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TÁTICAS E ESTRATÉGIAS DE DOUTRINAÇÃO DAS CRIANÇAS EM UM GRUPO DE ESTUDOS BÍBLICOS PENTECOSTAL

Doutoranda: Eneusa Barbosa Pinto

Orientador: Eduardo Arriada

Coorientadora: Gabriela Medeiros Nogueira

Universidade Federal de Pelotas - UFPEL

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XII SEMINÁRIO EDUCAÇÃO INFANTIL EM DEBATE E

PEDAGOGIAS DA INFÂNCIA:

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Considerações Iniciais:

Pesquisa com crianças

Tema central: As táticas de resistência das crianças pelas suas culturas em um Grupo de Estudos Bíblicos Pentecostal

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Questão de pesquisa:

Quais são as estrategias de doutrinação pentecostal produzidas e utilizadas na Igreja Filadélfia Pentecostal para evangelização de crianças na Agropecuária Canoa Mirim?

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Objetivo geral:

Analisar de que modos as crianças participantes do Grupo de Estudos Bíblicos Pentecostal, criam táticas de resistência pelas suas culturas frente às práticas de doutrinação

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Objetivos específicos:

1- Elencar os elementos que constituem as estratégias de doutrinação pentecostal voltadas para as crianças mais especificamente as que moram na Agropecuária Canoa Mirim.

2 – Compreender as estratégias utilizadas pela Igreja para aproximar as crianças bem como o papel que elas exercem na igreja;

3-Visibilizar de que modo as relações de poder vão se constituindo nas estratégias de doutrinação pentecostal realizadas na evangelização das crianças

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Metodologia

Etnografia (Ameigeiras, 2007; Ghasarian, 2008, Marchi, 1994) e a Análise Documental (Cellard, 2008; Bacellar, 2005).

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Resultados

Os dados iniciais da pesquisa mostram que as interações realizadas pelas crianças no grupo de estudos bíblicos pentecostal visam a doutrinação de seus comportamentos, porém em determinadas ocasiões é possível identificar táticas de resistência. Exemplo disso é o excerto do diário de campo no dia 23/11/2023:

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Hoje no culto o grupo das crianças foi chamado para apresentar um louvor e B.(7 anos) apareceu usando calças. A evangelizadora chegou perto dela, abraçou e disse que para louvar no altar, era necessário usar saia ou vestido. A menina respondeu: O pastor falou no culto que roupa não leva pro céu, eu já orei, fui obediente com meus pais, fiz tudo certinho, então, Jesus vai receber com alegria meu louvor e nem vai dar bola por eu estar de calça.

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A fala da menina mostra táticas de resistências às proibições e restrições que são pregadas no grupo pentecostal. A restrição ao uso de calças pelas meninas no altar é insistentemente abordada pela evangelizadora durante os encontros e a desobediência gera repreensão e castigo. Contudo, ela encontra táticas para resolver esse problema, justificando o uso de calças pela pregação do pastor, que na sua perspectiva, resolveria a circunstância. A situação descrita vai ao encontro das palavras de Corsaro (2009, p. 34) quando afirma que as crianças “[...] elaboram e enriquecem continuamente os modelos adultos para atenderem a seus próprios interesses”.

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Em outro momento, um menino manifesta a vontade de passear e fazer um lanche em uma avenida da cidade, o diálogo entre ele e a evangelizadora foi descrito no diário de campo do dia 05/02/2024:

B. (7 anos): Profe, bem que poderíamos ir passear nesta avenida à tardinha, sentar e comer um lanche. Evangelizadora: De forma alguma! Esse local é do mundo, a noite só se vê pessoas fumando, bebendo e se drogando, não é um lugar para cristão frequentar. B: Mas profe, na Bíblia diz que precisamos ser luz no mundo e onde a gente for o Espírito Santo vai com a gente, então se formos passear aqui, podemos estar fazendo o bem para essas pessoas trazendo a luz e o Espírito Santo.

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Analisando a argumentação do menino, identifica-se conforme Corsaro (2009) o que o autor denominou ‘reprodução interpretativa’, esse conceito comporta as apropriações que as crianças fazem de informações do mundo adulto, com o intuito de validar suas atitudes e discursos. Ainda, é importante destacar o aporte teórico de Certeau (2000, 2014) para analisar a apropriação das práticas de doutrinação pentecostais pelas crianças e as táticas que foram utilizadas por elas, para resistir a estratégias empregadas pela evangelizadora, em um processo de “[…] traçar o próprio caminho de resistência do sistema social com operações quase invisíveis e quase inomináveis” (Certeau, 2000, p. 339)

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Considerações finais

Analisando o trabalho de evangelização no grupo religioso, percebe-se que as crianças reinventam novas formas de viver as estratégias de doutrinação presentes neste contexto e dessa forma, desenvolvem táticas que passam geralmente despercebidas, assim é uma resistência sutil. Ressignificando o que é falado, lido e pregado, elas reconstroem suas experiências religiosas em um processo entre táticas construídas e estratégias ordenadas. Esses mecanismos compõem o campo de resistência. Nessa perspectiva, é importante considerar que as crianças têm plena capacidade de transformar e produzir sua própria cultura a partir das interações

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Referências

ALMEIGEIRAS, A. R. El abordaje etnográfico em lainvestigación social. In: GIALDINO, Irene Vasilachis (Org.). Estratégias de investigação cualitativa. Buenos Aires: Gedisa, 2007.

CERTEAU, Michel de. A escrita da história. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000.

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. Artes de fazer. (22ª ed.). Petrópolis, RJ: Vozes. 2014.

CORSARO, W. Reprodução interpretativa e cultura de pares. In: MULLER, F. E CARVALHO, Maria A. C. (Orgs.). Teoria e prática na pesquisa com crianças: diálogos com William Corsaro. São Paulo: Cortez, 2009.

GHASARIAN, Chistian. De laetnografía a laantropología reflexiva: nuevos campos, nuevasprácticas, nuevasapuestas [et.al.]; dirigido por Adolfo Colombres.-1ª.ed.- Buenos Aires: Del Sol, 2008.

GRAUE, Elizabeh e WALSH, Daniel. Investigação etnográfica com crianças: teorias, métodos e ética. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2003.

SEVERINO, Antonio Joaquim. Pesquisa educacional: Da consistência epistemológica ao compromisso ético. – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 14, n. 3, p. 900-916, jul./set., 2019. E-ISSN: 1982-5587. DOI: 10.21723/riaee.v14i3.1244

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Obrigada!