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Reunião de Casos Abdome

Julia Espíndola Guimarães

Fellow em Diagnóstico por Imagem do Abdome

Dr. Giuseppe D´ippolito e Dr. Daniel Bekhor - Orientadores

São Paulo, 06/08/2025

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CASO CLÍNICO

Feminino, 30 anos anos

Puérpera (15o pós operatório)

Dor abdominal em fossa ilíaca direita, febre, náuseas

Ausência de melhora após 7 dias de antibioticoterapia

Ao exame físico: plastrão na fossa ilíaca direita.

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Méd pré: 50 UH

Méd arterial: 53 UH

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Baseado nas imagens qual a principal hipótese diagnóstica?

  1. Endometrite
  2. Rotura uterina
  3. Deiscência de histerorrafia
  4. Hematoma infectado

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COMPLICAÇÕES

PÓS PARTO

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ENDOMETRITE

Complicação pós parto mais comum

1–3% dos partos vaginais.

27% das cesarianas

Fatores de risco:

  • Cesárea (principal fator isolado)
  • Trabalho de parto prolongado
  • Ruptura prematura de membranas
  • Retenção de coágulos ou restos placentários���

Manifestações clínicas:�

  • Febre
  • Dor pélvica
  • Secreção vaginal anormal
  • Útero aumentado e doloroso à palpação

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ENDOMETRITE

USG endovaginal: endométrio espessado, heterogêneo e, às vezes, com fluxo aumentado ao Doppler

TC: espessamento endometrial com realce heterogêneo, presença de gás, líquido ou debris na cavidade endometrial.

Mulher, 33 anos, dor e febre 15 dias após parto via cesariana

GONZALO-CARBALLES, Marta et al. A pictorial review of postpartum complications. RadioGraphics, [S.l.], v. 40, n. 7, p. 2117–2141, nov./dez. 2020.

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Baseado nas imagens qual a principal hipótese diagnóstica?

  1. Endometrite
  2. Rotura uterina
  3. Deiscência de histerorrafia
  4. Hematoma infectado

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ROTURA UTERINA

Separação completa de todas as camadas da parede uterina, com comunicação direta entre a cavidade uterina e a cavidade peritoneal.

Incidência

  • Rara, potencialmente fatal.
  • Pós parto PRECOCE

Fatores de risco

  • Cesárea prévia (principal) e manipulaçao cirúrgica prévia
  • Trabalho de parto prolongado ou obstruído
  • Uso excessivo de ocitocina ou prostaglandinas
  • Malformações uterinas
  • Placenta percreta

Manifestações clínicas

  • Dor abdominal intensa
  • Sinais de choque
  • Sangramento vaginal
  • Peritonite, febre, sepse (se evolução mais arrastada)

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ROTURA UTERINA

Tomografia computadorizada:

  • Defeito hipodenso irregular na parede anterior ou inferior do úterono local da cicatriz de cesárea.
  • Hemoperitônio ou líquido livre abdominal.
  • Presença de hematomas pélvicos, principalmente na região parametrial.
  • Gás e líquido extravasando da cavidade uterina para a cavidade peritoneal

GONZALO-CARBALLES, Marta et al. A pictorial review of postpartum complications. RadioGraphics, [S.l.], v. 40, n. 7, p. 2117–2141, nov./dez. 2020.

Mulher, 24 anos, pós imediato de parto vaginal instrumentado

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Baseado nas imagens qual a principal hipótese diagnóstica?

  1. Endometrite
  2. Rotura uterina
  3. Deiscência de histerorrafia
  4. Hematoma infectado

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DEISCÊNCIA DE ANASTOMOSE

Falha parcial da cicatrização da incisão uterina, com separação das camadas internas do útero (endométrio e miométrio), mas com serosa ainda íntegra.

  • Primeiras semanas após cesárea�
  • Pode estar associada a infecção, hematoma, ou tensão mecânica na sutura uterina�

Quadro clínico

  • Febre persistente ou dor abdominal/pélvica após cesariana
  • Sangramento vaginal anormal
  • Eventualmente evolui com hematomas pélvicos ou infecção secundária�

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DEISCÊNCIA DE ANASTOMOSE

GONZALO-CARBALLES, Marta et al. A pictorial review of postpartum complications. RadioGraphics, [S.l.], v. 40, n. 7, p. 2117–2141, nov./dez. 2020.

Mulher, 35 anos, 1 mês pós cesariana, apresentando febre persistente após uso de antibiótico

Tomografia Computadorizada:

  • Defeito hipodenso ou interrupção focal no miométrio, geralmente na porção inferior anterior do útero
  • A sensibilidade da TC é limitada para distinguir entre deiscência e aparência normal da cicatriz uterina pós-cesárea

Ressonância Magnética:

  • Permite avaliar se a serosa uterina está preservada (diferenciando deiscência de ruptura completa)
  • Mostra melhor o defeito miometrial e o conteúdo da cavidade endometrial e pélvica

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Baseado nas imagens qual a principal hipótese diagnóstica?

  1. Endometrite
  2. Rotura uterina
  3. Deiscência de histerorrafia
  4. Hematoma infectado

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Baseado nas imagens qual a principal hipótese diagnóstica?

  1. Endometrite
  2. Rotura uterina
  3. Deiscência de histerorrafia
  4. Hematoma infectado

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HEMATOMA INFECTADO

Localizações comuns

  • Hematoma subfascial
  • Hematoma da parede abdominal (incluindo bainha do reto abdominal)
  • Bladder flap hematoma (entre a bexiga e o segmento uterino inferior)�

Manifestações clínicas

  • Dor abdominal ou pélvica persistente
  • Febre
  • Leucocitose
  • Hipersensibilidade local

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HEMATOMA INFECTADO

GONZALO-CARBALLES, Marta et al. A pictorial review of postpartum complications. RadioGraphics, [S.l.], v. 40, n. 7, p. 2117–2141, nov./dez. 2020.

Mulher, 32 anos, 6 dias após cesariana

Tomografia Computadorizada:

  • Coleção com realce periférico em anel (realce de cápsula inflamatória)�
  • Conteúdo hipodenso heterogêneo (purulento)�
  • Presença de gás intra-lesão (sugestivo de infecção bacteriana)�
  • Espessamento da gordura subcutânea adjacente e estriações da gordura (fat stranding)

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TAKE HOME MESSAGE!

  • Conhecimento das potenciais complicações pós parto para afastar as causas potencialmente graves;

  • O período das complicações estreita o diagnóstico diferencial;

  • Mesmo que muitas vezes seja difícil, é importante avaliar a integridade miometrial.

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Referências Bibliográficas