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rizomatizando

acerca do rizoma

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o rizoma

proposto por Gilles Deleuze e Felix Guattari

enquanto modelo conceptual

para melhor entendermos o mundo de hoje

(no melhor e no pior…)

G. Deleuze F. Guattari

Porquê a planta rizoma

como metáfora/modelo de compreensão da realidade/mundo de hoje?

Que modelo pretende superar

ou constituir uma alternativa?

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Etimologicamente,

do grego “tufo de raízes”.

(mas não é uma raiz)

É um caule subterrâneo

ou parcialmente aéreo.

Espalha-se na horizontal

em malha articulada por vários nós.

Deles derivam sucessivamente

inúmeros rebentos e raízes.

Plantas de superfície como o bambu, a orquídea ou a bananeira

recebem dos seus rizomas nutrientes e energia.

Rizoma

segundo a Botânica

“Aqui em baixo, respirar significa dar-se um corpo tentacular,

capaz de abrir um caminho onde a via está barrada pela pedra,

capaz de multiplicar os seus apêndices e os seus braços

a fim de abraçar o mais possível de terra,

expondo-se a ela como a folha se expõe ao sol.”

Emanuele Coccia,

in A Vida das Plantas. Uma Metafísica da Mistura.

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A passagem de palavras de um domínio de significação para outro,

é já em si uma operação rizomática,

supondo uma polissemia, uma flutuação dos significados .

A palavra rizoma, presta-se a este deslocamento semântico.

E até que ponto pode a palavra migratória esticar o seu significado

para se ajustar a um novo território, sem trair a sua matriz?

Empréstimo das Ciências da Natureza à Filosofia .

O trânsito de vocábulos entre diferentes áreas do conhecimento

(agilizado com a quebra das barreiras disciplinares)

favoreceu a evolução das ciências.

Não é qualquer palavra que transita. A escolha deve ser criteriosa.

Diz Edgar Morin: "Os conceitos viajam e é melhor que viajem

sabendo que viajam. É melhor que não viajem clandestinamente“.

a palavra Rizoma

Ana Hatherly

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A raiz arbórea expande-se na vertical em modo binário

O rizoma ramifica-se para os lados e circularmente.

Na árvore impera a filiação, no rizoma a aliança.

Deleuze/Guattari: «A árvore impõe o verbo ‘ser’,

mas o rizoma tem como tecido a conjunção ‘e…e…e...’»

Comparando

a raiz arbórea

e o rizoma

Transportados para as ciências sociais e humanas, os modelos arbóreo e rizomático

são ambos válidos para explicar várias coisas e acontecimentos.

Não se trata aqui de uma distinção do tipo “bom”/””mau” ou “melhor”/pior”

Em vários aspectos, mais livre, democrático e alternativo; menos hierárquico ou determinista,

o rizoma é mais eficaz para entender muito do que se passa no mundo de hoje.

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A anamastose

Numa floresta de faias,

as raízes das diferentes plantas interagem:

as mais próximas da luz solar ou de uma nascente

levam água e calor às mais distantes

Os micélios

São uma massa de filamentos emaranhados (as hifas)

que carregam nutrientes até onde o fungo necessite

e fazem processos de simbiose com algumas espécies.

Fenómenos rizomáticos

ou

a “solidariedade” subterrânea

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Pensar em modo rizomático é

pensar diferente / “fora da caixa”

abrir o espírito / não ter opiniões rígidas

admitir divergir consigo mesmo

saber escutar em diferentes direcções

admitir alternativas

escapar a códigos e convenções

buscar o novo, o diferente

multiplicar pontos de vista

não deixar que a Razão abafe as razões

não precipitar conclusões

evitar juízos definitivos / ser tolerante

ver o lado A e o lado B, ver isto e o seu contrário

ver por inteiro e ver por fracções

tomar novas rotas / fazer alianças

ser inventivo /procurar novas soluções

“Não suscitem um General em vós.

Nada de ideias justas, justamente uma ideia.”

Jean-Luc Godard

Pensar o modelo do rizoma

sem excluir o modelo arbóreo, complementando-o

Pensar a democracia sem excluir hierarquias justas

Pensar o múltiplo sem excluir o uno

O rizoma exemplifica um sistema epistemológico

onde as ramificações não obedecem a uma lógica hierárquica. 

O rizoma é um sistema aberto e flexível,

sem proposições ou afirmações mais fundamentais do que outras.

Escapa a determinações que pretendam dirigir unidireccionalmente o pensamento.

O rizoma quer o Aberto, um devir que pode tomar diferentes direcções.

Um modelo

de pensamento

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caosmos

No rizoma, não há pontos ou posições fixas,

não há realidades estabelecidas, petrificadas.

Há idas e vindas de linhas, entrelaçamentos,

deslocações, nomadismos, desterritorializações,

velocidades, intensidades.

…o que não quer dizer instabilidade ou caos.

O rizoma (como a Física do caos) é um Caosmos

supõe uma ordem sob a aparente desordem.

O rizoma tem nós organizadores,

em torno de conjuntos de conceitos afins

definindo territórios relativamente estáveis.

Cada nó organiza uma região do rizoma,

mas todos os nós e regiões

estão em pé de igualdade,

nenhum se institui como centro,

característica que o torna atractivo

para a filosofia da ciência, a semiótica,

e as teorias da comunicação contemporâneas

No modelo arbóreo de organização do conhecimento

(como as taxonomias e classificações das ciências)

o que é afirmado nos elementos de nível superior

vale também para os elementos subordinados,

mas o contrário não é válido.

Inversamente, no modelo rizomático,

qualquer afirmação que incida sobre algum elemento da estrutura

poderá também incidir sobre outros elementos,

independentemente da sua posição.

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O rizoma, modelo aberto e energético,

assente em múltiplas interações e agenciamentos.

Dada a quantidade e diversidade de saberes

e o seu grau de incerteza e indeterminação,

no mundo de hoje perdem operatividade

os sistemas fechados, cheios de “certezas”

e pretensamente “universais”

assentes em causalidades lineares.

A planetarização (mais que globalização) com

a revolução das comunicações, ligações, conexões

criou o mundo em rede, simultâneo e instantâneo.

Há um novo “zeitgeist”, um novo paradigma,

uma nova ordem mundial?

Conectividade

São rizomáticos: o Hipertexto (HTML)

e as hiperligações, a interactividade

e multidireccionalidade no ciberespaço.

A organização do conhecimento

já não procede por uma "norma“

visando estabelecer-se

Na rede, conhecimento e informação,

estão sempre em movimento,

em atualização e modificação contínua.

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Os mass e global media criam homogeneização opinativa

mimetizam-se para darem uma dada versão da realidade do mundo

filtrada pelos editores das notícias e pelos comentadores de serviço,

valorizam o que dê espectáculo, crie audiências, realize dinheiro

e seja politica conveniente.

A maioria dos novos e velhos media,

são espaços previamente estriados,

pré-formatados, homogeneizadores.

Na óptica do rizoma a combinação

entre o liso e o estriado promove

a liberdade, a invenção e a heterogeneidade

Paul Virilio

O espaço liso

e o espaço estriado

Contestar o termo Verdade enquanto absoluto

não é ceder à mentira ou o regime da pós-verdade

hetreogeneidade

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“Não há universais, apenas singularidades.

Um conceito não é um universal,

mas um conjunto de singularidades,

cada uma das quais se prolonga

até à vizinhança de uma outra”

“não há universais, não há transcendentes,

não há Um (…) há apenas processos,

que podem ser de unificação, de subjectivação,

de racionalização, mas nada mais.

Estes processos operam em “multiplicidades” concretas,

é a multiplicidade que é o verdadeiro elemento

em que alguma coisa se passa.”

Gilles Deleuze

Singularidade e imanência

“a cultura de massa produz indivíduos: indivíduos normalizados,

articulados uns com os outros de acordo com sistemas hierárquicos,

sistemas de valores, sistemas de submissão (…) visíveis e explícitos,

como na etologia animal, ou como nas sociedades arcaicas ou pré-capitalistas,

mas muito mais sistemas de submissão disfarçados.”

Felix Guattari

Heterogeneidade e diferença

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agenciamentos

O autor “são muitos”; a autoria é inatribuível ou partilhada

Cada livro está cheia de brotos, enxertos, ocorrências, multiplicidades,

linhas de fuga, estratos e segmentaridades. É uma cartografia.

O autor procura extrair o uno (a obra) desta multiplicidade

Os produtos culturais espalham-se rizomaticamente no espaço e no tempo

têm passado (sofreram influências), têm futuro (criarão influências)

e são contaminados pelo que lhe é contemporâneo.

“A literatura é um agenciamento

(…) como agenciamento, está em conexão

com outros agenciamentos”,

Gilles Deleuze

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A História da cultura humana está marcada por dualismos,

polaridades ou oposições binárias:

Homem/Natureza, mente/corpo, espírito/matéria,

bem/mal, verdade/mentira, materialismo/idealismo, imanência/transcendência, etc.

Multiplicidade

O modelo do rizoma não adere à polarização,

procura sobretudo o que existe “entre”,

pois o mundo não é preto e branco

tem colorações várias, tonalidades, gradações,

variações e reciprocidades.

Combina as polaridades

(uma coisa pode conter em si o seu contrário), valoriza as trocas, as interacções,

fabrica novas sínteses,

extrai o uno da multiplicidade.

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Interacções vs imposições

Reconstruível vs acabado

Inacabamento vs “já pronto”

Interdisciplinaridade vs “espírito de quintal”

Polissemia vs monossemia

Micropolíticas vs macropolítica

Democracia vs hierarquismo

Descentramento vs centralidade

Diferença vs mesmidade

Irreverência vs servilismo

Criatividade vs estereótipos/senso comum

“fora da caixa” vs “encaixado”

Complementaridade vs oposição

Linhas, energias vs pontos, fixações

Nomadismos vs sedentarismos

Multiplicidade vs unicidade

Heterogeneidade vs homogeneidade

Relativo vs absolutos

Abertura vs fechamento

Criticismo vs acomodação

Alternativo vs Instituído

Imanência vs transcendência

Plano da vida vs abstracções

dual, não dual

Numa lógica dualista

o 1º termo

é mais rizomático

Multiplicidade

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Às vezes a gente lê ou faz coisas e depois pronto, passou. Mas são esses toquezinhos aqui e ali que nos vão formando. Pergunto sempre: “O que somos nós senão um agregado de mil coisas?”. Não há “eu”, somos tudo à la fois. Às vezes pergunto: “Mas foste tu que escolheste o sítio para nascer? Foste tu que escolheste o pai e a mãe?”. Não, a gente tem o pai e a mãe que tem. Nasci aqui, mas não fui eu que escolhi nascer aqui. Nasci. O que somos senão um agregadozinho no meio disto tudo? Somos tudo e somos nada. E isso é fundamental para a gente não estar agarrada a nada. As pessoas pensam que são qualquer coisa. Mas depois vão para a escola e aprendem. E depois há um tio ou uma tia, há a paisagem que também entra em nós. E o que vai entrando também é conforme o que já temos dentro. É assim que a gente se vai formando. E somos isto que está aqui, mas não somos nada de especial. Somos um agregado de causas e efeitos. Vamos construindo-nos.

Lourdes Castro, entrevista ao Expresso

(“Je est un autre”, Rimbaud)

(Pessoa e a heteronomia)

Lourdes Castro

1930 -2022

Multiplicidade

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Haver crise de valores.

não significa não haver valores,

mas reconhecer as suas nuances.

Há que dialogar com as diferenças,

ser inclusivo, integrar a variedade,

a diversidade e a multiplicidade.

Cada vez mais,

cada indivíduo enfrenta

uma ampla variedade de caminhos,

possibilidades e escolhas,

o que pode ser gerar ansiedade,

indecisão e stress.

É o mundo que temos pela frente.

É paradoxal: há muitas escolhas

mas poucos podem sonhar “uma carreira”,

uma mesma profissão para toda a vida.

Como trilhar tantos caminhos,

como entender tantos atalhos

sem se correr o risco

de desintegração e fragmentação,

de perder o nosso “centro”?

Fragmentação e unidade

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A História, na nossa condição “pós-moderna”

não tem uma grande narrativa,

uma totalidade de sentido

que enquadre todas as partes

(filosofia, arte, economia, política, etc.)

No Ocidente cristão, durante séculos,

quase todas as disciplinas e saberes

emparceiraram numa única direcção:

a metanarrativa da Salvação.

Hegel na sua visão dialéctica da História,

acreditava que todos os saberes e disciplinas

encaminhariam a Humanidade como um todo

para outro tipo de juízo final:

a vitória da Ideia, do Absoluto filosófico.

E, nele inspirado, Karl Marx sonhou

a sociedade sem classes, o Comunismo.

Quem ainda crê em metanarrativas salvíficas,

verticais, arborescentes? E até totalitárias,

no sentido em que todos os aspectos da vida humana

desaguem num todo unificado, indiferenciado,

pretensamente universal e definitivo

das macro às micronarrativas

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Nietzsche: questiona a “Verdade”:

enquanto imposição da vontade de poder

que a linguagem instituiu e normalizou,

tornando-se senso comum ou preconceito.

Com as revoluções científicas

da mecânica quântica

e da Teoria da Relatividade,

emerge uma nova epistemologia científica

abalando as velhas certezas e dogmas

do Positivismo e do Cientismo do séc. XIX.

Existe a Verdade, enquanto valor absoluto,

universal e definitivo?

Rizomaticamente, a verdade é contextual,

temporária, relativa e reconstruível.

A certeza dá lugar ao provável e ao possível.

Nietzsche

Einstein

Planck

Heisenberg

Bachelard

Heisenberg: e o princípio da incerteza

na física subatómica

Bachelard: o saber científico é revisível,

já não avaliável em termos

de acumulações de verdades e axiomas,

mas de rupturas, descontinuidades e rectificações, num processo dialético

em que o conhecimento se constrói

pela constante análise dos erros e insuficiências

das teorias anteriores.

Probabilidade

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“Um rizoma está sempre a conectar elos semióticos e ocorrências que remetem para as artes, para as ciências

e para as lutas sociais. Um elo semiótico é como um tubérculo

ao aglomerar actos muito diversos, linguísticos,

mas também perceptivos, mímicos, gestuais, cogitativos:

não há língua em si, nem universalidade da linguagem,

mas antes um concurso de dialectos, de gírias,

de calão, de línguas especiais. Não há locutor-ouvinte ideal, nem comunidade linguística homogénea.” Deleuze / Guattari

“Os limites da minha linguagem

são, portanto,

os limites do meu mundo”.

O cepticismo face às aspirações

de totalidade e de universalidade

de uma linguagem, saber ou disciplina.

Rizoma e linguagem

Ludwig Wittgenstein

os “jogos de linguagem”

Roland Barthes e Julia Kristeva / A intertextualidade

“todo texto se constrói como mosaico de citações,

todo texto é absorção e transformação de um outro texto.”

J. Kristeva

“Todo o texto é um intertexto; nele estão presentes outros textos,

em níveis variáveis, como formas mais ou menos reconhecíveis:

os textos da cultura anterior e os da cultura circundante;

qualquer texto é uma nova trama de citações passadas.”

Além de fontes e influências reconhecíveis, “O intertexto

é um terreno geral de formas anónimas de origem raramente localizável, de citações inconscientes ou automáticas, fornecidas sem aspas”

Roland Barthes

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“A Ciência é uma tradição

entre muitas outras

e uma fonte de verdade

apenas para os que fizerem

as escolhas culturais adequadas

(…) Não há factos nem modelos

que possam garantir-lhe uma excelência privilegiada”

“A proliferação de teorias é benéfica para a ciência,

ao passo que a uniformidade

enfraquece o seu poder crítico.”

“O anarquismo teórico é mais humano

e mais susceptível de estimular o progresso

do que suas alternativas representadas

pela ordem e pela lei”.

Paul Feyerabend

António Damásio

O não-cartesianismo

Ataca a separação cartesiana mente/corpo

As funções mentais não têm privilégio sobre tudo o resto.

Todo o corpo

– órgãos, emoções, sentimentos, regulação biológica, etc. – participa na cadeia de operações que origina

desempenhos mentais de mais alto nível.

Somos governados por interacções complexas

dentro de nós mesmos e não nos podemos pensar

fora do ambiente, com o qual interagimos.

“O cérebro humano e o resto do corpo

constituem um organismo indissociável,

formando um conjunto integrado

por meio de circuitos reguladores bioquímicos

e neurológicos mutuamente interactivos”

“é com cepticismo que encaro a presunção

da ciência relativamente à sua objectividade

e ao seu carácter definitivo”

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A criação da ordem pela desordem

ou a ordem longe do equilíbrio.

O caos entrópico através de flutuações e bifurcações ínfimas

fonte de novas organizações complexas.

A dependência da Ciência face ao devir,

mais do que do adquirido do passado

Inspiração nos pré-socráticos.

Cita o Talmude judaico: “Deus exclamou

à sua vigésima sétima tentativa de criação do mundo:

desde que isto aguente”

(o aleatório, até num texto sagrado,

habitualmente do domínio da certeza e da omnisciência)

Ilya Prigogine

as estruturas dissipativas

François Jacob

O possível

contra a certeza

e o determinismo

“Há muito tempo que os cientistas renunciaram

à ideia duma verdade última e intangível,

imagem exacta de uma “realidade”

que espere ser descoberta ao virar da esquina.

Os cientistas sabem agora que devem contentar-se

com o parcial e o provisório.”

“Mas a par da selecção natural, conhece-se hoje

toda uma série de mecanismos que intervêm na evolução:

por exemplo a “deriva” genética, a fixação dos genes ao acaso

a selecção indirecta que origina uma ligação de genes (…)”

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“O especialismo não define apenas

um excesso de saber mas também

uma renúncia consciente e voluntária

ao saber dos ‘outros’. (…)

A especialização é a tradução epistemológica

de um ideal corporativo do saber (…)

No mundo, tudo está misturado com tudo,

nada está ontologicamente separado do resto.

O mesmo para os conhecimentos e as ideias.

No mar do pensamento, tudo comunica com tudo,

cada saber penetra e é penetrado por todos os outros.

Todo o objecto pode ser conhecido por qualquer disciplina,

todo o conhecimento pode dar acesso a qualquer objecto”

“É antes do mais uma evidência epistemológica:

a filosofia é atmosférica porque a verdade

existe sempre sob a forma de atmosfera.

É apenas na sua mistura com o resto dos elementos

que toda a coisa encontra a sua identidade:

a atmosfera é mais verdadeira que a essência,”

Emanuele Coccia

Contra

o “especialismo”

Karl Popper

O “método dedutivo de controlo”

É esta a grande conquista do método crítico

– possibilitar que certas hipóteses

sejam reconhecidas como falhadas

e sejam condenadas sem condenarmos os seus defensores.”

A “testabilidade“: Toda a teoria científica deve permitir

a sua refutação e a prova de que algumas das suas implicações possam ser falsas. A cientificidade de uma teoria só é garantida

se for suscetível de ser refutada.

“As teorias devem ser submetidas a um tribunal crítico

e, a partir daí, fazer a opção de escolher a menos má,

a que melhor se adeque à investigação da verdade.” (Infopédia)

Popper foi influenciado pelas ideias de Victor Kraft (1880-1975), filósofo da ciência do Círculo de Viena.

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O mapa é desdobrável, aberto a modificações,

diferente nas várias escalas em que seja visto.

Tem linhas e nós, ligações, conexões, articulações.

entradas e saídas, atalhos, vias alternativas…

Mapas mentais / múltiplas entradas

Figuras rizomáticas

Diagramas e mapas

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O Barroco

O fragmento e o todo

O tudo que é nada e o nada sublime

A irregularidade, o contraponto

A prega, a dobra

Figuras rizomáticas

A prega, a dobra

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Figuras rizomáticas

O cérebro e a erva

Os sinais eléctricos propagados ao longo dos axónios

e os sinais químicos, as sinapses,

frequentes no sistema nervoso central.

O cérebro é uma multiplicidade,

um sistema probabilístico incerto.

Não existem dois iguais no planeta.

“Muita gente tem uma árvore plantada na cabeça,

mas o cérebro é muito mais uma erva do que uma árvore”

Deleuze/Guattari

“De todas as existências imaginárias que atribuímos às plantas,

aos animais e às estrelas, é talvez a erva daninha

que leva melhor a vida.

É certo que a erva não produz flores, nem porta-aviões,

nem Sermões da montanha (…) mas no fim de contas

é a erva daninha que tem sempre a última palavra.

(...) A flor é bela, a couve é útil e a papoila leva à loucura.

Mas a erva é exuberância, é uma lição de moral” Henry Miller

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O rizoma na escola

Os alunos deveriam experimentar na escola múltiplas actividades

– ler, escrever, debater ideias, desenhar, pintar, cantar, dançar,

representar, praticar desporto, fazer jardinagem, etc. –

a fim de desenvolverem harmoniosamente qualidades e competências

humanas, científicas e culturais. Mas isso era outra escola.

As disciplinas deveriam abrir os seus programas umas às outras,

cruzando criteriosamente saberes, desenvolvendo projectos comuns

e relacionando-os com a comunidade e o meio natural e cultural

“Uma disciplina não é a soma de tudo o que pode ser dito

de verdadeiro sobre alguma coisa” Michel Foucault

hoje em dia, habitamos “verdadeiras caixas de ressonância

de efeitos históricos, intelectuais, artísticos e científicos”,

disse George Steiner) exemplificando com a toponímia

de ruas, praças e jardins das nossas cidades.

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Geografia

Para além da polaridade cidade/campo; as “cidades contínuas”

A malha urbana, as redes de trânsito, os nós e centros urbanos

Fluxos migratórios, nomadismos, deslocações e desterritorializações

Os mapas

Psicologia e Sociologia

Freud: vários eus do eu; a alteridade: Je est un autre (Rimbaud)

Redes sociais: máscaras e identidades variáveis

Narrativas identitárias: sexo, género e raça; narrativas pós-coloniais

A multi e interculturalidade; diferença e inclusão

Enraizamentos e desenraizamentos; os deslocados e refugiados

História e política

O mundo multipolar depois do fim da “guerra fria”

Existe um “para além” da direita. da esquerda e do centro?

Poder central versus descentralização/regionalização

As classes médias para além das dicotomias tradicionais de classe

A democracia contra os fundamentalismos e os autoritarismos

Educação e ensino

Multi, trans e interdisciplinaridade

A não hierarquização dos saberes e fazeres na escola

O trabalho de projecto: as múltiplas aprendizagens

Os “mapas mentais” na aprendizagem

A biblioteca, espaço rizomático do saber

Línguas e Ciências da Comunicação

A polissemia dos signos. Os trânsitos vocabulares.

A frágil unicidade da língua: dialectos, gírias, modulações regionais

O assintaxismo na Literatura

O multimédia e o hipertexto; a Wikipédia e as hiperligações

Internet o mundo em rede; Conectar/desconectar: as redes sociais

Filosofia

O valor do “entre”, do relacional

A virtude da incompletude, do “quase” ou do “para além de…”

Nietzsche, “para além do bem e do mal”

O devir, o aberto

As metodologias não-cartesianas

Matemática e Ciências da Natureza

A geometria fractal e as dimensões não inteiras

Geometrias não-euclidianas

A física do caos; imprevisibilidade e acaso

O princípio da incerteza e a revisibilidade nas ciências.

Artes

Os anacronismos contra a visão linear da História da Arte

A obra de arte como objecto multi-referencial; a “obra aberta”

O Barroco, um estilo rizomático por excelência

Subtemas (além dos 50 anos da ESAS, dos 30 da Defacto,

dos 25 das Jornadas da Biblioteca, do Teatro na escola

e do Projecto Crescer com as Árvores)