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Insuficiência Cardíaca

Estêvão Rolim

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PLANO DA AULA · ICC

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Conceito e impacto

O que é IC e por que muda prognóstico

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Classificação e função

Perfil clínico, hemodinâmica e fração de ejeção

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Diagnóstico

Quadro clínico, critérios e exames

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Tratamento

Autocuidado, fármacos, referência e seguimento

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Insuficiência Cardíaca

O que é

Incapacidade do coração de manter a perfusão adequada às necessidades metabólicas dos tecidos ou de fazê-lo à custa de elevadas pressões de enchimento, levando à congestão, à dispneia e à limitação funcional.

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Insuficiência Cardíaca

O que é

Comprometimento estrutural ou funcional do enchimento ou da ejeção

ventricular, com alterações da regulação neuro-hormonal e

caracterizada clinicamente por intolerância ao esforço, retenção de líquido e redução da longevidade.

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Insuficiência Cardíaca

Conceito e Importância Clínica

Síndrome complexa com congestão, dispneia e limitação funcional.

Diagnóstico clínico; estágio final modificável com intervenção precoce.

Alta morbimortalidade: 25% internações por DCV, 1/3 acima de 65 anos.

Prognóstico reservado, similar a neoplasias.

Classificação NYHA: gravidade, conduta e prognóstico.

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Insuficiência Cardíaca

Impacto

• Mais de 23 milhões de pessoas afetadas no mundo.

• Sobrevida em 5 anos: apenas 35%.

• Prevalência cresce com a idade:

• 1% (55–64 anos)

• 17,4% (≥ 85 anos)

• Perfil típico: idosos, etiologia isquêmica e múltiplas comorbidades.

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Insuficiência Cardíaca

Classificações

1. Débito cardíaco: alto ou baixo

2. Fase do ciclo cardíaco acometida: diastólica ou sistólica

3. Câmara cardíaca acometida: ventrículo direito (VD) ou esquerdo (VE)

• IC “não adjetivada”: geralmente refere-se à IC de baixo débito com acometimento do VE

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Insuficiência Cardíaca

Classificações

• IC “não adjetivada”: geralmente refere-se à IC de baixo débito com acometimento do VE

• Classificação mais útil:

• Baseada na fração de ejeção (FE) do VE:

• IC com FE preservada (FEp) → diastólica (50%)

• IC com FE reduzida (FEr) → sistólica

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Fisiopatologia e Disfunções Cardíacas

Débito cardíaco reduzido ou pressão aumentada

Ativação neuro-hormonal: SNS, SRAA, vasopressina

Remodelamento VE: hipertrofia, dilatação, disfunção

Classificações: FEr x FEp, alto x baixo débito, VE x VD

10–20% com fração de ejeção intermediária

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Estadiamento Clínico e Etiologias

Estágios ACC/AHA

  • A: risco, sem lesão estrutural
  • B: lesão estrutural, assintomático
  • C: sintomas atuais ou passados
  • D: refratários, terapia avançada

Etiologias no Brasil

  • Isquêmica, hipertensiva, idiopática
  • Chagas, valvopatia reumática
  • Miocardiopatias diversas

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Fatores Desencadeantes e

Diagnóstico Diferencial

Descompensações comuns

  • Falta de adesão, excesso de sal/líquidos
  • Infecções respiratórias, anemia
  • HAS não controlada, AINEs, drogas

Diagnóstico diferencial

  • DPOC, obesidade, sedentarismo
  • Doenças pulmonares diversas

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Quadro Clínico e Exame Físico

Sintomas

  • Dispneia, ortopneia, DPN
  • Fadiga, tosse seca, noctúria
  • Edema, ganho de peso

Sinais

  • Terceira bulha, ictus desviado
  • Estase jugular, refluxo hepatojugular
  • Taquicardia, crepitantes

Outros

  • Sinais GI: náusea, anorexia
  • Sintomas neuropsiquiátricos

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Diagnóstico: Critérios e Exames

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Critérios de Framingham

2 maiores ou 1 maior + 2 menores

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BNP/NT-proBNP

>400 sugere IC; <100 exclui

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Radiografia de Tórax

Cardiomegalia, congestão, edema, derrame

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ECG e Ecocardiograma

Exclui IC e avalia fração de ejeção

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Outros exames

Cintilografia, espirometria, tireoide, eletrólitos

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CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL

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Tratamento Não Farmacológico e Autocuidado

Exercício físico

20 min, 3x/semana, supervisionado

Dieta

Restrição hídrica e hipossódica

Hábitos

Cessar tabagismo, dieta rica em fibras

Monitoramento

Peso e sinais de alarme

Vacinas e educação

Influenza, pneumococo, uso de medicamentos

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Tratamento Farmacológico na IC com FEr

Diuréticos

Aliviam sintomas, não reduzem mortalidade

IECAs

Reduzem sintomas, hospitalizações e mortalidade

Betabloqueadores

Melhoram FE, qualidade de vida e sobrevida

Início e ajuste

Doses baixas, ajustar conforme tolerância

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  • Tratamento Farmacológico específico na FEr
  • Tratamento para comorbidades na FEp

Espironolactona

Reduz mortalidade em NYHA III-IV

Digitálicos

Reduzem internações, útil na FA

BRAs e Hidralazina + Nitratos

Alternativas para intolerância a IECAs/BRAs

IC com FEp

Tratar comorbidades, evitar sobrecarga, usar espironolactona

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QUANDO REFERENCIAR

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Insuficiência Cardíaca

Quando referenciar

• IC aguda (edema agudo de pulmão).

• IC avançada (estágio D).

• Na vigência de infecções sistêmicas.

• Portadores de patologias congênitas ou adquiridas que demandem correção cirúrgica.

• Arritmias graves ou de início recente.

• Cardiopatia isquêmica sem controle sintomático.

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Insuficiência Cardíaca

Quando referenciar

• Sinais de hipoperfusão.

• Mau controle sintomático, mesmo com o uso de todas as opções terapêuticas acessíveis.

• Instalação rápida em pessoas previamente hígidas.

• Pessoas com menos de 40 anos.

• Dúvidas sobre o diagnóstico.

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ERROS MAIS FREQUENTES

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Insuficiência Cardíaca

Erros mais frequentes

• Deixar de diagnosticar IC pela ausência de sinais e sintomas de congestão

• Afastar a possibilidade de IC por não encontrar sinais e sintomas patognomônicos (não há achado que seja, isoladamente, patognomônico de IC)

• Esperar pelo resultado de exames complementares para fazer o diagnóstico, sem levar em conta que o diagnóstico de IC é eminentemente clínico

• Não classificar o quadro clínico de acordo com os critérios da NYHA

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Insuficiência Cardíaca

Erros mais frequentes

• Não pesar a pessoa, nem aferir sua pressão arterial e FC durante os atendimentos. Lembrar-se de que as variações de peso podem ser muito úteis na avaliação da resposta ao tratamento e nas descompensações

• Não considerar a má adesão ao tratamento farmacológico e não farmacológico como uma das principais causas de descompensação

• Não orientar a pessoa com IC sobre a importância do controle da ingesta de sódio

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Insuficiência Cardíaca

Erros mais frequentes

• Solicitar ecocardiogramas repetidamente em pessoas com IC em boa evolução, sem piora clínica que os justifique

• Manter o tratamento com diuréticos isoladamente, sem associar IECAs e betabloqueadores

• Não buscar as doses-alvo (ou máximas toleradas) de IECAs e betabloqueadores

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Insuficiência Cardíaca

Erros mais frequentes

• Iniciar IECAs em doses muito altas e deixar de usá-los devido à hipotensão

• Deixar de prescrever betabloqueadores pelo temor de que eles piorem a função do miocárdio

• Aumentar muito rapidamente as doses de betabloqueadores

• Suspender abruptamente os betabloqueadores nas descompensações

• Não monitorar a função renal e o potássio sérico de pessoas que usam IECAs, BRAs, diuréticos e digitálicos

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Insuficiência Cardíaca

Erros mais frequentes

• Usar doses muito altas de medicação em idosos

• Não considerar a hipótese de intoxicação digitálica quando surgem sinais e sintomas novos em pessoas que usam digoxina

• Não pensar na possibilidade de infecção respiratória aguda como causa de descompensações, principalmente em idosos

• Usar AINEs em pessoas com IC

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DICAS

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Insuficiência Cardíaca

Dicas

• Não se esqueça de que a IC é apenas um extremo de um longo espectro e de uma história natural que, em sua maior parte, é assintomática e iniciada por fatores de risco amplamente modificáveis (como HAS, tabagismo e dislipidemia).

• Busque o diagnóstico de IC mais pelo conjunto de sinais, sintomas e achados em exames complementares do que pela procura de achados específicos isolados.

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Insuficiência Cardíaca

Dicas

• Determine a causa da IC e maneje-a, se possível, mas não se esqueça de que nem sempre a causa é identificável e que, em casos avançados, várias causas podem estar superpostas.

• Controle e maneje fatores desencadeantes (ver Quadro 164.3).

• Em pessoas congestas, institua diuréticos para que atinjam seu “peso seco” – aquele em que não estejam congestas e em que apresentem débito urinário apropriado.

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Insuficiência Cardíaca

Dicas

• Sempre que possível, determine o tipo de disfunção (sistólica ou diastólica), preferencialmente por ecocardiograma, com medida da FE, uma vez que isso tem implicações terapêuticas.

• Determine a classe funcional da pessoa (NYHA).

• Proponha IECAs a todos e tente aumentá-los até as doses-alvo (ver Tabela 164.1), conforme tolerância. Se não forem tolerados, considere BRAs ou a associação nitratos-hidralazina.

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Insuficiência Cardíaca

Dicas

• Mantenha os diuréticos na dose mínima que controle os sintomas.

• Quando não houver congestão, inicie betabloqueador em pacientes estáveis e aumente-o até as doses-alvo.

• Em pessoas que permaneçam muito sintomáticas mesmo com todas as medicações anteriores, inicie digoxina.

• Na classe funcional III a IV, institua espironolactona.

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Insuficiência Cardíaca

Dicas

• Em todas as situações, estimule adesão ao tratamento, cuidados com a dieta, exercícios, cessação do tabagismo e redução do estresse. Lembre-se de que questões socioeconômicas, culturais e comorbidades, como depressão, podem afetar negativamente a adesão ao tratamento.

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Insuficiência Cardíaca

Dicas

• Monitore o peso a cada consulta, atentando para ganhos rápidos, que podem significar congestão.

• Tente organizar a prescrição de medicamentos no menor número possível de tomadas diárias, facilitando a adesão (p. ex., enalapril, em vez de captopril).

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  • 2020 PACK-Brazil-National-2020-eBook-102 - INSUFICIÊNCIA CARDÍACA
  • 2019 Tratado MFC - GUSSO2019-164 INSUFICIÊNCIA CARDÍACA (FONTE: GUSSO 2019 - TRATADO DE MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE - PRINCÍPIOS, FORMAÇÃO E PRÁTICA - 2a edição)
  • 2018 SBC Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda
  • 2020 MS Diretrizes Brasileiras para Diagnóstico e Tratamento da Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida
  • 2021 SBC Atualização de Tópicos Emergentes da Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca

REFERÊNCIAS

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Insuficiência Cardíaca

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RISCO CARDIOVASCULAR

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  • 2020 PACK-Brazil-National-2020-eBook-102 - INSUFICIÊNCIA CARDÍACA
  • 2019 Tratado MFC - GUSSO2019-164 INSUFICIÊNCIA CARDÍACA (FONTE: GUSSO 2019 - TRATADO DE MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE - PRINCÍPIOS, FORMAÇÃO E PRÁTICA - 2a edição)
  • 2018 SBC Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda
  • 2020 MS Diretrizes Brasileiras para Diagnóstico e Tratamento da Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida
  • 2021 SBC Atualização de Tópicos Emergentes da Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca

REFERÊNCIAS