FECCIF25 – IV Feira Estadual de Ciência e Cultura do IFSP – Setembro / Outubro de 2025
Recentemente, as mudanças climáticas foram consideradas ameaça à vida humana pela Corte Internacional de Justiça, a mais alta corte da Organização das Nações Unidas (ONU). Nesse sentido, o crescimento de um fenômeno como a ecoansiedade é compreensível, especialmente entre os jovens, que precisarão lidar com a crise climática em seu futuro e que são constantemente expostos a um alto volume de informações sobre o tema. Contudo, nem todas essas informações são confiáveis e a relação entre os impactos na saúde mental e na sociedade, carecem de maior divulgação e aprofundamento.
RESUMO
INTRODUÇÃO
OBJETIVOS
METODOLOGIA
Mudanças Climáticas e a ecoansiedade na juventude: a importância da educação ambiental e digital
Livia Cardial Braz Ferreira, Suzy Sayuri Sassamoto Kurokawa(orientadora)
Instituto Federal de São Paulo, São Miguel Paulista, Brasil - livia.cardial15.escola@gmail.com
Instituto Federal de São Paulo, São Miguel Paulista, Brasil – suzy.sayuri@ifsp.edu.br
Na 29ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP29) em Baku, foi debatido o impacto da degradação ambiental sobre a saúde mental dos indivíduos, visto que algumas pessoas têm relatado sentir frustração, preocupação e impotência na busca por soluções relacionado às mudanças climáticas (Carvalho, 2024).Essa sensação foi descrita como ecoansiedade, em 2017, pela Associação de Psicologia Americana (APA,2017),que afeta a saúde mental, especialmente dos jovens. Esse cenário é agravado pelo excesso de informações, velocidade e fake news na internet, o chamado "caos informacional", que corrobora com um processo de desinformação (Ripoll; Matos, 2017).
Os objetivos do presente trabalho são investigar a relação entre as mudanças climáticas, ecoansiedade e informação, buscando explorar como a educação ambiental e digital atuam como mecanismos de enfrentamento, com ênfase no ambiente escolar.
Esta pesquisa foi iniciada com uma revisão da literatura sobre a ecoansiedade sentida pelos jovens e sua relação com as mudanças climáticas, buscando compreender os conceitos teóricos que fundamentam uma investigação empírica, também foi realizada uma revisão de literatura sobre caos informacional, distribuição e acesso das informações acerca da crise climática pelo público alvo. Para isso, foram consultadas publicações científicas, artigos e relatórios institucionais.
Em seguida, foram pesquisados repositórios de dados climáticos e informações sobre eventos climáticos recentes no Brasil e na cidade de São Paulo, visando utilizá-los em oficinas educativas voltadas ao público do IFSP. Essas oficinas foram realizadas com estudantes de 15 a 18 anos, ambas abordando os impactos das mudanças climáticas no Estado de São Paulo, mais especificamente na Zona Leste da capital paulista, onde reside a maioria dos estudantes do campus, sobre as queimadas ocorridas no Estado, no final do ano passado e sobre alagamentos e ilhas de calor nas zonas periféricas.
Nessas atividades, foram aprofundadas as causas, impactos e soluções para a problemática no contexto urbano. Para mensurar o conhecimento sobre os temas e o impacto das oficinas, antes e depois de cada uma, foram debatidas e registradas percepções sobre o tema abordado, cujos dados serão avaliados quanto à natureza qualitativa e quantitativa. Além disso, pretende-se que mais oficinas sejam realizadas abordando outros fenômenos, a fim de coletar mais dados e trazer novas discussões quanto aos eventos climáticos recentes e como eles são divulgados nos meios de comunicação, buscando promover educação digital e ambiental.
A ecoansiedade é uma resposta emocional às mudanças climáticas (Valadão; Guanãbens, 2025), que pode ser definida como uma significante quantidade de angústia e preocupação causados pela crise climática, além de sentimentos como raiva, medo, tristeza, dentre outros (Valadão; Guanãbens, 2025). Segundo um estudo publicado pela revista The Lancet, em 2021, realizada com 10 mil pessoas de 16 a 25 anos (Hickman et al., 2021), 50 a 67% disseram que as mudanças climáticas os fazem sentir tristes, assustados, ansiosos, irritados,desamparados e culpados e 45% relataram um impacto negativo dessas emoções no funcionamento diário, como comer, concentrar-se, etc.
Diante desse cenário, foram realizadas duas oficinas com estudantes de 15 a 18 anos do IFSP São Miguel Paulista. A primeira realizada em 2024, teve por objetivo instruir os jovens sobre como as fontes de notícias impactam na percepção e compreensão dos problemas ambientais, especialmente considerando o fenômeno da desinformação (Ripoll; Matos, 2017) e de que somente 50% dos adolescentes entre 15 e 17 anos sabem identificar se uma notícia é falsa ou não. A segunda, feita esse ano, foi sobre Ilhas de Calor, também na Zona Leste de São Paulo-SP, e como elas impactam no cotidiano dos alunos e são intensificadas pelas mudanças climáticas.Em ambas, após a parte expositiva foi realizado dinâmicas onde os estudantes elaboravam soluções para os problemas apresentados. Para isso eles eram divididos em grupos e recebiam informações verdadeiras mas diferentes entre si, com as informações elaboravam uma proposta para o problema apresentado, e posteriormente um debate entre os grupos era realizado, o que mostrou ser uma ferramenta interessante para amenizar o sentimento de impotência, uma vez que possibilita conhecer ações e o que pode ser feito ao invés do típico discurso sensacionalista e alarmista. Houve também a realização de questionários pré e pós atividade na última oficina, que buscaram coletar suas percepções sobre as mudanças climáticas (figura 1) como os estudantes acessam informações e a importância da educação ambiental.
Percepções sobre as mudanças climáticas (figura 1)
RESULTADOS E DISCUSSÕES
REFERÊNCIAS
CONCLUSÃO
Conclui-se que os jovens brasileiros estão preocupados com as mudanças climáticas, tanto que o termo ecoansiedade passou a ser utilizado para descrever sentimentos de medo, raiva, tristeza,dentre outros, relacionados ao clima. Em oficinas realizadas na zona leste de São Paulo,foi possível observar esse cenário, bem como a necessidade de abordar as mudanças climáticas com um viés crítico.
AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION; ecoAmerica. Mental health and our changing climate: impacts, implications, and guidance. Washington, D.C.: American Psychological Association, 2017. Disponível em: https://www.apa.org/news/press/releases/2017/03/mental-health-climate.pdf. Acesso em: 13 jul. 2025.
CARVALHO, G. M. Ecoansiedade: pesquisadora explica como mudanças climáticas podem afetar a saúde mental. Agência Fiocruz de Notícias, Rio de Janeiro, 29 nov. 2024. Disponível em: https://agencia.fiocruz.br/ecoansiedade-pesquisadora-explica-como-mudancas-climaticas-podem-afetar-saude-mental. Acesso em: 13 jul. 2025.
HICKMAN, C.; MARKS, E.; PIHKALA, P.; CLAYTON, S.; LEWANDOWSKI, E.; MAYALL, E. E. Climate anxiety in children and young people and their beliefs about government responses to climate change: a global survey. The Lancet Planetary Health, v. 5, n. 12, p. e863-e873, 2021. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lanplh/article/PIIS2542-5196(21)00278-3/fulltext. Acesso em: 14 jun. 2025.
RIPOLL, L.; MATOS, J. C. M. Zumbificação da informação: a desinformação e o caos informacional. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, v. 13, p. 2334-2349, 2017. Disponível em: https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/918. Acesso em: 14 jul. 2025.
VALADÃO, A. C. B.; GUANÃBENS, P. F. S. Impacto das mudanças climáticas na saúde mental: uma revisão da literatura sobre ecoansiedade e educação ambiental. REVISTA DELOS, [S. l.], v. 18, n. 65, p. e4460, 2025. DOI: 10.55905/rdelosv18.n65-105. Disponível em: https://ojs.revistadelos.com/ojs/index.php/delos/article/view/4460. Acesso em: 4 jun. 2025.
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B- Sim, um pouco
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