Jéssica Alves Lopes*; Fernanda Heloisa Litz
Fundacao Presidente Antonio Carlos- UNIPAC Uberlândia
Autor apresentador: jessicaalves947@gmail.com
Enteropatia crônica a dieta; hipersensibilidade alimentar; doença inflamatória intestinal; gastrointestinal.
ENTEROPATIA CRÔNICA RESPONSIVA A DIETA
INTRODUÇÃO
RELATO DE CASO
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
Enteropatia Crônica (EC), comparativamente à doença inflamatória intestinal (DII) na medicina humana (SIEL, 2022), refere-se a distúrbios gastrointestinais persistentes por mais de 3 semanas ou mais, tendo como possíveis sintomas vômitos, diarreias, falta de apetite, seletividade alimentar e perda de peso. Para dar início ao diagnóstico é necessário que sejam eliminadas outras possíveis doenças gastrointestinais, doenças infecciosas e neoplásicas, se faz essa exclusão através de exames clínicos, laboratoriais e exames de imagens, a depender do caso, endoscopia também é indicado. Além disso, a EC se subdivide de acordo com a resposta ao tratamento, podendo ser, enteropatia crônica responsiva a dieta, enteropatia crônica responsiva a antibióticos, enteropatia crônica responsiva a imunossupressores e enteropatia não responsiva.
A enteropatia crônica responsiva a dieta (ERD) está ligada à reações imunológica anormais após a ingestão de certos alimentos. A barreira da mucosa intestinal, regulação da resposta imune, eliminação e tolerância de antígenos que atingem a mucosa do intestino são os mecanismos que comprometem a defesa do trato gastrointestinal (VERLINDEN; HESTA; MILLET; JANSSENS, 2006). Portanto,quando as proteínas dietéticas passam pela barreira da mucosa intestinal, atingem o sistema imunológico sistêmico pelo fato delas estarem imunologicamente ativas, portanto, elas desencadeiam um quadro de hipersensibilidade. Além das proteínas existem outros alérgenos que podem desencadear a mesma reação, sendo então difícil de distinguir os causadores específicos (VERLINDEN; HESTA; MILLET; JANSSENS, 2006). Com isso, há opções de dietas as quais seguir, proteína nova a qual o animal ainda não teve contato, ração hipoalergênica ou alimentação natural. A duração dessa nova dieta deve ser feita de 2 a 4 semanas, com desaparecimento dos sinais clínicos deve ser feito uma exposição provocativa com a antiga dieta e caso os sinais clínicos retornem então é feita a confirmação do diagnóstico.O objetivo deste trabalho é relatar o caso de um cão portador de enteropatia cronica responsiva a dieta.
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FACULDADE PRESIDENTE ANTÔNIO CARLOS-UNIPAC UBERLÂNDIA
CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA
O paciente do caso é um cão da raça spitz alemão de 1 ano de idade, que apresentava seletividade alimentar, falta de apetite e não ganhava peso. Foram feitos os exames: hemograma, ultrassom abdominal e bioquímicos (ALT, Creatinina, Fosfatase Alcalina, Albumina, Cianocobalamina - B12 e Ácido Fólico- B9). Com exceção da ALT, Fosfatase Alcalina e a Cianocobalamina, os exames estavam normais.
Esses três tiveram uma leve alteração: ALT resultou em 115 UI/L (Referência: 7,0 - 88,0 UI/L), FOSFATASE ALCALINA resultou em 99 UI/L (Referência: 10 - 96 UI/L) e CIANOCOBALAMINA B12 resultou em 1083 pg/mL (Referência: 252 a 908 pg/mL), essas alterações foram consideradas um indicativo de disbiose, ajudando com o diagnóstico de enteropatia crônica.
A enteropatia crônica é uma doença ainda em estudos, porém nas subdivisões dela pode-se ver resultados positivos com remissão da doença. Comparando a ERD com a outras enteropatias, os sintomas são brandos, os exames com poucas e leves alterações, portanto, mantendo a dieta, o prognóstico dos cães é bom.
Imagem 1: Observa-se os valores encontrados e os valores de referência da ALT e a da FOSFATASE ALCALINA.
Imagem 2: Imagem 1: observa-se o valor encontrado e os valores de referência da Cianocobolamina (VitB12).
O animal teve diversas trocas de ração durante seu 1 ano de vida, mantendo os mesmo sinais clínicos, sendo assim, ele foi consultado com a Veterinária Gastroenterologista, juntamente com a Veterinária Nutróloga. Como conduta terapêutica, ambas veterinárias entraram em acordo com a troca da dieta, recomendando a ração N&D White, uma ração normoprotéica de Peixe, e misturando ela com tilápia ou lombo suíno. Porém, antes de iniciar a nova dieta, foi introduzido um anti-ulcerativo por 3 dias, acompanhado de um corticoide por 7 dias. Após os 3 dias do anti-ulcerativo foi feita a introdução da ração com a tilápia por uma semana, após essa semana fez a troca da tilápia pelo lombo suíno.Na semana que foi feito o mix feeding com a tilápia, surgiu efeito e sem sinais clínicos,o animal estava se alimentando bem. Na segunda semana foi feita a troca da tilápia pelo lombo suíno e já no segundo dia houve sinal clínico de vômitos após a ingestão do alimento e recusa do animal em comer, portanto suspendeu o lombo e retornou a tilápia.
Imagem 3: Ração normoprotéica de Peixe da indústria Farmina, linha N&D White cães adultos.
RESULTADO
Após 4 semanas, o animal continuava a ter apetite, se alimentava bem, sem nenhum outro sinal clínico e saiu do peso de 2,900 kg para 3,250 kg
Imagem 4: O paciente do relato do caso: cão da raça Spitz Alemão, 1 ano e 6 meses, 3,55kg – Louis.