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BON APPÉTIT

CICATRIZES QUE FALAM: OS DESAFIOS PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE INCLUSIVA

Maria das Graças da Silva1 , M.a. Rosângela Sousa de Almeida 2 , Gleicielly Silva Sobral. 3 Danilo dos Santos Moura, Giselly Barros dos Santos, Icaro Ruan Muniz de Souza, Izis Moura dos Santos, Maria Victoria dos Santos Menezes, Mirella Edime Cardoso Santos Nascimento, Pablo Silvio Nascimento Santana, Shaiane Eloá Silva Sousa4 .

CENTRO DE EXCELÊNCIA DR. EDÉLZIO VIEIRA DE MELO

mgsbb35@gmail.com

Resumo

Metodologia

Resultados

CONCLUSÕES

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Agradecimentos

O desenvolvimento do componente curricular possibilitou aos estudantes uma aproximação concreta com questões urgentes da sociedade contemporânea. A escuta ativa, o diálogo e a produção artística foram elementos centrais para o despertar de um olhar crítico e empático. Durante as rodas de conversa, os alunos relataram vivências próprias ou de familiares marcadas por discriminação racial, violência doméstica ou preconceito por identidade de gênero. Esses relatos serviram de base para a peça teatral “Cicatrizes que falam”, que se tornou um espaço catártico e pedagógico.

A peça foi dividida em cenas temáticas que abordaram: A exclusão de uma adolescente com deficiência física na escola; A violência sofrida por uma mulher negra vítima de agressão doméstica; A solidão e rejeição enfrentada por uma jovem trans; O impacto das cotas raciais na vida de um estudante periférico. A encenação foi realizada com seriedade e emoção, sensibilizando a comunidade escolar presente. Ao final da apresentação, os estudantes organizaram um debate com os colegas, demonstrando domínio conceitual e empatia com os temas discutidos.

Já a palestra com a deputada Linda Brasil, foi outro ponto chave da disciplina, pois proporcionou aos estudantes o contato direto com uma liderança política comprometida com os direitos humanos, sendo, para muitos, uma inspiração de resistência e possibilidade de mudança. A presença da deputada fortaleceu o sentimento de pertencimento e empoderamento dos alunos. O trabalho demonstrou que, quando os estudantes se sentem escutados e têm a oportunidade de expressar suas experiências e visões de mundo, o processo educativo ganha potência transformadora. Como afirma Paulo Freire (1996), “ensinar exige respeito aos saberes dos educandos” e disposição para construir o conhecimento em diálogo.

O componente curricular Direitos Humanos e Cultura Afro-brasileira e Indígena, desenvolvido no Centro de Excelência Dr. Edelzio Vieira de Melo (Santa Rosa de Lima), buscou promover o respeito à diversidade e à equidade. A proposta inclui rodas de conversa, análise de textos legais, oficinas artísticas, peças teatrais e documentários, abordando temas como violência doméstica, cotas raciais, pessoas trans e com deficiência, entre outros grupos vulneráveis. A culminância ocorreu com palestra da deputada estadual Linda Brasil e apresentações teatrais, das quais uma foi escolhida para o palco do Cienart, fortalecendo o protagonismo estudantil e a consciência cidadã inclusiva.

Objetivo Geral

Promover a reflexão crítica e o respeito à diversidade, contribuindo para a formação de uma consciência cidadã e antidiscriminatória, capaz de fortalecer a construção de uma sociedade mais justa, plural e inclusiva.

Objetivos Específicos:

Compreender os principais marcos legais

nacionais e internacionais voltados à garantia dos direitos humanos e da igualdade racial.

Estimular a valorização das culturas afro-brasileira e indígena como elementos constitutivos da identidade nacional.

Discutir problemáticas sociais que afetam grupos vulneráveis, como mulheres população negra, pessoas trans e pessoas com deficiência

Incentivar a expressão crítica e criativa por meio de oficinas artísticas, peças teatrais e rodas de conversa.

Favorecer o protagonismo estudantil na produção de saberes e práticas voltadas ao respeito às diferenças e à equidade.

O projeto foi desenvolvido ao longo do primeiro semestre letivo de 2025, com turmas do Ensino Médio no turno matutino. O componente “Direitos Humanos e Cultura Afro-brasileira e Indígena” integrou a proposta do Novo Ensino Médio, oferecendo aos estudantes um espaço de escolha com ênfase em temas sociais e de formação cidadã. A metodologia adotada foi interdisciplinar, combinando teoria e prática. Entre os materiais utilizados destacam-se: a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Constituição Federal de 1988, o Estatuto da Igualdade Racial, a Lei Maria da Penha, a Lei nº 10.639/2003, além de trechos de obras literárias, documentários, músicas e produções cinematográficas brasileiras. As atividades desenvolvidas incluíram: Rodas de conversa sobre identidade, discriminação e justiça social; Análise crítica de leis e documentos oficiais; Oficinas artísticas (confecção de cartazes, textos poéticos e dramatizações), das quais saiu a ideia da encenação de uma peça que trabalhasse o tema , de forma a passar a mensagem e sensibilizar um maior número de pessoas através da arte; além de exibição de documentários como “O silêncio dos homens” e “Precisamos falar com os homens?” etc.

A produção e encenação da peça “Cicatrizes que Falam”, peça escolhida para ser encenação n Feira de ciências e artes de Sergipe, representou um momento de intensa reflexão e sensibilidade, pois as falas dos alunos e as músicas escolhidas foram inspiradas em relatos reais e em experiências socialmente marcadas que evidenciam as dores, resistências e conquistas de grupos historicamente marginalizados. Por meio da dramatização, os estudantes puderam dar voz a essas vivências, transformando a sala de aula em um espaço de diálogo e empatia, no qual a arte se tornou instrumento de denúncia, valorização da diversidade e incentivo à construção de uma sociedade mais justa e inclusiva (Figura 2 e 3).

A culminância das atividades ocorreu com a palestra da Deputada Estadual Linda Brasil, mulher trans, ativista e defensora dos direitos humanos, que trouxe uma reflexão potente sobre a diversidade como motor da justiça social. Em sua fala, destacou os desafios enfrentados por grupos historicamente excluídos e ressaltou a importância da educação como ferramenta de transformação social, incentivando os estudantes a reconhecerem o valor das diferenças e a se posicionarem de forma ética e solidária na luta por equidade. Sua presença inspirou a comunidade escolar, fortalecendo o compromisso coletivo com a construção de uma sociedade mais plural e democrática (Figura 1).

Objetivos

A experiência do componente “Direitos Humanos e Cultura Afro-brasileira e Indígena” evidenciou que a escola é um espaço privilegiado para a formação ética, política e cidadã. Ao trabalhar com metodologias ativas e temas sensíveis à realidade dos estudantes, foi possível fomentar o protagonismo juvenil, a valorização da diversidade e o combate a preconceitos.

A arte e a escuta foram fundamentais para que os discentes pudessem refletir sobre suas identidades e suas lutas, fortalecendo uma consciência crítica e antidiscriminatória. A culminância do projeto, com a peça teatral e a palestra de uma liderança política atuante, selou o compromisso da escola com uma educação transformadora.

Acreditamos que o enfrentamento das cicatrizes sociais passa, necessariamente, pela escuta das vozes que foram silenciadas. Que essa prática pedagógica se torne inspiração para outras escolas e professores comprometidos com uma sociedade mais justa e inclusiva. Como disse Paulo Freire, “ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando”, e foi sob esse princípio que buscamos construir essa jornada.

Referências

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Senado Federal, 1988.

BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9.394, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira".

BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei de Inclusão da Pessoa com Deficiência.

BRASIL. Secretaria Especial de Políticas para Mulheres. III Plano Nacional de Política para as Mulheres. Brasília, 2013

NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948. Disponível em: <https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos>. Acesso em: 28 jul. 2025.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

HOOKS, Bell. Ensinando a Transgredir: A educação como prática de liberdade. São Paulo: Martins Fontes, 2013.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Senado Federal, 1988. BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9.394, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura AfroBrasileira". BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei de Inclusão da Pessoa com Deficiência. BRASIL. Secretaria Especial de Políticas para Mulheres. III Plano Nacional de Política para as Mulheres. Brasília, 2013 NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948. Disponível em: . Acesso em: 28 jul. 2025. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. HOOKS, Bell. Ensinando a Transgredir: A educação como prática de liberdade. São Paulo: Martins Fontes, 2013.