FECCIF25 – IV Feira Estadual de Ciência e Cultura do IFSP – Setembro / Outubro de 2025
O Brasil abriga uma grande diversidade cultural e linguística, mas cerca de 80% das línguas indígenas estão em risco de extinção, segundo o Atlas da UNESCO. A precariedade das políticas de educação para os povos indígenas enfraquece a identidade cultural, especialmente em áreas urbanas. Com a Década Internacional das Línguas Indígenas (2022–2032), este projeto busca analisar a produção científica sobre a diversidade linguística indígena no Brasil, comparando antes da IDIL (até 2021) e durante a IDIL (2022–2025). O objetivo é mapear centros de pesquisa, identificar propostas de preservação e produzir materiais de divulgação científica que contribuam para a valorização das línguas indígenas.
RESUMO
INTRODUÇÃO
OBJETIVOS
METODOLOGIA
L
Vulnerabilidade das línguas indígenas no Brasil: reflexões sobre diversidade e identidade cultural
Aluno:Manuela Orlandeli Cardoso
Orientador: Iara Leme Russo Cury
Instituto Federal de São Paulo, Bragança Paulista, Brasil - m.orlandeli@aluno.ifsp.edu.br
Instituto Federal de São Paulo, Bragança Paulista, Brasil – Iara.cury@ifsp.edu.br
As discussões sobre a diversidade cultural e linguística dos povos indígenas têm ganhado destaque diante das ameaças às línguas originárias. No Brasil, a Lei 11.645/08 obriga a inclusão da história e cultura indígena e negra na educação básica, mas a concretização dessa lei enfrenta desafios como formação inadequada de professores, estereótipos, preconceitos e falta de materiais específicos. Neste contexto, compreender como a produção científica aborda a vulnerabilidade linguística é essencial. Este projeto propõe levantar documentos oficiais e publicações sobre o tema, com análises quantitativas e qualitativas da produção científica antes e durante a IDIL, buscando dar visibilidade e ampliar o debate sobre as línguas indígenas.
Objetivo Geral: Investigar a vulnerabilidade das línguas indígenas no Brasil por meio da análise da produção científica sobre o tema.
Objetivos Específicos: relacionar os estudos científicos com a localização dos povos indígenas no território brasileiro; levantar ações do governo federal na IDIL; divulgar iniciativas de preservação; e produzir materiais de divulgação científica.
Este projeto será desenvolvido com base no método científico, utilizando abordagem documental, exploratória e descritiva, a fim de investigar como a produção científica brasileira tem tratado a vulnerabilidade das línguas indígenas. A pesquisa será estruturada em três etapas principais: leitura de documentos institucionais, levantamento de dados e análise qualitativa. A primeira etapa compreenderá a leitura e análise de documentos oficiais da UNESCO e de políticas públicas brasileiras relacionadas à Década Internacional das Línguas Indígenas (IDIL). Essa fase terá como objetivo compreender as ações governamentais voltadas à preservação das línguas indígenas e compará-las com as propostas discutidas na produção científica analisada posteriormente. A segunda etapa consiste no levantamento da produção científica disponível na base de dados da CAPES, com foco em trabalhos que abordem a diversidade linguística dos povos indígenas. O recorte temporal adotado contempla os períodos de 2019 a 2021 (antes da IDIL) e de 2022 a 2025 (durante a IDIL), o que permitirá observar possíveis variações no volume de publicações. Essa etapa utilizará critérios de busca baseados em palavras-chave relacionadas ao tema e aos objetivos da pesquisa. A terceira etapa será realizada uma análise qualitativa de uma amostragem dos artigos selecionados. Essa análise buscará identificar quais línguas indígenas são mais estudadas, as principais propostas de preservação apresentadas pelos autores, os grupos de pesquisa atuantes e a relação dos temas abordados com a distribuição das etnias no território brasileiro. Os dados serão organizados em quadros e tabelas, possibilitando a construção de um panorama mais aprofundado sobre a abordagem do tema na produção acadêmica
A análise quantitativa realizada na base CAPES permitiu identificar uma concentração de trabalhos sobre línguas indígenas na região Sudeste e um crescimento progressivo da produção científica a partir de 2010. Também foram encontrados projetos mais antigos, datados desde 1958. No entanto, ao comparar a quantidade total de publicações antes da IDIL com a média de trabalhos produzidos durante os anos 2022–2025, observa-se que o período da Década Internacional apresenta uma produção proporcionalmente maior. Esse dado reforça que a IDIL tem contribuído para estimular o interesse acadêmico pelo tema, ainda que essa produção esteja concentrada em algumas regiões e em determinadas línguas mais conhecidas.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
REFERÊNCIAS
CONCLUSÃO
Os resultados parciais indicam que houve aumento da produção científica sobre línguas indígenas nos últimos anos, especialmente no período da IDIL, que já apresenta uma média anual superior ao período anterior. Apesar desse crescimento, a pesquisa mostra que ainda existem desigualdades regionais e pouca visibilidade de línguas faladas por grupos menores. Até o momento, conclui-se que a IDIL representa um avanço importante para dar visibilidade à diversidade linguística indígena e fortalecer sua preservação.
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