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Impactos Econômicos da Violência Contra a Mulher

Outubro de 2021

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1. Apresentação

2. Participação Feminina no Mercado de Trabalho

3. Violência Contra a Mulher – 2019

4. Impactos Econômicos e Construção de Cenários

5. Resultados

6. Conclusões

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1. Apresentação

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Apresentação

¹ Carvalho e Oliveira (2016) e Rios-Avila e Canavire-Bacarreza (2017).

Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais – FIEMG.

Nos últimos 70 anos, a participação da mulher no mercado de trabalho aumentou significativamente: passou de 13%, em 1950, para 45% em 2019. A mão de obra feminina está alocada nos diversos setores da economia, com destaque para “educação e saúde” e “serviços domésticos”. Além disso, as mulheres possuem um grau de escolaridade maior, representando, em 2019, cerca de 59,2% das pessoas com ensino superior completo.

Entretanto, diversos estudos¹ têm mostrado os efeitos nocivos da violência contra a mulher – especialmente a doméstica – no aumento do absenteísmo e na queda da produtividade, o que tem forte impacto na dinâmica produtiva do país.

A violência contra a mulher envolve aspectos físicos, morais e emocionais, tornando difícil a mensuração de todos os seus impactos negativos na sociedade. Sendo assim, o objetivo deste estudo é verificar, do ponto de vista estritamente econômico, os custos decorrentes da violência contra a mulher. Para tanto, foi utilizado um modelo de Equilíbrio Geral Computável calibrado para a economia brasileira. Em linhas gerais, os resultados das simulações mostraram que, em 10 anos, a violência contra a mulher tem potencial de reduzir o PIB brasileiro em R$ 214, 4 bilhões e de gerar perdas de quase 2 milhões de empregos.

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2. Participação Feminina no Mercado de Trabalho

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População

Ensino Superior Completo

Força de Trabalho

Valores Absolutos (2019)

108,4 milhões

14,7 milhões

47,9 milhões

No Brasil, a participação da mulher no mercado de trabalho foi de 45,4% em 2019.

Participação Feminina no Mercado de Trabalho

Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais - FIEMG

51,1%

45,4%

59,2%

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Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais - FIEMG

A parcela de mulheres inseridas no mercado de trabalho brasileiro mostrou significativo avanço, passando de 13%, em 1950, para 45% em 2019.

Participação Feminina no Mercado de Trabalho

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Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais - FIEMG

Participação Feminina no Mercado de Trabalho

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Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2019). Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais - FIEMG

Setores

Brasil

Minas Gerais

Masculino

Feminino

Masculino

Feminino

Agropecuária

12,5%

4,1%

17,2%

4,6%

Indústria geral

14,8%

10,0%

15,7%

11,1%

Construção

12,2%

0,6%

13,4%

0,6%

Comércio

19,3%

18,8%

18,2%

17,8%

Transporte, armazenagem e correio

8,3%

1,3%

7,9%

1,5%

Alojamento e alimentação

4,7%

7,5%

4,4%

7,6%

Serviços de informação e comunicação

11,9%

11,0%

9,4%

9,6%

Adm. pública

5,9%

5,0%

4,7%

4,0%

Educação e saúde

5,4%

20,9%

4,3%

20,1%

Outros serviços

4,1%

6,9%

3,6%

7,6%

Serviços domésticos

0,9%

14,0%

1,2%

15,5%

Total

100%

100%

100%

100%

Setores

Brasil

Total

Minas Gerais

Total

Masculino

Feminino

Masculino

Feminino

Agropecuária

79,7%

20,3%

100%

82,4%

17,6%

100%

Indústria geral

65,4%

34,6%

100%

64,0%

36,0%

100%

Construção

96,4%

3,6%

100%

96,7%

3,3%

100%

Comércio

56,7%

43,3%

100%

56,2%

43,8%

100%

Transporte, armazenagem e correio

88,8%

11,2%

100%

87,3%

12,7%

100%

Alojamento e alimentação

44,5%

55,5%

100%

42,2%

57,8%

100%

Serviços de informação e comunicação

58,0%

42,0%

100%

55,2%

44,8%

100%

Adm. pública

60,3%

39,7%

100%

60,1%

39,9%

100%

Educação e saúde

25,0%

75,0%

100%

21,4%

78,6%

100%

Outros serviços

42,9%

57,1%

100%

37,4%

62,6%

100%

Serviços domésticos

7,7%

92,3%

100%

8,5%

91,5%

100%

Distribuição da população ocupada por setor e sexo

No Brasil, as mulheres estão alocadas, principalmente, nos setores de educação e saúde (20,9%), de comércio (18,8%) e de serviços domésticos (14%).

Os homens estão alocados, principalmente, no comércio (19,3%), na indústria geral (14,8%) e na agropecuária (12,5%) .

Participação setorial da população ocupada por sexo

No Brasil, as mulheres estão mais alocadas, em maior proporção, nos setores de serviços domésticos (92,3%), de educação e saúde (75%) e de outros serviços (57,1%).

Os homens estão mais alocados, em maior proporção, nos setores de construção (96,4%), de transporte (88,8%) e na agropecuária (79,7%).

Participação Feminina no Mercado de Trabalho

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3. Violência Contra a Mulher - 2019

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Fonte: VIVA Contínuo (Datasus). Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais - FIEMG.

Violência Contra a Mulher - 2019

O Brasil registrou cerca de 184.358 agressões contra a mulher, o equivalente a 505 agressões por dia.

Os estados de Mato Grosso do Sul e do Paraná possuem as maiores taxas de agressão contra a mulher por 100 mil habitantes: 170 e 153, respectivamente.

Minas Gerais registrou 24.175 agressões contra a mulher, o equivalente a uma taxa de 114 agressões por 100 mil habitantes (a sétima maior do Brasil).

Agressões por 100 mil habitantes

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Física

Psicológica

Sexual

20,4%

5,6%

47,7%

8,2%

3,7%

6,6%

8,0%

Menor de 16 anos

Física

Psicológica

Sexual

53,4%

9,2%

5,7%

0,9%

1,4%

3,0%

26,3%

16 a 59 anos

Física

Psicológica

Sexual

47,0%

21,8%

2,3%

0,4%

0,9%

1,6%

26,0%

60 anos ou mais

Nota: Foram consideradas as agressões “física”, “psicológica” e “sexual”. As demais agressões totalizam cerca de 1% e estão relacionadas à violência interpessoal.

Fonte: VIVA Contínuo (Datasus). Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais - FIEMG.

Violência Contra a Mulher - 2019

Brasil

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Física

Psicológica

Sexual

24,5%

5,5%

35,4%

8,2%

5,4%

9,0%

12,0%

Menor de 16 anos

Física

Psicológica

Sexual

52,3%

7,4%

2,7%

0,8%

1,3%

2,7%

32,8%

16 a 59 anos

Física

Psicológica

Sexual

42,1%

19,9%

1,3%

0,2%

0,7%

1,5%

34,3%

60 anos ou mais

Nota: Foram consideradas as agressões “física”, “psicológica” e “sexual”. As demais agressões totalizam cerca de 0,8%.

Fonte: VIVA Contínuo (Datasus). Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais - FIEMG.

Violência Contra a Mulher - 2019

Minas Gerais

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Brasil

Minas Gerais

Idade da vítima

Agressões

Agressões repetidas

Agressor

Número de ocorrências

%

Primeira vez

Segunda vez ou mais

Masculino

Feminino

Menor de 16 anos

46.497

25,2%

51,2%

48,8%

71,1%

28,9%

16 a 19 anos

16.386

8,9%

54,9%

45,1%

79,9%

20,1%

20 a 29 anos

42.633

23,1%

48,8%

51,2%

87,0%

13,0%

30 a 39 anos

36.601

19,9%

42,9%

57,1%

87,9%

12,1%

40 a 49 anos

21.692

11,8%

40,9%

59,1%

87,1%

12,9%

50 a 59 anos

9.965

5,4%

41,3%

58,7%

83,3%

16,7%

60 a 69 anos

5.180

2,8%

39,6%

60,4%

76,5%

23,5%

70 anos ou mais

5.404

2,9%

36,7%

63,3%

65,9%

34,1%

Total

184.358

100%

-

-

-

-

Idade da Vítima

Agressões

Agressões repetidas

Agressor

Número de ocorrências

%

Primeira vez

Segunda vez ou mais

Masculino

Feminino

Menor de 16 anos

3.903

16,1%

54,1%

45,9%

75,8%

24,2%

16 a 19 anos

2.197

9,1%

60,1%

39,9%

74,7%

25,3%

20 a 29 anos

6.053

25,0%

55,1%

44,9%

82,8%

17,2%

30 a 39 anos

5.531

22,9%

51,0%

49,0%

83,9%

16,1%

40 a 49 anos

3.458

14,3%

48,0%

52,0%

83,8%

16,2%

50 a 59 anos

1.518

6,3%

50,6%

49,4%

80,6%

19,4%

60 a 69 anos

787

3,3%

44,2%

55,8%

75,5%

24,5%

70 anos ou mais

728

3,0%

34,8%

65,2%

72,0%

28,0%

Total

24.175

100%

-

-

 

 

Cerca de 180 mil ocorrências de violência contra a mulher foram registradas em 2019. Mais da metade das ocorrências foram reincidências.

Fonte: VIVA Contínuo (Datasus). Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais - FIEMG.

Violência Contra a Mulher - 2019

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Brasil

Minas Gerais

Idade da vítima

Raça/Cor

Situação conjugal

Branca

Preta

Parda

Amarela/Indígena

Solteira

Casada

Viúva

Separada

Menor de 16 anos

41,5%

8,0%

48,6%

1,9%

92,9%

6,9%

0,0%

0,2%

16 a 19 anos

40,2%

9,9%

48,3%

1,6%

80,2%

18,1%

0,1%

1,7%

20 a 29 anos

40,4%

11,1%

46,9%

1,7%

55,3%

38,2%

0,2%

6,4%

30 a 39 anos

41,1%

11,3%

46,1%

1,5%

37,6%

51,3%

0,6%

10,5%

40 a 49 anos

43,2%

10,8%

44,6%

1,4%

30,3%

54,4%

1,9%

13,5%

50 a 59 anos

47,7%

10,7%

40,1%

1,5%

23,1%

53,0%

6,6%

17,3%

60 a 69 anos

51,3%

9,9%

37,8%

1,0%

16,9%

46,5%

21,9%

14,7%

70 anos ou mais

52,5%

7,2%

38,8%

1,5%

13,6%

27,7%

52,7%

6,0%

Idade da vítima

Raça/Cor

Situação conjugal

Branca

Preta

Parda

Amarela/Indígena

Solteira

Casada

Viúva

Separada

Menor de 16 anos

30,9%

11,4%

56,3%

1,3%

96,9%

3,0%

0,0%

0,1%

16 a 19 anos

33,7%

13,2%

52,3%

0,8%

79,4%

19,1%

0,1%

1,4%

20 a 29 anos

32,7%

13,0%

53,2%

1,1%

53,8%

40,4%

0,1%

5,7%

30 a 39 anos

33,7%

13,3%

52,2%

0,9%

32,5%

56,2%

0,9%

10,5%

40 a 49 anos

35,1%

13,4%

50,4%

1,0%

26,6%

59,9%

1,8%

11,7%

50 a 59 anos

38,6%

13,1%

47,3%

1,0%

21,6%

55,5%

6,2%

16,7%

60 a 69 anos

42,5%

13,1%

43,4%

0,9%

12,6%

50,8%

25,9%

10,7%

70 anos ou mais

50,8%

8,9%

39,9%

0,4%

13,7%

30,5%

51,1%

4,7%

A violência atinge mulheres de todas as raças. Contudo, as negras e as pardas sofrem proporcionalmente mais violência.

Fonte: VIVA Contínuo (Datasus). Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais - FIEMG.

Violência Contra a Mulher - 2019

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Brasil

Minas Gerais

Idade da vítima

Agressor conhecido

Relação com o agressor

Sim

Não

Cônjuge

Ex-cônjuge

Namorado

Ex-namorado

Outros (parentes ou amigos)

Menor de 16 anos

93,2%

6,8%

2,3%

0,4%

5,7%

0,9%

90,6%

16 a 19 anos

83,4%

16,6%

18,3%

7,2%

10,5%

6,9%

57,2%

20 a 29 anos

86,6%

13,4%

37,7%

18,0%

7,3%

5,9%

31,1%

30 a 39 anos

89,8%

10,2%

45,1%

19,0%

5,4%

3,7%

26,8%

40 a 49 anos

90,6%

9,4%

44,3%

15,6%

4,4%

2,9%

32,8%

50 a 59 anos

90,5%

9,5%

37,0%

11,0%

3,2%

1,9%

47,0%

60 a 69 anos

92,4%

7,6%

24,6%

5,4%

1,2%

0,9%

68,0%

70 anos ou mais

95,3%

4,7%

9,7%

1,2%

0,3%

0,2%

88,5%

Cerca de 90% das agressões vêm de pessoas conhecidas. A violência de familiares é mais recorrente nas populações abaixo de 16 anos e acima de 70 anos, enquanto as agressões por parceiros e ex-parceiros atingem mais a população adulta.

Idade da vítima

Agressor conhecido

Relação com o agressor

Sim

Não

Cônjuge

Ex-cônjuge

Namorado

Ex-namorado

Outros (parentes ou amigos)

Menor de 16 anos

91,2%

8,8%

1,4%

0,5%

4,6%

0,7%

92,8%

16 a 19 anos

86,0%

14,0%

17,0%

5,3%

12,2%

7,6%

57,9%

20 a 29 anos

87,9%

12,1%

37,4%

12,2%

9,4%

7,1%

33,9%

30 a 39 anos

91,1%

8,9%

45,4%

14,4%

6,4%

3,9%

29,9%

40 a 49 anos

91,1%

8,9%

46,0%

10,7%

5,4%

2,7%

35,1%

50 a 59 anos

90,2%

9,8%

35,6%

8,3%

4,1%

2,3%

49,7%

60 a 69 anos

93,8%

6,2%

22,5%

3,4%

2,5%

0,7%

70,8%

70 anos ou mais

94,6%

5,4%

10,5%

1,4%

0,8%

0,2%

87,2%

Fonte: VIVA Contínuo (Datasus). Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais - FIEMG.

Violência Contra a Mulher - 2019

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Brasil

Minas Gerais

Idade da vítima

Violência contra a mulher por faixa de escolaridade

Ensino fundamental incompleto

Ensino fundamental completo

Ensino médio incompleto

Ensino médio completo

Superior incompleto

Superior completo

Menor de 16 anos

80,5%

8,0%

10,0%

1,4%

0,1%

0,0%

16 a 19 anos

26,2%

11,4%

37,9%

19,9%

4,0%

0,6%

20 a 29 anos

22,4%

11,2%

17,0%

36,2%

8,5%

4,6%

30 a 39 anos

27,6%

11,2%

12,2%

34,2%

5,8%

9,1%

40 a 49 anos

38,0%

12,3%

9,3%

27,6%

4,0%

8,9%

50 a 59 anos

47,6%

12,2%

8,0%

20,7%

2,7%

8,7%

60 a 69 anos

57,9%

12,8%

6,3%

15,0%

1,9%

6,1%

70 anos ou mais

73,4%

10,7%

2,6%

8,5%

0,7%

4,0%

Idade da vítima

Violência contra a mulher por faixa de escolaridade

Ensino fundamental incompleto

Ensino fundamental completo

Ensino médio incompleto

Ensino médio completo

Superior incompleto

Superior completo

Menor de 16 anos

76,6%

9,8%

12,1%

1,5%

0,0%

0,0%

16 a 19 anos

24,4%

11,6%

38,9%

21,8%

2,9%

0,3%

20 a 29 anos

23,4%

12,3%

17,0%

36,6%

7,2%

3,5%

30 a 39 anos

32,3%

13,0%

11,8%

33,3%

3,3%

6,3%

40 a 49 anos

45,7%

13,8%

9,9%

22,4%

2,4%

5,8%

50 a 59 anos

56,2%

10,4%

6,8%

18,4%

2,0%

6,2%

60 a 69 anos

67,0%

10,9%

4,2%

11,9%

0,4%

5,6%

70 anos ou mais

80,2%

8,2%

2,8%

5,9%

0,3%

2,6%

A violência atinge mulheres de todas as escolaridades. Contudo, aquelas com menor grau de instrução sofrem mais violência.

Fonte: VIVA Contínuo (Datasus). Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais - FIEMG.

Violência Contra a Mulher - 2019

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4. Impactos Econômicos da Violência Contra a Mulher

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Impactos Econômicos da Violência Contra a Mulher

Violência contra a mulher

Absenteísmo

Produtividade e capacidade laborativa transitória

Emprego

Dinâmica de trabalho (faltas frequentes e queda de ritmo)

Produtividade e capacidade laborativa permanente

Capital humano, salário e promoções

Sequelas físicas, sexuais e psicológicas

Stress e depressão

Sequelas físicas, sexuais e psicológicas permanentes

Stress e depressão

Curto Prazo

Longo Prazo

Impactos da violência contra a mulher no mercado de trabalho*

A violência resulta em absenteísmo da mulher vitimada, que experimenta queda em sua produtividade devido aos dias de afastamento do trabalho.

*Nota: Adaptado a partir de Carvalho e Oliveira (2016).

Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais – FIEMG.

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    • Queda da Demanda

    • Redução do faturamento das empresas

    • Diminuição dos investimentos

    • Recuo da produção

    • Demissões

    • Decréscimo da renda

Violência contra a mulher

Sequelas físicas e psicológicas

Absenteísmo

Violência contra a mulher

Sequelas permanentes

Quedas da produtividade e capacidade laboral

Curto Prazo

Longo Prazo

No curto prazo, a violência contra a mulher afeta principalmente a habilidade e a produtividade transitória da vítima, ao provocar:

    • Absenteísmo;
    • Atrasos no trabalho; e
    • Perda do emprego.

No longo prazo, as consequências da violência contra a mulher geram:

    • Redução da produtividade;
    • Queda permanente da capacidade laboral; e
    • Diminuição do capital humano.

Impactos Econômicos da Violência Contra a Mulher

Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais – FIEMG.

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Modelo de Equilíbrio Geral Computável

Um modelo EGC é uma fotografia da economia e de suas relações setoriais em um período de tempo.

Avaliação dos efeitos acumulados em 10 anos

  • Efeitos da violência contra a mulher no curto prazo (impactos na renda disponível)
  • Efeitos da violência contra a mulher no longo prazo (impactos na produtividade e no PIB potencial da economia)

Redutores aplicados nos cenários avaliados

Efeito

Moderado (algumas políticas públicas são realizadas)

Base (nada é realizado)

Alto (a violência contra a mulher aumenta)

Violência - curto prazo

1/2

1

3/2

Violência - longo prazo

1/2

1

3/2

Impactos Econômicos da Violência Contra a Mulher

Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais – FIEMG.

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Região

Mulheres ocupadas

Algum tipo de violência (nos últimos 12 meses)

Faltaram pelo menos uma vez ao trabalho por conta da violência

Número de dias de trabalho perdidos

Salário-hora das mulheres vítimas de violência

Massa salarial perdida

12,50%

25%

18 dias (média)

Valor médio dia trab (R$)

BR

26.545.486

3.318.186

829.546

14.931.836

65,28

974.750.254

MG

3.143.261

392.908

98.227

1.768.084

65,28

115.420.544

RB

23.402.225

2.925.278

731.320

13.163.752

65,28

859.329.710

Efeitos da violência contra a mulher*

*Nota: adaptado a partir de Carvalho e Oliveira (2016).

Impactos Econômicos da Violência Contra a Mulher

Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais – FIEMG.

Em 12 meses, cerca de 12,5% das mulheres ocupadas no mercado de trabalho sofreram algum tipo de violência (física, psicológica, sexual, entre outras).

Por conta da violência, as vítimas deixaram de ir ao trabalho, em média, 18 dias do ano.

25% das mulheres que sofreram algum tipo de violência, faltaram ao menos uma vez ao trabalho no ano.

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5. Resultados

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Resultados – Acumulados em 10 anos

Perdas

Minas Gerais

-26.486

 Brasil

-214.421

Faturamento (R$ milhões)

Perdas

Minas Gerais

-327.714

 Brasil

-1.959.573

Empregos (formais + informais)

Perdas

Minas Gerais

-13.183

 Brasil

-91.438

Massa Salarial (R$ milhões)

Perdas

Minas Gerais

-2.017

 Brasil

-16.441

Impostos Líquidos (R$ milhões)

R$ 214,4 bilhões

R$ 107,2 bilhões

R$ 301,2 bilhões

1,96 milhão de empregos

2,8 milhões empregos

979,6 mil empregos

Impactos econômicos (perdas)

Cenários Moderado, Base e Alto

Impactos econômicos (Cenário Base)

R$ 26,5 bilhões

R$ 13,2 bilhões

R$ 38,6 bilhões

327,7 mil empregos

479,5 mil empregos

163,8 mil empregos

Brasil

Minas Gerais

Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais – FIEMG.

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6. Conclusões

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Conclusões

A violência contra a mulher é uma realidade na sociedade brasileira. Considerando os dados de 2019, as perdas econômicas extrapoladas para um período de 10 anos são de grandes proporções:

    • Queda de R$ 214,4 bilhões no PIB brasileiro, valor equivalente ao orçamento de 10 anos do programa Bolsa-Família;
    • Perda de dois milhões de empregos;
    • Redução de R$ 91,4 bilhões na renda das famílias; e
    • Redução de R$ 16,4 bilhões na arrecadação do governo.

São notórias as evidências de agravamento da violência contra a mulher durante a pandemia de Covid-19 no Brasil. Logo, os impactos econômicos e sociais tendem a ser ainda maiores que os estimados acima.

Fonte: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021.

Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais – FIEMG.

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Atuação da FIEMG

A divulgação do estudo é uma forma de dar ênfase e um outro olhar para a violência contra a mulher.

A FIEMG atua direta e indiretamente para atenuação desse problema.

    • Indiretamente, como entidade promotora do desenvolvimento econômico e social, como ofertante de educação básica, fundamental e de ensino médio e profissionalizante, assim como na promoção do esporte, do lazer e da cultura. Essas frentes de trabalho dão dignidade às pessoas.
    • Diretamente, a FIEMG é signatário do Pacto Global da ONU e busca engajar as indústrias mineiras para que desenvolvam ações que contribuam para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - ODS. Entre eles, a FIEMG atua, por meio do SESI, no tema de Diversidade & Inclusão, com diversas ações e orientações às indústrias, dentre elas: projetos especiais, capacitações nos temas de violência e abuso contra crianças e adolescentes, equidade de gênero, liderança feminina e consultoria em diversidade.

Fonte: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021.

Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais – FIEMG.

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Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais – FIEMG.

METODOLOGIA

Os impactos econômicos e sociais objetos deste estudo estão associados direta e indiretamente à perda da renda disponível e à redução da produtividade (PIB potencial) em decorrência da violência contra a mulher. Os efeitos diretos são as perdas da renda e da produtividade nos setores da economia, devido à violência contra as mulheres. Os efeitos indiretos estão relacionados às perdas geradas nos demais setores da economia, como reflexo dos encadeamentos produtivos.

As estimativas são de “longo prazo” (efeitos acumulados em 10 anos) e baseiam-se na metodologia de Equilíbrio Geral Computável (EGC) e análise Insumo-Produto, utilizando uma matriz com abertura de 67 setores, calibrada para duas regiões (Minas Gerais e Restante do Brasil) para o ano de 2015.

Os cenários construídos se baseiam na variação percentual da renda e da produtividade, considerando três cenários: base, moderado e alto.

Os efeitos no faturamento (valor bruto da produção), no emprego (número de postos de trabalho), na massa salarial e na arrecadação de impostos líquidos de subsídios foram analisados para o Brasil e para Minas Gerais.

LIMITAÇÕES

  • Os dados descritivos sobre a violência contra a mulher apresentados nesta pesquisa tendem a ser subestimados, uma vez que dependem da notificação ou do registro pela vítima.
  • As simulações não consideram os demais efeitos na produtividade, tais como perda da capacidade de aprendizado, efeitos psicológicos prolongados e redução do estimulo à qualificação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARVALHO, J; OLIVEIRA, V. H. PCSVDF mulher: pesquisa de condições socioeconômicas e violência doméstica e familiar contra a mulher. Violência doméstica e seu impacto no mercado de trabalho e na produtividade das mulheres. Relatório II-Primeira Onda–2016. Fortaleza: UFC/IMP, 2017.

RIOS-AVILA, Fernando; CANAVIRE-BACARREZA, Gustavo Javier. The effect of intimate partner violence on labor market decisions: Evidence from a multi-ethnic country. International Journal of Social Economics, 2017.

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Variável

Valor (R$ milhões)

Choque (perda)

Massa Salarial BR

2.229.292,00

0,04%

Massa Salarial MG

196.254,12

0,06%

Massa Salarial RB

2.033.037,88

0,04%

Região

VA observado (R$ milhões)

PT = VA/ocup

PT = VA/ocup (dias úteis 253)

VA sem VM (R$ milhões)

Choque (perda)

BR

5.419.822

60,08

0,2375

5.423.368

0,065%

MG

478.296

50,33

0,1989

478.648

0,074%

RB

4.941.526

61,22

0,2420

4.944.711

0,064%

Choque na renda disponível

Choque na produtividade (PIB potencial)

Fonte: Sistema de contas regionais (SCR – 2016).

Fonte: Sistema de contas regionais (SCR – 2016).

Construção das simulações

Elaboração: Gerência de Economia e Finanças Empresariais – FIEMG.

A perda da produtividade/PIB potencial refere-se à diferença percentual entre o valor adicionado que poderia ser alcançado – caso não houvesse violência contra a mulher – (VA sem VM) e o valor adicionado observado (VA observado).

Perda de renda, devido aos dias faltados, em relação a massa salarial total.

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