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Iluminismo

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)

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Iluminismo

🡺 Figura ímpar dentro do Iluminismo, por posturas que contrariam tanto o espírito capitalista de propriedade quanto o programa de exaltação da Razão que o movimento instaurou.

🡺 Considerado o pai do Romantismo, com a teoria do bom selvagem.

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Iluminismo

🡺 Afirmam a seu respeito que “teria sido a cabeça da Revolução Francesa, da qual Robespierre seria apenas a mão executora”.

🡺 Sempre em tensão com o mundo em razão de sua pobreza.

🡺 Pai de cinco filhos, perde-os para a custódia do Estado.

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Iluminismo

🡺 Em sua obra Confissões, faz questão de relatar suas experiências bem como os vícios.

🡺 Obras

  • O contrato social
  • Discurso sobre a origem e os fundamentos desigualdade entre os homens

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Iluminismo

  • Ensaio sobre a origem das línguas
  • Discurso sobre as ciências e as artes
  • O Emílio
  • A nova Heloísa
  • Devaneios do caminhante solitário
  • Confissões

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Iluminismo

🡺 Desigualdade: é fruto da propriedade. Os bens são comuns a todos os homens. Segundo Rousseau, o pecado original do homem foi a descoberta, a idéia original da propriedade.

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Iluminismo

HOMEM ≠ ANIMAL

HUMANIZAÇÃO ≠ ANIMALIZAÇÃO

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Iluminismo

  • LIBERDADE: margem de manobra em relação à natureza.
  • PEFECTIBILIDADE: capacidade de se aperfeiçoar ao longo da vida.

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Iluminismo

🡺 Contrato social:

  • passagem do estado natural (instintos) para o estado social (deveres).
  • Pacto de todos entre si e não com Deus ou governante.

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Iluminismo

  • Renúncia dos interesses privados em vista do bem comum estampado na vontade geral.
  • Defende uma socialização radical com redução do indivíduo à sociedade, mediante o consentimento do próprio indivíduo.

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Iluminismo

  • 🡺 Educação:
  • Necessidade de educar os instintos para a obediência à razão.
  • Educação, porém, feita em conformidade com a Natureza, a perfeita pedagoga.

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Iluminismo

  • Itinerário pedagógico:

exercício inteligente dos sentidos (até 12 anos);

educação intelectual (dos 12 aos 15 anos);

dimensão moral, amor ao próximo (dos 15 aos 22 anos).

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Iluminismo

🡺 O homem no estado natural:

  • Mito do bom selvagem: homem bom por natureza (íntegro, saudável e moralmente reto).
  • A sociedade corrompe o homem. A cultura (letras, artes, ciências) corrompem o homem por lhe atribuir um comportamento arrogante e soberbo.

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Iluminismo

  • O ataque à Ciência e Razão iluministas de Rousseau é paralela ao ataque que os iluministas fazem à Fé.
  • Instinto sem razão leva ao caos social, mas razão sem paixão é coisa estéril e acadêmica.
  • A Salvação do homem estaria na volta à Natureza.

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Do Contrato Social

  • Objetivo de Rousseau:

“Quero indagar se pode existir, na ordem civil, alguma regra de administração legítima e segura, tomando os homens como são e as leis como podem ser.” (p.27).

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Do Contrato Social

  • O direito e o interesse 🡪 justiça e utilidade.
  • O autor: um não-político escrevendo sobre política.
  • Cidadania para Rousseau: VOTO.

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Do contrato social

OBJETIVO do 1º LIVRO

  • Situação do homem:

“O homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se a ferros. O que crê senhor dos demais, não deixa de ser mais escravo do que eles.” (p.28).

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Do contrato social

  • Por que o homem não continua livre, se nasce assim?
  • Rousseau ignora a causa da falta de liberdade, mas propõe pensar sobre sua legitimação.
  • A FORÇA: meio pouco convincente.

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Do contrato social

  • Quem se submete pela força, o faz até quando pode contorná-la.
  • A ordem social não é direito natural, é convenção.
  • Quais convenções são as que estipulam a ordem social?

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Do contrato social

DAS PRIMEIRAS SOCIEDADES

  • 1ª sociedade 🡪 FAMÍLIA.
  • Elo movido pela necessidade de conservação.
  • Obediência e cuidados que cessam quando a conservação não é mais necessária.

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Do contrato social

  • Finda a necessidade que motivou o elo, a família só se mantém unida pela convenção.
  • Liberdade natural 🡪 senhorio de si.
  • Família 🡪 primeiro modelo de sociedade política.

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Do contrato social

FAMÍLIA

  • Chefe 🡪 pai
  • Povo 🡪 filhos
  • Iguais e livres, só alienam a liberdade em proveito próprio.

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Ensaio sobre o governo civil

O pai de família e o chefe de Estado:

  • O amor dos filhos é recompensado pelo cuidado.
  • O amor dos súditos é danado pelo prazer de mandar.

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Ensaio sobre o governo civil

GROTIUS

Nem todo poder humano existe em favor dos governados.

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Do contrato social

  • Exemplo: a escravidão.
  • O direito pelo fato 🡪 o raciocínio de Grotius 🡪 favorável aos tiranos.
  • O gênero humano pertence a cem homens ou cem homens pertencem ao gênero humano?
  • Grotius = Hobbes.

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Ensaio sobre o governo civil

  • Rebanho: “Vemos assim, a espécie humana dividida como manadas de gado, tendo cada uma seu chefe, que a guarda para devorá-la.” (p.30).
  • A noção de que o governante tem natureza superior a dos governados 🡪 Calígula, Hobbes e Grotius.

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Ensaio sobre o governo civil

  • Reis (deuses) e povo (animais).
  • Aristóteles 🡪 a escravidão e a servidão natural.
  • Dominação e escravidão.
  • Aristóteles: o efeito pela causa.

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Do contrato social

  • Ironia de Rousseau: “Todo homem nascido da escravidão, nasce para ela; nada mais certo. Os escravos tudo perdem sob seus grilhões, até o desejo de escapar deles; amam o cativeiro como os companheiros de Ulisses amavam o embrutecimento.” (p.31).

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Do contrato social

  • Posicionamento de Rousseau: “Se há, pois, escravos pela natureza, é porque houve escravos contra a natureza. A força fez os primeiros escravos, sua covardia os perpetuou.” (p.31).

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Do contrato social

  • Descender de Adão e Noé 🡪 igualdade original.
  • Ironia: “Quem sabe se não chegaria, depois da verificação dos títulos, à conclusão de ser eu o legítimo rei do gênero humano?” (p.31).

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Do contrato social

DO DIREITO DO MAIS FORTE

  • A força em direito e a obediência em dever 🡪 garantia do mais forte continuar sendo senhor.
  • A força é um poder físico.
  • Dela não se origina poder moralmente válido.

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Do contrato social

  • Ceder à força é necessidade e não ato de vontade.
  • Ato também de prudência.
  • Como a força pode representar um dever?
  • Inexplicável galimatias.

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Do contrato social

  • A força como legitimidade é incoerente 🡪 porque os que tiverem força para desobedecer com impunidade inaugurarão a força substituta.
  • Se o mais forte tem a razão, basta conseguir ser forte para ser legítimo.
  • Questão: “Que direito será esse que perece quando cessa a força?” (p.32).

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Do contrato social

  • Direito e força se excluem.
  • Se a força é preceito, este jamais será violado. (cf. Foucault).
  • Princípio: “a força não faz o direito e que só se é obrigado a obedecer aos poderes legítimos.” (p.32).

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Do contrato social

DA ESCRAVIDÃO

  • Não há autoridade natural, apenas a convencional.
  • A convenção confere legitimidade.
  • A alienação da liberdade.

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Do contrato social

  • Postulado de Grotius: “Se um particular pode alienar sua liberdade e tornar-se escravo de um senhor, por que não o poderia fazer todo um povo e tornar-se súdito de um rei?” (p.32).

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Do contrato social

  • Equívocos:
  • Alienar = dar ou vender.
  • Um homem não se dá.
  • Vende-se apenas por subsistência.
  • Um povo inteiro não o faria.

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Do contrato social

  • Rabelais: “Um rei não vive com pouco.” (p.32).
  • Entregar-se ao rei e entregar também todos os bens?
  • A segurança oferecida pelo despotismo 🡪 “Que ganham com isso, se mesmo essa tranqüilidade é uma de suas misérias?” (p.33).

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Do contrato social

  • Absurdo 🡪 o homem se dar gratuitamente.
  • A escravidão é ilegítima.
  • Ninguém se dá a ela com plena consciência.
  • Um povo se entregar por inteiro é um povo de loucos.

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Do contrato social

  • “Loucura não cria direito.”
  • Um pai não pode alienar seus filhos.
  • A natureza faz todos livres. A escravidão é contra a natureza.
  • O governo arbitrário é também incoerente se quer legitimidade.

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Do contrato social

  • Liberdade 🡪 condição de humanidade:

Renunciar à liberdade é renunciar à qualidade de homem, aos direitos da humanidade, e até aos próprios deveres.” (p.33).

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Do contrato social

  • Falta de liberdade = ausência de moralidade.
  • Guerra 🡪 o outro pretenso direito à escravidão. (Grotius)
  • O vencido que não tem direito à vida sai no lucro perdendo só a liberdade.

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Do contrato social

  • Contra Hobbes 🡪 “Os homens em absoluto não são naturalmente inimigos.” (p.34).
  • Guerra 🡪 relação entre coisas e não entre homens.
  • Guerra é uma relação de Estado para Estado e não de particulares contra particulares.

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Do contrato social

  • O Estado tem como inimigos outros Estados e não os cidadãos 🡪 portanto, a escravidão não se respalda pela guerra.
  • O respeito pelos prisioneiros de guerra.

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Do contrato social

  • O direito à escravidão por guerra não tem fundamento senão a lei do mais forte.
  • Ao escravizar pela força, o vencedor perpetua a guerra.
  • Direito nulo: “As palavras escravidão e direito são contraditórias, excluem-se mutuamente.” (p.35).

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Do contrato social

  • Absurdo irônico: “Estabeleço contigo uma convenção ficando tudo a teu cargo e tudo em meu proveito, convenção essa a que obedecerei enquanto me aprouver e que tu observarás enquanto for do meu agrado.” (p.35-36).

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Do contrato social

REMONTAR A UMA CONVENÇÃO ANTERIOR

  • Subjugar X Reger.
  • Senhor e seus escravos.
  • Um povo e seu chefe.
  • O déspota que subjuga será sempre um poder privado.

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Do contrato social

  • Contra Grotius 🡪 o povo é sempre a priori.
  • A unanimidade = sufrágio universal.
  • Minoria e maioria.

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Do contrato social

DO PACTO SOCIAL

  • Os homens se congregam por necessidade de vencer a fragilidade no âmbito individual.
  • Sociedade 🡪 soma de forças individuais.
  • Soma que surge do concurso de muitos.

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Do contrato social

  • Especificidade do Contrato Social: encontrar uma forma de congregação onde todos se sintam protegidos sem perder a autonomia anterior.
  • O ideal do pacto: “Cada um dando-se a todos não se dá a ninguém e (...) ganha-se o equivalente a tudo que se perde (...).” (p.38-39).

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Do contrato social

  • Princípio geral: colocar-se à maioria.
  • Maioria = corpo moral coletivo 🡪 tantos membros como quantos são os votos.
  • Nomes: cidades, república, corpo político, Estado, soberano, potência.
  • Associados: cidadãos e súditos.

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Do contrato social

DO SOBERANO

  • Corpo político da maioria não pode ser violado.
  • O interesse da maioria.
  • Todo governo é público se baseado neste princípio.
  • O contrato é com a maioria.

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Do contrato social

DO ESTADO CIVIL

  • Deste Estado emana a Moral.
  • Perdas 🡪 liberdade natural e o direito ilimitado a tudo quanto queira.
  • Ganhos 🡪 liberdade civil e a propriedade protegida.

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Do contrato social

  • Liberdade natural X Liberdade civil
  • Na força de cada indivíduo.
  • Na força da maioria.
  • Heteronomia e autonomia:
  • Impulso do puro apetite leva à heteronomia.
  • Obediência à lei da maioria leva à autonomia.

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Do contrato social

DO DOMÍNIO REAL

  • A propriedade e seu dono.
  • O 1º ocupante.
  • Condições:
  • Terreno inabitado.
  • Ocupar-se do que precisa.
  • Posse pelo trabalho e cultivo.

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Do contrato social

  • Questões sobre a propriedade:
  • Limites de propriedade? Até onde ser dono?
  • Tomar de assalto uma terra?

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Do contrato social

FUNDAMENTO

O pacto fundamental, em lugar de destruir a igualdade natural, pelo contrário substitui por uma igualdade moral e legítima aquilo que a natureza poderia trazer de desigualdade física entre os homens, que, podendo ser desiguais na força ou no gênio, todos se tornam iguais por convenção e direito.” (p.45).