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Discussão de Casos Clínicos

Radiologia do Abdome

João Pedro Gallo da Silva

Fellow de Radiologia abodminal da Escola Paulista de Medicina

Coordenação: Giuseppe D'Ippolito e Daniel Bekhor

https://conferenciaweb.rnp.br/conference/rooms/ddi-abdomen/invite

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CASO 1

Apresentação do Caso Clínico

DADOS CLÍNICOS

Identificação: Masculino, 41 anos�

Queixa Principal: Trazido pelo SAMU, acordado orientado, com história de ferimento por arma de fogo com orifício de entrada na parede torácica anterior, com dreno de tórax inserido pela equipe de APH, apresentando dor abdominal à direita. �

Exame Físico:�Orifício de entrada de projétil na parede torácica anterior direita, sem caracterização de orifício de saída. Dor abdominal difusa à palpação, com peritonismo.

Sodagari et al. RadioGraphics 2020

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CASO 1

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Quiz

Com base nos achados de imagem, é classificada pela AAST como:

A) Grau II

B) Grau I

C) Grau IV

D) Grau V

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Quiz

Com base nos achados de imagem, é classificada pela AAST como:

A) Grau II

B) Grau I

C) Grau IV

D) Grau V

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TRAUMA POR ARMA DE FOGO

Avaliação Abdominal

Lesões • Classificação AAST • Manejo

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Balística de Feridas — Mecanismos de Lesão

1. Laceração e Esmagamento

Lesão produzida pela bala ou fragmentos ao longo do trajeto. O diâmetro da lesão por esmagamento é proporcional ao calibre da bala ou fragmento.

2. Cavitação

Cavidade permanente (0,5–2 cm): defeito tecidual direto.

Cavidade temporária: estiramento radial 2–6× (até 11×) o diâmetro da bala. Em alta velocidade,, pode ser muito maior que a permanente.

3. Ondas de Choque

Forças mecânicas que comprimem o tecido à frente e nas laterais da bala. Em baixa velocidade, dano mínimo. Em alta velocidade, destruição tecidual significativa.

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Propedêutica de avaliação

1. Orifícios de entrada e saída do projétil (ou localizar o projétil).

Determinar trajeto.

A partir dos oríficios do projétil, é possível traçar uma trajetória da lesão.

Líquido livre ou lesões das ondas mecânicas.

ANTERIOR.

POSTERIOR

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Avaliação do Fígado — Achados Tomográficos

🏆 Prevalência: O fígado é o órgão sólido mais comumente lesionado em traumas abdominais por PAF.

LACERAÇÕES

Áreas lineares de hipoatenuação, comumente perpendiculares ao eixo longo do órgão.

HEMATOMAS

Intraparenquimatosos ou subcapsulares. Densidade mista ou hiperatenuante. Podem expandir progressivamente.

🩸 LESÕES VASCULARES

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Lesão Hepática — Exemplos Imagenológicos

[ Inserir Imagem TC ]

Grau III — Laceração Hepática

[ Inserir Imagem TC ]

Grau IV — Lesão Esplênica / Vascular

Achados-chave: Hipoatenuação linear (laceração) • Hematoma peri-hepático • Extravasamento ativo • Pneumobilia (fístula biliar) • Hemobilia

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Classificação AAST — Fígado

Grau

Hematoma

Laceração

Lesão Vascular

I

Subcapsular <10% da superfície

< 1 cm profundidade

II

Subcapsular 10–50% ou <10 cm intraparenquimatoso

1–3 cm profundidade, < 10 cm extensão

III

Subcapsular >50% ou intraparenquimatoso >10 cm ou expansivo

> 3 cm profundidade

IV

Ruptura intraparenquimatosa com sangramento ativo

Destruição parenquimatosa 25–75% do lobo

Extravasamento ativo contido intraparenquimatoso

V

Destruição >75% de um lobo hepático

Lesão vascular justahepática

AAST 2018 Update — Kozar et al. J Trauma Acute Care Surg 2018 | Sodagari et al. RadioGraphics 2020

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Manejo e Complicações — Fígado

ALGORITMO DE MANEJO

I–II

Manejo não-operatório (NOM) seletivo — sem lesão vascular maior associada

III

NOM possível; Fase tardia na TC diferencia sangramento ativo de lesão contida

IV–V

Intervenção endovascular (embolização) ou cirurgia. Controle de danos

Vascular

Angiografia + embolização com cateter em lesão vascular sem outras indicações cirúrgicas

COMPLICAÇÕES

Precoces

  • Sangramento (hematoma expansivo)
  • Infecção / abscesso
  • Hemobilia
  • Fístula biliar / Biloma

Tardias

  • Pseudoaneurisma
  • Fístula arteriovenosa (FAV)
  • Pseudocisto
  • Rotura esplênica tardia (diferencial)

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Glossário de Achados na TC — Lesões de Órgãos Sólidos e Ocos

Termo

Definição

Extravasamento ativo

Extravasamento de material de alta atenuação além das margens de órgão sólido, oco ou estrutura vascular

Contusão

Áreas focais ou difusas mal definidas de hipoatenuação dentro do parênquima

Ingurgitamento

Aumento do volume e realce heterogêneo do órgão

Formação de fístula

Comunicação entre estrutura vascular ou ductal e órgão adjacente

Hematoma

Área de atenuação mista ou discreta hiperatenuação nas margens ou em contato com o parênquima do órgão

Laceração

Hipoatenuação linear, comumente perpendicular ao eixo longo do órgão

Avulsão de órgão

Desvascularização completa com ruptura ligamentar e ductal do órgão

Pseudoaneurisma

Coleção contida de contraste IV por protrusão da parede vascular; não muda de tamanho entre as fases da TC, com menor atenuação na fase tardia

Transecção

Ruptura do órgão com descontinuidade entre os fragmentos de tecido

Ruptura vascular

Descontinuidade de estrutura vascular

Tabela 2 — Sodagari et al. RadioGraphics 2020

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Abordagem Prática na TC — Take-Home Points

1 Trajetória primeiro

Identificar entrada/saída e rastrear o trajeto. Órgãos ao longo e adjacentes ao trajeto devem ser inspecionados para lesão por cavitação temporária e ondas de choque.

2 Presença de bala + hematoma = alta especificidade

Projétil próximo a órgão com hematoma tem alta especificidade para lesão daquele órgão — solicitar avaliação adicional e fases tardias.

3 TC multifásica para lesão vascular

Fase arterial: pseudoaneurisma e FAV. Fase venosa: extravasamento ativo e infarto parenquimatoso. Use TC de dupla energia para diferenciar contraste entérico de hemorragia.

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Referências

Tabela 2 — Sodagari et al. RadioGraphics 2020