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Disciplina: Estado e Relações de Poder

O pensamento de Maquiavel

O CONCEITO MODERNO DE POLÍTICA

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O Príncipe - Maquiavel

  • Biografia:

    • Niccolò Macchiavelli, nasceu em 3 de maio de 1469, filho de advogado e poetisa amadora;
    • Educado em uma ambiente culto e relativamente abastado;
    • Cresceu na cidade italiana de Florença.

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O Príncipe - Maquiavel

Maquiavel consagra-se com a obra O Príncipe, um tratado de como se deve comportar “o poderoso” para se manter por um longo período no poder.

Maquiavel se apoiou nas questões de Platão, condenação da pleonexia.

          • Desejo insaciável de mais poder, riqueza e prazer, que atraí várias pessoas.
          • A obsessão pelo poder que cega o homens e os leva às ruína;

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Contexto histórico – 2ª metade sec. XV

Grande mudanças em governos e ideias

sobre o governo

Época medieval:

  • Poder político disperso (feudalismo).
  • Igreja x Nobreza x Império
  • Sociedade medieval era local (reflexo organização econômica/ transporte)
  • Surgimento de Cidades autonômas no norte da Itália

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Contexto histórico – 2ª metade sec. XV

Novidade: unidade nacional + Rei

  • superação ideias sobre papel igreja e império Organização comércio em âmbito nacional + comércio longa distância.
  • Era necessário poder político nacional

=> Monarquias absolutas substituíram as cidades livres e o sistema feudal (revolucionando instituições e civilização medieval)

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Contexto histórico – 2ª metade sec. XV

Classe emergente dos comerciantes , inimiga dos

nobres, aliou-se ao Rei.

  • Espanha: união Fernando Aragão/Isabella Castilla - 1469
  • Inglaterra: Henry VII – reino absoluto Tudor (1485 – 1509)
  • França: exemplo mais clássico de surgimento consolidação poder centralizado:
    • tributação nacional para financiar o exército cidadão

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Preocupação Maquiavel

E a Itália?

País dividido entre cinco centros de poder: Veneza, Milão, Florença (Firenze), Roma e Nápoles

Lógica política:

  • Evitar invasões estrangeiras
  • Manutenção do equilíbrio de poder

Crise econômica

  • Perda de mercado com Grandes Navegações

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Preocupação Maquiavel

  • Itália deve adaptar-se à nova situação: precisa

de um líder para criar um Estado nacional.

  • A organização das cidades livres não poderia

resistir.

  • No livro “Comentários (Discorsi) sobre a

primeira década de Tito Lívio”:

Um país nunca pode ser unido e feliz quando não obedece um só governo, republicano ou monárquico, como nos casos da França e Espanha.

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    • Época: Renascimento

    • Nação: Itália

    • Cidade: Florença

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RENASCIMENTO

  • Superar as disciplinas intelectuais da Idade Média baseadas na fé cristã
  • O conhecimento não é mais transmitido pelo poder cristão, mas estudado diretamente nas fontes pelos humanistas;
  • Desmistificação dos poderes:
    • Temporal e Espiritual –
    • racionalização das relações políticas (poder não é mais legitimado por Deus, nem pelo povo)

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Preocupação Maquiavel

O que diferencia Espanha e França da desordem e corrupção na Itália?

  • Um rei que os une
  • Percepção do novo fenômeno das nações-Estado em formação na Europa
  • Cap XXVI: É preciso um novo monarca na Itália (um libertador).
  • Uma nova forma de governo.

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O Príncipe – Percurso da obra

  • Loureço de Médicis, recebeu O Príncipe (1513) sem entusiasmo;
  • Em 1531, O Príncipe é impresso, sendo considerado Inofensivo pela igreja;
  • A partir de 1550, a obra ganha as sociedades.
  • Será considerada, a obra, escrita pelas mãos do demônio: “Old Nick”;
  • Maquiavel é denunciado, em 1557, pelo papa Paulo IV, e inserido na lista do índex;
  • Os termos “maquiavélico” e “maquiavelismo” surgem nesse período, aderindo o verbo “maquiavelizar”.
  • Rousseau, No Contrato Social, proporá que Maquiavel simulando dar orientações aos reis, deu grandes lições aos povos.;
  • Napoleão, que domina o Século XIX, aparece a seus inimigos, como a realização mais perfeita do Príncipe.

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O Príncipe

Objetivo Geral: como manter o Poder e a ordem (e não como fazer o bem).

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O Príncipe

Duas certezas

1 – História: cíclica (não mais linear)

2 – Psicologia humana: homens são egoístas e ambiciosos.

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O Príncipe

Inovação principal

Metodologia de análise baseada na razão:

    • Experiência concreta
    • Observação de processos políticos
    • Estudo da história (exemplos históricos são

selecionados para sustentar suas teses).

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Método Histórico Comparativo

  • História deve servir ao futuro:

  • aquele que estudar cuidadosamente o passado pode prever os acontecimentos que se produzirão em cada Estado e utilizar os mesmos meios que os empregados pelos antigos. Ou então, se não há mais remédios que já foram empregados, imaginar outros novos, segundo a semelhança dos acontecimentos
  • Discurso Sobre a Primeira Década de Tito Livio–Livro I, cap. XXXIX.
  • História é cíclica e repetida 🡪 estudo do passado não é exercício de erudição, mas tática de Guerra.
  • Extração de causas para os fenômenos do Estado.

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Natureza humana

Cap XVIII

Príncipe não precisa agir com boa fé:

“...quando, para fazê-lo, precisa agir contra seus

interesses...Este preceito não seria bom se todos

os homens fossem bons”.

Cap XXIII

“...os homens falam sempre com falsidade,

a não ser quando a necessidade os obriga a

serem verídicos”

(Na mesma linha: conselheiros/assessores pensam

todos nos seus próprios interesses)

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Virtú e Fortuna

Virtú 🡪 ação humana

Fortuna 🡪 circunstâncias

Capítulo VI:

E, examinando as ações e a vida dos mesmos, não se vê que eles tivessem algo de sorte senão a ocasião, que lhes forneceu meios para poder adaptar as coisas da forma que melhor lhes aprouve; e, sem aquela oportunidade, o seu valor pessoal ter-se-ia apagado e sem essa virtude a ocasião teria surgido em vão.”

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Fortuna e Virtú: contra o determinismo

  • Maquiavel se posiciona contra o fatalismo que se conformava com o comando do mundo pela Providência Divina (determinismo) ou pelo acaso.
  • Por isso a importância do conhecimento do mundo: apoderar-se da oportunidade, permacendo imunes às surpresas do acaso 🡪 Política como exercício da escolha
  • É preferível o príncipe ser audacioso do que prudente.

• AMBIÇÃO prudente é virtude fundamental

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Fortuna e Virtú: contra o determinismo

CAPÍTULO XXV

  • Ações Humanas são comandadas pela FORTUNA e pela VIRTÚ;

  • A VIRTÚ pode conquistar a FORTUNA –liberdade do homem (livre arbítrio) é capaz de amortecer o suposto poder incontrastável da Fortuna.

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Fortuna e Virtú: contra o determinismo

CAPÍTULO XXV

De quanto pode a fortuna nas coisas e de que modo se lhe deva resistir

  • “Comparo-a a um desses rios torrenciais que, quando

se encolerizam, alagam as planícies, destroem as árvores e os edifícios, carregam terra de um lugar para outro; todos fogem diante dele, tudo cede ao seu ímpeto, sem poder opor-se em qualquer parte. E, se bem assim ocorra, isso não impedia que os homens, quando a época era de calma, tomassem providências com anteparos e diques, de modo que, crescendo depois, ou as águas corressem por um canal, ou o seu ímpeto não fosse tão desenfreado nem tão danoso.”

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Fortuna e Virtú: contra o determinismo

- Ética da convicção: Thomas de Aquino (século 13) em “Sobre a Realeza” dava conselhos ao príncipe cristão: piedade, moderação, caridade, generosidade, honestidade.

- Ética da responsabilidade: Maquiavel: “...para se manter o príncipe deve adquirir a capacidade e não ser bom, e que faça ou não uso dela de acordo com a necessidade”.

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Fortuna e Virtú: contra o determinismo

O interesse essencial de Maquiavel é discutir a Moral, acerca do bom e do mau emprego da crueldade.

Crueldades Bem praticadas:

São as que se cometem todas ao mesmo tempo, no início do reinado, a fim de prover à segurança do novo príncipe.

Crueldades Mal praticadas:

“Conservar a faca na mão” – são as que se arrastam, se renovam e, pouco numerosas no princípio, se multiplicam com o tempo em vez de cessarem.

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Ética e Moral em Maquiavel

  • Não a ética da consciência, dos valores.
  • Ética dos resultados, das conseqüências da ação.
  • A moral cristã não serve por ser de outro mundo.
  • Não é a intenção que valida o ato, mas seu resultado (the proof of the pudding is in the eating)

Mas que resultado?

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Ética e Moral em Maquiavel

  • Abstração da política: amoral mais que imoral?

Cap XVII

  • O príncipe, portanto, não deve se incomodar com a reputação de cruel, se seu propósito é manter o povo unido e leal”.

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Ética e Moral em Maquiavel

Robert Chisholm:

A ética política de Maquiavel tem como um de seus componentes a lealdade e alguma instituição que vai além da fortuna pessoal.

Ou seja: não é somente a conquista e a manutenção do poder.

Ele coloca a ambição necessária do príncipe acima de interesses imediatos: estabelecimento da ordem temporal.

Não fornece a base para uma moralidade universal, apenas para as relações entre as cidadãos e entre governante e governado.

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Ética e Moral em Maquiavel

Cap. XV: O Príncipe “...não deverá se importar com a prática escandalosa daqueles vícios sem os quais seria difícil salvar o Estado”.

Poder pelo poder? Objetivo do príncipe: uma ordem estável em meio a um mundo de contingência e acaso. Somente por esse propósito é que a prática da tirania pode ser usada.

Dupla glória:

Ter fundado um Estado novo;

Ter consolidado com boas armas, boas leis, bons aliados e bons exemplos.

Dupla vergonha:

Ter perdido o trono ao qual nascera;

Não possuir prudência.

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Mais vale ser temido do que amado

  • Melhor consistiria em ser amado e temido, mas é difícil;
  • É mais seguro ser temido. Por quê?
  • Os homens são geralmente ingratos, inconstantes, dissimulados, trêmulos em face dos perigos e ávidos de lucro; enquanto lhes fazeis bem, são dedicados; oferecem-lhe o sangue, os bens, a vida, os filhos, enquanto o perigo só se apresenta remotamente, mas quando este se aproxima, bem depressa se esquivam;
  • Os homens receiam muito menos ofender aquele que se faz amar do que aquele que se faz temer;
  • O vínculo do amor, rompem-se ao sabor do próprio interesse, enquanto o temor sustenta-se por um medo do castigo, que jamais os abandona.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

  1. Maquiavel apresentou cruamente o problema das relações entre a Política e a Moral, “O Príncipe deve estar à frente da moral”;
  2. Apresentou profunda cisão e irremediável separação entre Política e Moral;

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3º TEMPO

COMENTÁRIOS

EXTRAS

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O Príncipe

Capítulo I: Classificação dos tipos de Estado.

Capítulos II a XI: Como cada um dos tipos de Estado pode ser adquirido, conservado e eventualmente perdido.

Capítulos XII a XIV: Questão Militar: combate às tropas mercenárias.

Capítulos XV a XXIII: Como o Príncipe comporta-se com relação aos súditos e amigos.

Capítulos XXIV a XXVI: Manifesto pela liberação da Itália.

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Classificação dos tipos de Estado

  • Estados
  • “Todos os Estados, todos os domínios que tiveram e têm autoridade sobre os homens foram e são ou repúblicas ou principados”.

Repúblicas

Estado Hereditários

Principados Novos Inteiramente

Novos

Membros anexados

Com costume de viver livre X Sem costume

Adquiridos pelas armas de outros X Por armas próprias

Adquiridos pela virtude X Pela fortuna.

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Estado – conquista e conservação

  • Capítulo II: Dos Principados hereditários;
  • Capítulo III: Dos Principados Mistos;
  • Capítulo IV: Por que razão o reino de Dario não se rebelou após a morte de Alexandre;
  • Capítulo V: De que modo governar cidades ou principados que antes viviam sob leis próprias;
  • Capítulo VI: Dos Principados Novos;
  • Capítulo VII: Dos que chegam ao principado pelo crime;
  • Capítulo VIII: Do principado civil;
  • Capítulo IX: Como se deve medir a força dos principados;
  • Capítulo X: Dos principados eclesiásticos;
  • Capítulo XI: Dos principados eclesiásticos.

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Manifesto pela liberação da Itália.

  • Capítulo XXIV: Por que os Príncipes da Itália perderam seus estados;
  • Capítulo XXV: De quanto pode a fortuna nas coisas humanas e de que modo se lhe deva resistir;
  • Capítulo XXVI: Exortação para procurar tomar a Itália e libertá-la das mãos dos bárbaros.

  • Maquiavel revela o grande segredo de sua obra: A Itália;
  • Amor a pátria que fora dilacerada, subjugada e devastada;
  • Maquiavel escreve O Príncipe para salvar a Itália;
  • A libertação da Itália sob a forma republicana. herdeira da República romana, liberdade cívica à antiga, possuidor de um exército nacional;
  • O Príncipe deve dispor de um papel heroico: “o matador de dragões”, o “redentor” da Itália;

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Manifesto pela liberação da Itália.

  • Mas, quem poderia salvar a Itália? Os Médicis;

  • A família dos Médicis era qualificada por sua virtude hereditária, por sua fortuna, o favor de Deus e o da Igreja, cujo trono atualmente ocupava.
  • “O Gênio contra a força bárbara – tomará as armas e breve será o combate – pois o antigo valor – ainda não morreu nos corações italianos”.

  • Permitir que Itália se defendesse das ameaças francesas e espanholas, que formavam Estados Nacionais territoriais, absolutistas e com maior potência política.

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