonomia feminina e fortaleçam sua presença no espaço urbano.
Até o presente momento, a pesquisa avançou nas etapas bibliográfica e documental, que evidenciaram a forte relação entre desigualdades de gênero e insegurança urbana em Guarulhos. Dados da Prefeitura (2024) apontam que os dez bairros mais violentos da cidade concentram índices elevados de ocorrências contra mulheres, entre os quais se destacam Pimentas, Cumbica e Cabuçu — locais que também correspondem às áreas de residência das pesquisadoras, o que reforça a relevância social e pessoal deste estudo.
Atualmente, a pesquisa encontra-se em fase preparatória para a aplicação de questionários e mapeamento nos bairros selecionados. Entre as ações previstas, incluem-se visitas às Delegacias da Mulher, a fim de analisar a possível integração do aplicativo aos serviços de segurança já existentes; às escolas de período noturno, considerando a vulnerabilidade das jovens entre 18 e 25 anos — faixa etária mais atingida pela violência; e à Subsecretaria da Mulher, com o objetivo de compreender políticas públicas já implementadas, identificar lacunas de atendimento e alinhar o desenvolvimento do aplicativo às demandas institucionais. Essas ações de campo permitirão validar os dados iniciais e orientar de forma consistente a construção da solução tecnológica proposta, reforçando seu potencial de impacto para a mobilidade e segurança das mulheres.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
REFERÊNCIAS
CONCLUSÃO
Para compreender os deslocamentos de meninas e mulheres e os fatores que contribuem para a violência de gênero no espaço urbano, este estudo adota uma abordagem mista, com pesquisa bibliográfica, documental e de campo. A pesquisa bibliográfica inclui livros, artigos e trabalhos acadêmicos sobre mobilidade urbana, violência contra a mulher e direito à cidade; já a documental analisa leis e dados oficiais relacionados ao enfrentamento da violência de gênero.
A pesquisa de campo será realizada nos bairros Pimentas, Cumbica e Cabuçu, em Guarulhos, em duas etapas: aplicação de questionários com mulheres para identificar percepções sobre insegurança urbana e transporte, seguida da utilização desses dados no desenvolvimento de um dispositivo portátil de segurança feminina, em conjunto de um aplicativo que mapeie rotas seguras e indique pontos de risco. O protótipo prevê três páginas principais: mapa de rotas seguras com alerta de trechos perigosos; contatos e botão de emergência; e catálogo de instituições de apoio às mulheres, além de um fórum de denúncias integrado ao sistema de mapeamento.
A pesquisa evidencia que a mobilidade urbana das mulheres é marcada pela insegurança, resultado de fatores sociais, culturais e estruturais. O desenvolvimento do dispositivo portátil juntamente com o aplicativo busca contribuir para a redução desses riscos, oferecendo rotas mais seguras, apoio em situações de emergência e incentivo à denúncia, fortalecendo a autonomia feminina no espaço urbano e promovendo cidades mais justas e inclusivas.
INSTITUTO PÓLIS. O que é Direito à Cidade? São Paulo: Instituto Pólis, 17 mar. 2020. Disponível em: https://polis.org.br/direito-a-cidade/o-que-e-direito-a-cidade/. Acesso em: 6 mai. 2025.
LEFEBVRE, H. O direito à cidade. São Paulo: ed. Centauro, 2008.
PREFEITURA DE GUARULHOS. Mapa da violência contra as mulheres na cidade de Guarulhos: evolução dos números de registros no município – 1º semestre de 2024. Guarulhos: Secretaria de Direitos Humanos, Subsecretaria de Políticas para as Mulheres, 2024.