Índios brasileiros: análise censitária
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Índios brasileiros: análise censitária
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Segundo o censo de 2000 realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), vivem hoje no Brasil cerca de 734 mil índios, ou o equivalente a 0,4% da população brasileira.
18% deste total vive em área urbana.
Aldeia Ipatse, dos índios Kuikuro, no Parque Indígena do Xingu. Foto: Pedro Biondi/ABr
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Há também indícios da existência de aproximadamente 53 grupos ainda não contatados, além de grupos que estão requerendo o reconhecimento de sua condição indígena junto ao órgão federal indigenista.
Índios pataxó durante manifestação em Brasília, em abril de 2006. Foto: Valter Campanato/ABr
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A categoria indígena vem sendo pesquisada desde 1991 pelo IBGE, que faz os principais censos populacionais brasileiros.
Segundo o Instituto, “a metodologia para captação das respostas é a auto-identificação”, segundo critérios de “cor ou raça”.
No censo de 2000, “foram recenseados os autodeclarados indígenas que residiam em terras indígenas, em áreas rurais fora dessas terras e em domicílios urbanos”.
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Segundo o IBGE, “na década de 1990, o contingente de brasileiros que se autodeclararam indígenas aumentou 150% (...), em grande parte devido ao crescimento do número de pessoas que viviam em áreas urbanas, sobretudo no Sudeste, e passaram a se declarar indígenas em 2000 quando, em 1991, haviam se classificado em outras categorias”.
Cacique Raoni na abertura da Conferência Nacional Indígena, em Brasília, em abril de 2006. Foto: José Cruz/ABr
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A taxa de alfabetização, que era abaixo de 50% em 1991, chegou a 73,9% em 2000.
O analfabetismo acima dos 15 anos afeta mais as mulheres.
Criança da etnia terena na nona edição dos Jogos dos Povos Indígenas, em 2007. Foto: Valter Campanato/ABr
A taxa de escolarização para indígenas entre 5 e 24 anos passou de 29,6% em 1991 para autodeclarados 56,2% no censo de 2000.
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A fecundidade caiu neste período, embora ainda seja alta entre a população rural, que, segundo a pesquisa, apresenta uma média de 6 filhos por família.
Índios caiapó. Foto: Funai
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Nos dados sobre religião, percebeu-se um crescimento do contingente autodeclarado evangélico. Aqueles que se dedicam às práticas tradicionais indígenas, surpreendentemente, correspondem à menor fatia. Em 2000, os dados dividiram-se da seguinte forma:
58,9% - católicos
20% - evangélicos
14,4% - sem religião
1,4% - adeptos de tradições indígenas
Homem da etnia rikbaktsa (MT). Foto: Valter Campanato/ABr
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A mortalidade infantil é de 51,4 a cada mil nascimentos, taxa maior do que a média nacional e considerada alta segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde).
Entre a população indígena, muitas mortes são causadas por malária, hepatite, tuberculose, verminoses, doenças facilmente curáveis, mas não para a Funai, constantemente às voltas com a escassez de verbas.
Mãe e filho guajajaras na aldeia cururu, no Maranhão. Foto: Antônio Cruz/ABr
Em parte, a sobrevivência dos povos nativos brasileiros é desfavorecida pelos que cobiçam terras indígenas e pelos que exploram mão-de-obra barata e desqualificada, desconsiderando que, em seu contexto, a mão-de-obra indígena é altamente capacitada.
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Índio bororo retratado pelo pintor francês Hercules Florence durante expedição Langsdorff à Amazônia entre 1825 e 1829.
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Orlando Villas Bôas e índio Txikao (Ikpeng), em 1967. Foto: arquivo da família Villas Bôas
Orlando Villas Bôas (1914-2002)
Os irmãos Villas Bôas promoveram a defesa dos povos indígenas em todo o território nacional.
Orlando, junto com seu irmão Cláudio, recebeu duas indicações ao Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho com as tribos xinguanas.
Com a expedição Roncador-Xingu, iniciada em 1943, os Villas Bôas abriram caminho para a criação de cidades, promoveram acesso a regiões mais remotas e ajudaram na delimitação da primeira reserva indígena do País, o Parque Nacional do Xingu, em 1961.
Orlando participou da criação da Fundação Nacional do Índio (Funai) e foi um de seus diretores.
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Parque Nacional do Xingu
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Localizado próximo à divisa entre os estados do Mato Grosso e Pará, o Parque possui uma área de aproximadamente 27 mil quilômetros quadrados.
Atualmente, vivem lá mais de 5 mil índios de 14 etnias diferentes.
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Índios da aldeia Kamaiurá, no Alto-Xingu, tocam flauta uruá. Foto: Noel Villas Bôas
Somente quando tivermos consciência de que �o extermínio do índio é uma afronta ao nosso decoro de nação civilizada é que haverá esperança �de preservação das terras indígenas e, portanto, �de sua sobrevivência biológica e cultural.
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Menino índio do Mato Grosso, 1896. Foto: Marc Ferrez
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Fonte dos dados censitários: IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
www.ibge.gov.br
Imagens: Agência Brasil (Abr)
www.agenciabrasil.gov.br
Fundação Nacional do Índio (FUNAI)
www.funai.gov.br