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A Luta pelos Direitos da População Negra no Brasil

A conquista de direitos por grupos historicamente marginalizados é resultado de manifestações, pressão política, engajamento social e atos contínuos de resistência. Conheça os marcos da luta antirracista no Brasil.

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Raízes da Resistência

1978: Movimento Negro Unificado

Fundado como pioneiro na luta contra a discriminação racial, o MNU reuniu diversos núcleos do movimento antirracista em todo o território nacional. Essa organização marcou o início de uma articulação política estruturada e permanente.

O movimento trouxe visibilidade às demandas da população negra e estabeleceu as bases para conquistas futuras, fortalecendo a identidade e a resistência coletiva.

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Marcos Históricos da Luta Antirracista

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1995

Marcha Zumbi dos Palmares: 30 mil pessoas em Brasília lembraram os 300 anos da morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, e protestaram por políticas públicas de igualdade racial.

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2003

Lei nº 10.639: Tornou obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira nas escolas de Ensino Fundamental e Médio, públicas e particulares.

3

2008

Lei nº 11.645: Ampliou a legislação anterior, incluindo também o estudo obrigatório da história e cultura indígena nas escolas brasileiras.

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2010

Estatuto da Igualdade Racial: Documento que criou instrumentos para reconhecimento e combate das desigualdades raciais em diferentes níveis de governo.

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2012

Lei de Cotas: Instituições federais e particulares de Ensino Superior passaram a destinar percentual maior de vagas para estudantes afrodescendentes.

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2015: A Voz das Mulheres Negras

A Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver reuniu cerca de 50 mil mulheres em Brasília e ocorreu simultaneamente em outras cidades do país.

No manifesto, as mulheres protestaram contra a invisibilidade das necessidades específicas das mulheres negras, o racismo institucional e o preconceito estrutural que permeia a sociedade brasileira.

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A Luta Continua

2023: Protestos Nacionais

Em 24 de agosto, atos contra a violência policial aos negros ocorreram em mais de 30 cidades brasileiras.

20 de Novembro

A Marcha Zumbi dos Palmares acontece anualmente no Dia da Consciência Negra, instituído em 2003.

Movimentos em Expansão

A resistência contra o preconceito racial e a defesa dos direitos civis da população negra se ampliam continuamente.

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Interseccionalidade: Raça e Gênero

Racismo e Sexismo Estruturais

O racismo estrutural tem profunda relação com o sexismo, definido como discriminação fundamentada no sexo. As mulheres negras são as principais vítimas dessa dupla opressão.

  • Discriminação racial intensificada pela questão de gênero
  • Violência sexual e taxas elevadas de estupro
  • Feminicídio: mulheres negras e jovens (18-30 anos) são as maiores vítimas

As motivações dos agressores envolvem sentimento de posse, controle sobre o corpo feminino, limitação da emancipação e ódio pela condição de gênero.

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Pioneiras do Feminismo Negro Brasileiro

Lélia Gonzalez

Considerada uma das principais lideranças feministas negras do Brasil, discutiu o lugar da mulher negra na formação do país e nas relações sociais contemporâneas.

Sueli Carneiro

Desempenhou papel fundamental na discussão sobre direitos humanos, racismo e o protagonismo da mulher negra na sociedade brasileira.

Conceição Evaristo

Escritora e intelectual negra que tornou a escrita um direito das mulheres, rompendo o silêncio imposto às mulheres amefricanas.

Djamila Ribeiro

Ressaltou as interconexões entre raça, classe social e orientação sexual nas múltiplas violências vividas por mulheres negras periféricas.

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Escrevivências: A Escrita Como Resistência

"O ato de escrever sobre si mesmas, como experiência compartilhada com outras mulheres amefricanas, é um modo de romper o silêncio imposto, tornando a escrita um direito das mulheres."

Conceição Evaristo cunhou o termo "escrevivência" para descrever a literatura que nasce da experiência de vida de mulheres negras de origem africana e de comunidades indígenas que resistiram à dominação colonial.

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Violências Entrecruzadas

Racismo

Sexismo

Classe Social

Orientação Sexual

Territorialidade

A análise interseccional, destacada por Djamila Ribeiro, mostra como diferentes formas de opressão se combinam e intensificam as violências vividas pelas mulheres negras mais pobres das periferias brasileiras.

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O Papel da Liderança Feminina

Mobilização Permanente

As mulheres e o movimento feminista negro lideram a mobilização para assegurar e ampliar conquistas obtidas.

Resistência Coletiva

A organização de marchas, protestos e manifestações fortalece a luta por direitos políticos e civis.

Futuro em Construção

A continuidade da luta antirracista depende do engajamento político, da educação e da conscientização social permanente.

A trajetória de resistência da população negra no Brasil é marcada por conquistas significativas, mas a luta por igualdade racial e justiça social segue em curso, exigindo vigilância e ação contínuas.