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Estudo da produção de glitter biodegradável

Escola Estadual de Ensino Médio Elisa Tramontina – 2º ano – Ensino Médio

Bruna Ceratto e Charlene dos Santos; Sandra Seleri (Orientadora); Patricia Amaro Schmitt (Coorientadora)

Introdução

O glitter, um adorno brilhante que tem se tornado cada vez mais popular em nossa sociedade, é um elemento presente em diversas esferas da vida moderna, desde a moda e maquiagem até festas e eventos culturais, como o carnaval. No entanto, apesar de seu apelo estético, poucos são conscientes dos impactos negativos que o glitter convencional pode causar ao meio ambiente.

Composto por microplásticos que persistem por séculos, o glitter contamina rios, mares e ecossistemas aquáticos, ameaçando a vida marinha e interferindo nos processos ecológicos fundamentais, como a fotossíntese das algas marinhas, um dos principais responsáveis pelo ar que respiramos.

Neste contexto, este trabalho propõe explorar a problemática do glitter convencional e apresentar uma solução: o glitter biodegradável.

Justificativa

Objetivo

Nosso objetivo com esta pesquisa científica é amenizar os efeitos negativos do glitter no meio ambiente.

Sendo assim, surge a ideia de desenvolver um glitter biodegradável que se decomponha nos mares sem componentes tóxicos que afetam a microbiota marinha.

Assim sendo ambientalmente mais seguro para toda fauna e flora.

Problema

Desenvolvimento

O atual modelo de produção e consumo tem sido um dos principais vilões no processo de degradação ambiental, em que a população, motivada pelas propagandas comerciais, adquire produtos desnecessários e intensifica a destruição da natureza. Visando reverter essa situação, surgiu a proposta de consumo sustentável.

O glitter faz parte do dia a dia de muita gente, principalmente quando chega o Carnaval: homens e mulheres abusam da utilização das maquiagens no rosto e no corpo e as ruas ficam brilhantes, cheias de glitter. Tudo fica muito bonito! Mas também encontramos glitter o ano inteiro, até mesmo em brinquedos, como em unicórnios de pelúcia cheios de brilho e em materiais escolares de artesanato, etc.

A matéria-prima do glitter é o plástico, podendo ser de PVC, que gera um glitter mais grosso, ou de poliéster, que cria um pó mais fino que adere à pele, juntamente com o alumínio. Seu brilho é garantido pela forma como ele é cortado, bem fino e com ângulos que fazem ele se tornar um minúsculo espelho. Na forma de longas tiras, esse material recebe uma camada de pintura, passa por uma bobina e, por fim, é triturado e peneirado, antes de chegar aos potinhos que enchem as lojas de Carnaval. Depois disso tudo e de passar por cartões de Natal, decoração de trabalhos infantis e corpos de foliões, ele retorna ao meio ambiente.

O glitter pode ser classificado como um microplástico de origem primária, ou seja, uma partícula plástica com tamanho diminuto, variando de 1 mm a 5 mm. Os microplásticos são uma mistura complexa de polímeros e aditivos, e sua estrutura pode facilitar a absorção química de partículas orgânicas e poluentes. Como resultado, os MPs podem atuar como transportadores de compostos potencialmente tóxicos em ecossistemas aquáticos. Essa característica do glitter como microplástico destaca a preocupação ambiental associada ao seu uso, uma vez que pode contribuir para a contaminação de ecossistemas aquáticos e causar efeitos negativos na saúde da vida aquática.

Análises de plânctons da década de 1960 mostram que glitter e purpurina já prejudicam a vida marinha desde aquela época, e a quantidade desses pozinhos brilhantes só aumenta a cada ano, especialmente no carnaval.

No ambiente marinho, o microplástico possui impactos danosos à flora. Um estudo desenvolvido por SJOLLEMA et al. (2016) afirma que os microplásticos afetam os processos fotossintéticos, o crescimento de microalgas e por serem facilmente ingeridos e/ou absorvidos, o microplástico se acumula ao longo da cadeia alimentar. Outro estudo, feito por MATTSON et al. (2012), mostrou que nanopartículas de plástico poliestireno foram transportados ao longo da cadeia alimentar aquática de algas, posteriormente, ingeridos por zooplâncton e, por fim, ingeridos por peixes, o que afetou seu comportamento e metabolismo lipídico.

Vale ressaltar que a microbiota marinha é responsável por cerca de 50% a 80% do oxigênio produzido no planeta, um possível efeito nocivo do microplástico nesses organismos pode ter efeitos globais em toda a composição da biosfera, em especial da composição química atmosférica. Logo, é imprescindível a realização de estudos mais aprofundados a respeito dos impactos na microbiota marinha

Um dos problemas debatidos é o impacto que esse microplástico causa ao meio ambiente. A contaminação por microplásticos é uma das que mais cresce no mundo, assim se tornando uma preocupação ambiental de alta relevância, podendo ser encontrado nos oceanos, rios e lagos de todo o mundo.

Segundo o biólogo marinho Cláudio Gonçalves pelo glitter ser um tipo de microplástico, essas partículas não são removidas com facilidade no tratamento do lixo ou do esgoto, mesmo que se faça a filtração, decantação, purificação na água antes de devolvê-la aos rios e mares, esses plásticos minúsculos tendem a permanecer por lá, assim contaminando o solo e o fundo dos rios e dos mares. Contudo, eles também atrapalham a fotossíntese das algas. Em decorrência do uso excessivo desse microplástico, um ciclo, pela primeira vez, em 2018, esse material foi detectado em fezes humanas.

Nos dias atuais o glitter é democrático, é liberado para todos os sexos, idades e lugares. É muito usado em festas, principalmente no carnaval, uma festa que atrai muitas pessoas para irem aos famosos “bloquinhos”. Fantasias, roupas e maquiagem brilhantes, entre outros. Também é muito comum ser visto em grupos de expressões artísticas, como grupos de teatro, danças e artesanatos, geralmente muito utilizado em apresentações.

Decidimos fazer esse projeto sobre o glitter biodegradável pois é um problema que é pouco abordado apesar de trazer muitos malefícios ao meio ambiente, principalmente o ecossistema aquático, afetando indiretamente os seres humanos. Pensando nisso, criar uma solução para gerar menos impactos ao meio ambiente, sem perder o brilho.

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Análise de dados e resultados

1. ALVARO, Julie. Origem do plástico: de onde vem, quando surgiu e mais. Publicado em 30 de outubro de 2022. Disponível em (https://www.plastico.com.br/origem-do-plastico/ )

2. FRANÇA Letícia Albanit Avaliação ecotoxicológica de microplásticos: toxicidade do glitter sobre embriões de bolacha do mar Mellita quinquiesperforata. Universidade. Estadual Paulista (Unesp), 2022. Disponível em: (http://hdl.handle.net/11449/216778).

3. RODRIGUES, Gabriel. Indústria do glitter: descubra os segredos do brilho que gera lucro no Carnaval. O tempo. Publicado em 12 de Fevereiro de 2023. Disponível em: (https://www.otempo.com.br/economia/industria-do-glitter-descubra-os-segredos-do-brilho-que-gera-lucro-no-carnaval-1.2811828)

Assim, para elucidar as considerações finais deste trabalho, resgatou-se o problema de pesquisa que são os impactos negativos que o glitter convencional pode causar ao meio ambiente, ameaçando a vida marinha e interferindo nos processos ecológicos fundamentais, como a fotossíntese das algas. E chegamos à conclusão que, com base nas nossas pesquisas e entrevista com a professora Marina Paim Gonçalves coordenadora do grupo de teatro “HEFESTO”, o glitter é muito utilizado em diversos aspectos atualmente,, ele tem um grande impacto na sociedade principalmente em épocas festivas, como por exemplo o carnaval, apesar de seu grande uso muitas pessoas não estão conscientizadas de seus malefícios.

Diante disso, tivemos como objetivo amenizar o impacto negativo do glitter no meio ambiente trazendo uma alternativa de um glitter ecológico, assim sendo a produção do mesmo. Realizamos testes de produção deste glitter tendo como matéria prima a clara do ovo, juntamente com pigmentos naturais. Com base em nossos experimentos de produção e de avaliação do nosso protótipo na água, no qual observamos que nosso glitter conseguiu se desmanchar rapidamente e a substância também atraiu insetos, que têm-se destacado como potenciais organismos bioindicadores e isso se deve ao fato de apresentarem grande capacidade perceptiva, concluímos que sim, existe uma alternativa de um glitter 100% biodegradável e não tóxico que não afeta o meio ambiente e com um bom custo benefício.

Analisando as respostas da nossa professora Marina Paim Gonçalves, concluímos que o glitter é bastante utilizado em diversos tipos de expressões artísticas, e que nem todos, até mesmo quem tem bastante contato com o glitter convencional, como a Marina, sabem dos malefícios do mesmo e da existência do glitter biodegradável.

Ela também falou sobre a importância do glitter, para ela, “ Por ter um aspecto lúdico e artístico, é um material relevante para a educação artística e para manifestações ligadas a arte e cultura.”

Conclusão

Referências Bibliográficas

Metodologia

Neste trabalho utilizamos métodos de pesquisa as quais são:

-Realizamos pesquisas teóricas sobre como o plástico é feito, o quanto é prejudicial ao meio ambiente, sobre os pontos favoráveis do Glitter Biodegradável e sobre o geral de plásticos, natureza e glitter;

-Entrevistamos nossa professora Marina Paim Gonçalves com perguntas referentes a como o grupo de teatro utiliza o glitter, com qual frequência, importância e entre outras questões referentes ao glitter;

-Realizamos experimentos de produção de um glitter biodegradável a base de clara de ovo e corante naturais.

Procedimentos Experimentais

Para o desenvolvimento do glitter biodegradável foram realizados diversos testes e experimentos.

Inicialmente, adquirimos açafrão da terra como um pigmento em pó, após testamos a argila rosa, um mineral com tom metálico sendo o pó de mica e posteriormente a extração de um pigmento líquido de planta, também violeta genciana, um pigmento extraído da beterraba, sem pigmento, pó de hibisco e pó de açaí. Fizemos testes com estes pigmentos acrescentados a nossa matéria prima, a clara do ovo. (Todas as imagens são de autoria das pesquisadoras).

Figura 8: Reação dos dois tipos de glitter na água, após 3 dias.

Com base em nossos experimentos de avaliação, que foram as análises da reação dos glitters produzidos na água em comparação ao glitter convencional, observamos que as partículas do nosso glitter biodegradável tendem a se desfazer do seu formato original, se degradando cada vez mais e com aspecto mais gelatinoso. Enquanto isso, o glitter convencional se mantém sempre no mesmo formato.

Também observamos o aparecimento de insetos na água que continha o nosso protótipo, o que foi um grande ponto positivo para o nosso experimento pois os insetos são potenciais organismos bioindicadores, o que indica que nosso glitter é realmente biodegradável. (Todas as imagens são de autoria das pesquisadoras).

Figura 7: Reação dos dois tipos de glitter na água, após 8 minutos.

Figura 9: Protótipo que atraiu bioindicador ambiental.

Figura 6: Glitter com pó de Açafrão.

Figura 5: Glitter com pigmento da flor Dália.

Figura 4: Glitters no processo de secagem.

Figura 1: Teste do corante com a flor Dália.

Figura 2: Glitter com violeta genciana.

Figura 3: Glitter com argila rosa.

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Estudo da produção de glitter biodegradável

Escola Estadual de Ensino Médio Elisa Tramontina – 2º ano – Ensino Médio

Bruna Ceratto e Charlene dos Santos; Sandra Seleri (Orientadora); Patricia Amaro Schmitt (Coorientadora)