A importância do Império Kushan na Rota da Seda
Por: Vivianne Almeida Barbosa
Projeto Orientalismo
Império Kushan (I – III E.C)
Criado a partir do povo nômade Yuezhi, que após diversos conflitos com o Império Han (China), migraram da Ásia Central para o norte da Índia.
Ao se instalarem na região onde anteriormente era chamada de Bactria, o líder dos Kushans, Kujula Kadphises, fundou o império adaptando características helenísticas da civilização anterior.
Figura 1: Um mapa da Índia no século II E.C mostrando a extensão do Império Kushan (em verde) durante o reinado de Kanishika . A maioria dos historiadores considera que o império se estendeu variadamente até o leste da planície média do Ganges, até Varanasi, na confluência do Ganges e do Jumna, ou provavelmente até Pataliputra
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Kushan_Empire#/media/File:Joppen_1907_India_in_the_2nd_Century_A.D.jpg (Acessado em 12/06/23)
Figura 2: Mapa mostrando a posição estratégica do Império Kushan.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/File:Map_of_the_Kushan_Empire_(large).png (Acessado em 12/06/23)
A cultura dos Kushans era muito voltado a arte, com criação de moedas estilizadas e esculturas fundindo aspectos da cultura hindu e budista com traços greco-romanos.
Na parte de religiosidade, a Índia já tinha o budismo desde o reinado de Ashoka (304 – 232 a. EC), mas foi durante o império Kushan que houve aumento da literatura budista e disseminação para outras regiões.
Figura 3: Kanishka, imperador posterior ao filho de Kujula Kadphises, representado de um lado da moeda. E no outro, a representação do deus grego Hélios.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/File:Kanishka_I_Greek_legend_and_Helios.jpg (Acessado em 12/06/23)
Figura 4: Buda representado com características greco-romanas. As vestes referenciam às autoridades romanas que as utilizavam. Século I-II E.C, Gandhara
Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b8/Gandhara_Buddha_%28tnm%29.jpeg/220px-Gandhara_Buddha_%28tnm%29.jpeg (Acessado em 12/06/23)
Sua importância na Rota da Seda
Com o império se fortalecendo grandemente e estando em uma posição estratégica, entre a China, Pártia e Roma, os Kushans passaram a ser um canal diplomático entre os impérios, facilitando as trocas por terra ou pelo Mediterrâneo.
Essas trocas não eram apenas comerciais, mas também culturais. Assim como a Índia utilizou-se de características greco-romanas em suas artes, em Roma também foram encontradas referencias da índia em suas obras. Como no caso das suásticas. (BUENO, 2012)
Figura 5: Mosaico romano com uma suástica indiana. Tunísia.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Su%C3%A1stica#/media/Ficheiro:Romswastika.jpg (Acessado em 12/06/23)
Outra ponto é a questão da disseminação do Budismo através da Rota da Seda. Com o aumento da produção literária, monges levaram os ensinamentos do Budismo Mahayama para outras regiões alcançando diversos adeptos, como o caso de Menandro I.
E como já foi falado, com o Budismo alcançando diversas áreas, houve fusões de acordo com cada região. No Império Kushan, as estatuas budistas passaram a ter traços helenísticos e inserção de figuras mitológicas nas representações. (UNZER, 2018)
Figura 6: Buda e Vajrapani (Herácles). Buda tem traços greco-romanos e a inserção de uma figura da mitologia grega, protegendo Buda, mostra a fusão dessas duas culturas.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/File:Buddha-Vajrapani-Herakles.JPG (Acessada em 12/06/23)
Figura 7: A difusão do Budismo Mahayana (em vermelho) por diversas regiões através da Rota da Seda no período do Império Kushan.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/File:Buddhist_Expansion.svg (Acessado em 12/06/23)
Declínio e legado dos Kushans
No século III E.C, o Império Kushan chegou ao seu declínio após se fragmentar e depois foram absorvido pelo Império Sassânida. Sua participação na Rota da Seda pode proporcionar os laços e trocas comerciais/culturais entre os diversos impérios. E diferente do que é pensado pela maioria, o Oriente na antiguidade não era uma região isolada, pelo contrário. Autores como Augusto, Filostrato e outros escreveram sobre essas trocas culturais e visitas de embaixadores entre os impérios. A localização estratégica do Império Kushan e sua diplomacia entre Roma, Pártia e China foi um dos motores para o sucesso da Rota da Seda
Referências Bibliográficas