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Abordagem da sociedade baseada na obra de Karl Marx

Sociologia da Comunicação

FLUL,13.03.2012

Docente: Rita Marquilhas

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Bibliografia

  • Lorimer, Rowland, Mike Gasher, e David Skinner. 2008. Mass Communication in Canada. Oxford & Nova Iorque: Oxford University Press.

  • Tradução e adaptação das páginas 91 ss. nos slides abaixo.

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Marxismo e Capitalismo Industrial

  • Marxismo: Abordagem da sociedade em que o conceito de classe é proposto como elemento fundamental para a divisão da mesma.
  • Capitalismo industrial: novo modo de produção, revolucionário que carateriza as sociedades modernas. Resulta da aplicação das técnicas científicas à produção em massa de um largo leque de bens de consumo, cada vez maior. É a produção em massa que cria riqueza para os donos do capital.

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Reprodução do capital e nascimento de duas classes

  • A reprodução do capital, ou seja, a criação de lucros a partir das atividades produtivas, é o eixo em torno do qual se organiza a sociedade industrial.
  • Daqui tendem a nascer duas principais classes sociais:
    • a dos capitalistas (donos dos meios de produção)
    • a dos trabalhadores (desprovidos de propriedade produtiva, vendem a força do trabalho aos capitalistas)

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Interesses das classes

  • O sistema do capitalismo industrial tende a favorecer os interesses dos donos do capital, que constituem também a fração mais pequena da sociedade.
  • São interesses que também tendem a ser defendidos pelo próprio Estado e pelo governo:
    • Legisla-se para proteger a propriedade privada.
    • Dá-se enquadramento legal à relação entre capital e trabalho.
    • Os impostos reúnem fundos para criar infraestruturas (estradas, caminhos de ferro, canais, portos, sistemas de comunicação) que mantêm o comércio a funcionar.
    • As escolas educam os alunos para serem bons trabalhadores.
    • A polícia intervém dominando rebeliões de trabalhadores.

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Crença subjacente ao marxismo

  • É possível uma vida melhor, a partilhar por todos, mas é uma vida que não surgirá enquanto houver apropriação privada da riqueza.
  • Advoga-se:
    • As técnicas de produção em massa postas ao serviço da eliminação de escassez de bens.
    • A distribuição por todos da abundância material, regulando-se as técnicas industriais para atender aos interesses de todos, e não só os dos capitalistas (eliminação da situação paradoxal em que se encontra tanto o açambarcamento, quanto a pobreza extrema).

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Principal herança do Marxismo em sociologia

  • Reconhecimento do papel fundamental que a vida económica tem na estruturação dos outros elementos da vida em sociedade (será um “motor da história”).
  • Reconhecimento de que o capitalismo não deixa espaço para outras forças a ele exteriores.

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Abordagem histórica segundo o modelo marxista (determinista) - Lorimer et al. 2008: 57 ss.

  • A partir do século X, deu-se início a uma nova ordem social em que a subserviência para com a Igreja e o monarca deu lugar a um contexto favorável à exaltação da liberdade dos indivíduos e das ideias. Desse contexto, desencadearam-se movimentos como o Humanismo, a Reforma, a Contrarreforma, o Iluminismo e a Revolução Industrial.

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Humanismo

  • A leitura dos autores do classicismo grego e latino permitiu que se restaurasse a fé na humanidade e na natureza, que se seguissem os filósofos antigos na reafirmação da razão e dos sentidos. Passou a celebrar-se (nas artes, por exemplo) a forma humana e o conhecimento empírico do mundo. Assim se conquistou uma progressiva libertação da compreensão do mundo na perspetiva da Igreja, e se lançaram as bases para uma sociedade secularizada.
  •  Ex: Os Lusíadas de Luís de Camões, Canto IX, Estrofe 83
  • Ó que famintos beijos na floresta,�E que mimoso choro que soava!�Que afagos tão suaves, que ira honesta,�Que em risinhos alegres se tornava!�O que mais passam na manhã, e na sesta,�Que Vénus com prazeres inflamava,�Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,�Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.

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Reforma Alemã

Segundo a conceção deste movimento intelectual, cujo autor mais simbólico tinha sido Martinho Lutero, cada indivíduo podia conhecer Deus diretamente; a religião e a moral eram, assim, definidas numa base mais individual.

O facto de a Imprensa ter entretanto surgido, permitiu que as edições múltiplas da Bíblia servissem de apoio prático a esta conceção de religiosidade individual.

  • Quadro de Gerrit Dou (séc. XVII) pintor flamengo discípulo de Rembrand

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Contrarreforma

  • Seguiu-se, em parte da Europa, e como reação ao Humanismo e à Reforma, uma restauração do controlo absoluto exercido pela Igreja. Aqui, a Imprensa também foi instrumental, uma vez que permitiu a multiplicação de éditos e de constituições divulgando as decisões tomadas no Concílio de Trento (1545-1563); por outro lado, a instituição da censura inquisitorial foi o primeiro reconhecimento oficial de que a circulação de suportes escritos servia de veículo para a circulação de ideias subversivas.

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Exemplo: censura inquisitorial em Portugal

  • Minuta de um édito particular proibindo a Confutatio Nugarum Duardi Nonni Leonis Jurisconsulti Lusitani. Lião, 1594
  • ANTT, Conselho Geral do Santo Ofício, liv. 256, fls. 243r-244r
  • «Os Inquisidores apostolicos contra a heretica pravidade e apostasia em esta cidade e arcebispado de Lisboa e seu distritto ettc fazemos saber aos que a presente virem que nesta Mesa se vio hum livro [...] o qual por ser neste reino cousa nova, (conforme a obrigação que temos) se mandou rever e examinar por pessoas religiosas doctas e tementes a Deos, e foi por elles censurado, e declararão ser o ditto livro imfamatorio, sediciozo, perturbador do bem comum escandaloso, e perjudicial ao bem e quietação da re publica, por constar em si cousas contra a religião christã e bons costumes que conforme ao tempo podião ser occasião de grandes malles, e por ser sem erudição algüa se devia prohibir [...].»

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Iluminismo

  • No início do século XVIII, proclamou-se a Idade da Razão, uma combinação intelectual de lógica e empirismo,  abordagem do mundo na perspetiva científica e racional. Assim se preparou o triunfo da perspetiva científica sobre a religiosa, o triunfo da justiça sobre o abuso de poder, e o do contrato social, que fazia valer os direitos e as liberdades individuais, sobre o domínio absoluto de reis e papas. Autores de referência foram John Locke, Voltaire, Rousseau, Adam Smith.
  • O argumento de Adam Smith, por exemplo, era o de que o povo tinha direitos naturais inalienáveis, e que os poderia defender melhor no mercado do que nas formas feudais de produção e troca. No modelo feudal, com efeito, um modelo que incluía a escravatura ou suas variantes, não havia livre troca entre os fatores de produção terra-trabalho-capital. 
  • Uma élite começava a competir cada vez mais com a aristocracia no sentido de tomar o poder. Era a burguesia educada, próspera, expansiva e materialista (composta por novos donos de terras desvinculadas, por exemplo), produto do desenvolvimento da nova economia de mercado e do comércio colonial que se vinha desenvolvendo desde o século XVI.

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Revolução Industrial

  • No século XIX a organização social conheceu mudanças radicais, observáveis a vários níveis:
  • 1. Aplicou-se a inovação científica à produção de bens.
  • 2. Os proprietários rurais aderiram à agricultura comercial.
  • 3. Os trabalhadores passaram a procurar ocupação nas cidades ou nas colónias; eram as cidades que albergavam as novas manufaturas, eram as colónias que albergavam as terras onde se produzia a matéria prima para as novas indústrias.
  • 4. Passou a haver novas formas de transporte e de comunicação garantindo a necessária coordenação entre compradores e vendedores, trabalhadores e patrões, governos e cidadãos.
  • 5. As relações sociais tornaram-se muito mais complexas, sendo que a instituição antiga da família alargada deu lugar à da família nuclear, que se movia mais facilmente em busca de trabalho; os atores sociais adaptaram-se às novas grandezas espaciais e temporais, aqui com uma divisão mais inflexível entre momentos de trabalho e momentos de lazer (fábricas abertas vs fábricas fechadas).

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Modernos meios de comunicação

  • Foi neste contexto que se desenvolveram os meios de comunicação modernos, chamados 'de massas', que fechavam  as distâncias geográficas e sociais criadas pela produção industrial, servindo além disso novos interesses e novas necessidades.
  • Imprensa - permitia a informação política e económica;
  • Fotografia - servia de elemento de ligação nos novos contextos familiares, comunitários e pessoais; construiu novos nexos familiares e comunitários numa altura em que a nova ordem os destruía: podia manter-se o rito da vida familiar veiculado pela presença figurativa de parentes dispersos; ao mesmo tempo, a fotografia ia familiarizando os eleitores com os líderes políticos e empresariais, isto já no século XIX;
  • Cinema - oferecia curiosidade e entretenimento;
  • Telégrafo e Telefonia - permitiam a informação nos negócios e nos assuntos urgentes.

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Classe intelectual versus pessoas vulgares�

  • Desenraizado do seu contexto tradicional, agrícola e feudal, o povo passou a ser visto pelos intelectuais como uma coleção de indivíduos isolados (sem valores, sem costumes, sem laços),  uma massa indiferenciada sem noção do seu lugar na ordem social, nem noção da própria ordem social. Formavam um agregado, uma massa no sentido físico, não um grupo solidário e coeso. 

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Trabalho

Testar a hipótese de todas estes contextos históricos serem mais do que etapas ao longo de um simples friso cronológico.

Ver, pela leitura dos jornais do dia, como todos somos, ainda, humanistas, reformistas, contrarreformistas e iluministas.