GOVERNOS MILITARES NO BRASIL
Governos Militares no Brasil
O PLANETA NA DÉCADA DE 1960
O conhecido período dos anos 60 foi o tempo em que vários países do Ocidente deram uma guinada à esquerda no início da década, com a vitória de John F. Kennedy nas eleições de 1960 nos EUA, da coalizão de centro-esquerda na Itália em 1963 e dos trabalhistas no Reino Unido em 1964. No Brasil, João Goulart virou o primeiro presidente trabalhista com a renúncia de Jânio Quadros.
O PLANETA NA DÉCADA DE 1960
BRASIL: os primeiros anos da década de 1960
BRASIL: os primeiros anos da década de 1960
BRASIL: os primeiros anos da década de 1960
A conjugação desses fatores terminaria por conduzir o nacionalismo reformista de João Goulart ao fracasso.
O estopim do golpe militar aconteceu em março de 1964, quando Jango, após um discurso inflamado no Rio de Janeiro, determinou a reforma agrária e a nacionalização das refinarias estrangeiras de petróleo. Em 31 de março, os militares iniciam a tomada do poder. No dia 2 de abril, o presidente João Goulart partiu de Brasília para Porto Alegre.
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O GOLPE MILITAR DE 1964 NO BRASIL
O QUE FOI O GOLPE MILITAR DE 1964?
O mundo passava pela Guerra Fria (disputa entre os blocos comunista X capitalista), e muitos temiam que João Goulart se alinhasse com o comunismo soviético ou chinês (inclusive ele acabara de voltar da China poucos dias antes de sua posse). Muitos de seus aliados eram, de fato, progressistas de esquerda e isso ameaçava o projeto de desenvolvimento almejado pelos setores conservadores. A luta de classes estava se acirrando. Ao anunciar suas reformas de base, de cunho social (envolvendo reforma agrária, salário-mínimo, etc.), seus opositores aproveitaram o ensejo e incitaram o golpe, sob o pretexto de estar combatendo o "inimigo vermelho" que visava, segundo os golpistas, abolir a propriedade privada, estimular a degeneração moral, a anarquia, etc.
OS GOVERNOS MILITARES
As forças que assumiram o poder em 1964 tinham como prioridade econômica o crescimento acelerado.
Nesse período áureo do desenvolvimento brasileiro em que, paradoxalmente, houve aumento da concentração de renda e da pobreza, instaurou-se um pensamento ufanista de "Brasil potência“.
Imagem: Stayfree / McNEIL-PCC, inc / http://pzrservices.typepad.com/vintageadvertising/images/2008/09/11/1982_cathy_rigby_ad.jpg
Este milagre econômico, cujo auge se deu entre 1969 a 1973, era sustentado por três tripés:
MODELO POLÍTICO DOS GOVERNOS MILITARES
MODELO POLÍTICO DOS GOVERNOS MILITARES
O GOVERNO DO MARECHAL CASTELLO BRANCO 1964-67
Imagem: Governo do Brasil / Public Domain
O GOVERNO DO MARECHAL COSTA E SILVA 1967-69
Imagem: Governo do Brasil / Public Domain
O ATO INSTITUCIONAL Nº5 ou simplesmente o AI-5
O ATO INSTITUCIONAL Nº5 ou simplesmente o AI-5
O GOVERNO DO GENERAL GARRASTAZU MÉDICI 1969-74
Imagem: Governo do Brasil / Public Domain
O GOVERNO DO GENERAL ERNESTO GEISEL 1974-79
Imagem: Governo do Brasil / Public Domain
VLADIMIR HERZOG
O jornalista Vladimir Herzog de 38 anos, diretor de jornalismo da TV Cultura de São Paulo, foi encontrado morto, supostamente enforcado, nas dependências do 2º Exército, em São Paulo, em 25 de outubro de 1975. No dia seguinte à morte, o comando do Departamento de Operações de Informações e Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), órgão de repressão do exército brasileiro, divulgou nota oficial, informando que Herzog havia cometido suicídio na cela em que estava preso.
Três anos depois, no dia 27 de outubro de 1978, o processo movido pela família do jornalista revelou a verdade sobre a morte de Herzog. A União foi responsabilizada pelas torturas e pela morte do jornalista. Foi o primeiro processo vitorioso movido por familiares de uma vítima do regime militar contra o Estado.
Saiba mais no link:
http://pnld.moderna.com.br/2012/06/27/o-misterioso-caso-de-vladimir-herzog/
O GOVERNO DO GENERAL JOÃO FIGUEIREDO 1979-85
Imagem: Foto oficial de João Figueiredo, presidente do Brasil entre 1979 e 1985 / Governo do Brasil / Domínio público.
A CENSURA DURANTE O REGIME
Usar a arte como instrumento de agitação política - caminho apontado pelo Centro Popular de Cultura da UNE no início dos anos 60 - acaba tendo vários seguidores. Os festivais de música do final dessa década revelam compositores e intérpretes das chamadas canções de protesto, como Geraldo Vandré, Chico Buarque de Holanda e Elis Regina. O cinema traz para as telas a miséria de um povo sem direitos mínimos, como nos trabalhos de Cacá Diegues e Glauber Rocha. No teatro, grupos como o Oficina e o Arena procuram dar ênfase aos autores nacionais e denunciar a situação do país. Com o AI-5, as manifestações artísticas são reprimidas e seus protagonistas, na grande maioria, empurrados para o exílio. Na primeira metade dos anos 70, são poucas as manifestações culturais expressivas, inclusive na imprensa, submetida à censura prévia.
O império do terror no governo Médici (1969/74), com censura acirrada, invasões a domicílios, assassinatos e “desaparecimento” de presos políticos, através da ação dos DOI-CODIS, visando à extinção de qualquer tipo de oposição ao governo militar, foi o principal causador da destruição de muitas das atividades culturais nos anos de 1970.
A CENSURA DURANTE O REGIME
Em 15 de setembro de 1972, o seguinte telegrama exemplificador foi recebido pelo diretor da filial de Brasília do jornal O Estado de São Paulo
“De ordem do senhor ministro da Justiça fica expressamente proibida a publicação de: notícias, comentários, entrevistas ou critérios de qualquer natureza, abertura política ou democratização ou assuntos correlatos, anistia a cassados ou revisão parcial de seus processos, críticas ou comentários ou editoriais desfavoráveis sobre a situação econômico-financeira, ou problema sucessório e suas implicações. As ordens acima transmitidas atingem quaisquer pessoas, inclusive as que já foram ministros de Estado ou ocuparam altas posições ou funções em quaisquer atividades públicas. Fica igualmente proibida pelo senhor ministro da Justiça a entrevista de Roberto Campos.“
A CENSURA DURANTE O REGIME
Alguns dos artistas censurados durante a ditadura militar: Caetano Veloso, Chico Buarque, Elis Regina, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Raul Seixas, Toquinho, entre outros.
Algumas telenovelas que sofreram censura: ‘Roque Santeiro’, de Dias Gomes; ‘Escalada’, de Lauro César Muniz; ‘Pecado Capital’, de Janete Clair; e ‘Vale Tudo’, de Gilberto Braga.
“A censura era canhestra, mesquinha, burra. Como dialogar com as toupeiras que tinham o poder de impedir nossa livre expressão? Não tinham argumentos objetivos, lógicos, nem de tipo nenhum. Era: ‘isso não pode mesmo’, ‘nosso regime tem uma clareza do que é nocivo para o público’...”
Lauro César Muniz
O BÊBADO E O EQUILIBRISTA� cantado por Elis Regina
Caía a tarde feito um viaduto�E um bêbado trajando luto�Me lembrou Carlitos…
A lua�Tal qual a dona do bordel�Pedia a cada estrela fria�Um brilho de aluguel
E nuvens!�Lá no mata-borrão do céu�Chupavam manchas torturadas�Que sufoco!�Louco!�O bêbado com chapéu-coco�Fazia irreverências mil�Prá noite do Brasil.�Meu Brasil!…
Que sonha com a volta do irmão do Henfil.�Com tanta gente que partiu�Num rabo de foguete�Chora!�A nossa Pátria Mãe gentil�Choram Marias�E Clarices�No solo do Brasil…
Mas sei, que uma dor�Assim pungente�Não há de ser inutilmente�A esperança…
Dança na corda bamba De sombrinha�E em cada passo Dessa linha�Pode se machucar…
Asas!�A esperança equilibrista�Sabe que o show De todo artista�Tem que continuar…
"O Bêbado e a Equilibrista" é uma das mais famosas músicas que berraram nos ouvidos da covarde ditadura - mesmo "covarde ditadura" sendo redundante, vale destacar - militar que assolou - e assombrou - o Brasil de 1964 a 1985. A música foi composta por Aldir Blanc e João Bosco e lançada no LP "Linha de Passe", em 1979 é gravada por Elis Regina, voz que deu forma à música e ficou conhecidíssima.
Imagens da esquerda para a direita: (A) TV Brasil / Creative Commons Attribution 3.0 Brazil. (B) Rei Momo / GNU Free Documentation License
AS DIRETAS JÁ!
Entre os últimos meses de 1983 e abril de 1984, o Brasil foi agitado por um dos maiores movimentos cívicos de sua história: a campanha das "Diretas Já".
Grandes manifestações populares aconteceram em todo o país, reivindicando o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República, que haviam sido substituídas por um pleito indireto no Congresso nacional durante o regime militar.
A campanha ganhou as ruas, arregimentando um número crescente de partidários em todo o país, nos mais diversos setores da sociedade. Reuniram-se lideranças políticas, sindicais, eclesiásticas e estudantis. ���
Vários artistas, jogadores de futebol e jornalistas aderiram ao movimento, fazendo-o ganhar cada vez mais simpatizantes entre as camadas populares.
Apesar do anseio explícito da maioria da população brasileira, o governo militar, sob o comando do general-presidente João Figueiredo, ainda tinha poder sobre o Congresso. A emenda Dante de Oliveira, que precisava de 2/3 dos votos dos parlamentares para ser aprovada, acabou rejeitada.��Votaram a seu favor 298 parlamentares; 65 foram contra e 3 se abstiveram. Porém, para não desagradar aos militares nem aos seus eleitores, 112 simplesmente não compareceram à votação. Assim, por 22 votos, os brasileiros tiveram adiado o sonho de votar para presidente da República - o que só aconteceria em 1989.
O FIM DO REGIME MILITAR
Quando a emenda constitucional que propunha eleições diretas para presidente foi rejeitada pelo Congresso Nacional, em 1984, um dos líderes do movimento que incendiara o país em defesa do voto livre sentiu que chegara sua hora. Mesmo tendo de concorrer no Colégio Eleitoral, composto em sua maioria por deputados e senadores do governista Partido Democrático e Social , Tancredo Neves lançou-se candidato pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro, de oposição. Venceu em 15 de janeiro de 1985, data que simboliza o fim de mais de vinte anos de ditadura militar.
Imagem: Agência Brasil / Creative Commons Attribution 3.0 Brazil
�TRECHO DO DISCURSO DE TANCREDO NEVES PREPARADO PARA A POSSE NA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, EM MARÇO DE 1985.�
‘Não celebramos, hoje, uma vitória política. Esta solenidade não é a do júbilo de uma facção que tenha submetido a outra, mas festa da conciliação nacional, em torno de um programa político amplo, destinado a abrir novo e fecundo tempo ao nosso País. A adesão aos princípios que defendemos não significa, necessariamente, a adesão ao governo que vamos chefiar. Ela se manifestará também no exercício da oposição. Não chegamos ao poder com o propósito de submeter a Nação a um projeto, mas com o de lutar para que ela reassuma, pela soberania do povo, o pleno controle sobre o Estado. A isso chamamos democracia.
É tempo, portanto, de edificar um Estado que sirva à plenitude de nosso povo. Não deve ser um Estado que as elites outorguem à Nação, em orgulhoso ato de poder, mas que se erga, da consciência coletiva, como resposta a anseios e necessidades. Ele deve ser construído para promover a ordem e a justiça. Ordem e justiça se fazem com a lei. E a lei deve ser a organização social da liberdade.’�
GLOSSÁRIO
CHARGES
GOVERNOS MILITARES NO BRASIL�� REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COSTA, Luís César Amad e MELLO, Leonel Itaussu Almeida. História do Brasil. 11ª ed. São Paulo, Ed. Scipione, 1999
VICENTINO, Claúdio. História Geral e do Brasil. Vol.2. 1ª ed. São Paulo, Ed. Scipione, 2010
FERREIRA, João Paulo Hidalgo e FERNANDES, Luiz Estevam de Oliveira. Nova História Integrada: ensino médio, vol. Único. 1ª ed. São Paulo, Ed. Companhia da Escola, 2005
BARBEIRO, Heródoto; CANTELLE, Bruna Renata e SCHNEEBERGER, Alberto. História: de olho no mundo do trabalho. Vol. Único. 1ª ed. São Paulo, Ed. Scipione, 2004
AZEVEDO, Gislaine Campos e SERIACOPI, Reinaldo. História em movimento: ensino médio, vol. 3. São Paulo, Ed. Ática, 2010
GOVERNOS MILITARES NO BRASIL��ENDEREÇOS ELETRÔNICOS
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15 | Governo do Brasil / Public Domain | http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Costa_e_Silva.jpg | 18/09/2012 |
18 | Governo do Brasil / Public Domain | http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Garrastazu_m%C3%A9dici.jpg | 18/09/2012 |
19 | Governo do Brasil / Public Domain | http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ernesto_Geisel.jpg | 18/09/2012 |
21 | Foto oficial de João Figueiredo, presidente do Brasil entre 1979 e 1985 / Governo do Brasil / Domínio público. | http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Figueiredo.jpg | 17/10/2012 |
27a | TV Brasil / Creative Commons Attribution 3.0 Brazil | http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Elis_Regina_(TV_Brasil)_(1).jpg | 18/09/2012 |
27b | Rei Momo / GNU Free Documentation License | http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Caetano.veloso.in.milan.jpg | 18/09/2012 |
30 | Agência Brasil / Creative Commons Attribution 3.0 Brazil | http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Tancredo_Neves.jpg | 18/09/2012 |