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Avaliação diagnóstica sobre alfabetização e letramento no Ensino Fundamental

Aula 1

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| Objetivos da aula

  • Apresentar diferentes concepções de avaliação.
  • Evidenciar as características e o papel da avaliação diagnóstica.
  • Refletir sobre a relação da avaliação diagnóstica e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
  • Compreender a importância da avaliação diagnóstica para a recomposição da aprendizagem.

Carla Lima

carla.lima@ufvjm.edu.br

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| Qual é o meu lugar de fala?�

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1. Concepções de avaliação

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| Avaliação

  • O interesse pela avaliação tem sido fomentado por pesquisas realizadas em diversos países devido ao nexo positivo entre a sua realização e o bom desempenho escolar.

  • Na linha de investigação dos fatores associados à eficácia escolar, os estudos (BONAMINO, 2012; SAMMONS, 2008) apontam a avaliação da escola e o monitoramento do progresso dos alunos como mecanismos que contribuem para que:
    1. o foco no ensino e na aprendizagem;
    2. o aumento das expectativas e dos incentivos positivos;
    3. a ênfase no ensino de saberes básicos (leitura, escrita, matemática)
    4. gestores e docentes possam detectar e remediar rapidamente, com ações específicas, eventuais problemas de desempenho escolar.

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| Avaliação

  • Alguns estudos (LIMA, 2019; FREITAS; OVANDO, 2015) alertam a respeito de implicações e desdobramentos da forma como a avaliação tem sido utilizada, que incide sobre:

    • o ênfase dada a finalidades reguladoras e indutoras em prejuízo da contribuição da avaliação para a emancipação;

(b) a difusão de óticas mercadológicas na educação;

(c) a concorrência para disseminar uma concepção redutora de qualidade de ensino;

(d) a concorrência para a redução do currículo escolar ao que é mensurável;

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| Avaliação externa

  • Instituídas desde os anos de 1990 (Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), Sistema Mineiro de Avaliação e Equidade da Educação Pública (SIMAVE), etc) com testes e questionários que permitem compreender as desigualdades e propor indicadores (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

  • Embora se tenha conquistado um “progressivo aperfeiçoamento do diagnóstico sobre os resultados alcançados pelas diversas redes de ensino e sua crescente divulgação pública, não se tem observado uma efetiva melhoria dos indicadores educacionais” (CRUZ, 2014, p. 18), uma vez que parece haver pouca validade consequencial no sentido do que os “efeitos que os resultados podem despertar no pensamento, nas atitudes e na ação dos diversos interessados” (SILVA et al, 2013, p. 2) no contexto escolar.

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| Avaliação interna

  • Realizada pelos sujeitos que trabalham na instituição, utilizando estratégias que permitem diagnosticar problemas e necessidades, com o objetivo de fundamentar a tomada de decisões voltadas para a melhoria do rendimento e desempenho do aluno.

  • Quando professores e equipes de gestão da escola não tomam decisões mais amplas a partir da avaliações internas que poderiam desencadear “mudanças no processo de ensino e na estrutura de organização da escola, a avaliação interna torna-se formal, classificatória e pouco educativa” (SOUSA; FERREIRA, 2019, p. 21).

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| Tipos de avaliação

  • Na avaliação Somativa o objetivo é o de descrever e dar conta do que o aluno aprendeu e é capaz de fazer certo, a fim de hierarquizar e certificar.

A avaliação somativa considera nota como critério de sucesso, desaparecendo o aluno enquanto pessoa (SANTOS, 2016).

Na avaliação Formativa o objetivo é fornecer evidência que auxiliem a apoiar o aluno na sua aprendizagem.

O professor funciona como um mediador entre o conhecimento e o aluno” (SANTOS, 2016, p. 640).

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2. Avaliação diagnóstica

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| Tipos de avaliação

  • A avaliação diagnóstica, como o próprio nome já diz, consiste no ato de diagnosticar o sujeito.

  • Contribui para a identificação de habilidades/competências que o aluno já domina, auxiliando na apreensão daquilo que precisa ser ensinado, além de produzir conhecimento ao identificar as dificuldades, tentando discriminar e caracterizar suas possíveis causas.

  • A avaliação diagnóstica permite determinar a presença ou ausência dos pré-requisitos necessários para que as novas aprendizagens possam efetivar-se” (HAYDT, 2007, p. 23).

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| Avaliação diagnóstica

  • A avaliação diagnóstica remete ao levantamento de informações para haver uma tomada de decisão:

  • intenta recolher informações sobre o que o estudante já sabe, quais os conhecimentos que o estudante traz para a sala de aula, quais as competências e habilidades ele já adquiriu, levando, assim, ao planejamento das práticas pedagógicas de maneira fundamentada em algo mais concreto” (TAVANO, 2021, p.39).

  • A avaliação diagnóstica não objetiva classificar ou hierarquizar os alunos.

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| Quais os benefícios da Avaliação diagnóstica?

  • Analisar o aprendizado do aluno.
  • Reavaliar os métodos de ensino do professor
  • Gerar novas situações de aprendizagem
  • Controlar a qualidade do processo de ensino aprendizagem
  • Detectar e corrigir as falhas do processo de aprendizagem
  • Deve estar articulada com os objetivos, os métodos e com o currículo
  • Ao (re) orientar o ensino, o (re)planejamento do trabalho desenvolvido em sala de aula, com foco na aprendizagem do aluno, se aproximando, por vezes na avaliação formativa.

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| Avaliação diagnóstica: Língua Portuguesa (4º ano)

Como o aluno compreendeu o problema apresentado? Que tipo de elaboração fez para chegar a determinada resposta? Que dificuldades encontrou? Como tentou resolvê-las?

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| Avaliação diagnóstica: Matemática (3º ano)

Como o aluno compreendeu o problema apresentado? Que tipo de elaboração fez para chegar a determinada resposta? Que dificuldades encontrou? Como tentou resolvê-las?

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| Compreendendo o erro

  • O aluno possui a estrutura de pensamento necessária à solução da tarefa, mas selecionou modos inadequados para tal. Exemplo: interpretou corretamente, mas a resposta apresenta erros ortográficos.

  • O aluno errou porque a estrutura de pensamento que possui não é suficiente para solucionar a tarefa. Ex: não sabe diferenciar uma exceção de uma regra -> palavras terminadas em “agem” são escritas com g, mas pajem é uma exceção.

  • O aluno errou porque não possui estrutura de pensamento necessária à solução da tarefa, o que gera uma impossibilidade de compreender o que lhe é solicitado. Exemplo: o aluno não sabe qual operação matemática usar para resolver um problema.

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| Erro na avaliação diagnóstica

  • Todas as respostas dos alunos relacionam-se à alguma sequência de raciocínio, relacionado a uma determinada compreensão.

  • É importante saber quais as questões que os estudantes conseguiram dar as respostas, mas também é importante entender como conseguiram encontrar a resposta para essas questões.

  • A análise do erro possibilita a alteração das práticas pedagógicas.

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| Quem está com a razão?

  • Qual a sua opinião sobre:

  1. o enunciado da questão

b) as respostas do aluno

c) a correção do professor

d) o significado do erro

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| Avaliação diagnóstica

  • O professor precisa ter um olhar mais atencioso ao observarmos as diferentes realidades – socioeconômica, racial, territorial, gênero, pessoa com deficiência, enturmação, entre outros -, pois segundo Freire (1996, p. 03) “o ato de observar envolve todos os instrumentos: a reflexão, a avaliação e o planejamento; pois todos se intercruzam no processo dialético de pensar a realidade”.

  • Para isso, é preciso avaliar o processo, ou seja, continuamente, a partir da diversificação de instrumentos e pelas diferenciações de práticas, pois cada um possibilita a coleta de diferentes informações.

  • Cabe ressaltar que o erro auxiliar na compreensão do processo avaliativo, como construção e não como punição.

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| Em síntese....

  • O diagnóstico não tem um formato único, pois pode ser pensado em estilo de jogos pedagógicos, metodologias ativas, leitura e interpretação de texto, produção textual, raciocínio (cálculo e lógica) e provas.

  • O fundamental é garantir a coleta de informações que permitirão identificar o perfil da turma, o que os estudantes já sabem e o que ainda precisam desenvolver.

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3. Avaliação diagnóstica e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)

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| Base Nacional Comum Curricular�

  • Vídeo “O que é a BNCC?”

  • https://www.youtube.com/watch?v=SomZ0pSia-U

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| Base Nacional Comum Curricular�

  • Competência é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores, para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho. (BRASIL, 2017).
  • Exemplo: Conhecer, apreciar e cuidar de si, do seu corpo e bem-estar compreendendo-se na diversidade humana, fazendo-se respeitar e respeitando o outro (…).
  • Habilidade é o conhecimento que adquirimos para desenvolver cada competência.
    • Entre as habilidades que precisam ser desenvolvidas para que a competência seja alcançada, estão: localizar, nomear e representar graficamente partes do corpo humano; comparar características físicas entre os colegas reconhecendo a diversidade e a importância da valorização, do acolhimento e do respeito às diferenças.

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| Habilidade

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| Avalições diagnósticas e as competências e habilidades?�

  • Olhar para trás: leve em consideração as competências e habilidades do ano anterior que são essenciais para o andamento do ano atual.
  • Atenção no aqui e agora: observe o comportamento da turma. Eles ficam nervosos quando não sabem responder alguma pergunta? Trabalham bem em grupo para fazer o que foi pedido? Procuram modos alternativos de chegar ao resultado desejado? Elaboraram uma resposta com os conhecimentos que têm, mesmo sabendo que ela não está completa?
  • O que quero para o futuro próximo: planeje um diagnóstico relacionado ao que você vai trabalhar com os alunos a partir das competências e habilidades que ainda precisam ser consolidadas.

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| Para continuar a conversa....�

  • Enunciado: representa a exposição sumária do item, englobando o suporte e o comando.
  • Suporte: é qualquer recurso ao qual o estudante tenha que recorrer para responder a questão – um texto, uma tirinha, um gráfico, uma tabela, uma equação etc. Nas questões de Língua Portuguesa é obrigatória a presença de suporte; nas de Matemática, não necessariamente.
  • Comando: é o direcionamento do estudante para aquilo que se espera dele na questão, imediatamente anterior às alternativas de resposta. Deve se conectar diretamente com a habilidade avaliada pelo item e é essencial que seja assertivo e claro.
  • Distratores: são as alternativas erradas de resposta que representam caminhos cognitivos possíveis, embora equivocados, que podem ser percorridos pelo estudante ao desenvolver o raciocínio para responder a questão. Os distratores não devem conter “pegadinhas” ou respostas não plausíveis, que venham a induzir ao erro ou ao acerto.
  • Gabarito: é a alternativa correta de resposta daquele item.

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| Atividade....�

ESTUDO DE CASO

 

Relato de uma escola cujos alunos foram afetados pela pandemia do SARS COVID-19

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| Referências

BONAMINO, Alicia Maria Catalano de. Características da gestão escolar promotoras de sucesso. Juiz de Fora: FADEPE, 2012. p. 117-132

CRUZ, L. F. R. Avaliação externa e qualidade de ensino: apropriações e usos dos dados em escolas públicas municipais de Macaé/RJ. 2014. 176f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014.

FREITAS, Dirce Nei Teixeiras de; OVANDO, Nataly Gomes. Avaliação educacional em contextos municipais. Educ. Soc., Campinas, v. 36, nº. 133, p. 963-984, out.-dez., 2015

HAYDT, R. C.Avaliação do Processo Ensino-aprendizagem. São Paulo: Ática, 2007.

Lima, C. da C. de. (2019). Uso dos dados do Sistema Mineiro de Administração Escolar (SIMADE) pelos gestores das escolas públicas da Rede Estadual. [Tese de doutorado, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro]. Repositório Institucional da PUC-Rio. https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/colecao.php?strSecao=resultado&nrSeq=50967@1

LOBO, Bárbara Kelly Lima; BRITO, Rafaela Gonçalves. Avaliação diagnóstica: conceitos e práticas nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Cadernos da Pedagogia, v. 16, n. 34, p. 29-38, janeiro-abril/2022

LUCKESI, C. C. Avaliação da Aprendizagem Escolar. São Paulo: Cortez, 2002.�LUCKESI, C. C. (2012). Avaliação da Aprendizagem na escola. In: Libâneo, José Carlos; Alves, Nilda (org.), Temas de pedagogia: diálogos entre didática e currículo. São Paulo: Cortez. pp. 433-451

MORETTO, Renato; MANSUR, Odila Carvalho. Avaliando a avaliação. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbem/a/qg3dkxjdD5TPGZPZv8VSLNF/?format=pdf&lang=pt Acesso em: 15/02/2024

SANTOS, Leonor. A articulação entre a avaliação somativa e a formativa, na prática pedagógica: uma impossibilidade ou um desafio? Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.24, n. 92, p. 637-669, jul./set. 2016

SANTOS, M. C.; ARANTES A. R. V.Conhecendo um pouco sobre avaliação da aprendizagem: história, concepções e tradições pedagógicas.Revista magistro, 2016.

SOUSA, Clarilza Prado de; FERREIRA, Sandra Lúcia. Avaliação de larga escala e da aprendizagem na escola: um diálogo necessário. Psic. da Ed., São Paulo, 48, 1º sem. de 2019, pp. 13-23

SAMMONS, P. As características-chave das escolas eficazes. In: BROOKE, Nigel; SOARES, José Francisco (Orgs). Pesquisa em eficácia escolar: origem e trajetórias. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.

SILVA, V. G. da; GIMENES, N. A. S; MARICONI, G. M. Uso da avaliação externa por equipes gestoras e profissionais docentes: um estudo em quatro redes de ensino público. São Paulo: FCC/SEP, 2013. Disponível em: <http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/textosfcc/issue/view/292> Acesso em: 20 nov. 2015.

TAVANO, P.T. Práticas de Avaliação. São Paulo: Editora SenacSão Paulo, 2021.

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AGRADEÇO!