Luísa Carla Meira Silva, Grasielle Cristina dos Santos Lembi Gorla
Instituto Federal do Paraná - Campus Umuarama
luisadnv123@gmail.com
Introdução
A violência contra a mulher é um grave problema social, infelizmente recorrente, que afeta milhares de famílias e exige respostas urgentes e eficazes. Nesse cenário, os espaços de acolhimento temporário assumem papel essencial, pois oferecem não apenas abrigo físico, mas também suporte psicológico, social e jurídico às mulheres vítimas de violência doméstica e a seus filhos.
O projeto arquitetônico Espaço Acolher surge como resposta a essa necessidade, voltado à proteção, à dignidade e ao recomeço. Busca criar ambientes que transmitam pertencimento, acolhimento e bem-estar, reafirmando a arquitetura como ferramenta de transformação social.
Objetivo
Projetar um espaço de acolhimento temporário para mulheres vítimas de violência doméstica e seus filhos.
Metodologia
A metodologia envolveu pesquisa bibliográfica sobre violência de gênero, análise de dados estatísticos nacionais, estaduais e locais, estudo da legislação pertinente, com ênfase na Lei Maria da Penha, além de referências arquitetônicas nacionais e internacionais. Foram também realizadas entrevistas com órgãos especializados em Umuarama-PR, como o CRAM (Centro de Referência de Atendimento à Mulher) e a Delegacia da Mulher.
Resultados E DISCUSSÕES
Os dados nacionais e locais evidenciam a gravidade da violência contra a mulher: no Brasil, a cada 15 segundos uma mulher é agredida, e em Umuarama a Delegacia da Mulher registra cerca de 2.600 casos por ano, enquanto o CRAM atende em média 360 mulheres anualmente.
Diante da ausência de um espaço próprio de acolhimento, o Espaço Acolher foi projetado para atender às necessidades dessas mulheres, oferecendo setores de acolhimento, alojamentos, áreas de convivência, atendimento psicológico e jurídico, brinquedoteca, playground, salas de uso comum para autocuidado e exercícios físicos, auditório para palestras, cursos profissionalizantes e aulas para desenvolvimento físico e mental. O espaço integra elementos naturais, iluminação e ventilação adequadas, promovendo abrigo, dignidade e oportunidades de crescimento pessoal, social e profissional, configurando-se como um ambiente humanizado e transformador.
Considerações Finais
Conclui-se que a arquitetura, concebida de forma humanizada, pode ser uma ferramenta social de apoio à transformação, ao oferecer um local seguro projetado para acolher e abrigar, possibilitando que mulheres e seus filhos encontrem condições para reconstruir suas vidas e, assim, contribuir para o rompimento do ciclo de violência.
Referências
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARANÁ. Estatísticas da violência contra a mulher reforçam importância da semana Agosto Lilás. Curitiba, 2024. Disponível em: https://assembleia.pr.leg.br/comunicacao/noticias/estatisticas-da-violencia-contra-a-mulher-reforcam-importancia-da-semana-agosto-lilas. Acesso em: 22 abr. 2025.
FERREIRA, Maria Auxiliadora da Silva. Mulheres vítimas da Maria da Penha: desafios enfrentados e possibilidades de superação. Curitiba: CRV, 2022. Disponível em: https://crvweb.com.br. Acesso em: 29 maio 2025.�FURTADO, Carla. Neuroarquitetura: o cérebro e o espaço construído. São Paulo: Gente, 2021.�GORSDORF, Camila. Arquitetura afetiva: espaços que acolhem. Porto Alegre: Sulina, 2020.�GONZÁLEZ, María Francisca. Abrigo para vítimas de violência doméstica / Amos Goldreich Architecture + Jacobs-Yaniv Architects. ArchDaily, 27 jun. 2018. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/895789/abrigo-para-vitimas-de-violencia-domestica-amos-goldreich-architecture-plus-jacobs-yaniv-architects. Acesso em: 7 jun. 2025.