SEMANA DE ARTE MODERNA
“ Foi como se esperava, um notável fracasso a récita de ontem na pomposa Semana de Arte Moderna, que melhor e mais acertadamente deveria chamar-
se Semana de Mal – às artes’’.
Jornal Folha da Noite fevereiro de 1922
“ As colunas da secção livre deste jornal estão à disposição de todos aqueles que, atacando a Semana de Arte Moderna, defendam o nosso patrimônio artístico’’.
Jornal O Estado de São Paulo
fevereiro de 1922
“ É preciso que se saiba que nos manicômios se produzem poemas, partituras, quadros e estátuas, e que essa arte de doidos tem o mesmo característico da arte dos futuristas e cubistas que andam soltos por aí ’’.
Jornal do Comércio fevereiro de 1922
Di Cavalcanti para o Catálogo da Exposição.
OS PERSONAGENS
FERNANDO PESSOA
Fernando António Nogueira Pessoa mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português. É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um "legado da língua portuguesa ao mundo".
Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Fernando Pessoa traduziu várias obras inglesas para português e obras portuguesas (nomeadamente de Antônio Botto e Almada Negreiros) para inglês.
Ao longo da vida trabalhou em várias firmas comerciais de Lisboa como correspondente de língua inglesa e francesa. Foi também empresário, editor, crítico literário, jornalista, comentador político, tradutor, inventor, astrólogo e publicitário, ao mesmo tempo que produzia a sua obra literária em verso e em prosa.
OSWALD DE ANDRADE
ANITA MALFATTI
— onde teve contato com o expressionismo alemão — e Nova York, Anita Malfatti (1889-1964) fez a primeira exposição no país a se autodenominar “moderna”. A mostra entrou para a História pela crítica feroz de Monteiro Lobato, que condenou sua “arte caricatural” tipicamente europeia, vinculando-a à perturbação mental. Já para Oswald de Andrade, sua pintura causava “impressão de originalidade e de diferente visão”. Cinco anos depois, Anita foi uma das principais atrações da exposição que abriu a Semana de Arte Moderna, com telas como “O homem amarelo”, “A estudante russa” e “A ventania”. A maior parte dessas obras, no entanto, era de anos anteriores, porque em 1922 Anita já tinha voltado à pintar de forma mais convencional.
MÁRIO DE ANDRADE
Semana, Mário
de Andrade
(1893-1945) foi um teórico central do
modernismo brasileiro. O prefácio de
“Pauliceia desvairada”, publicado pouco
depois da Semana, inspirou a fase
inicial do movimento. A pesquisa
folclórica e a linguagem inventiva de
“Macunaíma” (1928) definiram o lugar
que o modernismo ocupa até hoje no
imaginário nacional. Nas décadas
seguintes, foi interlocutor de autores
das novas gerações, como Drummond e
Sabino, e publicou trabalhos
importantes sobre música tradicional brasileira.
MENOTTI DEL PICCHIA
“Juca
Mulato”, de Menotti del Picchia
(1892-1988) chamou atenção por
mesclar formas clássicas, disposição
gráfica ousada e temas nacionais. Em
1922, teve atuação incendiária na
Semana, com uma palestra sobre
estética modernista que recebeu
aplausos entusiasmados e vaias
indignadas. Mais tarde, alinhou-se a um
ramo nacionalista do movimento, o
“verde-amarelismo”, com Cassiano
Ricardo e Plinio Salgado (que também
participou da Semana e, em 1932,
fundou a Ação Integralista Brasileira, de extrema-direita).
HEITOR VILLA-LOBOS
MANUEL BANDEIRA
pernambucano Manuel Bandeira
(1886-1968) já era um poeta estabelecido na época da Semana. Na década anterior, difundira o verso livre em textos críticos e em obras como “Carnaval”, de 1919. Doente, não pôde ir a São Paulo para o evento, mas os modernistas escolheram seu poema “Os sapos” como uma espécie de declaração de princípios. Publicou algumas das principais obras da poesia brasileira da primeira metade do século XX, como “Libertinagem” (1930) e “Estrela da Manhã” (1936).
RONALD DE CARVALHO
OS SAPOS
Em ronco que aterra, Berra o sapo-boi:
O sapo-tanoeiro, Parnasiano aguado, Diz: - "Meu cancioneiro É bem martelado.
Vede como primo Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo Os termos cognatos.
O meu verso é bom Frumento sem joio. Faço rimas com Consoantes de apoio.
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Vai por cinquüenta anos Que lhes dei a norma: Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.
Clame a saparia Em críticas céticas:
Não há mais poesia, Mas há artes poéticas..."
Urra o sapo-boi:
Brada em um assomo O sapo-tanoeiro:
Ou bem de estatuário. Tudo quanto é belo, Tudo quanto é vário, Canta no martelo".
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Outros, sapos-pipas (Um mal em si cabe), Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".
Longe dessa grita, Lá onde mais densa A noite infinita
Veste a sombra imensa;
Lá, fugido ao mundo, Sem glória, sem fé, No perau profundo
E solitário, é
Que soluças tu, Transido de frio, Sapo-cururu
Da beira do rio...
Manuel Bandeira
PAULO PRADO
DI CAVALCANTI
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Foi de Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976) a ideia da realização de uma Semana de Arte Moderna em São Paulo — é o que conta a maior parte das versões de uma história repleta delas. Naquele momento, ele era um artista diferente daquele que se tornaria célebre com a pintura de paisagens brasileiras, retratos de mulatas e preocupação social. Di Cavalcanti apresentou sobretudo desenhos e pastéis na exposição da Semana de 1922, além de ter sido o autor de seu cartaz e da capa do catálogo com a programação. Em seus anos mais experimentais, Di criou ilustrações para revistas modernistas como a “Klaxon” e para livros como “Carnaval”, obra de Manuel Bandeira cujo poema “Os sapos” foi lido durante a Semana e chocou parte da plateia.
VICTOR BRECHERET
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Nascido Vittorio em Farnese, na Itália, Victor Brecheret (1894-1955) foi adotado pelo grupo modernista como o “Rodin brasileiro”, o representante da escultura na exposição da Semana de Arte Moderna de 1922. Na década de 1910, Brecheret estudou artes no Liceu de Artes e Ofícios, orgulho da São Paulo que se modernizava, e depois em Roma. De volta à capital paulista, o artista se destacou num
ambiente de poucas experimentações na escultura. Em 1954, o desbravamento do país pelos bandeirantes, tão valorizado pelos modernistas paulistas, foi retratado por Brecheret na obra “Monumento às bandeiras”, no Parque do Ibirapuera, nas comemorações dos 400 anos de São Paulo.
ARTES
ARTES
PLÁSTICAS
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Anita Malfatti foi um dos nomes centrais da exposição
que abriu a Semana de 1922. Grande parte de suas
obras já tinha sido exibida na polêmica mostra de 1917,
como a pintura “O homem amarelo”, que provocou gargalhadas em Mário de Andrade, comprador da pintura. Outros nomes importantes da exposição
que será aberta dia 13,
com telas
mas não
como “Antropofagia” (1929) — o“Abaporu” (1928).
LIVROS
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Na Semana de 1922, o espanto foi causado por “Os sapos”, poema do livro “Carnaval” (1919), de Manuel Bandeira. “Pauliceia desvairada” , no entanto, entrou para a História como o livro central da poesia modernista, em que Mário de Andrade defende a liberdade e a polifonia. Seis anos depois, já a partir de suas pesquisas sobre o folclore, Mário escreve “Macunaíma, o herói sem nenhum caráter”, em que a polifonia se evidencia na linguagem e na narrativa, na busca do que o escritor denominava “entidade nacional”. Nas leituras da obra ao longo dos anos, o anti-herói — interpretado por Grande Otelo e Paulo
José no Andrade
filme homônimo de Joaquim Pedro de (1969) — se tornou, de forma caricata,
retrato do brasileiro malandro. Três anos depois de “Pauliceia desvairada”, Oswald de Andrade publicava “Pau-Brasil”. O livro foi um desdobramento de seu “Manifesto da Poesia Pau- Brasil”, que chamava os modernistas à criação de uma “poesia de exportação”, em 1924 (ano em que Oswald também escreveu “Memórias sentimentais de João Miramar”). Ali já se proclamava um afastamento da importação de tendências culturais, na elaboração de um projeto de brasilidade que se reforçaria no
perspectiva em “Cobra 1921, mas
“Manifesto Antropófago”, de 1928. A “antropofágica” também está presente Norato”, escrito por Raul Bopp em publicado dez anos depois.