Washington Luiz de Oliveira Brandão
Lilia Ieda Chaves Cavalcante
Universidade Federal do Pará
Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento
Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento
Comportamento suicida:
conhecer para prevenir
Belém-PA
2023
Washington Luiz de Oliveira Brandão�Lilia Ieda Chaves Cavalcante
Comportamento suicida:
conhecer para prevenir
Belém-PA
2023
Programa de Pós-Graduação
em Teoria e Pesquisa
do Comportamento
Laboratório de Ecologia do Desenvolvimento
Grupo de estudo
Grupo de Estudo de Autores de Violência
Comportamento suicida: conhecer para prevenir
Washington Luiz de Oliveira Brandão
Lilia Ieda Chaves Cavalcante
APRESENTAÇÃO
A produção dessa cartilha conta com o apoio incondicional do Programa de Pós-Graduação do Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento da Universidade Federal do Pará e faz parte das atividades de pós-doutorado realizado pelo primeiro autor, Washington Luiz de Oliveira Brandão sob a tutoria da Professora Lilia Ieda Chaves Cavalcante.
A figura ilustrativa da capa representa a Sumaúma (figura do acervo do primeiro autor). Árvore frondosa, típica da Amazônia e que serve de abrigo aos habitantes da floresta. Representa a proteção que todos nós necessitamos e potencialmente podemos proporcionar. Possibilita também ilustrar o quanto as relações entre as pessoas podem garantir a nossa sobrevivência e, além disso, o quanto as instituições humanas devem também planejar um cuidado especial.
A cartilha surge da necessidade constante de se falar acerca do comportamento suicida em sua complexidade e multideterminação a fim de reduzir os tabus que ainda existem em torno do tema.
O público alvo desta cartilha são os profissionais da saúde, a comunidade escolar, assistência social, conselhos tutelares, profissionais da comunicação, da justiça, acadêmicos, pais, mães e pessoas interessadas no cuidado humano.
Resulta do percurso do primeiro autor na pesquisa, assistência e formação de profissionais de diversas áreas a partir da coordenação do Projeto de Extensão denominado Ambulatório de Atenção a Crise Suicida/Universidade Federal do Amapá (AMBACS/UNIFAP) e pelas ações resultantes com parceria com o Ministério Público do Amapá (Projeto AtuAção Pela Vida).
As ações do AMBACS/UNIFAP têm demonstrado que existem possibilidades reais na condução de ações preventivas tanto em atendimentos individuais e em grupo na busca de alternativas comportamentais para as pessoas que estão em sofrimento psíquico.
A necessidade de cuidado em saúde mental historicamente tem se mostrado cada vez mais central em todos os campos da vida. O envolvimento de todas as esferas de governo, é uma prioridade no cuidado qualificado em nossa sociedade.
Espera-se que este conjunto de informações possam suscitar reflexões e estimular algumas condições específicas para facilitar a condução de ações sistemáticas e contínuas no âmbito da prevenção do suicídio e da promoção de saúde mental.
1 | BREVE PANORAMA MUNDIAL | 6 |
2 | COMPORTAMENTO SUICIDA | 8 |
3 | FATORES DE PROTEÇÃO | 14 |
4 | FATORES DE RISCO | 17 |
5 | AVALIAÇÃO DO RISCO DE SUICÍDIO | 19 |
6 | SUICÍDIO E MÍDIA | 26 |
7 | POSVENÇÃO | 30 |
8 | PREVENÇÃO | 37 |
9 | E O FLUXO DO CUIDADO EM REDE? | 42 |
10 | SAUDADES NO MAR! | 48 |
| REFERÊNCIAS | 51 |
| SOBRE OS AUTORES | 55 |
SUMÁRIO
1 BREVE PANORAMA MUNDIAL
Segundo a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2019) em seu mais recente relatório, o suicídio é um problema de saúde mundial. No mundo morrem mais pessoas por suicídio do que por guerra, homicídio, HIV/AIDS e câncer de mama.
A redução das taxas de suicídio deve ser prioridade de todos! As ações devem envolver desde a notificação até o acompanhamento multiprofissional por meio de um cuidado qualificado e continuo a partir das necessidades das pessoas. É fundamental falar de prevenção do suicídio o ano todo.
Nos últimos vinte anos as taxas de suicídio diminuíram no mundo em cerca de 36% enquanto que houve um aumento das taxas de suicídio nas Américas em 17% no mesmo período (WHO, 2019).
No Brasil as taxas de suicídio em ambos os sexos se apresentam com 6,9 por 100 mil habitantes. Os homens cometem mais suicídio e as mulheres tentam mais suicídio. A faixa etária que mais comete suicídio no Brasil é a entre 10-19 anos de idade (49,3%) (WHO, 2019).
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De maneira geral, a prevenção do suicídio se dá a partir da instalação de medidas como (WHO, 2019):
a) limitar o acesso aos meios de suicídio (pesticidas e armas de fogo);
b) sensibilização da mídia para a comunicação adequada dos casos de suicídio;
c) promoção de habilidades socioemocionais para crianças e adolescentes; e
d) identificação, avaliação, assistência qualificada da pessoa envolvida no comportamento suicida.
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2 COMPORTAMENTO SUICIDA (CS)
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O termo Comportamento Suicida (CS) se refere a um modo particular de relacionamento da pessoa com o seu ambiente que se estabelece em um continuum no qual se inicia com a ideação suicida, pode posteriormente desencadear a tentativa de suicídio e pode ser finalizado com o suicídio (Schlösser et al., 2014; Werlang & Botega, 2004).
O comportamento suicida é uma resposta de autocontrole e de solução de problemas com a função de evitar ou fugir de determinadas situações que podem se caracterizar como uma condição de desamparo ou desesperança.
Como todo comportamento aprendido, a compreensão do CS também depende das situações que a pessoa viveu em uma rede complexa de relação entre os diferentes contextos nos quais as consequências passadas do modo como a pessoa lidou com suas demandas pessoais, exercem papel importante na sua compreensão e modo de agir, quer fortalecendo repertórios adequados e inadequados em suas probabilidades de ocorrências (Brandão, 2015).
2.1 Ideação Suicida
São pensamentos, ideias, planejamento e desejo de se matar e pode ser o primeiro passo para a autodestruição pelo suicídio.
Estratégias de intervenção junto a indivíduos com ideação suicida devem ser alvo de políticas de saúde pública, bem como a qualificação de profissionais para identificar pessoas em risco a fim de realizarem os devidos encaminhamentos. As unidades básicas de saúde são os locais nos quais pessoas com ideação suicida devem ser atendidas e os agentes comunitários de saúde podem ser estratégicos no rastreio e monitorização da adesão ao tratamento também desses casos.
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2.2 Tentativa de Suicídio
É qualquer ação autodirigida conduzida e que produziria a morte, caso não fosse interrompida (Avanci 2004).
No serviço público, os casos de tentativa de suicídio devem ser atendidos em ambulatórios especializados, com vistas a prevenção de novos episódios. Os atendimentos poderão ser realizados na forma de grupo ou individuais.
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Logo após os episódios de tentativa de suicídio, não se aconselha atender os casos na forma remota. Somente após a pessoa ter desenvolvido um repertório de estabilidade frente as suas demandas de vida, gatilhos para a resposta autodestrutiva, é que se pode passar para essa modalidade de atendimento.
É necessário após o atendimento nas Unidades de Emergência o encaminhamento da pessoa para a rede de atenção psicossocial, na qual o cuidado deverá ser continuado e monitorado.
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Figura 1: Interdependência
Fonte: Acervo do autor
2.3 Suicídio
“É um ato deliberado, iniciado e levado a cabo por uma pessoa com pleno, conhecimento ou expectativa de um resultado fatal” (WHO, 2001, p. 66).
Deve ser compreendido não de forma isolada e sim de forma complexa. Há uma interação de fatores biológicos, psicológicos e socioculturais no entendimento do suicídio.
Para os sobreviventes dos casos de suicídio aconselha-se a participação nos grupos de POSVENÇÃO, os quais são tecnologias de cuidado humano voltadas para o apoio emocional nos casos de luto por suicídio.
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Não obstante à dimensão da experiência individual como característica marcante na compreensão do suicídio e, mais amplamente, do CS, fica evidente que a dimensão social, familiar, econômica e educacional são aspectos relevantes para o seu entendimento.
É um fenômeno essencialmente histórico e relacional.
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3 FATORES DE PROTEÇÃO
São fatores diretamente relacionados ao contexto de vida e de habilidades ou repertórios de enfrentamento das demandas individuais. São aspectos que podem servir de base para o desenvolvimento de estratégias de cuidado para profissionais da rede psicossocial.
Os fatores protetivos em relação ao comportamento suicida estão vinculados aos seguintes aspectos (Pavoski, 2018), Salvo TonI, Batista & Ignachewski, 2018; Santos, Tavares & Brandão,2018; Oliveira & Brandão, 2022). Esses fatores atuam de forma interdependente:
Quadro 1 – Fatores protetivos
Fonte: Elaborado por Washington Brandão
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Autoeficácia | Relacionamento familiar saudável |
Autoestima elevada | Habilidades sociais (Comunicação eficaz) |
Autocontrole | Ter filhos |
Autoconhecimento | Tomada de decisão |
Religiosidade | Suporte social |
Estar empregado | Ter sonhos ou planos para o futuro |
Como fator protetor a autoeficácia diz respeito a capacidade de a pessoa ser organizar e agir em função de suas metas pessoais. A autoestima elevada indica que a pessoa identifica e ressalta o seu bem estar e se valoriza com base em seu modo de ser. O autocontrole indica a possibilidade de a pessoa dominar seus impulsos para evitar situações estressoras, quando possível. O autoconhecimento refere-se a uma visão real de si considerando suas potencialidades e fragilidades. Tem-se uma comunicação eficaz quando nossa fala é compreendida pelas pessoas, sem que para isso sejamos agressivos. O suporte social indica a disponibilidade de pessoas em nossa rede de contatos em que se pode confiar.
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O Suicídio é um problema de saúde que está posto para todos e representa um olhar para além dos aspectos biológicos, sendo necessário olhar a qualidade de vida e considerar as possibilidades e potencialidades de realização da pessoa levando em conta as diferenças existentes e respeitando as condições pessoais (ABREU et al, 2010).
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4 FATORES DE RISCO
É importante compreender os fatores de risco para o estabelecimento de um plano de prevenção. Para Werlang e Botega, (2004), Oliveira e Brandão (2022) são importantes fatores de risco para o CS.
Quadro 2- Fatores de risco
Fonte: Elaborado por Washington Brandão
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Conflitos familiares ou com amigos | Bullying (Cyberbullying) |
Lutos | Problemas conjugais |
Término de relacionamento | Uso abusivo de drogas |
Gravidez na adolescência | Abuso sexual |
Isolamento social | Histórico de suicídio na família |
Transtornos mentais | |
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4.1 Procedimentos diante do risco de comportamento suicida
a) Encontre um lugar calmo para falar sobre a situação com a pessoa;
b) Deixe-a saber que você está lá para ouvir. Ouça com a mente aberta e ofereça apoio;
c) Não deixe a pessoa sozinha;
d) Ofereça companhia para ir a um atendimento.
4.2 Comportamento que deve ser evitado:
a) Condenar/Julgar: “Isso é covardia”; “É loucura”; “É fraqueza”; “Egoísmo”.
-b) Não banalize o relato da pessoa em crise: “é por isso que você quer morrer?” “Já passei por coisas piores e não me matei”.
c) Não dê “sermão”: “Tantas pessoas com problemas mais sérios que o seu”. “Siga em frente! ”.
c) Não fale simplesmente: “levante a cabeça”; “Pense positivo”;
“A vida é tão boa! ”
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5 AVALIAÇÃO DO RISCO DE SUICÍDIO
São aspectos para, no mínimo, mediar nosso diálogo com a pessoa que está em sofrimento a fim de possibilitar um cuidado diferenciado que alguém em crise requer (Botega, Mello-Santos & Bertollete, 2010; Veiga, Andrade, Garrido, Neves, Madeira, Craveiro, Santos & Saraiva, 2014):
5.1 Baixo risco
a) Ideias suicidas são passageiras;
b)Não planeja como se matar;
c) Transtorno mental, se presente, com sintomas controlados;
d) Boa adesão ao tratamento;
e) Tem vida e apoio sociais.
5.2 Médio risco
a) Tentativa de suicídio prévia.
b) Ideias persistentes de suicídio vistas como solução.
c) Não tem um plano de como se matar.
d) Não é uma pessoa impulsiva.
e) Não é abusiva ou depende de álcool ou drogas.
f) Conta com apoio social.
5.3 Alto risco
a) Tentativa de suicídio prévia
b) Depressão grave com presença de delírio e alucinação.
c) Abuso e dependência de álcool.
d) Presença de desespero. Tormento psíquico intolerável.
f) Plano definido de se matar.
g) Tem meios de como fazê-lo.
h) Já tomou providências para o ato suicida.
i) História de abuso sexual.
j) Conflitos sociais devido a orientação sexual.
l) Abandono, negligência.
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5.4 Autolesão: avaliação do grau de risco de suicídio.
Nem sempre a pessoa que se autolesiona tem intenção de tirar sua vida. Porém, indica um sofrimento e a autolesão geralmente tem a função de autorregulação - diminuir ou fugir uma “dor emocional”, ou acessar consequências sociais de cuidado (FONSECA, et al, 2018).
5.5 Então, na avaliação da autolesão deve-se considerar se... (Muehlenkamp, 2010)
a) Ideias suicidas estão presentes durante o momento da autolesão?
b) Tipos de autolesão que a pessoa executa – arranhões, cortes, batidas.
c) Lugar do corpo que se autolesiona – se de fácil visualização por outras pessoas menor o risco.
d) Severidade e extensão dos danos pela autolesão – quanto mais severo e extenso maior o risco de suicídio.
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5.6 Providências necessárias no início do cuidado
Monitorar e obter colaboração:
a) Após primeiros atendimentos, marcar consultas frequentes e/ou telefonemas periódicos;
b) O profissional deve avaliar o tempo entre o último atendimento e a ligação. Informar que irá ligar;
c) Receber telefonemas tem efeito terapêutico, nesses casos. Fortalece o vínculo e aliança de trabalho. O risco de suicídio diminuirá.
Alguns aspectos do manejo junto a pessoa em sofrimento suicida (Muehlenkamp, 2010):
Em relação ao acesso “a pessoa” em crise, considere investigar:
a) Estás se sentindo infeliz ou sem perspectiva?
b) Estás se sentindo desesperado?
c) Estás se sentindo incapaz de enfrentar o dia a dia?
d) Estás achando que não vale a pena mais viver?
e) Estais pensando em suicídio?
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5.7 Diante da ameaça de suicídio, pergunte:
a) Chegou a fazer algum plano para pôr fim a sua vida?
b) Podes me falar sobre esses planos?
c) Tens algum meio para realizar esse plano?
5.8 Outras possibilidades para fortalecer vínculos para um cuidado diferenciado (Muehlenkamp, 2010):
a) Que efeito isso está tendo em sua vida (autolesão)?
b) Há alguma desvantagem em continuar fazendo isso para si mesmo?
c) Existe algo que está motivando você a parar com as tentativas (autolesões) agora?
d) Como sua vida estaria diferente agora se você não tivesse se machucado?
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5.9 Validação dos sentimentos da pessoa em crise (Muehlenkamp, 2010):
A validação dos sentimentos é uma habilidade que visa legítimar a narrativa de alguém a tornando válida. Promove o reconhecimento da “dor” de uma pessoa. São benefícios dessa validação:
a) Pode promover um relacionamento mais forte;
b) Envolve comunicar sua compreensão das experiências da pessoa a partir de sua perspectiva;
c) Comunica a pessoa que você ouviu e levou as experiências da pessoa a sério o suficiente para tentar compreendê-la;
d) Permite parafrasear pensamentos relatados: Exemplo -“parece que as coisas têm sido realmente difíceis para você e sua namorada ultimamente e há momentos que você não sabe lidar com o estresse”.
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O objetivo de uma comunicação diferenciada é melhorar o grau de consciência das emoções, disponibilizar um contexto no qual a pessoa possa pensar sob uma outra forma para avaliar os problemas de um jeito menos reativo; ajuda a aprender a focar no autocontrole diante das situações apontadas e melhorar a qualidade de vida.
A melhor forma de compreender e intervir sobre a pessoa em crise suicida não é compreendendo a mente, e sim as interações.
Washington Brandão
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6 SUICÍDIO E MÍDIA
Johann Von Goethe publicou uma novela em 1774 – “os sofrimentos do jovem Werther”, cujo personagem chamado Werther teve um trágico desfecho por suicídio. Devido aos inúmeros casos de suicídio que ocorreram após essa publicação o sociólogo David Phillips, em 1974, cunhou o termo “efeito Werther” para designar o contagio ou imitação na ocorrência de novos episódios a partir de uma ampla divulgação de determinados fatos relacionado agressões, mortes, massacres e suicídio.
A cobertura midiática inadequada banaliza os casos de suicídio e pode aumentar os números de casos. O estudo de Metelsk e Cols (2022) reafirma a relação existente entre o aumento dos casos de suicídio e a forma como as informações são publicadas. O tempo de duração do efeito contágio pode variar de semanas a anos. O fenômeno tem relação com o modo como a notícia é vinculada. Assim, o contágio pode ocorrer tanto para casos que se refiram a celebridades ou não.
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A Organização Mundial da Saúde publicou em 2000 um Manual que orienta profissionais da mídia sobre como noticiar casos de suicídio.
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6.1 Como noticiar suicídio:
a) Publicar sem interpretar cuidadosamente e corretamente dados estatísticos;
b) Referir-se ao suicídio como suicídio “consumado”, não como suicídio “bem-sucedido”;
c) Expressões como “lugar com mais alta taxa de suicídio no mundo” ou “epidemia de suicídio”;
d) Descrições detalhadas do método utilizado e de como ele foi obtido;
e) Informar o local, fotos da pessoa que cometeu o suicídio;
f) Explicações simplistas ou como algo inexplicável;
g) Usar estereótipos religiosos ou culturais;
h) Atribuir culpas.
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6.2 Considere na divulgação...
a) O impacto da notícia nos familiares da vítima e nos sobreviventes;
b) Informar lista dos serviços de saúde mental disponíveis.
c) Ressaltar telefones, endereços onde as pessoas possam buscar ajuda – atendimentos individuais e grupos de apoio;
d) Que o comportamento suicida frequentemente associa-se com uma situação emocional ou mental, sendo que esta é uma CONDIÇÃO TRATÁVEL;
e) Usar fontes confiáveis das informações;
f) Destacar alternativas saudáveis para enfrentamento dos estressores do cotidiano.
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7 POSVENÇÃO
O suicídio provoca sofrimento nos sobreviventes, que precisam vivenciar o processo do luto e encontrar significados para a perda, além de aprender a lidar com a ausência e as repercussões da morte. Torna-se necessário desenvolver habilidades para lidar com a nova realidade (Fukumitsu & Kovács, 2016).
O termo POSVENÇÃO significa “prevenção para futuras gerações” e foi desenvolvido por Edwin Shneidman (1973). Posvenção foi introduzido no Brasil por Karen Scavancini em 2011.
São grupos que auxiliam os sobreviventes a viver com mais produtividade e menos estresse que eles viveriam se não houvesse esse auxílio. (SHNEIDMAN,1973).
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A maioria dos sobreviventes não conta com apoio após um caso de suicídio e nem são foco de acolhimento adequado pelos serviços de saúde. Centenas de pessoas são afetadas em cada caso de suicídio.
Sobreviventes são todas as pessoas que de alguma maneira são afetadas pelo suicídio – familiares, amigos, profissionais, etc.
Os grupos de posvenção têm os seguintes objetivos (Instituto Vitallere, 2022):
a) Promover resistência e enfrentamento aos sobreviventes;
b) Atuar no risco de suicídio nos enlutados;
c) Prevenir o aparecimento de reações adversas e complicações do luto;
d) Trazer alívio dos efeitos relacionados com o sofrimento e a perda;
e) Promove um espaço de aconselhamento;
f) Oportunizar o diálogo com outras pessoas enlutadas.
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7.1 Condução dos grupos de posvenção
Nossa experiência de condução de grupos realiza-se na cidade de Macapá-AP desde 2016. Atualmente são cinco grupos localizados em diferentes bairros e contamos com cerca 23 psicólogos voluntários cadastrados no projeto AMBACS que além dos grupos de posvenção fazem atendimentos psicoterapêuticos individuais para a demanda do CS.
A experiência de cuidado na forma de posvenção do AMBACS iniciou no turno da manhã, porém a adesão dos participantes foi baixa. Assim, houve a necessidade de troca do turno para a realização dos grupos e hoje ocorrem no turno da noite. Ressalta-se que na atualmente as instituições religiosas foram as que cederam os espaços físicos para a realização dos grupos.
Em cada local temos um grupo de posvenção conduzido por no mínimo dois psicólogos. São grupos abertos. O tempo de duração de cada encontro semanal é de cerca de 1h e 30 min.
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7.2 No início de cada encontro:
a) Acolhimento e boas-vindas a todos os participantes;
b) Caso haja novos integrantes, o facilitador explica os objetivos do grupo e esses são convidados a se apresentar e relatar a demanda pessoal que os fez chegar ao grupo;
c) Nesses casos, o facilitador media a narrativa do novo participante com: apoio emocional, informações sobre o comportamento suicida, apontar algumas situações que se assemelham a demanda descrita por outros participantes e solicitar que todos do grupo reflitam juntos. Deve aconselhar, fornecer feedback, indicar a rede de cuidado psicossocial pública para as necessidades de acompanhamento individual percebidas; entre outras possibilidades.
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d) Caso não haja participantes vindo pela primeira vez, o facilitador pode utilizar de algumas atividades grupais cujo objetivo deve ser definido a partir da realidade de cada grupo.
e) O facilitador pode utilizar textos reflexivos, vídeos e outros materiais que suscitem diálogos com vistas a construção de repertórios variados e saudáveis para as situações vividas no enfrentamento do luto ou da convivência com alguém que tentou suicidio.
f) O facilitador pode resgatar alguma situação relatada na semana anterior por algum participante e sugerir que o mesmo possa trazer suas vivencias dentro daquele contexto.
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7.3 Ao final de cada encontro:
a) Orienta-se que o facilitador faça um resumo dos aspectos principais percebidos ou refletivos pelo grupo, além de retomar necessidades emergentes para cada participante.
b) Deve-se fazer registros sobre o conteúdo de cada encontro, evidenciando-se a dinâmica do grupo e pontos importantes para serem dialogados em momentos de planejamentos.
Na realidade do AMBACS nos grupos de posvenção participam também pessoas que convivem ou conhecem alguém que tentou suicídio e que se autolesionam. A experiência tem se mostrado rica para essas pessoas, pois de certo modo há um envolvimento maior em novas possibilidades relacionais para a manutenção das suas vidas, uma vez que são pais, mães e familiares. Para os enlutados pelo suicídio, quando bem conduzido pelo facilitador, a troca com aqueles pais suscita um novo olhar sobre a vida de forma mais cuidadosa e os sentimentos em uma perspectiva “negativa” podem ser ressignificados.
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Sentimentos frequentemente relatados ou percebidos nos sobreviventes:
O grupo de posvenção promove (Instituto Vitallere, 2022):
- Sentimento de pertencimento;
- Ambiente empático e compreensivo;
- Possibilidades de esperançar;
- Aprender novas formas e lidar com o luto;
- Local para refletir sobre temores e preocupações;
- Atmosfera isenta de julgamentos.
Culpa | Egoísmo | Raiva |
Desamparo | Vergonha | Remorso |
Busca incessante pelos motivos | Automartirização | |
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Os grupos de posvenção são tecnologias de cuidado humano importantes para os sobreviventes do comportamento suicida.
8 PREVENÇÃO
A prevenção universal relaciona-se ao uso de estratégias para o público em geral, independente da presença de alguma situação de risco ou de vulnerabilidade, pois visa um contexto de acesso ao conhecimento e aprendizagem para a população em geral (Pavosk, 2019). Neste sentido, esta cartilha promove a manutenção ou inserção da discussão do tema do comportamento suicida.
De outro modo, a prevenção seletiva no contexto do comportamento suicida refere-se a ações de cuidado individual e em grupo para pessoas que estão expostas aos fatores de risco em sua vida (Pavosk, 2019).
Neste contexto, as práticas estão relacionadas a promoção de saúde – intervenções para prevenir novos episódios de autolesão ou ideação ou de tentativas de suicídio.
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8.1 Atendimento individual
Busca o desenvolvimento de autoconhecimento. Espaço de compreensão da dinâmica de funcionamento pessoal que mantêm cada um com seu jeito particular, considerando as relações estabelecidas ao longo da vida.
Todo comportamento é funcional e existe em nosso jeito de ser por alguma razão. Mas, nem todo comportamento é saudável, no sentido do que as consequências que promovem.
Essa compreensão permite visualizar o espaço de acompanhamento individual como uma contingência relacional especial para gerar novas possibilidades relacionais e acessar uma maior gerência sobre si, promovendo melhora na qualidade de vida.
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Em algumas situações o encaminhamento para avaliação psiquiátrica se faz necessário a fim de organizar aspectos como por exemplo o sono e a impulsividade.
Sugere-se uma frequência semanal para os atendimentos e conforme ocorrer uma “estabilidade emocional” em relação a contingência que compreende a crise que gerou o comportamento suicida, a frequência dos atendimentos pode espaçar-se. O atendimento em domicílio é recomendável em alguns casos. A presença em grupos terapêuticos simultâneos aos atendimentos individuais tem se mostrado saudável para adolescentes e jovens adultos.
Desde que esse espaço de cuidado individual seja qualificado e continuo há possibilidades reais de sobrevivência das pessoas envolvidas pelo comportamento suicida.
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8.2 Atendimento em grupo
Grupo destinado a pessoas com ideação e histórico de tentativa de suicídio e autolesão.
O foco principal é que as pessoas encontrem um lugar para “a fala”. Uma condição facilitadora para que, diferente dos possíveis contextos que a pessoa conhece ou interage na vida, cria um cenário para uma nova compreensão de si e possivelmente para a mudança.
A interação com pessoas que vivenciam situações parecidas permite uma vinculação diferenciada com os processos de cuidado planejado e qualificado criados para cada encontro.
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A interlocução com a rede de atenção psicológica é necessária em possíveis encaminhamentos para atendimento individual dos participantes ou recepção e acolhimento de pessoas que já são atendidas individualmente pelos psicólogos da rede pública.
Na experiência do AMBACS o grupo é aberto e são acolhidas pessoas a partir dos 16 anos de idade e sendo necessário, nos casos de adolescentes, o contato com o seu familiar. Cada encontro tem a duração de 1h e 30 min e ocorre semanalmente. Após avaliação inicial, alguns casos são encaminhados para consulta com psiquiatra na rede púbica. É comum o uso de atividades grupais, tarefas, textos, vídeos para facilitar o processo de cuidado dos participantes.
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9 E O FLUXO DO CUIDADO EM REDE?
Pensar o fluxo ideal para a assistência do comportamento suicida é um exercício necessário e um desafio constante.
Envolve uma tarefa de tensionamento do fazer de cada um dos dispositivos que compõem a estrutura da rede de saúde existente para uma possível ampliação na forma cuidado, onde envolve principalmente o desafio do monitoramento dos casos atendidos.
É um caminho constituído pelo exercício do cuidado compartilhado.
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A seguir descrevemos uma possibilidade de pensar o fluxo de cuidado a pessoa que tentou suicídio ou se autolesionou para a esfera pública. O fluxo envolve desde o cuidado nos serviços de urgência, a estratégia de saúde da família (ESF) e os dispositivos de atenção psicossocial – unidades básicas de saúde (ideação suicida), ambulatórios especializados (tentativa de suicídio e autolesão), centros de atenção psicossocial (CAPS), serviço de atendimento psiquiátrico, dentro outros.
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9.1 Detalhamento do fluxo
- Pessoa é atendida no serviço de urgência – estabilização do quadro, notificação e encaminhamento para a rede de atenção psicossocial; informar locais de atendimento psicossocial que o caso requer; e informar ESF do território que a pessoa reside.
- Equipe de ESF – realiza visita domiciliar para fortalecer adesão ao tratamento nos locais de atendimento psicossocial; avalia outras necessidades clínicas; informa o caso para a rede psicossocial de referência para aquele território. Monitora acesso ao cuidado psicossocial.
- Rede de psicossocial: dialogar com o ESF sobre os casos encaminhados e em atendimentos. Informar evasão; adesão ao acompanhamento. Notificar o caso.
- Serviço de vigilância em saúde: Receber as notificações realizadas nas unidades de atendimento e produzir e encaminhar relatórios periódicos para a rede de assistência em saúde (a partir dos dados).
Outras áreas como educação, assistência social, conselhos tutelares estão conectados de alguma forma a este fluxo. Porém, um esforço maior deverá ser feito para que essas conexões de cuidado humano sejam fortalecidas e mantidas.
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Figura 2- fluxo de atenção ao comportamento suicida
Fonte: elaborado pelo autor
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É importante ainda...
Evidenciar que as pessoas envolvidas em episódios de tentativa entraram em contato ao longo da vida com contextos aversivos constantes ou repetidos, criando condições para o desenvolvimento de uma forma particular de se relacionar com o seu ambiente.
Isso quer dizer que a história pessoal com eventos adversos como abandono, abuso sexual, conflitos familiares, rejeição, punição social (familiar) devido à orientação sexual homoafetiva acaba por constituir uma maneira pessoal de perceber, pensar e agir sobre si e no mundo a sua volta.
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Além disso, o microssistema familiar nos casos de tentativa de suicídio e autolesão pode ser alvo de intervenções, uma vez que é este contexto que grande parte das pessoas atendidas sinalizam como sendo onde ocorrem relações cujas consequências são geradoras de condições para reações dentro de uma perspectiva autodestrutiva.
Com esta cartilha não se esgota os esforços sobre a prevenção do comportamento suicida. Mas, espera-se que este instrumento possa suscitar diálogos com vistas a novas configurações nos sistemas de interação humana, quer no âmbito do cuidado institucional, profissional como na vida cotidiana.
Viver é aprender a viver!
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10 SAUDADES NO MAR!
Os primeiros raios de sol invadiam o céu naquele último domingo do ano que findava. O clima fazia com que as pessoas elevassem seus pensamentos para reflexões acerca de suas vidas, perspectivas futuras e as diversas realizações após o período que chegava ao final.
E não fugindo a esta equação comportamental, buscando na natureza um refúgio, em uma das praias de algodoal Carlos, lembrava seu último diálogo com sua noiva, fato decorrido há um mês, naquela mesma praia.
- Vamos Carlos.... Vamos cair n’água!
- Espera Mara, deixa eu trocar de roupa. Você quer que eu tome banho de roupa e tudo?
- Eu já vim com maiô por baixo, preparada! - Respondeu Mara.
- Mas, eu não! Vou até aquele bar, ali próximo, trocar de roupa. Me espera.... Não entra na água!
Ao voltar foi logo ao encontro de Mara, que o esperava já se deliciando da água quente e salgada. Carlos chegou buscando o abraço de Mara e disse:
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- Sabe amor... esses momentos é que fazem com que eu deseje viver, pois você é importante para mim e, pelo tempo que já passamos juntos e pelo que já vivemos, você deve ter essa mesma certeza!
- É Carlos, também estou muito feliz por estarmos juntos!
Os dois continuaram a se entreolhar, como que continuando um diálogo que só os que amam entendem. Mara afastou-se sorrindo e nadou enquanto Carlos foi para a margem deitar-se, colocando-se a fitar o céu.
De repente, seu olhar buscou Mara, na água, correu de um lado ao outro, olhava para a praia deserta, entrou na água procurando por ela... e até hoje, sentado, espera que as águas devolvam o seu amor.
Carlos procura um livro, de seu autor de preferência (Alvares de Azevedo, “Lira dos vinte anos”, 1853), que traz na mochila e lê em voz alta um poema escolhido ao acaso:
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“Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
à sombra de uma cruz e escrevam nela,
foi poeta, sonhou e amou em vida”.
Carlos andou em direção às águas e com os olhos vidrados, embriagados de saudade pensou:
- Hoje o que tenho da Mara são as memórias do que vivemos! E isso tem ajudado e vai ajudar a nutrir minha vida daqui para frente, pois ela significa muito para mim.
Por Washington Brandão (em 1994)
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SOBRE OS AUTORES
Washington Luiz de Oliveira Brandão
Graduado em psicologia pela Universidade Federal do Pará. Pós-graduado em saúde mental pela Universidade Federal do Amapá e em Gerontologia pelo Hospital das Clínicas Dr. Gaspar Viana. Realizou mestrado e doutorado em Teoria e Pesquisa do Comportamento pela Universidade Federal do Pará. Atualmente é docente da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) onde coordenada o Projeto de Extensão intitulado Ambulatório de Atenção à Crise Suicida (AMBACS/UNIFAP). O AMBACS recebeu o prêmio Marco Aurélio Saraiva de Psicologia de 2021 concedido pelo Conselho Regional de Psicologia pelas Boas Práticas em Saúde Mental – CRP-10- Seção Amapá. Recebeu o prêmio Nise da Silveira em 2022 concedido pela Câmara dos Deputados Federais (Brasília – DF) pelas Boas Práticas e Inclusão em Saúde Mental.
Washington Luiz de Oliveira Brandão
orcid.org/0000-0001-9800-9991
E-mail brandao@unifap.br
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Lilia Iêda Chaves Cavalcante
Docente do Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento da Universidade Federal do Pará, atuando no Laboratório de Ecologia do Desenvolvimento. Pós-doutorado pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento. Professora da Faculdade de Serviço Social. Coordenadora do GT Família, Processos de Desenvolvimento e Promoção da Saúde da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP). Membro da Diretoria da Associação Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento (ABPD), gestão 2018-2020 e 2020-2022. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 1D.
Lília Iêda Chaves Cavalcante
orcid.org/0000-0003-3154-0651
E-mail: liliaccavalcante@gmail.com
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