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Hipócrates: �a Medicina como Ciência

José Carlos de Freitas

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Hipócrates: a Medicina como Ciência

Contemporâneo de Sócrates.

Estabeleceu-se em Cós.

Requereu para a Arte Médica o conhecimento como resultado de experimentação e método preciso.

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Hipócrates: a Medicina como Ciência

CONTEXTO

Medicina exercida por sacerdotes.

Origem divina.

Esculápio, deus da Medicina.

O Centauro Quíron.

A serpente.

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Hipócrates: a Medicina como Ciência

Templos: local de afluência dos doentes.

Médicos leigos estabelecidos ao redor dos templos.

Tendas ou moradas fixas.

Médicos viajantes.

Primeiros estudiosos dos fenômenos da Saúde.

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REALE e ANTISERI:

“a ciência médica não nasceu das práticas dos asclepíades, sacerdotes curadores, mas sim da experiência e das pesquisas dos médicos.”

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Asclepéios de Cós

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Obras: O Corpus Hippocraticum

A medicina antiga

O mal sagrado

O prognóstico

Sobre as águas, os ventos e os lugares

Epidemias

Aforismos

O Juramento

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A medicina devedora da Filosofia.

A Filosofia é devedora da Medicina.

Hipócrates deve aos primeiros filósofos a adoção do rigor do LÓGOS.

A Filosofia posterior deve à Medicina o esquema de tratamento das questões humanas no âmbito moral, político e do conhecimento.

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Hipócrates: a Medicina como Ciência

WERNER JAEGER

Em todo lado e em todas as épocas houve médicos, mas a Medicina grega só se tornou uma arte consciente e metódica sob a ação da filosofia jônica da natureza. E de modo nenhum deve obnubilar a consciência deste fato a atitude nitidamente antifilosófica de Hipócrates, em cujas obras a Medicina grega nos vem ao encontro pela primeira vez.

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A Medicina jamais teria conseguido chegar a ciência, sem as investigações dos primeiros filósofos jônicos da natureza, que procuravam uma explicação natural para todos os fenômenos, sem a tendência a reduzir todo o efeito a uma causa e a comprovar na relação causa e efeito a existência de uma ordem geral e necessária, e sem a fé inquebrantável em chegarem a descobrir a chave de todos os mistérios do mundo, pela observação imparcial das coisas e a força do conhecimento racional.

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Mas foram os médicos gregos, disciplinados pelo conceito de lei dos filósofos seus predecessores, os primeiros a serem capazes de criar um sistema teórico que pudesse servir de base de sustentação a um movimento científico.

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Autonomia da Medicina

  • Em relação à Religião.
  • Em relação à Filosofia.
  • Filosofia: caráter teórico.
  • Medicina: caráter prático.

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O rigor e a precisão do conhecimento científico deveriam provir de “dieta conveniente e de sua justa medida” e não mais de “critérios abstratos ou hipotéticos”.

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REALE e ANTISERI

o discurso médico não deve se dar em torno da essência do homem geral, sobre as causas do seu aparecimento e questões semelhantes. Deve desenvolver-se em torno do que é o homem como um ser físico concreto que tem relação com o que come, com aquilo que bebe, com o seu específico regime de vida e coisas semelhantes.

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1 – O mal sagrado

[...] não creio que o corpo do homem possa ser contaminado por um deus, o mais corruptível pelo mais sagrado. Mas, conquanto seja contaminado ou, de qualquer modo, atingido por um agente externo, ele será mais purificado e santificado por um deus do que contaminado.

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Certamente, é o divino que nos santifica, purifica e limpa dos nossos gravíssimos e ímpios erros: nós mesmos traçamos os limites dos templos e recintos dos deuses para que não os ultrapasse ninguém que não esteja puro e, ao entrar neles, nos aspergimos, não porque estejamos por nos contaminar, mas sim para nos limpar se já carregamos alguma mancha em nós.

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Epilepsia: um exemplo de doença considerada sagrada.

Mistério da doença e sua conceituação como sagrada.

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2 – As doenças e o meio ambiente

A causa e a cura das doenças se relacionam com o meio em que o homem vive.

Climas. Ventos. Estações.

Lugares. Água.

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São as condições da vida do homem as que são observadas como propícias a uma vida salubre.

O perfeito conhecimento de um caso depende do conhecimento das circunstâncias.

Regra: para conhecer a parte, conhecer o todo.

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Instituições políticas

  • Também elas são ocasiões de saúde ou doença.
  • Monarquias favorecem uma vida propícia a doenças.
  • Democracia: homens senhores de si e aptos ao combate.

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3 – A crítica da Medicina Antiga

  • Contra Empédocles: “Tudo resulta da mistura de quatro elementos”.
  • Duas forças: amizade e discórdia.

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Estão profundamente em erro todos os que puseram-se a falar ou escrever sobre medicina fundamentando o seu discurso em um postulado, o quente e o frio, o úmido e o seco ou qualquer outro que tenham escolhido, simplificando em excesso a causa original das doenças e da morte dos homens, atribuindo a mesma causa a todos os casos, porque se baseiam em um ou dois postulados.

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Aproxima-se de Anaxágoras: “Tudo junto e misturado”.

Alguém, no entanto, poderia dizer: “mas quem está febricitante, por febres ardentes, pulmonites e outras doenças violentas, não se liberta tão rápido da febre, nem nesse caso há alternância de quente e frio”.

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Mas eu considero que precisamente essa é uma grande prova de que os homens não ficam febris simplesmente pelo quente, que não é a única causa dos males, mas sim que a mesma coisa é ao mesmo tempo amarga e quente, ácida e quente, salgada e quente e assim ao infinito e, reciprocamente com as outras propriedades, também é fria.

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Assim, o que incomoda é tudo isso, incluindo-se aí também o quente, que participa da força do fator dominante e junto com ele se agrava e aumenta, mas que, em si mesmo, não tem outras propriedades fora daquelas que lhe são próprias.

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O conhecimento médico

“o conhecimento médico deve ser o conhecimento preciso e rigoroso da dieta conveniente e de sua justa medida”.

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Experiências concretas.

Envolvimento com o corpo concreto do homem.

A competência da Medicina não é achar a essência do homem.

Mas o homem e seu regime.

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Na verdade, eu considero que a ciência de algum modo certa da natureza não pode derivar de qualquer outra coisa senão da medicina e que só será possível adquiri-la quando a própria medicina for toda ela explorada com método correto. Mas disso estamos muito distantes, isto é, de conquistar um saber exato sobre o que é o homem, sobre as causas que determinam o seu aparecimento e outras questões semelhantes.

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Mas pelo menos uma coisa parece-me necessário que o homem saiba sobre a natureza e faça todo esforço para sabê-lo, se quiser de alguma forma cumprir seus deveres, ou seja, o que é o homem em relação com o que come, com o que bebe e a todo o seu regime de vida e que consequências derivam de cada coisa para cada um.

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Tratado Epidemias:

“A vida é breve, a arte é longa, a ocasião fugaz, o experimento arriscado, o juízo difícil”.

Tratado Prognóstico

Síntese do passado, presente e futuro de um paciente.

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4 – Natureza do homem e doutrina dos quatro humores:

Tratado A natureza do homem.

Quatro humores:

fleuma, sangue, bile negra, bile amarela.

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FLEUMA: mucos do sistema respiratório, gel dágua.

BILE NEGRA: melancolia (mélas, negro; kolé, bílis), produzida pelo baço.

BILE AMARELA: produzida pela vesícula biliar, fígado.

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REALE e ANTISERI

A natureza do corpo humano é constituída por sangue, fleuma, bile amarela e bile negra; o homem está “sadio” quando esses humores estão “reciprocamente bem temperados por propriedade e quantidade” e a mistura é completa; entretanto, está “doente” quando “há excesso ou carência deles” ou quando falte aquela condição de “bem temperados”; aos humores correspondem as quatro estações, bem como o quente e frio, seco e úmido.

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Equilíbrio

  • Excesso ou carência
  • Estar “bem temperados”
  • Alcances futuros na filosofia socrático-platônica, aristotélica, estóica, epicurista e cristã.

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André Comte-Sponville – A TEMPERANÇA

“A temperança, que é a moderação nos desejos sensuais, é também a garantia de um desfrutar mais puro ou mais pleno”.

“Que infelicidade suportar seu corpo! Que felicidade desfrutá-lo e exercê-lo!”

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O papel de Galeno, no século II d.C.

A medicina, de base hipocrática, dura até o século XVII.

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5 – A conduta ética do médico:

O Juramento de Hipócrates

Primeiro códico deontológico do Ocidente, inspirador de todos os outros

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Juro por Apolo, médico, por Asclépio, Hygéia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, conforme o meu poder e a minha razão, o juramento cujo texto é este:

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Estimarei como aos meus próprios pais quem me ensinou esta arte e com ele farei vida comum e, se tiver alguma necessidade, partilharei os meus bens; cuidarei dos seus filhos, como meus próprios irmãos, ensinando-lhes esta arte, se tiverem necessidade de aprendê-la, sem salário nem promessa escrita;

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Hipócrates: a Medicina como Ciência

farei participar dos preceitos, das lições e de todo restante do ensinamento, os meus filhos, como os filhos do mestre que me instruiu, os discípulos inscritos e arrolados de acordo com as regras da profissão, mas apenas esses.

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Hipócrates: a Medicina como Ciência

Aplicarei os regimes para o bem dos doentes, segundo o meu saber e a minha razão, e nunca para prejudicar ou fazer mal a quem quer que seja.

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Hipócrates: a Medicina como Ciência

A ninguém darei, para agradar, remédio mortal nem conselho que o induza à destruição.

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Hipócrates: a Medicina como Ciência

Também não fornecerei a uma senhora pessário abortivo.

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Hipócrates: a Medicina como Ciência

Conservarei puras minha vida e minha arte.

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Hipócrates: a Medicina como Ciência

Não praticarei a talha, ainda que seja em calculoso manifesto, mas deixarei essa operação para os práticos.

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Hipócrates: a Medicina como Ciência

Na casa onde eu for, entrarei apenas pelo bem do doente, abstendo-me de qualquer mal voluntario, de toda sedução, e sobretudo dos prazeres do amor com mulheres ou com homens, sejam livres ou escravos;

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Hipócrates: a Medicina como Ciência

o que, no exercício ou fora do exercício e no comércio da vida, eu vir ou ouvir, que não me seja necessário revelar, conservarei em segredo.

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Hipócrates: a Medicina como Ciência

Se cumprir este juramento com fidelidade, goze eu minha vida e minha arte com boa reputação entre os homens, e para sempre; mas, se dele me afastar ou violá-lo, suceda-me o contrário.