Um discurso sobre as ciências��IV PARTE
Boaventura de Sousa Santos
Um discurso sobre as ciências
Boaventura de Sousa Santos (1940)
Um discurso sobre as ciências
IV
O paradigma emergente
Um discurso sobre as ciências
PARADIGMA EMERGENTE
RENÉ POIRIER – HEGEL – HEIDEGGER
“A coerência global de nossas verdades físicas e metafísicas só se conhece retrospectivamente.”
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DIZER do FUTURO
“Uma síntese pessoal embebida na imaginação.”
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TEÓRICOS
Ilya Prigogine 🡪 nova aliança.
Fritjof Capra 🡪 nova física, taoísmo da física.
Eugene Wigner 🡪 mudanças do segundo tipo.
Erich Jantsch 🡪 paradigma da auto-organização.
Daniel Bell 🡪 Sociedade pós-industrial.
Jürgen Habermas 🡪 sociedade comunicativa.
Boaventura 🡪 paradigma de um conhecimento prudente para uma vida decente.
Fritjof Capra (1939), físico austríaco
Daniel Bell (1919-2011), sociólogo americano
Jürgen Habermas (1929), filósofo e sociólogo alemão
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REVOLUÇÃO CIENTÍFICA ATUAL
“O paradigma a emergir dela não pode ser apenas um paradigma científico (o paradigma de um conhecimento prudente), tem de ser também um paradigma social (o paradigma de uma vida decente).”
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TESES e JUSTIFICAÇÕES
1 – Todo o conhecimento científico-natural é científico-social.
2 – Todo o conhecimento é local e total.
3 – Todo o conhecimento é autoconhecimento.
4 – Todo o conhecimento científico visa constituir-se em senso comum.
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Todo o conhecimento científico-natural é científico-social
Um discurso sobre as ciências
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orgânico / inorgânico
seres vivos / matéria inerte
humano / inumano
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TEORIAS HOLÍSTICAS
Estruturas dissipativas de Prigogine
Teria sinergética de Haken
Teoria da Ordem implicada de David Bohm.
Teoria da Matriz-S de Geoffrey Chew
Teoria do encontro da Física com a Mística Oriental de Capra.
Orientadas para superar as inconsistências entre a mecânica quântica e a teoria da relatividade de Einstein.
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Todas introduzem na matéria os conceitos de:
HISTORICIDADE
PROCESSO
LIBERDADE
AUTODETERMINAÇÃO
CONSCIÊNCIA
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EUGENE WIGNER
O inanimado não era uma qualidade diferente, mas apenas um caso limite.
Distinção CORPO/ALMA deixa de ter sentido.
FÍSICA/PSICOLOGIA fundidas numa única ciência.
Eugene Wigner (1902-1995), físico húngaro
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ALÉM DA MECÂNICA QUÂNTICA
Introduziu a consciência no ato de conhecimento.
Deve-se introduzir a consciência no objeto de conhecimento.
Transformação da relação SUJEITO/OBJETO.
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GREGOR BATESON
Gregor Bateson (1904-1980), �antropólogo, cientista social, linguista e semiólogo inglês
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GEOFFREY CHEW
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CARL G. JUNG
Carl Gustav Jung (1875-1961), psicoterapeuta suíço
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FRITJOF CAPRA
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CAPRA: alternativa para FREUD e BATESON
Freud 🡪 ampliou o conceito de mente para dentro (subconsciente, inconsciente).
Bateson 🡪 ampliou o conceito de mente para fora (além dos indivíduos humanos).
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DAVID BOHM: TEORIA DA ODEM IMPLICADA
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CONHECIMENTO DO PARADIGMA EMERGENTE
natureza/ / cultura
natural / artificial
vivo / inanimado
mente / matéria
coletivo / individual
animal / pessoa
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COLAPSO das DICOTOMIAS
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SENTIDO E CONTEÚDO DAS SUPERAÇÕES
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KONRAD LORENZ: SOCIOBIOLOGIA
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KONRAD LORENZ: SOCIOBIOLOGIA
Konrad Zacharias Lorenz (1903-1989), �zoólogo, etólogo e ornitólogo austríaco
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HAKEN e PRIGOGINE
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FÍSICA TEÓRICA de CAPRA
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BIOLOGIA RECEPTIVA
“Apesar de estas teorias diluírem as fronteiras entre os objetos da física e os objetos da biologia, foi sem dúvida no domínio desta última que os modelos explicativos das ciências sociais mais se enraizaram nas décadas recentes.”
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CONCEITOS de LOVELOCK
Teleomorfismo
Autopoieses
Auto-organização
Potencialidade organizada
Originalidade
Individualidade
Historicidade
“Nossos corpos são constituídos por cooperativas de células.”
Atribuem à Natureza
COMPORTAMENTO
HUMANO
James Lovelock (1919), �pesquisador independente e ambientalista inglês
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CIÊNCIAS SOCIAIS SUBJACENTES ÀS NATURAIS
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DURKHEIM INVERTIDO
Fenômenos sociais estudados como fenômenos naturais.
Fenômenos naturais estudados como fenômenos sociais.
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SUPERAÇÃO DA DICOTOMIA AINDA NÃO-SUFICIENTE
Um discurso sobre as ciências
1 – Vinculadas ao POSITIVISMO das ciências naturais.
2 – ANTIPOSITIVISTA, numa tradição filosófica complexa, fenomenológica, interacionista, mitossimbólica, hermenêutica, existencialistas, pragmática.
Um discurso sobre as ciências
“Em resumo, à medida que as ciências naturais se aproximam das ciências sociais estas se aproximam das humanidades. O sujeito, que a ciência moderna lançara na diáspora do conhecimento irracional, regressa investido da tarefa de fazer erguer sobre si uma nova ordem científica.”
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SENTIDO GLOBAL DA REVOLUÇÃO
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CONCEPÇÃO de THOMAS KUHN
(crítica)
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REVALORIZAÇÃO DAS HUMANIDADES
COMPREENSÃO x MANIPULAÇÃO
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GUETO DAS HUMANIDADES
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RECUPERAÇÃO
FILOLOGIA
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CONCEPÇÃO HUMANÍSTICA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS
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CIÊNCIA PÓS-MODERNA
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CLIFFORD GEERTZ
Clifford Geertz (1926-2006), antropólogo americano
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JÜRGEN HABERMAS
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Todo o conhecimento é local e total
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CIÊNCIA MODERNA: ESPECIALIZAÇÃO
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CIENTISTA: IGNORANTE ESPECIALIZADO
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TECNOLOGIA 🡪 impactos nos ecossistemas.
MEDICINA 🡪 doente numa quadrícula sem sentido.
FARMÁCIA 🡪 o lado destrutivo dos remédios.
DIREITO 🡪 reduziu a complexidade da vida à secura dogmática.
ECONOMIA 🡪 legitimou o reducionismo quantitativo e tecnocrático com o pretendido êxito das previsões econômicas.
PSICOLOGIA 🡪 expedientes e testes que se reduziram a riqueza da personalidade a exigências funcionais de instituições unidimensionais.
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MALES RECONHECIDOS, MAS AINDA REPRODUZIDOS
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TOTAL e LOCAL
TOTALIDADE UNIVERSAL (Wigner)
TOTALIDADE INDIVISA (Bohm)
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“Constitui-se em redor de temas que em dado momento são adotados por grupos sociais concretos como projetos de vida locais, sejam eles reconstituir a história de um lugar, manter um espeço verde, construir um computador adequado às necessidades locais, fazer baixar a taxa de mortalidade infantil, inventar um novo instrumento musical, erradicar uma doença etc., etc.”
Um discurso sobre as ciências
Um discurso sobre as ciências
“porque reconstitui os projetos cognitivos locais, salientando-lhes a sua exemplaridade, e por essa via transforma-os em pensamento total ilustrado.
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ANALÓGICA e TRADUTORA
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CONHECIMENTO PÓS-MODERNO
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PLURALIDADE METODOLÓGICA
“Cada método é uma linguagem e a realidade responde na língua em que é perguntada.”
Constelação de métodos.
Pluralidade só possível mediante transgressão metodológica.
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TRANSFRESSÃO METODOLÓGICA
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TOLERÂNCIA DISCURSIVA
O outro lado da pluralidade metodológica.
GEERTZ na Sociologia:
Um discurso sobre as ciências
GEERTZ na Sociologia:
Um discurso sobre as ciências
CASO FOUCAULT
Historiador? Filósofo? Sociólogo? Cientista político?
COMPOSIÇÃO TRANSDICIPLINAR e INDIVIDUALIZADA, para que estes textos apontam, sugere um movimento no sentido da maior personalização do trabalho científico.
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Todo o conhecimento é auto-conhecimento
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HUMANISMO DA CIÊNCIA MODERNA
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DICOTOMIA SUJEITO/OBJETO
Como foi pacífica nas sociais?
Se sujeito e objeto são homens?
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ANTROPOLOGIA
SOCIOLOGIA
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QUESTIONAMENTO DA DISTÂNCIA
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CIÊNCIAS FÍSICO-NATURAIS
Um discurso sobre as ciências
“A nova dignidade da natureza mais se consolidou quando se verificou que o desenvolvimento tecnológico desordenado nos tinha separado da natureza em vez de nos unir a ele e que a exploração da natureza tinha sido o veículo da exploração do homem.”
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DESCONFORTO PROPAGADO NAS CIÊNCIAS NATURAIS
“O sujeito regressava na veste de objeto.”
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DEUS, O FORAGIDO
Conceitos de Bateson:
MENTE IMANENTE
MENTE MAIS AMPLA
MENTE COLETIVA
Retorno do deus foragido.
Deus transfigurado: nada de divino.
Harmonia e comunhão
Nova GNOSE em gestação.
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CLAUSEWITZ parafraseado
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CIÊNCIA É AUTOBIOGRÁFICA
Um discurso sobre as ciências
CONSAGRAÇÃO e NATURALIZAÇÃO
“A consagração da ciência moderna nestes últimos quatrocentos anos naturalizou a explicação do real, a ponto de não o podermos conceber senão nos termos por ela propostos.”
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METÁFORAS CARDEAIS DA FÍSICA MODERNA
Categorias do ESPAÇO – TEMPO – MATÉRIA – NÚMERO.
Sem elas, somos incapazes de pensar.
Mesmo sabendo-as convencionais, arbitrárias, metafóricas.
Processo lento de naturalização.
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DESCARTES: CARÁTER AUTOBIOGRÁFICO
(citação, p. 91)
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PARADIGMA EMERGENTE
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DIMENSÃO ESTÉTICA DA CIÊNCIA
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Todo o conhecimento científico vida constituir-se em senso comum
Um discurso sobre as ciências
FUNDAMENTO NÃO-CIENTÍFICO
O fundamento do estatuto privilegiado da racionalidade científica não é em si mesmo científico.
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CIÊNCIA e IGNORÂNCIA
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CIÊNCIA MODERNA
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SENSO COMUM
Um discurso sobre as ciências
EXCELÊNCIA DO SENSO COMUM
Um discurso sobre as ciências
SUPERFICIAL e PROFUNDO
Um discurso sobre as ciências
INDISCIPLINAR e IMETÓDICO
Um discurso sobre as ciências
RETÓRICO e METAFÓRICO
Não ensina, persuade.
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VIRTUDE ANTECIPATÓRIA
Um discurso sobre as ciências
INVERTER A RUPTURA EPISTEMOLÓGICA
Na moderna 🡪 senso comum para o conhecimento científico.
Na pós-moderna 🡪 conhecimento científico para o senso comum.
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WITTGENSTEIN: Ciência clara
“Tudo o que se deixa dizer deixa-se dizer claramente.”
NIETZSCHE: Ciência transparente
“Todo o comércio entre os homens visa que cada um possas ler na alma do outro, e a língua comum é a expressão sonora dessa alma comum.”
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TECNOLOGIA e SABEDORIA DE VIDA
Um discurso sobre as ciências
COM DESCARTES
Exercer a dúvida, sem a sofrer.
Exercer a insegurança, sem a sofrer.
Um discurso sobre as ciências
FASE DE TRANSIÇÃO E INSEGURANÇA
“Duvidamos suficientemente do passado para imaginarmos o futuro, mas vivemos demasiadamente o presente para podermos realizar nele o futuro. Estamos divididos, fragmentados. Sabemo-nos a caminho, mas não exatamente onde estamos na jornada. A condição epistemológica da ciência repercute-se na condição existencial dos cientistas. Afinal, se todo o conhecimento é autoconhecimento, também todo desconhecimento é autodesconhecimento.