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��THE ELEPHANT IN THE ROOM: �A SYSTEMATIC REVIEW OF STIMULUS CONTROL IN NEURO-MEASUREMENT STUDIES ON FIGURATIVE LANGUAGE PROCESSING �KOLLER, MÜLLER E KAUSCHKE (2022)�

ACESIN 2025.1                                                                                              PPGLIN / UFRJ

Gisele Rodrigues 

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Imagem: https://brasilescola.uol.com.br/portugues/expressoes-idiomaticas.htm

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INTRODUÇÃO

  • Os resultados de pesquisas neurocientíficas sobre linguagem figurada são frequentemente contraditórios, devido a inconsistências terminológicas e no controle de estímulos

  • O artigo apresenta uma revisão sistemática sobre os aspectos linguísticos dos métodos utilizados em estudos de neuroimagem funcional sobre linguagem figurativa, com foco específico em metáforas e expressões idiomáticas.

  • Foi investigado o estado atual da pesquisa na área, examinando os fundamentos teóricos dos artigos analisados e avaliando o controle e o desenho dos estímulos experimentais.

  • A revisão sinalizou a necessidade de promover métodos de pesquisa mais claros, consistentes e menos ambíguos, permitindo melhor comparabilidade e validação dos dados.

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LINGUAGEM FIGURADA

  • A linguagem figurada representa um termo guarda-chuva para duas categorias principais: fraseologismos e combinações livres de palavras não literais.

  • Fraseologismos: Três critérios principais: polilexicalidade, rigidez e idiomaticidade - significado não congruente com a soma dos significados literais de seus constituintes.

  •  Alguns modelos cognitivos pressupõem que os fraseologismos não são armazenados como combinações de componentes isolados, mas sim como unidades lexicais inteiras (Burger, 2003).

  • Exemplos: expressões idiomáticas e provérbios.

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LINGUAGEM FIGURADA

  • As combinações livres de palavras não literais não estão sujeitas a uma estrutura rígida. Para os subtipos metáfora e metonímia, tratam-se de expressões de conceitualização subconsciente, que têm natureza gerativa e, portanto, podem continuamente gerar novas expressões.

  • As distinções entre metáfora e outros subtipos figurativos não são universalmente consensuais, o que leva a definições operacionais variadas nos estudos empíricos.

  • Tanto metáforas quanto expressões idiomáticas são altamente frequentes no uso coloquial da linguagem, e representam um grupo de expressões cujo significado figurativo não é composto pelos significados literais de seus constituintes.

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 METÁFORA

  • A linguística cognitiva considera a metáfora um meio cognitivo de conceitualizar questões abstratas por meio de experiências concretas.

  • Teoria da Metáfora Conceitual (TMC) (Lakoff e Johnson, 1980), baseada na hipótese da corporificação (embodiment):

Mapeamento de Domínios:

  • Domínio-Fonte (concreto): Ex: máquina.
  • Domínio-Alvo (abstrato): Ex: mente.

Exemplo: "A mente é uma máquina" (A é B).

Natureza Criativa e Gerativa: pode continuamente gerar novas expressões linguísticas.

Processo de convencionalização – Hipótese de Carreira da metáfora (Bowdle; Gentner, 2005).

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  • Expressões idiomáticas são expressões convencionais compostas por múltiplas palavras, com estruturas sintáticas rígidas, cujo significado não pode ser extraído a partir do significado dos seus constituintes isolados.
  • Subclasse de fraseologismos, ou seja, não seguem regras linguísticas produtivas usuais e não pertencem a uma classe criativa ou gerativa.
  • As expressões idiomáticas não formam uma classe uniforme, podendo diferir em diversos aspectos. Um desses aspectos é a não-composicionalidade.

  • As duas principais dimensões que distinguem idiomatismos de metáforas são a estabilidade sintática e a convencionalidade.

EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS

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PROCESSAMENTO NEURAL DA LINGUAGEM FIGURADA

  • As especificidades dos processos neurais subjacentes ao processamento da linguagem figurativa são objeto de considerável debate

  • Uma das questões principais nas pesquisas sobre a localização cerebral do processamento da linguagem figurativa é a especialização hemisférica

  • Métodos funcionais de neuroimagem permitem visualizar processos cerebrais e possibilitam o estudo do processamento da linguagem em tempo real

  • A revisão inclui estudos que utilizaram: ressonância magnética funcional (fMRI), eletroencefalografia (EEG), tomografia por emissão de pósitrons (PET), magnetoencefalografia (MEG) e espectroscopia funcional no infravermelho próximo (fNIRS).

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PROCESSAMENTO NEURAL DA LINGUAGEM FIGURADA

  • De modo geral, em pessoas destras, está comprovado que o hemisfério esquerdo (HE) é dominante para o processamento básico da linguagem. No entanto, estudos iniciais relataram um papel crítico do hemisfério direito (HD) na compreensão de metáforas (Winner e Gardner, 1977).

  • A hipótese de um papel especial do HD foi reforçada nos anos 1990 por Bottini et al. (1994) e em Anaki et al. (1998). Ambos os estudos testaram participantes neurologicamente saudáveis e observaram uma dominância do HD no processamento de metáforas. Por outro lado, outros estudos não encontraram envolvimento especial do HD

  • Uma comparação entre estudos que representam hipóteses opostas sobre o envolvimento do HD revela um problema fundamental: a maioria desses estudos é tão diferente em seu desenho, material e execução que uma comparação geral se torna praticamente impossível

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Alguns modelos tentam explicar as possíveis diferenças de lateralização entre linguagem literal e figurativa. Os dois mais proeminentes são:

 - Hipótese do Grau de Saliência (GSH, Graded Salience Hypothesis, Giora, 1997)

- Teoria da Codificação Semântica Ampla (CSCT, Coarse Semantic Coding Theory, Beeman et al., 1994; Jung-Beeman, 2005).

Ambas as abordagens compartilham a suposição de que não é a figuratividade em si, mas sim outras características, que causam a especialização hemisférica.

PROCESSAMENTO NEURAL DA LINGUAGEM FIGURADA

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HIPÓTESE DO GRAU DE SALIÊNCIA

  • Considera a saliência o fator crítico para as diferenças hemisféricas - combinação de familiaridade, convencionalidade, frequência e previsibilidade do significado de uma expressão.

  • O processamento não é determinado por um contraste objetivo entre literal e figurativo, mas depende do contexto subjetivo e do contato prévio com possíveis significados.

  • Segundo essa hipótese, o HE é responsável pelo processamento de significados salientes, enquanto o HD é acionado para significados não salientes.

  • Assim, o significado figurado de metáforas mortas ou expressões idiomáticas familiares seria saliente, ao passo que o significado de metáforas novas ou pouco familiares seria não saliente.

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COARSE SEMANTIC CODING THEORY

  • A CSCT baseia-se na rede semântico-lexical de um falante individual: 
  • A teoria atribui ao HE a codificação semântica refinada, ou seja, a ativação de significados de palavras próximos e fortemente relacionados. O HD, por outro lado, ativa campos semânticos mais fracos, difusos e amplos, sendo, portanto, envolvido no processamento de ambiguidades, sinônimos e significados mais amplamente relacionados.
  • Como o significado de expressões figurativas — especialmente metáforas — costuma ser semanticamente mais distante do que o literal, esses campos semânticos amplos são necessários: os campos semânticos das palavras individuais das expressões polilexicais se sobrepõem em pontos críticos para os mapeamentos relevantes, permitindo a compreensão do significado figurado.
  • Consequentemente, isso recruta mais intensamente o HD no caso da linguagem figurativa cujo significado não faz parte do ambiente semântico próximo de seus constituintes isolados.
  • Ambas as abordagens concordam que nem todas as expressões figurativas podem ser tratadas como um grupo uniforme — é necessário diferenciá-las com mais precisão. Além disso, ambos os modelos destacam a subjetividade da experiência linguística e a importância de controlar os fatores de influência possíveis.

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  • Bohrn et al.(2012) realizaram uma meta-análise na qual analisaram coletivamente os dados de estudos sobre processamento online da linguagem figurativa. Uma área predominante foi o giro frontal inferior esquerdo ao se contrastar linguagem figurativa com linguagem literal; o GFI parece estar mais envolvido no processamento de metáforas e expressões idiomáticas do que em ironia ou sarcasmo.

  • De forma geral, emerge um quadro de rede bilateral com dominância no HE: o GFI bilateral, o lobo temporal, o giro frontal medial e a amígdala esquerda mostram ativação aumentada no processamento da linguagem figurativa (Bohrn et al., 2012).

  • Bambini et al. (2011) também descrevem uma rede bilateral que inclui o giro angular esquerdo e o cíngulo anterior, além do GFI bilateral e dos giros temporais superiores.

  • Apenas cerca de um terço dos estudos analisados por Bohrn et al. (2012) relataram ativação especial para linguagem literal, mas não para figurativa. Isso pode indicar que o processamento da linguagem figurativa geralmente utiliza a mesma rede que o processamento literal, mas exige recursos cognitivos adicionais. A carga cognitiva no processamento da linguagem não depende apenas da distinção entre literal e figurativo, mas também é influenciada por diversos fatores que caracterizam o material de estímulo.

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FATORES QUE INFLUENCIAM O PROCESSAMENTO DA LINGUAGEM

  • O processamento bem-sucedido da linguagem figurativa exige a integração de informações cognitivas, afetivas, comunicativas, sociais e linguísticas. A revisão examinou como os estudos relevantes controlam empiricamente seus estímulos com relação a fatores (psico)linguísticos.

Fatores foram divididos em duas categorias:

  • Fatores psicolinguísticos, como variáveis psicocognitivas, cujos valores dependem da experiência pessoal (linguística) dos participantes;

  • Fatores estruturais, como complexidade sintática ou extensão, que são características intrínsecas dos estímulos linguísticos e não dependem da perspectiva individual.

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FATORES PSICOLINGUÍSTICOS

  • Familiaridade
  • Convencionalidade
  • Frequência
  • Concretude/Abstração
  • Imageabilidade
  • Compreensibilidade
  • Plausibilidade
  • Composicionalidade/transparência
  • Contexto
  • Probabilidade de Cloze
  • Saliência
  • Figuratividade
  • Valência
  • Excitação (arousal)

FATORES DE INFLUENCIA ESTRUTURAL

  • Classe gramatical
  • Tempo verbal
  • Comprimento
  • Complexidade sintática

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FATORES PSICOLINGUÍSTICOS DE INFLUÊNCIA

VALÊNCIA

Refere-se ao grau em que uma expressão linguística é percebida como agradável (ou positiva) ou desagradável (ou negativa). Representa uma dimensão emocional, cuja transmissão é uma função importante da linguagem figurada (Cardillo et al., 2012).

Palavras altamente valenciadas emocionalmente demonstraram ser processadas com prioridade — especialmente as positivamente valenciadas, o que resulta em um "efeito de superioridade da positividade" (positivity superiority effect, Lüdtke e Jacobs, 2015) — e evocam componentes de potencial relacionado a eventos (ERP) mais fortes, associados ao processamento emocional

Expressões com valências diferentes também produzem padrões distintos de ativação tanto em crianças quanto em adultos (Sylvester et al., 2021)

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EXCITAÇÃO (AROUSAL)

A excitação (ou ativação fisiológica) complementa a valência como a segunda dimensão emocional. Mede o nível de ativação fisiológica causado por um estímulo

Ambos os fatores demonstraram influenciar o processamento da linguagem (figurativa), tanto comportamental quanto neuralmente — especialmente o processamento de palavras

COMPOSICIONALIDADE/TRANSPARÊNCIA

No caso de expressões idiomáticas, a composicionalidade refere-se ao grau em que os componentes de uma expressão contribuem para seu significado. A maioria das definições caracteriza os idiomas como não; no entanto, alguns idioms são semanticamente transparentes.

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FAMILIARIDADE

Definida enquanto a experiência prévia subjetiva com expressões figurativas. Quanto mais experiência um falante tem com uma expressão figurative, mais profundamente ela se incorpora ao seu uso linguístico e é integrada ao campo semântico próximo dos componentes da expressão

CONVENCIONALIDADE �

  • Refere-se ao grau em que uma expressão figurativa está incorporada ao uso linguístico coletivo (Lai et al., 2009), o que ocorre por meio de uso frequente por um número significativo de falantes da comunidade linguística (Forgács et al., 2012; Goldstein et al., 2012).

* O termo familiaridade é frequentemente usado como sinônimo de convencionalidade na literatura, embora existam distinções importantes.

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FREQUÊNCIA

A frequência de provérbios, metáforas e expressões idiomáticas correlaciona-se fortemente com a familiaridade; quanto mais frequente uma expressão, mais familiar tende a ser para os falantes

Por definição, a frequência de significados metafóricos não pode ser medida objetivamente, razão pela qual métodos alternativos são utilizados. A frequência pode ser estimada por:

  • Ocorrência em corpora linguísticos normatizados
  • Dados de bancos de dados
  • Avaliações subjetivas
  • Também é necessário distinguir entre a frequência de expressões compostas e a frequência de palavras individuais

�Dependendo do método de mensuração, frequência tem sido usada de forma intercambiável com familiaridade e convencionalidade, o que pode gerar confusões nos resultados

� Na revisão, os autores usaram frequência de ocorrência como definição operacional.

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CONCRETUDE/ABSTRAÇÃO

Forgács et al. (2015) equiparam o termo “concreto” a “físico”; já o termo “abstrato” significaria “não físico”.

Citron et al. (2016) descrevem concretude como referindo-se a “um estado ou evento que pode ser experimentado em uma ou mais modalidades sensoriais”; coisas abstratas, portanto, não são táteis, audíveis, visíveis, cheiráveis ou palatáveis

Essa definição mais ampla relaciona concretude à teoria da corporeidade (embodiment): as experiências mais diretas são aquelas com o próprio corpo, que então servem de referência para a abstração

IMAGEM MENTAL (IMAGEABILITY)

Imageabilidade está relacionada ao fator concretude; os dois nem sempre são usados de forma claramente distinta. Refere-se à facilidade com que uma expressão evoca uma imagem mental. A concretude e a imagem mental mostraram influenciar tempo de recordação e dificuldade de compreensão (Barry e Gerhand, 2003; Sabsevitz et al., 2005).

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COMPREENSIBILIDADE

Representa o quão acessível e fácil é a compreensão do significado dos estímulos.

Artigos de pesquisa em neurociência usam muitos termos para se referir à compreensibilidade básica de um estímulo -compreensibilidade, inteligibilidade,facilidade de entendimento, interpretabilidade.

PLAUSIBILIDADE

� O fator da plausibilidade é às vezes utilizado de forma sobreposta à compreensibilidade. No entanto, ele não se refere à dificuldade de compreensão percebida individualmente, mas descreve o grau de coerência ou sentido

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CONTEXTO

O contexto de uma expressão linguística — ou seja, o ambiente linguístico e situacional — determina de forma crucial o esforço necessário para o processamento semântico

A (in)adequação do significado literal de uma expressão em relação ao seu contexto é uma característica essencial da linguagem figurativa: quanto mais claro o contexto indicar um determinado significado, mais fácil é a escolha (subconsciente) entre a interpretação literal e figurada

O contexto cumpre uma função de desambiguação e, consequentemente, influencia a previsibilidade de determinado significado.

Embora o significado de provérbios e expressões idiomáticas possa estar armazenado independentemente do contexto, o contexto ainda pode desempenhar um papel importante. Além disso, significados irônicos e sarcásticos não podem existir sem o contexto.

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PROBABILIDADE DE CLOZE

Refere-se à probabilidade de uma determinada palavra completar uma expressão, dado o contexto anterior (Lai et al., 2019). Trata-se, portanto, de uma expectativa dependente do context

Influencia componentes essenciais em registros de EEG (Weiland et al., 2014) e pode variar entre expressões literais e metafóricas (Coulson e Van Petten, 2007).

SALIÊNCIA

� Este fator integra vários outros fatores e interage dinamicamente com um determinado contexto. Na revisão, saliente foi definido segundo a GSH de Giora — ou seja, uma combinação de familiaridade, convencionalidade, frequência e previsibilidade.

FIGURATIVIDADE�

 Embora possa parecer circular mencionar a figuratividade como um fator de influência, é importante considerar que existem diferenças comportamentais e neurais no processamento e na produção da linguagem literal e figurativa.

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FATORES DE INFLUÊNCIA ESTRUTURAL 

CLASSE GRAMATICAL

  • O material linguístico dos estímulos pode consistir em diversas classes gramaticais. É especialmente importante considerar a qual classe pertence o elemento crítico (ou figurativo) do material.

  • Em metáforas nominais (“He is a treasure”), um nome carrega o significado figurado. Essa função também pode ser transmitida por verbos (“The praise made her soar”), adjetivos (“He is a broken man”) e preposições (“She is beside herself”).

  • Como diferentes classes gramaticais se referem a conceitos distintos (coisas, emoções, estados vs. ações vs. relações), elas envolvem diferentes níveis de abstração

COMPLEXIDADE SINTÁTICA

  •   No caso de estímulos sintagmáticos ou sentenciais, estes podem conter uma ampla variedade de estruturas sintáticas. Com o aumento da complexidade, mais recursos cognitivos são ativados, o que, por sua vez, influencia o recrutamento e a conectividade funcional dos hemisférios cerebrais

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TEMPO VERBAL

Se o material do estímulo contém verbos e esses verbos não são apresentados como infinitivos isolados, mas sim inseridos em frases ou sentenças, o tempo verbal deve ser considerado.

Tempos verbais são processados de forma diferenciada no cérebro (cf. Desai et al., 2006; Gilead et al., 2013) e podem ser conceitualizados de maneiras diferentes quando usados figurativamente (cf. Gilead et al., 2013; Parkinson et al., 2014), fazendo do tempo verbal um possível fator de confusão.

COMPRIMENTO�

Estímulos com comprimentos diferentes exigem níveis diferentes de memória de trabalho, e estímulos mais longos naturalmente demandam mais tempo de leitura ou escuta O comprimento dos estímulos linguísticos pode ser medido em letras, fonemas, sílabas, palavras ou sentenças inteiras. No caso de estímulos auditivos, pode-se indicar a duração temporal.

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METODO

As perguntas norteadoras da análise realizada foram:

(a) Definições: Como os subtipos de linguagem figurativa são definidos e distinguidos, e quais critérios marcam essas distinções?

� (b) Fatores de influência: Quais características dos estímulos são controladas, e como esses fatores são definidos e implementados?

� (c) Participantes: Quais populações são testadas nos estudos e quais são suas características fundamentais?

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Critérios de Inclusão:

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  • Identificação de Literatura – 116 artigos selecionados - Maior foco em artigos sobre metáforas (98 artigos) em relação a expressões idiomáticas (18).

  • Definições de Linguagem figurada: Dos artigos sobre metáfora, 51% definem o termo "metáfora". Em relação a expressões idiomáticas, 55,6% definem o termo – ambiguidade terminológica

  • Poucos artigos contrastam subtipos

  • 64 dos 116 artigos (55%) não contêm nenhuma definição dos seus fatores psicolinguísticos
  • Apenas quatro estudos (3,4%) definem todos os fatores para os quais seus estímulos são controlados. Os 48 artigos restantes definem pelo menos um fator.

  • A maioria das introduções e seções teóricas dos artigos faz referência a modelos cognitivos de processamento de linguagem figurada

RESULTADOS

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Fatores de influência psicolinguística

Grande número de fatores de influência controlados nos estudos, entretanto, há um controle desigual– Familiaridade como fator psicolinguístico mais frequentemente controlado.

  • Definições de “familiaridade” e “convencionalidade” ilustram o problema da terminologia inconsistente e da operacionalização irregular entre os estudos

  • A familiaridade atua como uma influência crucial no processamento neural de expressões figurativas: em revisão, Bohrn et al. (2012) relatam ativação estável no GFI direito e no córtex cingulado anterior direito para metáforas novas, mas não para metáforas convencionais/familiares

DESIGN DOS ESTÍMULOS

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  • Entre os fatores considerados com menor frequência estão a concretude, a imageticidade, a plausibilidade e a excitação emocional (arousal).

  • A concretude conceitual e a imageticidade influenciam os períodos de memória e a velocidade de processamento.

Considerando que metáforas conceituais permitem o acesso a conceitos abstratos por meio de domínios concretos, o espectro de abstração/concretude assume um papel ainda mais proeminente.

  • Além disso, diferenças na plausibilidade figurativa e literal podem determinar o grau de exigência do processamento — se uma expressão é literalmente implausível, o esforço para julgar entre a interpretação literal e figurativa diminui.

  • Poucos dos 116 artigos definem todos os fatores que controlam, sendo um problema para a comparabilidade: existem tantos fatores conhecidos por influenciar o processamento da linguagem figurativa que é virtualmente impossível controlar todos.

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  • 25 estudos analisaram metáforas novas. 16 artigos opuseram “nova” a “convencional”; 3 usaram como oposto a “familiar”, e os 6 restantes usaram como sinônimo de “não frequente”, “poética”, “incomum” ou não definiram o termo.

  • Na maioria dos casos, os estímulos “novos” são operacionalizados como estímulos com baixas pontuações de familiaridade

  • Três estudos determinaram a “novidade” por meio da frequência em corpora ou buscas no Google. Um seguiu a definição de “origem poética” (Mashal e Faust, 2009), e quatro artigos não explicaram como implementaram o termo (“novel”)

  • Da mesma forma, o fator familiaridade mostra discrepâncias entre definição e operacionalização. Alguns estudos definem familiaridade como variável contínua. Um número ainda maior assume implicitamente escalas contínuas ao aplicar escalas de múltiplos pontos. No entanto, as pontuações contínuas resultantes acabam sendo operacionalizadas de forma binária, por meio de um valor de corte, sem especificar nenhum critério para tais distinções

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Design estrutural dos estímulos

  • Dada a grande variação na composição, comprimento, classes gramaticais examinadas e posição das expressões figurativas dentro de um estímulo, os estímulos se caracterizam por diferentes graus de complexidade estrutural.

  • Informações sobre comprimento e posição dos elementos críticos representam um obstáculo evitável para a síntese de informações: frequentemente, os artigos não fornecem essas informações

  • O padrão frequentemente usado "A é B" também esconde uma ampla variação de complexidade – de estímulos como “Dificulty is a wall” (Shibata et al., 2007) a “The man who won the pools was a dog with the biggest bone”. (Bottini et al., 1994)

  • Alta complexidade sintática tem sido associada a maior ativação no hemisfério direito (Just et al., 1996; Constable et al., 2004; cf. Thoma e Daum, 2006) e geralmente exige mais recursos cognitivos.

  • Além disso, o processamento de verbos e substantivos utiliza sistemas neurais diferentes (Damasio e Tranel, 1993), mas apenas 44,8% dos estudos controlaram a classe gramatical das expressões figurativas

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Fontes dos Estímulos e Procedimentos de Avaliação

Parte dos estudos utilizou estímulos retirados de pesquisas anteriores - importante para avaliar a replicabilidade e validade dos estudos, porém, o reaproveitamento de estímulos deve ser considerado na comparação entre resultados, a fim de evitar a influência de conjuntos específicos de estímulos

Procedimentos de avaliação - ampla variabilidade nos procedimentos de avaliação. Mesmo quando um termo é usado para nomear um fator em vários estudos, ele pode representar diferentes formas de operacionalização e gerar variações nas pontuações.

Em geral, os bancos de dados apresentam um problema fundamental para a pesquisa em linguagem figurativa: a frequência de significados metafóricos não pode ser extraída objetivamente de bancos de dados e corpora. Em vez disso, as pontuações de frequência referem-se apenas às palavras de conteúdo ou palavras críticas isoladas

Assim, as pontuações de frequência não podem ser interpretadas como frequência de metáforas, mas sim como frequência de unidades lexicais, independentemente do sentido literal ou figurado.

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Participantes

  • Predominância de jovens adultos, com alta escolaridade (maioria estudantes universitários) – limitação dos resultados para a população geral.

  • Apenas 12 estudos incluíram populações clínicas — e, dentro deles, a maioria focada em esquizofrenia

  • Quase todos os estudos conseguiram equilibrar o gênero dos participantes

  • 74,1% dos estudos utilizaram estímulos em línguas românicas (13,8%) ou germânicas (60,3%), sendo o inglês responsável por 37,9% do total. Os demais idiomas incluem hebraico, línguas asiáticas (chinês, japonês, coreano) e eslavas (polonês, russo) - Risco de supergeneralização dos resultados

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CONCLUSÃO E PERSPECTIVAS

  • A revisão identificou semelhanças e diferenças fundamentais na metodologia de estudos neurolinguísticos sobre o processamento de metáforas e expressões idiomáticas. O uso de estímulos variados fornece uma base rica para a pesquisa. Porém, as diferenças teóricas e operacionais comprometem seriamente a comparabilidade geral dos resultados, exigindo uma consideração cuidadosa e detalhada dos métodos utilizados.

  • Conforme proposto pela literatura pré-existente (p. ex., Kasparian, 2013; Wang e He, 2013; Diaz e Eppes, 2018), certos fatores de influência conhecidos por afetar a lateralização, como complexidade sintática, familiaridade, exigência da tarefa, contexto ou previsibilidade) podem influenciar a ativação hemisférica durante o processamento da linguagem figurada.�Diferenças hemisféricas, portanto, parecem decorrer da influência de fatores psicolinguísticos e estruturais, e não do contraste entre linguagem figurada e literal em si.

  • Publicação dos materiais de estímulo, tornando as pesquisas mais transparentes e a facilitando replicação e validação

  • Limitações da revisão – inclusão apenas de artigos em inglês; Não foram incluídos dados sobre apresentação, tipo e dificuldade da tarefa, contrastes operacionais, métodos de análise e resultados. Revisões com foco nesses aspectos complementariam a pesquisa e contribuiriam para o desenvolvimento de estudos neurolinguísticos mais bem desenhados e comparáveis.

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REFERÊNCIA

KOLLER, S.; MÜLLER, N.; KAUSCHKE, C. The Elephant in the Room: A Systematic Review of Stimulus Control in Neuro-Measurement Studies on Figurative Language Processing. Frontiers in human science, v.15, 2022.