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Capitu, o olho que tudo viu.

Elker Lucas Moura¹; Perla da Rocha Santos¹; Anita Mariane Santos Vieira², Clarice Rocha Santos², Emilly Soares Rodrigues², Klever Ryan Souza Santos², Marie Brunelly Bispo Almeida², Pedro Cardoso de Souza², Thiane Hadassa de Souza Queiroz², Rayron Kauã dos Santos²

Centro de Excelência Senador Gonçalo Rolleberg – Japaratuba-SE

(kinhoelker@gmail.com)

Resumo

Metodologia

Resultados

CONCLUSÕES

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Agradecimentos

A realização da peça Capitu, o Olho que Tudo Viu trouxe resultados significativos tanto no campo artístico quanto no educacional. A apresentação na Feira do Conhecimento chamou atenção pela originalidade e profundidade da proposta, sendo indicada inclusive para a CIENART 2025, o que evidencia o impacto positivo da iniciativa.

Para os alunos, o processo foi uma oportunidade de crescimento pessoal e coletivo. Nos ensaios e oficinas, desenvolveram habilidades de expressão corporal, interpretação, oratória e trabalho em equipe. Muitos relataram melhora na autoestima, maior segurança para se expor em público e amadurecimento na forma de enxergar a realidade social.

No campo temático, a peça estabeleceu um paralelo entre o julgamento sofrido por Capitu e as pressões vividas por jovens nas redes sociais. Questões como machismo, pressão estética e cultura do cancelamento ganharam espaço de debate, permitindo que os estudantes percebessem como a literatura dialoga diretamente com problemas atuais.

Outro resultado relevante foi a contribuição para a arte-educação: o projeto demonstrou como o teatro, aliado à literatura, pode ser um recurso pedagógico inovador, capaz de despertar empatia, consciência crítica e interesse pelo aprendizado. Além disso, reforçou a importância da escola como espaço de reflexão e acolhimento frente às dificuldades emocionais enfrentadas pela juventude.

As redes sociais transformaram a juventude em espetáculo: cada gesto, cada silêncio, é observado e julgado. Capitu, em Dom Casmurro, sofreu olhares enviesados e interpretações injustas; hoje, muitas jovens enfrentam padrões irreais, comparações constantes e o temido “cancelamento”. Inspirados por esse paralelo, os alunos do Centro de Excelência Senador Gonçalo Rollemberg deram vida à leitura de Machado de Assis. A peça Capitu, o Olho que Tudo Viu une literatura, teatro e reflexão social, mostrando que a arte ensina, desperta consciência, provoca questionamentos e inspira resistência frente às injustiças que ainda persistem.

•Valorizar a arte como meio de expressão e reflexão crítica.

•Incentivar e evidenciar as habilidades artísticas dos estudantes envolvidos.

•Proporcionar aprendizado a partir de uma questão social relevante, conectando literatura, teatro e realidade contemporânea.

•Estimular a consciência cidadã nos alunos, fortalecendo sua compreensão do papel social da arte.

•Promover a troca de experiências entre atores e público, ampliando o alcance da reflexão proposta.

Para a construção do projeto, o ponto de partida foi a leitura integral do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, que serviu como base para discussões em sala de aula e análises críticas sobre os dilemas vividos por Bentinho e Capitu. A partir dessa leitura, os estudantes realizaram pesquisas sobre temas atuais relacionados ao julgamento feminino, às redes sociais, ao machismo e à pressão estética, estabelecendo um paralelo entre a narrativa literária e a realidade contemporânea.

O processo envolveu rodas de conversa, debates, oficinas de teatro e dança, além da adaptação coletiva do texto para o formato teatral. Os ensaios permitiram a experimentação de personagens, a construção de cenários e a integração entre diferentes linguagens artísticas. Todo o trabalho foi desenvolvido de forma colaborativa, dentro do programa de Iniciação Científica Júnior (IC Jr. – SEDUC/FAPTEC-SE), o que possibilitou que a pesquisa acadêmica fosse associada à prática criativa.

A metodologia, de caráter qualitativo e interpretativo, uniu estudo literário, reflexão social e prática artística, resultando em uma experiência educativa que ultrapassou os limites da sala de aula e ganhou espaço na Feira do Conhecimento da escola.

Objetivos

A releitura de Dom Casmurro por meio da peça Capitu, o Olho que Tudo Viu mostrou que o julgamento social enfrentado pela personagem no século XIX continua presente na atualidade, agora intensificado pelas redes sociais. A figura de Capitu, acusada pela dúvida e pelos olhares enviesados, encontra eco nas experiências vividas por muitas jovens, que diariamente são alvo de comparações, críticas e até cancelamentos virtuais.

O projeto evidenciou como a literatura, ao dialogar com o teatro e com questões contemporâneas, pode se tornar uma ferramenta de reflexão e transformação. A experiência na Feira do Conhecimento destacou o papel fundamental da arte-educação, ao proporcionar um espaço em que os estudantes puderam desenvolver consciência crítica, habilidades artísticas e, ao mesmo tempo, discutir temas sociais urgentes.

Assim, a iniciativa reforça a importância de promover debates sobre o uso das redes sociais, o fortalecimento da autoestima e a valorização da voz feminina, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e menos pautada em julgamentos superficiais.

Referências

ASSIS, Machado de. Dom Casmurro.

SILVA, C. M.; MENDES, M. O. As marcas do machismo no cotidiano escolar. Caderno Espaço Feminino – Uberlândia, Minas Gerais, 2015.

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