�QUALIDADES DE UM BOM PREGADOR�
2. “Aquele que é chamado por Deus para proclamar o Evangelho deveria destacar-se como o homem mais importante na sua comunidade, e
Pr. Izéas Cardoso
INRTRODUÇÃO
tudo quanto fizesse para Cristo e para a Igreja deveria manifestar-se na Sua pregação”.
(A Preparação de Sermões, pág. 15)
I – QUALIFICAÇÕES ESSENCIAIS:
1. Caráter - O pregador deve ser dotado de qualidades morais de honestidade, critério e integridade, a fim de que suas palavras e ação mereçam crédito e possam comunicar com sinceridade ao auditório, a verdade, o bem e o belo.
a) O poder do orador, principalmente, está em ele ser aquilo que fala ou prega.
b) Os seus ouvintes devem crer que ele crê naquilo que está falando.
c) Deve colocar o corpo, a alma, os bens e a reputação, no que fala.
2. Satisfação – O púlpito deve ser um lugar de conforto, uma fonte de otimismo para os seus devotos. O homem do púlpito deve ter satisfação e sentir, grande gozo em ser um porta voz divino, a fim de que
seus ouvintes sejam contagiados por este gozo.
3. Coragem – É uma qualificação indispensável para um bom pregador; pois um pregador tímido é semelhante a um médico tímido com o seu bisturí na mão.
a) Atos 4:13 e 29
4. Saúde - Um pregador, além de excelentes condições espirituais, também deve ter boas condições
físicas. Um pregador que está doente os seus olhos não tem a luminosidade que comunica favoravelmente.
O homem deve ir ao púlpito descansado, com os nervos plenos de vida e todo o sangue pulsando nas veias.
a) O que fazer antes do sermão:
1) Evitar um trabalho pesado.
2) Dormir bem, de preferência às 8:horas., recomendadas.
3)Comer moderadamente e comida leve antes do sermão.
4) Não gastar a sua vitalidade com conversas inúteis.
5) Controle emocional.
6) Concentração na mensagem.
5. Voz Adequada
Dentre os atributos do pregador, a voz ocupa lugar preponderante. O mais belo pensamento, a emoção ou o afeto mais sincero perde a expressão se, para isto, o pregador ou a pessoa que fala não tem a voz adequada.
a) A voz humana, como um instrumento de música tem seus órgãos de fonação, articuladores e ressonadores que modificam e ampliam os sons emitidos.
b) Além de alcançar a maior distância possível o orador deve ter modulação, sonoridades e suavidade na voz, sem cansar e menos ainda sem prejudicar seu órgão vocal.
c) Ele precisa saber modular-lhe as condições de altura, volume ou intensidade, tempo ou velocidade, de acordo com o sentido e interpretação dos textos que contém as idéias e os sentimentos que cumpre externar de maneira singela ou displicente, apaixonada ou enfática.
d) Daí a necessidade de todo aquele que se interessa pela pregação procurar o estudo da voz, mormente no que concerne à respiração e à dicção.
e) A perfeita emissão da voz depende da boa respiração.Exercícios respiratórios são recomendáveis não só porque favorecem a voz, dando maior regularidade à expiração do ar pela boca, se não também, porque provocam relaxamento muscular muito benéfico quando se trata de inibição ou do “medo oratório”.
f) “Os ministros devem-se manter eretos, falar devagar, com firmeza e distintamente, inspirando profundamente o ar a cada sentença e emitindo as palavras com o auxílio dos músculos
abdominais... O peito torna-se-á amplo, e... O orador raramente fica rouco, mesmo falando continuamente”.
(Evang. Pág. 669 e 670)
g) “Alguns destroem a impressão solene que possam haver causado no povo por elevarem a voz demasiado alto, proclamando a verdade com brados e gritos... Esse gritar, porém, que faz? Isto não dá ao povo nenhuma idéia mais exaltada da verdade, nem os impressiona mais profundamente. Causa apenas uma sensação de desagrado nos ouvintes e fatiga os órgãos vocais do orador”. (Evang. Pág. 666 e 667)
h) “Quando eu era mais moça, costumava falar demasiadamente alto. O Senhor mostrou-me que não poderia causar no povo a devida impressão elevando a voz a um tom fora do natural. Foi-me então apresentado Cristo e Sua maneira de falar, e havia a suave melodia em Sua voz. Esta, lenta e calma, chegava aos que o escutavam, e Suas palavras penetravam-lhes no coração, e eles podiam apanhar o que fora dito antes de ser proferida a sentença seguinte”. (Evang. Pág. 670).
II – OUTRAS QUALIFICAÇÕES
1. BOA APARÊNCIA – Vários são os fatores que concorrem para a boa aparência do orador. Dentre eles notam-se: O aspecto físico, a postura, o andar, os gostos, a expressão fisionômica e a indumentária.
a) A presença do orador deve revelar personalidade agradável, simpatia pessoal, educação e boa disposição.
b)O andar deve ser pausado e elegante, sem afetação. Dele o orador se vale durante o discurso ou sermão para quebrar a possível monotonia, dando uns passos para os lados ao terminar certos períodos longos, ao mudar de voz em sua mensagem, etc. O exagero nesses movimentos torna-se,porém, condenável.
c) A indumentária deve condizer com a hora, o local e a espécie de auditório. O traje, cuidado e confortável, aliado ao bom aspecto físico do orador, garante a boa impressão que dele esperam colher os seus ouvintes.
d) “Cumpre-nos apresentar propriedade no vestuário e na conduta... O caráter de uma pessoa é julgado pelo aspecto de seu vestuário... Nosso vestuário deve ser simples, de maneira que ao visitarmos os pobres, eles não fiquem embaraçados pelo contraste entre nossa aparência e a deles (Evang. 672, 673)
e)“Nossas palavras, atos, comportamento, vestuário, tudo deve pregar. Não somente com as palavras devemos falar ao povo, mas tudo quanto diz respeito a nossa pessoa deve constituir para eles um sermão.
(Evang. Pág. 671)
2. GESTICULAÇÃO MODERADA
a) O dicionário define “gesto” como “movimento do corpo, principalmente dos membros ou da cabeça,feito com o fim de exprimir um pensamento, um sentimento, uma intenção”.
b)A gesticulação é a moldura que aplica à manifestação oral, para se reforçarem periódos, sublinharem-se vocábulos, dando ao discurso maior expressividade.
d) É o gesto a própria palavra que se repete, ou se antecipa enfática- mente.
1. Há suavidade nas mãos colocadas em prece.
2. Há rancor nos dedos que se contraem.
3. Os braços abertos indicam acolhida.
4. O indicador que aponta, pode ser advertência.
e) os gestos devem ser espontâneos naturais. Não devem ser “fabricados”. Provêm naturalmente do interior, da convicção dos sentimentos. Devem ser variados. A repetição exagerada de determinados gestos atrai a atenção indevida ao pregador.
f) Devem ser apropriados. Não devem ser exagerados. São usados para expressar-se melhor e não para exibição própria.
g) A gesticulação não precisa e nem deve ser constante. No entanto, devemos lembrar que “um ser sem paixão, sem vida e sem expressão é como um candeeiro apagado; não produz fumaça, mas também não alumia”. (A.C. Castells)
h) Para desenvolver coordenadamente a gesticulação, o orador deve ler em voz alta algumas frases que tenham sentido, aplicando a cada uma delas os gestos que a significação e expressão indicam. Exemplos:
1) “Não há no mundo país mais belo do que o Brasil.”
2) “Apelo para os senhores em nome de Cristo que por nós morreu na cruz.”
3) “pára, meu irmão! Já fostes longe demais. É hora de voltar!”
4) “Arrependei-vos! E cada um de vós seja batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”
i) O que o pregador não deve fazer:
1) Não deve colocar as mãos ou a mão nos bolsos da calça ou paletó.
2) Não deve ficar o tempo todo com o dedo indicador em forma acusadora.
3) Não deve dar socos na mesa.
4) Não deve ficar abotoando e desabotoando o paletó.
5) Não deve ficar arrumando a gravata.
6) Não deve alisar os cabelos a todo instante.
7) Não deve brincar nervosamente com a gola do paletó.
8) Não deve ficar pondo e tirando o relógio.
9) Não jogar a Bíblia sobre o púlpito depois de lida.
10) Finalmente, os gestos devem ser moderados, sóbrios, naturais, oportunos e elegantes, fazendo parte de um estado de expressão que parte do interior da alma.
CONCLUSÃO:
1) O pregador de êxito deve desenvolver qualificações positivas e essenciais que o habilitem a ser um verdadeiro porta-voz dos céus.
2) Caráter, satisfação, coragem, saúde, voz adequada, boa aparência e gesticulação moderada são atributos indispensáveis e que devem ser cultivados.
3) Que cada pregador interesse-se mais e mais no progresso das características que o farão arauto do Evangelho.