IJSN Especial
Dia da Consciência Negra
Desigualdade racial: um cenário estrutural
Novembro, 2023
Racismo e desigualdade racial
O racismo é, histórica e socialmente, uma forma de inferiorizar, marginalizar, criminalizar e forçadamente empobrecer a pessoa negra, mas que torna esse processo naturalizado (Lélia González, 1984). É
baseado sobretudo
na crença, construída a partir de teorias
naturalistas europeias com base nas diferenças anatômicas, da existência de raças naturalmente hierarquizadas, a partir das características físicas e culturais (Munanga, 2004).
Racismo e desigualdade racial
Uma de suas
dimensões é o
institucional,
que
racismo corresponde
ao mecanismo
estrutural de exclusão racial seletiva no acesso aos benefícios gerados pelo Estado e usufruídos pelos grupos raciais privilegiados (Jesus, 2020). Além disso, observa-se o racismo dentro das instituições, acometendo a relação trabalhista e acentuando a desigualdade entre brancos e negros.
Racismo e desigualdade racial
Estima-se que 55,9% da população brasileira são pessoas negras. No Sudeste tem-se um total de 48,5% e no Espírito Santo 62,4% de pessoas negras (PNAD- C, 2022 - cálculo baseado em população por mil pessoas). O racismo fere a dignidade humana e estigmatiza a população negra.
sociedade e é
Possui raízes estruturais na
resultado do
sequestro e escravização do povo
negro por mais de três séculos.
Taxa de analfabetismo* por raça e gênero, ES
A taxa de analfabetismo no Espírito Santo demonstra a desigualdade educacional entre pessoas negras e brancas, seguindo a tendência nacional. Os indicadores mostram que o
*Referente à população maior de 15 anos. Fonte: PNAD-Contínua Anual - IBGE.
Elaboração: Coordenação de Estudos Sociais – CES/IJSN.
6,85%
8,04%
7,09%
7,07%
6,77%
5,96% | | 5,88% | | 6,03% | | 5,70% | | 6,02% | | 6,39% | | 5,55% | | 5,54% | | | 5,69% | | 5,88% | analfabetismo é maior para as pessoas negras. Entre pessoas |
4,66% | | 5,20% 4,94% | | 5,36% 4,77% | | 5,40% | | 5,42% 4,47% | | 4,62% 4,54% | | 4,94% 4,23% | | 3,76% | | | 5,08% | | 4,99% | brancas, as mulheres possuem as maiores taxas, no caso das pessoas negras, a série |
| | | | | | 4,21% | | | | | | | | 3,71% | | | 3,58% | | 3,75% | histórica mostra que as |
2013 | | 2014 | | 2015 | | 2016 | | 3,56% 2017 | | 3,54% 2018 | | 3,59% 2019 | | 2,85% 2020 | | | 3,40% 2021 | | 3,27% 2022 | mulheres negras possuem as maiores taxas, e que apesar de ter apresentado uma queda em 2021, a taxa para elas voltou a |
| | | | | | | | | | | | | | | | | | | | crescer em 2022. |
Homens brancos
Homens negros
Mulheres brancas
Mulheres negras
Escolaridade média em anos* por raça e gênero, ES
No caso da taxa de escolarização, pessoas brancas se mantém acima na série histórica, as pessoas negras se posicionam abaixo, seguindo a tendência nacional. Os dados explicitam a necessidade de políticas educacionais para equacionar as desigualdades no acesso à educação. É interessante notar que em relação às pessoas brancas, as mulheres possuem os melhores indicadores, e em relação às pessoas negras, as mulheres também possuem as melhores taxas de escolaridade, diferentemente do que se observa no mercado de trabalho.
Homens brancos
2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022
* Referente aos anos médios de escolaridade da população. Cálculo realizado com base na população total.
Fonte: PNAD-Contínua Anual - IBGE. Elaboração: Coordenação de Estudos Sociais – CES/IJSN.
8,45
8,77
8,88
8,93
9,19
9,09
9,22
9,53
9,51
9,36
7,55
7,79
7,92
7,88
8,08
8,17
8,24
8,50
8,52
8,55
8,79
9,08
9,26
9,26
9,54
9,59
9,55
10,03
9,97
9,93
7,87
8,00
8,26
8,25
8,39
8,50
8,61
8,79
8,88
8,87
Homens negros
Mulheres brancas
Mulheres negras
Acesso ao ensino superior por raça e gênero*, ES
Em relação ao ensino superior, os dados fazem menção às pessoas que estão cursando ou que já concluíram, tanto o nível de graduação quanto pós- graduação. O gráfico ao lado mostra que as maiores taxas pertencem às pessoas brancas, em todos os anos, enquanto as pessoas negras correspondem às menores taxas. Aqui, também as mulheres ficam acima entre os grupos raciais, seguindo a
tendência nacional.
* Cálculo realizado a partir da população acima de 18 anos. Fonte: PNAD-Contínua Anual - IBGE.
Elaboração: Coordenação de Estudos Sociais – CES/IJSN.
18,39%
19,81%
20,94%
22,00%
23,48%
22,06%
24,03%
25,01%
27,36%
26,71%
9,1%
9,9%
10,6%
11,3%
11,1%
11,7%
12,1%
13,2%
14,9%
13,9%
23,11%
24,89%
26,88%
27,95%
29,79%
29,20%
31,44%
36,12%
32,16%
32,70%
12,73%
13,63%
14,48%
15,46%
16,62%
16,56%
16,79%
19,58%
17,94%
19,72%
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
Homens brancos
Homens negros
Mulheres brancas
Mulheres negras
Vínculos trabalhistas formais totais por gênero e raça, ES
Segundo os dados do Ministério do Trabalho e Emprego, homens pretos, pardos e indígenas são a maioria no mercado de trabalho formal, na série histórica de 2015 a 2021. Os mesmos dados mostram que as mulheres pretas, pardas e indígenas ultrapassam os homens brancos a partir de 2019, se mantendo acima nos anos seguintes. A mulher branca corresponde aos menores números entre os grupos.
Fonte: RAIS – Ministério do Trabalho e Emprego, 2015-2021. Elaboração: Coordenação de Estudos Sociais – CES/IJSN.
256.078
241.328
241.531
251.782
255.499
260.561
267.494
175.935
161.898
156.131
153.245
149.827
142.654
144.410
154.936
148.268
146.161
150.059
151.744
149.221
160.748
122.583
114.535
110.413
108.862
107.447
100.904
105.333
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
Homens negros
Homens brancos
Mulheres negras
Mulheres brancas
Membros superiores do Poder Público, Dirigentes de Organizações de Interesse Público e de Empresas e Gerentes por gênero e raça, ES
Homens pretos, pardos e indígenas são a maioria no trabalho formal total, mas nos cargos de gestão eles se mantém abaixo dos homens brancos, em toda série histórica. Abaixo deles estão as mulheres brancas e, abaixo de todos, estão as mulheres pretas, pardas e indígenas, representando a menor parcela nos cargos de gestão entre os grupos.
Fonte: RAIS – Ministério do Trabalho e Emprego, 2015-2021. Elaboração: Coordenação de Estudos Sociais – CES/IJSN.
6.677
6.587
6.338
6.376
6.207
6.256
6.675
8.611
8.234
7.943
7.762
7.239
7.114
7.465
4.560
4.505
4.410
4.268
4.381
4.386
4.725
6.098
5.690
5.528
5.596
5.244
5.149
5.555
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
Homens negros
Homens brancos
Mulheres negras
Mulheres brancas
Taxa de desocupação por gênero e raça, ES
O gráfico revela que as taxas de desocupação para homens e mulheres negras são significativamente mais altas em relação a homens e mulheres brancas, seguindo a tendência nacional. Nota-se que os picos nos indicadores são referentes ao ano de 2020, e infere-se que seja uma consequência da pandemia. Apesar disso, a taxa para homens brancos, em 2020, não se alterou em relação ao ano anterior, enquanto no caso de mulheres negras aumentou 5 pontos percentuais (p.p), e no caso do homem negro, teve-se um aumento de 7 p.p.
Fonte: PNAD-Contínua Anual - IBGE. Dados de taxa de desocupação, 2018-2022.
Elaboração: Coordenação de Estudos Sociais – CES/IJSN.
7%
7%
7%
6%
5%
25%
21%
28%
20%
14%
9%
9%
9%
10%
8%
33%
33%
38%
33%
24%
2018 2019 2020 2021 2022
Homens brancos
Homens negros
Mulheres brancas
Mulheres negras
Taxa de desocupação: pessoas brancas e negras, Brasil e Estados, 2022
35,0%
30,0%
25,0%
20,0%
15,0%
10,0%
5,0%
0,0%
Branca
Negra
O Ranking foi elaborado tomando como referência a taxa de desocupação das pessoas negras. Em 2022, o ES ocupava a 11º posição entre os Estados com menor taxa, com 18,3% de pessoas negras desocupadas, enquanto a taxa entre pessoas brancas foi de 6%.
Fonte: PNAD-Contínua Anual - IBGE,. Dados de taxa de desocupação, 2022. Elaboração: Coordenação de Estudos Sociais – CES/IJSN.
Taxa de pobreza: homens brancos e negros, mulheres brancas e negras, ES (2013-2022)
Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual 2013-2022. |
Elaboração: Coordenação de Estudos Sociais - CES/IJSN. |
Linha de pobreza R$ 665,02 per capita em valores de 2022. |
No gráfico ao lado percebe-se que a taxa de pobreza entre homens e mulheres negras supera os percentuais para homens e mulheres brancas. Entre eles, mulher negra representa as maiores taxas de pobreza em todos os anos.
22,13%
21,43%
23,92%
23,69%
21,21%
20,38%
20,36%
18,55%
24,88%
19,47%
34,36%
33,14%
33,96%
37,88%
36,02%
34,84%
32,13%
31,27%
38,59%
30,62%
22,85%
20,21%
21,05%
23,03%
21,30%
21,37%
18,60%
19,27%
23,97%
19,08%
37,69%
36,37%
39,11%
39,97%
39,59%
36,97%
35,25%
32,98%
43,06%
32,41%
2013
2014
2015
2022
Homens brancos
2016 2017
Homens negros
2018 2019
Mulheres brancas
2020 2021
Mulheres negras
Taxa de extrema pobreza: Homens brancos e negros; Mulheres brancas e negras, ES (2013-2022)
Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual 2012-2022. |
Elaboração: Coordenação de Estudos Sociais - CES/IJSN |
Linha de extrema pobreza R$ 208,73 per capita em valores de 2022 |
3,0%
2,9%
3,0%
3,8%
4,0%
4,3%
3,9%
3,6%
5,3%
3,7%
8,7%
7,5%
8,2%
9,7%
10,3%
10,2%
10,3%
8,0%
11,7%
8,0%
3,2%
2,8%
3,2%
3,8%
4,1%
4,3%
4,0%
4,0%
5,7%
3,9%
9,1%
7,9%
8,6%
10,1%
10,5%
10,6%
10,8%
8,5%
13,0%
8,8%
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
Homens brancos
Homens negros
Mulheres brancas
Mulheres negras
No caso da extrema pobreza no Espírito Santo, analisando a série história de 2013 a 2022, é possível perceber que homens e mulheres negras também possuem as maiores taxas. De 2020 para 2021, a taxa de mulheres negras na extrema pobreza aumentou 4,5 pontos percentuais, enquanto de mulheres
brancas aumentou 1,7 p.p.
Pobreza e ext. pobreza: Homens brancos e negros; Mulheres brancas e negras, Brasil, Sudeste e ES, 2022
Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual, 2022. |
Elaboração: Coordenação de Estudos Sociais - CES/IJSN |
Linha de pobreza R$ 665,02 per capita em valores de 2022. Linha de extrema pobreza R$ 208,73 per capita em valores de 2022 |
21,8%
19,5%
17,1%
40,2%
30,6%
29,9%
22,4%
19,1%
17,9%
43,0%
32,4%
32,6%
BR
ES
Sud.
2022
Taxa de pobreza, Brasil, Sudeste e ES, 2022
Homens brancos Mulheres brancas
Homens negros Mulheres negras
3,7%
3,0%
2,5%
8,0%
4,6%
4,2%
4,0%
3,3%
2,8%
8,9%
4,8%
5,2%
BR
ES
Sud.
2022
Taxa de Extrema Pobreza, Brasil, ES e Sudeste, 2022
Homens brancos Mulheres brancas
Homens negros Mulheres negras
Os gráficos mostram que as pessoas negras são maioria tanto na pobreza quando na ext. pobreza, nas três regiões, com destaque para a mulher negra, que ocupa a base da vulnerabilidade e desigualdade de renda.
Rendimento mensal domiciliar per capita, Espírito Santo, 2022
Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual, 2022. |
Elaboração: Coordenação de Estudos Sociais - CES/IJSN |
7,1
7,3
6,8
8,7
8,5
9,7
10,1
12,0
13,0
16,7
11,8
11,7
12,0
10,8
10,9
10,2
9,9
8,8
8,2
5,9
Até 10%
Mais de 10 a 20%
Mais de 20 a 30%
Mais de 30 a 40%
Mais de 60 a 70%
Mais de 70 a 80%
Mais de 80 a 90%
Mais de 90%
Mais de 40 a 50%
Branca
Maisde 50 a
60%
Negra
O gráfico abaixo detalha a desigualdade entre brancos e negros no Espírito Santo. Os dados relativos a 2022, divididos em faixas de rendimento mensal domiciliar per capita em ordem crescente, mostra que, entre os 10% mais pobres, o percentual de negros (11,8%) é superior ao de brancos (7,1%). Em contrapartida, entre os 10% mais ricos os brancos são a maioria (16,7%), enquanto os negros representam 5,9%.
População em Situação de Rua - PSR
Segundo a pesquisa realizada pelo IJSN (2018), a maior parte da PSR é composta por homens negros. Este fato é uma das consequências históricas da escravidão que ocorreu no Brasil, um dos fatos responsáveis pela grande desigualdade racial, vide os indicadores de pobreza, extrema pobreza, taxa de homicídios, entre outros. É um longo processo histórico de exclusão da população negra do acesso à garantias e direitos. Como exemplos tem-se o processo de urbanização/higienização, que expulsou os negros dos grandes centros, empurrando-os para as áreas marginais das cidades, no início do século XX.
81,60%
17,90%
0,50%
Masculino
Feminino
Não respondeu
77,60%
15,60%
6,80%
Negra
Branca
Outros
Fonte: IJSN, Instituto Jones dos Santos Neves. Pesquisa sobe População em situação de Rua da Região Metropolitana da Grande Vitória, 2018.
Elaboração: Coordenação de Estudos Sociais - CES/IJSN.
Taxa de homicídios* por mil pessoas, homens negros e brancos, mulheres negras e brancas, ES, 2012-2022.
Percebe-se no gráfico abaixo que a taxa de homicídios para homens negros corresponde a maioria do total, assumindo a maior taxa (129,8) em 2012, 117,2 pontos por cem mil pessoas acima de homens brancos (12,6) para o mesmo ano. No caso de mulheres negras, a maior taxa (14,4) é do ano de 2012, estando 13,3 acima de mulheres brancas (1,1) para o mesmo ano (2012). Apesar da série histórica mostrar uma tendência de queda, as taxas para homens e mulheres negras ainda se mostram superiores aos dados das pessoas brancas.
* Há uma limitação na precisão desses dados, pois o preenchimento racial não é campo obrigatório.
Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, acumulado de primeiras visitas, exceto 2020-2021, acumulado de quintas visitas, devido à pandemia de Covid-19. Elaboração: Coordenação de Estudos Sociais - CES/IJSN.
1,1
3
2,5
0,6
1,6
3,7
1,6
1,4
0,8
3
2,4
14,4
10,5
7,8
3,5
5,7
8,3
6,1
5,5
6,3
6
5,5
Mulheres brancas e negras
2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022
Mulheres brancas Mulheres negras
12,6
20,4
20,9
14,7
20
30,2
19,7
12,7
12,8
15,9
18,1
129,8
94,8
83,6
38,7
65,9
78,8
68,6
56,5
66,7
59,2
57,7
Homens brancos e negros
2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022
Homens brancos Homens negros
Racismo ambiental
12,4
27,6
18,8
43,9
25,5
17,0
10,7
41,8
Ausência de abastecimento de água por rede geral
Ausência de esgotamento sanitário por rede coletora, pluvial ou fossa ligada à rede
Homens brancos Mulheres brancas
Homens pretos ou pardos Mulheres pretas ou pardas
Proporção de pessoas residindo em domicílios sem acesso aos serviços de saneamento básico, 2018 (por mil pessoas)
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2018, consolidado de primeiras entrevistas. Elaboração: Coordenação de Estudos Sociais – CES/IJSN.
Obs.: Dados absolutos para: Homens brancos (42.402); Mulheres Brancas (47.260); Homens negros (58.876); Mulheres negras (59.089).
Referências
GONZÁLEZ, Lélia. Racismo e Sexismo na Cultura brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje, Anpocs, 1984, p. 233-244.
JESUS, Victor de. Racializando o olhar (sociológico) sobre a saúde ambiental e saneamento da população negra: um continuum colonial chamado racismo ambiental. Revista Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 29, n. 2, 2020.
MUNANGA, Kabengele. Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia. Disponível em: <https://www.ufmg.br/inclusaosocial/?p=59>. Acesso em: 16/11/2023.
Comissão Pastoral da Terra. Conflitos no Campo Brasil 2022. Goiânia: CPT Nacional, 2023.
DIRETOR PRESIDENTE
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