Cartografia Social: Mapeando Territórios, Fortalecendo Comunidades
Uma ferramenta poderosa de luta política e preservação cultural que nasceu no Ártico e transformou a defesa de direitos territoriais no Brasil
Origens no Ártico: O Projeto Inuíte
Nas últimas décadas do século XX, um estudo pioneiro no Canadá e Alasca deu origem à cartografia social. O Projeto de Uso e Ocupação de Terras pelos Esquimós, realizado na década de 1970, revolucionou a forma como comunidades tradicionais representam seus territórios.
Por meio de entrevistas com povos inuítes, foram produzidos mais de duzentos mapas detalhando atividades sazonais de subsistência, práticas culturais e uso tradicional do território.
Impacto Real
Os mapas foram fundamentais para o reconhecimento legal dos territórios inuítes pelo governo, garantindo a preservação de modos de vida ancestrais.
Chegada ao Brasil: Projeto Grande Carajás
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1990
Antropólogo Alfredo Wagner Berno de Almeida inicia primeiro projeto brasileiro na Amazônia Legal
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Metodologia
Oficinas participativas com comunidades tradicionais definem aspectos sociais e ambientais a mapear
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Resultados
Mapas de problemas, conflitos e saberes locais criados pelas próprias comunidades
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Legado
Base para planos de gestão territorial e criação de reservas extrativistas
O Que é Cartografia Social?
Participação
Comunidades criam seus próprios mapas, incluindo conhecimentos tradicionais e histórias locais
Empoderamento
Ferramenta de luta política que permite às comunidades documentar desafios e reivindicações territoriais
Transformação
Representações que vão além da geografia oficial, revelando realidades invisibilizadas
Também conhecida como etnocartografia, essa metodologia transforma comunidades em protagonistas da produção cartográfica, reconhecendo seus saberes como fundamentais para a gestão territorial.
Expansão pelo Brasil
Após a experiência pioneira no Pará, a cartografia social se multiplicou por todo o país através de iniciativas de universidades, ONGs, ativistas e coletivos diversos, cada projeto adaptado às realidades locais.
Cartografia Social na Amazônia
Estados Protagonistas
Pará, Tocantins, Maranhão, Acre e Amazonas concentram os principais projetos de mapeamento participativo
Comunidades Envolvidas
Ameaças Mapeadas
Grandes projetos de usinas hidrelétricas, invasão e grilagem de terras que colocam em risco territórios tradicionais
Nordeste: Outras Lutas, Mesma Ferramenta
Comunidades Pesqueiras
Mapeamento de áreas de pesca tradicionais ameaçadas por empreendimentos eólicos e turísticos no litoral
Povos Indígenas Litorâneos
Defesa de territórios ancestrais frente à construção de complexos turísticos
Quebradeiras de Coco-Babaçu
Mulheres documentam áreas de extrativismo e práticas tradicionais
Cartografia Social Urbana
Nos últimos anos, a metodologia expandiu-se para além dos territórios rurais e tradicionais, alcançando as grandes cidades brasileiras.
Rio de Janeiro
Comunidades em áreas de risco mapeiam vulnerabilidades e potencialidades locais
Manaus
Mapeamentos participativos documentam ocupações urbanas e desafios infraestruturais
Belém
Comunidades periféricas utilizam cartografia para visibilizar demandas socioambientais
Inovação em Minas Gerais: Mineração em Foco
Em Minas Gerais, a cartografia social incorporou tecnologias digitais avançadas para enfrentar os impactos da atividade mineradora.
Foram produzidos mapas detalhados e modelos digitais de elevação de áreas afetadas pela mineração, documentando transformações na paisagem e impactos socioambientais.
O que é um Modelo Digital de Elevação?
Representação digital das altitudes da superfície terrestre que pode incluir elementos geográficos como cobertura vegetal e edificações.
Cartografia Social: Ferramenta de Transformação
Protagonismo Comunitário
Comunidades como produtoras de conhecimento geográfico
Defesa de Direitos
Instrumento de luta política e reivindicação territorial
Preservação Cultural
Documentação de saberes tradicionais e práticas ancestrais
Da experiência inuíte no Ártico aos territórios brasileiros, a cartografia social consolida-se como metodologia essencial para a justiça socioambiental e o reconhecimento de direitos territoriais de povos e comunidades tradicionais.