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Depoimento de Andréia Lopes

Leandro Rocha

(São Caetano do Sul - SP)

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Nome do parente:

Andréia Lopes Leandro Rocha.

 

Grau de parentesco:

Filha do senhor Luiz Gonzaga.

 

Onde ele(a) trabalhou com amianto e por quanto tempo?

Brasilit, 9 anos 3 meses: de 14/03/1972 a 18/06/1981.

Primeiros sintomas, quando e quais foram as providências adotadas para se chegar ao diagnóstico?

Dores no tórax. Eu Andréia fiz pesquisas online e descobri que existia um atendimento especializado no INCOR – a equipe do excelente médico pneumologista Dr. Ubiritan de Paula Santos para vítimas/trabalhadores expostos ao amianto no INCOR SP.

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Como foi feito o diagnóstico da doença? Foi demorado fazer o diagnóstico? Quais doenças ou hipóteses foram mencionadas pelos médicos? Perguntaram se trabalhou com o amianto?

O diagnóstico foi através de exames de imagem, raio X, tomografia, biópsia pulmonar e PET SCAN, onde constatou o Mesotelioma pleural pulmonar.

Foi afirmado pelo médico que a doença tinha relação com o amianto?

Sim.

O que seu familiar sabia sobre o amianto até então?

Não tinha conhecimento.

Durante os anos de trabalho recebeu alguma informação sobre os riscos, sobre as doenças?

Nunca, não havia qualquer método de segurança: máscaras de proteção, luvas etc...

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O que eles disseram sobre as condições de trabalho? EPIs? Uniformes? Se tomavam banho na empresa? Se levavam roupas para lavar em casa? Se faziam exames médicos e eram informados sobre os resultados? Poeira no ambiente? Limpeza? O que faziam com os resíduos?

Os uniformes eram levados para casa, higienizados nas residências dos trabalhadores. Os trabalhadores não tinham conhecimento do perigo a que estavam expostos.

Como tiveram contato com a ABREA?

O contato com a ABREA foi através do Dr. Ubiratan, que nos passou o contato da Fernanda Giannasi, a quem temos gratidão eterna e admiração enorme pelo trabalho que ela desenvolve há muitos anos.

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Como foi o tratamento?

O tratamento foi muito doloroso. Diversos exames invasivos feitos no INCOR e ICESP – Instituto do Câncer de SP, medicações constantes, internações, cirurgia, perícia médica, quimioterapia.

Descrever o sofrimento dele(a) até a morte:

Ele sentia dores constantes, tomava muitos medicamentos para amenizar a dor, remédios que traziam muitos efeitos colaterais: náuseas, tonturas, indisposição, transtornos alimentares, má funcionamento do intestino, perda severa de peso.

Na perícia médica foi comprovado pelo perito os danos irreversíveis causados pela exposição absurda ao amianto na saúde do meu pai.

Meu pai era uma pessoa muito forte, nunca fumou e nunca fez uso de bebidas alcoólicas, alimentação saudável, trabalhou até quando foi possível.

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Falar sobre se houve algum processo de indenização e em que fase ele está:

Sim, houve um processo de indenização, que foi demorado. Sabemos como nossa justiça pode ser lenta, infelizmente. E a empresa sempre dificultou qualquer possibilidade de negociação de mínimo reparo a todo dano causado, físico e psicológico. Ofereceu apenas um plano de saúde que isentaria a empresa de qualquer responsabilidade pelo estado de saúde do meu pai, com médicos não confiáveis. Nas primeiras consultas estávamos com resultados de exames realizados pelo INCOR onde mostravam alterações pulmonares. Nestes mesmos exames feitos pelos médicos vinculados a Brasilit/Saint Gobain não existiam essas anormalidades e, questionados, eles imediatamente ficaram desconcertados e se “dispuseram” a realizar novos exames.

Diante disso, não tínhamos a menor confiança e optamos pelo tratamento do INCOR, com o apoio da Fernanda, onde meu pai foi muito bem tratado, assim como todos os antigos trabalhadores que lá eram tratados.

Diante da gravidade da situação, meu pai infelizmente não poderia mais aguardar, entramos em contato com nossa advogada Dra. Érica. Ela fez o contato com os advogados da Saint Gobain e assim foi feita a negociação com um valor reduzido do acordo que seria em juízo.