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AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE SANTIAGO DO CACÉM

FORMADORA – Isabel Maria Borges Gonçalves Contente

26 de Abril de 2010

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O ENSINO DA ESCRITA:

A DIMENSÃO TEXTUAL

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O ensino da escrita: a dimensão textual

Sumário

► O Ensino da Escrita: modos de acção;

► O Ensino da Escrita: princípios orientadores;

► O ensino da língua: a acção sobre o processo e sobre o contexto;

► A complexidade do processo de escrita;

► As componentes do processo de escrita: planificação, textualização e revisão;

► Práticas integradoras;

► Reflexão conjunta sobre as actividades desenvolvidas nestas áreas e materiais

concebidos;

► Explorar potencialidades das TIC (Blog e Plataforma Moodle).

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O ensino da escrita

“…a escrita constitui um instrumento

de constituição de conhecimento.”

(Barbeiro e Pereira, 2007)

“ …o essencial do processo de escrita não é susceptível de observação directa nem se pode reduzir às características do produto final, o texto escrito.”

(Amor, 2006)

“Através da escrita criativa espera-se estar a desenvolver a capacidade de

engendrar novas ideias, novas questões , novas maneiras de encarar os

problemas e de procurar diferentes soluções.”

( Santos, 2008)

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Modos de Acção no Ensino da Escrita

  • No desenvolvimento da escrita o professor deve ter em conta:

acção sobre o processo de escrita desenvolvi-

mento das competências e dos conhecimentos relativos

à escrita;

acção sobre o contexto dos escritos – contacto

com textos social e culturalmente relevantes.

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Princípios Orientadores

  • Ensino precoce da produção textual
  • Ensino que proporcione uma prática

intensiva

  • Ensino do processo (planificar, pôr em texto, rever)
  • Ensino sobre textos de géneros diversificados , social e escolarmente relevantes
  • Ensino sequencial das actividades de escrita
  • Ensino de processos de regulação externa e interna da produção textual
  • Ensino que assegure uma gradual complexificação da produção textual

(Barbeiro e Pereira: 2007)

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Integração

de

saberes

Estratégias

Acção sobre o processo

Acção sobre o contexto

Facilitação

processual

Escrita

colaborativa

Reflexão

sobre a

escrita

Realização

de

funções

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O ensino da língua: acção sobre o processo

  • “ …é fundamental que o professor ensine os seus alunos a escrever através , nomeadamente, de modelos do processo de escrita centrados no processo e não no produto como, por exemplo, o modelo de Flower e Hayes, de 1981, que elege como fulcrais as diversas componentes do processo de escrita – planificação, redacção e revisão (Carvalho, 2003).”

(in Balça, 2007)

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Acção sobre o processo

  • Dominar o processo - O aluno é

chamado a tomar decisões sobre o

conteúdo que deverá incluir no seu

texto e sobre a linguagem que deverá

utilizar para o expressar.

  • Escrever em conjunto para aprender

a escrever

■ A escrita colaborativa:

  • No processo de colaboração pode envolver os alunos/professor;
  • A colaboração com o outro instrumento de aprendizagem;
  • Partilha e regula o exercício da liderança;
  • Estimula a criatividade;
  • Questiona a sua relação com a escrita;
  • Permite alargar o conhecimento.

(Barbeiro e Pereira: 2007)

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Acção sobre o processo

  • Escrever em conjunto para aprender

a escrever

A escrita colaborativa:

  • Enfrenta a exposição face ao grupo;
  • Questiona a sua relação com a escrita;
  • Descobre o gosto pela escrita.

  • Falar ou escrever sobre a escrita

Integra uma componente de reflexão e de explicitação acerca da própria escrita

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O ensino da língua: acção sobre o contexto

  • Construir e expressar conhecimento:

  • O processo da sua produção ocorre antes de o texto cumprir as suas funções, o que dá tempo ao aluno para pensar, reflectir, procurar novos elementos, experimentar, colher opiniões, alterar;

  • A escrita dá origem a um produto (texto) que permanece para além do momento da sua conceptualização. Pode ser consultado e objecto de novas etapas de reescrita.

  • Conquistar o poder da escrita�
  • - Aprender a escrever implica usar a escrita para a realização de funções ligadas à própria aprendizagem ( registar, expressar ou organizar o conhecimento segundo intenções específicas).

(Barbeiro e Pereira: 2007)

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Criação de actividades sobre a escrita

  • O professor tem o poder de proporcionar diferentes situações referentes à escrita.

– Quem escreve?

– Para quem escreve?

– Sobre o que escreve?

– Com que objectivos?

– Como escreve?

– Em que meios ou suportes permanecerá o texto?

– Que resposta pode obter?

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Factores cognitivos, emotivos e sociais

  • Processo: Criação de um ambiente favorável à superação dos problemas encontrados na escrita tanto pela colaboração (do professor e dos colegas) como pela valorização das conquistas efectuadas, de forma a incentivar o aluno a escrever.

  • A escrita livre e os cadernos de escrita, nos

quais os alunos podem escrever a partir da

vivência escolar e fora dela, são instrumentos

poderosos para fundar a relação com a escrita .

  • Produto: O texto do aluno deve estar

integrado num contexto no qual adquira

valor (factores emocionais/sociais).

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Complexidade do Processo de Escrita

  • “A escrita encontra no texto a forma mais relevante de representação do conhecimento.

Escrever é, em grande parte das situações, escrever um texto.”

(Barbeiro e Pereira, 2007:17)

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Componentes da produção textual

  • 1 -Actividades no decurso do processo:

- Activar conhecimentos sobre o tópico e género de texto;

- Programar a forma como se vai realizar a tarefa;

- Efectuar pesquisas e consultas;

- Tomar notas para posterior utilização;

- Seleccionar e organizar a informação;

- Elaborar planos que projectem mentalmente

a organização do texto (ou de unidades como

capítulos, secções, parágrafos ou grupos de frases).

  • 2 - Redigir o texto, procurando as palavras que o formarão e colocando-as no papel ou no ecrã;

  • 3 - Avaliar o que escreveu, relendo, riscando, apagando, corrigindo, reformulando.

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As componentes do processo de escrita (Amor, 2006)

Planificação (consiste na mobilização de conhecimentos acerca do mundo e das coisas, visando a representação de um destinatário e de um objectivo de comunicação )

Textualização (corresponde à transformação, em linguagem escrita e em forma de texto o material seleccionado e organizado na componente anterior)

Revisão (consiste na (re)leitura

do texto escrito com o objectivo de o

aperfeiçoar e corrigir)

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Planificação – colocar em prática

Brainstorming

Activação de conteúdo

  • Registar no papel as ideias;
  • Pesquisar;
  • Comparar com um texto expositivo,

ligado a um tema estudado.

Selecção de conteúdo

  • Sublinhar e seleccionar os termos mais

importantes.

Organização do conteúdo

  • Agrupar por categorias;
  • Elaborar esquemas e mapas de ideias;
  • Realizar o plano-guia de um texto, desde a introdução à conclusão.

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Planificação – Reflexão sobre a escrita

  • Conferência com o professor - pequenas “conversas”

● O que pensa colocar no texto?

● Como pretende organizá-lo?

  • Apresentação do plano à turma

O que foi planificado;

Decisões /justificações;

Sugestões dos colegas (estratégia colaborativa).

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Planificação – Reflexão sobre a escrita

“Os resultados alcançados em alguns estudos que se debruçam sobre a aprendizagem da escrita em cooperação levam a considerar que a evolução dos processos individuais de revisão textual (…) beneficia da evolução dos comentários dos colegas.”

(Pereira, 2003:9)

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Textualização

  • Segundo M. Charolles, as regras de boa formação textual, para que o texto seja coerente no seu desenvolvimento, são quatro:

  • 1. Regra da repetição → deve conter elementos de estreita recorrência;

  • 2. Regra de progressão → é necessário que seja acompanhado de um acréscimo semântico;

  • 3. Regra da não-contradição → é necessário que não introduza nenhum elemento semântico contradizendo um conteúdo posto ou pressuposto por um acontecimento anterior, ou dedutível desta por inferência;

  • 4. Regra da relação → é necessário que os factos que eles denotam, no mundo representado, estejam articulados, isto é, sejam compreendidos como congruentes, por aquele que avalia o texto.

(in Amor, 2006)

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Textualização - colocar em prática

  • Facilitação processual

  • Escrita colaborativa

  • Reflexão sobre a escrita

Banco de palavras

Transformação de respostas a questionários em texto

Exposição oral prévia

Versão conjunta a partir de textos individuais

Projecção da continuidade do texto

Rascunhos e memórias do processo

Palavras em relevo

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Textualização – Jogo de escrita

  • Objectivo – Reorientar e reformular a construção textual, pela consideração de novas relações.

  • Desenvolvimento – Individualmente cada aluno escreverá um texto, que poderá ou não subordinar-se a um tema comum. Em determinado momento, o processo é interrompido, podendo apenas terminar-se a frase que estava a ser escrita. O dinamizador procede à indicação de uma palavra, que poderá ser determinada por sorteio realizado no momento diante de todos ou de ter sido escolhida anteriormente pelo dinamizador. Voltando a escrever, cada aluno deverá prosseguir o texto de forma a integrar a palavra seleccionada. O processo poderá ser repetido em vários momentos.

  • No final - Por meio da leitura em voz alta, são reveladas as soluções a que cada aluno chegou no seu texto para integrar as palavras.

(Barbeiro, 2006)

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Revisão

  • Para correcção ou reformulação, deve haver o hábito de reler o texto;

  • Pode actuar ao longo da componente da textualização;

  • Constitui a componente do processo em que mais é pedida a colaboração dos outros (hetero-revisão);

  • Reflexão em relação ao texto produzido.

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Revisão - colocar em prática

  • Facilitação processual

  • Escrita colaborativa

  • Reflexão sobre a escrita

Revisão no final do processo

Listas de verificação ou correcção

Voltar ao texto: revisão distanciada

Hetero- revisão

Operações de reformulação

Apreciação pessoal

Porta aberta para a reescrita

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Guias de correcção

  • Aspectos a ter em conta …

→ a correcção formal;

→ a ortografia;

→ a pontuação;

→ a construção frásica;

→ a organização do texto;

→ características próprias do tipo de texto solicitado.

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Aspectos que devo verificar:

Sim

Não

A melhorar

A minha história tem princípio, meio e fim?

No primeiro parágrafo apresento

Tempo (quando)

Espaço (onde)

Personagens (quem)

Há um problema que justifique a história?

As acções do herói são para resolver o problema?

As acções estão bem ordenadas?

A minha história tem lógica?

As personagens que apresento fazem alguma coisa?

O herói resolve o problema?

Escolhi um título para o texto?

O título resume bem o texto?

A minha letra lê-se facilmente?

Servi-me dos sinais de pontuação?

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Práticas integradoras(Barbeiro e Pereira, 2007)

Funções da escrita

Modos de acção Didáctica

Finalidade

Geral

Escrever para produzir pequenos textos

Sequência Didáctica

Apropriação de critérios de construção de diferentes géneros textuais

Escrever para aprender

Ciclo de Escrita

Autonomia na construção de um tema a partir de um texto

Escrever para criar

Caderno de Escrita

Desenvolvimento de uma relação positiva e pessoal com a escrita

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Práticas integradorasCiclo de escrita

  • Tema: Os animais

  • Mobilização de conhecimentos

  • Recolha e selecção de informação

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Práticas integradorasCiclo de escrita

  • Organização da informação

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Práticas integradorasCiclo de escrita

  • Redacção do texto

  • Revisão do texto

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Práticas integradoras�Caderno de escrita

Texto

A minha ida ao magusto na igreija

No, dia 11 de Novembro, foi ao magusto na igreija com a minha madrinha, o meu irmão e a minha amiga chamada Vanessa Alexandra.

Quando lé chegai vio meu primo fomos para o regreio mas a minha madrinha teve de pagar mas nós os 3 não pagamos porque era até aos 15 anos foi às rifas e saiu-me o livro de uma aventura entre douro e minho, dopois vi o Sérgio brincamos: á apanhada e á luta a brincar emquanto a minha madrinha ia buscar o meu padrinho depois o meu padrinho esteve converçar com o chefe dela nos escoteiros logo depois fomos para casa.

Jantei vi televisão e foi para a cama.

Gostei muito deste dia!

…tira “chamada” Vanessa. Basta o nome.

Qual é a igreja? Falta o nome…Assim

só nós é que percebemos…

“O chefe dela nos escuteiros” de quem?

...tens que dizer que é da tua prima.

Até aos 15? Ah! Então explica que é

grátis até aos 15 anos.

Onde dizes “cheguei lá” é “chegámos”

porque não ias só tu…

A tua prima também foi? Não dizes isso

lá em cima…Tá bem, e por ser a filha da

tua madrinha? Eu não sabia que a filha

da tua madrinha era tua prima…

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Práticas integradoras�Caderno de escrita

Texto

A minha ida ao magusto na igreja

No dia 11 de Novembro, fui com a minha madrinha, o meu irmão e a minha amiga chamada Vanessa Alexandra ao magusto da Igreja de São Domingos de Benfica.

Quando lá chegámos encontrei o meu primo. A minha madrinha teve de pagar mas nós os três não pagámos porque era grátis até aos 15 anos. Descemos e fomos brincar para o recreio.

Fui às rifas e saiu-me o livro “ Uma aventura entre Douro e Minho”. Depois vi o Sérgio e brincámos: à apanhada e à luta a brincar. Passado pouco tempo fomos jantar.

A minha madrinha foi buscar o meu padrinho e ele esteve a conversar com o chefe da minha prima nos escuteiros.

Logo depois fomos para a casa. Vi televisão e fui para a cama.

Revisão individual

Tendo em conta os comentários da turma e a sua integração.

Em computador, com recurso a transcrição no processador de texto (word).

Com o corrector ortográfico activado corrigiu alguns erros, mas não resolveu situações como “fui” e “foi”.

Sucessivas leituras do texto → correcção do erro “foi” e registo correcto para “fui”.

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Páginas electrónicas recomendadas

  • “Aprender Português”

http://cvc.instituto-camoes.pt/aprender-portugues.html

  • “Práticas”- Casa da leitura

http://www.casadaleitura.org/

  • “Sítio dos mais novos”

http://www.app.pt/dosmaisnovos/

  • Vamos Escrever!

http://www.dgidc.min-edu.pt/recursos_multimedia/recursos_cd.asp

  • Blogue Letrinha

http://letrinha-letrinha.blogspot.com/

  • Netescrit@

http://www.nonio.uminho.pt/netescrita/

  • Escrita criativa na NET

http://www.riscoserabiscos.pt.la/

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Para reflectir…

Gertrudes Amaro, (1997) no âmbito da avaliação externa das

aprendizagens dos alunos do 1º Ciclo do E.B. testemunhou: “ A

maioria dos alunos apresenta dificuldades na expressão escrita. Os

alunos na produção de textos narrativos, mostram alguma proficiência,

nomeadamente na manutenção dos elementos previamente fornecidos e

na apresentação das expressões introdutoras e conclusivas. Organizam,

em geral, as ideias de acordo com as etapas de desenvolvimento de um

texto – introdução, desenvolvimento e conclusão, mas dificilmente as

representam na estrutura adequada (parágrafos).” (in Pereira, 2001: 37-38)

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Bibliografia:

  • Ângela, Balça, (2007). “ Da leitura à escrita na sala de aula: Um percurso palmilhado com a literatura infantil” , in FORMAR LEITORES-DAS TEORIAS ÀS PRÁTICAS (pp. 131-148). Lisboa: Lidel

  • BAPTISTA, A., (2008). Cognição e Literacia. PNEP

  • Domiciano, Cássia, (2006). “Livros infantis sem texto: novos desafios”. CASA DA LEITURA

  • Domiciano, Cássia e Coquet, Eduarda. (2008). “Livros sem texto: modos de leitura”. CASA DA LEITURA

  • José, Manuel Couto, (2006). “ Vivenciar a língua: a literatura infanto-juvenil e as expressões artísticas” , in LINGUA MATERNA e LITERATURA INFANTIL-Elementos Nucleares para professores do Ensino Básico (pp. 245-282). Lisboa: Lidel

  • Poslaniec, Christian, (2006). INCENTIVAR O PRAZER DE LER-ACTIVIDADES DE LEITURA PARA JOVENS. Porto: Asa

  • Amor, Emília (2006). DIDÁCTICA DO PORTUGUÊS Fundamentos e Metodologia. Lisboa. Texto Editores

  • Balça, Ângela, (2007). “ Da leitura à escrita na sala de aula: Um percurso palmilhado com a literatura infantil” , in FORMAR LEITORES-DAS TEORIAS ÀS PRÁTICAS (pp. 131-148). Lisboa: Lidel

  • Barbeiro, Luís, (2006). “ Jogos de escrita” , in LINGUA MATERNA e LITERATURA INFANTIL-Elementos Nucleares para professores do Ensino Básico (pp. 109-128. Lisboa: Lidel

  • Barbeiro, Luís, Pereira, Luísa Álvares (2007). O Ensino da Escrita: A Dimensão Textual. Lisboa: ME/DGIDC

  • PEREIRA, LUÍSA ÁLVARES, (2001). “A formação de professores para o ensino da escrita”, in Cadernos de Formação de Professores (nº2 pp. 35-49). Porto: Porto Editora

  • Pereira, Luísa Álvares. (2003). “Ler e Escrever , na escola, com as Crianças ”. CASA DA LEITURA

  • Santos, Maria E. Brederode. (2008). “O paraíso na ponta de um lápis” in Revista Noesis (nº 72 p.5). Lisboa: ME/DGIDC