Crise de 1929 e New Deal
9º Ano - 1º Bimestre
Crise da Bolsa de 1929
Quebra da Bolsa de Nova York (PG. 32-33) Silêncio e tensão, muita tensão no ar. Mais de dez mil pessoas amontoam-se nas proximidades da Wall Street, a “rua do muro", centro financeiro e sede da Bolsa de Valores de Nova York. É manhã de terça-feira, 29 de outubro de 1929. Depois de vários dias de queda constante nas cotações – que arruinou milhares de pequenos investidores –, os sobreviventes do massacre financeiro aguardam a abertura do pregão da Bolsa. Dez horas. A companhia elétrica dá início ao leilão de ações. Em poucos minutos, o silêncio e a tensão se transformam em gritaria e desespero. Os preços das blue chips, as ações mais nobres – General Motors, RCA, US Steel, entre elas –, despencam. Primeiro a cada quinze minutos, depois de minuto em minuto. E, finalmente, meia dúzia de vezes num só minuto. Em pânico, um número cada vez maior de investidores pede a seus agentes que vendam tudo, a qualquer preço. Entre 11h15 min e 12h15 min, ninguém comprava nada, seja qual for o preço. O ticker, a barulhenta maquininha que permite aos investidores acompanhar de seus próprios escritórios as cotações, está 48 minutos atrasado. Assim, muita gente vende suas ações por muito menos do que imagina e só no dia seguinte terá ideia de quanto perdeu. Fim da tarde. O desespero tornou-se agonia. Cerca de 15 bilhões de dólares em papéis tinham virado fumaça. Junto ao prédio da Bolsa, a multidão está atônita. Dezenas de policiais a cavalo estão a postos para evitar qualquer quebra-quebra. Mas não há necessidade. “Os olhos das pessoas pareciam os dos peixes apanhados nas redes", lembraria um jornalista inglês. O prefeito de Nova York, Jimmy Walker, pede aos donos de cinemas da cidade que só exibam filmes otimistas para não aumentar ainda mais o desânimo da população. Pouco adiantaria. Como a Wall Street é uma espécie de termômetro para as demais Bolsas norte-americanas – de Chicago e outras grandes cidades – o desânimo se espalha rapidamente por todo o país. Aborrecido, o corretor Albert Gordon decide dar uma volta com os amigos, para esquecer a tragédia. “Tivemos a precaução de caminhar pelo meio da rua, para que não caíssem sobre nós os corpos daqueles que haviam optado pelo suicídio", lembraria ele, meio século depois. Uma pequena multidão se aglomerava numa esquina, para ver um homem que balançava as pernas no alto de um prédio em construção. Mais um suicida, um investidor arruinado à espera de coragem para pular? Não. Era apenas um operário comendo tranquilamente seu lanche. [...] Os suicídios, na verdade, não foram tantos. E o método mais usado não era o salto no vazio, e sim a asfixia por gás. Mas a imagem de executivos engravatados pulando das janelas dos arranha-céus – símbolo da pujança dos Estados Unidos – ficaria para sempre associada à quebra da Bolsa, em outubro de 1929. (Jayme Brener. 1929: a crise que mudou o mundo.�São Paulo: Ática, 1996, p. 45.) |
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