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Invisibilidade jurídica e resposta da Igreja

Ir. Neide Lamperti, mscs

Apátridas e Indocumentados na África do Sul

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Quando o Estado diz que você não existe…

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Imagine acordar amanhã e descobrir que, para o Estado, você não existe.

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    • Você não pode matricular seu filho na escola.
    • Não pode abrir uma conta bancária.
    • Não pode trabalhar legalmente.
    • Não pode provar quem você é.
    • Vive fugindo da policia
    • Agora imagine viver assim durante toda a sua vida.

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O rosto humano da apatridia

"Nunca tive certidão de nascimento. Sem documentos, não consigo trabalhar legalmente nem matricular os meus filhos na escola. Sinto que não existo perante o Estado."

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Apátridas...

Pessoas não reconhecidas como nacionais por nenhum Estado.

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A apatridia não é apenas um problema jurídico. É uma ferida na identidade humana.

Invisibilidade Jurídica

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    • Sem escola
    • Sem saúde
    • Sem emprego formal
    • Sem proteção jurídica
    • Vulnerabilidade ao tráfico humano
    • Vulnerabilidade à exploração laboral

Principais Consequências

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População total: aproximadamente 64 milhões de habitantes. (Worldometers, 2026).

Capital administrativa: Pretória.

Maiores cidades: Joanesburgo, Cidade do Cabo, Durban e Pretória.

Províncias: 9.

Línguas oficiais: 12, incluindo inglês, africâner, isiZulu, isiXhosa, Sesotho, Setswana, Sepedi, Siswati, Tshivenda, Xitsonga, isiNdebele e Língua Gestual Sul-Africana.

Africa do Sul

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Contexto Migratório

Principal destino migratório da África Austral

2,4 milhões de migrantes e

167 mil refugiados e solicitantes de asilo (UNHCR, 2025)

25 milhões de deslocados internos

Xenofobia, afrofobia e exclusão social

Repatriação

deportação em massa

Numeros oficiais: 85 mil

Outras fontes: 178 mil

Políticas

anti-imigrantes

Criminalizacao da migracao

Migrantes – bode espiatorio para problemas sociais do pais.

Burocracias e altos custos de documentacao

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Invisibilidade Jurídica

10 mil pessoas apátridas (Stateless Hub, 2026)

Indocumentados: ausência nas estatísticas oficiais (Home Affairs, 2026)

Exclusão do acesso à direitos básicos (educação, saúde, trabalho, justiça e proteção social)

Invisibilidade institucional e social

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Objetivo da Apresentação

Compreender a realidade da apatridia e indocumentação e apresentar a resposta pastoral da Igreja.

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Problema Central

Como garantir dignidade humana às pessoas que o sistema não reconhece?

Exclusão estrutural

Vulnerabilidade ao tráfico humano, expostas ao trabalho forçado, detenção arbitrária, pobreza extrema.

Xenofobia e afrofobia

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Justificativa

Resposta pastoral e social firme, comprometida e articulada

Defesa da dignidade humana

Acompanhamento de migrantes excluídos

Construção de pontes entre Igreja, Estado e sociedade

Missão evangelizadora da Igreja

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Objetivo Geral

Promover dignidade, proteção e inclusão social de apátridas e indocumentados através da ação pastoral e articulação em rede

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Objectivos específicos

1. Identificar, acolher e orientar pessoas em situação de apatridia e indocumentação.

2. Facilitar o acesso a documentos, assistência jurídica e serviços necessários.

3. Sensibilizar a Igreja, a sociedade e as autoridades públicas sobre os direitos humanos e a prevenção da exclusão.

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    • Ex 22,21 - “Não maltratem nem oprimam o estrangeiro, pois vocês foram estrangeiros na terra do Egito”

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    • Lv 19,34 - “O estrangeiro que habita entre vocês será como um nativo; amá-lo-á como a si mesmo”

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    • Mt 25,35 – “Eu era estrangeiro e voces me deram acolhida”

Fundamentação Bíblica

O que a Igreja vê?

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Doutrina Social da Igreja

    • Dignidade humana não depende da condição jurídica ou documental.

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    • Pacem in Terris: direitos fundamentais universais.

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    • Fratelli Tutti: fraternidade e inclusão global.

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    • Os migrantes devem ser respeitados em todas as circunstâncias (PCJP, 2024).

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    • Acolher, proteger, promover e integrar (Francisco, 2018).

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Carisma Scalabriniano

Migração como uma realidade profundamente humana e espiritual (Scalabrini 1887)

Migrante como imagem de Cristo sofredor (Scalabrini 1905)

Insistia que a Igreja devia ser responsavel em oferecer cuidado integral e defesa da dignidade humana (Scalabrini)

NC: Presença pastoral próxima e profética

NC: Acolhimento, promocao humana, defesa de direitos e integracao social (n.18-20)

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O que as organizações vêem?

    • UNHCR – apatridia: uma das formas mais graves de negação de cidadania

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    • OIM, 2029: demonstra que migrantes indocumentados estão particularmente expostos à exploração laboral, tráfico humano, violência e exclusão social, sobretudo marcados por fragilidade institucional e insuficiência de proteção legal.

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O que os teoricos veem?

Alwan (2021)

migrantes em situação documental irregular enfrentam barreiras interligadas no acesso ao trabalho formal, educação, saúde, proteção legal e participação social, produzindo vulnerabilidade socioeconômica prolongada.

Weissbrodt e Collins (2006)

afirmam que a apatridia constui uma grave violação dos direitos humanos

Bloch, Sigona e Zetter (2014)

demonstram que a documentação constitui elemento central para o acesso à direitos, trabalho formal, à proteção social e participação plena na vida pública.

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Metodologia

Investigação

Formação e sensibilização

Intervenção pastoral e advocacy

Trabalho em rede

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Atividades Desenvolvidas

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Investigação�

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Pesquisas sobre apatridia e indocumentação

2024 e 2026

(Universidade de Pretória e SACBC)

Uso do aplicativo Eppicolet Data

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Observação da realidade dos migrantes nas Dioceses e Paróquias

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Formação�

Implementação do projeto Migration and Statelessness in Southern África, com apoio da Cáritas África e Cáritas Japão

Workshops e conferências em várias dioceses

Encontros nacionais com líderes diocesanos

Webinares, workshops online com parceiros e lideranças

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2022 foi produzido o vídeo “People of Hope”

Formação

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  • #IBelong Campaign to end statelessness globally (2024 -2025)
  • Membro da Aliança Global do UNHCR desde 2024

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2023 foi elaborado o

Diretório de Serviços para Migrantes e Refugiados

na África do Sul, atualizado em

2025 incluindo Eswatini, Botswana e Lesotho

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Projeto Migration and Statelessness in Southern Africa, com apoio da Cáritas África e Cáritas Japão

Produção de materiais formativos

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Formação

Encontros multirreligiosos em Johannesburg

nos anos de 2024, 2025 e 2026

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Intervenção pastoral

Workshops formativos e informativos com migrantes e nacionais indocumentados e apátridas (6 dioceses)

Parcerias com as organizações

Pagamento de testes de paternidade (DNA)

Capacitação

de líderes

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Apoio direto às famílias – necessidades básicas

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Encaminhamentos documentais

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Visita aos refugiados de

Matlapeng Bush Camp

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57 refugiados

    • Entrega de 16 cestas basicas
    • Cobertores
    • Formacao na prevencao do trafico humano

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Arquidiocese de Pretoria

    • 32 Familias receberam apoio alimentar
    • 23 criancas beneficiadas com vouchers escolares
    • 10 receberam auxilio documentacao

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Intervenção pastoral

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    • Workshops em apatridia, indocumentacao e trafico humano em 4 escolas da regiao
    • Workshop com migrantes e refugiados

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Diocese de Aliwal North - Sterkspruit

Fronteira com Lesotho

    • 2 workshops
    • 86 participantes foram formados sobre apatridia e direitos
    • 7 casos encaminhados a serviços públicos.

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Diocese de Tzaneen (Musina)

Fronteira com Zimbabwe

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    • Realizacao de 2 workshops - 71 participantes

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Diocese de Witbank - Lebombo

Fronteira com Mocambique

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    • Realização de 2 workshops com migrantes - 74 participantes
    • encaminhamentos documentais para 10 criancas,
    • contribuicao para o fortalecimento de respostas conjuntas à apatridia e à indocumentação.

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Diocese de Polokwane

    • Workshops em Stateless - 50 participantes
    • Apoio direto a famílias

Em todos os workshops os participantes foram capacitados sobre documentação, acesso à saúde e tráfico humano.

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Arquidiocese de Johannesburg

    • 2 workshops realizados alcançaram 367 pessoas
    • 10 Paroquias visitadas
    • capacitação de liderancas e migrantes
    • Encaminhamentos de documentos para diversos migrantes (sem numeros exatos)

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    • Seminários formativos em diversas dioceses,
    • Encontros nacionais presenciais (2)

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Webinares (2) com lideranças pastorais e parceiros técnicos com o tema dos apatridas e indocumentados.

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Primeira Webinar: 43 pessoas

Segunda Webinar: 90 pessoas

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Resultados

Ampliação da consciência sobre direitos humanos e prevenção ao tráfico humano

Formação de líderes de 22 dioceses (60 pessoas)

6 Dioceses atendidas diretamente

Cerca de 735 indocumentados e apátridas diretamente alcançados (+ de 3 mil indiretamente)

Maior visibilidade da apatridia e indocumentação

Fortalecimento de redes de proteção

Encaminhamentos para regularização documental

30% dos encaminhados conseguiram documentação

Prevenção do tráfico humano

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Desafios

Aumento de discursos e atitudes de xenofobia e afrofobia

Deportacao em massa dos migrantes

Morosidade e complexidade dos processos legais

Custos elevados de regularizacao documental

Ausência de políticas públicas eficazes

Discursos anti-imigrantes limitam os acessos aos servicos publicos

Necessidade de uma pastoral migratória integral, próxima e profética, centrada na escuta, no acompanhamento e na defesa da dignidade humana.

Prisão e deportação de migrantes indocumentados

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Dioceses e departamentos da SACBC

Organização Internacional para Migrações (OIM)

ACNUR (UNHCR)

Layers for Human Rights

Pro Bono.org,

Section27,

National Freedom Network

Departamento do Home Affairs

Governo e sociedade civil

Conferencia Episcopal Italiana - CEI

Saint Charles Clinic

Caritas South Africa, Caritas Africa, Caritas Japão

Universidades

Cedara & Pretoria

Rede de cooperação institucional e de resposta pastoral, jurídica e social

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Conclusão

Apatridia = exclusão social e violação da dignidade humana

A Igreja = como presença de acolhimento e defesa

Urgência de respostas integradas e humanas

Fortalecer politicas inclusivas e ações que promovam dignidade, justica inclusao social e fraternidade

Ninguém deve ser invisível perante a lei nem privado do direito de pertencer

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